A sinopse nos conta que abalado por sua baixa popularidade o Diabo resolve vir à Terra e fundar sua própria igreja. Os pecados são virtudes e devem ser estimulados. Utilizando a televisão, o Coisa Ruim potencializa seu poder de sedução para ganhar mais fiéis. Raquel, uma jovem jornalista ambiciosa, é uma das primeiras a cair sob seu domínio.
Diria que o maior pecado do diretor e roteirista Toni Venturi em cima do filme foi querer ir além num meio que não se deve mexer no país, pois como bem conhecemos nossa mídia atualmente, qualquer "vínculo" com o Diabo faz queimar tudo e todos ao seu redor, e se analisarmos friamente o longa veremos sim muitos detalhes técnicos de quem se arriscou pela primeira vez numa comédia, e mais ainda cair num estilo de longa que necessitava de muitos efeitos especiais para ficar realmente "especial", e é exatamente esses os dois maiores problemas do longa, pois não faz a função correta do riso como poderia, e cheio de gags exageradas de efeitos forçados, o longa acaba fazendo rir por erros cênicos, ou seja, uma inversão completa de valores, pois deveria ter efeitos primorosos para surpreender e piadas boas para rirmos. Como digo, esses dois problemas poderiam até ser bem supridos por um roteiro memorável em cima de uma história simples, pois o conto de Machado de Assis, no qual o longa é baseado, tem no máximo 3 páginas e se lê em menos de 10 minutos (link para quem desejar conferir!), e sua simplicidade estética é brilhante para se desenvolver bem uma trama e conseguir bons frutos, e a equipe de roteiristas até teve grandes situações, mas pecou por exagerar em tudo e não ir muito além, ou seja, um filme com uma ideia genial, que poderia ir para rumos melhores e até mais simples, caso quisessem. Porém longe de ser uma bomba, o resultado até é agradável e funciona, só poderiam ter sido mais singelos para não soar apelativo.
Sobre as atuações, diria que todos foram bem dentro de uma medida considerável, mas que certamente todos poderiam ter feito algo mais cômico para chamar a responsabilidade para si para fazer rir, isso com certeza poderiam, a começar por Murilo Rosa, que faz um Diabo bem elegante, boa pinta e cheio de trejeitos fortes, que acaba divertindo pelo texto em si, mas não pela personificação, e o ator sabe bem fazer isso, só faltou um ataque mais pontual. Monica Iozzi possui um estilo de graça bem pontual e que fazia rir muito no saudoso CQC, mas aqui ela apenas foi coesa nas situações e até fez uma protagonista bem colocada com sua Raquel, mas longe, bem longe de empolgar. Thiago Mendonça está quase afundado com seu Lucas, um personagem bem fraco que não chama nenhum momento para si, e apenas faz trejeitos melosos que não convence. Ou seja, a trama ficou completamente dependente de todo o elenco secundário para fazer a diversão acontecer, e Débora Duboc, Thogun Teixeira, Dalton Vigh, Juliana Alves, entre outros até tiveram excelentes momentos (alguns forçados demais), mas como são da linha abaixo do cerne, acabaram apagados pela força dos dois protagonistas, o que é uma pena.
No conceito artístico, o longa possui locações interessantes, como a igreja do Diabo com muitas virtudes desviadas, hinos alegóricos com dancinhas (acho que já vi isso em outras religiões!), e muitos detalhes cênicos, mas na emissora de TV faltou um pouco mais de símbolos para tentar representar melhor, e somente ao assumir de vez o comando do Diabo, que vemos mais detalhes e programas mais interessantemente desenvolvidos em conceitos cenográficos, mas ainda assim poderiam ter abusado mais de alegorias, porém de forma geral é visto o trabalho bem empregado da equipe cênica, principalmente no que temos de dizer do Inferno e do Céu, além claro dos ótimos figurinos e maquiagens. O tom da fotografia puxou muito para o vermelho e preto, afinal estamos falando do Diabo, e isso ajudou o filme a faltar com um humor mais forte de cenas realmente divertidas, mas como a ideia era de algo mais ácido, o resultado até que funciona bem, mas volto a frisar, que poderiam ter ido além.
Enfim, diria que é um filme bem feito, com uma ideia bacana, mas que tem falhas em todos os quesitos técnicos, que poderiam facilmente ser supridas para que ficasse perfeito, mas que ao ser sutil e não apelar tanto para que o humor funcionasse de forma mais simples, o resultado não vai empolgar tanto quem não gostar de comédias reflexivas, ou seja, um longa feito mais para um público que gosta de histórias do que aqueles que preferem algo que realmente faça rir. E sendo assim, diria que até recomendo ele para uma diversão sem muito compromisso, mas que não espere sair da sessão, ou melhor da sala de casa afinal o longa já está nas telinhas e não mais nas telonas, rindo sem parar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até breve.

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