Confesso que estava com muito medo do que veria no novo longa "A Odisseia", pois não era o estilo de filme que o diretor Christopher Nolan costuma fazer, baseado em um livro gigantesco, que nas mãos de um diretor que já tem o costume de fazer filmes extensos poderia virar algo com horas a fio ou uma correria generalizada para entregar tudo, fora que ao começarem a pipocar as principais críticas das sessões de imprensa estava tudo muito fora de consenso com alguns apaixonados pelo que viram e outros botando mil defeitos. E como costumo dizer, ir com expectativas baixas ajuda demais, pois como estava com todos esses temores, acabei largando o meu queixo lá na sala Imax do cinema, afinal a grandiosidade da obra em si, junto de um elenco de grandiosas estrelas do cinema, com um som que fazia todas as poltronas tremerem quase como uma 4DX, tendo uma história realmente sendo contada, sem ser daqueles filmes que tentam passar morais ou reflexões ou todo esse modus operandi chato a beça que virou moda, resultou em algo que saí apaixonado e até com vontade de já rever o longa (coisa raríssima), ao ponto que não tivemos momentos resumidos jogados na tela, não tivemos cenas para enfeitar o doce, sendo algo tão redondo na tela, que mesmo sendo extremamente recortado, com idas e vindas da história, funcionou perfeitamente. Ou seja, é daquelas obras memoráveis do cinema, aonde você se impacta com tudo, e que de forma alguma deve ser visto apenas em casa, tendo de ir na maior sala possível de sua cidade, seja ela nas melhores tecnologias de imagem e som, pois vai compensar e vai ser diferente demais.
O longa é um poema épico atribuído a Homero que acompanha as aventuras do herói grego Odisseu em sua volta para casa após a Guerra de Troia. O guerreiro enfrenta criaturas míticas e deuses em sua jornada épica de retorno onde sua esposa Penélope o aguarda. O rei de Ítaca descreve sua trajetória esbarrando com seres como o Ciclope Polifemo, as sereias e a feiticeira/deusa Circe.
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O longa é um poema épico atribuído a Homero que acompanha as aventuras do herói grego Odisseu em sua volta para casa após a Guerra de Troia. O guerreiro enfrenta criaturas míticas e deuses em sua jornada épica de retorno onde sua esposa Penélope o aguarda. O rei de Ítaca descreve sua trajetória esbarrando com seres como o Ciclope Polifemo, as sereias e a feiticeira/deusa Circe.
Nem precisaria falar nada do diretor e roteirista Christopher Nolan, pois seus filmes são obras visuais tão marcantes que a sua assinatura já faz o longa ir parar entre os preferidos de muitas pessoas, e aqui posso afirmar que ele conseguiu um feitio raríssimo de um livro gigantesco ser colocado na telona com tantos personagens e não deixar praticamente ninguém nem nenhuma parte ficar desaparecido ou ofuscado, fora que sofreu as mais duras críticas pela escalação de alguns atores que muitos acreditavam ser apenas para lacrar, cobrir cotas e tudo mais, mas que funcionaram bem na tela, não atrapalharam em nada o desenvolvimento da trama, e principalmente deram um tom diferenciado para o filme, ou seja, poderia ser até um animatrônico no lugar que não faria diferença desde que funcionasse para a proposta, e assim o diretor o fez. Além disso, sabendo da grandiosidade da obra, o diretor usou das principais tecnologias do mercado, filmando tudo em amplos ambientes, usando a computação somente aonde deveria realmente ter, e com isso brincou com os ângulos de câmera (praticamente matando o diretor de fotografia para carregar o trambolho gigante que é uma câmera Imax 70), mas conseguiu dar perspectivas e entregas tão perfeitas para cada ato, que você não se cansa de ver um filme de quase 3 horas, que parece ainda maior pela quantidade de história mostrada na tela, ou seja, é a perfeição em forma de filme.
Falar das atuações é algo que poderia ficar longo demais pela grande quantidade de excelentes atores, então apenas digo de cara que todos funcionaram muito bem em cena, não parecendo estarem com medo de seus personagens, dominando o ambiente e sendo responsáveis pelas cenas que tinham que botar suas interpretações. E seguindo dessa lógica, muitos tem falado que Matt Damon entregou um Odisseu morno demais, e diria que para o que o filme pedia ele caiu muito bem nesse sentido, pois é alguém desgastado com tudo o que aconteceu, sobrevivente de seres míticos e tudo mais, e principalmente lutando ainda bem, ou seja, ele fez o que o papel determinava e conseguiu segurar os olhares para seus momentos, então acertou. Na outra ponta tivemos Tom Holland com seu Telémaco cheio de trejeitos, porém ingênuo demais até para um jovem futuro rei, e aí embora tenha gostado do estilo que ele entregou, talvez alguém com uma presença mais forte daria um tom melhor na tela, mas volto a frisar que dentro da ideia toda do diretor acabou funcionando. Já Robert Pattinson soube entrar tão bem na personalidade de Antínoo que acabamos ficando com raiva de seus atos, e até torcendo para ver ele levar um belo safanão do protagonista, ou seja, ele conseguiu trazer força para o papel e se marcar na trama. Ainda tivemos muitos outros bons atores, com Anne Hathaway sendo perfeita com sua Penélope, Himesh Patel entregando um Euríloco imponente e cheio de expressões, Charlize Theron sendo bem dupla com sua Calypso, Samantha Morton bem colocada nas entregas de sua Circe, John Leguizamo cheio de dinâmicas marcantes com seu Eumeu, e até mesmo Zendaya trabalhando sua Atena quase como um reflexo da mente perturbada do protagonista funcionou bem, ou seja, todos foram perfeitos.
Visualmente o longa ficou incrível, sendo daqueles que quase dá para emoldurar frame a frame em um quadro e ficar apreciando, contando com cenas de batalhas épicas, monstros gigantes, palácios, templos, animais, muitas cenas em mares revoltos, figurinos e armas imponentes e chamativas, e sabendo ainda que o estilo do diretor é filmar o máximo que puder em locações, toda a ambientação toma proporções fora dos padrões, pois é quase como se víssemos realmente tudo acontecendo de forma real o que lemos no livro há anos, com brilhos, texturas, locações e tudo mais, sendo daqueles filmes que entram para brigar nas premiações com muita imposição e certeza do que apresentou para o público, não ficando detalhes falsos ou jogados, e principalmente chamando o público para embarcar na jornada grandiosa do começo ao fim, que na Imax ainda ficou mais amplo visto que tudo foi filmado no formato.
Um ponto que costumo falar menos é sobre a sonoridade, mas aqui o trabalho foi tão bem feito que faz parte total do que vemos na tela, quase como um quarto elemento visual, que nos leva a estar junto em todas as cenas, com os barcos se batendo, a chuva, os raios, as marchas, as lutas de espadas e tudo mais com um realismo impressionante que com a sala, as poltronas e tudo mais tremendo com os impactos, ou seja, um trabalho minucioso da equipe para passar esse ar mais sensorial para o público.
Enfim, sei que revendo o longa ou até parando um pouco mais para pensar em detalhes devo achar defeitos para poder reclamar, mas como gosto de passar para vocês exatamente o que senti ao sair da sessão, posso ir no cinema amanhã buscar meu queixo que ele ficou lá caído com tudo o que vi na tela, e assim sendo só vejo a perfeição para dar a maior nota para o longa, e recomendar encarecidamente que todos vejam nas maiores salas do cinema, com o som no máximo para ter o mesmo resultado, e que venham as indicações e prêmios, pois vai ser muito boa as brigas técnicas desse ano. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, agora dos streamings, já que essa semana o Nolan e as animações que já vinham com sucesso roubaram todas as salas para eles, então abraços e até logo mais.
































