A diretora Agniezka Holland quis ser muito simbólica nas dinâmicas e acabou assim criando um filme preso demais nos diálogos, ao ponto que o filme é bem detalhado do que o protagonista viu no interior da URSS, mostrando o frio, a fome e claro como as pessoas estavam "sobrevivendo" comendo madeira e parentes, e isso acaba sendo até bem duro de ver se comparado com as festanças que o diretor de imprensa do país dava na sua casa para outros enviados de países, ou seja, vemos uma direção exageradamente segura de estilo, que ao misturar com trechos do livro de Orwell acaba ficando meio que bagunçado demais, pois acaba não indo a fundo nem em uma coisa, nem em outra, criando um filme com muito sentimento sim, mas mais representativo do que de entrega, parecendo que os personagens são apenas meros coadjuvantes de algo maior. Sendo assim, vemos um filme bem imponente sim, vemos um trabalho com boas nuances, mas acabamos o filme pensando o que realmente desejavam nos mostrar, pois são quase duas horas de intensas situações, mas com um desfecho nem explicitando que o escritor quis colocar a aventura do protagonista no seu livro, nem mostrando uma representativa força do que foi o trabalho de Jones, além de que outros personagens acabaram ficando apenas jogados em cena, e isso não é algo que funcione muito bem.
Sobre as atuações, é fato que o filme ficou praticamente todo focado na desenvoltura de James Norton com seu Gareth Jones pretensioso demais e intrometido demais, que de cara pareceu alguém aventureiro e despojado de encarar seu jornalismo investigativo, mas que mais correu e se desesperou com tudo o que estava fazendo do que como alguém que atacasse mais diretamente tudo, faltando um pouco mais de trejeitos marcantes para que como o protagonista do longa chamasse toda a atenção para si, e assim sendo não impactou tanto. Peter Sarsgaard entregou bem seu Duranty, e se tivesse mais tempo de tela teria até apagado um pouco o que o protagonista fez, sendo um personagem esquisito, porém bem direto no que o papel precisava. Quanto os demais nenhum teve uma grande participação efetiva, ao ponto que tanto Vanessa Kirby com uma Ada assustada e deixada de lado quanto Joseph Mawle com um Orwell secundário e perdido no meio de todo o conflito, tentaram aparecer e não foram além, o que deu um tom mais confuso para a trama do que funcional.
Visualmente o longa foi muito bem trabalhado, pois se queriam mostrar detalhes conseguiram, ao ponto que vemos um país destroçado maquiado pela mídia, aonde as pessoas estavam morrendo nas cidades do interior e na capital a polícia dominava cada canto para ninguém ver ou falar nada que não quisessem que fosse mostrado/falado, e vemos desde os mortos espalhados, os figurantes do trem desesperados pela casca de uma mexerica, a troca de um casaco de luxo por um pão, roubos e brigas de comida, trabalhos praticamente escravos, e o ponto alto da comida da família de crianças ser quase que algo que botamos o estômago para fora, enquanto do outro lado temos muita comida nas festas, muito álcool, mulheres, drogas, e todo o luxo dos hotéis, toda a barganha de dinheiro, e tudo sendo bem representativo, ao ponto de fazer a equipe de arte sofrer e acertar a mão.
Enfim, é o que já disse que nos foi entregue um filme que serve bem para discussões e aulas por ser bem representativo, por ser uma biografia de alguém que existiu juntamente com outros nomes famosos, mas que falha consideravelmente como uma obra que alguém dê o play aleatoriamente e termine de assistir, pois é lento, tem muita informação de síntese que só quem já estudou sobre o tema vai pegar, e que principalmente falando como cinema, tem personagens protagonistas sem muito chamariz, e assim o resultado não flui como deveria, mas certamente um bom professor ou palestrante de História vai usar ele com perfeição, pois no conceito de produção o visual é muito representativo da época. E assim fica a dica, e eu fico por aqui, então abraços e até logo mais.
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