No longa vemos que um pastor e uma detetive, cada um tomado por suas crenças, são perseguidos por epifanias divinas sobre os maiores traumas de suas vidas. Min-Chan é o religioso que coordena a igreja da pequena cidade. Um dia, ele recebe a visita de um homem chamado Yang-Rae, um ex-detento. Logo em seguida, Min-Chan recebe uma visão de Deus que o informa que o rapaz que entrou em sua paróquia é o responsável pelo sumiço de seu filho. Logo, Min-Chan acredita que sua missão espiritual é punir Yang-Rae pelo crime e atos abomináveis que cometeu. Enquanto isso, a detetive Yeon-Hee, responsável pelas investigações do filho de Min-Chan, é continuamente assombrada por visões de sua falecida irmã mais nova, que morreu num trágico acidente no passado. Ao mesmo tempo em que procuram por respostas e pela verdade, a dupla enfrenta seus próprios demônios escondidos.
Tirando o excesso de chuva, que gostaria de saber o motivo que a maioria dos diretores de suspense gostam de colocar, o trabalho do diretor e roteirista Yeon Sang-ho foi bem sustentado durante os 122 minutos de tela, não precisando correr, nem enrolar com cenas desnecessárias, de modo que vemos ele criando inicialmente um pai aflito, mas depois do acidente, vemos um homem tão monstruoso quanto o próprio assassino, usando de base a religiosidade como argumento, nem ligando para mais mortes ou vidas, e isso mostra bem o mundo atual, que mesmo aqui tendo uma ideologia de ficção, o resultado pode ser muito bem comparado com tudo que andamos vendo mundo afora, ou seja, o diretor soube utilizar bem o que tinha em mãos e foi além dentro de toda uma percepção maior, mostrando que tem estilo e sabia bem aonde estava mexendo, principalmente com alguns vespeiros.
Quanto das atuações, diria que Ryu Jun-yeol trabalhou seu Min-Chan com tantas mudanças expressivas de personalidade, que chega a ser difícil pensar no seu primeiro ato mostrado todo carismático e levinho cantando e tocando violão, depois num papo super descontraído com o assassino, mas ao descobrir a traição vai ficando mais fechado, e quando tudo vai desencadeando para os caminhos mais densos, ele acaba entregando muito na tela, ou seja, chamou para si e agradou. O assassino Kwon Yang-rae vivido por Shin Min-jae foi bem denso, com traquejos faciais beirando a insanidade mental, mas nos atos na fábrica abandonada ele praticamente incorporou um ser demoníaco para brigar com o pastor e a detetive, no melhor estilo possível de loucuras que alguém com olhares e feições fossem possíveis ver na tela. A jovem Shin Hyeon-bin até teve bons atos com sua Yeon-hee, tendo um bom faro investigativo para que sua detetive tivesse bem um olhar além, mas se mostrou muito perturbada, até passando um pouco dos limites aceitáveis, o que em qualquer polícia do mundo seria colocada de licença, o que não ocorre aqui, ainda mais investigando alguém que esteve envolvida. Quanto aos demais, cada um que apareceu foi bem pouco utilizado na trama, mas a esposa do pastor sendo convertida após a traição dentro do carro foi algo exagerado demais para rirmos realmente.
Visualmente o longa foi bacana no ponto de termos os diversos lugares interligados com os devidos personagens, iniciando com a pequena igreja, depois todo o lance da estrada de terra e o acidente no meio do nada, passando por uma igreja maior e a possível ordenação, o hospital simples, e a fábrica abandonada, além da delegacia, tudo tendo bons elementos cênicos para que tudo funcionasse bem na tela e fosse bem representativo, inclusive o ato final dentro da prisão com a imagem na parede juntou bem com todas as demais que foram aparecendo para o pastor.
Enfim, é um longa que funciona dentro da proposta, que talvez pudesse ter ido mais além, ou então nem ter quase virado algo novelesco, pois dava para funcionar sem tanta amarração e exageros, mas como não é algo que incomoda, o resultado final bacana acaba sobressaindo os erros, e assim valendo a recomendação de play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.
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