O topo do pôster do longa "O Sentido da Vida" já diz tudo sobre a dupla premiação em Cannes para ambas as atrizes do filme, pois confesso que se não soubesse que elas são atrizes renomadas, diria com toda certeza que são expertises no assunto que defenderam na tela, uma formada em antropologia trabalhando como diretora de uma casa de repouso, e a outra formada em filosofia/sociologia trabalhando como diretora teatral, pois o domínio delas nas entregas foi algo fora dos padrões, inclusive com a francesa dominando tão bem o idioma japonês e vice-versa que olha é de tirar o chapéu. E quanto da história o diretor trabalhou com tantos temas fortes que seu filme de quase 200 minutos poderia ser daqueles que você dormiria e acabaria morto de cansaço com tudo, mas não é de forma alguma, sendo algo tão bem encaixado na tela, tão didático, tão preciso nas nuances para defender as ideias e dinâmicas sobre a senilidade, a taxa de natalidade caindo, a democracia e como manter um trabalho no mundo capitalista atual, ou seja, um filme denso com uma verborragia imensa tradicional francesa, porém com o toque cadenciado e certinho japonês, aonde tudo flui, tudo tem voz e encanta sem cansar um segundo que fosse.
A sinopse nos conta que sendo a diretora de uma instituição para idosos, Marie-Lou tenta aplicar ali uma filosofia de cuidados inovadora, baseada na escuta e na dignidade dos residentes, apesar da relutância de parte de sua equipe. Seu encontro com Mari, uma diretora de teatro japonesa que luta contra um câncer, vai mudar completamente o rumo de sua vida. Ao estabelecerem uma amizade profunda, as duas mulheres se unem em uma luta para tornar possível o impossível.
Diria que o diretor e roteirista Ryūsuke Hamaguchi soube utilizar bem o livro de Maho Isono e Makiko Miyano para que seu filme ficasse bem no seu estilo cadenciado, que mesmo sendo longo, não é alongado, aonde você assiste tranquilamente vendo tudo acontecer e já pensando em tudo o que está sendo mostrado, afinal é algo mundial o envelhecimento da população, e claro que muitas pessoas gostariam de serem tratadas como humanos realmente até os últimos segundos de sua vida, e não como um vegetal e/ou um objeto largado deitado em uma clínica, e a sacada de como tudo se desenvolve na tela é tão bacana que você passa a ter grandes considerações pelas protagonistas, não sendo algo que você vê de forma técnica sem te levar para lugar algum. Ou seja, é o famoso filme que muitos vão torcer a cara só de ver a duração, outros vão achar algo tão de festival que nem passaria perto, mas quem se deixar levar pela ideia proposta e refletir sobre o assunto vai gostar demais no final.
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A sinopse nos conta que sendo a diretora de uma instituição para idosos, Marie-Lou tenta aplicar ali uma filosofia de cuidados inovadora, baseada na escuta e na dignidade dos residentes, apesar da relutância de parte de sua equipe. Seu encontro com Mari, uma diretora de teatro japonesa que luta contra um câncer, vai mudar completamente o rumo de sua vida. Ao estabelecerem uma amizade profunda, as duas mulheres se unem em uma luta para tornar possível o impossível.
Diria que o diretor e roteirista Ryūsuke Hamaguchi soube utilizar bem o livro de Maho Isono e Makiko Miyano para que seu filme ficasse bem no seu estilo cadenciado, que mesmo sendo longo, não é alongado, aonde você assiste tranquilamente vendo tudo acontecer e já pensando em tudo o que está sendo mostrado, afinal é algo mundial o envelhecimento da população, e claro que muitas pessoas gostariam de serem tratadas como humanos realmente até os últimos segundos de sua vida, e não como um vegetal e/ou um objeto largado deitado em uma clínica, e a sacada de como tudo se desenvolve na tela é tão bacana que você passa a ter grandes considerações pelas protagonistas, não sendo algo que você vê de forma técnica sem te levar para lugar algum. Ou seja, é o famoso filme que muitos vão torcer a cara só de ver a duração, outros vão achar algo tão de festival que nem passaria perto, mas quem se deixar levar pela ideia proposta e refletir sobre o assunto vai gostar demais no final.
Já falei bastante das atuações no começo, mas é inegável a qualidade de Virginie Efira com sua Marie-Lou e Tao Okamoto com sua Mari, de tal forma que ambas entregam um cuidado para com o próximo, passam por cima até do seu cuidado próprio, e que trabalhando todos os sentimentos possíveis na tela vão se desenvolvendo calmamente, sem precisar apelar para traquejos falsos, que como falei no começo pareceram saber exatamente do que estavam falando ali e não atuando, ou seja, dominaram o tema, entenderam a proposta e colocaram acima de qualquer perspectiva para envolver o público para o assunto, com ambas brincando ao falar misturando francês e japonês quase como se fossem nativas dos dois idiomas, andando e discutindo sem termos afobação ou cansaço, e tudo mais que pudessem fazer para agradar realmente na tela, dando show e claro já levando muitas algumas premiações pelo que fizeram. Ainda tivemos outros bons atores, cada um dando as devidas nuances para se conectar com as protagonistas, mas valendo dar destaque somente para Kyôzô Nagatsuka com seu Goro e Marie Bunel com sua Sophie por serem os que mais se jogaram nos momentos mais fortes.
No conceito visual a trama mostrou bem a clínica de idosos em Paris, mostrando alguns quartos, refeitórios e salas com discussões do que fariam nos quartos do diretor, vemos também a área externa quase como uma grande praça bem trabalhada na jardinagem, vemos uma peça inteira em um pequeno teatro com boas utilizações de instrumentos musicais pela plateia, vamos também para Kioto ver a casa da protagonista, e claro muitos passeios pelas ruas da cidade, sendo até bem interessante de acompanhar elas, isso tudo com muitas dinâmicas e atividades para os velhinhos com muita simbologia em tudo e claro aumentando o envolvimento na tela.
Enfim é um filme bem diferenciado, interessantíssimo pela proposta entregue na tela, com uma densidade que funciona bastante e que segura o espectador, não sendo daqueles que você cansa e acaba desistindo de ver, que claro não é um filme para todos, pois quem gosta de algo mais explosivo talvez não entre completamente no clima, mas ainda assim vale a conferida para se pensar em muitas coisas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


































