O que mais gosto de ver nos filmes baseados em fatos reais é o quão louco algumas atitudes acabam acontecendo, e digo mais, como em algumas situações acabamos torcendo para um sequestrador, pois a situação faz com que pensemos em abusos de taxas e até mesmo em reviravoltas aonde aquele algo a mais faz a diferença. E a grande sacada do longa "Refém Por Um Fio" é mostrar como alguém revoltado com um golpe tomado por uma incorporadora imobiliária virou os holofotes todos para si ou sequestrar o presidente da companhia, mas mais do que isso vemos toda a interação policial, e principalmente como a família do presidente (mais especificamente o pai, autor do golpe) tratou o assunto. Ou seja, é daqueles filmes malucos, cheios de atitude, e que tendo uma boa presença cênica dos atores conseguiu mostrar o envolvimento (que foi muito bem filmado por uma equipe secundária na época da TV) e deslanchar em uma trama interessante demais de ser conferida, que diverte e agrada na tela sem precisar ir muito além.
O longa é baseado em uma história real, mais especificamente sobre o sequestro envolvendo o incorporador imobiliário Tony Kiritsis e Richard Hall, presidente da Meridian Mortgage Company. Ambientado no escritório da empresa de Richard, Tony entrou em cena no dia 8 de fevereiro de 1977 com uma espingarda e se tornou conhecido entre o público como um herói fora da lei por, após ser prejudicado, obrigar um pagamento de US$ 5 milhões e um pedido de desculpas.
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O longa é baseado em uma história real, mais especificamente sobre o sequestro envolvendo o incorporador imobiliário Tony Kiritsis e Richard Hall, presidente da Meridian Mortgage Company. Ambientado no escritório da empresa de Richard, Tony entrou em cena no dia 8 de fevereiro de 1977 com uma espingarda e se tornou conhecido entre o público como um herói fora da lei por, após ser prejudicado, obrigar um pagamento de US$ 5 milhões e um pedido de desculpas.
Sabemos que o diretor Gus Van Sant sabe trabalhar muito bem tramas baseadas em fatos reais, tanto que alguns de seus filmes acabaram até o projetando entre os melhores diretores em várias premiações, porém ele não é daqueles que lançam muitos filmes, e assim acaba meio sumido do mapa, o que muitas vezes é bom, e outras acaba ficando meio que fora do estilo que o pessoal anda olhando tanto. E aqui ele soube dosar bem os atos dramáticos com uma dose peculiar de comicidade, deu um bom tom de época, escolheu canções marcantes para os diversos atos, e soube dar o devido desenvolvimento cênico do ato em si, porém faltou apresentar um pouco mais os personagens, principalmente para quem não conhece muito do mercado imobiliário dos EUA, de modo que até entendemos a revolta do personagem principal, mas falta aquele extra para condicionar tudo na tela e não apenas nas atuações, mostrando que ele ainda tem a mão para o estilo, porém com poucas cenas a mais o filme impactaria ainda mais.
E falando das atuações, acho que estou tão condicionado a ver Bill Skarsgård com quilos de maquiagem, que nem lembrava da sua cara real, e aqui embora seja bem diferente do verdadeiro Tony Kiritsis que aparece durante os créditos, ele conseguiu dar ares bem imponentes para o personagem, soar quase como alguém com problemas mentais, mas com uma serenidade ímpar para impactar nos diálogos e movimentos, e assim acabou chamando muita atenção na tela. Dacre Montgomery ficou mais fechado com seu Richard Hall, afinal estava sob a mira de uma espingarda, tendo alguns atos mais soltos e emocionais que deram um bom tom na tela, porém acredito que poderia ter impactado mais com alguns poucos detalhes expressivos. É até engraçado que um filme de sequestro envolva um DJ de uma rádio local, mas Colman Domingo soube passar um ar tão marcante para seu Fred Temple que o resultado acaba fluindo incrivelmente bem na tela, sendo cheio de malemolência e desenvoltura para criar seus atos. Ainda tivemos outros bons nomes na tela, com destaque para Al Pacino, que mesmo aparecendo bem pouco consegue impactar com seu M.L. Hall, e claro Myha'la com uma Linda Page cheia de estilo e dinâmicas para sua aparição na TV.
Visualmente a equipe de arte trabalhou bem para recriar os anos 70 na tela com um figurino bem chamativo, as câmeras e imagens mais granuladas, e até mesmo algumas dinâmicas com carros da polícia e ambientes mais fechados, de modo que chega a ser até algo meio claustrofóbico o tanto de gente empilhada na coletiva e depois no ato do tribunal, mas ainda assim tivemos momentos bem feitos no apartamento do protagonista, só achei um pouco falho o fio que segurava a arma e alguns momentos aonde parecia que a algema que o refém reclamava de estar apertada tendo uma folga meio que de movimentos demais, mas ainda assim o resultado funciona na tela.
Enfim, é um filme interessante, com uma boa proposta, que chama atenção tanto na comicidade dos atos, quanto no realismo mostrado pelas dinâmicas, de modo que em alguns momentos até parecia que estavam usando imagens reais filmadas pela equipe de TV, mas ao final quando vemos os verdadeiros envolvidos fica claro que a equipe soube brincar bem e deu um bom tom em tudo. Claro que alguns vão achar exagerado demais tudo, outros não vão entender o surto do rapaz, mas ainda assim o resultado agrada como uma biografia, pois faltou aquele extra dramático para impactar como ficção, e assim fica a dica para não esperar muito dele, pois assim vai agradar mais. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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