Amazon Prime Video - Servindo Nazistas (Filip)

5/04/2026 12:24:00 AM |

Com a falta do poder de concisão de muitos diretores, roteiristas e afins, junto da gana gigantesca de muitos produtores, cada dia surgem mais e mais séries no mercado dos streamings, o que pra quem gosta é uma felicidade imensa esperar toda semana mais duzentos capítulos ou novas tramas para maratonar, mas para quem busca filmes bons para conferir anda bem difícil a caçada dentro de uma tonelada de plataformas, então hoje resolvi recorrer ao famoso abrir a lista de filmes que jogamos lá para algum dia quem sabe dar play, e o escolhido da vez foi o polonês, "Servindo Nazistas", que pode ser conferido dentro da Amazon Prime Video, que tem uma boa pegada e uma forma bem diferenciada de entrega na tela, aonde vemos um jovem que conseguiu sobreviver perigosamente em um hotel alemão, se passando por francês, enquanto seduzia mulheres alemãs que estavam com os maridos e namorados na guerra. Ou seja, é um filme bem diferenciado de essência e de mote, que consegue segurar bem na tela, sendo ousado e bem trabalhado pelo protagonista, porém dava para quem sabe ir mais além nas histórias dentro do hotel, mas para isso a duração cresceria, então digamos que o acerto foi bem feito de modo geral.

A ação do filme se passa em 1943. O personagem principal é um sedutor cosmopolita e incapaz de sentimentos profundos. Na Polônia, ele perdeu toda a sua família. Sozinho – estando no coração da Alemanha nazista – ele esconde suas origens judaicas e frequentemente escapa da morte. Trabalha como garçom no restaurante de um hotel exclusivo e desfruta despreocupadamente de todos os encantos da vida, cercado de luxo, mulheres belíssimas e amigos de toda a Europa. Contudo, quando a guerra começa a ceifar vidas sangrentas entre aqueles que lhe são mais próximos, o mundo meticulosamente construído ao seu redor desmorona como um castelo de cartas.

Já vi muitas coincidências na vida, mas chega a ser até engraçado algumas coisas que acontece comigo, pois hoje depois de conferir o longa fui pesquisar sobre a carreira do diretor e roteirista Michal Kwiecinski, e descobri que semana que vem ele estará lançando um filme bem interessante com o mesmo ator protagonista desse longa aqui, ou seja, demorei para conferir esse novo, mas já fiquei com muita expectativa do que ele irá entregar semana que vem (claro que estarei botando todas as energias para que chegue aqui no interior!). Dito isso, esse interesse também veio pelo estilo do diretor e do ator que apresentaram aqui, pois o filme é bem imponente em cima de algo digamos talvez impossível, pois literalmente as mulheres não quiseram denunciar ele por medo, afinal mesmo que não falasse descobririam que ele era judeu por outro meio mais fácil, ou seja, como o longa é baseado em um livro, diria que florearam um pouco todas as entregas na tela, e isso deu um tom bacana para a produção, mas certamente tudo foi bem mais intenso e com situações mais densas que não ficariam bonitas na tela. Sendo assim, o diretor brincou com técnicas, mostrou uma desenvoltura bem dinâmica na tela, e criou um filme que tem pegada e história junta, o que acaba agradando bastante nesse estilo.

E já que comecei a falar das atuações, mesmo sendo relativamente novo, Eryk Kulm já tem uma carreira bem intensa no cinema, e aqui seu Filip foi cheio de facetas e dinâmicas, trabalhando momentos mais densos e cheios de dramaticidade, outros mais soltos com a desenvoltura amorosa, e até movimentos de treino intenso quase parecidos com um balé imponente, ou seja, se jogou do começo ao fim com tanta força que chega até cansar o espectador, mas serviu ao menos para que seu papel o marcasse e mostrasse potencial na tela, pois precisava disso. Já Victor Meutelet trabalhou seu Pierre com um ar mais fechado, porém com nuances mais chamativas para um papel calmo na tela, de modo que sentiu bem a pressão nos atos mais fortes e conseguiu demonstrar bem, chamando atenção para si. Caroline Hartig teve poucas cenas para conseguir chamar atenção, mas fez com que sua Lisa tivesse presença, e isso conta muito em dramas, e sua cena final foi precisa e com muita segurança para o que precisava fazer. Ainda tivemos algumas cenas fortes bem marcadas de Zoe Straub com sua Blanka, mas sem usarem tanto a personagem para dimensionar o papel, acabou sendo marcante apenas pelos atos em si.

Visualmente o longa foi bem representativo dentro de um hotel luxuosíssimo, mas com ambientes completamente degradados dos trabalhadores, tendo uma cozinha imponente, porém um banheiro de troca pronto para as matanças, fora tudo sendo lindo ali dentro, e fora a correria com tiros e tudo mais, contando também com cenas numa piscina bem imponente, algumas casas alemãs e claro alguns atos nas ruas e cafés, sendo tudo muito bem representativo tanto no conceito de elementos cênicos quanto nos figurinos, para que o longa fluísse e fosse marcante na tela.

Enfim, não é nada muito surpreendente, sendo bem feito e interessante de conferir, que foi um bom achado na minha lista de perdidos, que até coincidiu com algo que não estava esperando, então matei dois coelhos (sem serem da família é claro... rsss) com uma cajadada só, e assim indico ele para quem não viu ainda dar o play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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O Riso e a Faca (I Only Rest in the Storm)

5/03/2026 01:13:00 AM |

O diretor do longa colaborativo entre França, Portugal, Brasil e Romênia, "O Riso e a Faca" até pode querer classificar a trama como uma ficção de corpos das relações entre África e Europa e tudo mais, mas só consegui enxergar ele como um documentário dramático aonde temos alguns personagens fictícios para mostrar o conflito entre os povos e como uma estrada influenciaria as diversas tribos e comunidades da Guiné-Bissau. Dito isso o longa gigante de 211 minutos tem muitas situações e dinâmicas que ao mesmo tempo que se conectam pelo protagonista, se desconectam dentro da essência completa do longa, não sendo algo propriamente que você enxerga como um filme realmente, mas que felizmente não cansa nem é alongado, sendo bem trabalhado e desenvolvido dentro dos diversos pequenos motes quebrados, que por vezes até somem alguns personagens secundários que dão voz maior aos personagens reais do país, mas ainda assim contando bem cada momento e vivência, parecendo que foi daquelas produções longuíssimas para serem filmadas, e assim o resultado acaba soando bonito na tela, mas para bem poucos que gostam do estilo.

O longa nos mostra que Sérgio viaja para uma metrópole da África Ocidental. Vai trabalhar como engenheiro ambiental para uma ONG, na construção de uma estrada entre o deserto e a selva. Ali, envolve-se numa relação íntima, mas desequilibrada com dois habitantes da cidade, Diára e Gui. À medida que adentra nas dinâmicas neocoloniais da comunidade de expatriados, esse laço frágil torna-se o seu último refúgio perante a solidão ou a barbárie.

Tenho um mandamento na minha cabeça que qualquer filme acima de 90 minutos tem possibilidade de cortes, e o ponto forte de um diretor é saber cortar seu material para que ele fique sucinto para ser vendido da melhor forma possível para as exibidoras, senão acabando virando tramas extremamente artísticas que só são exibidas dentro de festivais e/ou exibições fechadas, pois os cinemas querem bilheteria e colocar um filme de três horas e trinta e um minutos que não tem o chamariz de grandes nomes, infelizmente é declinado. E porque digo isso, pois o diretor e roteirista Pedro Pinho forçou um pouco com a sua entrega na tela, de tal forma que tudo o que vemos é sim importante para a concepção completa de seu filme, mas dava para cortar fácil pelo menos uns 40 a 50 minutos, que transformariam a obra inteira em algo mais denso e melhor construído, pois volto a frisar que não vemos na tela alongamentos e cenas jogadas, mas se ele insistia em algo "ficcional" como falou em algumas entrevistas, a tesoura precisava estar afiada melhor para dar uma vida mais intensa para os personagens e não um protagonista tão calmo como o Sérgio.

E já que comecei a falar da calma de Sérgio Coragem, vamos seguir que o ator soube entregar muito, mas muito mesmo, pois faz de tudo o que você pensar no longa, e isso lhe dá o mérito de uma entrega gigantesca, mas com uma calma que chega a dar nervoso em alguns momentos, mas acredito que o ator também cansou, afinal para gerar o tempo do longa certamente gravou mais de meses para ter todo o material, e seus atos ao menos convencem de sua entrega, e isso já se faz valer. Quanto a Cleo Diára, posso dizer que teve alguns atos marcantes bem intensos que chamaram muita atenção, e isso talvez tenha feito o júri de Cannes a gostar dela para lhe premiar, porém não chega a ser algo impactante dentro do conceito inteiro de um filme, e assim sendo acredito que o prêmio poderia ser de outra atriz, mas analisando dentro do filme, ela fez bem o que tinha de fazer. Ainda tivemos bons momentos com Jonathan Guilherme, que foi mais contido em alguns atos, mas fez por aparecer e agradou com sinceridade nas suas dinâmicas.

Visualmente foi bacana conhecer mais da Guiné-Bissau, misturada entre o deserto e a floresta, com espaços amplos e outros tão conjuntos, várias comunidades bem isoladas com seus dialetos diferentes, suas culturas, seus estilos de vida, mostrando desde famílias riquíssimas até pessoas que viviam de sua própria produção, passando por trabalhadores chineses em obras, casas de famílias sendo desalojadas, e até almoços familiares bem amplos no meio da rua, tendo vacas no mar, e pântanos gigantescos para o arroz, ou seja, vários contrastes que a produção soube mostrar bem e agradar na tela.

Enfim, é um longa bacana que vale ver quando estiver disponível para todos, pois estreou na última quinta em cinemas selecionados, afinal como disse acima é bem difícil as exibidoras criarem coragem para exibir algo desse estilo, que vale mais pela viagem cultural em si, e pelas dinâmicas interessantes, que muitos talvez, assim como eu, não enxergue a trama como uma ficção, mas o diretor afirma de forma diferente, então é do gosto de cada um, pois o resultado em si é bem bacana de conferir. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, afinal foi um filmão bem longo para conferir, agradecendo claro o pessoal da Vitrine Filmes e da Sinny Assessoria pelo screener, já que o longa não chegou aqui no interior, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Exit 8 (8番出口)

5/02/2026 01:54:00 AM |

Gosto de filmes estranhos quando eles necessitam ser assim, e o longa japonês "Exit 8", que é baseado em um jogo de videogame tem uma pegada muito insana que faz com que os espectadores praticamente joguem junto do protagonista dentro do cinema, afinal vamos analisando junto do personagem tudo o que possivelmente está diferente no ambiente, caçando as anomalias para "torcer" ou "ajudar" ele a sair do looping imenso que é o longa, e o mais bacana de tudo, é que mesmo sendo uma repetição tão sucessiva que certamente cansaria o espectador, não fiquei sequer um minuto entediado com tudo. Ou seja, é um filme que tem pegada, que sabe bem aonde está com a proposta, e que faz o espectador interagir, algo que funciona bem no cinema comercial, e que faz o filme ir muito além da tela, que claro muitos irão apenas ver como um jogo mesmo, mas outros certamente irão filosofar sobre o mundo, sobre o que era realmente todo o ambiente, e outras questões mais amplas que podem ser pensadas, e assim acabamos tendo dois bons resultados na tela.

No longa vemos que um homem preso em uma passagem infinita de metrô parte em busca da Saída 8. As regras de sua jornada são simples: não ignore nada fora do comum; se descobrir alguma anomalia, volte imediatamente; caso contrário, continue; em seguida, saia pela Saída 8. Mas, mesmo um único descuido o enviará de volta ao início. Será que ele alcançará seu objetivo e escapará deste corredor infinito?

Conhecia o diretor Genki Kawamura apenas pelos ótimos longas que produziu, mas não por suas outras direções, mas como já mostrou estilo antes, hoje realmente mostrou que soube adaptar um jogo "simples" para a telona sem precisar de um orçamento monstruoso, de modo que o ambiente em si tem poucas mudanças bem sutis para que vejamos junto do protagonista e "brinquemos" com tudo, e assim ele ousou com a câmera diversas vezes tão próxima do personagem que viramos algumas vezes seu parceiro íntimo de presença, acompanhando tudo e vendo cada detalhe ao mesmo tempo, observando os números das saídas mudando, e com isso vibrando ou se desapontando com o que acontecia. Ou seja, ele foi bem sagaz por não precisar mostrar alguma sabedoria extra, e assim o resultado fluiu fácil e acabou agradando bastante dentro de tudo.

Quanto das atuações, Kazunari Nimomiya soube passar muito bem a sensação de seu personagem "O Homem Perdido", pois mais do que estar perdido ali rodando dentro dos corredores infinitos, ele representou estar perdido na vida também sem saber o que fazer com a namorada grávida, com seu trabalho temporário, suas atitudes e tudo mais, e o ator foi brincando com isso enquanto encontrava propósitos durante sua jornada, o que acabou sendo bem interessante de conferir suas expressões e dinâmicas, o que foi bem bacana de acompanhar. Já Yamato Kochi como "O Homem Que Caminha" chega a ser robótico demais, e com esse propósito, de modo que nos momentos que vemos ele com o garoto até tem vida e passa bem suas sensações, mas depois como o próprio protagonista fala, ele acaba não sendo mais humano, sendo apenas alguém sintético que refaz seus movimentos sem parar, e o ator foi muito bem nesse sentido. E falando um pouco do garotinho Naru Asanuma, foi bem bacana sua entrega quase que sem diálogos, apenas expressando medo e incertezas, apontando para suas sagacidades em ver detalhes menores ainda que o protagonista, e sendo expressivo na medida para chamar atenção, ou seja, caiu muito bem no papel. Quanto das mulheres da trama, não diria que foram tão chamativas a ponto de darmos destaques, mas Kotone Hanase como a estudante e Nana Komatsu como a namorada do protagonista tiveram algumas boas cenas e agradaram ao menos.

No conceito visual diria que o longa foi bem barato, pois ter apenas alguns corretores azulejados com alguns pôsteres, algumas câmeras de segurança, 2 ou 3 portas e alçapões, um guarda-volumes e uma máquina de fotos, que iam mudando de perspectiva em alguns atos mostrando que o trabalho da equipe de arte foi bem sucinto e "fácil", isso até termos o alagamento que mudou tudo e encheu de coisas, mas tirando esse ato, gastaram e trabalharam pouco, porém de forma efetiva para o sucesso na tela.

Enfim, é um filme simples, porém tão bem feito e cheio de perspectivas, que até podemos falar que foi uma das melhores adaptações de jogos para a telona, pois não tinha muito mais para aonde ir, e ainda assim conseguiram passar todo esse ideal responsivo da mente bagunçada do protagonista e a situação dos demais, que acabou resultando em algo legal e agradável de acompanhar. Então fica a dica para a conferida, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.

PS em forma de piada: deveria dar nota 8 para combinar com o longa, mas deixo a nona saída abaixo!


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Netflix - Como Mágica (Swapped)

5/01/2026 08:57:00 PM |

É interessante que um tempo atrás só ouvíamos falar das animações da Disney, Pixar, Dreamworks e Illumination, mas ultimamente a Skydance tem se juntado a elas como uma das grandiosas produtoras entregando tramas tão bonitas visualmente quanto com histórias bacanas para envolver toda a família e não só os menorzinhos, tendo algo amplo de estilo e também de conteúdo. E claro que a dona Netflix que vem crescendo também nesse meio, pegou e montou logo uma parceria, chegando hoje com a animação "Como Mágica", que de uma maneira tão gostosa consegue envolver do começo ao fim, mostrando lições de como a ingenuidade pode mexer com as famílias, mudar rumos de cadeias e claro também como o ego gigante pode estragar tudo, sendo daqueles filmes que brincam com tantas facetas, coloca um personagem na cabeça do outro, mostra dinâmicas amplas de percepções, e ainda conta com a beleza visual de personagens não tão comuns, mas que ao serem diferenciados acabam brincando ainda mais com o público. Ou seja, é uma animação ampla, bonita, funcional e cheia de detalhes em todos os sentidos, que fará com que muitos viagem pelas entregas e também reflitam, além de curtir como algo divertido e gostoso na tela da TV.

O longa nos mostra que um pássaro e uma pequena criatura da floresta precisam lidar com suas diferenças quando um incidente coloca um na pele (ou nas penas) do outro. A trama se passa num reino animal chamado Vale e acompanha dois animais que são inimigos por natureza, mas depois que trocam de corpo precisam se unir para sobreviver à nova vida e rotina na selva.

Diria que o diretor Nathan Greno evoluiu imensamente depois do seu longa "Enrolados" em 2010, de modo que ao ficar esses 16 anos parado, conseguiu criar muito mais em sua cabeça, e não ficar apenas em coisinhas bobas para divertir e ser esquecido depois, de tal forma que aqui vemos uma trama elaborada, cheia de nuances e sensações que consegue brilhar visualmente, consegue ter o carisma de personagens secundários, mas nos brinda com elementos sensoriais cheios de personalidade, mostrando também que o diretor tem estilo e sabe ousar, ao ponto que quem sabe agora decole com outros filmes e não fique tanto tempo sumido das telas.

Quanto dos personagens e suas entregas, Ollie foi tão cheio de carisma nas suas quatro mudanças de animal que acabamos nos conectando demais a ele do começo ao fim do longa, sendo daqueles que não importa a forma física, tem dentro de si um coração gigantesco muito maior que sua curiosidade e ingenuidade, brincando com facetas bem jogadas e envolvendo com sua entrega. Já Ivy foi mais explosiva, tendo uma personalidade de liderança bem colocada, de modo que conseguiu ir criando mais em seus momentos diferentes, mas também brincou bastante na tela, ao ponto que num primeiro momento nem nos conectamos tanto a ela, mas depois flui e diverte. Ainda tivemos Boogle que foi carismático em seu momento peixe e depois mudou bastante, mas ainda assim seus atos foram intensos e bem colocados. Isso estou falando apenas dos principais, mas tivemos ainda as famílias bem encaixadas, os lobos, as cobras e tudo sendo funcional dentro do conteúdo completo que agrada, envolve e dá todo o sentido na tela.

Como já falei, visualmente o longa é cheio de nuances, cores e texturas, tendo personagens de diversos estilos e formas, que saem um pouco da realidade tradicional, mas ainda assim consegue fazer com que o público conecte aos animais mais tradicionais, e assim o resultado recria a formação de grupos e suas biodiversidades em pequenos e grandes ambientes, tendo o fundo do lago algo mágico, mas também com cenas em voos e tudo mais cheios de vivência e mostrando que a equipe de arte não economizou nos ambientes e dinâmicas. Ou seja, algo perfeito de acompanhar.

Enfim, é uma animação que me impressionou bastante, e que se talvez tivesse um pouco mais de sentimentos emocionais certamente me faria escorrer algumas lágrimas, pois tinha pegada para isso. Ou seja, é daqueles que vale a recomendação para a família toda assistir, e depois refletir com os menores sobre tudo o que viram, então fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje como é feriado, dá para encarar mais um longa, então abraços e até logo mais com outro texto.


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Adrenalina Pura+ - Atirador Implacável (Gunner)

5/01/2026 01:14:00 AM |

Tenho um ditado em minha mente que diz que Morgan Freeman não entra em filme ruim, pois além de ter seu nome a zelar, ele sempre faz algo em cena que acaba ficando marcante e muda tudo, porém hoje apago essa frase da minha cabeça nos dois sentidos, afinal "Atirador Implacável" só não é mais absurdo por ter "apenas" 106 minutos bizarros, e as cenas de Morgan são tristes de ver, de modo que apenas se aproveitaram do bom ator e sua idade avançada. Dito isso, o longa que estreia dia 01/05 dentro do Canal Adrenalina Pura+, que está dentro  das várias plataformas de streaming, é tão fora de um cerne proveitoso, que exageraram de cenas em slow motion, repetições de golpes em vários ângulos, imagens que fica nítido o uso de chroma-key, e tantos furos quanto tiros de metralhadoras sequenciais, que por incrível que possa parecer, os atiradores são piores que os Stormtroopers e não acertam 1 tiro que seja no protagonista, precisando claro de Morgan para enfiar uma chave de fenda nele para danificar o "mocinho". Ou seja, é daqueles filmes que mesmo quem gosta de excessos de coisas falsas comuns em filmes de ação vai ficar incomodado, e sendo assim como costumo falar, no streaming não dá para errar tanto, pois o público não termina de assistir.

A sinopse é bem sucinta e nos diz que quando um acampamento em família dá errado, um veterano aposentado precisa lutar para salvar seus filhos de uma perigosa organização criminosa que os ameaça no meio da floresta.

Acredito que já tenha visto algum filme do diretor e roteirista Dimitri Logothetis, porém na época que não escrevia de tudo, então não tenho como lembrar muito do seu estilo, mas se baseando no que vi hoje diria que é melhor ele ficar produzindo, pois tem muito erro técnico do começo ao fim do longa, e isso não pesa apenas para quem "entende" do assunto, mas sim na dinâmica e no desenvolvimento do longa para todos conseguirem se conectar e envolver com o que está sendo mostrado, e aqui chega a ser irritante algumas coisas, sendo as mais fortes a excessiva quantidade de tiros dados pelos vilões e nem um sequer passar a raspar o protagonista, depois as cenas de saltos tão falsas quanto vídeos caseiros com chroma-key (a famosa tela verde) amassada, aonde você enxerga que o caboclo não está saltando nada, e claro cortes tão secos quanto as facadas dadas, aonde do nada o personagem já está em outro lugar ou outra briga. Ou seja, é o famoso conjunto de erros que não se salva, e com um final então que nem quando acabava o rolo das filmagens antigas os diretores paravam tão do nada, e assim sendo a culpa é 100% do diretor.

Quanto das atuações vou direto ao ponto dizendo que Morgan Freeman foi mero enfeite do longa com seu Kendrick Ryder, então se você quer ver o filme esperando ver as belas atuações do ator, esqueça. Dito isso, sobrou para o mais jovem e menos famoso dos Hemsworth, no caso Luke, tentar salvar o longa com trejeitos marcantes e imponentes e muita disposição para as lutas de seu Lee Gunner, mas o que vemos na tela é algo que força demais nas coreografias, força demais nas dinâmicas, e não convence do que está fazendo, sendo desanimador esperar algo dele, então quase que torcemos pros vilões acertarem logo ele e pronto o filme virar, o que não acontece. Quanto aos demais, diria que Mykel Shannon Jenkins até teve uma boa imposição com seu Dobbs, mas não foi tão usado quanto poderia, enquanto as crianças e a mãe fizeram alguns atos tão bobos na tela que chega a ser triste colocar o nome deles aqui.

Visualmente o longa trabalha bem pouco com a casa dos jovens, o bar da esposa (em uma cena bem aleatória de conflito), um laboratório clandestino de drogas no meio de uma floresta, algumas brincadeiras com quadriciclos, saltos de aviões, uma penitenciária e alguns depósitos abandonados, sendo até "grandioso" de ambientes, mas o que fica mesmo é a quantidade de munição das armas que fazem parecer literalmente um ambiente de guerra, com explosões e tudo mais, ou seja, a equipe de efeitos gastou todo o orçamento da trama.

Enfim, é um filme que fui esperando algo pelo elenco e talvez por uma entrega de ação bacana, mesmo que fosse forçada como todo longa do estilo, mas são tantos erros, tantas cenas sem nexo algum, que o resultado mais desanima do que agrada, fora que mesmo sendo curto, parece alongado em determinados momentos do miolo, ou seja, só recomendaria mesmo se não tiver mais nada para conferir. E é isso meus amigos, nem sempre as cabines batem com as expectativas, e assim sendo agradeço o pessoal da Atômica Lab assessoria e o Canal Adrenalina Pura+ por poder conferir o longa antes da estreia, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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O Diabo Veste Prada 2 (The Devil Wears Prada 2)

4/30/2026 01:13:00 AM |

Ainda estou pensando em tudo o que ocorreu nesses 20 anos que separam o primeiro filme desse novo "O Diabo Veste Prada 2", pois o mundo mudou, não apenas o da moda, como o da editoria em si, não tendo mais praticamente nenhuma grande revista ou jornal impresso aos milhões como era antigamente, a influência que era determinada pelos desfiles hoje recai para pessoas aleatórias da internet, e o que determina um sucesso ou não de algo não é um bom texto com fotos e imposições, mas sim a quantidade de curtidas ou visualizações, sendo que algo que agora está na moda, pode ser que daqui um dia já não seja nem mais chamativo. Ou seja, tudo mudou e felizmente o conceito do longa também seguiu com boas mudanças, pois mesmo sendo um tremendo filme pipoca de 2006 que muitos assistem hoje tranquilamente, certos pontos não caberiam para uma trama atual, e assim sendo o resultado ficou bem sutil nessa entonação, conseguindo fazer com que o filme não ficasse novelesco mesmo usando tudo do formato, e assim funcionando muito bem principalmente como um ótimo reencontro do elenco original que teve a audácia de não precisar de mais ninguém praticamente em cena, sendo todos os demais meros coadjuvantes que se apagar da tela não fariam falta alguma. Sendo assim, digo que o longa agradou aos novos fãs, aos velhos fãs e certamente vai fazer a bilheteria suficiente para quem sabe os produtores não desejarem esperar mais 20 anos para quem sabe um terceiro filme!

O longa acompanha o retorno de Andy Sachs à revista Runway, que passa por um momento delicado mesmo sob o comando da implacável editora-chefe Miranda Priestly. Para trazer a publicação de volta a seus dias de glória, elas precisam se reconectar com Emily Charlton, ex-assistente de Miranda, que agora comanda uma marca de luxo que pode ser a chave para manter a Runway ativa.

Um ponto fortíssimo da continuação foi o retorno do elenco original e claro da equipe quase que inteira por trás das câmeras do original, e assim David Frankel mostrou que ainda sabe brincar com as facetas de uma trama gostosa sem precisar de apelações cômicas ou romances jogados para que tudo funcione, sendo que vemos sim sua mão na ambientação e na grandiosidade dos ambientes, desfiles e situações, mas sem que o filme ficasse focado somente nisso. Ou seja, é o famoso filme de negócios aonde as conexões necessitam ser dinâmicas, e que contando com boas transições, músicas e diálogos rápidos tudo fluiu sem virar uma novelona, e isso é genial, pois qualquer outro diretor comum acabaria com a história do grupo protagonista, enfeitaria as sub-tramas, e o resultado acabaria não levando nada a lugar algum, o que acabou sendo bem diferente, pois não vemos nada ousado na tela, mas também não temos com o que reclamar, ao ponto que tudo ficou gostoso e chamativo para os fãs antigos, e até mesmo quem não conhecia se envolver com o que é entregue, mostrando que o diretor sabia exatamente aonde seguir, sem precisar usar como base o segundo livro da escritora.

Volto a frisar que o elenco principal soube manter a mesma química de 20 anos atrás, e pareciam tão bem conectados entre si que se não soubéssemos que eles envelheceram também essa mesma quantidade de anos, falaríamos que tudo foi gravado logo em sequência pelas conexões e dinâmicas. Dito isso, Meryl Streep está beirando seus 80 anos, mas ainda trouxe um charme tão luxuoso para sua Miranda, que fazendo deboches e entregas emocionais conseguiu segurar o filme mesmo não sendo tão explosiva como no primeiro longa, e essas suas sacadas cênicas funcionaram tão bem que não tem como não se conectar a ela, ou seja, deu show. Outra que não envelheceu nada nem no estilo de atuar é Anne Hathaway, pois se no primeiro filme parecia faltar uma maturidade maior para sua Andy, aqui a protagonista consegue parecer ainda nervosa com tudo, tendo algumas entregas mais rápidas, mas sendo mil ao mesmo tempo, o que acaba sendo engraçado, mas também como um bom case das mulheres atuais que precisam ser e pensar em tudo ao mesmo tempo para ganhar o mundo, e os diretores das empresas. Stanley Tucci é um lorde, e vemos isso em todos seus filmes, de modo que aqui seu Nigel tem o charme e a precisão que o papel pedia, criando desenvolturas e sacadas bem encaixadas do começo ao fim, e dando o seu show, ou seja, perfeito. É engraçado que Emily Blunt tentou virar uma Miranda aqui, mas sua Emily ficou ainda mais dura na tela, de modo que seu jeito mais secão até chega a ser divertido, porém soube se encontrar com o fator riqueza, e assim deu seu tom para que a personagem fosse ainda mais além, sem ficar pedante. Quanto aos demais, como disse foram realmente meros coadjuvantes, tendo algumas participações expressivas como a de Lady Gaga, mas tendo mesmo importância para a trama Justin Theroux com seu Benji, Patrick Brammall com seu Peter e Lucy Liu com sua Sasha, mas sem irem muito além de suas conexões com os protagonistas.

Visualmente o longa trouxe novamente o glamoroso mundo da moda para as telonas, tendo muitas cenas nos principais desfiles, sendo tudo bem rápido apenas mostrando as chegadas sem precisar gastar muito com elenco e tudo mais nas locações, tivemos muitas cenas dentro do prédio da revista, mostrando um pouco mais do refeitório e de algumas salas dos protagonistas, alguns atos em mansões luxuosíssimas seja nos Hamptons ou na Itália, ainda tivemos um grandioso desfile da revista na Itália com direito a show e tudo mais, e claro figurinos incríveis, lojas e tudo mais que o longa pedia, ou seja, a equipe gastou bem, e usou claro as parcerias das marcas para divulgar e ir além.

Enfim, não é um longa perfeito, mas é tão gostoso e fluído que acabamos nos envolvendo até mais do que pensamos com os personagens, e ao final queremos até mais, ou seja, é daqueles filmes que facilmente entrarão no famoso hall que quando passam em qualquer horário na TV, você acaba "gastando" seu tempo livre assistindo, e assim sendo já hoje nas pré-estreias lotadas, certamente veremos uma boa bilheteria para encorajar os produtores a irem mais longe. Sendo assim fica a dica para todos irem conferir nas telonas, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até breve com mais textos.


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Amazon Prime Video - A Caixa Azul (La Caja Azul) (Blue Box)

4/29/2026 12:02:00 AM |

Gosto bastante dos dramas argentinos, pois eles costumam brincar com algumas facetas que não esperamos encontrar na tela, e que mesmo sendo algo mais simples e casual, vão invertendo as dinâmicas até o resultado chegar em algo ainda mais imponente. E o longa da Amazon Prime Video, "A Caixa Azul", entregou algo tão bem armado, que já vamos meio que adivinhando tudo o que vai rolar, até claro as duas reviravoltas finais, pois quando o pé do Maradona foi para um lado, a bola foi para o outro. Ou seja, é um filme bem básico que nem temos muito o que esperar dele, sendo até curtinho com 86 minutos de tela, mas tem presença e funciona rápido, da forma que a essência pedia, e assim sendo agrada mesmo com um final não tão bonitinho quanto poderia rolar.

O longa nos mostra que Pablo, um jovem milionário recluso que vive na Patagônia, ainda é assombrado por um trágico acidente de carro que mudou sua vida. Sua rotina isolada começa a mudar quando ele conhece Lara por meio de um aplicativo de namoro centrado em uma premissa peculiar: a troca de um objeto misterioso conhecido como “a caixa azul”. À medida que a conexão deles se aprofunda, Lara gradualmente tira Pablo de sua solidão autoimposta. No entanto, um aviso anônimo logo levanta questões inquietantes sobre sua identidade e verdadeiras intenções. O que começa como um relacionamento íntimo rapidamente evolui para um tenso jogo psicológico de manipulação e suspeita. À medida que a confiança diminui, Pablo é forçado a confrontar seu passado e a mulher enigmática pela qual está se apaixonando, antes que a verdade por trás de Lara seja revelada tarde demais.

Já assisti alguns longas do diretor Martín Hodara e sei que gosta de nos pegar com algumas viradas de prumo, porém ele é um dos diretores mais "secos" que conheço no mundo todo, sem enrolações ou desenvolvimentos amplos para que seu filme seja completamente conveniente com a proposta, e isso não é ruim, afinal vivo falando que quem enche linguiça nas tramas são diretores sem saber o que fazer, porém as vezes algum floreio é bacana. Dito isso, aqui a sacada foi brincar com as reviravoltas, pois ao descobrirmos os dois pontos de virada, o resultado acaba sendo marcante, e o diretor não nos desaponta nesse sentido, além claro de fazer um final completamente diferente de qualquer longa hollywoodiano, pois com toda certeza veríamos algo bonitinho e enfadonho, mas ele optou pelo inverso, e assim mostrou muito serviço na tela, fazendo com que seu filme funcionasse de uma forma diferente e bem colocada.

Quanto das atuações, Luisana Lopilato é uma boa atriz e sabe disso, sabendo brincar com as facetas que lhe são dadas e aqui sua Lara, que depois revela seu nome correto, já entrega muito rápido suas dinâmicas, de modo que talvez nem começaria o longa da forma que foi para brincar mais com a ideia da virada em determinado momento, mas isso é um erro do roteiro/direção/edição, e não da atriz, então posso dizer que ela soube segurar bem seus momentos e agradou com o que fez. Diria que Gustavo Bassani teve momentos bem colocados para seu Pablo, mas não explodiu como precisava nos seus atos, tendo praticamente duas personalidades bem diferentes, o que acabou ficando um pouco estranho no momento da virada, ou seja, faltou ampliar a dinâmica do personagem para que seus atos mais fortes não fossem tão rápidos, e assim ficou no meio do caminho. Ainda tivemos alguns momentos rápidos com Jean Pierre Noher com seu Javier e Pedro Merlo com seu Marcus, mas ambos não foram muito além na tela, e assim serviram quase como enfeites cênicos, assim como Silvana Goldemberg com sua Elena.

Visualmente a caixa azul mesmo foi quase algo tão sutil que vamos lembrar mais do cavalo que tem uma grande importância do que realmente dela, mas a equipe ainda trabalhou com a casa do protagonista bem ampla e chamativa, tivemos uma cabana no meio do mato que poderia ter até mais dinâmicas intensas, e também alguns momentos em restaurantes, mas sem grandes chamarizes para também não onerar no orçamento final, ou seja, a equipe de arte foi sucinta e acabou agradando na entrega.

Enfim, é um filme bem interessante que funciona bem com seus pontos de virada, que talvez pudesse ter ido mais além, mas ainda assim consegue impactar e agradar, valendo como um bom passatempo chamativo, então fica a dica para play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - A Rebelião de 1907 (Sulis 1907) (The Riot)

4/28/2026 12:43:00 AM |

É interessante que muitas leis e direitos dos trabalhadores foram sendo aplicadas através de greves e revoluções sindicais, e muitos acham que isso é algo que só ocorre aqui no Brasil, mas existe no mundo todo, e muitos casos foram bem emblemáticos e acabaram virando bons longas exemplificando as dinâmicas, e um dos casos mais icônicos que serviu de base para as leis nos países nórdicos foi "A Rebelião de 1907" aonde os mineiros das principais minas dos países estavam brigando por segurança e a não redução dos valores de seus serviços, sendo algo imponente mostrando infiltrados, imposições e claro muitos conflitos em uma trama de época marcante e com boas nuances. Ou seja, é daqueles filmes que além de conteúdo tem um visual bem trabalhado pela equipe, sabendo segurar a onda com uma história bem feita e dinâmicas que seguram o espectador, fazendo valer o play na Amazon Prime Video.

O ano é 1907. A cidade mineira de Sulis, na Noruega, era a resposta nórdica ao Velho Oeste, e as minas de cobre nas montanhas do Ártico estavam entre as maiores e mais implacáveis. Konrad, de dezoito anos, está desesperado por trabalho e consegue um emprego na perigosa mina de Hanken. As condições são brutais para os trabalhadores, e a situação não melhora quando o cínico Olof Wenström assume o poder na empresa mineira. Uma rebelião eclode e a ativista socialista Helene Ugland convoca a luta. No entanto, o capitalista Wenström tem outros planos.

Diria que o diretor Nils Gaup soube captar bem a essência dos trabalhadores da época e ainda dar um tom que fizesse seu filme não ficar amarrado somente nos conflitos legais, mas sim nas interações entre os personagens dos vários escalões, lideranças, famílias e tudo mais num ambiente frio, mas com uma emoção até que bem quente entre os pavios mais curtos, sendo algo bem trabalhado e rápido na tela, aonde cada momento fluiu bem para o que precisava representar, de tal forma que o protagonista sendo colocado como um elo fraco entre ambos os lados não levantou desconfiança nem explosões, mas deu para o diretor todo o ponto de ambas as viradas. Outro ponto bem bacana que acabei vendo nas fotos do filme foi que usaram um filtro mais denso para escurecer os ambientes e dar um ar mais frio ainda do que o que foi gravado em meio a dias ensolarados, e essa escolha fez com que a densidade dramática também ficasse mais fechada, que acabou sendo bem interessante de conferir, mesmo não conhecendo tanto do cinema nórdico.

Um dos pequenos problemas do filme é o excesso de personagens "importantes", pois o filme precisou se abrir em vários momentos e quase se perdeu, mas felizmente o jovem Otto Fahlgren conseguiu segurar bem as dinâmicas de seu Konrad, sendo um pouco ingênuo demais nas expressividades, mas entregando algo que convencesse justamente por esse estilo, que acabou sendo duplo para funcionar para os dois lados da moeda, ou seja, pode facilmente trabalhar em filmes de espionagem que também irá acertar. Já Simon J. Berger fez de seu Wenström alguém explosivo demais, que até teve algumas reuniões diplomáticas interessantes com o protagonista, mas parecia uma bomba relógio pronta para ser detonada a cada minuto na tela, e isso ficou um pouco artificial demais na tela. Ainda tivemos um Rune Temte bem marcante com seu Rasmus sereno e disposto a encontrar bons pontos para as discussões, como um verdadeiro líder chamativo, que conseguiu chamar atenção e trabalhar bem os olhares nos diversos momentos. Quanto aos demais vale um leve destaque para os olhares trocados entre Pernille Sandøy com sua Johanna, e um destaque meio negativo para Alexandra Gjerpen com sua Ugland, pois a ativista foi meio que jogada na tela, e não teve um desenvolvimento para tudo o que entregou, resultando em uma personagem estranha na tela.

Visualmente já falei sobre o filtro nas filmagens que deu um tom mais denso na produção, mas tivemos cenas bem trabalhadas dentro das minas, com as famosas bombas e marretas, tivemos momentos interessantes nos alojamentos dos mineiros com pequenas camas e tudo bem rústico enquanto na gerência com um luxo grandioso, mesas fartas e tudo mais, tivemos alguns bons momentos também no começo mostrando os jovens comprados para trabalhar nas fazendas, além de festas intensas para os jovens beberem e brigarem aos montes, ou seja, a equipe de arte foi bem representativa nos devidos ambientes, figurinos e claro colocando também muita sujeira nas maquiagens para os personagens ficarem reais.

Enfim, é um filme que funciona como cinema de entretenimento pelo que entrega visualmente com suas dinâmicas, mas que também tem o seu conteúdo histórico e amplo para conhecermos mais das leis de segurança que muitos empregadores ainda não têm noção de erros que fazem e acabam com a dignidade e a vida de seus empregados, ou seja, um conjunto de obra bem interessante e funcional na tela. E é isso meus amigos, fico por aqui com essa dica hoje, mas volto amanhã com outros textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Jogo do Predador (Apex)

4/26/2026 10:57:00 PM |

Costumo dizer que todo mundo pode fazer ou entregar vários estilos de filmes, porém quando uma trama busca uma fidelidade na tela, também exigimos que seja passado uma fidelidade mais real de personagens e situações, e com o lançamento da Netflix, "O Jogo do Predador", vemos algo até que interessante de proposta, com uma pegada densa bem marcada, porém com bons atores que não nos convencem do que estão entregando, por exemplo ao ficar nítido que 90% do filme foi feito com a dublê de Charlize Theron, que com um bracinho finíssimo não faria metade das cenas escalando os paredões, e Taron Egerton pode até entregar bons personagens em outros filmes, mas aqui seu estilo "maldoso" não impõe uma loucura como precisaria para ficar realmente marcante. Ou seja, é daqueles filmes que vemos as cenas acontecerem com boas dinâmicas, mas que não nos convencem do que estão entregando, e isso acaba não prendendo o espectador, que até acaba curtindo a ideia como um passatempo, porém dava para impactar bem mais com talvez outros atores mais próximos das personalidades que os papeis exigiam.

O longa nos mostra que uma mulher viciada em adrenalina coloca seus limites à prova ao embarcar numa aventura pela natureza selvagem australiana. A alpinista se encontra no meio de uma caçada quando os predadores naturais não são os únicos atrás de sangue. Agora, a jovem precisa lutar para sobreviver e vencer os obstáculos do caçador.

O mais interessante é que o diretor Baltasar Kormákur tem muita experiência nesse estilo de filme, sabendo criar dinâmicas tensas e um envolvimento tão amplo quanto cada momento do longa pedia, e se olharmos ao redor do longa entregue, a maioria das cenas tem essa precisão técnica, então o que podemos afirmar é que depois de tanto falarmos nas premiações em direção de elenco, aqui faltou exatamente isso para que o longa brilhasse na tela, faltou alguém que chegasse nele logo no começo do projeto e falasse que as escolhas ali estavam ruins para que o filme chamasse mais atenção, ou seja, erro de escolha que refletiu em algo bacana, que poderia ser impactante por completo. Volto a frisar que não vemos um filme ruim, mas sim algo que não convence de entrega, e esse perigo se não tivesse um diretor tão bom do estilo poderia facilmente ter virado uma bomba na tela.

Quanto das atuações, já vi algumas "vendas" de Charlize Theron mostrando que não gosta de usar dublês e até escalando um outdoor em formato de paredão para que sua Sasha parecesse mais real, porém ainda assim defendo que deveriam ter colocado uma mulher mais "forte" visualmente no papel, pois sabemos o tanto de esforço que é escalar paredões íngremes, ainda mais sem o uso de cordas, sendo o "puxador" dos demais como é o caso da personagem, mas tirando esse detalhe, a atriz soube segurar bem os momentos na tela, fazendo trejeitos marcantes para os atos mais fechados, e com isso até chega a convencer, mas como disse soou muito falso ver alguém do porte dela se impondo tanto num paredão aonde muitos precisariam de mais força física. Já com Taron Egerton o problema é outro, pois acho que acostumamos com ele fazendo lordes e pessoas boazinhas, que o seu Ben acaba não nos convencendo de sua maldade mesmo lançando flechas e torturando a protagonista, faltando para ele trejeitos mais surtados, pois até mesmo quando mostra seu trejeito monstruoso com os dentes, ficou um pouco artificial demais, porém o ator se jogou para parecer forte e até chama atenção em alguns atos, mas nada demais. Quanto aos demais, só vale comentar mesmo a participação inicial de Eric Bana com seu Tommy, pois deu um bom tom de parceiro de escaladas e marido bem colocado nas situações, mas nem aproveitou muito já que o papel é eliminado rapidamente, então apenas participou mesmo.

Visualmente a equipe escolheu locações bem interessantes para desenvolver a trama, com paredões imponentes, acampamento nas alturas, escaladas, corredeiras, muita floresta e até cavernas assustadoras, aonde os personagens se desenvolveram bem com poucos elementos, mas ainda assim marcaram presença, tendo claro a cena mais "produzida" dentro da caverna com os demais corpos pendurados prontos para virar "alimento", ou seja, souberam criar bem as alegorias dentro do contexto, com digamos até pouco sangue pelos momentos mais intensos, mas que não desaponta de um modo geral.

Enfim, é o famoso filme que você acaba até curtindo pela essência passada e pela ideia em si, mas que no final acaba não passando literalmente de um passatempo bem trabalhado, aonde dava para ir muito mais além com algumas mudanças, o que acabou não acontecendo. Ainda assim, dá para recomendar sem muitas pretensões, pois as dinâmicas ao menos entretêm. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra (Good Luck, Have Fun, Don't Die)

4/25/2026 01:09:00 AM |

Olha, tem gente que reclama quando o filme é completamente maluco, e eu sou um deles, não nego, mas o que reclamo é quando uma trama tenta ser realista e acaba floreando tanto com as situações, criando bizarrices e quer que você ache aquilo real, mas quando a maluquice é tanta, mas tanta mesmo que passamos a achar que aquilo poderia ser real algum dia pelo nível completamente insano, aí meus amigos, eu embarco junto e viajo nas possibilidades. E o último que tinha me feito sentir tão feliz com tanta loucura foi "Tudo Em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo", em junho de 2022, e agora quase 4 anos depois eis que outra obra será colocada no mesmo patamar de minha opinião, e se chama "Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra", aonde vemos a mistura de viagens temporais com inteligências artificiais e juntamente o problema do vício em tecnologia, ou seja, algo bem atual, moderno, mas que de uma forma tão louca acaba nos levando para rumos insanos na telona, mas pense em insanos com todas as letras maiúsculas, que ao final eu e mais alguns poucos espectadores na sessão nos vimos aplaudindo uma bizarrice total, mas que quem sabe algum dia vira real. Só sei de uma coisa, eu recomendo e muito, e olha que estou apenas no primeiro parágrafo.

O longa nos conta que numa noite em Los Angeles, um homem do futuro surge no meio de um jantar e precisa recrutar um grupo disposto a ajudá-lo a salvar o planeta de uma inteligência artificial ameaçadora.

Sempre soube que o diretor Gore Verbinski era meio maluco das ideias, mas de forma alguma imaginei que veria um filme dele tão fora da casinha que ficasse genial ao mesmo tempo, e hoje posso dizer que o roteiro Matthew Robinson caiu nas mãos certas, pois qualquer outro diretor não entenderia a profundidade de tudo o que é discutido e trabalhado aqui, ao ponto que vemos cenas tão bizarras, mas tão sérias que acabamos pensando e rindo ao mesmo tempo, e isso é um fator inexistente dentro do cinema, sendo dois sentimentos que se contrapõem, mas que aqui funcionaram juntos, ou seja, já começa com uma loucura total de não precisar fazer e mostrar as centenas de viagens temporais que o protagonista diz já ter feito, pois com o diálogo bem trabalhado conseguiu fazer isso se encaixar bem na tela, e o resultado acaba fluindo muito bem pelo convencimento, depois foi não se levar a sério, colocando zumbis modernos, festival de gatinhos de formas estranhas, ratos, pugs, fios como cobras, e tudo mais que se imaginar de forma fiel e interessante. Sendo assim, diria que o roteiro ficou brilhante por ser denso o suficiente para agradar sem cansar, e a direção e edição soube aproveitar isso para que o filme ficasse simples e efetivo na tela, ou seja, a parceria ideal.

Quanto das atuações, vou falar mais pelos personagens, pois dona Paris Filmes mandou somente cópias dubladas para o interior, mas mesmo sem falar dos dubladores em particular, posso dizer que abrasileiraram muito bem as coisas, dando um sentido bem bacana na tela em diversos momentos, sem perder a essência geral, agradando bastante. Dito isso, não sei se levantaria a mão me voluntariando para o personagem de Sam Rockwell, pois alguém tão maluco é algo que mesmo soando convincente ficaria meio com o pé atrás, mas o ator teve cenas bem intensas e botou banca no que fez para soar marcante ao menos. A personagem Ingrid foi ao mesmo tempo misteriosa e estranha, de modo que Haley Lu Richardson acabou trabalhando olhares e dinâmicas mais fechadas, e claro sendo bem importante na tela, afinal alguém vestida de princesa não seria meramente jogada na tela, e a garota foi muito bem em todos os momentos que tiveram suas devidas conexões. O casal de professores vividos por Michael Peña e Zazie Beetz até entregam alguns atos interessantes, mas soaram meio cansativos talvez pela voz da dublagem, mas diria que faltou um tom mais apavorado para eles do que o entregue na tela. E por fim June Temple fez uma Susan meio estranha demais, com um ar quase de psicopata, mas tendo suas dinâmicas bem encaixadas dentro do texto completo, e assim funcionou também.

Visualmente o longa é tão cheio de facetas, mostrando uma escola de ensino médico com vários jovens andando igual zumbis atrás dos professores com seus celulares conectados a algo, tivemos cenas intensas dentro de uma lanchonete, uma loja de clones reais após tiroteios com direito a com ou sem propagandas, uma fuga dentro de prédios e quintais, toda a preparação de uma casa literalmente para a guerra, animais estranhos em formatos ainda mais malucos, e claro uma briga contra a IA de um garotinho num amontoado de fios e robôs com uma pegada bem intensa e marcante, mostrando que a equipe de arte trabalhou muito, mas a computação gráfica fez o trabalho árduo ficar ainda mais bem chamativo, ou seja, tudo insano como deveria ser desde a ideia original.

Enfim, um tremendo filmaço que valeu demais cada minuto conferindo, que mesmo dublado não acabou me incomodando tanto, mas como acredito que tenha perdido algumas sacadas das interpretações originais, irei retirar um ponto da nota, e quem sabe algum dia revendo ele como foi realmente concebido aumente a nota, pois é um dos poucos filmes que gostaria de rever. Porém recomendo demais que todos vejam, pois é muito bom mesmo, sendo sem dúvida aquele que valerá citar no fechamento do ano entre os melhores, então fica a dica e tentem conferir ele nos cinemas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Papagaios

4/24/2026 12:28:00 AM |

O mais interessante do longa "Papagaios" é ser completamente diferente do usual, pois a história em si tinha tudo para ser mais um tradicional filme novelesco, porém a pegada dos personagens e a dinâmica rápida sem passar por cima de nada acaba fluindo fácil e ficando chamativo. Claro que por não ser tão comum, muitos vão acabar olhando torto para ele, porém ele consegue convencer e cativar com tanta facilidade que ao final acabou sendo o ganhador do júri popular do Festival de Gramado 2025, ou seja, muitos se enxergaram na personalidade dos protagonistas, de querer aparecer um pouco, ou muito se possível para ficar marcado, e assim nascem os papagaios de pirata ou subcelebridades como muitos costumam falar por aí. Ou seja, é o famoso filme simples e funcional, que não entrega muita coisa, nem se propõe a isso, sendo o básico bem feito sem recair para lados jogados, e assim agradará quem for conferir.

No longa conhecemos Tunico, o mais famoso “papagaio de pirata” do Rio de Janeiro, um grande representante da classe e que sempre está perseguindo repórteres para aparecer na TV, seja em tragédias, velórios de famosos ou nos noticiários. Depois de uma matéria sobre um grave acidente em um parque de diversões na cidade, ele conhece Beto, um jovem misterioso que se torna seu aprendiz. Esse encontro revelará a face oculta da busca pela fama a qualquer custo, em um Brasil com mais de 70 milhões de televisores ligados todos os dias.

Não conhecia os trabalhos do diretor Douglas Soares, mas posso afirmar que se ele seguir dessa forma, fazendo o simples direto sem ficar enfeitando o doce e sem alongamentos de tramas, certamente muito em breve será daqueles diretores que vamos aplaudir sem parar, pois sempre falo aqui que o básico bem feito funciona muito mais que ficar tentando contar histórias, botar chamarizes aonde não precisava, e principalmente deixar também que o espectador busque pistas em suspenses, pois tudo de mão beijada acaba sendo fácil demais, e aqui ele fez isso tão bem que quando você vê o filme já terminou, e o melhor, funcionando perfeitamente, sem precisar desenvolver personagens extras, sem criar muito na tela, e claro dominando o ambiente como um todo. Ou seja, o simples e direto que agrada. Claro que dava para ter algumas pegadas mais ousadas em alguns momentos, mas sairia do eixo do básico, então ponto final na discussão, pois fez o certo em não enfeitar o pavão.

Quanto das atuações, gosto muito do estilo de atuação de Gero Camilo, mas ao mesmo tempo me irrita um pouco seu jeito aparentemente calmo demais, o que é um contraponto marcante que sempre costuma colocar na tela, pois seu Tunico em alguns momentos parece até uma estátua pronta apenas para figurar ali para as câmeras, mas essa essência é justamente o que o longa pedia, de modo que ele passa essa serenidade ao mesmo tempo que quer aparecer, ou seja, é o famoso falso tímido que agrada nos olhares, agrada nas dinâmicas e segura completamente o filme como a trama pedia. Por outro lado, o jeito do personagem Beto que Ruan Aguiar acabou entregando, já de cara entregava suas reais intenções, de tal forma que seu olhar meio de maníaco já provava do veneno e da vontade de realmente aparecer, de querer ser o maior passando por cima do atual maior, e a pegada em suas dinâmicas foi bem colocada e marcante, mostrando uma boa estreia em longas. Quanto aos demais personagens, Leo Jaime fez algumas participações como ele mesmo, sem entregar muitas facetas, Angela Paz fez uma repórter bem tradicional que merecia ter sido melhor desenvolvida com o final escolhido, sobrando um pouco mais para Ernesto Piccolo com seu Clau para dar alguns tons a mais na produção, mas sem ir muito além também.

Visualmente o longa tem um estilo meio rústico na tela, dando uma pegada meio que mais antiga sem necessariamente datar a trama, tendo algumas cenas interessantes nas ruas, tendo um parque de diversões para começar a entrega, um programa de auditório, mas a maioria das cenas se passando na casa do protagonista bem simples com seu papagaio, muitos recortes de jornais presos na parede com suas aparições, e algumas dinâmicas numa quadra de samba, além claro de um cemitério, sendo tudo bem simples, mas funcionando para a proposta geral do longa.

Enfim, é um longa bem simples, porém diferente e irreverente dentro da proposta, que muitos talvez estranhem a pegada num primeiro momento, mas depois que tudo se encaixa bem o resultado acaba sendo bem interessante e bacana de ver. Então fica a dica para a conferida nas cidades aonde estreou hoje nos cinemas, e eu fico por aqui agradecendo o pessoal da Olhar Filmes e da Tip Performance de Midia pelo screener para poder conferir o longa. Volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Um Pai em Apuros

4/23/2026 12:19:00 AM |

Muita gente fala que eu fujo de comédias, mas não é bem assim, apenas evito o gênero por ser difícil me fazer rir de verdade, e não apenas sorrir mostrando os dentes com o famoso humor sem ser engraçado, e se cair para apelação então, aí já chego até a pensar em sair da sessão, mas veio pro cinema, então lá vou eu. E hoje fui conferir a pré-estreia lotada (de 4 pessoas) do filme "Um Pai em Apuros", que desde o dia que vi o trailer tinha certeza absoluta que já tinha visto algo completamente igual, e que agora sei que é uma refilmagem de um longa argentino que já foi refilmado por uma dezena de países (o que mais lembrei foi o italiano, que falei dele aqui), ou seja, zero criatividade, tendo inclusive algumas cenas exatamente iguais. Mas se fosse bom, não importaria ser algo recauchutado, o problema é que é um filme tão morno, tão sem graça, que se não fosse o sotaque da diarista com suas entregas, iríamos torcer para acabar ainda mais rápido o filme, pois ele é curto até, mas apenas nos faz sorrir dentro de um passatempo que nem vamos lembrar daqui alguns dias, mas rir mesmo, ficaram devendo.

No longa vemos Roberta e Fred vivem uma vida normal em família ao lado de seus quatro filhos. Quando Roberta decide tirar férias e deixar a casa e as crianças na responsabilidade de Fred, a rotina vira um campo de batalha. Entre inúmeros desafios e obstáculos, essa família irá descobrir o verdadeiro significado de estar juntos.

Diria que a diretora Carol Durão tentou brincar com o material que tinha, e até foi bem ajudada pelo elenco para que o caos reinasse e parecesse pior ainda do que realmente é, afinal sabemos que a mãe de um filho só já sofre para controlar toda uma casa, imagina com cinco filhos de idades variadas (se contarmos com o pai que age como uma criança), porém faltou transformar esse conflito bagunçado em algo realmente cheio de caos durante o controle do pai, pois pareceu tudo muito facilmente normalizado, tendo apenas alguns perrengues com o pequeno ficando sozinho, uma menstruação e algumas brigas noturnas, mas nada que realmente impactasse para divertir, mesmo sabendo que é difícil conciliar tudo isso com o trabalho, mas digamos que ficou muito "fácil" de ver na tela. Ou seja, faltou a diretora pegar e dar uma boa chacoalhada no roteiro e ir mais além, o que acabou não acontecendo, parecendo que o ator apenas estava "exagerando" nas reclamações.

Quanto das atuações, volto a frisar algo que já falei antes que Rafael Infante tem um humor próprio dele e não pode estar amarrado, senão ele fica tão preso que parece não fluir na tela, e é o que acontece aqui com seu Fred, sendo que a todo momento ele tenta jogar uma piada, vemos que vai sair, mas ele se prende e fica apenas no ato forçado, e isso não deu liga na tela. Da mesma forma me diz o motivo de colocar uma humorista como Dani Calabresa para um filme cômico, só que sua Roberta sai de cena em menos de 20 minutos de filme sem fazer um ato cômico, basicamente sendo sua personagem apenas um enfeite de duas cenas, no churrasco dando explosões e no carro aonde se mostra desesperada. Agora quem salvou o filme foi Macla Tenório com suas cenas mais rápidas e diretas, que juntando o sotaque colocado para sua Brenda acabou trazendo leveza e dinâmica para que seus atos fossem divertidos de ver na tela. 

Visualmente o longa teve alguns bons momentos interessantes na loja que o protagonista trabalha (Casa do Coelho - mas não é minha ok galera?), tivemos o Family Day caótico (com a famosa cena da bola gigante de hamster que tem em todas as versões), e muitos momentos na casa dos protagonistas com brinquedos espalhados e dinâmicas tradicionais de café da manhã na cozinha, quartos coloridos diferenciados para dar um leve charme na tela, mas nada muito chamativo que fizesse mostrar o serviço da equipe de arte.

Enfim, é aquele passatempo que se você for conferir vai sair feliz desde que não espere rir, mas logo depois já vai esquecer dele, e se você for esperando algo com certeza não vai encontrar, então não é daqueles filmes que vou recomendar, mas não digo que seja a pior coisa que já vi, aliás o filme italiano que citei é bem ruim, então talvez o argentino salve, mas como não o vi, e nem o verei tão cedo, fica a dica para quem viu, vir aqui comentar. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Michael

4/22/2026 02:17:00 AM |

Sinceramente não tenho absolutamente nada contra biografias chapa branca, aonde apagam os erros do passado do protagonista para que tudo fique bonitinho como uma grandiosa homenagem para o personagem, mesmo que depois de morto, e isso geralmente ocorre muito quando colocam a família no apoio da produção, mas volto a frisar que não ligo para isso, desde que a produção fique realmente do tamanho que a pessoa foi ou é (em casos vivos), e que impacte principalmente o público e os fãs, afinal a bilheteria no mundo moderno depende disso, ninguém quer ver coisa ruim na telona, pra isso já temos os telejornais e documentários, então como costumo dizer, na ficção vale tudo, até voar se esse era um sonho do personagem, que se funcionar dentro da proposta, segue o jogo. Dito tudo isso, o longa "Michael" tem suas falhas, os amigos da crítica estão descendo a lenha no longa, mas é o famoso filme que funciona para o fã, entrega tudo aquilo que os fãs queriam ver, do jovem que sofria nas mãos do pai, que sempre sonhou grande, que se reinventou por completo e tudo mais, ou seja, essa primeira parte (já dando um spoiler que esse longa acaba em 1988) traz um período mais "tranquilo" da vida do astro, aonde o diretor pode brincar com suas aparições iniciais na TV, a produtora da Motown ficando encantada com o que viu, e como ele mudou a forma como muitos artistas negros passaram a ser vistos também por todos, e não só por negros como era antigamente separado. Ou seja, o longa passa longe de ser aquele que quem não for fã vai sair apaixonado pelo Michael, principalmente pela falta de uma emoção mais impactante para pegar o público, mas ainda assim é bonito de ver, o som da maior sala possível te faz imergir para dentro do show, e assim os fãs ao final aplaudem, pois o diretor é bom, o jovem ator soube puxar a essência completa do tio, mesmo não ficando exatamente semelhante visualmente à ele, e assim funcionou com louvor.

O longa retrata a vida e o legado do cantor, desde a descoberta de seu espetacular talento como líder do Jackson Five até o impacto cultural de sua visão artística ímpar. Para além da música, este drama biográfico traça as ambições criativas de um homem que buscou ativamente se tornar um dos maiores artistas do mundo, destacando os passos dados por Jackson fora dos palcos. Performances icônicas de sua carreira solo, ainda, compõem esse retrato íntimo e nunca antes visto do artista.

Particularmente gosto muito do estilo de direção de Antoine Fuqua, pois mesmo no filme que precisa ser o mais simples possível, ele pega e faz algo grandioso, e aqui ele não nos desaponta nesse sentido, pois se Michael Jackson foi alguém gigante, ele pegou e jogou o nível da produção na estratosfera, criando ambientes luxuosos, dinâmicas imponentes e shows ambiciosos e muito mais que o filme pedia, fazendo com que o público se envolvesse com toda a proposta, visse o crescer do astro, e principalmente mostrasse que ele não era só música, embora trabalhasse que nem um maluco sempre em busca de novas canções, novas danças e tudo mais. De tal forma que vemos sim os produtores da família dando seus pitacos em muitas mudanças cênicas, mas o diretor levou isso com boas ideias, e soube brincar com a essência para que o filme tivesse uma boa fluidez na tela, o que acabou tornando tudo tão grandioso, que o longa que era pra ser único, acabou dividido (com tudo já filmado, se não me engano!), e assim fará uma grande bilheteria, pois o personagem Michael levava multidões aonde fosse, e seu filme não ficará para trás.

Quanto das atuações, sendo o primeiro filme de Jaafar Jackson diria que ele ainda estava um pouco cru demais para um papel tão grandioso, porém encontrar pessoas tão semelhantes ao Michael jovem sem precisar entupir de maquiagens, e claro, tirar os "clichés" e traquejos dos sósias do personagem, era algo que o diretor queria desde o começo da produção, então foi muito certeiro em desenvolver o rapaz, e fazer com que ele virasse o personagem, e não fosse alguém que já fazia o personagem, e assim sendo ele conseguiu ser marcante e bem dosado, criando momentos marcantes, e principalmente não virando uma esquete do tio. Essa também foi a estreia nas telonas do jovem Juliano Valdi que fez Michael pequeno, e o garoto teve grandes cenas para marcar na telona, sofrendo claro com as cintadas do pai, mas ainda assim tendo um carisma grandioso e marcante do começo até sua passagem de bastão, ou seja, tem futuro com o que mostrou na tela. Agora sem dúvida alguma Colman Domingo deu seu nome para Joseph Jackson, sendo daqueles pais irritantes tanto como parte da família quanto como agente do personagem principal, ao ponto que você chega a ficar irritado com as coisas que ele faz, meio que quase um vilão na telona, ou seja, se o longa chegar longe é bem capaz dele ganhar uma indicação pelo papel. Quando vi nos créditos finais o nome de Miles Teller precisei fazer uma volta cerebral para tentar achar o ator no longa, mas agora vendo que ele fez John Branca, o homem que fez Michael decolar em carreira solo, fez todo sentido, pois ele é um tremendo ator, mas aqui estava tão diferente que nem se fez presente, e isso mostra sua boa atuação no papel. Outro que foi muito bem em todas suas cenas, sendo bem mais um amigo de Michael do que seu segurança foi KeiLyn Durrel Jones com seu Bill, sendo sutil nas cenas mais densas, e sabendo se portar muito bem em cada momento da trama, agradando bastante com o que fez. Nia Long até foi bem com sua Katherine, porém seu papel ficou muito em segundo plano na trama, sendo sim uma mãe presente e bem emocional, mas dava para terem usado mais a atriz, pois ela é bem boa no que sempre faz.

Visualmente o longa é gigante e incrível, de modo que até sabemos que muitas cenas são montagens para termos os estádios dos shows tão cheios, mas a ambientação com figurinos clássicos e todas as casas que passam, estúdios, e claro os diversos animais do cantor, além de um quarto todo cheio de referências, fez com que cada detalhe fizesse parte da cena, de modo que com toda certeza muitos fãs irão enxergar muito mais em cada momento, mas é algo que funcionou tão pleno dentro de tudo, que você acaba minimizando os erros mais jogados, além claro de vermos algumas filmagens de seus mini-filmes como chamava os seus videoclipes, com destaque claro para "Thriller".

Enfim, é uma produção incrível, que me agradou por demais, afinal como costumo dizer sou mais fã de grandes produções do que de grandes histórias como a maioria dos meus colegas críticos, e o único aquém que colocaria que acabou faltando, ao menos nessa primeira parte, foi emocionar mais o público que não é fã declarado, pois assisti, gostei do que vi, mas não me comoveu ao ponto de querer sair pulando no final da sessão, e isso dava para ter sido melhor trabalhado, mas ainda assim foi um filmão que funcionou bastante na tela, então aguardaremos para ver como vão entregar a segunda parte. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Bola Pra Cima (Balls Up)

4/20/2026 01:01:00 AM |

Olha, tem dias que fico realmente me perguntando o motivo de existir streaming na minha vida, pois se tem alguém que sabe escolher mal lançamento de streaming, essa pessoa sou eu! Hoje com preguiça de sair com tudo o que anda ocorrendo (mas aqui não é um muro das lamentações) achei uma boa dar um play numa comédia que estava no top-10 da Amazon Prime Video, ou seja, dificilmente seria algo ruim já que tanta gente está vendo o lançamento, e com atores que ao menos pareciam saber os projetos aonde entram, fui lá e dei play em "Bola Pra Cima", e meus amigos se no dicionário não tinha uma imagem para ilustrar vergonha alheia, podem colar esse filme por completo, pois é vergonha do minuto 0 ao 104, conseguindo alguns feitos que nem em sonho conseguiria imaginar para escrever um roteiro tão sem base, desde uma Copa do Mundo fora de ano de Copa, passando por facções gringas no Brasil, ativistas hippies vivendo no meio da floresta e transando na frente dos caçadores que matam e enforcam, até um organizador de evento se pendurando em um lustre nu em plena boate, ou seja, tudo isso regado à atores brasileiros falando um inglês meia boca e americanos falando um português péssimo, o que chega a dar uma revolta estomacal gigantesca. Sinceramente foram os 104 minutos mais mal gastos da minha vida, mas assisti até o final na esperança de ter uma salvação, e a salvação é eu indicar que vocês nem pensem em relar no botão play desse filme.

A sinopse nos conta que os executivos de marketing Brad (Mark Wahlberg) e Elijah (Paul Walter Hauser) vão com tudo ao propor um patrocínio de preservativos com cobertura total para a Copa do Mundo. É quando uma comemoração regada a álcool no Brasil vira um escândalo global, e eles precisam fugir de fãs furiosos, criminosos e autoridades sedentas por poder para salvar suas carreiras e voltar para casa vivos.

Sei que muitos não gostam dos longas do diretor Peter Farrelly por exagerar em muitas situações, mas confesso que já ri com ele no passado e gostei muito de algumas obras suas, porém aqui posso dizer que perdeu a mão por completo, entregando algo que não tem graça alguma, que força a barra do começo ao fim para tentar soar engraçado, e se perde tão rápido dentro das essências da trama, que talvez alguns estrangeiros deem risada achando que no Brasil é bem assim como é mostrado, mas nem que a pessoa odeie o país por completo vai conseguir achar um mínimo humor na trama. Ou seja, são muitos erros de ideologia, são muitos erros de gravação, e são muitos erros de tentar existir uma comédia sem nexo como essa, aonde tudo é falho, sendo daqueles que você até lembre futuramente para citar como a pior coisa que já viu na vida, pois foi isso o que vi hoje.

Chega a ser decepcionante falar de dois grandes atores que aceitaram fazer um filme desse estilo, pois Marc Wahlberg já até fez alguns longas bem ruins, mas já fez outros incríveis, e aqui certamente ele deveria até apagar de sua filmografia que esteve presente, pois seu Brad até teve algumas cenas com alguma expressividade, mas é tanta falha, tanto momento bizarro que chegamos a ver até o ator bravo com o que estava fazendo em alguns deles, ou seja, nem ele estava a vontade com tanta cena jogada. Já Paul Walter Hauser é o típico ator que não tem graça alguma, caindo bem em alguns papeis dramáticos com poucas pegadas cômicas, não em algo que seria "humorístico", e aqui a entrega de seu Elijah beira o ridículo, incomodando com muita força em tudo o que faz, ou seja, foi jogado aos leões e literalmente foi devorado, pois não conseguiu uma cena que marcasse algo diferenciado, e assim também não ajudou o longa a ir além. Ainda tivemos Sacha Baron Cohen fazendo seu tradicional personagem não muito definido em trama alguma, fazendo com que seu Pavio Curto tendo um papo longo até demais, que não convence, nem impacta, e assim desanima. Quanto aos demais personagens que fizeram ou eram realmente brasileiros, Benjamin Bratt com seu Santos foi uma bomba relógio em cena, Luciano Szafir até tentou fazer com que seu Cristos parecesse internacional, mas foi meio que sem graça também sua entrega na tela, e por fim Daniela Melchior até se fez como uma advogada brasileira, mas no final temos uma mudança até que boa, o que acabou sendo "menos" ruim.

Visualmente o longa tem alguns momentos estranhos, mas que ao menos conseguiram mostrar bem um jogo de futebol na tela (sabe-se lá aonde arrumaram um time de Brasil x Argentina para jogar sem nenhum conhecido!), montaram algumas salas de reuniões bem colocadas, festas em boates e numa mansão, atos em florestas e rios, tudo bem regado a elementos cênicos bizarros, porém funcionais para ao menos segurar o "realismo" da trama, que mostrou ao menos que nesse quesito pagaram algum bom diretor de arte.

Enfim, é um filme bem ruim, mas bem ruim mesmo, que ainda estou me perguntando como consegui ficar 104 minutos assistindo, e mais quase 7 horas escrevendo dele, pois a única vontade que estava era escrever: "é ruim ponto" e mais nada, mas como sempre tenho de justificar minhas escolhas de notas, e aqui vou dar 1 somente pelo conceito visual, e está mais do que bom, provavelmente figurando no final do ano como o pior longa do ano. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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