Netflix - The Electric State

3/20/2025 12:38:00 AM |

Direto me ponho pensando de onde sai tanta grana para as produções da Netflix, pois é muito dinheiro gasto tanto no feitio, elenco e diretores grandiosos, como em cima de toda a campanha de divulgação e marketing, mas como ainda não consegui essa resposta, sigo pagando minha assinatura desde a pandemia mesmo cada dia tendo menos filmes realmente impressionantes para conferir na plataforma. E qual motivo de ter começado meu texto de "The Electric State" dessa forma? Simples, o longa tem uma produção computacional gigantesca, um elenco dos mais badalados de Hollywood, mas a história e as dinâmicas são tão mornas, que raspou a trave de dormir no miolo, o que é uma pena, pois os diretores sabem muito bem fazer filmes de ação com dinâmicas insanas, então acredito que o problema tenha sido no roteiro, já que a história é mediana, e talvez tenha faltado algo menos robótico para que a trama fluísse melhor, pois ok que que todos ali já trabalharam com telas verdes e tudo mais, mas aqui chega a dar para contar nos dedos as cenas limpas de efeitos, e isso dificulta desenvolver algo na tela. Sendo assim, é daqueles passatempos bem leves que você vê sem esperar nada em troca, que pode até pelo ar meio infantil entreter as crianças menorzinhas, mas acho que nem eles vão se entusiasmar com o que aparece na tela.

O longa se passa numa realidade alternativa e retro futurista da década de 90 na qual robôs conscientes convivem entre os humanos. A história acompanha Michelle, uma adolescente orfã que, um dia, recebe a visita de Cosmo, um robô meigo e misterioso que ela acredita estar sendo controlado por Christopher, seu irmão mais novo considerado morto. Determinada a saber a verdade sobre o irmão, Michelle parte numa aventura pelo oeste americano com a companhia indesejada e inesperada do contrabandista e andarilho Keats e seu robô parceiro e sarcástico Herman. 

Como falei no começo, era de se esperar uma direção mais ampla dos Irmãos Russo, afinal eles já trabalharam muito com a Marvel que tem muitas cenas computacionais, e aqui não seria algo muito diferente de trabalhar (talvez com um orçamento mais limitado, mas acredito que nem tanto), então diria que faltou personalidade na adaptação da graphic novel de Simon Stålenhag, pois vemos na tela até que momentos bem grandiosos e cheios de nuance, mas faltou uma apresentação melhor dos personagens, uma desenvoltura que colocasse realmente o público dentro da ideia, o que só ocorre mesmo nos atos finais, que ali sim vemos um trabalho dos Russo, e dessa forma se tinham qualquer ideia de continuação, posso dizer que não vai rolar, pois as críticas tanto de especialistas, quanto do público mesmo não se convenceu do trabalho, resultando em algo simples e não tão efetivo.

Quanto das atuações, já elogiei muitas vezes o estilo de Millie Bobby Brown, pois é uma mulher com muita segurança de tela que não se deixa levar facilmente pelas entregas que precisa fazer, e aqui sua Michelle até tem alguns diálogos mais centrados, e bons momentos de intensidade, porém colocaram a jovem para dialogar quase que inteiramente com personagens que não estão em cena, e isso certamente a deixou bem perdida, não conseguindo quase que em nenhum ato mostrar uma segurança completa na tela. Já Chris Pratt que estava bem acostumado com os Russo, acabou pegando um personagem que você olha pra ele e vê o Peter Quill de "Guardiões da Galáxia", mas sem a mesma empolgação e desenvoltura, parecendo que seu Keats estava de muito mal-humor em todas as gravações, sobressaindo um pouco no ato final da batalha, mas sempre em segundo plano na tela, o que atrapalhou um pouco o andamento da trama. Gosto muito de ver Stanley Tucci performar com seus papeis, mas aqui seu Skate é tão engessado, que suas explosões de personalidade acabaram ficando meio que maquiadas nos pequenos monitores, e isso não foi tão longe quanto poderia. Vale ainda dar alguns destaques para os tons de vozes, já que a personificação foi mais em cima dos robôs para Woody Harrelson fazendo o Sr. Peanut bem denso, Giancarlo Esposito bem imponente com seu Marshall e Anthony Mackie bem divertido e carismático como o robozinho Herman, mas sem dúvida quem conseguiu trabalhar nos dois vértices (humano e robô) e merecia mais tempo de tela foi Ke Huy Quan com seu Dr. Amherst.

Visualmente o longa é impecável, com uma produção grandiosa, cheia de efeitos e elementos cênicos por todo canto que olhássemos, computadores antigos (até com a proteção de tela do Windows de 1994), muitos robôs de todos os formatos, tamanhos e tipos, drones robôs, só achei meio bizarro o projetor que as pessoas enfiam a cara que ficou parecendo um bico de pato meio estranho, mas não é algo incômodo, tivemos a separação por um muro meio quase que mostrando a ideologia atual dos EUA de separar as pessoas, e muitos detalhes para quem gosta de ficar procurando coisas na tela se divertir, mostrando que a computação gráfica foi usada no limite máximo.

Um ponto que gostei bastante no filme foi a trilha sonora, que mesmo tendo poucas canções com letras, usou muitos clássicos apenas com a batida instrumental, e funcionou bem para dar ritmo para a trama, mas talvez o diretor poderia ter usado mais das versões cantadas para suprir alguns excessos cênicos, o que ficou em segundo plano. Deixo aqui a playlist com as canções e trilhas para quem quiser curtir.

Enfim, é uma pena que o longa não foi muito além, pois tinha tudo para ser algo grandioso dentro da plataforma, e que quem sabe viraria talvez uma franquia, já que os diretores gostam bastante disso, mas também não é algo que você vai acabar odiando, que ao menos servirá como um passatempo colorido e bem produzido na tela, que como falei no começo talvez os pequenos gostem mais, e assim fica sendo a recomendação. E é isso meus amigos, volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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