Diria que o diretor e roteirista Diego Lerman corrigiu aqui tudo o que reclamei dele no filme "Uma Espécie de Família", pois em momento algum vemos a tentativa de trazer o mote para o ar novelesco, e mesmo tendo algumas subtramas, todas elas se vertem completamente para o que faz o protagonista, não saindo de seu eixo, e ele conseguiu dar nuances para esse mundo literário que muitos não dão valor, e que a maioria dos professores não sabe como incorporar na vida de alunos que não leem nada e nem querem ler, mas que sabendo como subverter a forma de ensinar pode fazer com que seu mundo seja aberto, além disso vemos que numa escola periférica, o professor não vai apenas vivenciar o que está ali dentro, mas sim a vida de seus alunos, seus problemas e muito mais, e com isso a trama do diretor não conta apenas uma história, mas sim faz uma homenagem e envolve com símbolos bem trabalhados e uma atuação única do protagonista, sendo um grande acerto em algo simples de ser visto.
E já que comecei a falar das atuações, sem dúvida alguma a entrega de Juan Minujín com seu Lucio foi algo completamente fora de sua base, de modo que vemos ele envolvido com seus alunos, tentando passar a mensagem de estudos para sua filha da mesma forma que tenta fazer com que seus alunos tenham algo a mais, sendo que na sua família ele pode ir além, enquanto ali na escola não dá para mexer muito, se vê na briga de traficantes, e tudo mais, ou seja, o ator trabalhou seus trejeitos de uma maneira tão coerente e bem encaixada que acaba agradando demais. Ainda tivemos atos bem trabalhados com o pai do personagem principal vivido por Alfredo Castro sendo um homem que ajuda muito a comunidade, mesmo com os problemas que tem, vemos muita dificuldade na relação de estudos da filha vivida por Renata Lerman (filha do diretor por acaso!), e claro o foco todo no garoto Lucas Arrúa que trabalhou muito bem seu Dylan com cenas marcantes e intensas que trazem até um envolvimento maior do que o esperado, ou seja, um elenco secundário muito bem colocado em cena.
Visualmente a trama é densa, mostrando desde a preparação do apartamento novo do protagonista, vemos os mundos bem opostos nas escolas da filha e a que trabalha o professor, vemos todo o conflitivo mundo das drogas saindo da escuridão e adentrando completamente nas escolas periféricas, e ainda tivemos todo o ato de enxergar mais a comunidade em si que tanto se desenvolve para onde as pessoas não querem ir, mas não tem como. Além disso tivemos aulas bem trabalhadas dentro da escola e muito simbolismo na forma literária ensinada como arte da vida dos jovens ali ao invés da imposição de poemas e livros clássicos, ou seja, algo que facilmente serviria de base para outros professores.
Enfim, é um filme que se olharmos bem a fundo veremos algo simples na tela, mas que analisando tudo nas entrelinhas conseguimos ir muito além da tela, refletindo mais sobre alunos, professores, escolas, comunidades e a própria vida em si, ou seja, um filme que não tem uma amplitude gigantesca, mas que agrada demais quem souber conectar tudo o que é passado na tela. Sendo assim recomendo ele bastante para todos, e fico por aqui hoje, então abraços e até breve com mais textos.
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