Netflix - Mil e Um (A Thousand And One)

3/24/2025 12:13:00 AM |

Um gênero que muitos diretores gostam de trabalhar é o tal do drama familiar, pois ao mesmo tempo que se consegue desenvolver personagens amplos, a trama não precisa ser muito estruturada para funcionar e envolver o público, e o longa de estreia da diretora A.V. Rockwell que entrou em cartaz na Netflix, "Mil e Um", tem uma pegada até que bem simples de uma jovem que ficou alguns anos presa e ao sair e ver seu filho nas ruas resolve levar ele embora sem comunicar assistência social nem nada, para criá-lo sozinha e depois com o namorado, sendo algo que facilmente veríamos uma desenvoltura básica, alguns problemas com a vida mais pobre, algumas nuances de vida familiar aqui, alguns problemas de segregação ali, outros detalhes de formas de trato, e nada que parecesse surpreender, mas ao termos o ponto de virada bem próximo ao final, a diretora derruba não só o protagonista, como também o público que jamais esperava essa dinâmica, e com isso o resultado acaba ficando impactante e recai no famoso mote da criação e afetos, e assim algo simples e bem singelo tem um soco bem dado que até tem sua marca, e que valeria um pouco mais de continuação, mas a opção de fechar ali foi bem centrada e agrada.

O longa nos conta que Inez é uma mãe desesperada que decide sequestrar seu filho, Terry, de 6 anos, do sistema de adoção. Agora, contando um com o outro, eles buscam suas identidades e uma vida estável na caótica cidade de Nova York.

Claro que para uma primeira direção de longas, a diretora e roteirista A.V. Rockwell acabou alongando um pouco demais a sua trama, pois dava para eliminar alguns atos que a trama ficaria mais redonda, mas isso é algo típico em primeiros filmes, afinal ficamos com dó de eliminar alguns momentos que ficaram bons, mas não dizem muita coisa para o público. E o mais bacana do estilo da diretora foi que ela fez um filme bem cru, sem traquejos sociais ou dimensões que forçassem para algum lado próprio, mas ao conseguir isso, ela fez com que seu filme fosse amplo, e não apenas negros se conectassem com o que a protagonista passa, mas certamente muitos casos do tipo seriam vistos em novelas e séries, e assim seu resultado acaba sendo funcional e interessante de se conferir. Claro que em próximos longas dela, veremos mais concisão, mas já mostrou que gosta do social, então é só embarcar e ter sucesso.

Sobre as atuações, Teyana Taylor é daquelas atrizes que não faz muita firula em seus atos, sendo bem seca e direta, e conseguindo impressionar com isso, e aqui seu estilo foi bem colocado em pauta, pois não necessitava passar muita emoção, mas sim o sofrimento de cuidar e amar do seu jeito e com segurança, pois a qualquer momento poderiam lhe tirar seu filho, seu apartamento ou até mesmo lhe prender, e ela dosou bem olhares e dinâmicas sem precisar de uma vírgula a mais que fosse na tela. O personagem Terry teve três atores nos vários anos de tela que o filme passa, com Aaron Kingsley Adetola sendo o mais simples e fechado aos 6 anos, depois um jovem mais descontraído que Aven Courtney trabalhou, e por fim os atos mais densos caíram nas mãos de Josiah Cross aos 17 anos do personagem, e em todos os momentos, vemos um rapaz mais fechado, tímido, na sua, mas com muita vontade de estar ali pelos olhares, o que acaba chamando muita atenção. Tivemos bons momentos de vários outros personagens, mas sem dúvida os mais intensos e marcantes foram com William Catlett com seu Lucky imponente, e até passando algumas lições para o garoto, mesmo sem ser o pai.

Visualmente a trama não teve muito o que mostrar, inicialmente ficando no apartamento da amiga, depois tendo muitos atos em telefones públicos com a jovem procurando alguém mais para poder lhe abrigar com o garoto, e por fim o apartamento simples em uma área que vinha sendo gentrificada, e que ao fim do processo já estava bem deteriorado com tudo caindo aos pedaços literalmente, tivemos alguns atos em ruas do Harlem, mas tudo bem sem grandes nuances, e também alguns numa cafeteria aonde o jovem se apaixona pela garota que serve.

Enfim, é um filme simples, porém tendo boas nuances e envolvimentos por parte da história e dos personagens, aonde a diretora soube explorar bem tudo para que seu filme comovesse com um final inesperado, e assim sendo acaba agradando e chamando muita atenção, valendo a indicação dele. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais longas, então abraços e até logo mais.


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