A sinopse nos conta que Vitória é uma senhora solitária que, aflita com a violência que passa a tomar conta da sua vizinhança e em conflito com os vizinhos, começa a filmar da janela de seu apartamento. A idosa registra a movimentação de traficantes de drogas da região durante meses, com a intenção de cooperar com o trabalho da polícia. A atitude consegue chamar a atenção de um jornalista, que faz amizade com Vitória e tenta ajudá-la nessa missão.
Diria que o diretor Andrucha Waddington (genro de Fernanda Montenegro) foi muito sutil no que fez quando pegou o filme ainda sem ter andado, já que substituiu Breno Silveira após sua morte no começo das filmagens, que tinha escolhido a atriz por sugestão do jornalista verdadeiro que dizia que a verdadeira Dona Vitória, já que estava sob sigilo policial e ninguém nem sabia sua aparência, gostaria que fosse a dama do cinema nacional que a lhe interpretasse, e ao desenvolver a trama o único momento que dá um vértice que seria realmente uma mulher negra (o que se descobriu em 2023 quando a verdadeira morreu, e aí foi mostrado sua foto mundo afora) é quando ela conta seu passado para o jornalista, de quase escravidão, abusos e tudo mais dos patrões, do restante poderia ser a minha avó ou a de qualquer um ali em qualquer país do mundo, que vê o crime acontecer e deseja fazer algo, alguns mais corajosos que outros, mas pensaria em algo. E a beleza da trama é ver tudo se desenvolver sem precisar de grandes diálogos, ou grandes atos marcantes, pois o ambiente faz o filme, os olhares puxam a emoção ali na tela, e o resultado parece ser simples num primeiro momento, aí você vai ampliando tudo na mente, e fala: "o que foi que eu vi!", e pronto, você está apaixonado pela direção, pela protagonista e por tudo o que é mostrado na tela.
Quanto das atuações, nem é preciso falar nada de Fernanda Montenegro com sua Vitória, pois ela entrega com tanta personalidade, que certamente se Dona Nina estivesse viva certamente daria um jeito de aparecer na surdina na sessão de estreia para aplaudir e abraçar a atriz, pois ela deu um tom que você sente a senhorinha de muita idade, que tem uma afeição incrível para com o garotinho do morro, e que apenas quer viver no seu apartamento sem medo, afinal antes era uma floresta linda o que ela tinha na frente e agora é um antro de matanças, seja pelas drogas, pelas armas ou pela corrupção em si, e a grande dama do cinema nacional precisou falar muito pouco, mas entregou muito com olhares, movimentos e dinâmicas, o que emociona e envolve, ou seja, deu show. Alan Rocha recebeu o maior afago que um ator pode ter com seu Fábio Gusmão, o do verdadeiro representado conseguir se enxergar na tela, e muitos vão criticar a mudança de cor do personagem para o real, mas isso não é algo que incomoda, pois ele soube capturar a essência de se apaixonar pela senhorinha e tentar ajudar ao máximo ela para que sua matéria ficasse boa, mas principalmente que o risco de vida dela não ficasse tão gigantesco, e assim vemos traquejos e dinâmicas tão bem alocadas que o jovem merece muitos aplausos. Conheci a atriz Linn da Quebrada antes de entrar no BBB em um documentário perfeito aonde se mostrou com traquejos expressivos tão bem colocados que me chamou bastante atenção, ao ponto que depois que a vi no programa achei um pouco chamativa demais, mas fez bem, afinal com isso chamou atenção para outros trabalhos na TV e no cinema, e aqui ela tem umas 6-7 cenas com sua Bibiana, mas foi gigante com a entrega que fez com a protagonista, sendo de uma graciosidade, cheia de bons trejeitos, e ficando com um papel muito bem representado na tela. Quanto aos demais, a maioria foi de mais conexões na tela, mas vale dois grandes destaques para Laila Garin como a delegada que assume a investigação do caso e clama pela proteção para a senhorinha, e claro para o garotinho Thawan Lucas que mostrou personalidade nas várias cenas que está presente e conseguiu chamar muita atenção expressiva, ou seja, tem futuro.
Visualmente a equipe de arte caprichou pra valer na composição do apartamento da senhorinha, sendo algo bem casa de vó mesmo, com a cristaleira recheada de porcelanas de estimação, sempre tendo um bolinho e um café, um monte de coisa que você nem sabe o motivo de estar ali, mas fica bonitinho, uma vitrola tocando boas canções, e na janela se vendo o caos, música ruim, pessoas empunhando armas, drogas, tiroteio, matanças, e tudo mais bem representado, as delegacias com policiais que não estão com o mínimo de vontade de atender ninguém, e claro o bingão clandestino quase que um cassino de luxo, com atendentes educados, levando todos para dentro, o bailão e muito mais, fora claro o principal elemento cênico que eu quase morri de tanto rir, do vendedor explicando mil funções da câmera para a senhorinha e ela quase perguntando se ela filmava. Ou seja, um belo trabalho de arte funcional e direto.
Enfim, é um filme muito bom, que traz vários sentimentos e emoções, mas que raspa a trave de errar por repetir muitos detalhes, que claro foi funcional para mostrar a indignação da senhora indo direto nas autoridades e ninguém resolvendo, mas dava para ser mais sucinto, porém isso é uma frescura minha com relação a edições, o que não deve incomodar ninguém e sendo assim se tivesse meias notas daria um 9,5, mas como não tenho vou seguir no 9 por não achar tão perfeito como fui imaginando (talvez a velha saga de ir esperando demais que eu sempre falo para não irem). Então fica a dica para todos conferirem, e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com muitas outras dicas, então abraços e até logo mais.
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