É engraçado que o diretor e roteirista Baz Luhrmann não segue a mesma linha da maioria dos diretores de ter vários filmes em sua carreira, demorando bastante nas entregas e se atendo a tantos detalhes que diria ser um dos mais perfeccionistas diretores dos últimos anos, afinal preza por qualidade, por um cinema diferenciado, e principalmente por muita técnica e interpretações minuciosas de seus artistas, ao ponto que todos seus filmes acabaram virando clássicos e referências de estudos e tudo mais, o que não foi diferente aqui, pois vemos uma fotografia ímpar de cores, vemos imagens em vários ângulos com recortes de tela (algo que praticamente mais ninguém usa, e funcionou muito bem na trama), vemos um ator que estudou por mais de dois anos para conseguir trejeitos e tons vocais igual ao homenageado, e claro vemos um filme que muitos podem até reclamar de ter quase três horas de projeção, mas que não cansa, e mais do que isso envolve tanto que ficamos esperando até muito mais, já que ficou perfeito em todos os quesitos, e assim quem sabe levará muitos prêmios daqui para frente (montagem com toda certeza já podem começar a gravar o nome no prêmio).
Sobre as atuações, Austin Butler só tinha feito papeis secundários sem grandes chamarizes, mas a partir do que fez aqui com seu Elvis, o seu agente já pode preparar para os telefonemas brotarem, pois o jovem entregou tudo e muito mais, cantando todas as canções com uma voz imponentíssima, fazendo trejeitos perfeitos, dançando demais, e principalmente representando perfeitamente um ícone mundial que foi o cantor, com uma responsabilidade imensa de ser julgado tanto pela aparência quanto pelo gestual pelos fãs, e isso foi muito bem trabalhado com muito estudo e personalidade do ator, conseguindo quase incorporar o espírito do cantor para entregar tudo e muito mais na telona. Tom Hanks dispensa qualquer apresentação, e fez de seu Tom Parker um verdadeiro agente mal caráter, daqueles que prende o artista ao máximo, não dando brechas para fugir de contratos, e mais do que isso tendo um convencimento absurdo para influenciar o protagonista, trabalhando trejeitos fortes, sínteses bem expressivas, e principalmente dinâmicas que amarraram tanto o protagonista, quanto os espectadores com sua arte, e assim sendo não vemos nenhum personagem já conhecido do ator, mas sim algo novo e marcante. Olivia DeJonge trabalhou bem sua Priscilla sendo bem expressiva e representativa, que não foi tão usada no conceito dos diálogos e dinâmicas com o protagonista, pois aqui vemos mais o relacionamento dele com o empresário do que com a família realmente, mas sempre que aparecia em cena tinha uma luz bem chamativa para ela, e isso mostrou presença cênica ao menos. Kelvin Harrison Jr. trabalhou muito bem seu B.B.King, soando marcante para o personagem principal, e doando boas dinâmicas com o protagonista, tendo uma química até que bem interessante, mas volto a frisar que o filme focou muito mais em Butler e Hanks, então todos os demais ficaram quase que apagados. E dessa forma, todos os demais apareceram bem, mas não foram além, tendo claro leves destaques para Helen Thomsom como Gladys, a mãe de Elvis bem chamativa e direta com o filho, Richard Roxburgh como Vernon, pai do protagonista, sempre aparecendo por trás como gerente da carreira dele, mas que não fez muito pelo filho, e até mesmo David Wenham chamou um pouco de atenção como o primeiro grande artista de Parker, Hank Snow, mas nada que fosse chamativo demais.
Visualmente o longa está incrível, com muitas apresentações musicais, toda a imponência do Hotel International que tiveram os maiores shows do cantor, e praticamente sendo sua casa durante várias semanas de vários anos, todo o trabalho das atuações, a ida para a Alemanha servir o exército, a grandiosa mansão em Graceland aonde viveu com a família e amigos, os showmícios, e claro toda a representação de uma Memphis bem dividida, assim como o país em negros e brancos, e a tentativa de músicas para ambos os públicos, ou seja, uma simbologia imensa, mas muito representativa de detalhes, de figurinos, de maquiagens em ambos os protagonistas para ficarem bem semelhantes aos verdadeiros, e muita dinâmica de cores fortes e chamativas por parte da equipe de arte e fotografia, fazendo com que o filme ficasse riquíssimo e muito chamativo.
Como estamos falando de um filme de um dos maiores cantores de rock que já existiu, é claro que a trilha sonora escolhida para os devidos momentos foi muito bem pensada, tanto para as canções que o jovem ator iria entregar e cantar realmente, quanto para as que iria dublar, além claro de muitas remixagens em outras vozes de artistas famosos, e também de apenas trechos tocados de forma emotiva, ou seja, um trabalho ímpar que envolve demais e funciona muito, que felizmente divulgaram o álbum completo para ser ouvido aqui, então faça bom proveito.
Enfim, até poderia achar defeitos no que vi, reclamar de alguns atos e talvez de faltar algo mais desenvolvido para conhecermos mais do personagem, mas o foco aqui foi o comércio/interação de negócio dos protagonistas, e isso foi maravilhosamente representado de tal maneira que rimos, nos emocionamos, nos envolvemos, e claro que se eu que nunca fui um fã gigantesco de Elvis saí muito feliz da sessão, quem for fã então vai sair maravilhado, e assim sendo recomendo demais o longa para todos, e como ando um Coelho muito bonzinho, vou dar mais uma nota máxima nesse ano, então pegue a pipoca e vá para o cinema, pois acredito que em casa por ser um filme longo, muitos não irão aproveitar a trama como se deve. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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