É engraçado que muitas vezes quando conferimos um filme baseado em uma peça, acabo com muita vontade de ver a peça para ver se é melhor, e muitas vezes também acabamos vendo a falta de um palco para tudo ser exibido, mas Gero Camilo em seu primeiro longa levou sua peça para algo maior e muito melhorado, pois acredito que toda a história num palco deve ser dificílima do público entrar no clima, e aqui ele conseguiu, mesmo que simbolicamente, criar os ambientes completos, representando tudo, e o resultado acabou ficando lindo de ver. E claro com um texto alegórico e gostoso, cheio de desenvolturas, e principalmente com muito envolvimento por conta dos protagonistas, de forma que mesmo que os dois não fossem realmente amigos, a entrega deles no filme é desenvolvida com tanto gosto que acabamos querendo viver naquela amizade, conhecer eles pessoalmente, e tudo é tão bem montado junto dos ambientes que acabamos conectados do começo ao fim.
Sobre as atuações, assim como assistir uma peça a cada "quadro" acabado a vontade é de aplaudir ambos os atores, pois não sei por quantos anos eles seguiram em cartaz com a peça, mas é como se os personagens fossem realmente deles, com o poeta Gero Camilo se jogando completamente em seu Levi, se declarando, se envolvendo, se desenvolvendo por completo durante todos os atos cênicos, com algo tão marcante que não conseguimos tirar os olhos dele, ou seja, perfeito, e como costumo dizer, acertar a atuação dirigindo é ainda mais difícil. E da mesma forma Marat Descartes brinca completamente com seu Elias, trazendo toda a síntese do rapaz oprimido pelo pai, do aprendendo a viver, do se desenvolver em cena, e tudo o que ele faz é tão bem encaixado com suas atitudes que acabamos sentindo ele pronto para cada cena, ou seja, incrível também.
Visualmente como já disse o filme ficou muito mais representativo do que a peça, pois vemos praticamente vários ambientes cênicos gigantes e pequenos ao mesmo tempo bem representados, muitos elementos cênicos simbólicos, muitas alegorias encaixadas e chamativas, e tudo muito bem mostrado para o público se envolver com o que entregam, ou seja, a equipe de arte trabalhou junto com a de fotografia dando tons, iluminações, sombras, e tudo ficou singelo e amplo de ver, ou seja, uma brincadeira imensa em cada cena, com tudo se contrapondo e chamando atenção.
Enfim, pode não ser um filme que muitos vão se encaixar e desejar ver, primeiro por ir para um rumo mais alegórico que muitas vezes o público não costuma se envolver, mas quem entrar de cabeça na trama, e gostar de poesia muito bem encenada vai sair da sessão extremamente feliz com tudo, só não digo que foi 100% perfeito por ter as quebras explicitadas para meio que explicar o que é cada quadro e cada idade dos personagens, pois se conseguissem passar isso sem precisar desse detalhamento seria incrível de estourar todos os fogos possíveis, mas ainda assim é daqueles filmes para se aplaudir de pé, e assim sendo recomendo ele demais quando estrear nos cinemas dia 17 de novembro, ou nas plataformas de locação em breve, mas vejam mesmo. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos.
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