Parthenope: Os Amores de Nápoles (Parthenope)

3/29/2025 08:44:00 PM |

Sempre é muito interessante ver filmes que entregam algo a mais do que apenas uma história bonita, e a sacada do novo filme do diretor Paolo Sorrentino, "Parthenope: Os Amores de Nápoles", é de mostrar algo que muitos falam e poucos entregam que o lugar de uma mulher é aonde ela quiser, pois a belíssima, quase uma deusa, Parthenope, poderia se casar com homens riquíssimos, viajar o mundo e viver da forma que quisesse, usando e abusando de seus dotes físicos maravilhosos, que encantavam qualquer pessoa nos anos 60, porém após um acidente decidiu ir além na carreira de antropóloga, estudando tudo e mais um pouco para suas teses, mesmo sem saber efetivamente o que era antropologia, e o diretor soube brincar com facetas tão bem densas e bem trabalhadas, que quase beirando um estilo novelesco, acabou fluindo por rumos complexos e intensos na tela. Ou seja, é daqueles filmes que você assiste refletindo com o que vê, e consegue sair feliz com o resultado entregue, afinal não é apenas um simples filme bonito na tela, mas sim aquele algo a mais que flui e funciona.

O longa apresenta uma jovem bela e sedutora ao longo de sua vida. Parthenope, carrega em seu nome a lenda mitológica que dá origem ao nome da cidade de Nápoles. Assim como uma sereia, ela usa seu charme e poder de sedução para conquistar diversos homens, trazendo emoção à sua juventude. Seja de forma intensamente apaixonada ou até mesmo com homens proibidos, Parthenope transforma a vida das pessoas ao seu redor, alternando entre momentos de pura alegria, entusiasmo e uma melancolia que marca profundamente os que cruzam seu caminho.

Diria que o diretor e roteirista Paolo Sorrentino brincou com as facetas clássicas de alguém olhar uma belíssima mulher sedutora e a classificar em empregos mais tradicionais como modelo, atriz ou algo a mais que claro sirva do corpo e do rosto para o ganho, e nessa brincadeira de sedução e conhecimento, o diretor foi ousando com cenas bem trabalhadas, com diálogos contundentes e interações complexas do eixo humano, fazendo com que seu filme tivesse até vários outros filmes menores dentro de si, mas que de uma forma mais complexa acabaram não se perdendo dentro da história. Ou seja, é daqueles filmes que você vê a mão do diretor e até acha que poderia fluir para algum outro lado, mas que tem o estilo de impacto bem colocado, e que sem precisar emocionar transporta o espectador para onde deve refletir, e claro conhecer um pouco mais da antropologia, vendo e conhecendo mais o ser humano dentro de suas perspectivas.

Quanto das atuações, se no filme a jovem Parthenope não foi bem vista como atriz, a jovem Celeste Dalla Porta certamente entrará em muitos longas por sua beleza e seu estilo bem colocado na tela, de modo que vemos tudo fluindo nos seus olhares, na sua sedução em andares quase que parando o tempo, e nas sutilezas que coloca em suas cenas, de modo que ela carrega o filme para aonde quer que a câmera lhe seguisse, e isso é algo que poucas atrizes conseguem fazer. Foi engraçado ver o multifacetado Gary Oldman num filme italiano, de modo que quando a jovem se atrai por ele, logo você já mata que é o autor dos livros que ela tanto gosta de ler, sem mesmo ele se apresentar, mas depois vem o acerto quando se apresentam oficialmente, e o John Cheever do ator foi amplo e cheio de dinâmicas bem alocadas no diálogo mesmo, aonde conseguiu ser presente e marcante. Mas sem dúvida quem deu nuances e chamarizes bem colocados em poucos atos foi Silvio Orlando com seu Devoto Marotta, professor e orientador da garota na faculdade, não deixando que ela fosse julgada, nem que o julgasse, sabendo se impor na tela e criar dinâmicas simples, porém bem marcantes, fora a surpresa de apresentar o filho como algo completamente fora da casinha no final. Claro que eu não poderia deixar de falar de Dario Aita e Daniele Rienzo com seus Sandrino e Raimondo respectivamente, que mesmo sendo um amigo criado junto e o outro irmão da personagem principal, se viam apaixonados e seduzidos pela jovem, e com tudo o que acaba rolando na Ilha de Capri, mudam completamente suas dinâmicas e vidas, com atores quase com o queixo no chão pelo corpo da garota.

Visualmente o longa brinca com três grandes lados de Nápoles, dos bairros riquíssimos, com famílias abastadas que mandam em tudo e que até temos uma cena marcante da junção literal de duas famílias em algo insano de se pensar como verdadeiro, passando pelo lado mais pobre e complexo da cidade, além da religiosidade dentro de igrejas com seus milagres e claro a faculdade, tendo nisso tudo muitas cenas a beira mar, cenas em festas e tudo mais, sendo uma trama rica de detalhes, mas sem muitos desenvolvimentos e necessidades, aonde a grandeza ficou mesmo nos diálogos dentro de cada ambiente da trama.

Enfim, é um filme bem interessante, cheio de nuances e tudo mais, mas que tem um pecado gravíssimo, que inclusive já havia criticado o diretor pelo mesmo motivo no seu longa anterior, que é a lentidão cênica, de modo que no miolo chega a cansar o público, mas que felizmente ele retomou as rédeas e deu um bom fechamento na tela. Então fica a dica para quem curte tramas mais elaboradas na telona, e eu fico por aqui hoje, ou não, vai depender se arrisco dar um play mais tarde, então abraços e até breve.


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