Diria que os diretores e roteiristas Emmanuel Marre e Julie Lecoustre possivelmente já trabalharam em companhias aéreas ou pesquisaram tanto que facilmente hoje seriam contratados para a profissão, pois é notável tudo o que ocorre no filme, cada elemento está bem presente nos atos da trama, e principalmente souberam dar todas as nuances para a vida da personagem, ao ponto que vemos as desenvolturas da moça entre festas, entre romances rápidos de uma noite, seu trabalho completamente conectado à sua vida, e mesmo quando em casa a vemos dormindo, saindo e vivendo seus dias como únicos, sem apego à praticamente nada, o que é um grande reflexo que muitos costumam encarar por ser mais fácil. Ou seja, é um filme que se olharmos a fundo é bem simples, mas que tem uma vivência bem encaixada, envolve bem quem está conferindo e tem todo funcionamento bem resolvido, que não abre margens para erros, mas que também não tem como falhar, e assim acaba agradando bastante.
Sobre as atuações basicamente só tenho de falar que mais uma vez Adèle Exarchopoulos se preparou incrivelmente para o que precisava mostrar em cena, pois mesmo os diretores sabendo conduzir brilhantemente cada momento, ela deu para sua Cassandre toda a essência de uma jovem que sabe viver bem sua vida, ajustar seu tempo e dar as dinâmicas necessárias para que cada dia funcione, e ali realmente vemos uma comissária de bordo perfeitamente como a vemos sentados na poltrona do avião, e mais do que isso, vemos elas vivendo do outro lado e vendo os passageiros, então ela foi perfeita em todas as cenas e chama muita atenção em tudo. Quanto aos demais, temos vários personagens secundários que praticamente nem se entregam tanto na trama, então acaba valendo mais os atos finais junto do pai e da irmã da protagonista, em atos mais introspectivos que foram bem desenvolvidos por Alexandre Perrier e Mara Taquin, mas nada que chamasse muita atenção, e assim o filme ficou praticamente só de Adèle.
Visualmente o longa trabalha muitas cenas dentro de aviões, com muitas vendas de produtos (algo que não vemos muito por aqui, mas que achei interessante e até duro demais com as metas que as moças tem de cumprir), vemos treinamentos que elas têm de fazer para ter suas promoções, mesmo que continuem fazendo as mesmas coisas, mas sendo "chefes" das demais do voo, vemos várias festas em cidades diferentes, paisagens diferentes, e claro a sua casa com coisas ainda abandonadas desde que a mãe faleceu, toda a sintonia de sair com amigos que querem se apegar enquanto a protagonista apenas quer viver, e para fechar foi bacana olharmos uma Dubai diferente no meio da pandemia, com pessoas bem isoladas para assistir o show de águas todas cada uma no seu quadradinho, que torcemos para não voltar a precisar ser assim.
Enfim, é um filme com uma proposta bem direcionada, já que alguns podem nem se conectar tanto e achar algo meio que chato, mas que chama atenção tanto pela simplicidade quanto pela boa pesquisa da equipe, pois praticamente nos sentimos na pele das moças do voo por toda a exibição do longa, vemos suas vivências, desafios e cobranças, vemos e notamos seus sentimentos que precisam ser maquiados e escondidos para conseguir o emprego, e assim o resultado é bem bacana de ver, então recomendo o longa para todos verem a partir do dia 01 de dezembro nos cinemas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado por comentar em meu site... desde já agradeço por ler minhas críticas...