O longa vai nos contar a história da correspondente de guerra da revista Vogue, durante a Segunda Guerra Mundial, Elizabeth Lee Miller, abordando uma década crucial na vida dessa fotógrafa norte-americana, mostrando com afinco o talento singular e a tenacidade dela, o que resultou em algumas das imagens de guerra mais emblemáticas do século XX. Isso inclui a foto icônica que Miller tirou dela mesma na banheira particular de Hitler. Miller tinha uma profunda compreensão e empatia pelas mulheres e pelas vítimas sem voz da guerra. Suas imagens exibem tanto a fragilidade quanto a ferocidade da experiência humana. Acima de tudo, o filme mostra como Miller viveu sua vida a todo vapor em busca da verdade, pela qual ela pagou um alto preço pessoal, forçando-a a confrontar um segredo traumático e profundamente enterrado de sua infância.
É engraçado pensar que antes de despontar como diretora, Ellen Kuras era diretora de fotografia de grandes filmes, ou seja, sabe bem o valor de um bom ângulo e que certas escolhas fazem toda a diferença para marcar uma carreira, e aqui ela pegou o livro de Anthony Penrose e conseguiu aumentar ainda mais o misticismo dessa tremenda mulher que foi Lee Miller (que inclusive é citada no filme "Guerra Civil por uma das jornalistas), e assim vemos cenas intensas no meio do combate, vemos os horrores do pós-guerra junto de traumas, mas também nos é mostrado o quão bon-vivant era a jovem antes de partir para fotografar tudo, e assim o resultado principalmente dentro de como foi montado o longa acabou sendo genial ao final, pois a surpresa é marcante e expressa bem como tudo acabou amarrado para a ideia não ser apenas simpática, mas ampla e cheia de nuances que talvez até tenha um ou outro furo, mas que passa batido e não incomoda, mostrando que a diretora tem visão de câmera, e principalmente por ter trabalhado com muitos documentários soube aonde impactar mais.
Quanto das atuações, fiquei assustado com a cena inicial que mostra Kate Winslet velha, pois pensei "nossa, o tempo já voou tanto assim?", mas felizmente foi apenas uma ótima maquiagem, já que logo depois conforme voltamos para os anos 30-40, vemos ela bonita, sensual, com muitas cenas sem roupa, e com uma desenvoltura tão curiosa para sua Lee Miller, que a entrega da atriz mostra algo que não víamos ela fazer tanto em outros longas, e assim sua indicação ao Globo de Ouro não foi em vão, mas sim ficou estranho de não terem a colocado nas demais premiações. Andy Samberg trabalhou seu Davy Scherman com muita personalidade, e soube desenvolver muito com olhares e uma amizade icônica com a personagem principal (aliás, se mostrou um grande amigo e não alguém que foi para cama com ela, sem ser para dormir), de modo que o ator trabalhou seus atos tão expressivos, que chegamos até ficar com dó nos atos finais quando vê a barbárie completa entre os seus, mostrando que o ator foi firme e chamou para si alguns atos. Outra que a maquiagem exagerou um pouquinho na velhice foi Andrea Riseborough para que ficasse parecida com Audrey Withers, famosa editora da Vogue britânica, mas a jovem conseguiu trabalhar muita personalidade, até mais do que a quantidade de pó que lhe passaram no rosto (em determinada cena em 4K até ficou nítido o exagero, a deixando quase como um fantasma), mas as dinâmicas foram carismáticas e cheias de intensidade também, mostrando o bom trabalho dela. Ainda vale destacar, entre as muitas boas atuações, o trabalho de Alexander Skarsgård com seu Roland bem cheio de nuances e muito sedutor no começo do longa, sabendo incomodar o ego da protagonista e ir bem no que precisava fazer, e também Josh O'Connor como o jornalista entrevistador da personagem principal, que conseguiu desenvolver muito na tela e agradar na medida.
Visualmente o longa mostrou desde a parcial destruição da frente do escritório da Revista Vogue, mostrou bem uma imponente casa de praia com cenas entre amigos bem regada a bebidas e corpos nus, aonde apenas comentavam sobre Hitler sem imaginar o caos que realmente iria acontecer, vemos a protagonista trabalhando imagens em Londres ainda sem grandes tormentas, e depois com todo o medo que tomou conta, e claro sua ida diretamente para a linha de frente fotografando os quarteis e locais por onde iam as tropas, com foco sempre mais nas mulheres das vilas, dos exércitos e tudo mais, tendo o ato na banheira de Hitler como o fechamento mais icônico, e claro muitas fotos dos mortos e barbáries que viu por onde passou, numa montagem bem crua e imponente por parte da equipe de arte.
Enfim, é um filme ao mesmo tempo forte, porém bem representativo, aonde você imerge na tela e quer acompanhar todas as fotos da personagem, quer conhecer mais as situações, e acabamos entrando muito na sua intimidade com o que ela passa em campo, de modo que acaba sendo uma trama bem intimista e bem interessante de ser conferida tanto como conteúdo histórico como uma boa ficção de uma guerra vista por outros olhos. Então fica a dica para conferir essa bela obra dentro da plataforma, e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.
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