Netflix - Depois do Terremoto (After The Quake)

1/03/2026 11:36:00 PM |

Sei que muitos não acham isso, mas considero o cinema japonês um dos mais difíceis quando trabalham com dramas introspectivos recheados de metáforas, pois você precisa quase que encarar algo na velocidade negativa que acabam colocando na dinâmica da trama, de forma que a fluidez extremamente lenta impacta junto com a reflexão que eles desejam que você. Dito isso, o longa da Netflix, "Depois do Terremoto", propõe algo até bem interessante de uma pessoa que sempre que o mundo está prestes a ruir tem uma ajuda de um sapo para ir até o fundo da Terra enfrentar um verme gigantesco que causa todos os males no mundo, tendo essa base maluca como algo maior dentro das subliminares ideias, que não causa tanto quanto poderia, mas que sendo bem simbólico e com boas nuances consegue parar para imaginarmos tudo o que rolou nos diversos anos que o filme passa. Claro que não estou falando que é uma obra-prima, muito menos uma bomba gigantesca, mas é daqueles filmes que se você não estiver bem disposto para entrar no clima vai se perder facinho com tudo o que é mostrado.

O longa é baseado em quatro contos da coletânea "Todos os Filhos de Deus Podem Dançar", de Haruki Murakami. De 1995 a 2025, as vidas de quatro pessoas que vivem em épocas e lugares diferentes se entrelaçam. Em 1995, Komura, devastado pelo desaparecimento de sua esposa, visita Kushiro e ouve histórias sobre um OVNI. Em 2011, Junko, uma jovem fugitiva, conhece um homem que compartilha sua paixão por fogueiras. Em 2020, Yoshiya, criado como um "filho de Deus", começa a ter dúvidas sobre a constante ausência de seu pai. Em 2025, o segurança Katagiri vive em um café temático de mangá enquanto coleta lixo em Tóquio.

Não conheço muito dos diretores japoneses, afinal chegam por aqui só clássicos do país, então diria que Tsuyoshi Inoue usou bem os contos de Haruki Murakami para desenvolver bem a história, principalmente até a metade aonde o fluxo ia seguindo somente entre os anos, depois virou um vai e volta que ele meio que se perdeu, mas de certa forma o estilo das junções das tragédias dos anos conseguiram ser bem moldadas na tela, fazendo com que tenhamos uma certa reflexão de essência e de sentimento para que conflitos e desastres não fossem apenas algo a distância de nós, e com essa pegada o diretor soube dominar de certa forma os ambientes e entregar tudo na tela, mesmo que para isso ele tenha escolhido um ritmo bem lento (que quase me fez dormir!).

Vou ficar devendo para falar das atuações, pois uma coisa que me incomoda demais em filmes orientais é dos créditos subirem com os nomes em seus caracteres, e dessa forma não tem como lermos os nomes de nenhum, mas cada personagem na tela teve boas interações, desde o rapaz que a esposa vai embora no primeiro conto e ele acaba indo para uma cidade mais longe passar férias bem diferentes, passando pelo segundo conto aonde o senhor das fogueiras faz amizade com a vendedora da loja que sabe seus gostos pessoais, até chegarmos no terceiro conto que o garoto seria filho de Deus e depois volta quando o padre está para morrer, e finalizando muito bem com o senhorzinho que cata lixo nas ruas e vai para as profundezas acompanhando um sapo falante, tudo bem dimensionado e se conectando depois com a explicação.

Visualmente acredito que deveriam ter mostrado um pouco mais das tragédias acontecendo para que as dinâmicas ficassem mais tensas, pois vemos os personagens em casas, apartamentos, templos e até ambientes mais fechados, sem ir muito a fundo na densidade que o longa pedia, de tal forma que o último conto foi o que mais teve ousadia com o sapo andando para lá e para cá, mas ao conectar tudo a equipe de arte ao menos mostrou uma boa precisão cênica.

Enfim, é um filme que tinha mais potencial do que acabou entregando, pois dava para ter um ritmo mais marcante e talvez um pouco mais de tensão nas situações, mas ainda assim vale para dar uma refletida nas sensibilidades que temos quando ocorrem algumas tragédias. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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AppleTV+ - Plano em Família 2 (The Family Plan 2)

1/02/2026 12:54:00 AM |

São poucos os streamings que dá para zerar todos os filmes, afinal a maioria lança diversas obras quase que todos os dias, o que acaba sendo diferente da AppleTV+, que se você for daqueles de maratonar com o plano grátis deles consegue liquidar facinho todas as ótimas produções que tem por lá, claro de filmes, pois quem curte séries dá para brincar bastante. Dito isso, faltava apenas o longa "Plano em Família 2" para ter conferido todos da plataforma (e agora pensar se vou manter os 29,90 ou cancelar até surgirem mais alguns filmes por lá!), e se o primeiro trabalhou mais um road-movie de ação, aqui a trama foi mais para o lado do parkour nas casas francesas e do lado investigativo, sem tantas dinâmicas mais contundentes, sendo uma trama bem mais família mesmo, daqueles passatempos que você dá o play sem querer muito e acaba curtindo o que vê na Sessão da Tarde. Ou seja, é ainda um bom filme, mas parece que seguraram mais do que deveriam, e o filme acabou um pouco morno demais para a proposta.

A sinopse nos conta que os dias de contraventor de Dan estão no passado, agora tudo o que esse pai de família quer fazer é passar um Natal tranquilo com sua esposa Jessica e filhos. Dan planejou a viagem perfeita de férias para Londres, mas seus planos não saem como o esperado quando uma figura do passado retorna com negócios inacabados. Inicia-se uma corrida internacional de gato e rato pelas ruas da cidade enquanto Dan e sua família tentam sobreviver a assaltos a banco, perseguições de carro e confusões natalinas.

Uma coisa que sempre gosto é quando diretores voltam para as continuações, e Simon Cellan Jones fez o primeiro filme para a Apple, pegou e foi fazer um de cinema mesmo com o próprio Mark Wahlberg, e resolveram voltar com a continuação, indo para um rumo um pouco diferente, trabalhando mais as dinâmicas de investigação, de forma mais econômica sem precisar de filmagens em movimentos de carro, mas conseguindo manter bem a ideia, e o resultado ficou bem bacana de ver, pois ainda continuou como um bom passatempo, sem soar apelativo demais, e brincando com as facetas que tinham, sem que toda a ousadia pesasse para o lado, incluindo um vilão mais fraquinho, e o resultado fluiu. E digo mais, acredito que ainda role um terceiro, pois há brechas para isso.

Quanto das atuações, diria que Mark Wahlberg não tem mais aquele gás para produções cheias de explosão, de modo que aqui seu Dan parece meio calmo demais para as cenas mais densas, tendo até alguns momentos de parkour, mas nada que fosse comparado com o que viveu no longa anterior, ou seja, ele brincou mais com as facetas expressivas e menos com o corpo para jogo realmente. Kit Harington tinha tudo para criar um vilão maquiavélico cheio de facetas para seu Finn, mas acabou sendo daqueles que apenas criam as situações e na hora do vamos ver mesmo apenas deixam se apanhar pelos mocinhos ou até por qualquer um ao redor, ou seja, faltou explosão por parte dele também. Ainda tivemos outros personagens interessantes na tela, mas nenhum da família foi muito além nas expressividades, parecendo até algo meio forçado de estarem ali, sobrando para Michelle Monaghan ir um pouco mais além na entrega de sua Jessica com algumas lutas no final, nada mais.

Visualmente a trama teve alguns momentos bem colocados em um banco de Londres, algumas dinâmicas bem trabalhadas em cima dos famosos ônibus turísticos da cidade, e depois muita perseguição com alguns carros pela França, além de uma casa cheia de gatos, e a grandiosa mansão do pai do protagonista, que poderiam ter utilizado mais para dar um charme a mais para a produção.

Enfim, é o famoso filme básico que até entretém quem der o play, mas que ficou bem abaixo do original, mostrando talvez uma falta de entusiasmo dos protagonistas, pois filmes de ação precisam demonstrar ao menos vontade de explosão na tela. Ainda assim vale a recomendação com algumas ressalvas que já coloquei acima. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, esperançoso que ache algo bom nessa semana para conferir, então abraços e até logo mais.


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Retrospectiva 2025

12/31/2025 05:03:00 PM |

Olá amigos do Coelho, tive um ano bem intenso fora dos cinemas nesse 2025, de modo que acabei nem vendo tantos filmes quanto o ano de 2024, mas ainda assim esse cara que curte tantos números não poderia fechar o ano sem voltar lá para o começo do ano e vir analisando quais foram melhores e quais foram piores, afinal foram 365 dias e 365 filmes conferidos, com muita presença nas salas dos cinemas, de festivais, nos vários streamings e também nas cabines de imprensa que os amigos das várias distribuidoras que conheci me enviaram, afinal muitos filmes nem chegaram aqui no interior, e ainda sigo com minha ideologia.
Mas sem mais delongas vamos ao que interessa, afinal a numerologia "coelhal" não pode parar, e amanhã já é 2026 para ver novos filmes.

Foram 365 filmes conferidos nesse ano, com uma nota média de 6,76, que alguns vão falar que fui muito caridoso com algumas obras que mereciam notas menores, outras maiores, mas como costumo falar, é o que vem na mente na hora que estou escrevendo logo após a conferida, então pode ser que mudaria um ou outra nota, mas é o que fica.

Dei apenas 7 notas 10 nesse ano, mas sem dúvida dois deles me impactaram mais, sendo um que provavelmente deve fazer a limpa nas premiações desse ano que é "Pecadores" e um que não vejo muito futuro nas premiações, mas me emocionou ver a versão live-action acontecer de uma maneira tão incrível como aconteceu em "Como Treinar Seu Dragão"

Avaliei 37 filmes com nota 9, que é o famoso quase bater na trave da perfeição, e destaco neles "Nouvelle Vague" que torcerei para ganhar bons prêmios, "O Ônibus Perdido" por toda a intensidade, "Zootopia 2" que conseguiram superar o nível do anterior, e claro os dois nacionais maravilhosos "O Agente Secreto" que vamos torcer muito para levar as premiações, e quem não se emocionou com "Caramelo" nem é gente.

E já que falei dos nacionais que decolaram, que ano foi esse para nosso cinema nacional, aonde começamos o ano ganhando tudo com o "Ainda Estou Aqui", mas dos 365 filmes que vi 48 foram nacionais, ou seja, quase 1 por semana pelo menos o que é incrível, e além dos dois que citei acima entre os melhores colocaria ainda "Sonhar Com Leões" e "Vitória" para nos representar muito bem nos que quase ganharam nota máxima.

Não deveria dar pódio negativo, mas como costumo falar que ainda bem que salvo a vida de muitos amigos vendo tudo e falando aqueles que nem devem ameaçar a dar play, o pior filme do ano ficou com "A Menina Dos Meus Olhos" que levou uma nota 1, mas ainda tivemos 8 filmes que beiraram a trave com nota 2, destacando "Lobisomem" e vou colocar também o pior nacional que vi em anos "Lispectorante".

E é isso, não vou ficar me alongando muito, afinal todo mundo tem de festejar, fazer as comidas da ceia, e claro também quem sabe ver algum filme na TV, todos os demais textos estão no site para conferirem quando quiser, dá para clicar por nota aqui do lado, e assim vida que segue. Desejo um 2026 cinematográfico para todos, e amanhã já volto com algum filme, já que quem sabe bato novos recordes ano que vem.

Abraços,

Fernando Coelho
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Jovens Mães (Jeunes Mères)

12/31/2025 12:46:00 PM |

Um dos filmes que não consegui ver no Festival de Cinema Francês do Brasil pelos vários compromissos nos dias de exibição foi "Jovens Mães", e agora que ele irá estrear comercialmente no país, inclusive em Ribeirão Preto no dia 01/01, consegui conferir ele para dar a recomendação. E o que posso adiantar logo de cara, foi que os diretores tiveram uma proposta tão comum no mundo inteiro que pode até ser um longa francês, mas certamente você conhecerá alguém que passou pelos problemas das diversas garotas do filme, que claro trabalha um pouco mais com a essência do abandono da família, do namorado, de não conhecer a família, entre várias outras situações, de forma que o longa até tem uma boa pegada nesse sentido representativo, forte e bem colocado, porém por ser várias protagonistas e histórias, acabamos não nos conectando com nenhuma delas, ao ponto de ficar tudo muito solto dentro das resoluções. Ou seja, é um filme bonito, bem interessante, mas talvez algumas dinâmicas mais fortes e entrelaçamentos das histórias resultaria em algo mais imponente como cinema.

A sinopse é bem simples e nos mostra que cinco jovens mães vivendo em um abrigo lutam por um futuro melhor para si mesmas e para seus filhos, enfrentando as dificuldades criadas pelas realidades de onde vieram.

O mais bacana do roteiro dos irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne é que ele cumpre o que promete, e por isso ganhou Cannes, principalmente por eles saberem como fazer com que seu filme fosse um retrato gigantesco da França e do mundo atual, aonde muitas garotas acabam engravidando, resolvem ter a criança (alguns países é proibido, enquanto outros tem meios mais "fáceis" de interromper a gravidez no começo), mas depois se veem sozinhas da família, do companheiro, ou até por vezes tem algum apoio, mas não sabem o que fazer com sua vida e com a vida que está vindo, e trabalhando bem esse tema, eles acabaram dando muita fluidez para a trama, tendo boas dinâmicas e até saindo "felizmente" do estilo seriado, pois o longa facilmente viraria uma série incrível, mas que souberam editar bem e fazer um longa com classe, dinâmica, e principalmente, como já disse, com uma história funcional. Ou seja, é um filme que pode ser visto de diversas maneiras, e os diretores souberam usar isso ao seu favor, só pesando, numa opinião bem particular, a falta de um cerne mais amplo para que a trama se fechasse, mas isso é algo meu, e certamente muitos nem irão ligar.

Ao mesmo tempo que foi positivo para não ficarmos ligando ninguém, no quesito da atuação, ao escolher apenas atrizes estreantes, acabou faltando um pouco mais de sensibilidade para que o tema explodisse realmente na tela, mas quem conhece o estilo dos Dardenne, eles souberam com sua calma e jeitinho ir trabalhando a essência de cada jovem para os devidos momentos, tendo Babette Verbeck a dinâmica mais fechada com sua Jessica sendo a garota que nunca conheceu sua mãe vivida por India Hair, tentando entender se era o mesmo sentimento que estava tendo com sua filha. Elsa Houben trabalhando sua Julie, uma ex-viciada das ruas querendo casar e tentando se manter sóbria junto do futuro marido também ex-viciado que Jef Jacobs fez muito bem. Tivemos Janaina Halloy mais tensa com sua Ariane querendo dar sua filha enquanto a mãe dela que Christelle Cornil com muitos problemas não quer deixar de forma alguma. E para finalizar ainda tivemos Lucie Laruelle com sua Perla que tem o namorado saindo da cadeia, ela achando que iria formar uma família que nunca teve, mas sendo deixada de lado. E tudo isso conectado pela assistente social da maternidade que Mathilde Legrand tenta sensibilizar com sua Lucie.

Visualmente o longa passou uma boa parte dentro da maternidade/centro social aonde as garotas vivem juntas e aprendem a cuidar de seus bebês, tivemos várias nuances também nas ruas aonde passeiam com seus carrinhos e fazem algumas dinâmicas com outros personagens, sendo tudo bem amplo e representativo dos diversos momentos que a trama tende a mostrar na tela, não sendo nada muito fixo, mas sim algo com chamarizes próprios bem colocados na tela.

Enfim, é um longa bem interessante que funciona mais para abrir discussões sobre o tema gravidez, que aqui é mostrada sob a ótica de garotas, mas que poderia ser expandido para várias idades, afinal a forma de abandono mostrado pode rolar em diversas épocas, e assim sendo vale a indicação dele para todos pensarem. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, com meu filme de fechamento do ano, sendo o número 365 desse ano complexo, agradecendo claro a parceria dos amigos da Sinny Assessoria pela cabine, e volto mais tarde com minha retrospectiva dos melhores e piores do ano, então abraços e até logo mais.


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Bob Esponja - Em Busca da Calça Quadrada (The SpongeBob Movie: Search for SquarePants)

12/30/2025 12:50:00 AM |

Nunca fui muito fã dos desenhos do Bob Esponja, por achar um humor bobo e forçado demais, mas tem quem defenda com unhas e dentes e se divirta demais com tudo o que passa do personagem, mas confesso que dei boas risadas em todos os longas dele, então não posso tacar todas as pedras no que vi. Dito isso, hoje aconteceu algo bem engraçado, pois o novo filme "Bob Esponja - Em Busca da Calça Quadrada" tem uma pegada quase que de terror para crianças, com personagens mais densos e situações mais fortes, diferentes do casual bobinho que sempre colocam, e até pensei que fosse acabar assustando os pequenos que estavam na sessão, mas felizmente não ocorreu, e até entreteve bem, pois foram bem poucos os que ficaram saindo para banheiro, ou seja, foi um roteiro bem montado para cativar e convencer. Claro que ainda temos muitas situações bobas, mas dessa vez diria que conseguiram convencer como uma história de filme, e não apenas um episódio alongado na telona, e assim sendo funcionou no que se propôs e agradou bem, mesmo a pessoa aqui não sendo alguém que curte tanto o protagonista.

A sinopse nos conta que a nossa esponja favorita se coloca numa missão para provar que já está grandinho. Para mostrar sua coragem e bravura ao Sr. Sirigueijo, Bob Esponja e seu melhor amigo Patrick Estrela vão atrás do enigmático navio fantasma, o Holandês Voador, colocando-os numa jornada pelas profundezas marítimas. Um lugar em que nenhuma esponja jamais alcançou.

O mais interessante de tudo é que este é o primeira animação do personagem que Derek Drymon dirige, porém ele já roteirizou vários outros filmes e episódios de Bob, e assim tinha muita propriedade para saber aonde desenvolver mais, aonde brincar com as devidas situações e trabalhou sua trama com uma boa dinâmica, de modo que funcionou realmente como um filme deve ser, não precisando ter explicações de personagens, criar um ambiente próprio necessário de passados, sendo algo feito para a telona que funciona, diverte e faz a devida bagunça que o personagem costuma, tendo sua risada icônica, suas loucuras e com uma entrega precisa dentro do tempo sem ter buracos ou enchimentos.

Quanto dos personagens nem preciso falar muito afinal é difícil quem não conheça Bob Esponja, Patrick Estrela, Sr. Sirigueijo, Lula Molusco e Gary, e todos foram bem usados nas dinâmicas, com inclusive quase o mesmo tempo de tela para todos, afinal vamos vendo os dois amigos na frente com os novos personagens, e os demais correndo atrás para tentar salvar o protagonista, e que claro tendo as vozes tradicionais, o resultado funciona bastante. Foram ainda inseridos o pirata Holandês Voador com muita imposição e loucura para conseguir quebrar o seu feitiço e também sua ajudante Barb meio revoltada, mas também trabalhando algumas sacadas cômicas, além de outros personagens esquisitos do submundo.

Visualmente como falei no começo a trama tem uns tons mais escuros e densos, com uma pegada mais sinistra do submundo, puxando para o verde, preto e cinza, que acabou soando bem chamativo na tela, e claro contrastando bem com os personagens, funcionando tanto como algo mais de terror para crianças, sem perder claro as loucuras cômicas dos protagonistas, com destaque claro para os "intestinos". Não fui conferir em 3D, mas também não vi muitos elementos possíveis de coisas saltando, então quem for conferir com a tecnologia e quiser opinar nos comentários, fiquem à vontade.

Enfim, não é nada espetacular, mas funcionou bem como um filme, sendo divertido e tenso na medida, algo meio incomum para uma animação para crianças, aonde talvez alguns possam se assustar mais, mas nada que irá traumatizar, valendo a diversão para toda a família, até mesmo aqueles que não forem tão fãs do personagem. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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AppleTV+ - Por Inteiro (All Of You)

12/29/2025 01:16:00 AM |

Hoje na caça por um filme para ver (passando pelas minhas mil listas que vou colocando nos streamings e falando que não tem nada para assistir), fui olhar o que faltava para zerar os longas da AppleTV+, afinal lá sai um filme a cada 2-3 meses, então nem sei se vou manter ele em janeiro (pra quem curte séries é excelente, mas pra nós amantes de filmes, eles deixam a desejar nas compras!!). E vi que havia esse drama romântico, "Por Inteiro", que estava na minha lista e pulei por algum motivo, então foi a vez dele do play de hoje, e embora bem simples, acredito que exista muitos amores entre amigos que não foram para frente e depois acabam se arrependendo das escolhas, do tipo que vão dando corda para ficarem com outras pessoas, e depois se enforcam com a corda dada, e a síntese é essa do longa inteiro, com claro cenas mais quentes no miolo, mas sempre tendo uma quebra, e acredito que a ideia foi muito bem trabalhada na tela, principalmente por não ser uma trama americana, que você sabe que não vai ter um final bonitinho, e assim sendo o longa reflete exatamente o que ocorre numa "vida real" da forma escolhida pelos protagonistas, e assim envolve quem curte esse estilo.

A trama gira em torno de Laura e Simon, dois melhores amigos que nutrem um amor escondido um pelo outro, mesmo depois de um teste encontrar um deles com sua suposta alma gêmea, acompanhando a vida dos dois ao longo dos doze anos seguintes, após eles se depararem com um novo e empolgante teste para combinar almas gêmeas. Mesmo com as reviravoltas da vida, como casamento, filhos e tragédia, ambos continuam a resistir ao impulso de alterar os rumos que suas vidas tomaram. No entanto, o sentimento inegável de que pertencem um ao outro persiste, tornando cada escolha mais difícil e suas decisões mais complexas. A história explora a tensão entre o que a vida ofereceu a eles e o que seus corações ainda desejam, levando-os a refletir sobre o verdadeiro significado do amor, da lealdade e do destino.

É interessante observar que mesmo não sendo o primeiro longa do diretor e roteirista William Bridges, aqui foi algo que ele conseguiu muito dirigindo e roteirizando a série "Soulmates", pois lá criando os pares viu que o que aconteceria ao quebrar o eixo de um possível casal de amigos com o achar o par ideal e não ser entre eles ali, e essa inversão ficou muito bem colocada na tela, sem precisar fazer referência alguma para a série, tanto que nem tinha ouvido falar dela, e apenas pesquisando para falar sobre o diretor consegui enxergar essa possibilidade. Ou seja, vemos um filme completamente diferente do usual drama romântico, aonde a todo momento a quebra ocorre, e isso acaba sendo interessante, mas também um pouco irritante, afinal o rapaz é muito apaixonado mesmo pela garota, e ficar se segurando nos gostos dela de fuga da alma gêmea dela é duríssimo de sentir, e ver esse trabalho bem montado pelo diretor acaba agradando e gerando sentimentos no público, que por vezes pode até não ser bom, mas que funciona como aquele algo a mais bem moldado.

Quanto das atuações, diria que chega a dar um pouco de pena do personagem de Brett Goldstein, pois o seu Simon é divertido, boa pinta, todo trabalhado no galanteio sem ser açucarado, e a amiga sempre deixa ele de lado, de tal forma que o ator fica sempre com traquejos meio decepcionados com tudo, e não está errado, ou seja, foi duro ver sua entrega na tela sem querer bater na garota. E falando da garota em si, Imogen Poots é daquelas atrizes que sabem convencer bem sem precisar forçar a expressividade, sendo bem solta em alguns atos de sua Laura, mas também com uma presença fugitiva demais da tela, e isso que faz o público ficar bravo, pois ela não se entrega "por inteiro" para o rapaz, mas também não o liberta, e isso foi tão bem demonstrado pela sua expressão que funciona na tela. Ainda tivemos outros personagens interessantes, mas a maioria ficando sempre em segundo plano para que os protagonistas tivessem suas dinâmicas, valendo leves destaques para Steven Kree com seu Lukas, praticamente um incômodo a mais querendo ser amigo também do rapaz apaixonado por sua esposa, e quebrando ele com isso, e alguns atos mais soltos de Zawe Ashton com sua Andrea rapidamente percebendo o que rolava pelos bastidores, como toda boa mulher sagaz.

Visualmente o longa teve alguns momentos bem bonitos nos passeios dos protagonistas, indo para lugares isolados com montanhas, praias e tudo mais, tivemos algumas festas e restaurantes bem colocados para os encontros e bem pouco usado o apartamento do rapaz e a casa da moça, além de nem desenvolverem muito o lado do tal Exame de encontro de almas gêmeas, apenas mostrando nas ruas as placas com os vários encontros bem sucedidos, mas basicamente a moça apenas chegou em um lugar e depois já está com o rapaz, e isso valeria algo na trama melhor mostrada.

Enfim, é um longa que foi gostoso de conferir, mas que me passou algumas sensações diferentes em cada momento, e acredito que para cada pessoa ele vai se conectar de alguma outra forma, então vale a recomendação com a ressalva de que não é um romance bonitinho tradicional, então não espere isso dele. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Mulher Da Fila (La Mujer de la Fila)

12/27/2025 10:47:00 PM |

É interessante observar que o cinema argentino gosta de variar bem em seus dramas biográficos, que por vezes usa personagens que nem sequer imaginaríamos que teriam suas vidas contadas, mas o mais bacana é que usam isso para mostrar um algo a mais na tela, e não só a vida da personagem. E a sacada do longa da Netflix, "A Mulher Da Fila", é que soube trabalhar essas nuances de segundo plano para algo maior, resultando em um filme leve, sem recair para os traquejos novelescos, aonde a síntese até poderia ter ido mais além, mas que funciona para mostrar que não é só o criminoso que vai preso, mas todos ao seu redor que passam a sofrer com o preconceito e com tudo o que ocorre nas visitas. Diria que é uma trama que talvez pudesse impactar mais com algumas reviravoltas e desenvolvimentos, mas o resultado ainda assim tem uma boa pegada.

O longa acompanha a história real de Andrea, uma mulher que tem a vida virada de cabeça pra baixo quando o seu filho de 18 anos é falsamente acusado de um delito e acaba dentro de uma prisão. Agora, toda a sua vida precisará ser dedicada a uma batalha contra o sistema judiciário, que se torna cada dia mais burocrático. Descobrindo que há também outras mulheres na mesma luta, aos poucos Andrea conquistará a confiança delas. Apesar de toda a sua luta, apenas uma paixão será capaz de destruir os seus próprios preconceitos, valores e crenças negativas acerca daqueles que estão afastados da sociedade.

Olhando a filmografia do diretor Benjamín Ávila para ver se conhecia alguma de suas obras, notei que ele está preso no que rolou no país em 2001, pois seus três últimos trabalhos, incluindo esse, é sobre algo ocorrido na Argentina no ano, e isso é algo bom para se desenvolver, pois dá um vértice diferenciado, mas também acaba sendo um diretor sem grandes nuances expressivas. Não vi os seus trabalhos anteriores, mas aqui ele trabalhou pouco a época, apenas situando para dar dimensão da data na trama, de modo que tudo o que acaba ocorrendo na trama poderia ser em qualquer época e até mesmo em qualquer cidade do planeta, pois vemos muitos jovens participando por vezes de coisas que nem eles mesmos sabem o que ocorre apenas para estar na onda junto com os demais conhecidos, e assim por vezes acabam presos "sem saber" o motivo. E como disse o diretor trabalhou bem a dinâmica da protagonista, no caso a mãe que muda de um mulher de classe, com um emprego bem chamativo, uma casa arrumada e boas dinâmicas, para algo comum e do meio mais baixo, mudando completamente seu estilo de vida em prol do rapaz e daqueles que conheceu naquele ambiente. Ou seja, algo que é complexo de se pensar, mas que o diretor soube mostrar bem a realidade mundo afora, e não apenas ali.

Quanto das atuações, o longa é praticamente todo de Natalia Oreiro com sua Andrea, de modo que a atriz soube segurar bem a dramaticidade, passar semblantes de raiva e de insegurança para falar sobre o assunto com outras pessoas, bem como também teve algumas dinâmicas de olhares decepcionados com toda a situação, sendo algo chamativo de ver e de acompanhar suas cenas. Amparo Noguera também teve atos bem chamativos com sua 22, não sendo muito explicado o motivo do número dela, mas ainda assim foi uma boa conexão para com a protagonista nos atos dentro e fora da cadeia, mostrando uma atriz simples, porém versátil. Ainda tivemos atos bem colocados e expressivos de Alberto Ammann com seu Alejo cheio de traquejos e sensibilidades para com a protagonista, de modo que já até dava para imaginar o que iria rolar. E por fim tivemos alguns momentos interessantes por parte dos filhos da protagonista, claro tendo o destaque para o jovem Federico Heinrich que teve pouca expressividade, mas ao menos soube segurar as cenas junto da protagonista.

Visualmente o longa ficou entre a casa da protagonista, a da mãe dela, o presídio e também uma festa de aniversário simples, porém bem divertida na casa da 22, além de alguns atos do julgamento do rapaz, tendo poucos elementos simbólicos, mas mostrando bem a separação e vistoria de alimentos e roupas no presídio, e claro como itens de luxo acabam indo para outros presos quando levados pela família. Ou seja, a equipe de arte foi sutil, mas trabalhou bem a realidade do grupo, usando pessoas reais da fila e até alguns momentos dentro do ambiente da prisão para representar bem tudo.

Enfim, é um longa interessante, com um tema bem colocado, que talvez pudesse ser mais imponente se colocado um pouco mais de ficção ao invés de tudo como ocorreu de uma forma simples, mas ainda assim funciona e serve como algo para se refletir que ao fazer algo errado não é só você que acabará preso, e sim todos que estão ao seu redor. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Anaconda

12/27/2025 02:52:00 AM |

Tenho para mim que se você vai fazer uma sátira ou uma comédia completamente zoando algo, faça no nível máximo, pois aí sim exageros serão aceitos, e a escolha que fizeram para o novo "Anaconda", que já era algo forçado e totalmente um clássico do absurdo, foi impecável nesse sentido, pois tudo é icônico, com sacadas bem encaixadas para colocar uma trama de baixíssimo orçamento (no caso o filme dentro do filme, afinal com o tanto de efeitos que tiveram, junto de grandes nomes no elenco, não teria como falar que o longa verdadeiro foi barato!) como algo maluco, com piadas de duplo e triplo sentido, misturando com garimpos ilegais no Brasil, e claro as cobronas gigantescas para aterrorizar o grupo. Ou seja, é daqueles filmes que você não pode levar nada a sério, mas que funciona na tela como comédia de ação, aonde os personagens são tão bizarros quanto as cobras, porém como a proposta era essa loucura mesmo, então é ir para se divertir.

A sinopse nos conta que um grupo de amigos, em plena crise de meia-idade, decide se aventurar em um projeto ambicioso: refazer o filme favorito de sua juventude. Buscando reviver a nostalgia, eles partem para uma floresta tropical. No entanto, o que deveria ser uma experiência divertida rapidamente se transforma em um pesadelo. Além dos desafios naturais do ambiente selvagem, eles se veem cercados por perigos inesperados, incluindo fenômenos climáticos extremos, criminosos violentos e a ameaça mortal de cobras gigantescas. Conforme enfrentam situações cada vez mais caóticas, os amigos percebem que a jornada é muito mais do que apenas um reencontro com o passado — é uma verdadeira luta pela sobrevivência.

Bom já podem entregar o prêmio de diretor/roteirista carisma do século para Tom Gormican, pois no seu segundo filme colocou Nicolas Cage sendo sacaneado por ser Nicolas Cage, e agora fez uma zoeira com o trash mais amado do mundo do final dos anos 90 (que era para ser estrelado por Cage inclusive, mas não bateu agenda, e foi substituído por Jack Black), ou seja, esse sabe dizer que tem um estilo definido e certamente iremos esperar outras coisas bem malucas vindo dele. E não está errado de forma alguma, pois volto a repetir o que coloquei no começo do texto, quando vai para a comédia bizarra e tosca, não pode querer ter coisas certinhas, tem de jogar tudo no ventilador e ir colhendo as loucuras para que faça algum sentido ao menos na composição completa, e aqui ele não brincou em serviço, tendo do começo ao fim muita insanidade, cenas absurdas por completo, e até assustando o público na sala não com algo de terror, mas sim por terem pago por uma sessão legendada e começar o filme falando em português (mas depois vimos que eram os personagens brasileiros da trama, ufa!).

Quanto das atuações, acredito que a substituição de Nicolas Cage por Jack Black foi muito positiva, pois deu um tom mais cômico e mais agitado que a produção pedia, além do estilo mais insano que Black conseguiu imprimir para o seu Doug, de tal forma que nos vemos muito nele como um sonhador, diretor de primeira viagem que acaba brincando bem com toda a loucura e fez fluir com as dinâmicas na tela, do jeitão maluco que conhecemos do ator. Paul Rudd fez seu Griffs ficar tão parecido com Ed Helms que por um leve momento fiquei pensando se ele tinha feito "Se Beber Não Case", mas tirando esse detalhe, o estilo misto entre o amigo galã e o medroso ficou bem colocado na tela, sendo bacana suas dinâmicas. Já tinha ficado meio claro no trailer que Selton Mello não iria muito longe com seu Santiago, mas seus atos foram bem encaixados com bastante presença, o que acabou dando um bom tom para que ficasse chamativo na tela. Agora quem foi bem colocado e divertido mesmo foi Steve Zahn com seu Kenny meio atrapalhado e maluco ao mesmo tempo, brincando com as facetas do roteiro sem se preocupar com nada na tela. Quanto das mulheres, Thandiwe Newton trabalhou sua Claire mais simbólica dentro das ações da trama, enquanto a portuguesa Daniela Melchior fez a brasileira Ana bem colocada, cheia de imposição nas cenas de ação. 

Visualmente o longa teve muitos momentos dentro da floresta e também em um barco simples aonde vão viajando durante a expedição de filmagens, também tivemos algumas cenas em barcos menores e num set de filmagem gigantesco de outra produção, e claro temos de falar das cobronas, primeiramente com Heitor, uma Anaconda menorzinha, simpática até que deu alguns poucos sustos, enquanto do outro lado tivemos a gigantesca depois que perseguiu a equipe de filmagens com dinâmicas bem marcantes e computacionais, afinal não gravaram com nenhuma cobra de verdade, e os atores apenas precisaram imaginar bem para os sustos.

Enfim, é um filme que cumpre o que promete, não sendo uma refilmagem nem uma continuação, mas sim algo com a essência da cobrona e uma pegada cheia de sacadas divertidas, aonde quem for conferir esperando exatamente isso irá gostar bastante, já quem for esperando algo mais próximo do original irá se desapontar e ficar reclamando de tudo. Ou seja, vá tomar alguns sustos leves, ria bastante das maluquices, e preste atenção nas coisas faladas, pois vai dar todo o sentido para o que vai acontecendo no longa e principalmente na cena do meio dos créditos, então fique na sala e confira. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Valor Sentimental (Affeksjonsverdi) (Sentimental Value)

12/26/2025 10:11:00 PM |

Muitas vezes vemos que algumas obras possuem um algo a mais para o diretor do que para o público em si, sendo algo presente mais pela essência do que pelo que é mostrado na tela, é esse "Valor Sentimental" por vezes funciona bem mais em alguns do que em outros, e aqui no longa norueguês diria que vemos um segundo ato potente e emocionante, mas que demorou demais para convencer o público dessa emoção, tanto que na sessão que conferi algumas pessoas foram embora bem antes do ponto de virada, que é justamente aonde o impacto funciona mais. Ou seja, como muitas vezes já falei por aqui, os diretores precisam parar de olhar para o próprio umbigo e ir mais além, principalmente em filmes mais artísticos, pois senão comercialmente fora de festivais acabam virando um porre na tela. Claro que o resultado da trama ainda é um ótimo filme, mas a demora chega a cansar, e isso é perigoso demais quando um filme não é visto nos cinemas, então veremos seu poder nas premiações ao menos.

O longa retrata o relacionamento conturbado entre um pai, suas duas filhas e as feridas complexas que se estendem por décadas no cerne da família. Diante do frágil laço paternal, o carismático Gustav, pai distante de Nora e Agnes e um renomado diretor de cinema, decide que seu próximo longa será o seu filme de retorno aos holofotes. Sabendo o quão pessoal e importante é o projeto, o cineasta oferece à filha Nora, uma estabelecida atriz de teatro, o papel principal da trama. Quando ela recusa a oferta, Gustav entrega a personagem para uma jovem e entusiasmada estrela de Hollywood, Rachel Kemp, quem rapidamente percebe que, sem querer, se envolveu num drama incrivelmente íntimo (fora e dentro das telas). Assim, as irmãs precisam lidar com a relação atravessada e complicada com Gustav, enquanto uma atriz americana se instala no centro dessa complexa dinâmica.

Diria que o estilo do diretor e roteirista Joachim Trier é de filmes mais introspectivos, mas aqui o longa pedia um pouco mais para ser algo incrível realmente que como esse mais pela entrega do que pela essência em si. Ou seja, vemos um filme até tem pegada, tem sentimento, mas acaba não impactando e emocionando como deveria, pois uma abertura mais densa colocaria o público num auge para que a virada derrubasse, mas como amor ou tudo demais, o resultado acaba ficando apenas ok no fechamento.

Quanto das atuações, diria que Renate Reinsve soube passar toda a insegurança expressiva que sua Nora Borg precisava ter, de modo que ficamos observando sua entrega nos atos com qualquer outra pessoa, e suas demonstrações não são apenas de alguém que teve problemas na infância, mas sim de alguém ainda perdida com tudo na vida, e que a atriz soube ser sincera com o que o papel pedia para isso, sendo até cansativa demais com suas dinâmicas. Já Stellan Skarsgård trabalhou seu Gustav Borg como realmente vemos diretores mais velhos, que parecem sempre perdidos com tudo o que fizeram, mas que possuem aquele roteiro feito na medida para alguém que conhece e que com a experiência do ator soube incorporar isso para um papel que dava até para ser mais forte e denso, mas ainda assim entregou com sinceridade e emoção. Ainda tivemos momentos bem colocados de emoção por Inga Ibsdotter Lilleaas com sua Agnes direta no que precisava chamar para si, tendo um fechamento bem marcante e chamativo, e Elle Fanning fazendo de sua Rachel Kemp uma atriz de muito sucesso, mas que sabe o que fazer quando não se encaixa em um papel, e assim sendo o resultado acaba agradando.

Visualmente a trama teve um cerne bem colocado na casa dos protagonistas, mas também passeando pelo teatro da cidade, uma premiação e até entrevistas da produção, sendo algo misto entre lembranças do passado e vivências do momento, aonde a cenografia em si importa mais pelo vão que a garota sempre ouviu as conversas e sabia mais do que executava, mas ainda assim não gastaram muito para que a presença técnica chamasse atenção pela produção ou da fotografia em si.

Enfim, é um trabalho bem envolvente que até chama atenção pelo valor mais sentimental colocado na tela, mas que dava para ir muito mais além, nem parecendo ser algo que está chamando tanta atenção mas premiações, mas por ser algo bem artístico funciona no que se propõe entregar. Então fica a dica, e eu fico por aqui agora, já que vou conferir agora um besteirol, e volto mais tarde para falar dele, deixo meus abraços por enquanto e até breve pessoal.


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Netflix - A Grande Inundação (Daehongsu) (The Great Flood)

12/22/2025 01:12:00 AM |

Quando coloquei na lista de filmes para a Netflix me avisar na estreia o longa sul-coreano, "A Grande Inundação", imaginava que seria apenas algo mais jogado para as nuances de realmente algo apocalíptico de fim do mundo e sobrevivência, mas a situação toda se desenvolveu rápido demais na tela, e aí que começou todas as nuances de algo que ainda vamos ouvir falar muito que são as sínteses de pensamento, das emoções humanas e de como passar isso para as inteligências artificiais para que propaguem novos humanos em caso de algo que destrua o mundo por completo e seja necessário um reset de criação, e nada melhor para usar essa metáfora dentro da informática do que um oceano de ideias, de realmente uma enxurrada ou no caso uma grande inundação para que todos os sentimentos funcionassem para os protagonistas serem ativados como deveriam. Ou seja, num primeiro momento você vai achar tudo bem banal, e até irritante, mas conforme passa a entender tudo melhor e acompanhar as numerações da camisa da protagonista, o resultado e a reflexão vem com tudo e funciona bastante.

O longa acompanha An Na e Hee Jo (Park Hae-soo), que estão tentando sobreviver a uma das maiores tragédias do mundo. Quando uma catastrófica inundação atinge o planeta Terra, eles precisam lutar para tentarem se salvar. Enquanto Ah Na é uma pesquisadora de desenvolvimento de IA, Hee Jo faz parte de uma equipe de segurança de recursos humanos, e de uma forma inexplicável, ele passa a fazer de tudo para salvar a garota. Correndo contra o tempo, eles terão que entender quem está por trás de tudo isso.

O mais interessante da proposta é que o diretor Byung-woo Kim soube entregar algo tão bem amarrado e cheio de facetas, que facilmente não venderia tanto a ideia de um filme sobre inteligências artificiais, programações neurológicas de emoções e outras sínteses mais complexas, mas um filme apocalíptico de inundação o play comeu solto no final de semana da Netflix, de modo que a essência em si funciona bem das duas formas que enxergamos o longa, e o principal, sem ficar cansativo. Ou seja, é daqueles filmes que certamente lembraremos tanto pelo sufoco da inundação, quanto para pensarmos na composição de emoções para uma IA, afinal rir de piadas bobas pode até ser algo fácil de se programar, mas o amar o próximo, tentar salvar alguém antes de você, de criar um filho e tudo mais, isso o longa deixa em patamares subliminares tão interessantes que o resultado vem fácil, ao invés de ser difícil de imaginar, mostrando técnica e conhecimento do diretor e roteirista.

Quanto das atuações, num primeiro momento fiquei estranhando o estilo da protagonista Kim Da-mi com sua An Na, pois parecia muito simples e inexpressiva com todas as situações, mas depois conforme o longa vai se desenvolvendo, voltando diversas vezes, e mudando todas as perspectivas, passamos a entender melhor tudo o que ela entregou e todo seu esforço expressivo, ou seja, foi bem no que a proposta do longa pedia. Já Park Hae-soo, que a maioria conhece por "Round 6", trouxe para seu Hee Jo uma intensidade precisa e até meio explosiva demais, de modo que acompanhar seu ritmo meio bruto acaba sendo estranho por vezes, mas depois que tudo se conecta bem, o resultado acaba funcionando bastante. Já o garotinho Kwon Eun-sung fez um Ja In muito irritante no começo, mas que desenvolvido continua irritando, porém com mais sentido, e não sei se cheguei a torcer por ele, mas de certo modo temos uma boa entrega do personagem.

Visualmente sabemos com toda certeza que o longa é 100% computacional, afinal fazer uma inundação do porte mostrado é algo impossível de ser com maquetes e tudo mais, mas tivemos bons atos em piscinas e escadarias para representar bem os momentos da trama, muitos elementos cênicos boiando e flutuando dentro da água, além de muitos efeitos especiais que até convencem bem na tela, ou seja, mesmo tendo todo um ar "artificial", o resultado causa tensão e é bem representativo com os apartamentos e toda a loucura de uma correria nos corredores.

Enfim, é um longa que chama atenção, que tem pegada, e que consegue causar tensão e também reflexão, afinal pensar no que faríamos numa situação dessa é algo bem complexo, e também pensar em algo que saiba construir nossas emoções em IAs e humanos impressos é bem marcante, então fica a dica para a conferida. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Asa Branca - A Voz da Arena

12/21/2025 02:17:00 AM |

Uma coisa que acho bacana em biografias é não deixarem a trama virar uma homenagem toda bonitinha na tela, sem pontuar as coisas ruins e os perrengues que o protagonista viveu, e uma coisa que anda acontecendo muito nas cinebiografias é que andam escolhendo pedaços de épocas para trabalhar os "homenageados", sem ser algo que mostre a vida inteira deles, e isso em alguns casos acaba sendo bacana, mas em outros fica parecendo que tentaram apagar alguns atos mais fortes. Dito isso, por ter morado e vivido boa parte da minha vida na região aonde o personagem estourou, já sabia de muitas coisas que são mostradas em "Asa Branca - A Voz da Arena" sobre o locutor que reinventou o rodeio nacional com suas narrações imponentes, shows de fogos e coisas bem diferentes em suas chegadas épicas, mas também mostrou bem seu vício em drogas e álcool, bem como também sua paixão antiga que ficou por um tempo apagada. Claro que o longa tem uma pegada mais simples, sem ser uma grandiosa produção ou algo que tente ser imponente pela entrega, porém dava para ter ido mais além, ter trabalhado com outras famosas apresentações do locutor, mostrado mais rodeios em outras cidades conhecidas pelos rodeios, mas talvez não quiseram patrocinar ou entrar no longa, então o resultado fica sendo bacana de ver, mas sem parecer aquela imponência e potência que o esporte virou nos anos 2000.

O longa nos conta que Asa Branca queria ser peão, mas um acidente de montaria pôs fim a esse sonho. Durante a recuperação, o único jeito de se manter próximo à arena era ouvir as locuções do dia do seu acidente e de outras narrações clássicas. De tanto ouvir, Asa começa a brincar de fazer rimas até que tem a sua primeira oportunidade de narrar, ao cobrir a falta de um locutor numa noite de rodeio. A proximidade com a arena e a chance de fazer com que o público sinta a emoção da montaria mudam a vida de Asa, tanto que ele abre mão do amor da sua vida, para seguir carreira como locutor de rodeio. Mas Asa Branca não é um locutor qualquer, ele quer cada vez mais emoção. Para isso, ele precisa enfrentar toda a tradição dos rodeios no início dos anos 90, representada pela figura do empresário Jotapê e toda a influência que ele exerce no interior de São Paulo. Munido pelo desejo de inovar, e cercado por um time implacável com sua DJ, os peões e políticos influentes, Asa se lança numa jornada sem volta em busca da máxima adrenalina nas arenas. Microfone sem fio, rock pesado, fogos de artifício e até a chegada triunfante em um helicóptero são marcas deixadas por Asa nas montarias pelo interior do país. Contra ele, toda a tradição das Festas do Peão. A seu favor, as arenas cheias e a certeza que depois de Asa Branca os rodeios nunca mais seriam os mesmos.

Acho que a Paris Filmes meio que exagerou no tamanho da sinopse e contou quase que o filme inteiro acima, mas como pego deles o texto vida que segue, e falando em seguir, não conhecia o diretor Guga Sander, afinal antes só dirigiu novelas da Rede Record, que é algo que nunca fui muito fã, então aqui em seu primeiro longa de ficção posso dizer que ele trabalhou de forma redondinha, só que não quis ousar muito, fazendo algo mais básico, com nuances mais fechadas e dinâmicas mais contidas, que claro dentro do roteiro funcionaram bem para mostrar alguns conflitos do locutor, com bons ângulos de câmera e com tudo bem centrado no personagem principal para felizmente não recair para algo novelesco demais. Ou seja, é o famoso básico bem feito que não força a barra, aonde o protagonista esteve bem solto e chamou para si os momentos escolhidos para serem representados, não sendo nada imponente demais, mas também sem falhar na tela.

Quanto das atuações, diria que Felipe Simas se jogou por completo no personagem, parecendo realmente entender de locuções de rodeio, de impor a voz ao máximo e criar as devidas dinâmicas na tela para que tudo fosse bem encaixado e interessante de ver, de modo que visualmente não ficou muito parecido com o verdadeiro Asa Branca, mas no quesito desenvoltura foi bem demais, convencendo como o personagem. Agora um personagem que nunca tinha ouvido falar, mas que foi bem bacana na tela foi a Jibóia de Camila Brandão, de modo que foi convincente na sua entrega como uma DJ e amiga do protagonista, ajudando ele na concepção de seu show e entregando algo até meio que fora do caminho para a época que o longa se passa, mas para o filme funcionou bastante e foi um elo divertido de acompanhar. Olhando a foto que Ravel Andrade usa nos sites de cinema, posso afirmar que ele era para ser o Asa Branca, pois sua semelhança de rosto é muito mais parecida que a de Simas, mas acabou ficando como o peão Miltinho que até teve bons atos, mas é um personagem bem secundário na tela. Outros dois personagens foram bem importantes na tela, Jotapê vivido por Fábio Lago, com uma desenvoltura bem de empresário/patrão de comitiva e Carlos Francisco com seu Wandão bem trabalhado na política, emprestando e patrocinando o locutor em diversos momentos, sendo quase um pai para ele nas empreitadas, e agradando na forma de entrega na tela, já Lara Tremouroux fez uma Sandra meio que apagada demais, não chamando tanta atenção quanto deveria.

Visualmente esperava que o longa mostrasse mais rodeios de outras cidades, porém focou bem mais em Fernandópolis e Turiúba, além de mostrar algumas fazendas da região e a casa da namorada, e uma loja de componentes eletrônicos, mas como não foi um filme de grande orçamento até que foram bem representativos na entrega. Ou seja, a equipe de arte conseguiu representar alguns momentos de forma interessante como a chegada de caminhonete, de helicóptero, e algumas festas de peão das antigas, quando não tinham tantos shows, e assim o resultado funciona no que foi proposto ao menos, sem claro ir muito além.

Enfim, foi um filme bacana de acompanhar, que teve momentos bem colocados na tela e que mesmo não aprofundando tanto na vida do locutor conseguiu ser representativo aonde a proposta desejava, e sendo assim funcionou ao menos, valendo a recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Empregada (The Housemaid)

12/20/2025 02:33:00 AM |

Quer me deixar feliz com um filme no cinema? Meta várias reviravoltas que eu não imagine acontecendo, do ponto que você acha uma coisa, logo depois já está em outro rumo, e para finalizar não era nada do que imaginava no começo. Ou seja, saí muito feliz com o que vi acontecendo no longa "A Empregada", que para quem assim como eu nem sabia da existência do livro vai se surpreender bastante com a história entregue aonde tudo acontece, mas que sendo um grandioso sucesso literário, os fãs não estão ficando tão contentes com as várias mudanças que ocorrem, e assim sendo a polêmica está lançada, e como sou um amante de filmes independerem de seus livros, só digo que funcionou bastante na telona, e fiquei ainda mais feliz com uma pré-estreia bem cheia, pois originalmente a data de lançamento é só dia 01/01/26!!

O filme conta a história de Millie Calloway uma jovem com um passado turbulento que busca um recomeço, então se candidata para trabalhar como empregada doméstica. Ela é contratada por Nina e Andrew Winchester, um casal milionário e perigoso, mas o trabalho se mostra muito mais difícil e sofrido do que imaginava. Nina suja todos os cômodos da mansão só para vê-la limpar, manda que ela leve e busque a filha do casal em todos os lugares e conta mentiras sobre a menina e tortura o marido com chantagem psicológica, mas Millie aceita tudo de cabeça baixa por empatia com Andrew e porque acredita que não conseguirá oportunidades melhores por causa de seu histórico problemático. No entanto, com o tempo ela descobre que os segredos da família Winchester conseguem ser bem mais sombrios e perigosos do que os seus.

O que acho bem engraçado é que o diretor Paul Feig sempre teve um tino mais puxado pro lado cômico, e aqui ao trabalhar bem o drama/suspense da escritora Freida McFadden ele precisou mudar bastante, mas ainda deixou algumas pontas cômicas que fizeram o público rir durante a sessão, e que soube criar as dinâmicas de uma maneira interessante para que o filme fluísse bem na tela, sendo algo intenso, cheio de boas reviravoltas, e que principalmente tivesse uma pegada marcante, aonde vamos nos envolvendo com os vários personagens, criando boas teorias enquanto vemos (o princípio de todo bom suspense) e que a cada derrubada dessas nossas ideias fôssemos pegos com algo ainda mais marcante. Ou seja, o diretor foi muito bem no que fez, e mesmo ouvindo depois de uma leitora do livro sobre as diferenças, aqui as ideias foram bem colocadas para não precisar explicar tanta coisa e alongar a trama que tem a duração perfeita para não cansar, e ainda assim ser mais "vendável" na tela, então diria que o resultado foi bem feito.

Quanto das atuações, posso dizer que o trio protagonista entregou muito na tela, sendo marcantes e chamativos para que cada ato fosse primoroso para a história. E vou começar com Sydney Sweeney que vem cada dia crescendo mais em seus papeis, e aqui sua Millie começa simples demais, vai se acostumando com o ambiente e depois quando sofre as várias consequências trabalha uma personalidade ainda mais forte e chamativa, acertando bem no que fez, fora que está bem bonita e chamativa para uma empregada, mas era essa a proposta do longa. Amanda Seyfried é daquelas atrizes que vez ou outra desaparece, mas que sabe entregar personalidade em todos os papeis que faz, sejam ruins ou bem bons como é o caso aqui de sua Nina, que literalmente parece tão surtada que acaba impactando logo no começo e só vai crescendo, sendo muito marcante como a personagem precisava ser. O mais interessante de tudo foi a reviravolta para cima do personagem Andrew que Brandon Sklenar fez, pois trabalhou todo um lado galanteador e depois mudou bem para o lado mais violento e chamativo, sendo intenso e cheio de nuances do começo ao fim, agradando com uma personalidade bem pronta para o que o longa precisava. Quanto aos demais, a maioria foi apenas enfeite cênico com Michele Morrone fazendo um jardineiro bem secundário, Elizabeth Perkins fazendo a mãe do protagonista, e assim sobrando para Indiana Elle tentar chamar um pouco mais de atenção com sua Cece bem parecida com a mãe.

Visualmente a trama encontrou uma mansão belíssima para os personagens viverem suas tramas, com o sótão tendo apenas um quartinho minúsculo da empregada, que depois é mais explicado o motivo claustrofóbico para ele, tivemos bons atos na cozinha e no cinema da casa, e alguns momentos chamativos também em alguns restaurantes e quartos de hotel, tendo toda uma composição misteriosa funcionando e cheia de detalhes nos elementos cênicos de cada ato na tela, desde garrafinhas de água até pratos de cerâmica luxuosos. 

Enfim, é uma trama que me surpreendeu bastante, tendo um resultado funcional incrível que acaba tendo bastante pegada e que quem não leu o livro irá gostar demais, já quem leu ficará talvez esperando um algo a mais ou reclamar das mudanças, mas ainda assim acaba funcionando bastante para todos, sendo um bom exemplar de mistério, valendo a recomendação. E é isso meus amigos, o longa está em pré-estreia nos cinemas com poucas sessões, mas a partir do dia 01/01 virá com tudo, então aproveitem para curtir, e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais boas tramas, então abraços e até logo mais.


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Avatar - Fogo e Cinzas em Imax 3D (Avatar: Fire and Ash)

12/19/2025 01:05:00 AM |

Já vamos ao cinema esperando o máximo que James Cameron pode nos entregar, pois não tem outra forma de ir conferir "Avatar - Fogo e Cinzas" com toda a tecnologia que o diretor já vem fazendo há anos, e que cada vez transforma a computação gráfica em algo tão realista que impressiona do começo ao fim, tendo imersão de campo com uma profundidade perfeita, água saindo da tela, personagens se movendo entre computadores, fora as cenas épicas de batalha, em um filme que funciona demais visualmente. Porém, o diretor esqueceu a tesoura na gaveta da casa dele e não a levou para o estúdio, pois a trama de 195 minutos ficaria incrível e funcionaria perfeitamente com 120 minutos no máximo, tendo sobras fáceis para se cortar sem perder essência alguma na tela. Claro que voltamos ao começo do texto que a trama é linda demais e cortar coisas lindas é algo que nenhum diretor e muito menos o editor quer, mas já estamos no terceiro dos 5 filmes que ele pretende lançar sobre os personagens, e se ele não podar a árvore, daqui a pouco ficará algo mais cansativo do que emocionante, ainda que nossos olhos não parem de brilhar um segundo durante toda a exibição.

A trama mergulha no coração do bioma volumoso e biodiverso da região vulcânica de Pandora, onde a sobrevivência depende do fogo. Após a devastadora guerra contra a RDA e a perda do seu filho mais velho, Jake Sully e Neytiri devem enfrentar uma nova ameaça: o Povo das Cinzas, uma nova e agressiva tribo Na’vi, conhecida por sua violência extrema e sede de poder, liderada pelo implacável Varang. O misterioso clã é composto por guerreiros que controlam o fogo e cuja lealdade pode desequilibrar o destino do planeta. Diante de novos esforços humanos de colonização e do recente inimigo, a família de Jake deve lutar por sua sobrevivência e pelo futuro de Pandora, caso queiram as suas vidas normais novamente. Tudo isso vai levar eles aos seus limites emocionais e físicos.

Sabemos bem que o diretor e roteirista James Cameron é megalomaníaco, então projetos pequenos nem chegam perto dele, e desde que começou a franquia "Avatar" lá em 2009 conseguiu construir algo que sequer imaginávamos que o cinema seria capaz de entregar, pois já temos computação gráfica há anos, mas ser algo tão real era fora do comum de se esperar, de tal forma que aqui seu projeto praticamente é uma continuidade do segundo longa, trabalhando ainda mais com o povo da água, e usando bem o povo das cinzas, ou melhor, mostrando eles, pois praticamente a terra isolada e destruída que tanto falaram apareceu por pouquíssimos minutos na tela, ou seja, venderam algo e entregaram outra coisa, masa essência da guerra ainda persiste bem na trama, e vemos algo ainda mais esperado desde os primeiros filmes, que seria a famosa ajuda da deusa Eiwa, e dar mais sentido para os personagens secundários, tanto que o longa quase nos faz esquecer dos protagonistas, o que é um risco bem grande. Ou seja, Cameron voltou grandioso e disse que talvez a saga pudesse acabar aqui caso não desse bilheteria, o que duvido de ambas as situações, pois o filme vai se vender bem, e segundo que muitas cenas dos outros filmes já estão prontas, então não iria simplesmente jogar dinheiro no lixo, mesmo tendo muito dinheiro no bolso.

Como falei acima o bacana desse novo filme no quesito da atuação foi dar mais voz para os personagens secundários, de modo que ainda temos boas cenas de Sam Worthington com seu Jake, Zoe Saldaña com sua Neytiri e Stephen Lang com seu Quaritch, todos lutando bastante, tendo atos imponentes e chamativos, e dando muita conexão para todas as devidas dinâmicas como protagonistas, mas isso já falamos nos dois filmes anteriores, e aqui foi a vez de Sigourney Weaver brilhar com sua Kiri, descobrindo realmente aonde seus poderes vão, e o que ela é realmente, tivemos o jovem Jack Champion se jogando por completo com seu Spider, sendo bem imponente e chamativo pulando para todos os lados, e claro o jovem Britain Dalton com seu Lo'ak ainda inconformado com a morte do irmão por "sua" culpa, mas trabalhando bem nas dinâmicas do novo longa, porém a grande entrega ficou a cargo de Oona Chaplin com sua Varang completamente maluca e insana, cheia de personalidade e botando tudo para quebrar do começo ao fim do filme, fazendo seus rituais, e com uma expressividade imponente num nível máximo que chamou atenção demais. Claro que é o tipo de filme que como todos trabalharam captura de movimentos e expressões nem vemos realmente os atores "atuando" na tela, mas ainda assim os traquejos funcionam e chamam bastante a atenção, principalmente pela técnica em si.

Visualmente volto a bater na tecla que o longa é lindíssimo, sensorial, com cores, ambiente e personagens tão bem encaixados na tela que você praticamente voa junto, nada nos mares, sente as ondas espirrando e se encanta com todos os elementos cênicos colocados, até mesmo entrando nas batalhas e lutas, ao ponto de quase sentir toda a essência que a trama propõe, tanto que como falei no início, não considero tanto o longa como apenas um filme, mas sim uma experiência aonde você vai praticamente viver em Pandora, e claro que isso se deve a imersão da tecnologia 3D, com muitos elementos saindo para fora, mas principalmente dando a perspectiva de profundidade que na sala Imax ainda consegue nos deixar ainda mais imersos, ou seja, tudo é lindo demais, e vale pagar mais caro para ver com toda a tecnologia possível numa sala gigante, pois em casa ver o filme vai ser nada demais.

Enfim, é um filmaço incrível de acompanhar, que funciona demais na tela, mas que é um exagero ter 195 minutos de projeção, pois vai cansar a maioria, vai incomodar quem não é acostumado a ficar tanto tempo sentado vendo algo, mas que fazer o que, é a vida cinematográfica, e como disse acima não vai compensar ver em casa por partes, pois é a experiência que faz o longa ser belíssimo e envolvente, então se esforce e vá conferir. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Perfeitos Desconhecidos

12/18/2025 12:29:00 AM |

É engraçado pensar que a história em si de "Perfeitos Desconhecidos" não tem nada de surpreendente para já ter sido tão adaptada em diversos países, pois é algo básico de conflitos em cima daquelas mensagens escondidas, ou melhor omitidas pela maioria das pessoas, e coincidentemente uma das primeiras adaptações da história foi o primeiro filme que vi na Netflix na casa de um parente, e nem texto cheguei a escrever dele, mas na época também nem ri tanto (acho que era a versão espanhola da história), e eis que agora chegou aos cinemas a versão brasileira, que quando vi o trailer achei que seria apenas o tradicional "copia, mas não faz igual" que tanto estamos acostumados com os diversos memes e criações, porém felizmente o texto foi bem reinventado, com situações mais casuais dos grupos de amigos brasileiros, e olha que o resultado do churrascão aqui virou quase um velório, com algo tão cheio de dinâmicas e situações que não tem como não rir e pensar como reagiria, mas que ao menos funcionou para me divertir hoje, e assim valeu a conferida.

A trama conta sobre Carla e Gabriel, um casal que decidem fazer um simples churrasco para receber os amigos como uma inauguração de casa nova. No entanto, o que era para ser um encontro casual e sem grandes emoções, serve como palco para mudar a vida toda do casal quando a filha deles, Alice, uma adolescente cheia de opinião e influencer das redes sociais, confronta sua mãe. O motivo do embate é causado pelo falo de Carla querer se intrometer na vida da filha e espionar o seu celular. Revoltada com a situação e tentando provar para sua mãe que ela não faz nada de errado, Alice sugere que todos joguem um jogo onde o celular dos participantes devem ficar na mesa e todos precisam ler em voz alta cada mensagem que for chegando. Dessa forma o caos na família foi instaurado, pouco a pouco os segredos vão sendo revelados e todos ali na casa acabam se expondo mais do que gostariam.

Quem me acompanha sabe que geralmente vou de voadora em diretores estreantes, por exagerarem demais, ou até se perderem com o famoso "encher linguiça", mas aqui tenho de parabenizar a estreia de Júlia Pacheco Jordão em longas, pois ela soube pegar o tema do longa italiano de Paolo Genovese que já teve adaptações em todas as línguas, e colocar as situações que andam rondando nas mesas de amigos no Brasil (que claro não vou enumerar aqui para não dar spoilers), e mesmo tendo uma ou outra derrapada nas situações, o resultado da trama mostra uma direção consistente, dinâmica e que diverte, o que para uma comédia é o básico, mas que foi bem feito. Ou seja, é o famoso simples bem feitinho que funciona, e principalmente refaz de forma diferente o pensar que problemas traria se alguém lesse suas mensagens durante um bom churrasco.

Quanto das atuações, diria que cada um entregou um pouco para que o filme fosse numa crescente do caos todo, aonde vemos Danton Mello com seu Gabriel, um médico todo certinho, mas que tem alguns problemas grandes para entregar para os amigos, e seu jeito calmo e sem grandes explosões acabou dando um bom tom como anfitrião, sendo simples, mas bem feito na tela. Já Sheron Menezzes fez com que sua Carla, uma terapeuta, fosse bem mais explosiva do que a maioria da profissão, tendo alguns TOCs com seus móveis, farelos e tudo mais, e além disso a personagem tinha alguns segredos meio que grandiosos que foram explodindo juntamente com o semblante da atriz se fechando, o que foi bem divertido de ver. Fabrício Boliveira foi bem sacado com seu João, tendo uma entrega bacana sem grandes explosões, mas com diversos segredos que vão aparecer no final. Tivemos Giselle Itié com sua Luciana bem solta, mas virando uma fera no fechamento, fazendo par com Débora Lamm que deu para sua Paula um estilo mais fechado, mas com algumas boas nuances expressivas. E ainda tivemos Madu Almeida com sua Alice completamente desenvolta como toda boa influencer, mas bem estourada em diversos momentos. E para finalizar tivemos Luigi Montez com seu Renato completamente fora do eixo, afinal ir vestido de cosplayer para um primeiro almoço na casa dos sogros é loucura total.

Visualmente o longa é todo numa mansão bem bacana, mais precisamente na área de churrasco da casa, saindo dali apenas para algumas cenas no banheiro e no quarto da garota, focando a piscina por vezes e a mesa com os vários celulares, tendo toda a dinâmica bem em cima dos diálogos e das situações que vão ocorrendo, então a equipe de arte só precisou mesmo locar uma boa casa e deixar que tudo fluísse.

Enfim, não é um filme perfeito, mas me fez rir bastante com vários atos, então cumpriu com o dever de toda boa comédia, e assim sendo vale a recomendação para quem gosta do estilo talvez se espelhar com o que aconteceria. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Nouvelle Vague

12/16/2025 11:20:00 PM |

É engraçado o famoso cinema de autor, aonde conhecemos bem mais um filme pelas técnicas e estilo do diretor do que pela história, pelos atores ou tudo mais que ocorre ao redor da trama, de modo que tem quem ame determinado diretor, enquanto outros odeiam ao ponto de nem querer ver algo dele, e isso ocorre desde que o cinema é cinema. E o mais bacana aqui de analisar é que tanto Jean-Luc Godard quanto Richard Linklater sempre fizeram filmes dessa forma, ao ponto que particularmente não sou fã de nenhum dos filmes de Linklater (ou melhor não era fã), e do Godard diria que aprendi a gostar com poucos filmes, mas tenho que dizer que ambos foram inovadores de estilo e revolucionaram suas épocas. Ou seja, não podia ser outro diretor senão Linklater para mostrar como foi a produção insana do primeiro longa-metragem de Godard, ao ponto que "Nouvelle Vague" trabalha bem como foram as dinâmicas das gravações, mostra vários nomes conhecidos da época, e ousa brincar com as facetas caóticas das produções e festivais da época, sendo simbólico e bacana para quem nunca viu um filme de ambos os diretores conhecer esse mundo, e para os amantes da sétima arte e estudantes de cinema acaba sendo algo obrigatório para ver como era a produção nessa época, e claro todas as loucuras do estilo que ficou muito conhecido.

O longa acompanha os bastidores das filmagens de uma das obras-primas do movimento cinematográfico francês. A trama pretende reconstruir a história da vanguarda do cinema francês a partir da produção de Acossado, filme de 1959 do renomado diretor Jean-Luc Godard. De crítico a diretor, Godard se tornou uma grande figura da sétima arte com seu jeito irreverente e desinteressado em regras. Essa é história de como um clássico foi construído, contando os passos para a formação de um movimento revolucionário na sétima arte. Capturando a dinâmica juvenil e o caos criativo no coração da produção de um dos filmes mais influentes e amados do cinema mundial, Nouvelle Vague se transporta para as ruas de Paris de 1959 numa carta de amor ao poder transformador do cinema.

O estilo do diretor Richard Linklater sempre foi muito quebrado, de modo que muitos dos seus filmes você precisa estar com muita paciência e disposição para longos planos, por vezes cansativos, mas que sempre foram completamente diferenciados em estética e técnica, de tal forma que vários de seus filmes já foram gravados por anos para aproveitar o mesmo elenco, iluminação de determinada data e por aí vai, então ver algo em preto e branco, linear e dinâmico sem ter um plano arrastado foi algo completamente novo de acompanhar, e acredito que por isso me fez ser uma paixão a primeira vista. E o mais bacana, que mesmo sendo algo "padrão", ele deu um jeito de ser ousado, tendo antes de cada cena que aparecia mais pessoas, apresentar elas com nome embaixo e tipo pose de "jogador", que logo em seguida já era desenvolvido o ato, só criticaria que poderia ter sido ainda mais "informativo" se colocasse a função que a pessoa trabalhava na época, pois muitos podem não entender dos bastidores do cinema, mas o mais bacana de tudo é que isso não atrapalhou a dinâmica na tela, ou seja, o diretor conseguiu brincar com uma faceta diferenciada e ainda assim não incomodar o público, sendo algo com sua "nova" assinatura.

Quanto das atuações vou me ater aos protagonistas, pois falar de todos que aparecem no filme seria quase como fazer um livro sobre o período, e isso o filme já faz, então claro que temos de aplaudir a entrega séria e até irritante de estar sempre com óculos escuros que Guillaume Marbeck fez com seu Jean-Luc Godard, incisivo nas escolhas e cheio de personalidade, sabendo exatamente se portar na tela e representar muito bem o diretor. Zoey Deutch foi bem marcante também com o que fez com sua Jean Seberg, sabendo ser a estrela do filme, mas completamente perdida com as loucuras que o diretor desejava entregar, sendo simples e cheia de charme na tela. Outro que fez um belo trabalho foi Aubry Dullin com seu Jean-Paul Belmondo que depois despontou com vários clássicos, e o ator soube ser cru na tela como o diretor desejava, chamando o filme para si sem ofuscar o verdadeiro protagonista na tela, e agradando demais. Agora se Matthieu Penchinat sofreu aos montes como o diretor de fotografia Raoul Coutard, fiquei imaginando o verdadeiro Raoul, pois trabalhar com alguém maluco como foi Godard deve ter sido o caos, e o resultado sabemos que foi ótimo, e o ator trabalhou muito bem com todas as dinâmicas que precisava fazer. Vale ainda leves destaques para Adrien Rouyard como François Truffaut e Bruno Dreyfürst como Georges de Beauregard, ou Beau-Beau como muitos chamavam o produtor famoso por muitos filmes da época.

Sei que muitos vão me xingar, mas pessoalmente sou contra filmes em preto e branco, pois justamente no quesito visual acaba perdendo por demais, não mostrando quase nada dos ambientes, das roupas, e tudo mais, ficando até bonito de ver, mas não valorizando a direção de arte, de modo que aqui vemos muitas cenas gravadas nas ruas, em bares, vemos muitas exibições em cinemas, festas, vemos as traquitanas que a direção de fotografia na época usava para filmar, diversos papeis aonde o roteiro ia sendo criado e muito mais, mostrando claro uma boa pesquisa cênica de material e claro dos livros que muitos escreveram sobre.

Enfim, é um filme muito bacana de acompanhar, que mesmo estando bem cansado hoje não me deixou com sono em momento algum, e que é cinema falando de cinema, então vale demais a conferida e o resultado entregue vai reverberar ainda muitos anos pela frente. Então fica a dica para todos conferirem nos cinemas a partir já da próxima quinta 18/12, e eu fico por aqui hoje deixando meus abraços e volto amanhã com mais dicas.


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