Antes de mais nada, o começo do longa já diz tudo que se baseia em fatos reais, porém é uma ficção, ou seja, ficaram com medo da polícia russa bater na casa do diretor francês e ele nem ir nas exibições! Dito isso, quando vi o pôster (nem vi o trailer antes de conferir) já tinha ficado com uma curiosidade de como iriam entregar o longa "O Mago do Kremlin", que estreia nos cinemas na próxima quinta 09/04, pois a Rússia em si é daqueles países que sabemos quase nada, mas o pouco que sabemos após o fim da URSS é algo que nunca se entende muito, pois ao mesmo tempo que tudo é grandioso como o seu território, também vemos algumas loucuras gigantes e estranhas, e aqui baseado em um livro que remonta um pouco a história de um diretor de cinema que vira assessor pessoal de Putin, levando ele de "espião" para czar, mudando todos os ares do país e como ligou seus "amigos" e "inimigos". Ou seja, é um filme denso, bem atuado, bem longo também para conseguir mostrar todas as dinâmicas do período, mas que poderia ser mais intenso na formatação para que não ficasse tão pontuado e lento, pois em alguns momentos chega a dar uma leve cansada, mas como todas as informações e situações são bem interessantes, o resultado final acaba funcionando bem na tela.
O longa nos mostra que após a queda da URSS, um artista genial se torna a mente sombria por trás do poder de Vladimir Putin. Vadim Baranov era produtor de TV, mestre em manipular percepções, até ser recrutado para o maior show do mundo: fabricar um líder. Por anos operou nas sombras, moldando a imagem do homem mais temido do planeta. Um dia, o silêncio terminou e a verdade por trás do poder mais perigoso do mundo veio à tona.
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O longa nos mostra que após a queda da URSS, um artista genial se torna a mente sombria por trás do poder de Vladimir Putin. Vadim Baranov era produtor de TV, mestre em manipular percepções, até ser recrutado para o maior show do mundo: fabricar um líder. Por anos operou nas sombras, moldando a imagem do homem mais temido do planeta. Um dia, o silêncio terminou e a verdade por trás do poder mais perigoso do mundo veio à tona.
Vi em alguns comentários sobre o filme que muitos estão falando que o longa é mera propaganda russa, e antes de qualquer coisa, o longa nem filmado na Rússia foi, sendo a maior parte rodada na Letônia, por um diretor francês em uma produção mista entre França e Estados Unidos, falado em inglês com atores de várias nacionalidades e quase nenhum russo, ou seja, passa bem longe de uma propaganda de Putin como vários estão achando, dito isso o diretor e roteirista Olivier Assayas tem em seu estilo algo mais amplo de trabalhar, sendo raros trabalhos seus mais sucintos de ideias e ideais, e aqui ele vai brincando com as várias épocas enquanto o protagonista já aposentado resolve contar tudo para um escritor, e a sacada da história é ir se moldando ao mundo, com situações que vimos muitas vezes acontecer, não imaginando tudo como era, afinal como disse no começo a Rússia é um país muito oculto de informações, e sabemos a loucura que ocorre com quem conta os segredos. Sendo baseado no livro de Giuliano da Empoli, diria que o diretor soube usar bem o estilo literário na tela, sem precisar capitular tanto, embora tenha as devidas quebras de épocas, mas funcionou como se o personagem estivesse contando tudo para o escritor, e isso foi bacana de ver.
Quanto das atuações, é algo particular meu, mas o estilo calmo demais de Paul Dano me incomoda um pouco, e aqui seu Vadim Baranov é metódico ao extremo, de tal forma que o ator trabalha cada dinâmica com uma precisão cirúrgica de cartas marcadas, sabendo exatamente como se portar para cada tipo de pessoa, realmente como um grande jogador, ou no caso, um bom produtor/diretor de cinema que ao cair na política soube amarrar as pontas com verdades e mentiras, ou seja, o ator dominou do começo ao fim e chamou muita atenção. Agora quem é um verdadeiro camaleão é Jude Law, de modo que aqui seu Putin é até mais parecido com o verdadeiro do que o próprio, tendo trejeitos bem encaixados, um visual completamente representativo, e até mesmo nas facetas mais expressivas de suas loucuras foram bem trabalhadas pelo ator, ou seja, cada momento seu na tela é algo que brilha, mesmo que seja algo que dê vontade de xingar pelo conteúdo em si. O mais interessante é que o longa tem outros personagens bem interessantes, mas que ficaram em segundo plano, a começar pelo escritor vivido por Jeffrey Wright, tendo boas dinâmicas fortes com o diretor da TV estatal que Will Keen trabalhou intensamente, e até situações mais jogadas com o ricaço vivido por Tom Sturridge, mas o diretor optou por algumas dinâmicas meio que soltas com a esposa do protagonista vivida por Alicia Vikander, que sempre se sai bem, mas acredito que não fosse tão necessária ter mais destaque que os demais.
Visualmente, como já disse acima, o longa foi filmado em muitas locações da Letônia, deixando apenas para os ambientes mais chamativos externos usarem de filmagens rápidas sem os protagonistas, e toda essa essência meio que de espionagem e de jogos políticos foi bem montada entre restaurantes, festas, posses imponentes e claro as casas de campo no país e em outras localidades chiques da Europa, de tal forma que a equipe de arte soube representar muito bem as épocas, algumas das guerras contra a Criméia e a Ucrânia, tendo figurinos marcantes e dinâmicas bem encaixadas para que os elementos cênicos não destoassem da realidade, o que deu um ar bem interessante na tela.
Enfim, é um longa muito representativo e interessante, primeiro por acharmos que tudo ali pode ser muito realista, mas como contado nos créditos iniciais muita coisa foi transformada em ficção para chamar mais atenção, e claro ninguém da equipe evaporar após as exibições, então diria que o resultado funcionou bastante e foi bem interessante de acompanhar do começo ao fim (e que fim!) mesmo que seja longo demais para o meu gosto em filmes de drama, mas ainda assim não eliminaria tantas situações, e assim o corte seria quase igual. Sendo assim fica a dica para conferirem ele nos cinemas a partir da próxima quinta, 09/04, e eu fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Imagem Filmes e da Sinny Assessoria pela cabine de imprensa, então abraços e até amanhã com mais dicas.


































