Amazon Prime Video - Lee

3/19/2025 12:11:00 AM |

Um dos filmes que mais fiquei triste quando foi cancelada a cabine de imprensa no final do ano passado foi "Lee", pois o longa não seria mais lançado nos cinemas nacionais e nem tinha data para sair no streaming, e como sou careta pra ver filmes na pirataria, acabei largando mão de ver ele, já que depois do Globo de Ouro praticamente esqueceram do filme, mas eis que hoje fuçando no que veria nos streamings bati o olho na tela da Amazon Prime Video, e olha lá o filme abanando a mão para mim, sendo lançado sem nenhum aviso (afinal não estava na lista de lançamentos da plataforma desse mês que nos mandam), e eu tinha razão em ter ficado triste de não ver ele numa telona maior que a minha TV, pois é daquelas tramas incríveis de vida, aonde você acaba viajando e sofrendo junto com a protagonista enquanto vê todo o caos da guerra, aonde qualquer jornalista sonharia em ter seu nome numa foto exclusiva nas revistas, mas também acabaria vivendo sem dormir após ver pessoalmente tudo o que aconteceu na linha de frente da Europa durante o Terceiro Reich. Ou seja, é daqueles filmes que acabamos imersos na entrega de tela, e que ao final ainda somos surpreendidos com o fechamento incrível que não tinha como esperar acontecer, e que deu um tom emotivo ainda maior para as letras que vem falar sobre a fotógrafa Lee Miller, pois a atriz capturou bem a essência da trama e se jogou, para que a diretora fizesse o que quisesse com o que tinha em mãos, e assim o resultado acaba sendo incrível.

O longa vai nos contar a história da correspondente de guerra da revista Vogue, durante a Segunda Guerra Mundial, Elizabeth Lee Miller, abordando uma década crucial na vida dessa fotógrafa norte-americana, mostrando com afinco o talento singular e a tenacidade dela, o que resultou em algumas das imagens de guerra mais emblemáticas do século XX. Isso inclui a foto icônica que Miller tirou dela mesma na banheira particular de Hitler. Miller tinha uma profunda compreensão e empatia pelas mulheres e pelas vítimas sem voz da guerra. Suas imagens exibem tanto a fragilidade quanto a ferocidade da experiência humana. Acima de tudo, o filme mostra como Miller viveu sua vida a todo vapor em busca da verdade, pela qual ela pagou um alto preço pessoal, forçando-a a confrontar um segredo traumático e profundamente enterrado de sua infância.

É engraçado pensar que antes de despontar como diretora, Ellen Kuras era diretora de fotografia de grandes filmes, ou seja, sabe bem o valor de um bom ângulo e que certas escolhas fazem toda a diferença para marcar uma carreira, e aqui ela pegou o livro de Anthony Penrose e conseguiu aumentar ainda mais o misticismo dessa tremenda mulher que foi Lee Miller (que inclusive é citada no filme "Guerra Civil por uma das jornalistas), e assim vemos cenas intensas no meio do combate, vemos os horrores do pós-guerra junto de traumas, mas também nos é mostrado o quão bon-vivant era a jovem antes de partir para fotografar tudo, e assim o resultado principalmente dentro de como foi montado o longa acabou sendo genial ao final, pois a surpresa é marcante e expressa bem como tudo acabou amarrado para a ideia não ser apenas simpática, mas ampla e cheia de nuances que talvez até tenha um ou outro furo, mas que passa batido e não incomoda, mostrando que a diretora tem visão de câmera, e principalmente por ter trabalhado com muitos documentários soube aonde impactar mais.

Quanto das atuações, fiquei assustado com a cena inicial que mostra Kate Winslet velha, pois pensei "nossa, o tempo já voou tanto assim?", mas felizmente foi apenas uma ótima maquiagem, já que logo depois conforme voltamos para os anos 30-40, vemos ela bonita, sensual, com muitas cenas sem roupa, e com uma desenvoltura tão curiosa para sua Lee Miller, que a entrega da atriz mostra algo que não víamos ela fazer tanto em outros longas, e assim sua indicação ao Globo de Ouro não foi em vão, mas sim ficou estranho de não terem a colocado nas demais premiações. Andy Samberg trabalhou seu Davy Scherman com muita personalidade, e soube desenvolver muito com olhares e uma amizade icônica com a personagem principal (aliás, se mostrou um grande amigo e não alguém que foi para cama com ela, sem ser para dormir), de modo que o ator trabalhou seus atos tão expressivos, que chegamos até ficar com dó nos atos finais quando vê a barbárie completa entre os seus, mostrando que o ator foi firme e chamou para si alguns atos. Outra que a maquiagem exagerou um pouquinho na velhice foi Andrea Riseborough para que ficasse parecida com Audrey Withers, famosa editora da Vogue britânica, mas a jovem conseguiu trabalhar muita personalidade, até mais do que a quantidade de pó que lhe passaram no rosto (em determinada cena em 4K até ficou nítido o exagero, a deixando quase como um fantasma), mas as dinâmicas foram carismáticas e cheias de intensidade também, mostrando o bom trabalho dela. Ainda vale destacar, entre as muitas boas atuações, o trabalho de Alexander Skarsgård com seu Roland bem cheio de nuances e muito sedutor no começo do longa, sabendo incomodar o ego da protagonista e ir bem no que precisava fazer, e também Josh O'Connor como o jornalista entrevistador da personagem principal, que conseguiu desenvolver muito na tela e agradar na medida.

Visualmente o longa mostrou desde a parcial destruição da frente do escritório da Revista Vogue, mostrou bem uma imponente casa de praia com cenas entre amigos bem regada a bebidas e corpos nus, aonde apenas comentavam sobre Hitler sem imaginar o caos que realmente iria acontecer, vemos a protagonista trabalhando imagens em Londres ainda sem grandes tormentas, e depois com todo o medo que tomou conta, e claro sua ida diretamente para a linha de frente fotografando os quarteis e locais por onde iam as tropas, com foco sempre mais nas mulheres das vilas, dos exércitos e tudo mais, tendo o ato na banheira de Hitler como o fechamento mais icônico, e claro muitas fotos dos mortos e barbáries que viu por onde passou, numa montagem bem crua e imponente por parte da equipe de arte.

Enfim, é um filme ao mesmo tempo forte, porém bem representativo, aonde você imerge na tela e quer acompanhar todas as fotos da personagem, quer conhecer mais as situações, e acabamos entrando muito na sua intimidade com o que ela passa em campo, de modo que acaba sendo uma trama bem intimista e bem interessante de ser conferida tanto como conteúdo histórico como uma boa ficção de uma guerra vista por outros olhos. Então fica a dica para conferir essa bela obra dentro da plataforma, e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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