Se tem algo que me deixa muito feliz é ver um filme nacional que funciona na tela de maneira solta, como algo simples, bem feito, com mensagem forte, e principalmente sem precisar enfeitar muito na tela, de modo que em pouco tempo causa o mistério, desenrola toda a trama e ainda mostra algo que é tratado como comum e não deveria. Ou seja, "Antártida" é o famoso filme potente de suspense, que até tem traquejos bem novelescos dentro das dinâmicas, mas que deixa isso de lado para que o assunto impacte com bons atores e bons diálogos, e assim sendo impacta na medida que consegue construir a história que estava na ponta da agulha o tempo todo.
O longa nos mostra que na estação de pesquisas brasileira na Antártida, a equipe formada por cientistas e militares se prepara para uma vigorosa temporada de inverno. Mas na primeira noite uma jovem cientista é violentada. Sem conseguir identificar seu agressor, ela será forçada a conviver com ele durante toda a temporada. A subcomandante da base inicia uma investigação implacável e não descansará, enquanto não descobrir quem cometeu o crime.
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O longa nos mostra que na estação de pesquisas brasileira na Antártida, a equipe formada por cientistas e militares se prepara para uma vigorosa temporada de inverno. Mas na primeira noite uma jovem cientista é violentada. Sem conseguir identificar seu agressor, ela será forçada a conviver com ele durante toda a temporada. A subcomandante da base inicia uma investigação implacável e não descansará, enquanto não descobrir quem cometeu o crime.
Gosto de ver também na tela a evolução do diretor Bruno Safadi, pois se seus longas anteriores eram tão abstratos e fechados somente para um público de festivais (aliás, milagrosamente eu assisti a dois deles!), com sua passagem por grandes séries de sucesso ele acabou migrando para um rumo comercial forte, mas ainda assim apontando seu dedo para as críticas da sociedade, e aqui em sua obra mais cinematográfica realmente para o grande público, ele trabalhou com um elenco primoroso e deu um viés forte que é a discussão do estupro e/ou abuso de mulheres em profissões comumente cheia de homens, como numa marinha ou ainda mais numa pesquisa científica em um lugar remoto, aonde ocasionalmente rolam essas situações degradantes, e por muitas vezes acabam sendo abafados pela mídia, pela sociedade em si, ou até mesmo pela política. Ou seja, o diretor conseguiu trabalhar algo grande mantendo a pontuação íntima, e isso é ser bom no que faz.
Quanto das atuações, mais uma vez Andrea Beltrão dá um show de personalidade com sua Elizabeth, encarando e botando banca em diversos personagens de patentes até maiores que a sua, mas sendo direta em olhares e afirmações, sabendo pontuar e se expressar com unidade, mostrando o tamanho de sua atuação, ou seja, fez com que o filme que originalmente não giraria tanto em cima dela se tornasse dela, e isso foi muito bacana de ver. Já Marina Ruy Barbosa tem estilo, tem personalidade forte, mas me incomoda um pouco seu ar "jogado", de modo que parece não estar segura de seus papeis, explodindo e ficando forte somente nas explosões, e isso pode fazer dela alguém sempre no mesmo papel, o que não é interessante, mas aqui sua Inês precisava desse traquejo, e ela fez bem. Lázaro Ramos é forte e denso sempre aonde entra, e aqui seu Vicente transita entre o caos e a explosão, sendo não apenas o alvo, mas também dando motivos para isso, e a "piada" que é construída por seu personagem de que o motivo da cor foi a escolha de indicar o culpado culmina também com o que muitos acham, mesmo fazendo motivo para ser o escolhido, e o ator deu o tom forte sabendo disso. Ainda tivemos um Antônio Calloni marcante com seu Barros, um Gero Camilo sempre determinado, uma Leandra Leal imponente e chamativa com poucas cenas, entre muitos outros, sendo um elenco forte e que facilmente conseguiriam manter suas narrativas bem impregnadas para uma trama ainda maior.
Visualmente é até engraçado que o longa pareceu realmente filmado na Antártida, mas foi praticamente todo feito no Rio de Janeiro, de forma que conseguiram mostrar muitas cenas dentro dos interiores, e trabalharam poucas externas, tendo os ambientes mais fechados como uma sala de estar, uma de reuniões, alguns quartos e claro toda a vestimenta dos personagens remetendo demais ao frio extremo do continente gelado, ou seja, a equipe de arte soube ser bem criativa e ousada para não precisar gastar muito com a neve ou o deslocamento dos atores, e isso deu um ar frio bem marcante para o projeto por completo.
Enfim, é um filme intenso com uma proposta marcante, que tem falhas e que muito provavelmente por ser da Globo Filmes será dividido em capítulos e lançado como série colocando mais cenas para dar um volume maior na TV, mas que como cinema de 94 minutos funcionou muito bem na telona e vale a conferida com toda certeza para se discutir o tema dos abusos, então fica a dica para todos. E é isso meus amigos, fico por aqui fechando o final de semana bem feliz que todos os longas que estrearam foram bem bacanas de conferir, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


































