Pequenas Coisas Como Estas (Small Things Like These)

3/16/2025 07:32:00 PM |

Sei que nem todo filme pode e deve ser acelerado e cheio de explosões cênicas, mas os diretores precisam ter noção da desenvoltura para que suas tramas não virem velórios ou soníferos na tela, de tal maneira que a história que o longa "Pequenas Coisas Como Estas" tem dentro de sua base é fortíssima, e daria para facilmente o diretor criar algo marcante na tela, mas ele trabalhou tudo de uma forma monótona e tão parada que certamente se tivesse visto como cabine em casa teria dormido na metade do longa e não saberia o final, pois é tudo muito sereno, e até mesmo os atos mais cheios de impacto dentro do convento são dosados a base de chá. Ou seja, o resultado do filme não vai impactar ninguém, mas ao menos muitos irão pensar sobre mais algo que a Igreja procura sempre varrer para debaixo de seus tapetes, porém não sei se muitos irão conseguir ver o longa da forma que ele não prende a atenção.

Ambientado em 1985, o longa narra a história de Bill Furlong, um vendedor de carvão em uma pequena cidade irlandesa dominada pela influência da Igreja Católica. Às vésperas do Natal, Bill faz uma descoberta chocante ao encontrar uma mulher aprisionada em um galpão de carvão, vítima de punições impostas pelas Lavanderias Madalena, onde a Igreja mantinha aquelas que eram consideradas "fora do padrão". Este encontro provoca um conflito interno profundo em Bill, que se vê dividido entre a emoção e a moralidade. À medida que os segredos obscuros da cidade começam a emergir, Bill confronta suas próprias memórias de infância, repletas de pobreza e anseios não realizados. Com isso, ele se questiona sobre o que significa realmente a bondade e a compaixão em um mundo marcado pelo silêncio e pela opressão. Desafiado a lutar por justiça, tenta redefinir o verdadeiro espírito natalino em meio a revelações dolorosas.

No longa anterior do diretor Tim Mielants, "Caminhos da Sobrevivência", já tinha dito que ele gosta de trabalhar seus filmes de um modo mais cru, sem grandes desenvolturas cênicas, e aqui com o roteiro de Enda Walsh baseando-se no livro de Claire Keegan, ele acabou quase que trabalhando com uma caneta de pluma de ganso de tão sutil que fez tudo acontecer na tela, não sendo nem algo tão sujo como o carvão que o protagonista vende, muito menos sujo com tudo o que acontece lá dentro do convento ou nas ruas da pequena cidadezinha, parecendo que tudo está parado lá desde a era medieval. Ou seja, faltou atitude para que o diretor criticasse realmente e não apenas jogasse tudo no ventilador na cena final com tudo escrito para lermos, pois aí já acabou seu tempo de tela, e assim sendo diria que o trabalho do diretor foi tão morno que no frio da cidadezinha acabou congelando rápido demais.

Quanto das atuações, posso dizer que Cillian Murphy até trabalhou bem seu Bill Furlong, com um estilão mais fechado, sem muitas palavras e expressões mais fortes, mas conseguindo ser marcante e imponente na tela, tendo claro as atitudes mais corretas para com os que precisavam dele, e assim funcionou na proposta, mas dava para quebrar mais tudo e sair resolvendo mais como fez no final. Eileen Walsh fez a esposa do protagonista de uma maneira calma também, sem chamar tanta atenção, mas sendo subjetiva ao menos quando viu a necessidade de acalentar o marido. Emily Watson está tão diferente como a freira Mary, mas foi bem direta e pontual no que precisava dizer para o protagonista, meio como um some daqui logo e leva uns trocados para não encher mais o saco, de modo que a atriz conseguiu chamar atenção. Quanto aos demais vale apenas o leve destaque para a expressividade de 
Zara Devlin com sua Sara Redmond.

Visualmente a trama tem uma pegada não tão chamativa, com um ambiente escuro, mostrando bem pouco da cidadezinha, focando no caminhão de carvão do protagonista, mostrando um pouco dentro do convento aonde as moças trabalham fazendo comida ou lavando e passando roupas, e também o cantinho do galpão de carvão aonde são colocadas as moças de castigo, ainda tivemos bem pouco da casa do protagonista aonde faz sempre seu ritual de limpeza ao chegar do trabalho, e vemos os preparativos do Natal que traz um pouco da memória do garoto que nunca ganhou o presente que desejava, ou seja, tudo bem simples e sem grandes chamarizes de elementos.

Enfim, é um filme que tinha um bom potencial, que me chamou muita atenção pela sinopse, mas que não entrega nem metade do que promete, sendo simples e calmo demais, aonde alguns até irão sair da sessão pensando no que foi apresentado, mas não irão tirar grandes conclusões para a vida, então não diria que recomendo ele nem como algo mediano. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto hoje ainda com mais um texto, então abraços e até logo mais.


0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado por comentar em meu site... desde já agradeço por ler minhas críticas...