Amazon Prime Video - O Reino Animal (Le Règne Animal) (The Animal Kingdom)

3/22/2025 10:37:00 PM |

É engraçado que quando pensamos em filmes franceses, o que vem na nossa mente de imediato são as famosas comédias dramáticas, tendo um ou outro filme policial, mas é bem raro pensar em longas de horror ou dramas misteriosos, ao ponto que nos últimos anos vem surgindo alguns exemplares com a expansão do streamings que compram produções menores e com chamarizes para outros públicos, que não os de Festivais. E o mais curioso é que antes de sair a programação do Festival Varilux de 2024, eu e um amigo estávamos discutindo os possíveis filmes que viriam para conferirmos, e um que tinha quase que certeza de aparecer era "O Reino Animal", afinal ganhou diversos prêmios na França e mundo afora, principalmente no quesito de maquiagem, efeitos e fotografia, mas não chegou nem a entrar em cartaz fora das sessões do festival, ou seja, sem ter um apelo comercial também por aqui, mas eis que chegou para locação dentro das plataformas de streaming, e dei o play nele na Amazon Prime Video, e aí que fui entender o fator de não trabalharem tanto o marketing dele fora da França, pois é algo muito diferente do comum, não tendo explicações de como as pessoas passaram a ter essas mutações, não desenvolvendo os centros de reclusão dos capturados, e até mesmo o conceito familiar dos protagonistas e/ou suas amizades pareceram meio que jogados, sem grandes desenvolvimentos, o que mostra uma certa falha na direção e no roteiro da trama, quase que sendo algum tipo de continuação de algo, o que não é. Ou seja, é o famoso filme que você aplaude tecnicamente, mas que não consegue se sustentar como uma história envolvente que parecia ter.

Em um mundo atingido por uma onda de mutações que estão gradualmente transformando alguns humanos em animais, François faz tudo o que pode para salvar sua esposa, que é afetada por essa condição misteriosa. Enquanto algumas das criaturas desaparecem em uma floresta próxima, ele embarca com Émile, seu filho de 16 anos, em uma jornada que mudará suas vidas para sempre.

Diria que o diretor e roteirista Thomas Cailley poderia ter ido muito mais além com uma pequena introdução melhor sobre a doença em si, pois aí seu filme teria uma conexão maior, o público enxergaria o problema social da exclusão e tudo mais, e não seria algo jogado a toa na tela, pois entenderíamos o temor do garoto com o que aconteceu com a mãe não fosse seu carma, veríamos sua interação com os amigos muito mais plausível, e certamente enxergaríamos tudo o que o diretor desejava mostrar, pois seu filme se verteria para algo coerente e muito melhor que vários "X-Men". Ou seja, o filme não é ruim, mas demora para você pegar a essência, e quando pega, ele nos enche de coisas desnecessárias apenas para mostrar técnica e computação gráfica de primeiro nível, mas que leva nada a lugar algum, e assim não explode como poderia.

Quanto das atuações, diria que o jovem Paul Kircher entregou muita personalidade nas cenas de seu Émile, conciliando um lado mais intenso com as transformações ocorrendo em seu corpo, com também a sabedoria em ajudar os demais que não se viam bem alocados, e com isso suas cenas foram seguras (até demais) e consistentes, mostrando que talvez pudesse ir mais além com o que faz no final, mas agradou com o que fez. Sabemos que o ator Romain Duris faz grandes papeis e consegue sempre impressionar com seus traquejos cênicos, mas aqui seu François para estar meio que perdido na tela, fazendo algumas cenas com impacto e outras tão sem muito rumo, desesperado por respostas e pela mulher desaparecida, mas sem chamar tudo para si, e assim o personagem acabou nem chamando atenção na tela. Ainda tivemos alguns bons atos de Adèle Exarchopoulos com sua Julia imponente e precisa de trejeitos, Billie Blain foi direta com sua Nina tanto na conversa quanto na atitude com o garoto, mas quem acabou aparecendo mais dentre os secundários foi Tom Mercier com seu Fix, que teve muita computação envolvida na sua maquiagem digital, mas conseguiu se expressar bem no que precisava fazer.

Visualmente já elogiei bastante a maquiagem e a computação, ao ponto que a ideia do inacabado de transformações acabou ficando bem interessante de ver, não tendo nem pessoas, nem bichos na maioria das cenas com as criaturas, tivemos algumas festas e restaurantes interessantes, mas confesso que mesmo em 4K as imagens da floresta a noite ficaram escuras demais, não dando nem para interpretar direito o que estava vendo ali, e isso me incomodou bastante, pois as cenas no lago aonde o jovem vai aprender a voar, com o rapaz tirando os espetos de galhos para o amigo não se matar ficou bem bacana, então valeria uma perseguição na noite mais iluminada, nem que fosse de forma falsa, parecendo ter uma lua inexistente por ali.

Enfim, acho que fui conferir ele esperando muito mais pelos prêmios que levou, e com isso acabei enxergando erros que me incomodaram, o que acaba sendo um problema, mas ainda assim quem gostar de uma trama diferente, vale a pena o play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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