Código Preto (Black Bag)

3/14/2025 09:11:00 PM |

Sempre que surge algum filme que não tenha visto trailer nas sessões que vou, ou nem ouvido falar nada dele antes da estreia, acabou indo meio que preparado para ser muito ruim ou algo que beire a perfeição! E hoje foi felizmente a segunda opção, pois "Código Preto" é daquelas raras delícias que até já vimos outros filmes semelhantes, mas que acabam sendo tão gostosos de ver, com tantas boas sacadas e entregas na tela, que você acaba rindo e se divertindo no meio de toda a tensão entregue pelos personagens, enquanto vamos tentando descobrir o traidor entre eles, que são espiões de elite. Ou seja, é daquelas tramas que brincam com você, e que acabamos desenvolvendo tudo o que mais gostamos em tramas investigativas, e que sem precisar apelar forçando a barra acaba funcionando com um primor tanto de direção, quanto de história e aonde os atores dão seu máximo sem nem precisar apontar uma arma que seja para o vilão. 

A sinopse nos conta que é preciso escolher: seu casamento ou sua lealdade? No longa acompanhamos o casal de agentes espiões Kathryn e George. Dentro de casa, a vida matrimonial é tranquila e apaixonada, os dois respeitando os segredos e as discrições da profissão. Quando, porém, alguém parece ter vazado informações confidenciais e perigosas da inteligência, Kathryn é a principal suspeita. A missão de George, agora, é descobrir se sua esposa é a verdadeira traidora, testando a confiança de seu casamento. De maneira extraoficial, George precisa ser discreto e encarar um dos maiores testes de sua carreira e vida pessoal: ser leal ao seu país ou ao seu relacionamento.

O bacana do diretor Steven Soderbergh ("Onze Homens e Um Segredo" e suas sequências, "Contágio") é que você nunca sabe se ele vai entregar algo que impressione positivamente, ou que você vai sair xingando tudo, mas suas parcerias com o roteirista David Koepp, que aliás ainda lançarão um novo longa nesse ano chamado "Presença", costumam dar bastante certo. E aqui eles brincaram com uma famosa faceta tão britânica que se tivesse mais ação até poderíamos chamar de algum derivado de 007, mas como tem muito mais dinâmicas investigativas, o resultado flui para um outro lado que julgo ser muito mais genial. Ou seja, é daqueles filmes que você vê o roteiro funcionando tão bem nas mãos do diretor que quase vira uma arma pronta para confundir o espectador, mas que sem precisar abusar de pensar demais, o que vemos na tela acaba virando uma grande brincadeira de gente grande, o que ao meu ver é algo maravilhoso.

Quanto das atuações, Michael Fassbender trabalhou seu George de uma maneira tão seca, que quase virou um polígrafo humano nas relações com todos os seus "amigos" da empresa, e sem mexer uma pálpebra que fosse foi armando todo o circo para o funcionamento do plano, aonde seus traquejos britânicos levaram o longa para outro patamar, ou seja, brilhante. Confesso que tenho uma relação de amor e ódio com Cate Blanchett, pois ela faz seus personagens serem tão fáceis, mas também tão duplos que irrita, e aqui com sua Kathryn, ela praticamente não faz nada e ao mesmo tempo faz tudo, sendo direta e até um pouco óbvia, o que é muito bom de ser visto, ou seja, vou continuar amando e odiando ela. Tom Burke trouxe para o seu Freddie aquele famoso personagem que parece bobo, cheio de traquejos que irritam, mas ao mesmo tempo acaba fazendo tudo ficar mais engraçado no meio de toda a tensão, e assim funciona bastante. Da mesma forma, Marisa Abela foi muito sagaz com sua Clarissa, trabalhando um ar meio pervertido, mas que soa interessante para a proposta, acaba tendo as melhores desenvolturas com tudo o que acontece na tela, e seu olhar final na mesa refletiu exatamente tudo o que fez no filme inteiro. Não sei se muitos sabem disso, mas tenho ranço de psicólogos na vida e no cinema mais ainda, de forma que a Dra. Zoe que Naomie Harris faz é o reflexo máximo da categoria, que muitas vezes sabe de tudo, tem seus podres, você acaba confiando nela, e pronto, perdeu tudo, ou seja, representou demais a categoria, no melhor sentido da palavra. Regé-Jean Page fez de seu James um personagem sério demais para fluir para os rumos que o filme pedia, mas acabou trabalhando bem todas suas cenas e chamou atenção de um modo simples, sem grandes explosões, mas talvez tenha faltado exatamente isso para que o papel fosse mais além. Quanto aos demais diria que deram pouco tempo de tela para Gustaf Skarsgård desenvolver seu Philip, de modo que nem acabou tendo muita importância, já por outro ângulo, mesmo com pouquíssimas cenas, Pierce Brosnan foi cheio de traquejos expressivos para que seu Arthur Stieglitz funcionasse e fosse marcante.

Visualmente o estilo costuma pedir muito mais cenas em diversas locações, muitos explosivos, tiros e tudo mais, mas aqui a base ficou quase que integralmente dentro da casa chique dos protagonistas, tendo uma mesa de jantar com tudo rolando ali com a comida que o personagem principal preparou, alguns atos dentro de um escritório cheio de imagens de câmeras, um banco de praça, e um lago ao de o protagonista pesca com seu barquinho simples, e também faz outras coisas por lá. Ou seja, a equipe de arte foi meticulosa e bem prática para acertar com bem pouco, mas com muita classe.

Enfim, é daqueles filmes que funcionam demais, que fui conferir sem esperar absolutamente nada, mas que me envolvi, ri bastante, e sai extremamente feliz com o que me foi entregue, que até pode ser parecido com muitos outros, mas que por enquanto irei lembrar bastante dele para indicar para todos. Só não falo que é perfeito, por mesmo sendo bem curto com pouco mais de uma hora e meia, aparentar ser muito maior, o que indica uma cadência meio que amarrada, mas ainda assim, é brilhante. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas como de praxe nas sextas que vem muitos filmes, lá vou eu para mais uma sessão, então abraços e até daqui a pouco com mais um texto.


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