A sinopse nos conta que Anita é uma das maiores guerreiras da história. Contando a sua vida 200 anos após o seu nascimento, repassamos a sua biografia a partir de uma nova perspectiva, com a sua voz, através dos seus olhos e do seu ponto de vista muito pessoal. Anita está de volta... disposta a nos contar sua história.
Diria que o diretor e roteirista Luca Criscenti foi muito perspicaz com o trabalho de pesquisa e desenvolvimento na tela, pois seu filme poderia ir por diversos vértices, poderia nem ter a interpretação de atores, mas ao escolher esse estilo ele deu um ar muito mais jovial para o trabalho, fazendo com que não apenas pessoas que já conheciam a Anita pelas aulas de História se interessassem pelo longa, mas sim quem nunca ouviu falar dela (o que é difícil), e mais do que isso, o material trabalhado consegue conectar o ambiente que hoje é tão imponente pelo girl-power, mas que naquela época nem se falava disso, e mais do que apenas uma inspiração e ajuda para o famoso Giuseppe Garibaldi, ela fez muito acontecer, tendo envolvimentos em guerras e até tendo familiares infelizmente no meio do fascismo italiano. Ou seja, tudo soou tão bem colocado que o filme flui e não cansa, pois confesso a História em si não é algo que muitos brilham os olhos, mas que na entrega aqui funciona, mostrando o estilo de direção e claro o olhar do diretor para a personagem.
Quanto das atuações, Marino Sinibaldi trabalhou com muita desenvoltura fazendo ele mesmo em seu podcast, entrevistando e dando as nuances de trechos de livros que falavam sobre a personagem, de modo que a química com a entrevistada fez com que quiséssemos saber mais, e isso só um bom entrevistador sabe fazer. Flaminia Cuzzoli foi imponente com sua Anita, tendo uma postura forte e bem marcante, sabendo pontuar seus olhares e respostas, e não ficando solta na tela, o que acabou chamando muita atenção. Ainda tivemos um bom Lorenzo Lavia fazendo Giuseppe Garibaldi, mas bem em segundo plano, o que acaba sendo bacana de ver, pois sendo um filme de Anita, não cabia ele como já é bem mais conhecido sobrepor. Quanto aos que falaram sobre a mulher e suas desenvolturas, foi bacana ver a bisneta dela, Annita Garibaldi Jalet, além de boas histórias contadas por Silvia Cavicchioli, Maurizi Maggiani, Leticia Wierzchowski, Roberto Balzani e Adilcio Cadorin.
É até estranho falar da direção de arte em um documentário, mas foram bem coesos nos ambientes filmados tanto para os entrevistados ficarem em lugares marcantes, quanto para as cenas externas, sejam em navios, barcos, florestas, descampados e tudo mais, além do estúdio de rádio bem encaixado para a entrevistada principal, ou seja, a equipe constituiu bons figurinos e tudo mais para ser representativo da personagem vivendo tudo na época atual, e assim o resultado funcionou bem.
Enfim, sabia que iria gostar do que veria na tela, afinal a proposta já tinha me chamado atenção quando veio o material do longa, e conferindo entrei completamente na ideia e fui lá para os anos 1800 rever um pouco da História do Sul do Brasil e também da Itália, com bons momentos que não cansam e envolvem bastante, claro que gostaria um pouco mais do uso do podcast para que a protagonista entrasse mais na onda, mas aí não sobraria tempo para os demais (quem sabe colocando eles lá também seria um diferencial), então fica a dica para quem estiver em Porto Alegre no dia 13/03 às 19hs conferir uma sessão comentada Cinemateca Paulo Amorim (R. dos Andradas, 736), e assim que surgir em sua cidade confira também. Fico por aqui hoje agradecendo a Zapata Filmes e a Gugianna Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.
0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado por comentar em meu site... desde já agradeço por ler minhas críticas...