Alerta Apocalipse (Cold Storage)

2/01/2026 02:11:00 AM |

Confesso que hoje fui ao cinema esperando outra coisa, depois do tanto de propaganda que vi antes das sessões de vários filmes, sobre "Alerta Apocalipse", pois no trailer e na propaganda citava "Zumbilândia", citava produtor disso, diretor daquilo, roteirista daquele outro, mostrava toda uma pegada chamativa e tudo mais, de tal forma que a sala para um sábado a tarde de fim de mês estava razoavelmente lotada, mas embora seja um filme com efeitos até bem trabalhados e atores chamativos, rápida demais, que não consegue se desenvolver na tela, entregando um fungo, uma história do passado, uma acelerada para o presente, ladrões, mortes e conversas de soldados, fim. Sim, resumi o longa em meia dúzia de palavras, e não estou sendo sucinto demais, pois ficou parecendo que no trailer tinha até mais história do que o próprio filme. Ou seja, não é algo ruim o que é mostrado, mas ficou sendo praticamente uma amostra de algo que pensaram muito e resolveram cortar tanto que não sobrou para a tela, ficando frouxo demais para empolgar, o que é uma pena.

O longa segue a história de Robert Quinn, um agente bioterrorista do Pentágono que é o único capaz de deter um estranho organismo altamente mutante. Este organismo escapa de seu armazenamento em uma instalação governamental, causando uma epidemia global e potencial destruição em nível de extinção. Quinn se reúne com um grupo improvável de civis que lutam por sua própria sobrevivência; juntos, eles são a única esperança de salvar a humanidade. Além da ameaça biológica, eles enfrentam desafios internos, incluindo desconfianças e conflitos pessoais

É interessante observar que esse pode ser considerado mesmo o primeiro longa dirigido por Jonny Campbell que já ganhou muitos prêmios por suas mini-séries e filmes curtos para a TV, de modo que talvez por isso ele quis fazer algo tão rápido na telona, porém ele esqueceu que filmes podem sim serem curtos de essência desde que se desenvolva bem tudo na tela, não precisando de explicações e dinâmicas para isso, ou seja, ele pegou o texto de David Koepp, que é um dos roteiristas mais aclamados de produções de ficção, e adaptou como um resumão para média-metragem, o que volto a frisar que não ficou ruim de ver, mas fazendo uma comparação esdrúxula seria como se você pagasse uma viagem para ver uma super luta de dois grandiosos nomes de peso, e ao soar o gongo o cara dá um soco e o outro já vai para o chão, ou seja, hoje nas lutas até temos várias antes para não se perder a viagem, mas em um filme isso é algo que não deve acontecer. Claro que não queria um filme de 3 horas enrolando, mas se vai se classificar como um longa-metragem, ao menos faça valer o ingresso, o que acabou não acontecendo, pois nem dá tempo de você se impactar com o fungo da trama, muito menos com as mortes, e menos ainda com a salvação.

Quanto das atuações, diria que Liam Neeson foi usado de uma maneira divertida dentro do seu estilo, fazendo com que seu Robert tivesse uma certa imposição e preparação para resolver qualquer problema do Pentágono nas áreas mais remotas, não exigindo muito do ator que fez até os traquejos tradicionais que a velhice representa nas costas. Tivemos um Joe Keery com seu Travis mais falante do que papagaio perto de estádio, chegando a incomodar o tanto que fala, mas sabendo brincar bem nos atos mais desesperados. E tivemos uma Georgina Campbell bem disposta a entregar tudo com sua Naomi, demonstrando curiosidade e desenvoltura em muitos atos, sabendo se jogar para o filme fluir. Quanto aos demais diria que valeu a entrega rápida de Lesley Manville com sua Trini, e o jeitão zumbi maluco que até antes de se transformar Rob Collins já estava suando em bicas.

Visualmente o longa não desaponta nem um pouco, tendo assim como o nome original diz um grande depósito frio, aonde as pessoas levam suas tralhas para ficarem guardadas por anos, sendo montado em cima de uma grande estrutura militar antiga, que na primeira parte do filme nos mostra nos anos 70 a captura do fungo em algo caído da NASA, depois tivemos bons momentos com os zumbis e até dentro do interior do corpo vendo como o fungo se alastra e domina o corpo que foi invadido, tivemos boas explosões corporais, e muito vômito e gosma, além de bichos cheios de dinâmicas interessantes, ou seja, o melhor do filme é o conceito visual e sua entrega na tela, que valeria muito mais tempo sendo mostrado.

Enfim, é um filme que tinha potencial, mas que ficou resumido demais com toda a pegada que tinha para entregar algo imponente, expressivo e até mesmo mais irônico se quisessem brincar mais ao invés de deixar ele com uma cara "séria", mas ainda assim é um rápido passatempo, então quem não ligar para histórias exageradamente resumidas, vale a conferida. E é isso pessoal, hoje o dia não foi tão produtivo como parecia, mas fechei os filmes dos cinemas, amanhã volto para as cabines e streamings da vida, então abraços e até breve.


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O Primata (Primate)

1/31/2026 07:29:00 PM |

Acho engraçado quando fazem terrores que entregam mais violência do que tensão, pois acabamos conferindo tudo sabendo que não vai chegar a lugar algum, apenas tendo sangue escorrendo pela tela com um fechamento máximo de vermos todos da tela mortos ou alguém sobrevivendo para contar em alguma continuação. E o mais interessante do longa "O Primata" é que boa parte do que acontece já tinha sido mostrada no trailer, ou seja, já fui conferir esperando os devidos atos serem apenas sinalizados na tela. Claro que a violência em si consegue impactar quando muito bem feita na tela, mas aqui tudo é bem básico, e assim saí da sessão apenas do mesmo jeito que entrei.

A sinopse nos conta que uma jovem chamada Lucy retorna da faculdade para passar alguns dias de férias na casa da família no Havaí. Nesse reencontro, Lucy se reúne com o pai, a irmã mais nova e o chimpanzé de estimação Ben. Ben foi criado como um membro da família pela falecida mãe de Lucy, que era uma cientista e acolheu o animal desde pequeno. O que deveriam ser férias de verão tranquilas ao lado dos amigos e parentes, torna-se uma aterrorizante luta pela sobrevivência quando Ben é mordido por um bicho silvestre e contrai raiva. Agora, todos serão obrigados a buscar refúgio no único lugar temido por Ben: a piscina da casa, enquanto o animal causa um terror absoluto entre os presentes.

O diretor e roteirista Johannes Roberts soube brincar com o estilo, entregando bons atos de gritos e estraçalhamentos de corpos, com uma entrega até que bem trabalhada misturando computação e animatrônicos, mas faltou trabalhar um pouco mais os personagens para que não fossem tão fracos e jogados para impactar o público. Ou seja, vemos um filme cheio de intensidade, mas que é vazio de chamariz, é assim ao final já nem estamos torcendo tanto pelas pessoas sobreviverem, pelo contrário, até torcemos pro macaco matar logo elas, é isso é algo "ruim".

Já falei que as atuações foram fracas, mas vale dar leves destaques para Johnny Sequoyah com sua Lucy meio sonsa, mas conhecendo o macaco bem; também tivemos Jess Alexander com sua Hannah meio apática, porém se impondo em alguns momentos; e também tendo alguns atos de linguagens de sinais, o que funciona bem em filmes assim, o ganhador do Oscar, Troy Kotsur com seu Adam, mas sem ter algo que fosse extremamente chamativo na tela. Quanto aos demais, suas cenas estraçalhados foram melhores do que falando, então melhor bem falar nada.

Visualmente a equipe usou muito sangue cenográfico, tivemos mortes marcantes, é uma locação bem intensa da casa em cima de um penhasco, de modo que valeria trabalhar mais o ambiente, pois era um lugar bem bonito, e um outro detalhe que abusou das cenas escuras, o que sempre vale em terrores, mas não dá a qualidade necessária.

Enfim, é um filme interessante, que tem pegada, com uma história simples e atuações fracas, aonde o resultado até vale como um passatempo forte, mas nada demais. E é isso meus amigos, fico por aqui y, mas vou conferir mais um longa hoje, então abraços e até mais tarde.


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Socorro! (Send Help)

1/31/2026 02:46:00 AM |

Nem lembro quando foi o último filme raiz mesmo do Sam Raimi, pois meio que optou apenas pelas produções ao invés de botar a mão na câmera e causar realmente como fazia no seu auge, mas aqui com "Socorro!" temos daquelas tramas violentas, com sacadas cômicas bem apropriadas para o tema, e que dá para imaginar o longa feito de diversas formas possíveis, aonde vemos intensidade e desenvoltura por parte dos protagonistas, e que como costumo dizer, acaba sendo até bacana imaginar a ideia do filme se acontecesse conosco (Eu resumiria o filme em uma frase bem simples: só sobrou eu, vamos embora e cancela o restante do resgate!). Ou seja, é um longa que tem uma ousadia bem colocada na tela, que força um pouco a amizade com algumas situações, mas que no resultado completo acaba agradando.

O longa nos conta que Linda Liddle é uma funcionária exemplar e inteligente de uma empresa comandada por um chefe intransigente e machista chamado Bradley Preston. O relacionamento profissional conturbado da dupla será levado ao extremo quando os dois colegas viram os únicos sobreviventes de um acidente de avião. Presos numa ilha deserta no meio do nada, Linda e Bradley são obrigados a enfrentar os velhos ressentimentos de sua relação e trabalhar juntos para tentar sobreviver nas condições inóspitas do local. O que, porém, eventualmente, ocorre é um jogo de poder e hierarquias que vira de cabeça para baixo as dinâmicas pré-estabelecidas entre os dois. Uma série de reviravoltas, então, coloca Linda e Bradley numa batalha pela predominância enquanto esperam um resgate.

Claro que a história em si, principalmente pelos atos finais, vai lembrar um pouco "Triângulo da Tristeza" (e isso é um spoiler imenso), mas o diretor Sam Raimi soube criar tantas desenvolturas antes dos atos finais, mostrar situações de inversão de valores de dominância, que o filme tem ao mesmo tempo pegadas cômicas e cheias de astúcia, com atos densos, violentos e de sustos, aonde a essência em si mostra muito do jeito tradicional que conhecíamos antes de virar diretor de fama, e assim o resultado acaba sendo muito satisfatório principalmente por isso. Ou seja, vemos uma trama aonde tudo leva a possíveis discussões, de como argumentar alguns problemas, de como tratar e ser tratado em diversos ambientes, e claro, estar preparado para o pior, pois aprender em um meio hostil é algo que ninguém irá lhe dar todos os caminhos das pedras.

Quanto das atuações, foi bem bacana praticamente usarem só os dois protagonistas, tendo alguns personagens de enfeite no começo e no miolo, mas completamente esquecíveis, ou seja, deixaram para que a dupla entregasse tudo e mais um pouco. E começando a falar de Rachel McAdams, que  a equipe de maquiagem conseguiu deixar ela feia para sua Linda, mas que a protagonista foi se soltando, criando vértices e desenvolturas como realmente uma experiente "Survivor", aonde vai criando as devidas nuances para chamar o papel de seu, e o resultado acaba florescendo e divertindo na tela, ou seja, em poucas palavras deu show. Agora quem apareceu bem diferente na tela foi Dylan O'Brien com seu Bradley, de tal forma que não reconheci o ator em momento algum, mas mostrou que ainda tem imponência e acabou sendo daqueles chefes que qualquer um desejaria matar ao invés de ajudar, e claro que conforme ele foi entregando suas nuances, mais passávamos a conhecer suas astúcias que sempre falhavam, ou seja, encaixou bem demais com o que precisava fazer.

Visualmente trabalharam bem o escritório bem tradicional, a casa da protagonista com seus vários livros de sobrevivência, e no avião ainda mostram sua inscrição para o tradicional reality do estilo, ou seja, prepararam bem o espectador para tudo que viria a acontecer depois. Criaram bem um acidente aéreo impactante com cenas fortes de mortes, e depois na ilha vemos as construções de sobrevivência, as comidas que fazem, dicas de frutas e animais com venenos, sacadas com armas e até algumas caças, que funcionaram bem na tela. Não conferi o longa em 3D, mas é notável a quantidade de cenas colocadas para vir em primeira pessoa ou até mesmo com elementos fora da tela, então quem for conferir com a tecnologia pode vir falar depois nos comentários se realmente ficou legal de ver.

Enfim, é um longa que funciona, diverte, mas que tem um final meio que premeditado bem antes de acontecer, forçando um pouco demais a barra para aceitarmos certas situações, porém é violento do jeito que gostamos, e com sacadas divertidas para rirmos, então agrada e vale a recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Song Sung Blue: Um Sonho a Dois

1/30/2026 01:17:00 AM |

Costumo dizer que é tão legal conferir filmes biográficos de pessoas que nunca sequer ouvimos falar, pois você não fica esperando acontecer as coisas que sabe, e tipo a cada reviravolta ou acontecimento você vê seu queixo caindo e vai pegar ele no chão. E sequer um dia na minha vida pensei em quem fosse Relâmpago e Trovoada, quanto mais de que eram os intérpretes mais famosos do cantor Neil Diamond (que eu conheço 2 músicas dele e nem sabia que era dele!), mas que conseguiram transformar em um filme tão bacana e impactante com "Song Sung Blue - Um Sonho a Dois", que o resultado acaba fluindo fácil e de forma gostosa de conferir e descobrir a vida desses dois músicos que tiveram muito impacto nos anos 80/90. Uma coisa que recomendo, e que vou falar bem pouco, é que não procure conhecer nada antes de conferir, para que os impactos sejam bem funcionais com você, pois realmente eles foram bem azarados em algumas situações, e o filme agrada justamente por mostrar o quanto o apoio em uma dupla é muito necessário, e sendo assim agrada.

Baseado em uma história real, o longa acompanha a jornada de um casal azarado de Milwaukee, Mike e Claire Sardina. Mike Sardina era um imitador do cantor Don Ho quando, numa feira estadual, conhece Claire enquanto ela sobe no palco para se apresentar como Patsy Cline. Ambos músicos com aspirações grandiosas, a dupla acaba se tornando um ícone local quando formam uma banda de tributo a Neil Diamond, uma decisão que muda por completo a vida dos dois artistas. Nessa jornada musical, o casal experimenta o sucesso e a desilusão.

É interessante observar que o estilo do diretor Craig Brewer é mais puxado para a comédia, principalmente pelos longas que fez anteriormente, mas aqui usando como base o documentário que Greg Kohs fez em 2008 sobre a banda, conseguiu trabalhar bem o ritmo, não imprimiu um musical nato aonde os personagens falam cantando (felizmente), mas sim uma trama musical sobre uma banda, sobre os problemas familiares, e claro sobre o não desistir quando tudo parece perdido (aliás o trailer mostra já uma das cenas complexas, então se não quiser estragar a experiência, nem veja o trailer). Porém acredito que assim como eu, muitos também conhecem poucas canções de Neil Diamond, e acabarão surpresos tanto pelas canções bacanas mostradas, quanto pela desenvoltura dos protagonistas cantando, atuando e sendo marcantes, ou seja, uma direção primorosa em cima da história, que claro foi enfeitada para ficar mais densa na tela do que a vida real dos personagens, mas ainda assim muita coisa foi verdadeira na telona, e o diretor acertou em muitas escolhas.

E continuando a falar das atuações, Kate Hudson conseguiu merecidamente sua indicação ao Oscar pelo papel de Claire, pois a atriz foi imponente em diversos atos, nos momentos a base de remédios foi intensa e marcante, e além de puxar um carisma imenso em diversos atos, ao ponto de que o protagonista quase chega a ficar apagado, mas felizmente se doou muito e acertou na entrega, e o mais legal é que vendo a verdadeira atualmente, parece ainda mais com a atriz. Já vimos várias vezes Hugh Jackman cantando no cinema, e aqui seu Mike ficou bem colocado, e entregando um personagem mais seco na tela, com presença e intensidade, mas parecendo não ter a química emocional que o papel pedia, ou seja, foi bem no que fez, mas podia ter ido muito além. Quanto aos demais, vale dar destaque para Michael Imperioli com seu Mark como um bom amigo, Jim Belushi com seu Tom bem emocional e divertido, Fisher Stevens como o empresário e dentista do protagonista, mas principalmente quem deu muito show na tela pelo ótimo envolvimento foram Ella Anderson com sua Clare, e o garotinho Hudson Hensley com seu Dana bem marcante.

Visualmente o longa teve uma representação cênica de época bem bacana com roupas, estilo de shows e principalmente pelas locações em si, tocando em bares, teatros e até mesmo na abertura de um show do Pearl Jam com um Eddie Vedder novinho cantando com eles (que John Beckwith entregou), além claro das cenas mais densas e fortes após o acidente, aonde representaram muito na tela com um realismo bem bacana.

Enfim, é daqueles filmes que com poucos ajustes se tornaria uma obra de arte, mas que da forma entregue ainda é bem interessante e gostoso de conferir, que claro deixo aqui a trilha sonora completa com os protagonistas cantando, recomendo claro o filme para quem curte o estilo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Dupla Perigosa (The Wrecking Crew)

1/29/2026 12:57:00 AM |

Costumo dizer que tem dias que o que mais precisamos conferir não é um longa que nos faça pensar e refletir, ou até mesmo ver uma grande obra intensa e marcante, mas sim algo totalmente para passar o tempo com uma boa dose de pancadaria e com cenas que você olhe e fale: "estão de sacanagem com minha cara", e releve, afinal está ali apenas para curtir e deixar rolar. E hoje era um desses dias, depois de ficar dois dias com extrema preguiça de dar play em algo nas telinhas, vi o lançamento da Amazon Prime Video, "Dupla Perigosa", e o dedo do play saiu apertando sozinho, e felizmente o filme não é ruim, claro que passa longe de ser algo memorável, mas cumpre com a proposta de pancadaria com alguma história, e assim agrada quem curte o estilo. Agora gostaria de saber o motivo que o diretor usou tantas cenas em plano-sequência, pois ficou parecendo uma obrigação técnica, que não atrapalha o resultado, mas é tão desnecessário fazer o dublê e/ou o ator ensaiar a cena 200x antes que tudo funcione ao invés de cortar e depois montar, que fiquei encucado.

O longa acompanha dois meio-irmãos precisam trabalhar juntos para desmascarar uma conspiração cabulosa que envolve a morte do pai da dupla no Havaí. Irmãos distantes, Jonny e James precisam se reconectar após a perda misteriosa e inesperada do pai. Enquanto um é um policial inconsequente, o outro é um disciplinado membro da marinha. Enquanto eles buscam pela verdade, segredos há muito escondidos revelam uma conspiração que ameaça o laço familiar.

O mais bacana de tudo é que o diretor Angel Manuel Soto começou grandioso com "Besouro Azul", um projeto audacioso que acabou dando mais ou menos certo de um modo positivo, e aqui ele pôde se soltar mais, brincando com cada elemento da trama, conseguindo passar uma química bem bacana entre a dupla de brucutus, e mesmo exagerando nos planos-sequências, soube entregar algo fácil e divertido de acompanhar, aonde nem mesmo os personagens se levaram muito a sério. Ou seja, é daquelas histórias que você fica se perguntando quem em sã consciência pensou em colocar esses dois como meio-irmãos, e mais ainda trabalhar com a Yakuza no Havaí, e o resultado mesmo sendo maluco dá certo como um bom passatempo deve ser.

Quanto das atuações, posso dizer de cara que Jason Momoa estava tão solto e se divertindo com seu Jonny, que até mesmo nas cenas mais fechadas ele jogava alguma piadinha solta, fazia alguma traquinagem, e ainda botava banca, ou seja, brincou com o personagem fazendo o que gosta. Por um outro lado, Dave Bautista anda querendo bancar personagens mais sérios, e sabemos que não é algo que combina com seu estilo, de modo que seu James funciona mais para contrapor o outro protagonista, e claro para sair batendo, fora que a barba lhe deixou velho demais pro personagem, mas isso é algo que não atrapalhou no resultado final, pois esse jeito mais fechado acabou sendo engraçado de ver. Agora gostaria de saber qual diretor de elenco falou que Claes Bang combinava como o vilão do filme Marcus Robichaux, pois até passou uma banca de empresário rico, mas nas cenas de luta e tensão ficou falso demais na tela, não combinando tanto com o papel. Ainda tivemos alguns gracejos com um elenco invejável, tendo a brasileira Morena Baccarin como namorada/esposa de Jonny meio que de enfeite, mas sendo bem usada na perseguição, Jacob Batalon sendo um ajudante cômico do grupo, e até a garotinha do filme do Stitch, Maia Keloha fazendo suas dancinhas na tela no final.

Visualmente o longa teve boas cenas nas casas dos protagonistas, tendo na de Jonny uma luta exageradíssima cheia de quebra-quebra, sendo bem imponente, também tivemos uma perseguição numa rodovia que ficou computadorizada demais, com carros voando e rolando com tiros e tudo mais, sendo bacana para o estilo de filme, mas poderiam ter caprichado mais para não ficar tão falsa, e na mansão do vilão primeiro tivemos uma festança e depois no final muitos tiros e porradas, com o pessoal da Yakuza forçando um pouco a barra esperando o mocinho ir em direção a eles, tudo em fila organizado demais, isso sem falar na abertura do pai andando pela cidade numa festa de Ano-Novo chinês no Havaí todo rm plano-sequência bem orquestrado, mas sem necessidade.

Enfim, é um filme forçado, porém bacana e divertido de assistir, contando também com uma trilha-sonora engraçada para os diversos momentos da trama, que já disse e repito que serviu bem como um passatempo para quem esperava exatamente o que o longa iria proporcionar, então bom play para todos. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve, afinal nessa semana temos muitas estreias, então abraços e até logo mais.

PS: a nota até poderia ser maior, mas os atos computacionais e coreográficos me incomodaram um pouco demais como crítico, então não pude relevar nesse sentido.


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Living The Land (Shengxi zhidì)

1/28/2026 01:57:00 AM |

Um ponto gigantesco que pode ser observado no longa "Living The Land" é como o tempo voou e as mudanças no mundo mais ainda, pois a trama se passa em 1991 na China, aonde as colheitas eram algo totalmente manual, com as vilas familiares, casamentos arranjados, sobrenomes determinando aonde você seria enterrado e muito mais, e se olharmos como o país está hoje fica parecendo que isso ocorreu há no mínimo uns dois séculos e não apenas 35 anos! Claro que a essência do filme é muito representativa em cima de mostrar essas situações, como eram as conexões, as dinâmicas ali, e o processo fabril e motorizado estava chegando por lá, sendo quase algo meio documental na tela, de tal forma que quem for conferir esperando um algo a mais talvez se desaponte um pouco, mas por incrível que pareça não é uma trama que cansa, pois tudo é muito bem representado na tela, e assim o resultado flui nesse que é o candidato da China nas premiações internacionais, tendo levado inclusive já o Urso de Prata de Melhor Direção em Berlim.

A sinopse nos mostra que em 1991, na China rural, enquanto os moradores migram para as cidades em busca de melhores oportunidades, Chuang, de 10 anos, permanece em sua cidade natal. O terceiro filho de sua família enfrenta os desafios da vida em um período de profundas transformações nacionais.

É interessante que esse é apenas o segundo longa do diretor e roteirista Meng Huo, e ele já foi trabalhar com uma situação tão marcante, conseguindo dimensionar uma época tão bem colocada, todo o ambiente rural complexo com pouca distribuição de renda, e muitos pontos marcantes para um país que mudou tanto, de tal forma que tendo vários personagens, várias interações, a trama até poderia ter sido mais aberta, mas seu foco foi marcante e conseguiu representar bem na tela. Diria que o que mais faltou para ele foi ter uma história central mais impactante para desenvolver tudo ao seu redor, pois a trama do garotinho é fraca demais para segurar todo o processo da mudança, mas ainda assim ele soube fazer com que sua câmera tivesse tanta presença que acabou ganhando a premiação de um dos maiores festivais do mundo.

Quanto das atuações, a trama em si não desenvolveu tantos os personagens, parecendo que até foram em alguma vila e filmaram as pessoas dali, mas sabemos que não foi bem dessa forma, então a grande base ficou em cima do garotinho Wang Shang com seu Chuang interagindo com todos, tendo muitas cenas em diferentes ambientes, e conseguindo chamar atenção ao menos. Outra que teve muita presença cênica foi Zhang Yanrong como a Bisavó, trabalhando bem os relacionamentos ali, e dando toda a tradição nos olhares e dinâmicas. E um ponto que quase teve um desenvolvimento maior foi em cima de Zhang Chuwen com sua Xiuying sendo usada como moeda em um relacionamento familiar, sendo algo que já vimos em muitos países no passado, mas que ainda em alguns lugares segue a tradição.

Visualmente a trama teve uma boa pegada para a equipe de arte se desenvolver, mostrando as casas simples, as colheitas variadas com plantações belíssimas, o clima mudando durante todo o ano, o tratamento do trigo como moeda, uma escola bem rudimentar, e toda a essência dos mais pobres desejando as novidades, tendo ainda as tradições de casamentos, funerais e negociações, com boas movimentações cênicas e tudo bem simples, porém bonito de se ver.

Enfim, é um longa que funciona bem dentro da proposta da mudança, que como disse tem uma cara até de algo quase documental por não recorrer tanto aos artifícios da ficção tradicional de clímax e quebras cênicas com histórias maiores, mas ainda assim agrada pela simplicidade bem trabalhada e com um resultado que não cansa, valendo a indicação pela representatividade. E é isso meus amigos, o longa estreia nos cinemas nacionais no dia 05/02, e eu fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Autoral Filmes pela cabine de imprensa, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Falsário (Il Falsario) (The Big Fake)

1/25/2026 10:21:00 PM |

Janeiro é um mês que aparecem poucos bons filmes, a maioria sendo do ano anterior que apenas chegaram por aqui agora, mas essa semana até que a dona Netflix trouxe bons lançamentos para brincarmos na frente da TV, principalmente comprando biografias diferentes e marcantes. E o longa italiano "O Falsário" traz essa pegada que talvez até já tenhamos visto algum outro longa sobre o mesmo personagem, afinal tiveram várias versões de sua morte e vida, e nessa acredito que souberam brincar bem com toda a essência, dos conflitos políticos bem colocados, afinal sabemos que jogar dos dois lados é um risco que nem espiões sabem fazer bem, quanto mais um mero pintor do interior. Ou seja, é um filme com uma proposta bem interessante, que funciona na tela com toda a entrega dos personagens, que chega a causar tensão, e que escolheram um fechamento bem intenso que seria bem comum da época, sendo algo que vale a conferida da representação bem feita sobre um homem simples, que a ganância só foi crescendo com os "amigos" errados.

O longa acompanha o jovem pintor Toni Chichiarelli (Pietro Castellitto), que resolve ir para a capital da Itália exercer a sua carreira artística. No entanto, ele logo percebe como o submundo parecia ser ainda mais atraente, por essa razão ele passa a fazer parte de uma gangue que replicava obras de arte com perfeição absoluta. Assim, se tornando um grande mestre da falsificação, a década de 70 italiana ficou marcada pela sua presença e enganação.

O diretor e roteirista Stefano Lodovichi foi bem coerente nas escolhas para que seu filme tivesse uma boa dinâmica e também entregasse personalidade, pois geralmente biografias costumam focar tanto nos protagonistas que a história ao redor acaba perdida, e aqui em momento algum ficamos fora do mundo complexo dos anos 70/80 na Itália, aonde fascistas e comunistas brigavam pelo rumo do poder, e usando de simples falsificações conseguiam explodir o medo na população. Ou seja, ele pegou uma bela história escrita por Sandro Petraglia e brincou com todas as facetas possíveis, desenvolvendo uma trama que fluísse bem e impactasse sem que fosse pesada, afinal já vimos muitos filmes de máfia e de conflitos políticos, mas não um aonde um artista fosse o protagonista, e com isso o resultado ficou gostoso de acompanhar do começo ao fim, torcendo claro para que o melhor acontecesse.

Quanto das atuações, realmente estou bem surpreso, pois acreditava que o protagonista Toni fosse interpretado por outro ator que já vi em muitos longas italianos, mas a maquiagem praticamente escondeu Pietro Castellitto no papel, e o ator mostrou o quão potente e cheio de facetas ele é, sabendo brincar com as dinâmicas do papel, trabalhando as essências na tela, e conseguindo com que o resultado chamasse atenção em todas as suas entregas, só diria que talvez ele poderia ter mudado um pouco suas interpretações conforme fosse mudando sua riqueza, mas atrapalharia talvez a essência do longa. Giulia Michelini trabalhou sua Donata com bons momentos envolventes, mas pareceu um pouco artificial demais para com o protagonista, parecendo um relacionamento meio jogado e falso. Edoardo Pesce trabalhou seu Balbo com muita imposição, meio quase como um chefão do crime, mas sabendo passar bem um lado mais informal na tela. Andrea Arcangeli fez de seu Don Vittorio algo muito chamativo como padre, de modo que ele nos convenceu fácil demais de sua personalidade ali. Também tivemos alguns atos espaçados de Pierluigi Gigante com seu Fabione, mas soube passar a intensidade na tela. Ainda tivemos Claudio Santamaria como o Alfaiate e Fabrizio Ferracane como Zù Pippo bem colocados na tela, mas sem serem imponentes fora de suas personificações.

Visualmente a trama teve uma pegada bem dos anos 70/80, com roupas coloridas para o protagonista se vestindo bem mal como o Alfaiate fala para ele, tivemos alguns ateliês interessantes aonde o jovem reproduzia grandes obras, além de alguns roubos e boates, além de restaurantes e as casas mais chamativas, sendo uma obra de época simples, porém bem funcional na tela.

Enfim, é um filme bem bacana que funcionou bastante, mostrou bem a personalidade do protagonista retratado na tela, e que agrada ao mostrar que quando o crime começa a compensar, é melhor sair dele, pois a bomba pode vir em tamanho gigante, e assim sendo essa foi uma das possíveis versões que existiu desse falsificador tão famoso de Roma na época, valendo o play para conhecer sua história. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais. 


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Terror em Silent Hill - Regresso Para o Inferno (Return to Silent Hill)

1/25/2026 02:44:00 AM |

Costumo dizer que adaptar jogos de videogame para as telonas é um risco gigantesco, pois os fãs são criteriosos num ponto que até se tudo estiver bem direitinho na tela irão reclamar, mas como joguei muito pouco e há um bom tempo, não posso dizer que lembro de tanta coisa para reclamar do que vi hoje, então vou falar mais como cinema mesmo, pois o novo "Terror em Silent Hill - Regresso Para o Inferno" tinha tudo para ser chamativo e funcionar bem na tela, pois tem pegada, tem personagens interessantes, e tem alguns bons desfechos na tela, mas é tão bagunçado, que muitos que não conhecem o jogo talvez saiam da sessão pensando se entenderam algo do que foi mostrado, pois por momentos pensamos ser apenas coisas da mente do protagonista, em outros achamos que está rolando mesmo tudo ali, de modo que a essência em si rola bem, dá alguns sustos repentinos e embora bem confuso funciona como uma entrega interessante. Porém quando tudo parecia ter um final interessante e funcional para toda a ideia entregue, resolveram colocar uma reviravolta tão fora da casinha que nada mais fez sentido, ou seja, bagunçou ainda mais tudo, o que acabou desapontando um pouco.

O longa acompanha a terrível estadia de James (Jeremy Irvine) numa cidade aterrorizante. Quando ele recebe uma carta misteriosa de seu amor perdido após ter se separado dela, James é intimado a voltar para uma cidade esquisita chamada Silent Hill. Na carta, está a promessa de que irá encontrar sua preciosa alma gêmea novamente. No entanto, com o passar dos dias nessa comunidade antes reconhecível, eventos bizarros causados por uma força malévola desconhecida começam a acontecer. Conforme ele se aprofunda na cidade, James vai dando de cara com figuras sombrias, familiares e monstruosas. Sem entender o que está acontecendo e que força é essa que tem tanta influência na cidade, o rapaz começa a questionar a sua sanidade mental enquanto desvenda uma verdade apavorante com a esperança de permanecer forte o suficiente para resgatar a sua amada.

Como já vi outro longa do diretor e roteirista Christophe Gans, posso dizer que ele tem uma pegada dupla bem interessante de desenvolver o lado fantasioso com um estilo mais sombrio, de modo que aqui ele pode brincar ainda mais com a computação gráfica, e soube criar um clima tenso interessante, porém sua ideia original ficou muito bagunçada na tela, ao ponto que a confusão toda parece ser fluida, mas logo em seguida se perde, precisando de muitos flashbacks, muitas memórias, ao ponto que se ele confirmasse em algum momento que tudo faz parte de um lapso da memória do protagonista até seria aceitável, mas como isso ficou muito jogado na tela, o resultado agrada bem pouco, principalmente quem não conhece a franquia de jogos. Mas o principal detalhe do diretor, é que ele também fez o longa de 2006, então já sabia como desenvolver e melhorar, sendo bacana o resultado nesse sentido na tela.

Quanto das atuações, a base da trama fica a cargo de Jeremy Irvine com seu James, tendo alguns trejeitos bem colocados, dinâmicas bem resolvidas, mas por vezes parecendo meio perdido em cena, o que pode ser motivo da famosa atuação sem grandes referências no ambiente, mas ao menos teve  uma presença cênica bem chamativa para segurar o filme. Das garotas, tivemos Hannah Emily Anderson bem cheia de charme com sua Mary, passando um simbolismo maior para com o protagonista, mas não fluindo tanto nas cenas que necessitava, deixando um mistério maior do que algo funcional para a trama; também tivemos Evie Templeton bem colocada com sua Laura quase como um fantasma misterioso, mas ao menos causando nas suas cenas; e também tivemos Eve Macklin com sua Angela bem estranha, com um ar cheio de simbolismo, mas não indo tão além quanto poderia.

Visualmente o longa ficou bem interessante, tendo vários personagens característicos do jogo, como as enfermeiras ou bichos brancos estranhos sem braços que soltam um tipo de ácido, várias formas menores disso que parecem aranhas, e claro o monstro com a cabeça de pirâmide, tendo ambientes escuros e um visual com tons avermelhados bem marcantes, mudando bem os momentos na tela, além de alguns atos mais bonitos nos flashbacks dos protagonistas, além de alguns cultos estranhos, ou seja, a equipe de arte procurou ser bem fiel ao jogo, e o resultado ao menos nesse sentido não ficou falho.

Enfim, mais uma vez tentaram ser fieis ao videogame e se perderam na concepção para a telona, fazendo com que não agradasse nenhum dos dois lados, virando uma confusão tremenda, e o resultado sendo apenas interessante, mas felizmente está levando um bom público de fãs para as sessões, então pode ser que eles gostem mais do que eu. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos e dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Cativo (El Cautivo) (The Captive)

1/24/2026 02:56:00 AM |

Precisei dar uma pesquisada boa antes de vir escrever sobre o filme da Netflix, "O Cativo", pois não conhecia absolutamente nada sobre Miguel de Cervantes sem ser claro seu livro "Dom Quixote De La Mancha" que teve sabe-se lá quantas mil versões, mas efetivamente a história do autor não me lembrava de ter visto algum filme ou lido algo sobre, e claro que sem muitos dos detalhes colocados na trama, foram bem fiéis no desenvolvimento da vida do autor, ou seja, souberam brincar bem com as essências e trabalhar para que o longa tivesse algo a mais na tela. E mais do que isso, conseguiram criar um épico marcante, afinal o cinema espanhol é bem mais contido em gastos, mas aqui tudo é grandioso, com ambientes cheios de figurantes, com muitos figurinos, um requinte no ambiente dos mais ricos e toda uma concepção artística para as cenas nas ruas para mostrar um mundo bem diferente do que eles achavam que era a vida dos otomanos. Ou seja, é um filme que tem pegada, tem uma produção incrível e que a história convence e envolve, sendo bem interessante para conhecer mais sobre o escritor tão conhecido pela obra e pouco por quem foi.

O longa nos situa no ano de 1575 quando o jovem Miguel de Cervantes é ferido numa batalha naval e capturado como prisioneiro por forças argelinas em seu retorno para a Espanha. Sem saber que seu destino é a morte em território argelino, Cervantes encontra refúgio na arte da ficção e da contação de histórias. Esperando que seu resgate seja pago, as incríveis e fascinantes narrativas do artista estabelecem a esperança dos companheiros de prisão e, eventualmente, atraem a atenção do misterioso e temido Hassam. Em meio aos conflitos que florescem entre seus desesperados parceiros de cela, Cervantes passa a orquestrar um plano ambicioso e arriscado de fuga.

Não conhecia os trabalhos do diretor e roteirista Alejandro Amenábar, mas posso dizer que ele tem presença, sabe desenvolver bem as dinâmicas para que seu filme não ficasse arrastado, porém esqueceu a tesoura em casa, pois dava para cortar facilmente uns 20 a 30 minutos da trama para que ela ficasse mais explosiva e menos "novelesca", pois não precisaria desenvolver outros personagens e nem fantasiar tanto, pois logo na primeira contação de histórias para os seus parceiros de cela, e depois para o paxá, fica claro mais da metade de tudo, e ao ficar repetindo acaba enrolando mais do que envolvendo, o que é um perigo, que por sorte não ficou cansativo, mas dava para ser mais intenso e marcante na tela com poucos ajustes.

Quanto das atuações, Julio Peña foi bem seguro na personalidade de Miguel de Cervantes, fazendo um homem que deseja ir além, tinha seu dom para contar histórias, e que se jogou nas dinâmicas mais densas com cada tipo de personagem ao seu redor, sendo marcante e expressivo para chamar atenção e não ficar forçado na tela. E falando em forçado, Alessandro Borghi acabou tendo as nuances de seu Paxá Hassam num misto de vingativo com presença cênica demais, parecendo não ser suficiente na tela com suas entregas, mas soube ser sensual e forte ao mesmo tempo, o que acabou agradando no resultado final. Ainda tivemos outros bons personagens como Miguel Rellán fazendo o Padre Sosa de onde o escritor tirou muitas ideias de seus textos, Fernando Tejero trabalhando o Padre Blanco com todas suas surtadas explosivas, e claro José Manuel Poga fazendo um Castañeda bem marcante com as ideias do protagonista.

Visualmente o longa teve uma bela presença cênica, mostrando inicialmente como eram vendidos os cristãos presos pelos mouros para as devidas tarefas, e os que tinham alguma linhagem maior ou cargos mais chamativos do governo eram levados para uma prisão ampla aonde ficavam esperando seus resgates serem pagos, sendo algo bem retratado de poucas condições, a céu aberto, com figurinos marcantes, e tendo os momentos que alguns optavam pela redenção mudando a religião e podendo viver na cidade, tivemos o palácio do paxá bem colocado, com seus serviçais de todos os tipos, louças em ouro e claro instrumentos de matança com o famoso empalamento tão conhecido na história, e fora do palácio e da prisão tivemos uma cidade rica de negociações, pessoas e comidas exóticas e tudo mais que acabaram encantando também o personagem principal.

Enfim, é um filme interessante para conhecer o personagem que pouco sabia sobre, que talvez alguns conhecesse mais, sendo uma biografia bacana com uma pegada ficcional bem colocada, então fica a dica para talvez as devidas ressalvas mais exageradas, e que como disse, poderia ser menor de duração para chamar mais atenção, embora não canse, então vale o play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Justiça Artificial em Imax 3D (Mercy)

1/23/2026 01:45:00 AM |

Quem der uma rápida revirada nos meus textos vai ver que meu estilo preferido de longas é o de julgamento, pois sempre friso o quanto advogados precisam ser mestres da atuação para defender ou acusar um réu, e se o longa for bem trabalhado a intensidade flui tanto que quando você vê já está envolvido quase como uma torcida completa para um dos lados. E o mais engraçado é que não vi nenhum trailer, nem tinha qualquer noção do que o longa "Justiça Artificial" iria me entregar, apenas criando na mente algo pelo nome, e a sacada embora parecida com alguns filmes que já vimos, brinca com a essência de uma IA que é júri, juiz e executor, ou seja, vai lhe dar acesso a tudo o que você precisa para tentar se defender, mostrando provas e tudo mais, mas não conseguindo no tempo já é frito ali mesmo na cadeira, ou seja, algo intenso e marcante. E ainda para ficar ainda mais complexo, o réu que está ali é um detetive que colocou o primeiro culpado nesse meio, mas agora sendo acusado de ter matado a esposa, ou seja, ele terá 90 minutos pra conseguir provar sua inocência sem lembrar exatamente tudo o que aconteceu, e foi me deixando tão intrigado com a essência das provas, o jeito de fazer as ligações, as interações com os ambientes, sendo ao mesmo tempo simples, porém muito tecnológico, que o 3D acaba transformando os momentos quase em um videogame gigante, mas nada que impressione dentro da história em si, que ficou muito bacana de conferir.

A sinopse é bem simples e nos mostra que um detetive é colocado no banco dos réus acusado por um crime violento: matar sua esposa. Tudo isso ocorre numa Los Angeles do futuro, em 2029, no qual a tecnologia tomou conta do dia a dia da sociedade. No julgamento, então, o detetive tem apenas 90 minutos para provar sua inocência para uma inteligência artificial avançada que ele, no passado, defendeu. O destino do homem, agora, está nas mãos do sistema inteligente.

O diretor russo Timur Bekmambetov já fez muitos filmes bem interessantes na sua carreira, e aqui embora sua obra pareça muito com o saudoso "Minority Report", a pegada mais fechada do que de correria acaba impressionando bastante na tela, ou seja, ele foi mais criativo com a situação do julgamento em si, com tudo se passando em telas, criando as dimensões, provas, acontecimentos e dinâmicas do que algo mais corrido em busca de alguém que irá cometer um crime, afinal aqui já temos o réu na cadeira elétrica, e ele através de suas alegações tentará provar para a juíza que é inocente antes que seja frito. Ou seja, é uma ideia original, bem chamativa, que talvez num futuro possa ocorrer, mas como mostrado no longa, a intuição e o feeling humano muitas vezes pode ser muito mais preciso do que números e alegações baseadas em fatos, e assim o resultado acaba chamando muito atenção, e mostra que o diretor foi muito bem com algo menos gigantesco.

Quanto das atuações, como Chris Pratt passa quase todo o filme sentado, ele precisou trabalhar bem as expressões investigativas para trabalhar sua defesa com tudo o que vai ocorrendo com seu Chris Raven, de modo que tivemos algumas interações fora dali mostrando alguns momentos de seu passado, mas a base mesma expressiva do ator fica dentro da sala, e ele nos convence tão bem que ficamos conectados com sua entrega, ou seja, acertou bem no estilo. Agora quem incrivelmente ficou tão real como uma pessoa artificial foi Rebecca Ferguson com sua Maddox, de modo que chega a ser irritante sua persuasão e entrega, parecendo realmente com um IA, mas tendo um estilo realista, o que funciona bem em cada expressividade mais seca que a atriz precisou fazer. Quanto aos demais que estão fora do ambiente de julgamento, tivemos bons momentos com Kali Reis com sua Jaq Diallo bem intensa na busca de provas e pessoas para salvar o parceiro, tivemos a filha do protagonista vivida por Annabelle Wallis um pouco forçada demais, Chris Sullivan bem entregue nos momentos mais intensos com seu Rob e Jeff Pierre quase como um maratonista fugindo dos policiais com seu Burke, mas como o filme é focado mais nos dois lá dentro da sala, os demais ficaram bem em segundo plano.

Visualmente o ambiente é simples, com uma sala enorme, um telão aonde a protagonista aparece e vai jogando elementos como provas, estatísticas, ligações, um relógio em contagem regressiva de tempo e do outro lado o percentual de culpa do protagonista que precisa ser bem diminuído para ter chance de ser inocentado, vamos vendo as cenas fora do ambiente nas conexões com celulares e muitos elos bem encaixados, que ficaram até que bem bons em 3D para dar uma imersão maior da movimentação quase como um jogo de videogame, mas que não é algo tão necessário, mas que junto das boas cenas de ação, explosão e tudo mais, o resultado acabou funcionando com uma boa perspectiva de profundidade de campo, além de dar bons elementos cênicos para um ambiente sem muitas coisas.

Enfim, é um filme que me surpreendeu bastante, que vibrei com algumas entregas e que me causou tensão, que é exatamente o que eu cobro de um bom longa de julgamento, de modo que não é perfeito, pois é o estilo que você sabe bem como vai terminar, mas o resultado final acabou sendo marcante ao menos para um fechamento intenso, e sendo assim acaba valendo a recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Única Saída (No Other Choice)

1/20/2026 10:24:00 PM |

Sinceramente ando ficando com muito medo das ideias dos roteiristas sul-coreanos, pois eles não sabem brincar direito não, já vão para um nível de apelação tão contundente que funciona demais, e o melhor, sabem bem o que pensamos nos nossos momentos mais intensos, de modo que seus longas de humor negro andam indo por rumos tão chamativos, que acabamos aplaudindo e ganhando muitos prêmios mundo afora, por também pensarmos dessa forma bizarra no nosso interior. Afinal quem nunca pensou em eliminar a concorrência de uma entrevista de emprego para que você seja o contratado? E com essa pegada, o longa "A Única Saída", que estreia na próxima quinta 22/01 nos cinemas nacionais, traz uma irreverente e bem maluca história de um homem que após trabalhar 25 anos na mesma empresa, tendo que procurar um novo emprego resolve eliminar seus concorrentes mais fortes, ou seja, acaba sendo em alguns momentos até meio que exagerado a forma entregue, mas como o cinema deles permite uma ousadia a mais, o resultado acaba ficando bom dentro dessa maluquice toda. Claro que a trama passa longe do brilhantismo, principalmente por se alongar um pouco demais, mas a entrega do protagonista é tão boa, que se a equipe pensar bem dá até para fazer alguma série com ele tendo de eliminar mais candidatos em uma outra procura de emprego, mas como filme funcionou também, e isso é o que importa.

A sinopse nos conta que Man-su, especialista em fabricação de papel com 25 anos de experiência, leva uma vida tão plena que pode dizer a si mesmo, com convicção: “Tenho tudo o que preciso”. Ao lado da esposa Miri, dos dois filhos e de seus cães, vive dias felizes, até ser surpreendido pela notícia de que foi demitido. O choque é devastador, mas, ainda assim, Man-su promete a si mesmo que encontrará um novo emprego em três meses pelo bem da família. Porém, a realidade se revela bem mais complicada. Apesar da determinação, ele passa mais de um ano pulando de entrevista em entrevista e se sustentando com um trabalho no comércio. Em pouco tempo, começa a correr o risco de perder a casa pela qual tanto lutou. No desespero, aparece de surpresa na Moon Paper para entregar seu currículo, mas acaba humilhado pelo gerente de linha Sun-chul. Convencido de que é mais qualificado do que qualquer candidato para trabalhar na empresa, Man-su toma uma decisão drástica: “Se não existe uma vaga para mim, vou ter que criá-la”. 

Muitos estão perguntando por aí se essa seria uma refilmagem do clássico "O Corte" do diretor Costa-Gravas, mas não é bem isso, o longa é sim uma nova adaptação do livro “O Corte”, de Donald E. Westlake, que Costa-Gravas utilizou e aqui recebe até uma leve homenagem nos créditos, de modo que o diretor e roteirista Park Chan-Wook foi bem coerente em trabalhar o livro de uma forma mais coreana possível, com uma pegada direta e cheia de nuances, usando um humor até mais ácido do que o comum deles, mas sendo um longa envolvente que funciona, diverte, e claro dá algumas ideias meio que malucas pro pessoal que está procurando emprego. Ou seja, é o famoso filme certo de si que não fica com espaços jogados na tela, mas que se afinado um pouco mais poderia impactar como nenhum outro já fez.

Quanto das atuações Lee Byung-hun trabalhou seu Man-su com muita personalidade, pois você não imagina ele como alguém capaz de matar ninguém, muito pelo contrário, acha até fraco demais para algumas situações, mas ele brinca com essas facetas, e faz o filme ficar com a sua cara, sendo bem trabalhado e cheio das nuances. Outra que foi muito bem, mas de uma forma mais fechada foi Son Ye-jin como a esposa do protagonista, Miri, tendo alguns atos bem colocados como uma boa organizadora financeira, e outros mais densos e como apoiadora do marido quando descobre a situação toda, ou seja, soube se sobressair para aparecer bem na tela. Tivemos ainda boas cenas com os demais candidatos que Cha Seung-won e Lee Sung-min fizeram, trabalhando traquejos meio que desesperados ao enfrentarem o protagonista, mas as boas cenas ficaram para Park Hee-soon com seu Sun-chul irreverente e beberrão que confrontando bem o protagonista tiveram atos bem marcantes e com estilo. Quanto das crianças e dos cachorros, só achei irreverente a beça os nomes Si-one e Ri-one com seus cachorros Si-two e Ri-two, mas não foram tão além quanto poderiam nas entregas de suas facetas.

Visualmente o longa teve um bom trabalho da equipe de arte, com casas bem diferentes dos personagens, mostrando o quanto a queda da riqueza pode deixar alguém completamente maluco, tivemos também as casas isoladas dos demais, tendo uma no meio de uma floresta com cobras, outra com um aspecto mais rústico e até a do outro que não chega a ser mostrada, mas saindo de uma loja de sapatos com o mar ao fundo, mostrando que o protagonista viajou muito entre as cidades, e claro a cena do "bonsai humano" foi muito bem trabalhada.

Enfim, é um longa que tem sido bastante indicado nas diversas premiações, mas que curiosamente não tem levado tantos prêmios quanto poderia, muito pelo motivo de que muitos não devem estar entendendo as ironias da trama, mas ainda assim é um tremendo filmaço, divertido na medida, que mesmo sendo um pouco longo demais acaba agradando bastante. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Voz de Hind Rajab (Sawt Hind Rajab) (The Voice of Hind Rajab)

1/20/2026 01:37:00 AM |

A única palavra que me vem na mente após conferir o longa "A Voz de Hind Rajab" é indignação, pois não tem como não surtar como o atendente da central de emergência que está falando com a garotinha presa num carro cheio de mortos, e seus superiores não conseguem uma "porcaria" (pra não falar um palavrão!) de uma ambulância ou sei lá o que para ir resgatar ela no meio de um ataque de Israel em Gaza. Dito isso, o longa que estreia dia 29/01 nos cinemas nacionais, em homenagem aos 2 anos que ocorreu o caso mostrado na tela, é simples de execução, com uma sala de ligações, uma sala da gerência e a sala da terapeuta, junto das ligações reais do caso que foram divulgadas depois, contando apenas com poucos atores na tela, porém tem uma potência tão grande que faz você surtar com tudo o que acontece, sendo daqueles filmes com um impacto na mente que nem dá para transmitir em palavras, mas que muitos defensores de Israel irão falar que é falso, ou seja, só vejam e depois reflitam!

O longa nos conta que em uma noite de terror em Gaza, uma ligação de emergência se transforma em uma corrida contra o tempo para salvar Hind Rajab, uma criança de 6 anos presa em um carro sob fogo cruzado. Em contato permanente com a menina, voluntários do Crescente Vermelho enfrentam enormes desafios para coordenar uma operação de resgate em meio à violência extrema.

Já tinha dito no filme anterior da diretora e roteirista Kaouther Ben Hania, "As 4 Filhas de Olfa", que ela sabia muito bem como trabalhar temas complexos e desenvolver bem os seus atores para parecerem o mais reais possíveis com os personagens das histórias verdadeiras, e aqui ela voltou a detonar nesse sentido, pois me vi tão desesperado com o protagonista ouvindo as ligações reais, que parecia que era eu ali ouvindo e tentando fazer uma solução, de modo que só faltou ele pensar em ir de carro resolver sozinho a parada (apesar que 80km com o tanto de enrolação das equipes dava prele ter ido e voltado umas 3x), mas sabemos que no meio de uma guerra infelizmente não dá para fazer isso, e com isso fico pensando como a mente do ator, e claro do verdadeiro atendente explodiu com tudo acontecendo, pois não dá para sair imune numa situação dessas. Ou seja, é um trabalho bem simples, como a diretora já mostrou saber fazer bem, mas que vai deixar muita gente indignada com a entrega dos atores, e principalmente com os áudios reais usados, pois é desesperador não conseguir ajudar alguém por ter tanta burocracia, e mais ainda pelo que o país adversário fez na finalização.

Quanto das atuações, já falei muito que não tem como não se identificar com o protagonista vivido por Motaz Malhees, pois seu Omar entra no famoso estado de choque logo após a primeira morte, e depois entra no surto desvairado para ajudar a garota, e sua entrega é primorosa, realista e cheia de expressividade, de modo que certamente conversou com o verdadeiro Omar, e tirou um brilhantismo para ficar real demais na tela. Da mesma forma Saja Kilani trabalhou sua Rana com uma dinâmica emocional tão precisa, pois já estava cansada do trabalho direto, pronta para ir para sua casa e acabou sentindo na pele cada dinâmica ali, de modo que a atriz passou essa emoção nos olhares e na fala, agradando demais do começo ao fim. Sabemos que a função de um chefe de setor é seguir toda a norma da companhia para que não haja erros, mas chega a ser irritante alguns atos que Amer Hlehel fez com seu Mahdi, sendo explosivo na medida, e intenso nas dinâmicas ao telefone, mostrando para todos o que não desejava fazer, e como não podia ir além, mas ninguém tem sangue de barata, e o surto vem. E ainda tivemos a terapeuta/psicóloga do grupo Nisreen que Clara Khoury trabalhou bem as dinâmicas, e segurou um pouco demais seus atos na tela, mas essa era a função dela.

Visualmente o longa foi baratíssimo, tendo apenas uma central telefônica com uma sala de liderança e uma varanda, não precisando de muito mais coisas na tela, além de um telão aonde viam as rotas e os carros andando, ou seja, a equipe de arte nem precisou trabalhar praticamente, tendo um bom resultado apenas pelas nuances dos personagens, além de fones de ouvido e telefones para representar bem os momentos.

Enfim, costumo dizer que gosto de pensar muitas vezes como me sentiria no papel principal, e aqui acredito que surtaria até mais do que o protagonista, ou seja, é um filme completamente válido, que recomendo demais para todos, que me irritou aos montes por ver o quanto esse povo que vive em guerra consegue ser mal com os seres humanos que mais precisam, e que claro recomendo muito a conferida, pois também provavelmente será um dos indicados a filme estrangeiro para brigar conosco, então vá aos cinemas no dia 29/01. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo os amigos da Synapse Distribution e da Atômica Lab Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.

PS: raspei de dar a nota máxima para o longa, pois me incomodou demais com toda a entrega, mas como ele ficou muito próximo do longa dinamarquês "Culpa", acredito que dava para talvez sair um pouco mais do real e ficcionado um pouco mais a situação, embora os áudios funcionaram bem demais. Diria que se tivesse notas quebradas daria um 9,7.


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Netflix - Dinheiro Suspeito (The Rip)

1/18/2026 10:41:00 PM |

Ultimamente muitos filmes da Netflix tem servido apenas como um bom entretenimento sem irem a fundo nas situações, principalmente os que colocam muita ação em jogo, pois acabam tendo boas entregas, mas com uma fluidez sem grandes chamarizes na tela. Claro que com isso não estou dizendo que o longa "Dinheiro Suspeito" seja ruim, muito pelo contrário, pois temos algumas dinâmicas bem fechadas e uma intensidade marcante, porém com pouquíssimos ajustes, jogando a trama para um suspense mais denso, teríamos um filmão daqueles para não se esquecer jamais, mas infelizmente não é essa a ideia da companhia, então para passar o domingão conferindo, já quebra o galho pelo menos.

No longa vemos que a confiança entre uma equipe de policiais de Miami é quebrada e colocada à prova após encontrarem uma grande quantia de dinheiro num esconderijo. Enquanto as forças institucionais descobrem o tamanho da apreensão, dúvidas com relação a quem confiar colocam o grupo em disputa.

É engraçado que o estilo do diretor Joe Carnahan é totalmente esse, ao ponto que você olha para o longa e vê sua mão funcionando na tela, só que ele poderia ter brincado com mais conflitos entre os personagens, para que o público surtasse um pouco com toda a entrega, mas usou bem do que tinha e pode chamar a atenção com algumas cenas de muitos tiros ensurdecedores (precisei abaixar o volume da TV, algo que com uma mixagem mais correta funcionaria melhor), e que tendo um roteiro simples, mas com algumas reviravoltas interessantes, o resultado entrega bem na tela. Diria que talvez uma pegada mais lenta, mais cheia de envolvimento com os personagens daria um tom mais marcante, mas talvez cairia muito para o lado de uma série, então a opção direta entreteve bem e acabou agradando.

Quanto das atuações, vou falar bem pouco para não estragar o "mistério" dos personagens e suas dinâmicas, mas logo de cara vemos um Matt Damon bem sério com seu Dane, sendo mais pegado no passado e tendo alguns problemas pessoais para se fechar tanto, de modo que mostrou também que o ator já não é mais aquele garotão que estávamos acostumados a ver na maioria dos filmes, e assim sendo o resultado dele pareceu faltar um pouco mais de explosão. Já que estou pedindo explosão, acredito que Ben Affleck estava com a cabeça quente demais com seu J.D. parecendo até estar sob efeitos de algo a mais na tela, brigando fácil e entregando dinâmicas meio que exageradas demais na tela. Teyana Taylor está tentando ser a nova Nicolas Cage, pois a cada 5 filmes que são lançados ela está em 4, e isso é perigoso para que ela fique um pouco queimada demais no mercado, mas ainda assim ela entrega alguns momentos simples bem feitinhos com sua Numa. Catalina Sandino Moreno só foi mais interessante na tela com sua Lolo por cuidar do cachorro do grupo, pois é tão apagada que não sabia nem quem era a atriz. Scott Atkins poderia ter participado mais com seu Del, pois fazendo o irmão de Affleck tiveram bons momentos de intensidade mais pegada o que chamou atenção na tela. Ainda tivemos Steven Yeun bem colocado com seu Mike Ro, bem misterioso em cena, falando muito com todos os personagens, principalmente com Sasha Calle fazendo Desi, mas ambos sem irem muito além na entrega do longa.

Visualmente o longa por incrível que pareça é simples, pois para um filme de ação, geralmente temos grandes ambientes, cenários cheios de nuances e tudo mais, mas aqui temos a delegacia, um começo intenso com a policial sendo perseguida, que nem desenvolveram tanto, mas depois vamos para uma rua de casas de classe média, com tudo ocorrendo ali dentro, procurando o dinheiro, vários tambores e pacotes, para na sequência já começar tiroteios e por fim uma perseguição, mas nada de muito explosivo realmente como poderia acontecer.

Enfim, é um passatempo bacana de acompanhar, que funciona na tela, não sendo algo que vai impactar nem agradar tanto ninguém, mas como o próprio nome diz, serve para passar o tempo conferindo, então quem estiver com um tempo aí para gastar e curtir o estilo, acaba valendo o play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Diário de Pilar na Amazônia

1/17/2026 10:11:00 PM |

Antes de mais nada, caso você não seja leitor dos livros, nem tenha conferido a série animada, tente descobrir um pouco mais para não ficar tão perdido com os personagens de "O Diário de Pilar na Amazônia", pois mesmo sendo um filme bem infantil, totalmente voltado para a criançada, a pegada ecológica funciona bem e tem até seus gracejos, mas se desconhecer qualquer coisa vai achar vários absurdos como o bolso mágico da garota que sai de tudo, e alguns personagens que aparecem apenas para dar o ar da graça sem nada de útil para o filme. Ou seja, é uma trama que a criançada que já é fã da personagem vai curtir, tanto que os que estavam na sala entraram eufóricos e curtiram cada minuto sem nem ficarem zanzando pela sala, tendo boas nuances explicativas sobre os personagens lendários da floresta, sobre como o açaí original não é o docinho que todo mundo ama, e por aí vai, sendo simples e bem colocado ao menos como um passatempo "educativo".

No longa acompanhamos uma menina curiosa, extrovertida e exploradora chamada Pilar embarca em diferentes aventuras na floresta amazônica para ajudar uma amiga a reencontrar a família. Com sua rede mágica, um presente dado por seu avô, Pilar viaja até a Amazônia junto com o colega Breno e o gato Samba. Lá, eles fazem novos amigos, como a ribeirinha Maiara cuja comunidade foi destruída. Com a ajuda de figuras folclóricos, a jovem e seus amigos embarcam num desafio de encontrar a família de Maiara e impedir o contínuo desmatamento na região.

O interessante é que os diretores Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put possuem diversas comédias em seus currículos, e possuem muito mais experiência nesse molde, mas também já trabalharam com outros filmes e livros infantis e juvenis da escritora Flávia Lins e Silva, ou seja, acharam um modelo para conseguir ganhar muito tendo sempre trabalho com os mesmos personagens. Claro que não é tão fácil assim como estou falando, afinal trabalhar com crianças, animais e locações variadas fora de um "ambiente seguro" é bem complexo, mas tendo a base, o resultado flui muito fácil, ainda mais se gravarem bastante enquanto a protagonista está com mesmo tamanho e idade, e ir depois só desenvolvendo o restante para lançar, então veremos com certeza mais trabalhos da personagem na tela, e talvez com os mesmos diretores. Porém, como esse está sendo o primeiro filme live-action da personagem, valeria ter uma introdução maior para os que antes não a conheciam.

E falando da protagonista, a jovem Lina Flor estreou com uma postura simples, porém bem carismática para sua Pilar, parecendo um pouco tímida demais, mas tendo uma boa segurança para a maioria dos atos, talvez precisando um pouco mais de intimidade para ir mais além, então num segundo filme acredito que vá se soltar mais. Já o jovem Miguel Soares, embora seja seu primeiro papel no cinema, já trabalhou muito em novela, e assim já tinha uma desenvoltura mais pegada com a câmera, fazendo com que seu Breno tivesse carisma e soubesse se posicionar melhor para os devidos momentos, agradando com o que fez, e também com o carinho que teve com os demais personagens. Ainda tivemos bons momentos com os dois jovens, que acredito que sejam da região Norte que foram bem escolhidos para os papeis de lá, Sophia Ataíde e Thúlio Naad com seus Maiara e Bira bem encaixados no sotaque, no estilo e na desenvoltura de seus papeis, além dos demais povos indígenas que aparecem bem na tela, os personagens lendários bem colocados, ou seja, um filme de uma região mesmo. E claro, mesmo que fazendo vilões bobos, afinal esse é o estilo em filmes infantis, tivemos Marcelo Adnet como um empresário do agro querendo colocar mais pastos para gado no meio da Amazônia, e Babu Santana, Emilio Dantas e Rafael Saraiva como seus capangas bem colocados em cena.

Visualmente o longa tem uma boa pegada no meio da floresta, mostrando bem as embarcações de viagens com suas muitas redes, e também as barcas com muitas toras das árvores desmatadas, com tratores e motosserras, além de alguns rituais indígenas e preparações de armas e treinos para tentar pegar os bandidos, tudo com bons símbolos nos rios, contando ainda com botos, sereias, curupiras, entre outros, ou seja, a equipe de arte brincou bastante na tela.

Enfim, é um longa infantil, então não espere desenvolturas mil, nem efeitos mirabolantes, mas tudo bem feitinho, simples e funcional de acordo com o que o livro acredito que pedia, só frisando mesmo que faltou explicar um pouco mais como sendo o primeiro live-action, para entendermos mais dos protagonistas, mas não é nada que com um tempo de tela não se prenda. Então fica a dica para os fãs da série serem levados pelos pais nas sessões, e eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos. Então abraços e até logo mais.


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O Beijo da Mulher Aranha (Kiss of the Spider Woman)

1/17/2026 02:52:00 AM |

Particularmente gosto bastante de musicais e se tem algo que fico feliz com minha pouca memória é que lembro pouquíssimo dos clássicos que assisti no passado, de modo que hoje fui conferir o novo longa, "O Beijo da Mulher Aranha", apenas lembrando que a protagonista do original era a Sonia Braga e que o diretor era o Hector Babenco, e absolutamente nada mais, então foi como se estivesse vendo um filme novo, que me agradou bastante com a entrega dos protagonistas, com a dinâmica da história dupla ocorrendo, e só me decepcionou um pouco de ser uma trama que se passa na Argentina em 1983 e o longa ser inteiramente falado em inglês, com uma canção só bem secundária em espanhol, ou seja, ficou um pouco fora do eixo, mas nada que chegue a incomodar o espectador comum. Ou seja, é cheio de danças, com uma pegada emocional bem trabalhada na tela, e claro com nuances fantasiosas que junto da temática da ditadura amplia o cerne na tela com uma dinâmica chamativa, leve e emocionante de ver.

O longa nos conta que Valentín é um preso político da ditadura argentina nos anos 80 que divide cela com Molina, um ex-decorador de vitrines que foi detido por atentado ao pudor. Reconhecido como um homem gay, Molina passa a narrar para o seu companheiro as histórias de seu musical de Hollywood favorito, um drama colorido e espetacular protagonizado por sua atriz predileta Ingrid Luna. Logo, um forte vínculo se forma entre a dupla, enquanto Molina tenta escapar da realidade política brutal através da imaginação. Logo, inicia-se uma fantástica história de romance.

A principal mudança que o diretor e roteirista Bill Condon fez na trama do original foi mudar de drama psicológico para um musical politizado, e ele como bem sabe fazer em seus longas conseguiu jogar para um vértice tão descontraído e emocional, que seu filme acaba fluindo fácil, não vira algo cansativo de acompanhar, e mesmo com a pegada musical não chega a incomodar, pois muitas vezes alguns atos não precisariam da cantoria toda, mas aqui entraram com nuances tão bem encaixadas que resultaram em algo que quem curte musicais acaba encantando com a história dos personagens, e claro da paixão do protagonista em contar seu filme preferido sem ter um cinema para exibir para o outro, e fazer com que ele enxergasse tudo nas minúcias desenhadas pela encenação de sua mente.

É engraçado que nunca tinha ouvido falar do ator Tonatiuh, mas a personificação, o encantamento e toda a desenvoltura que deu para seu Luis Molina e Kendall Nesbit, foi algo de se aplaudir, pois ele conseguiu representar em palavras o sentimento das imagens, ao ponto que mesmo que o diretor não quisesse criar as cenas do longa fantasioso, somente de escutar tudo o que ele falava, no tom bem colocado, já faria você imaginar tudo da mesma forma que seu parceiro cênico, ou seja, deu show! Já Diego Luna soube brincar bem com as facetas mais sérias de seu Valentín Arregui, e ir dando as devidas nuances de interesse em tudo que o parceiro de cela vai lhe contando, criando uma intimidade bem alocada e dinâmicas cheias de envolvimento na tela, além de boas cenas de dança com seu Armando. Jennifer Lopez sempre entrega bem personagens sensuais na tela, e aqui como uma dançarina ainda por cima pode dar seu show em diversos momentos de sua Ingrid Luna, Aurora e Mulher Aranha, ou seja, três vertentes bem diferentes, mas que a atriz se jogou. 

Visualmente a trama teve como boa parte da trama dentro da cela da prisão, tendo poucos elementos cênicos, mas bem usados, como a beliche do protagonista com sua cortina de contas, a cama simples do outro protagonista, alguns pôsteres de filmes, uma pequena mesa com um fogareiro e um banheiro separado com uma cortina, além disso tivemos o outro lado do filme com muitas cores, que a todo momento é frisado ser feito em tecnicolor, tendo vários atos de dança em palcos, boates, restaurantes, vilas e tudo mais, com várias nuances e figurinos esvoaçantes, além de alguns momentos em uma selva bem fictícia, mais puxada para algo teatral. Ou seja, a equipe de arte usou bem as bases do musical da Broadway para desenvolver todo o ambiente do longa.

Enfim, é um longa que não estava botando tanta fé que iria gostar, principalmente pela propaganda vendida de como um dos melhores musicais da atualidade, fazendo comparações e tudo mais, mas o resultado funciona bem na tela, envolve e emociona na medida, e ao final estamos bem conectados com toda a entrega na tela, valendo bem a recomendação, mesmo não sendo algo perfeito. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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