Netflix - O Falsário (Il Falsario) (The Big Fake)

1/25/2026 10:21:00 PM |

Janeiro é um mês que aparecem poucos bons filmes, a maioria sendo do ano anterior que apenas chegaram por aqui agora, mas essa semana até que a dona Netflix trouxe bons lançamentos para brincarmos na frente da TV, principalmente comprando biografias diferentes e marcantes. E o longa italiano "O Falsário" traz essa pegada que talvez até já tenhamos visto algum outro longa sobre o mesmo personagem, afinal tiveram várias versões de sua morte e vida, e nessa acredito que souberam brincar bem com toda a essência, dos conflitos políticos bem colocados, afinal sabemos que jogar dos dois lados é um risco que nem espiões sabem fazer bem, quanto mais um mero pintor do interior. Ou seja, é um filme com uma proposta bem interessante, que funciona na tela com toda a entrega dos personagens, que chega a causar tensão, e que escolheram um fechamento bem intenso que seria bem comum da época, sendo algo que vale a conferida da representação bem feita sobre um homem simples, que a ganância só foi crescendo com os "amigos" errados.

O longa acompanha o jovem pintor Toni Chichiarelli (Pietro Castellitto), que resolve ir para a capital da Itália exercer a sua carreira artística. No entanto, ele logo percebe como o submundo parecia ser ainda mais atraente, por essa razão ele passa a fazer parte de uma gangue que replicava obras de arte com perfeição absoluta. Assim, se tornando um grande mestre da falsificação, a década de 70 italiana ficou marcada pela sua presença e enganação.

O diretor e roteirista Stefano Lodovichi foi bem coerente nas escolhas para que seu filme tivesse uma boa dinâmica e também entregasse personalidade, pois geralmente biografias costumam focar tanto nos protagonistas que a história ao redor acaba perdida, e aqui em momento algum ficamos fora do mundo complexo dos anos 70/80 na Itália, aonde fascistas e comunistas brigavam pelo rumo do poder, e usando de simples falsificações conseguiam explodir o medo na população. Ou seja, ele pegou uma bela história escrita por Sandro Petraglia e brincou com todas as facetas possíveis, desenvolvendo uma trama que fluísse bem e impactasse sem que fosse pesada, afinal já vimos muitos filmes de máfia e de conflitos políticos, mas não um aonde um artista fosse o protagonista, e com isso o resultado ficou gostoso de acompanhar do começo ao fim, torcendo claro para que o melhor acontecesse.

Quanto das atuações, realmente estou bem surpreso, pois acreditava que o protagonista Toni fosse interpretado por outro ator que já vi em muitos longas italianos, mas a maquiagem praticamente escondeu Pietro Castellitto no papel, e o ator mostrou o quão potente e cheio de facetas ele é, sabendo brincar com as dinâmicas do papel, trabalhando as essências na tela, e conseguindo com que o resultado chamasse atenção em todas as suas entregas, só diria que talvez ele poderia ter mudado um pouco suas interpretações conforme fosse mudando sua riqueza, mas atrapalharia talvez a essência do longa. Giulia Michelini trabalhou sua Donata com bons momentos envolventes, mas pareceu um pouco artificial demais para com o protagonista, parecendo um relacionamento meio jogado e falso. Edoardo Pesce trabalhou seu Balbo com muita imposição, meio quase como um chefão do crime, mas sabendo passar bem um lado mais informal na tela. Andrea Arcangeli fez de seu Don Vittorio algo muito chamativo como padre, de modo que ele nos convenceu fácil demais de sua personalidade ali. Também tivemos alguns atos espaçados de Pierluigi Gigante com seu Fabione, mas soube passar a intensidade na tela. Ainda tivemos Claudio Santamaria como o Alfaiate e Fabrizio Ferracane como Zù Pippo bem colocados na tela, mas sem serem imponentes fora de suas personificações.

Visualmente a trama teve uma pegada bem dos anos 70/80, com roupas coloridas para o protagonista se vestindo bem mal como o Alfaiate fala para ele, tivemos alguns ateliês interessantes aonde o jovem reproduzia grandes obras, além de alguns roubos e boates, além de restaurantes e as casas mais chamativas, sendo uma obra de época simples, porém bem funcional na tela.

Enfim, é um filme bem bacana que funcionou bastante, mostrou bem a personalidade do protagonista retratado na tela, e que agrada ao mostrar que quando o crime começa a compensar, é melhor sair dele, pois a bomba pode vir em tamanho gigante, e assim sendo essa foi uma das possíveis versões que existiu desse falsificador tão famoso de Roma na época, valendo o play para conhecer sua história. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais. 


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Terror em Silent Hill - Regresso Para o Inferno (Return to Silent Hill)

1/25/2026 02:44:00 AM |

Costumo dizer que adaptar jogos de videogame para as telonas é um risco gigantesco, pois os fãs são criteriosos num ponto que até se tudo estiver bem direitinho na tela irão reclamar, mas como joguei muito pouco e há um bom tempo, não posso dizer que lembro de tanta coisa para reclamar do que vi hoje, então vou falar mais como cinema mesmo, pois o novo "Terror em Silent Hill - Regresso Para o Inferno" tinha tudo para ser chamativo e funcionar bem na tela, pois tem pegada, tem personagens interessantes, e tem alguns bons desfechos na tela, mas é tão bagunçado, que muitos que não conhecem o jogo talvez saiam da sessão pensando se entenderam algo do que foi mostrado, pois por momentos pensamos ser apenas coisas da mente do protagonista, em outros achamos que está rolando mesmo tudo ali, de modo que a essência em si rola bem, dá alguns sustos repentinos e embora bem confuso funciona como uma entrega interessante. Porém quando tudo parecia ter um final interessante e funcional para toda a ideia entregue, resolveram colocar uma reviravolta tão fora da casinha que nada mais fez sentido, ou seja, bagunçou ainda mais tudo, o que acabou desapontando um pouco.

O longa acompanha a terrível estadia de James (Jeremy Irvine) numa cidade aterrorizante. Quando ele recebe uma carta misteriosa de seu amor perdido após ter se separado dela, James é intimado a voltar para uma cidade esquisita chamada Silent Hill. Na carta, está a promessa de que irá encontrar sua preciosa alma gêmea novamente. No entanto, com o passar dos dias nessa comunidade antes reconhecível, eventos bizarros causados por uma força malévola desconhecida começam a acontecer. Conforme ele se aprofunda na cidade, James vai dando de cara com figuras sombrias, familiares e monstruosas. Sem entender o que está acontecendo e que força é essa que tem tanta influência na cidade, o rapaz começa a questionar a sua sanidade mental enquanto desvenda uma verdade apavorante com a esperança de permanecer forte o suficiente para resgatar a sua amada.

Como já vi outro longa do diretor e roteirista Christophe Gans, posso dizer que ele tem uma pegada dupla bem interessante de desenvolver o lado fantasioso com um estilo mais sombrio, de modo que aqui ele pode brincar ainda mais com a computação gráfica, e soube criar um clima tenso interessante, porém sua ideia original ficou muito bagunçada na tela, ao ponto que a confusão toda parece ser fluida, mas logo em seguida se perde, precisando de muitos flashbacks, muitas memórias, ao ponto que se ele confirmasse em algum momento que tudo faz parte de um lapso da memória do protagonista até seria aceitável, mas como isso ficou muito jogado na tela, o resultado agrada bem pouco, principalmente quem não conhece a franquia de jogos. Mas o principal detalhe do diretor, é que ele também fez o longa de 2006, então já sabia como desenvolver e melhorar, sendo bacana o resultado nesse sentido na tela.

Quanto das atuações, a base da trama fica a cargo de Jeremy Irvine com seu James, tendo alguns trejeitos bem colocados, dinâmicas bem resolvidas, mas por vezes parecendo meio perdido em cena, o que pode ser motivo da famosa atuação sem grandes referências no ambiente, mas ao menos teve  uma presença cênica bem chamativa para segurar o filme. Das garotas, tivemos Hannah Emily Anderson bem cheia de charme com sua Mary, passando um simbolismo maior para com o protagonista, mas não fluindo tanto nas cenas que necessitava, deixando um mistério maior do que algo funcional para a trama; também tivemos Evie Templeton bem colocada com sua Laura quase como um fantasma misterioso, mas ao menos causando nas suas cenas; e também tivemos Eve Macklin com sua Angela bem estranha, com um ar cheio de simbolismo, mas não indo tão além quanto poderia.

Visualmente o longa ficou bem interessante, tendo vários personagens característicos do jogo, como as enfermeiras ou bichos brancos estranhos sem braços que soltam um tipo de ácido, várias formas menores disso que parecem aranhas, e claro o monstro com a cabeça de pirâmide, tendo ambientes escuros e um visual com tons avermelhados bem marcantes, mudando bem os momentos na tela, além de alguns atos mais bonitos nos flashbacks dos protagonistas, além de alguns cultos estranhos, ou seja, a equipe de arte procurou ser bem fiel ao jogo, e o resultado ao menos nesse sentido não ficou falho.

Enfim, mais uma vez tentaram ser fieis ao videogame e se perderam na concepção para a telona, fazendo com que não agradasse nenhum dos dois lados, virando uma confusão tremenda, e o resultado sendo apenas interessante, mas felizmente está levando um bom público de fãs para as sessões, então pode ser que eles gostem mais do que eu. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos e dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Cativo (El Cautivo) (The Captive)

1/24/2026 02:56:00 AM |

Precisei dar uma pesquisada boa antes de vir escrever sobre o filme da Netflix, "O Cativo", pois não conhecia absolutamente nada sobre Miguel de Cervantes sem ser claro seu livro "Dom Quixote De La Mancha" que teve sabe-se lá quantas mil versões, mas efetivamente a história do autor não me lembrava de ter visto algum filme ou lido algo sobre, e claro que sem muitos dos detalhes colocados na trama, foram bem fiéis no desenvolvimento da vida do autor, ou seja, souberam brincar bem com as essências e trabalhar para que o longa tivesse algo a mais na tela. E mais do que isso, conseguiram criar um épico marcante, afinal o cinema espanhol é bem mais contido em gastos, mas aqui tudo é grandioso, com ambientes cheios de figurantes, com muitos figurinos, um requinte no ambiente dos mais ricos e toda uma concepção artística para as cenas nas ruas para mostrar um mundo bem diferente do que eles achavam que era a vida dos otomanos. Ou seja, é um filme que tem pegada, tem uma produção incrível e que a história convence e envolve, sendo bem interessante para conhecer mais sobre o escritor tão conhecido pela obra e pouco por quem foi.

O longa nos situa no ano de 1575 quando o jovem Miguel de Cervantes é ferido numa batalha naval e capturado como prisioneiro por forças argelinas em seu retorno para a Espanha. Sem saber que seu destino é a morte em território argelino, Cervantes encontra refúgio na arte da ficção e da contação de histórias. Esperando que seu resgate seja pago, as incríveis e fascinantes narrativas do artista estabelecem a esperança dos companheiros de prisão e, eventualmente, atraem a atenção do misterioso e temido Hassam. Em meio aos conflitos que florescem entre seus desesperados parceiros de cela, Cervantes passa a orquestrar um plano ambicioso e arriscado de fuga.

Não conhecia os trabalhos do diretor e roteirista Alejandro Amenábar, mas posso dizer que ele tem presença, sabe desenvolver bem as dinâmicas para que seu filme não ficasse arrastado, porém esqueceu a tesoura em casa, pois dava para cortar facilmente uns 20 a 30 minutos da trama para que ela ficasse mais explosiva e menos "novelesca", pois não precisaria desenvolver outros personagens e nem fantasiar tanto, pois logo na primeira contação de histórias para os seus parceiros de cela, e depois para o paxá, fica claro mais da metade de tudo, e ao ficar repetindo acaba enrolando mais do que envolvendo, o que é um perigo, que por sorte não ficou cansativo, mas dava para ser mais intenso e marcante na tela com poucos ajustes.

Quanto das atuações, Julio Peña foi bem seguro na personalidade de Miguel de Cervantes, fazendo um homem que deseja ir além, tinha seu dom para contar histórias, e que se jogou nas dinâmicas mais densas com cada tipo de personagem ao seu redor, sendo marcante e expressivo para chamar atenção e não ficar forçado na tela. E falando em forçado, Alessandro Borghi acabou tendo as nuances de seu Paxá Hassam num misto de vingativo com presença cênica demais, parecendo não ser suficiente na tela com suas entregas, mas soube ser sensual e forte ao mesmo tempo, o que acabou agradando no resultado final. Ainda tivemos outros bons personagens como Miguel Rellán fazendo o Padre Sosa de onde o escritor tirou muitas ideias de seus textos, Fernando Tejero trabalhando o Padre Blanco com todas suas surtadas explosivas, e claro José Manuel Poga fazendo um Castañeda bem marcante com as ideias do protagonista.

Visualmente o longa teve uma bela presença cênica, mostrando inicialmente como eram vendidos os cristãos presos pelos mouros para as devidas tarefas, e os que tinham alguma linhagem maior ou cargos mais chamativos do governo eram levados para uma prisão ampla aonde ficavam esperando seus resgates serem pagos, sendo algo bem retratado de poucas condições, a céu aberto, com figurinos marcantes, e tendo os momentos que alguns optavam pela redenção mudando a religião e podendo viver na cidade, tivemos o palácio do paxá bem colocado, com seus serviçais de todos os tipos, louças em ouro e claro instrumentos de matança com o famoso empalamento tão conhecido na história, e fora do palácio e da prisão tivemos uma cidade rica de negociações, pessoas e comidas exóticas e tudo mais que acabaram encantando também o personagem principal.

Enfim, é um filme interessante para conhecer o personagem que pouco sabia sobre, que talvez alguns conhecesse mais, sendo uma biografia bacana com uma pegada ficcional bem colocada, então fica a dica para talvez as devidas ressalvas mais exageradas, e que como disse, poderia ser menor de duração para chamar mais atenção, embora não canse, então vale o play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Justiça Artificial em Imax 3D (Mercy)

1/23/2026 01:45:00 AM |

Quem der uma rápida revirada nos meus textos vai ver que meu estilo preferido de longas é o de julgamento, pois sempre friso o quanto advogados precisam ser mestres da atuação para defender ou acusar um réu, e se o longa for bem trabalhado a intensidade flui tanto que quando você vê já está envolvido quase como uma torcida completa para um dos lados. E o mais engraçado é que não vi nenhum trailer, nem tinha qualquer noção do que o longa "Justiça Artificial" iria me entregar, apenas criando na mente algo pelo nome, e a sacada embora parecida com alguns filmes que já vimos, brinca com a essência de uma IA que é júri, juiz e executor, ou seja, vai lhe dar acesso a tudo o que você precisa para tentar se defender, mostrando provas e tudo mais, mas não conseguindo no tempo já é frito ali mesmo na cadeira, ou seja, algo intenso e marcante. E ainda para ficar ainda mais complexo, o réu que está ali é um detetive que colocou o primeiro culpado nesse meio, mas agora sendo acusado de ter matado a esposa, ou seja, ele terá 90 minutos pra conseguir provar sua inocência sem lembrar exatamente tudo o que aconteceu, e foi me deixando tão intrigado com a essência das provas, o jeito de fazer as ligações, as interações com os ambientes, sendo ao mesmo tempo simples, porém muito tecnológico, que o 3D acaba transformando os momentos quase em um videogame gigante, mas nada que impressione dentro da história em si, que ficou muito bacana de conferir.

A sinopse é bem simples e nos mostra que um detetive é colocado no banco dos réus acusado por um crime violento: matar sua esposa. Tudo isso ocorre numa Los Angeles do futuro, em 2029, no qual a tecnologia tomou conta do dia a dia da sociedade. No julgamento, então, o detetive tem apenas 90 minutos para provar sua inocência para uma inteligência artificial avançada que ele, no passado, defendeu. O destino do homem, agora, está nas mãos do sistema inteligente.

O diretor russo Timur Bekmambetov já fez muitos filmes bem interessantes na sua carreira, e aqui embora sua obra pareça muito com o saudoso "Minority Report", a pegada mais fechada do que de correria acaba impressionando bastante na tela, ou seja, ele foi mais criativo com a situação do julgamento em si, com tudo se passando em telas, criando as dimensões, provas, acontecimentos e dinâmicas do que algo mais corrido em busca de alguém que irá cometer um crime, afinal aqui já temos o réu na cadeira elétrica, e ele através de suas alegações tentará provar para a juíza que é inocente antes que seja frito. Ou seja, é uma ideia original, bem chamativa, que talvez num futuro possa ocorrer, mas como mostrado no longa, a intuição e o feeling humano muitas vezes pode ser muito mais preciso do que números e alegações baseadas em fatos, e assim o resultado acaba chamando muito atenção, e mostra que o diretor foi muito bem com algo menos gigantesco.

Quanto das atuações, como Chris Pratt passa quase todo o filme sentado, ele precisou trabalhar bem as expressões investigativas para trabalhar sua defesa com tudo o que vai ocorrendo com seu Chris Raven, de modo que tivemos algumas interações fora dali mostrando alguns momentos de seu passado, mas a base mesma expressiva do ator fica dentro da sala, e ele nos convence tão bem que ficamos conectados com sua entrega, ou seja, acertou bem no estilo. Agora quem incrivelmente ficou tão real como uma pessoa artificial foi Rebecca Ferguson com sua Maddox, de modo que chega a ser irritante sua persuasão e entrega, parecendo realmente com um IA, mas tendo um estilo realista, o que funciona bem em cada expressividade mais seca que a atriz precisou fazer. Quanto aos demais que estão fora do ambiente de julgamento, tivemos bons momentos com Kali Reis com sua Jaq Diallo bem intensa na busca de provas e pessoas para salvar o parceiro, tivemos a filha do protagonista vivida por Annabelle Wallis um pouco forçada demais, Chris Sullivan bem entregue nos momentos mais intensos com seu Rob e Jeff Pierre quase como um maratonista fugindo dos policiais com seu Burke, mas como o filme é focado mais nos dois lá dentro da sala, os demais ficaram bem em segundo plano.

Visualmente o ambiente é simples, com uma sala enorme, um telão aonde a protagonista aparece e vai jogando elementos como provas, estatísticas, ligações, um relógio em contagem regressiva de tempo e do outro lado o percentual de culpa do protagonista que precisa ser bem diminuído para ter chance de ser inocentado, vamos vendo as cenas fora do ambiente nas conexões com celulares e muitos elos bem encaixados, que ficaram até que bem bons em 3D para dar uma imersão maior da movimentação quase como um jogo de videogame, mas que não é algo tão necessário, mas que junto das boas cenas de ação, explosão e tudo mais, o resultado acabou funcionando com uma boa perspectiva de profundidade de campo, além de dar bons elementos cênicos para um ambiente sem muitas coisas.

Enfim, é um filme que me surpreendeu bastante, que vibrei com algumas entregas e que me causou tensão, que é exatamente o que eu cobro de um bom longa de julgamento, de modo que não é perfeito, pois é o estilo que você sabe bem como vai terminar, mas o resultado final acabou sendo marcante ao menos para um fechamento intenso, e sendo assim acaba valendo a recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Única Saída (No Other Choice)

1/20/2026 10:24:00 PM |

Sinceramente ando ficando com muito medo das ideias dos roteiristas sul-coreanos, pois eles não sabem brincar direito não, já vão para um nível de apelação tão contundente que funciona demais, e o melhor, sabem bem o que pensamos nos nossos momentos mais intensos, de modo que seus longas de humor negro andam indo por rumos tão chamativos, que acabamos aplaudindo e ganhando muitos prêmios mundo afora, por também pensarmos dessa forma bizarra no nosso interior. Afinal quem nunca pensou em eliminar a concorrência de uma entrevista de emprego para que você seja o contratado? E com essa pegada, o longa "A Única Saída", que estreia na próxima quinta 22/01 nos cinemas nacionais, traz uma irreverente e bem maluca história de um homem que após trabalhar 25 anos na mesma empresa, tendo que procurar um novo emprego resolve eliminar seus concorrentes mais fortes, ou seja, acaba sendo em alguns momentos até meio que exagerado a forma entregue, mas como o cinema deles permite uma ousadia a mais, o resultado acaba ficando bom dentro dessa maluquice toda. Claro que a trama passa longe do brilhantismo, principalmente por se alongar um pouco demais, mas a entrega do protagonista é tão boa, que se a equipe pensar bem dá até para fazer alguma série com ele tendo de eliminar mais candidatos em uma outra procura de emprego, mas como filme funcionou também, e isso é o que importa.

A sinopse nos conta que Man-su, especialista em fabricação de papel com 25 anos de experiência, leva uma vida tão plena que pode dizer a si mesmo, com convicção: “Tenho tudo o que preciso”. Ao lado da esposa Miri, dos dois filhos e de seus cães, vive dias felizes, até ser surpreendido pela notícia de que foi demitido. O choque é devastador, mas, ainda assim, Man-su promete a si mesmo que encontrará um novo emprego em três meses pelo bem da família. Porém, a realidade se revela bem mais complicada. Apesar da determinação, ele passa mais de um ano pulando de entrevista em entrevista e se sustentando com um trabalho no comércio. Em pouco tempo, começa a correr o risco de perder a casa pela qual tanto lutou. No desespero, aparece de surpresa na Moon Paper para entregar seu currículo, mas acaba humilhado pelo gerente de linha Sun-chul. Convencido de que é mais qualificado do que qualquer candidato para trabalhar na empresa, Man-su toma uma decisão drástica: “Se não existe uma vaga para mim, vou ter que criá-la”. 

Muitos estão perguntando por aí se essa seria uma refilmagem do clássico "O Corte" do diretor Costa-Gravas, mas não é bem isso, o longa é sim uma nova adaptação do livro “O Corte”, de Donald E. Westlake, que Costa-Gravas utilizou e aqui recebe até uma leve homenagem nos créditos, de modo que o diretor e roteirista Park Chan-Wook foi bem coerente em trabalhar o livro de uma forma mais coreana possível, com uma pegada direta e cheia de nuances, usando um humor até mais ácido do que o comum deles, mas sendo um longa envolvente que funciona, diverte, e claro dá algumas ideias meio que malucas pro pessoal que está procurando emprego. Ou seja, é o famoso filme certo de si que não fica com espaços jogados na tela, mas que se afinado um pouco mais poderia impactar como nenhum outro já fez.

Quanto das atuações Lee Byung-hun trabalhou seu Man-su com muita personalidade, pois você não imagina ele como alguém capaz de matar ninguém, muito pelo contrário, acha até fraco demais para algumas situações, mas ele brinca com essas facetas, e faz o filme ficar com a sua cara, sendo bem trabalhado e cheio das nuances. Outra que foi muito bem, mas de uma forma mais fechada foi Son Ye-jin como a esposa do protagonista, Miri, tendo alguns atos bem colocados como uma boa organizadora financeira, e outros mais densos e como apoiadora do marido quando descobre a situação toda, ou seja, soube se sobressair para aparecer bem na tela. Tivemos ainda boas cenas com os demais candidatos que Cha Seung-won e Lee Sung-min fizeram, trabalhando traquejos meio que desesperados ao enfrentarem o protagonista, mas as boas cenas ficaram para Park Hee-soon com seu Sun-chul irreverente e beberrão que confrontando bem o protagonista tiveram atos bem marcantes e com estilo. Quanto das crianças e dos cachorros, só achei irreverente a beça os nomes Si-one e Ri-one com seus cachorros Si-two e Ri-two, mas não foram tão além quanto poderiam nas entregas de suas facetas.

Visualmente o longa teve um bom trabalho da equipe de arte, com casas bem diferentes dos personagens, mostrando o quanto a queda da riqueza pode deixar alguém completamente maluco, tivemos também as casas isoladas dos demais, tendo uma no meio de uma floresta com cobras, outra com um aspecto mais rústico e até a do outro que não chega a ser mostrada, mas saindo de uma loja de sapatos com o mar ao fundo, mostrando que o protagonista viajou muito entre as cidades, e claro a cena do "bonsai humano" foi muito bem trabalhada.

Enfim, é um longa que tem sido bastante indicado nas diversas premiações, mas que curiosamente não tem levado tantos prêmios quanto poderia, muito pelo motivo de que muitos não devem estar entendendo as ironias da trama, mas ainda assim é um tremendo filmaço, divertido na medida, que mesmo sendo um pouco longo demais acaba agradando bastante. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Voz de Hind Rajab (Sawt Hind Rajab) (The Voice of Hind Rajab)

1/20/2026 01:37:00 AM |

A única palavra que me vem na mente após conferir o longa "A Voz de Hind Rajab" é indignação, pois não tem como não surtar como o atendente da central de emergência que está falando com a garotinha presa num carro cheio de mortos, e seus superiores não conseguem uma "porcaria" (pra não falar um palavrão!) de uma ambulância ou sei lá o que para ir resgatar ela no meio de um ataque de Israel em Gaza. Dito isso, o longa que estreia dia 29/01 nos cinemas nacionais, em homenagem aos 2 anos que ocorreu o caso mostrado na tela, é simples de execução, com uma sala de ligações, uma sala da gerência e a sala da terapeuta, junto das ligações reais do caso que foram divulgadas depois, contando apenas com poucos atores na tela, porém tem uma potência tão grande que faz você surtar com tudo o que acontece, sendo daqueles filmes com um impacto na mente que nem dá para transmitir em palavras, mas que muitos defensores de Israel irão falar que é falso, ou seja, só vejam e depois reflitam!

O longa nos conta que em uma noite de terror em Gaza, uma ligação de emergência se transforma em uma corrida contra o tempo para salvar Hind Rajab, uma criança de 6 anos presa em um carro sob fogo cruzado. Em contato permanente com a menina, voluntários do Crescente Vermelho enfrentam enormes desafios para coordenar uma operação de resgate em meio à violência extrema.

Já tinha dito no filme anterior da diretora e roteirista Kaouther Ben Hania, "As 4 Filhas de Olfa", que ela sabia muito bem como trabalhar temas complexos e desenvolver bem os seus atores para parecerem o mais reais possíveis com os personagens das histórias verdadeiras, e aqui ela voltou a detonar nesse sentido, pois me vi tão desesperado com o protagonista ouvindo as ligações reais, que parecia que era eu ali ouvindo e tentando fazer uma solução, de modo que só faltou ele pensar em ir de carro resolver sozinho a parada (apesar que 80km com o tanto de enrolação das equipes dava prele ter ido e voltado umas 3x), mas sabemos que no meio de uma guerra infelizmente não dá para fazer isso, e com isso fico pensando como a mente do ator, e claro do verdadeiro atendente explodiu com tudo acontecendo, pois não dá para sair imune numa situação dessas. Ou seja, é um trabalho bem simples, como a diretora já mostrou saber fazer bem, mas que vai deixar muita gente indignada com a entrega dos atores, e principalmente com os áudios reais usados, pois é desesperador não conseguir ajudar alguém por ter tanta burocracia, e mais ainda pelo que o país adversário fez na finalização.

Quanto das atuações, já falei muito que não tem como não se identificar com o protagonista vivido por Motaz Malhees, pois seu Omar entra no famoso estado de choque logo após a primeira morte, e depois entra no surto desvairado para ajudar a garota, e sua entrega é primorosa, realista e cheia de expressividade, de modo que certamente conversou com o verdadeiro Omar, e tirou um brilhantismo para ficar real demais na tela. Da mesma forma Saja Kilani trabalhou sua Rana com uma dinâmica emocional tão precisa, pois já estava cansada do trabalho direto, pronta para ir para sua casa e acabou sentindo na pele cada dinâmica ali, de modo que a atriz passou essa emoção nos olhares e na fala, agradando demais do começo ao fim. Sabemos que a função de um chefe de setor é seguir toda a norma da companhia para que não haja erros, mas chega a ser irritante alguns atos que Amer Hlehel fez com seu Mahdi, sendo explosivo na medida, e intenso nas dinâmicas ao telefone, mostrando para todos o que não desejava fazer, e como não podia ir além, mas ninguém tem sangue de barata, e o surto vem. E ainda tivemos a terapeuta/psicóloga do grupo Nisreen que Clara Khoury trabalhou bem as dinâmicas, e segurou um pouco demais seus atos na tela, mas essa era a função dela.

Visualmente o longa foi baratíssimo, tendo apenas uma central telefônica com uma sala de liderança e uma varanda, não precisando de muito mais coisas na tela, além de um telão aonde viam as rotas e os carros andando, ou seja, a equipe de arte nem precisou trabalhar praticamente, tendo um bom resultado apenas pelas nuances dos personagens, além de fones de ouvido e telefones para representar bem os momentos.

Enfim, costumo dizer que gosto de pensar muitas vezes como me sentiria no papel principal, e aqui acredito que surtaria até mais do que o protagonista, ou seja, é um filme completamente válido, que recomendo demais para todos, que me irritou aos montes por ver o quanto esse povo que vive em guerra consegue ser mal com os seres humanos que mais precisam, e que claro recomendo muito a conferida, pois também provavelmente será um dos indicados a filme estrangeiro para brigar conosco, então vá aos cinemas no dia 29/01. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo os amigos da Synapse Distribution e da Atômica Lab Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.

PS: raspei de dar a nota máxima para o longa, pois me incomodou demais com toda a entrega, mas como ele ficou muito próximo do longa dinamarquês "Culpa", acredito que dava para talvez sair um pouco mais do real e ficcionado um pouco mais a situação, embora os áudios funcionaram bem demais. Diria que se tivesse notas quebradas daria um 9,7.


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Netflix - Dinheiro Suspeito (The Rip)

1/18/2026 10:41:00 PM |

Ultimamente muitos filmes da Netflix tem servido apenas como um bom entretenimento sem irem a fundo nas situações, principalmente os que colocam muita ação em jogo, pois acabam tendo boas entregas, mas com uma fluidez sem grandes chamarizes na tela. Claro que com isso não estou dizendo que o longa "Dinheiro Suspeito" seja ruim, muito pelo contrário, pois temos algumas dinâmicas bem fechadas e uma intensidade marcante, porém com pouquíssimos ajustes, jogando a trama para um suspense mais denso, teríamos um filmão daqueles para não se esquecer jamais, mas infelizmente não é essa a ideia da companhia, então para passar o domingão conferindo, já quebra o galho pelo menos.

No longa vemos que a confiança entre uma equipe de policiais de Miami é quebrada e colocada à prova após encontrarem uma grande quantia de dinheiro num esconderijo. Enquanto as forças institucionais descobrem o tamanho da apreensão, dúvidas com relação a quem confiar colocam o grupo em disputa.

É engraçado que o estilo do diretor Joe Carnahan é totalmente esse, ao ponto que você olha para o longa e vê sua mão funcionando na tela, só que ele poderia ter brincado com mais conflitos entre os personagens, para que o público surtasse um pouco com toda a entrega, mas usou bem do que tinha e pode chamar a atenção com algumas cenas de muitos tiros ensurdecedores (precisei abaixar o volume da TV, algo que com uma mixagem mais correta funcionaria melhor), e que tendo um roteiro simples, mas com algumas reviravoltas interessantes, o resultado entrega bem na tela. Diria que talvez uma pegada mais lenta, mais cheia de envolvimento com os personagens daria um tom mais marcante, mas talvez cairia muito para o lado de uma série, então a opção direta entreteve bem e acabou agradando.

Quanto das atuações, vou falar bem pouco para não estragar o "mistério" dos personagens e suas dinâmicas, mas logo de cara vemos um Matt Damon bem sério com seu Dane, sendo mais pegado no passado e tendo alguns problemas pessoais para se fechar tanto, de modo que mostrou também que o ator já não é mais aquele garotão que estávamos acostumados a ver na maioria dos filmes, e assim sendo o resultado dele pareceu faltar um pouco mais de explosão. Já que estou pedindo explosão, acredito que Ben Affleck estava com a cabeça quente demais com seu J.D. parecendo até estar sob efeitos de algo a mais na tela, brigando fácil e entregando dinâmicas meio que exageradas demais na tela. Teyana Taylor está tentando ser a nova Nicolas Cage, pois a cada 5 filmes que são lançados ela está em 4, e isso é perigoso para que ela fique um pouco queimada demais no mercado, mas ainda assim ela entrega alguns momentos simples bem feitinhos com sua Numa. Catalina Sandino Moreno só foi mais interessante na tela com sua Lolo por cuidar do cachorro do grupo, pois é tão apagada que não sabia nem quem era a atriz. Scott Atkins poderia ter participado mais com seu Del, pois fazendo o irmão de Affleck tiveram bons momentos de intensidade mais pegada o que chamou atenção na tela. Ainda tivemos Steven Yeun bem colocado com seu Mike Ro, bem misterioso em cena, falando muito com todos os personagens, principalmente com Sasha Calle fazendo Desi, mas ambos sem irem muito além na entrega do longa.

Visualmente o longa por incrível que pareça é simples, pois para um filme de ação, geralmente temos grandes ambientes, cenários cheios de nuances e tudo mais, mas aqui temos a delegacia, um começo intenso com a policial sendo perseguida, que nem desenvolveram tanto, mas depois vamos para uma rua de casas de classe média, com tudo ocorrendo ali dentro, procurando o dinheiro, vários tambores e pacotes, para na sequência já começar tiroteios e por fim uma perseguição, mas nada de muito explosivo realmente como poderia acontecer.

Enfim, é um passatempo bacana de acompanhar, que funciona na tela, não sendo algo que vai impactar nem agradar tanto ninguém, mas como o próprio nome diz, serve para passar o tempo conferindo, então quem estiver com um tempo aí para gastar e curtir o estilo, acaba valendo o play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Diário de Pilar na Amazônia

1/17/2026 10:11:00 PM |

Antes de mais nada, caso você não seja leitor dos livros, nem tenha conferido a série animada, tente descobrir um pouco mais para não ficar tão perdido com os personagens de "O Diário de Pilar na Amazônia", pois mesmo sendo um filme bem infantil, totalmente voltado para a criançada, a pegada ecológica funciona bem e tem até seus gracejos, mas se desconhecer qualquer coisa vai achar vários absurdos como o bolso mágico da garota que sai de tudo, e alguns personagens que aparecem apenas para dar o ar da graça sem nada de útil para o filme. Ou seja, é uma trama que a criançada que já é fã da personagem vai curtir, tanto que os que estavam na sala entraram eufóricos e curtiram cada minuto sem nem ficarem zanzando pela sala, tendo boas nuances explicativas sobre os personagens lendários da floresta, sobre como o açaí original não é o docinho que todo mundo ama, e por aí vai, sendo simples e bem colocado ao menos como um passatempo "educativo".

No longa acompanhamos uma menina curiosa, extrovertida e exploradora chamada Pilar embarca em diferentes aventuras na floresta amazônica para ajudar uma amiga a reencontrar a família. Com sua rede mágica, um presente dado por seu avô, Pilar viaja até a Amazônia junto com o colega Breno e o gato Samba. Lá, eles fazem novos amigos, como a ribeirinha Maiara cuja comunidade foi destruída. Com a ajuda de figuras folclóricos, a jovem e seus amigos embarcam num desafio de encontrar a família de Maiara e impedir o contínuo desmatamento na região.

O interessante é que os diretores Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put possuem diversas comédias em seus currículos, e possuem muito mais experiência nesse molde, mas também já trabalharam com outros filmes e livros infantis e juvenis da escritora Flávia Lins e Silva, ou seja, acharam um modelo para conseguir ganhar muito tendo sempre trabalho com os mesmos personagens. Claro que não é tão fácil assim como estou falando, afinal trabalhar com crianças, animais e locações variadas fora de um "ambiente seguro" é bem complexo, mas tendo a base, o resultado flui muito fácil, ainda mais se gravarem bastante enquanto a protagonista está com mesmo tamanho e idade, e ir depois só desenvolvendo o restante para lançar, então veremos com certeza mais trabalhos da personagem na tela, e talvez com os mesmos diretores. Porém, como esse está sendo o primeiro filme live-action da personagem, valeria ter uma introdução maior para os que antes não a conheciam.

E falando da protagonista, a jovem Lina Flor estreou com uma postura simples, porém bem carismática para sua Pilar, parecendo um pouco tímida demais, mas tendo uma boa segurança para a maioria dos atos, talvez precisando um pouco mais de intimidade para ir mais além, então num segundo filme acredito que vá se soltar mais. Já o jovem Miguel Soares, embora seja seu primeiro papel no cinema, já trabalhou muito em novela, e assim já tinha uma desenvoltura mais pegada com a câmera, fazendo com que seu Breno tivesse carisma e soubesse se posicionar melhor para os devidos momentos, agradando com o que fez, e também com o carinho que teve com os demais personagens. Ainda tivemos bons momentos com os dois jovens, que acredito que sejam da região Norte que foram bem escolhidos para os papeis de lá, Sophia Ataíde e Thúlio Naad com seus Maiara e Bira bem encaixados no sotaque, no estilo e na desenvoltura de seus papeis, além dos demais povos indígenas que aparecem bem na tela, os personagens lendários bem colocados, ou seja, um filme de uma região mesmo. E claro, mesmo que fazendo vilões bobos, afinal esse é o estilo em filmes infantis, tivemos Marcelo Adnet como um empresário do agro querendo colocar mais pastos para gado no meio da Amazônia, e Babu Santana, Emilio Dantas e Rafael Saraiva como seus capangas bem colocados em cena.

Visualmente o longa tem uma boa pegada no meio da floresta, mostrando bem as embarcações de viagens com suas muitas redes, e também as barcas com muitas toras das árvores desmatadas, com tratores e motosserras, além de alguns rituais indígenas e preparações de armas e treinos para tentar pegar os bandidos, tudo com bons símbolos nos rios, contando ainda com botos, sereias, curupiras, entre outros, ou seja, a equipe de arte brincou bastante na tela.

Enfim, é um longa infantil, então não espere desenvolturas mil, nem efeitos mirabolantes, mas tudo bem feitinho, simples e funcional de acordo com o que o livro acredito que pedia, só frisando mesmo que faltou explicar um pouco mais como sendo o primeiro live-action, para entendermos mais dos protagonistas, mas não é nada que com um tempo de tela não se prenda. Então fica a dica para os fãs da série serem levados pelos pais nas sessões, e eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos. Então abraços e até logo mais.


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O Beijo da Mulher Aranha (Kiss of the Spider Woman)

1/17/2026 02:52:00 AM |

Particularmente gosto bastante de musicais e se tem algo que fico feliz com minha pouca memória é que lembro pouquíssimo dos clássicos que assisti no passado, de modo que hoje fui conferir o novo longa, "O Beijo da Mulher Aranha", apenas lembrando que a protagonista do original era a Sonia Braga e que o diretor era o Hector Babenco, e absolutamente nada mais, então foi como se estivesse vendo um filme novo, que me agradou bastante com a entrega dos protagonistas, com a dinâmica da história dupla ocorrendo, e só me decepcionou um pouco de ser uma trama que se passa na Argentina em 1983 e o longa ser inteiramente falado em inglês, com uma canção só bem secundária em espanhol, ou seja, ficou um pouco fora do eixo, mas nada que chegue a incomodar o espectador comum. Ou seja, é cheio de danças, com uma pegada emocional bem trabalhada na tela, e claro com nuances fantasiosas que junto da temática da ditadura amplia o cerne na tela com uma dinâmica chamativa, leve e emocionante de ver.

O longa nos conta que Valentín é um preso político da ditadura argentina nos anos 80 que divide cela com Molina, um ex-decorador de vitrines que foi detido por atentado ao pudor. Reconhecido como um homem gay, Molina passa a narrar para o seu companheiro as histórias de seu musical de Hollywood favorito, um drama colorido e espetacular protagonizado por sua atriz predileta Ingrid Luna. Logo, um forte vínculo se forma entre a dupla, enquanto Molina tenta escapar da realidade política brutal através da imaginação. Logo, inicia-se uma fantástica história de romance.

A principal mudança que o diretor e roteirista Bill Condon fez na trama do original foi mudar de drama psicológico para um musical politizado, e ele como bem sabe fazer em seus longas conseguiu jogar para um vértice tão descontraído e emocional, que seu filme acaba fluindo fácil, não vira algo cansativo de acompanhar, e mesmo com a pegada musical não chega a incomodar, pois muitas vezes alguns atos não precisariam da cantoria toda, mas aqui entraram com nuances tão bem encaixadas que resultaram em algo que quem curte musicais acaba encantando com a história dos personagens, e claro da paixão do protagonista em contar seu filme preferido sem ter um cinema para exibir para o outro, e fazer com que ele enxergasse tudo nas minúcias desenhadas pela encenação de sua mente.

É engraçado que nunca tinha ouvido falar do ator Tonatiuh, mas a personificação, o encantamento e toda a desenvoltura que deu para seu Luis Molina e Kendall Nesbit, foi algo de se aplaudir, pois ele conseguiu representar em palavras o sentimento das imagens, ao ponto que mesmo que o diretor não quisesse criar as cenas do longa fantasioso, somente de escutar tudo o que ele falava, no tom bem colocado, já faria você imaginar tudo da mesma forma que seu parceiro cênico, ou seja, deu show! Já Diego Luna soube brincar bem com as facetas mais sérias de seu Valentín Arregui, e ir dando as devidas nuances de interesse em tudo que o parceiro de cela vai lhe contando, criando uma intimidade bem alocada e dinâmicas cheias de envolvimento na tela, além de boas cenas de dança com seu Armando. Jennifer Lopez sempre entrega bem personagens sensuais na tela, e aqui como uma dançarina ainda por cima pode dar seu show em diversos momentos de sua Ingrid Luna, Aurora e Mulher Aranha, ou seja, três vertentes bem diferentes, mas que a atriz se jogou. 

Visualmente a trama teve como boa parte da trama dentro da cela da prisão, tendo poucos elementos cênicos, mas bem usados, como a beliche do protagonista com sua cortina de contas, a cama simples do outro protagonista, alguns pôsteres de filmes, uma pequena mesa com um fogareiro e um banheiro separado com uma cortina, além disso tivemos o outro lado do filme com muitas cores, que a todo momento é frisado ser feito em tecnicolor, tendo vários atos de dança em palcos, boates, restaurantes, vilas e tudo mais, com várias nuances e figurinos esvoaçantes, além de alguns momentos em uma selva bem fictícia, mais puxada para algo teatral. Ou seja, a equipe de arte usou bem as bases do musical da Broadway para desenvolver todo o ambiente do longa.

Enfim, é um longa que não estava botando tanta fé que iria gostar, principalmente pela propaganda vendida de como um dos melhores musicais da atualidade, fazendo comparações e tudo mais, mas o resultado funciona bem na tela, envolve e emociona na medida, e ao final estamos bem conectados com toda a entrega na tela, valendo bem a recomendação, mesmo não sendo algo perfeito. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Extermínio: O Templo dos Ossos (28 Years Later: The Bone Temple)

1/16/2026 01:10:00 AM |

Cá estou aqui pensando os rumos que uma franquia que parecia simples de ser fechada pode ir ainda, pois quando depois de muitos anos resolveram fazer "Extermínio: A Evolução", que vimos no ano passado, imaginava que ali fechariam tudo, encerrando o ciclo e beleza visceral da trama de zumbis velozes (diferente da maioria dos filmes aonde parecem ultra-cansados), mas deixaram uma porta bem aberta para a continuação no final dele, e claro que estava muito curioso para ver o que aprontariam! Só não esperava que "Extermínio - O Templo dos Ossos" fosse deixar mais uma porta aberta para mais uma continuação, ou seja, resolveram que a trilogia "original" teria um final em uma trilogia, ou será que virá mais ainda depois? Dito isso como um grande spoiler, não me batam, pois não contei nada do que vai ocorrer, o resultado aqui ao menos foi dinâmico, sem muitas enrolações, e bem focado somente no personagem dos Jimmy(s), pois são vários tudo com o mesmo nome, e claro como o próprio nome diz, no médico Dr. Kelson com seu templo de ossos que vai mostrar algumas experiências doidas, mas sem muito o que desenvolver para chamar tanta atenção, meio como todo filme de miolo, então vamos ver o que o roteirista vai aprontar para fechar tudo bonitinho, afinal esses dois foram filmados juntos, já o próximo ainda está sendo escrito.

Na trama, enquanto Dr. Kelson arca com as consequências de uma relação chocante capaz de despertar uma mudança sem precedentes no mundo em que vivem, o contato de Spike (Alfie Williams) e Jimmy Crystal se torna um pesadelo inescapável. Se antes os infectados eram a maior ameaça para a sobrevivência humana, agora, a insensibilidade e a barbárie tomam conta de maneira brutal.

É engraçado que a diretora Nia DaCosta teve um grande sucesso com "A Lenda de Candyman" e depois teve um tombo imenso com "As Marvels", de modo que acredito que aqui o roteirista Alex Garland junto com o diretor Danny Boyle do foram demasiadamente ousados em não fechar a segunda parte que foi gravada praticamente junta do longa anterior nas mãos dela, porém ela soube fazer o básico bem feito, focando apenas em duas histórias e colocar tudo para que se conectasse de uma forma fácil e simbólica, o que acabou chamando muita atenção na tela, e principalmente brincou bastante com a essência. Claro que queríamos ver mais sobre o processo da cura, queríamos entender um pouco mais dos Jimmy(s), mas para que não fossen necessárias tantas explicações, ela acabou usando as bases e pôs a ação para acontecer mesmo, sendo interessante e funcional.

Quanto das atuações, sem dúvida alguma utilizar Ralph Fiennes de uma maneira coerente com seu Dr. Kelson foi uma das melhores escolhas, pois seu papel no longa anterior até teve alguns bons momentos, mas não tinha mostrado sua explosão cênica, e aqui além de conversas bem cheias de expressividade com o zumbi-alfa, ele simplesmente deu um show com a música do Metállica, que se eu fosse a banda levaria ele para refazer o clipe, pois deu seu nome. E falando no zumbi alfa Sansão, Chi Lewis-Parry continuou passeando com suas partes a mostra, mas foi muito mais usado pela essência dos remédios e a conexão com o Dr. do que como um líder dos zumbis, e ainda assim teve cenas imponentes dentro do trem para impactar, além de um fechamento bem marcante. Falando dos Jimmy(s), o principal claro é Jack O'Connell como o líder deles, tendo uma essência marcante, uma loucura primorosa, e cenas bem intensas e chamativas, mas praticamente sem precisar sujar suas mãos, apenas ditando a loucura para os demais. Ainda tivemos Erin Kellyman com sua Jimmy Ink bem cheia de dúvidas, e claro a volta do garotinho Alfie Williams com seu Spike virando um Jimmy meio perdido com toda a loucura.

Visualmente a trama teve alguns momentos bem ousados, primeiro com os Jimmy(s) em uma espécie de clube, com uma piscina e a primeira luta do garotinho, depois vamos para a casa que apareceu no longa anterior com alguns atos bem violentos e marcantes de tortura, além claro de toda a desenvoltura rolando no templo do Dr. Kelson com uma iluminação marcante e atos bem amplos para mostrar toda a cenografia, vemos ainda seus atos dentro do seu grande bunker, mas o grande momento ficou para o show do Dr. com fogo e muita magia no encontro dos dois vértices, tendo ainda muita tensão e encenação para marcar a trama.

Enfim, é um bom filme, mas que ficou sendo o famoso longa do miolo como costumo chamar, aonde temos poucos desenvolvimentos e situações sem grandes impactos, aonde tudo poderia ter sido resumido e acoplado no anterior, mas que optaram para dar mais nuances e chamarizes para que cada uma das histórias fosse bem contada, então assim acaba valendo pela violência e entrega dos personagens. Assim sendo fica a recomendação com algumas ressalvas, mas ainda é um filmão. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Antes da Dinastia (The Blind)

1/15/2026 01:02:00 AM |

Tenho o hábito de antes de ver algum filme que não sei de nada sobre ele, ler apenas a sinopse mais simples possível para que nada me revele algo importante da trama, aí vi que dentre as estreias da semana da Amazon Prime Video estava o longa "Antes da Dinastia", e batendo rapidamente os olhos vi que era a história real de alguém antes de ser o rei dos realities, poxa, gosto de realities, gosto de histórias reais bem contadas em filmes, então só dar o play. E beleza, o filme tem uma pegada densa em cima da mudança na vida da pessoa com o álcool descontrolado, o conflito familiar e tudo mais, com situações bem marcantes e interessantes, até chegar nos atos finais aonde entra toda a intensidade religiosa com uma quebra de ritmo tão imponente que chega a desanimar. Claro que sei que a fé e algumas situações religiosas mudam muitas pessoas, mas a forma colocada no filme ficou como algo meio que forçado e jogado na tela, não sendo algo que empolgasse, muito menos que mostrasse algo a mais do personagem que virou uma lenda de caça a patos, ou seja, faltou saber fechar sem apelar.

A sinopse nos conta que muito antes de Phil Robertson se tornar uma estrela de reality shows, ele se apaixonou e construiu uma família, mas seus demônios ameaçaram destruir essa vida a dois. Enquanto luta com a vergonha de seu passado, Phil navega a dor e as dificuldades do próprio alcoolismo e a complicada dinâmica familiar como marido e pai. Esta é a verdadeira história que deu início a uma dinastia. Ambientada na região pantanosa do estado de Louisiana nos anos 1960, a trama compartilha momentos nunca antes revelados da história de Robertson enquanto ele busca redenção por seu passado em lugares inimagináveis.

O diretor e roteirista Andrew Hyatt já tinha mostrado seu talento com filmes religiosos com "Paulo, Apóstolo de Cristo", mas aqui ele jogou com um outro estilo não tão centrado na religião em si, mostrando o problema do álcool exagerado na vida de uma pessoa, e principalmente o caos que torna a família por isso, tendo uma pegada bem dimensionada nos atos e na entrega dos personagens, porém diferente do que aconteceu no seu longa anterior que tudo foi bem resolvido durante o longa, aqui ele se desesperou para fechar sua trama, e dessa forma ficou tipo como se tudo mudasse do dia para noite com a religião e isso acabou ficando estranho e sem uma imponência suficiente com tudo o que vinha mostrando antes.

Quanto das atuações, o protagonista Phil Robertson foi interpretado por três atores, com Aron von Adrian nos atos mais velhos sendo o mais usado, inclusive narrando para o amigo sua história completa, e ele trabalhou uma versão mais surtada, mais cheia de explosões e também de redenções, de forma que talvez pudesse ter ido até mais além na tela com uma imponência expressiva e trabalhada ao invés de todo o circo religioso; já o jovem Matthew Erick White trabalhou o personagem na época da faculdade, sendo bem romântico e tímido com uma entrega até bem gostosa de acompanhar em suas cenas, mas não aproveitaram tanto o rapaz; e por fim, ou melhor por iniciar-se Ronan Carroll fez a parte mais dura, do jovem pobre com o pai abandonado e a mãe maluca sendo sempre internada, com seus traumas, mas tendo de cuidar dos irmãos mais novos, o que fez bem na tela. Do outro lado tivemos Amelia Eve, Brielle Robillard e Scarlett Abinante fazendo Kay nas mesmas épocas do lado masculino, tendo uma grandiosa semelhança entre elas, que inclusive tirando a garotinha acreditava até que tinham usado a mesma atriz e apenas trabalhado a maquiagem, mas sendo emotiva de uma forma contida demais, faltando um pouco de explosão em seus atos para chamar mais atenção. Ainda vale como citação Connor Tillman como Big Al, mas mais para mostrar aquele amigo mal elemento que acaba levando a pessoa para o mal caminho.

Visualmente o longa foi bem trabalhado para mostrar os pântanos da Louisiana, a caçada dos patos selvagens desde garoto até a profissão que ele tem na atualidade, tendo bons atos fortes num trailer abandonado na beira do pântano, algumas boas nuances nos jogos da faculdade, e também no começo mostrando bem as diferenças entre a classe média e os pobres pioneiros do país, sendo bem cheio de símbolos e elementos cênicos, com destaque claro para o apito que depois virou o produto no final.

Enfim, é um longa que tinha potencial para ser bem melhor desenvolvido, mas que serviu como uma representação interessante de um homem que nunca tinha ouvido falar (e olha que gosto muito de realities diversos!), mas que o diretor se perdeu na forma de fechar para falar exageradamente de religião, tendo uma quebra um pouco grande demais para ser resolvida tão facilmente. Ou seja, se você curte o estilo talvez até goste, ou então se conhece o homem e queira saber como ele virou isso que é hoje, mas do contrário é um filme falho que se perdeu mais pelo fechamento do que pela essência em si. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Família de Aluguel (レンタル・ファミリー) (Rental Family)

1/13/2026 01:44:00 AM |

É interessante como juntar a sensibilidade emocional de um filme japonês com a entrega de produção americana pode resultar em algo tão bonito e gostoso de ver como "Família de Aluguel", pois certamente em mãos erradas o longa poderia ser algo tão seco e sem desenvoltura que mais irritaria do que envolveria, pois a trama pedia uma sensibilidade, um estilo cultural bem encaixado, e mais do que isso, pedia um ator que soubesse encarar essa amplitude sem soar falso, de modo que certamente o convite para interpretar Phillip veio logo após a diretora conferir "A Baleia", pois vemos quase uma extensão dos sentimentos vistos ali, só que para uma realidade ainda mais bem trabalhada, jogaram o personagem como um ator, e isso deu uma vida muito grandiosa, afinal interpretar alguém é o mesmo que mentir sobre sentimentos, e a alma da trama necessitava de algo assim, ao ponto do resultado funcionar demais na tela. Claro que sendo bem exigente, gostaria que o filme emocionasse mais, que fizesse o público lavar a sessão, mas optaram pelo bonito mais seco, como é o estilo japonês mesmo, e assim faltou aquele soco a mais.

O longa se passa em Tóquio e acompanha um ator americano com dificuldades de encontrar novos trabalhos e um propósito em sua vida. Isso até sua agente esbarrar com um serviço incomum: uma agência japonesa de “aluguel de família” na qual ele ocupará o papel de pai, namorado e amigo substituto para estranhos. Quanto mais ele mergulha no mundo e na vida de seus clientes, mais ele começa a se importar verdadeiramente com essas pessoas, formando laços genuínos que passam a borrar os limites entre performance, atuação e realidade. Ao confrontar as implicações morais de seu novo trabalho, o ator redescobrirá o valor do pertencimento e a beleza sutil das relações humanas.

Não conhecia a diretora e roteirista Hikari, mas se essa sua ideia realmente existe no Japão, acredito que é algo que funcionaria muito mundo afora, pois um bom ator facilmente conseguiria vivenciar muito as situações para pessoas que necessitam de alguém para representar um momento ou alguma insegurança, e essa formatação que ela soube passar na tela foi algo muito seguro e interessante de ver as quebras, pois facilmente dependendo da situação a pessoa se apegaria ao "cliente", o que mostrou um viés bem marcante e que envolve em cada ato, e por incrível que pareça, uma das situações foi tão bem montada que surpreendeu quando revelada, ou seja, soube usar o mistério ao seu favor também. Porém, esse estilo que ela conseguiu desenvolver na tela, precisava de algo ainda mais imponente, pois até foi bacana a sutileza usada, mas se qualquer uma das situações desse um belo murro emocional no público, o filme iria para um patamar premiável de nível máximo, ou seja, viraria algo tão perfeito que não iria faltar nada para ser o filme do ano.

Quanto das atuações, já falei no começo, e volto a repetir que a escolha de Brendan Fraser foi minuciosa, e dificilmente consigo pensar em outro ator tão bem encaixado para o papel de Phillip, de tal forma que ele conseguiu ter um carisma e uma entrega marcante, cheias de nuances e desenvolturas, que acabamos nos envolvendo demais com ele, torcendo pelas mudanças e que a cada ato seu tudo fluía muito bem, ou seja, se encaixou ao personagem e fez algo próprio dele. Os demais membros da empresa tiveram bons momentos também, mas não marcaram tanto quanto o protagonista, tendo algumas desenvolturas bem encaixadas também, ao ponto de valer dar leves destaques para Takehiro Hira com seu Tada, e Mari Yamamoto com sua Aiko. Já quanto aos clientes, é claro que a jovem Shannon Mahina Gorman foi tão cheia de bons traquejos para sua Mia, que valeria até ter mais cenas com a pequena e o protagonista, mas não sobraria tanto espaço para que Akira Emoto fosse perfeito com seu Kikuo, brincando com as facetas do Alzheimer, mas ainda assim no estilo japonês de referência emocional.

Visualmente a trama mostrou bem o estilo japonês, com velórios todos cheios de significado, casamentos com cultura marcante, o apartamento simples dos personagens e também um escritório com muitos detalhes dos processos, vimos também uma casa um pouco mais rica do dono da agência, e a casa simbólica do ator esquecido, além de alguns atos na escola da garotinha, e também a grandiosa viagem de uma ponta a outra do Japão que contou também com muitos elementos simbólicos bem representativos, ou seja, a equipe de arte trabalhou bastante.

Enfim, volto a frisar que gostei bastante do que vi na tela, mas acredito que fui esperando algo a mais com um nível de emoção bem maior, e não me atingiu dessa forma, ficando apenas bonito de ver, tendo sentimento na tela, mas sem aquele impacto que a trama pedia, ou seja, pode até ser que emocione alguns mais e outros menos, porém ainda é um filme que vale bastante a conferida para se refletir como agiria na situação entregue. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Agentes Muito Especiais

1/11/2026 09:10:00 PM |

Um dos grandes problemas das comédias nacionais é que a maioria opta por forçar a barra e em muitos casos acabam virando algo novelesco demais, mas felizmente muitos têm preferido ir por outros caminhos, que mesmo exagerados conseguem ter dinâmicas bem alocadas para divertir e funcionar. Diria que "Agentes Muito Especiais" tinha tudo para dar muito certo, pois é uma história com traquejos tradicionais bem cômicos, loucuras de gênero e trama policial de ação, mas pela formatação da ideia de quase 20 anos entre Paulo Gustavo e Marcus Majella, tendo nuances e indo montando, o resultado ficou até bem elaborado pela equipe de roteiro, mas como uma colcha de retalhos gigante aonde as linhas não se amarraram muito bem, e esse estilo mais solto acabou faltando um pouco em todos os lados. Volto a frisar que não é um filme ruim, pois diverte com a proposta e toda a entrega explosiva, mas faltou fazer rir mais como uma comédia, e impactar mais como algo de espionagem, ficando no meio do caminho de ambas as coisas. Ou seja, é um bom filme, que serve como um passatempo, mas que muitos irão mais se incomodar do que sair da sessão felizes com o que viram.

O longa acompanha a história dos agentes Jeff e Johnny que, para provarem ao chefe da polícia do Rio que são capazes de estar na corporação, se infiltram numa penitenciária para tentar desbancar a quadrilha perigosa "Bando da Onça". Desde o treinamento para entrar na polícia, Jeff e Johnny sofreram com preconceito e chacotas por serem gays. Desejando conquistar o respeito dos colegas, Johnny e Jeff imaginam que apenas será possível solucionando um grande caso. Quando a oportunidade de se infiltrar no bando criminoso comandado pela líder "Onça", a dupla mantém o disfarce e se envolvem com o grupo criminoso. Não sem se meterem numa série de confusões, desde uma fuga atrapalhada que (quase) dá errado, até a construção atrapalhada de uma emboscada.

Diria que o diretor Pedro Antonio vem acertando bem nas formas que escolhe para desenvolver seus longas, de forma que a maioria é bem acertada principalmente por não recair no novelesco tradicional, e aqui partindo da ideia que Marcus Majella e Paulo Gustavo foram elaborando por anos desde que viram "Tropa de Elite", ele acabou juntando tudo e criando algo com uma pegada cômica, mas com um ar sério demais, de tal forma que acabou virando daqueles longas de ação policial meio que perdidos na essência. Ou seja, ele deveria ter optado para um lado mais engraçado com uma pegada meio que quase como "Loucademia de Polícia" ou "Corra Que a Polícia Vem Aí", e aí sim criaria uma trama imponente e cheia de nuances, mas com a ideia meio que recortada demais o resultado ficou apenas como um bom passatempo, que não incomoda, mas também não impressiona como deveria.

Quanto das atuações, a ideia dos protagonistas como gays exagerados até foi boa, e brincou bem com os diversos estilos de homossexuais que sabemos que existem, de modo que Marcus Majella se jogou muito mais como o elétrico com seu Jeff, mas também brincando bem como o inteligente do grupo, sabendo bem o que desejava mostrar e claro mostrar bem diferente de personalidade e de corpo de seu primeiro filme com o diretor lá em 2016/2017, e fez bem o que precisava mostrar, agradando com estilo. Já Pedroca Monteiro teve a difícil missão de substituir Paulo Gustavo no papel que seria dele, de modo que seu Johnny foi aquele gay mais retraído, mas que diverte justamente por essa pegada de não sair do armário de cara, brincando com as facetas do estilo e saindo bem com o que precisava fazer. Quanto aos demais, vale claro dar o destaque para Dira Paes com sua Onça, pois como chefe do crime mostrou a personalidade que conhecemos bem, a imposição cênica e tudo mais que sempre faz tão bem, sendo marcante desde a hora que apareceu, e que valeria aparecer até mais na tela.

Visualmente o longa teve bons momentos no treinamento, em uma academia militar simples, mas bem representada na tela, tivemos uma prisão tradicional sem grandes chamarizes, mas tendo os momentos certos para criar as devidas situações, uma fuga maluca, mas bem orquestrada e depois algumas boas cenas num galpão simples, mas bem espaçoso para vários tipos de situações, tendo um assalto com explosão em um posto e o fechamento em um desfile com cenas bem trabalhadas no porto do RJ, então posso dizer que a equipe gastou bem e soube segurar a essência de tudo o que pretendiam mostrar na tela.

Enfim, é um longa que com poucas modificações poderia ficar incrível, mas que pela ousada proposta até foi bem acertado e divertido, de modo que claro não vá esperando que irá rir de gargalhar com o que é mostrado, pois isso não vai ocorrer, mas como disse, serviu ao menos como um passatempo razoável sem ficar novelesco. Então fica a dica, e eu fico por aqui hoje, afinal daqui a pouco tem premiação para conferir, então abraços e até amanhã com mais textos.


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Hamnet - A Vida Antes de Hamlet (Hamnet)

1/11/2026 02:54:00 AM |

Confesso que não tinha esperanças que as premiações desse ano fossem estar imponentes de filmes, pois tivemos um ano de 2025 mediano aonde poucas obras surpreenderam realmente, tanto que havia falado para um amigo que assistiria esse ano sem ter muito bem em quem botar minhas fichas, mas sabemos que muitos dos grandes filmes de fora só aparecem por aqui agora no comecinho do ano, e que final de semana está sendo esse com pré-estreias incríveis, de tal forma que nem sabia direito de que falava o longa "Hamnet", e muito menos que a diretora era Chloé Zhao que tem seu estilo próprio e sabe fazer dramas como ninguém, já tendo uma prateleira imensa de prêmios. E eis que hoje fui conferir tendo visto apenas um trailer e lido somente a sinopse, e meus amigos, que filme potente a diretora nos entrega, sendo um pouco lento realmente, demorando para acontecer as situações, e até sendo alongado pela carga dramática em si, fazendo com que suas duas horas parecessem até maiores na tela, mas quando chega nos atos finais, me arrepiou como nunca tinha acontecido em algum filme de drama, e fez muitos dos que estavam na sessão (bem cheia felizmente para uma sessão das 22hs) chorarem de soluçar, ou seja, é um impacto bem acertado na composição criada por inteiro. E digo mais, já vi alguns filmes baseados na peça "Hamlet", assisti algumas peças teatrais, mas nunca tinha entendido a profundidade da trama pela ótica colocada aqui, que deu um sentido muito maior para tudo, ou seja, não chorei, mas senti uma vontade imensa de aplaudir o fechamento dramático, mas não era lugar para isso.

O longa nos situa na Inglaterra em 1580, aonde o modesto professor de latim William Shakespeare conhece Agnes, com seu espírito livre, e os dois, cativados um pelo outro, iniciam um tórrido romance que os leva ao casamento e a três filhos. Mas, enquanto Will persegue uma nascente carreira no teatro na distante Londres, Agnes mantém sozinha a vida doméstica. Quando a tragédia atinge a família, o vínculo antes inabalável do casal é posto à prova, e a experiência compartilhada prepara o terreno para a criação da obra-prima atemporal de Shakespeare, o incomparável “Hamlet”.

Sabemos que o estilo da diretora Chloé Zhao é mais lento e espaçado, tanto que seu filme de super-heróis não deu muito certo com esse como sendo um dos motivos, mas com dramas ela sabe fazer algo muito bem que é amarrar a trama para que o público se envolva do começo ao fim com os personagens, e aqui junto de Maggie O'Farrell que escreveu o livro em que o roteiro se baseia, conseguiram dar um vértice bem novo em cima da história, criando um carisma completamente diferente para a personalidade de Shakespeare como conhecemos, e sabendo dimensionar bem isso dentro do contexto da época, junto de uma desenvoltura pegada para emocionar, o resultado acabou indo para rumos impactantes e tão perfeitos quanto o que qualquer um esperava. Ou seja, a diretora soube carregar a trama com um luto impregnado, com um ódio marcante pela situação, mas que funciona perfeitamente para o fechamento escolhido, e isso é algo que acaba sendo incrível de ver acontecendo.

Quanto das atuações o longa traz Jessie Buckley tão forte, mas tão fora de tudo o que já vimos da artista, que sua Agnes impacta com olhares, com dinâmicas, mas principalmente pela essência que a atriz conseguiu dar para a personagem, de tal forma que você vê ela no começo e não se conecta tanto, mas vai dando seus textos, vai colocando presença, e quando chega nos atos fortes se entrega de corpo e alma, agradando demais com tudo o que faz. Paul Mescal é um ator tão completo que mesmo quando faz papeis que pareceriam não impressionar, acaba indo para rumos aonde você não consegue desgrudar os olhos dele, e aqui foi bacana que até antes da cena final em momento algum lhe chamaram de William Shakespeare, deixando aquela dúvida se realmente era a história do escritor ou não, mas isso em momento algum desmerece o que ele faz em cena, sendo imponente e acertivo demais, brilhando muito. Vale ainda dar ótimos destaques para as três crianças Bodhi Rae Breathnach com sua Susanna, Olivia Lynes com sua Judith, e Jacobi Jupe incrivelmente perfeito com seu Hamnet, conseguindo ser marcante demais com olhares, trejeitos e tudo mais em suas cenas. E claro vale dar uma boa olhada nos momentos precisos de Emily Watson com sua Mary e Noah Jupe fazendo um Hamlet perfeito na cena de fechamento.

Visualmente o longa conseguiu representar bem o interior inglês do século XVI, com figurinos bem trabalhados, casas com nuances mais fechadas e escuras, todo o lance da floresta e das ervas para cura, bem como uma Londres marginalizada, cheia de pobreza e doenças, com claro a peste dominando tudo, além de um teatro incrível e diferenciado para os atos finais, ou seja, foram bem representativos com tudo, chamando atenção para os personagens em suas dinâmicas, e claro um fechamento de uma peça bem representada.

Enfim, é um filme fui sem esperar nada e saí encantado com tudo o que vi na tela, tendo apenas o defeito do alongamento cênico pelo ritmo mais calmo, e talvez a falta de desenvolvimento maior de alguns personagens importantes para conhecermos mais dos adultos, mas nada que atrapalhe o resultado final imponente, denso e emocionante para envolver a todos que forem conferir. O longa estreia na próxima quinta 15/01, mas felizmente tivemos prés espalhadas pelo país nesse final de semana, então quem tiver oportunidade não perca. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, agora bem mais preparado para as premiações, e volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Davi - Nasce Um Rei (David)

1/10/2026 09:01:00 PM |

Já conhecendo o estilo da Angel Filmes estava com um pouco de receio de como eles iriam transmitir para a telona uma história bíblica imponente como a de Davi versus Golias, mas o receio passou logo nos primeiros momentos da conferida de "Davi - Nasce Um Rei", pois fizeram uma trama tão bonita, tão bem desenhada, com um estilo que não deixou de lado a magia de uma animação, mas também não ficou no lado doce de um povo que batalha a milênios pelas terras de seu povo. E o que mais me impressionou foi que não fizeram apenas uma animação simples de estilo, trabalharam com texturas, com traços diferenciados, e ainda incorporaram muitas canções marcantes para desenvolver tudo na tela. Ou seja, é o famoso filme religioso que não foi feito apenas para as pessoas religiosas, mas sim para toda família levar a criançada para curtir algo bonito e bem feito. Diria apenas que é um pouco longo demais para algumas crianças, que geralmente preferem algo entre 70-90 minutos, enquanto aqui temos 109 de projeção, mas não é algo que canse, então podem ir tranquilos conferir.

A sinopse nos conta que das canções de sua mãe que embalavam seu coração às silenciosas conversas com um Deus fiel, a trajetória de Davi nasce da devoção e da escuta interior. Quando o gigante Golias surge para intimidar um povo inteiro, é esse jovem pastor — munido apenas de coragem e uma fé inabalável — quem decide enfrentar o impossível. Sua jornada culmina em uma batalha que vai muito além de uma coroa: é a luta pela identidade, pela fé e pela alma de um reino inteiro.

Tradicionalmente todo longa da Angel Filmes e da Heaven Content vemos o diretor da trama falando alguma palavra motivacional e pedindo para ajudarmos com um ingresso para aqueles que não tem condição de ir ao cinema, nada contra afinal já vimos que isso deu certo várias vezes, mas uma coisa me chamou muita atenção nas palavras do diretor Phil Cunningham que ele demorou 30 anos para que sua obra chegasse aos cinemas, e o mais bacana é que mesmo conhecendo a história bíblica, o resultado visual acabou sendo tão bem desenvolvido para mostrar a fé do garoto e depois dele rapaz, que acaba sendo empolgante ver o trabalho do diretor exibido na tela, mesmo antes dele falar isso, pois a animação tem essa sensação de envolvimento e de desenvoltura, que contando com um desenho diferenciado de traços, acaba emocionando e funcionando demais até para aqueles que não forem tão religiosos, sendo algo bonito de ver.

Quanto dos personagens posso dizer que o conceito musical me agradou muito na voz que deram para o garotinho Davi, de modo que João Vitor Mafra conseguiu ser imponente e doce ao mesmo tempo, sabendo dosar cada dinâmica na medida certa para que o personagem demonstrasse sua fé e com um caminho cheio de segurança frente a todos os obstáculos. Outra que deu um bom tom em diversos momentos foi Maitê Cunha como a mãe do protagonista, sendo bem doce e cheia de envolvimento nas entregas. Ainda tivemos muitos outros bons personagens, valendo destacar claro o gigante Golias pelo lado dos filisteus, e o Rei Saul com seu filho Jonatas pelo lado dos israelitas, com o rei surtado já sem Deus no coração querendo cada vez mais terras, e o filho sendo um grande parceiro do protagonista. De um modo geral todos os personagens tiveram boas entregas cênicas e se encaixaram bem em cada momento da trama cheia de batalhas.

Visualmente a trama tem intensidade, tem belíssimos cenários da cidade, dos pastoreios nas colinas com as diversas ovelhas andando pelas casas, tem todo o lado mais negro dos amonitas, o campo de batalha cheio de soldados contrastando com as flores, alguns bons momentos nas cavernas mostrando que desde aquele tempo o povo de Israel já tinha seus bons esconderijos e modos de viver, ou seja, um trabalho minucioso da equipe de arte que volto a frisar nos traços diferenciados do comum todo bonitinho e arredondado, ou seja, algo que vale a conferida.

Enfim, é uma animação muito gostosa de conferir, que volto a frisar que mesmo sendo uma história religiosa não força tanto a barra, agradando tanto os menorzinhos quanto quem for apenas conferir uma boa animação, sendo algo que recomendo, e que se duvidar pode ainda brigar por algumas premiações no ramo das animações, pois ficou bem bacana de conferir mesmo. Só não diria que foi mais perfeita pelos fatores da duração, e talvez por não contextualizar tanto quem não conhecer as histórias bíblicas, mas isso é mero detalhe técnico, então vá conferir nos cinemas a partir do dia 15/01, pois vai valer a pena. E é isso meus amigos, foi a primeira de muitas cabines que espero ver nesse ano, mas já fico por aqui agradecendo demais a Heaven Content e o pessoal da TZM Assessoria por enviar para minha conferida, então abraços e até breve com mais textos.


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