O Som da Morte (Whistle)

2/07/2026 02:59:00 AM |

Gosto demais de conferir três estilos de terror, aqueles que fazem você pular a cada dois segundos (me irrita, mas eu gosto!), aqueles que você sai da sessão ultra-arrepiado pensando em como vai pegar o carro no estacionamento no fim da sessão, mas principalmente para me deixar muito feliz é só o longa ter algum sentido, algo que você possa pensar naquilo como algo "plausível", e hoje "O Som Da Morte" foi exatamente encaixado nesse último tipo, pois usando uma ideologia antiga a trama brinca com a ideia de que quando nascemos, a nossa morte também já nasce nos procurando, ou no caso com um destino bem definido de como iremos morrer, só que ela tem uma data para nos encontrar, isso pode ser amanhã ou daqui sabe lá quantos anos, só que usando o tal apito macabro, você indica o atalho pra ela, e pronto, você já vai morrer em breve como iria morrer no seu destino (exemplificando melhor, se você estivesse destinado a morrer por uma pedra na cabeça aos 60 anos, apitou o treco com 18, logo em seguida a pedra vem te buscar e te deixar com os 60 anos esmagado - esse exemplo não ocorre no longa!). Ou seja, tem toda uma ideia bem trabalhada, e claro como todo filme de terror, os protagonistas vão brincar com o tal apito que te procura, e também vão buscar meios de não morrer logo que descobrem o tal ritual, aí talvez seja o maior defeito do longa, pois usa a base de praticamente todos os demais filmes, mas ainda assim não estraga o resultado. E digo mais, esperem uns minutinhos na sala, pois a cena logo após os créditos iniciais é bem macabra!

A sinopse nos conta que um grupo de estudantes disfuncionais se depara com um Apito da Morte Asteca amaldiçoado. Logo eles descobrem que usar o objeto causa um som aterrorizante que prevê suas futuras mortes.

O diretor Corin Hardy ficou bem famoso tanto pelo lado positivo quanto pelo lado negativo, após seu último filme, "A Freira", porém com isso vem recebendo boas ofertas de trabalho, e claro chamando público para seu novo filme (mesmo com promoção de ingresso mais barato, não esperava ver tanta gente numa última sessão de um filme de terror! O que é muito bom!), e aqui ele mostrou que sabe fazer algo maior do que apenas dar sustos, pois o longa causa bastante com a ideia, e principalmente ousa com algumas mortes bem fortes na tela, que claro poderia ter um primor técnico um pouco maior das atuações e das dinâmicas, mas ainda assim o resultado surpreende bem e agrada, mostrando que um terror "barato" pode chamar atenção quando se tem uma história envolvente e chamativa. Ou seja, é daqueles diretores que sabem deixar suas marcas na tela, e principalmente mostrando ousadia foi além do que era esperado, fazendo com que o público prestasse bastante atenção (não vi pessoas saindo da sessão fora do final, felizmente!) e ao final as expressões aparentavam terem gostado assim como aconteceu comigo.

Agora o principal ponto negativo do filme ficou a cargo das atuações, pois infelizmente nenhum dos atores chamou a trama para si e agradou de uma forma convincente o que precisava fazer, tendo uma ou outra surpresa na tela, mas nada que impactasse realmente. Fiquei um bom tempo tentando lembrar de que filme conhecia a protagonista, mas jamais lembraria que era a garotinha de "Logan", que aqui já mais adulta, Dafne Keen trabalhou com uma culpa na personalidade de sua Chrys que chega a ser até meio depressiva na tela, de tal forma que talvez o diretor quisesse isso nela, mas acabou ficando um pouco estranha de ver. Da mesma forma Sophie Nélisse colocou sua Ellie até tendo algumas nuances mais "médicas" já que trabalhava no hospital e sonhava virar doutora, mas o papel acaba não sendo muito desenvolvido, e com isso também ficou um pouco apagada. Já Sky Yang ficou mais destacado pela paixonite de seu Rel, e certamente será lembrado por sua cena final, pois o impacto foi bem generoso com seus atos de loucura (que de cara pensaria da mesma forma que ele), e a intensidade chamou atenção. E falando em chamar atenção, daria um bom destaque para Jhaleil Swab com seu Dean e Ali Skovbye com sua Grace, também pela intensidade de suas cenas, além de inicialmente parecerem de boa com tudo, mas depois demonstrando medo e correndo pra valer da morte com bons trejeitos. Ainda tivemos dois que foram importantes apenas pelas suas mortes, mas que deram seu nome na tela, que foi Nick Frost com seu Mr. Craven, um fumante compulsivo e Stephen Kalyn com seu Mason incinerado.

Visualmente diria que a computação trabalhou muito bem em conjunto com alguns efeitos práticos, e claro com a maquiagem, criando boas dinâmicas na tela, mortes bem chamativas no melhor estilo da série "Premonição", tendo como principais ambientes uma festa de terror meio parecida com um Halloween, a escola, a casa dos protagonistas e uma siderúrgica, sem grandes chamarizes, mas tudo bem trabalhado para que impactar nos atos mais fortes.

Enfim, fui esperando nada e acabei muito surpreendido com o que vi, sendo rápido e sem enrolações, apresentando a ideia logo de cara, e depois uma explicação bem encaixada para não termos que pensar em ideologias e tudo mais. Claro que poderia ser muito melhor com um elenco mais chamativo e com algumas facetas mais amplas, mas aí seria outro filme. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos e dicas, então aproveitem que os cinemas estão em promoção de ingressos e vá conferir.


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(Des)controle

2/06/2026 08:47:00 PM |

Um dos melhores feitos que os diretores nacionais tem feito nos últimos anos foi tentar fugir do drama novelesco, que infeliz dominou muito nosso cinema no passado, e que é um estilo fácil de desenvolver na tela. E meu principal medo ao conferir o trailer de "(Des)Controle" era que forçassem tanto a barra na tela ao ponto do filme recair para esse formato, pois tinha todas os possíveis clichês do estilo sendo trabalhado em um único filme, porém como a trama é baseada na história real da produtora Iafa Britz, optaram mais em trabalhar a essência imponente da fraqueza na luta contra o álcool e as facetas que muitas vezes um vício proporciona, do que criar personagens e abrir mais o leque. Ou seja, vemos o famoso só um gole virar uma bomba depois de muitos litros na cabeça, e a perca total do controle que a personagem acaba sofrendo. Claro que o filme é bem amarrado, porém ele se alonga e repete muitas vezes para enfatizar o que desejava mostrar, então mesmo tendo espaços divertidos, por vezes cansa um pouco, mas felizmente não fica ruim de conferir.

O longa nos mostra que Kátia Klein é uma escritora bem-sucedida que enfrenta uma crise criativa às vésperas da entrega do seu novo livro, ao mesmo tempo em que descobre a falência do seu casamento e administra o acúmulo das demandas dos filhos e dos pais. Sobrecarregada e em busca de alívio, ela passa de uma simples taça de vinho ao total descontrole, sendo gradualmente engolida pelos excessos do vício.

Diria que as diretoras Carol Minên e Rosane Svartman souberam usar bem a vida de Iafa Britz, pois como ela é uma das produtoras de maior sucesso no país, a maioria do meio a conhece bem, e claro que sua presença produzindo algo que viveu, deu mais brechas para que tanto a equipe quanto a protagonista conhecesse e se envolvesse mais com a personagem real. Ou seja, vemos na tela o famoso retrato que talvez alguns não gostassem tanto de mostrar, mas que pintado da forma abstrata e correta acaba fluindo e funcionando para que outros sigam o rumo melhor, mostrando que até mesmo uma diretora de novelas consegue fazer algo sem ser novelesco.

Quanto das atuações, fazia tempo que não via Carolina Dieckmmann tão solta na tela, de modo que sua Kátia Klein teve muita personalidade e entrega, principalmente por talvez estar próxima da verdadeira "Kátia", porém valeria ter trabalhado um pouco mais sua versão de outra personalidade, pois ali a explosão ficou bem clara que dava para ir além. Como é um filme aonde a protagonista é mais importante do que a própria história em si, os demais personagens e atores acabaram um pouco apagados, de modo que Caco Ciocler com seu Zeca certinho demais, Irene Ravache com sua Esther simpática e Daniel Filho com seu Levi, acabaram não chamando tanto para si, porém tivemos bons momentos de Júlia Rabello com sua Léo, sendo mais do que uma agente, e sim uma amiga, e também os garotos Stéfano Agostini com seu Eduardo e Rafael Fuchs Müller com seu Bernardo agradando bastante com o que fizeram.

Visualmente a trama teve muitos momento na casa da protagonista, saindo garrafas de vinho de onde você menos esperar, tivemos várias cenas em boates, bares, praias, e até mesmo numa livraria para um lançamento com um robô completamente desnecessário para a trama, mas que resolveram brincar com a ideia, e acabou servindo, além da organização de um bar mitzva bem rapidamente com uma sacada legal dentro da ideia dos encontros.

Enfim, é um filme simples, bem feito e que funciona bem dentro da proposta, porém dava para arriscar mais e chamar ainda mais atenção para os conflitos que o alcoolismo entrega, mas aí certamente a trama iria para um outro rumo. Então é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas como quase toda sexta, lá vou eu para mais uma sessão, então abraços e até mais tarde com outro texto.

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Destruição Final 2 (Greenland 2: Migration)

2/06/2026 01:29:00 AM |

Lá naquela confusão total que foi o ano de 2020, um dos primeiros filmes que assistimos ainda de máscaras nos cinemas foi "Destruição Final - O Último Refúgio", que na época eu estava completamente desesperado por um longa do estilo e acabei dando uma nota até alta demais, mas no dia foi o que rolou comigo, de tal forma que hoje, por incrível que pareça, não fui esperando algo que me surpreendesse, pois tinha uma pulga na orelha me dizendo que seria algo tão pequeno que iriam desenvolver e encher de situações, do tipo que seria algo que mais 30-40 minutos no longa original ficaria perfeito, que foi exatamente o que aconteceu, pois temos 98 minutos com até uma boa quantidade de ação na tela, mas são situações tão malucas: com uma pessoa fugindo correndo de uma tempestade com raios mortais (quem já tentou correr de uma mísera chuvinha sabe que não dá certo!), atravessar pontes de cordas e escadas bizarras com ventos e tremores, uma queda de vários fragmentos quase arrastando as pessoas que estão segurando nas árvores e o carro não sai voando, fora uma guerra do tipo 3ª Guerra Mundial rolando e não tomam meio tiro nos protagonistas, ou seja, forçaram a amizade de uma maneira que não deu pra amenizar na crítica. Então, se você não ligar para isso e gostar do estilo, pode ir conferir tranquilamente, mas do contrário, é sair da sessão xingando tudo.

Ambientado cinco anos depois do apocalipse, o longa revela como os Garritys conseguiram criar uma vida no bunker na Groenlândia que passaram a chamar de lar. Contudo, quando a integridade do seu abrigo é ameaçada, John se vê obrigado a buscar uma alternativa para garantir a segurança da sua família. Partindo em uma jornada incerta rumo à Europa, os Garritys vão encontrar na superfície desafios novos e maiores, que só serão superados se eles se mantiverem juntos.

Ao menos não fizeram uma arte maior de trocar o diretor, pois se o diretor Ric Roman Waugh tivesse filmado tudo junto talvez saísse algo menos maluco, como acabou acontecendo, pois volto a frisar que ele acabou exagerando demais nas situações fora de um curso aceitável (aí vão vir falar que se fazem algo com muita ficção eu reclamo, e se fazem algo muito natural eu reclamo, mas tudo tem sua base para que eu não reclame!). Ou seja, tirando o exagero, vemos que o diretor tem estilo ao menos para filmes de ação com tudo o que se possa imaginar, de modo que se futuramente vierem a procurar ele para algo, já conheçam tudo o que sabe fazer, e nesse sentido o longa mostra ao menos uma potência, pois até dá para se desesperar nas cenas das pontes, da guerra e até das árvores, mas faltou aquele momento que realmente impactasse para valer, e aí acabou apenas sendo ok o trabalho do roteiro em si, que claro o diretor desenvolveu.

Quanto das atuações não tivemos nada de muito além na tela, tendo claro Gerard Butler com seu estilão imponente, trabalhando seu John como se fosse o ser mais importante no bunker e em tudo, afinal é o protagonista, tendo alguns atos de entregas forçados como tradicionalmente faz, mas convence ao menos na tela, e isso é bom. Também tivemos a brasileira Morena Baccarin mais uma vez entregando personalidade para sua Allison com atos meio que espaçados, por vezes saindo de foco para que o protagonista aparecesse mais, mas sendo imponente e chamativa, o que funciona para filmes do estilo. Quanto aos demais, diria que o jovem Roman Griffin até tentou ter algumas cenas mais chamativas com seu Nathan, mas não convenceu, da mesma forma Nelia Valery acabou sendo rapidamente introduzida na tela com sua Camille, tendo talvez um chamariz para um relacionamento com o garoto, mas sem ir muito além, sobrando então para a simpatia de William Abadie entregar seu francês Denis na tela (felizmente não forçaram que na França se fala inglês o tempo todo!) com poucos atos, mas sendo ao menos marcante.

Visualmente é inegável que nos foi entregue uma produção gigantesca, que mesmo sendo forçada de situações, tem efeitos bem trabalhados e chamativos aos montes, sendo o famoso road-movie acelerado com cenas imponentes de tsunami, de guerras com muitos tiroteios e explosões, tempestades fortíssimas, terremotos e tudo mais, seguindo bem o que vimos no primeiro filme, só que com proporções mais assustadoras de um certo modo, ou seja, a equipe de arte, e principalmente a equipe de computação gráfica trabalhou muito bem.

Enfim, é um filme que volto a frisar que dava para ter sido inserido no final do primeiro com mais alguns momentos e o resultado ficaria incrível, mas como resolveram lançar esse algo a mais na tela, com uma duração nem tão longa, poderiam ter caprichado um pouco mais na história para ser convincente ao menos. Vale apenas como um bom passatempo, para aproveitarem a Semana do Cinema com ingressos mais baratos, mas não vai ser nada que você lembre daqui alguns dias que viu. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Uma Carta à Minha Juventude (Surat Untuk Masa Mudaku)

2/05/2026 01:04:00 AM |

Costumo embarcar bem em longas mais sentimentais, porém gosto de ser surpreendido quando entregam aquele algo a mais que vai além da emoção preparada, e hoje precisava talvez de um filme que me fizesse quebrar algumas situações para embarcar, de tal forma que o longa indonésio da Netflix, "Uma Carta à Minha Juventude", parecia que seria a trama ideal para o momento, por trabalhar órfãos e até mesmo o luto como um baque possível para ter boas dinâmicas. Porém acabaram fazendo um filme tão linear e previsível, que a emoção acaba não acontecendo como deveria, e isso não me deixou com um filme ruim para conferir, pois as dinâmicas até que tem um bom sentimento na tela, mas a linearidade e a previsibilidade não foram suficientes para fazer com que o espectador quebrar o eixo total, e isso pesou no resultado.

O longa nos conta que um jovem rebelde tem o seu caminho traçado com um cuidador introspectivo durante a sua passagem por uma instituição de acolhimento. Apesar de todas as dificuldades, os dois passam a criar uma relação sincera e os traumas de seus passados se tornam o combustível ideal para a manutenção dessa amizade. Promovendo uma reflexão sobre as fases da vida, o longa mostra como as experiências da juventude podem moldar toda a fase adulta.

Diria que o diretor Sim F. trabalhou a história real de um modo simples, porém efetivo, pois a história em si funciona, é bem contada e até mostra um certo envolvimento dos personagens na tela, tendo interpretações bem dirigidas dos pequenos e construindo as dinâmicas com uma leveza simples, porém efetiva. Claro que passa longe de ser algo memorável o que fez, talvez pelo roteiro ser simples também, mas o resultado acaba sendo honesto e funcional, que abre a proposta e cria algo "de homenagem" a uma pessoa que fez a mudança acontecer.

Quanto das atuações, os personagens velhos no começo e no final não me encaixaram bem, parecendo até um pouco artificiais na tela, então vou optar por nem falar deles, mas já entrando diretamente em Agus Wibowo fazendo um Simon inicialmente com um carisma até negativo, introspectivo e fechado, não dando aberturas para nada na tela, até a virada no cemitério com o garoto, passando a ser alguém incrível, cheio das nuances, e sendo daqueles que você realmente tem vontade de abraçar até seu ato de fechamento, ou seja, foi bem demais no que fez. O garoto Millo Taslim entregou muita personalidade para que seu Kefas fosse intenso, tendo leves incômodos pela forma que fez algumas dinâmicas, mas sabendo bem da vida do jovem dá para entender. Outra que foi bem na tela, mas um pouco mais em segundo plano foi Aqila Herby com sua Sabrina mandona, cheia de traquejos, e que foi até engraçado que a versão adulta ficou muito parecida com ela, então souberam escolher bem o elenco. Ainda vale alguns leves destaques para Willem Bevers com seu Wahyu fazendo boas conexões, e também para os garotinhos Halim Latuconsina com seu Boni e Jordan Omar com seu Romi, mas sem irem muito além.

Visualmente a trama ficou bem fechada dentro do orfanato, saindo poucas vezes para ir na escola das crianças e também na funerária aonde trabalharam um visual meio carismático demais para um lugar desse estilo, mas nada que irritasse tanto quanto o estilão do dono, e dentro do orfanato tivemos alguns bons momentos nos eventos beneficentes e alguns exageros nas refeições, mas sem grandes chamarizes, valendo claro ver os ensaios do coral e toda a dinâmica em cima da música famosa Kidung que toca umas dez vezes ou mais no longa.

Enfim, é um filme bacana, honesto e que entrega bem a proposta na tela, mas que faltou emocionar mais para que ficasse bem melhor, e assim sendo diria que não atingiu o objetivo que eu procurava hoje que era de me envolver mais com um longa, e assim sendo recomendo ele com algumas ressalvas a mais. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Zafari

2/02/2026 12:56:00 AM |

A proposta do longa venezuelano "Zafari" é bem simples, porém fortíssima, até onde a fome não nos transforma de animais racionais para irracionais? Principalmente quando diferentes situações passam a acontecer, como falta de luz, de água e de qualquer indício de melhorias para se conseguir o básico. E acaba sendo daqueles filmes que você se prende nele, tenta pensar no que faria, como a situação poderia ir para outros rumos e tudo mais, com facetas bem expressivas pelos protagonistas, mas com um contexto tão atual e real, que poderíamos passar horas discutindo toda a temática entregue, ou seja, vem tantos sentimentos com o que vai acontecendo, desde o início conflitivo com as pessoas do outro lado, toda a essência do animal recebendo comida e eles não tendo, a junção de classes no mesmo ambiente, e as negociações e roubos, até o desespero final sendo marcante pelo lado animal dominar sobre o racional, com imposição e impacto funcionando como uma experiência maior do que apenas um filme.

A sinopse nos conta que num pequeno zoológico em Caracas, a chegada do hipopótamo Zafari é comemorada por vizinhos de diferentes classes sociais. Uma família acompanha as comemorações da janela de seu apartamento em um condomínio decadente de classe alta. Em meio ao caos gerado pela escassez de alimentos, água e energia elétrica, a família precisa resolver problemas cotidianos enquanto tenta encontrar uma solução para deixar o país. A mãe, Ana, percorre o prédio à procura de comida nos apartamentos abandonados, mas ruídos estranhos pelos corredores escuros a amedrontam cada vez mais. Num mundo cada vez mais selvagem, Zafari é o único que ainda tem o que comer.

Já tinha falado bem da diretora e roteirista venezuelana Mariana Rondón em seu longa anterior "Pelo Malo", e aqui ela volta a entregar muito com seu estilo, sem precisar criticar elos políticos ou dinâmicas do seu país de uma forma escancarada, mas brincando com a faceta do terror/suspense e colocando tudo como uma distopia fora do comum, acaba abordando situações que muitos sabem que acontecem por lá, e sendo uma das poucas realizadoras do país no momento, conseguiu envolver toda a situação com uma cadência primorosa e cheia de nuances, aonde a ideia vai além, mas que sem deixar o fio solto acaba segurando o público com a essência e com todas as dinâmicas. Ou seja, é um filme aonde vemos a mão da diretora em cima de uma ideia alegórica, mas que não deixa a realidade e a discussão fora do ar, e isso é brilhar com poucos instrumentos e acertar sem forçar.

Quanto das atuações, a protagonista Daniela Ramírez fez uma Ana atuante e marcante, transmitindo bem a sensação para o espectador de como as coisas estão andando, tentando fazer e trazer a comida para sua família, indo nos imóveis vazios e vendo o que conseguia para seu meio ficar mais normal como uma mãe de família faria, e com olhares densos e incrédulos foi mudando a concepção de tudo conforme se viu jogada, ou seja, fez bem e chamou para si a responsabilidade, agradando e se impondo. Da mesma forma, Francisco Denis trabalhou seu Edgar meio que de forma mais jogada, parecendo aceitar o rumo que as coisas estão tomando, mas não querendo se rebaixar, até o ponto que se perde por completo pelo desespero social e depois pela fome em si, e assim o resultado impacta e o ator soube passar bem a essência na tela. Entre os demais, diria que as expressões de Varek La Rosa com seu Bruno foram bem marcantes, mas poderia ter trabalhado alguns diálogos para chamar mais atenção; e Samantha Castillo fez uma Clara bem densa e cheia de traquejos para não se deixar levar na tela, trabalhando diretamente qualquer diálogo em sua direção.

Visualmente posso dizer que o longa foi muito rico de detalhes, tendo diversos apartamentos abandonados por onde a protagonista vai entrando e procurando comida e o que pudesse levar para seu apartamento, com destaque claro para os guardanapos natalinos que acabaram ocupando dupla função, tivemos o contraste entre os dois prédios, a forma de viver em conjunto bem indisposta entre as duas classes sociais, uma floresta rica ligando ambos os lugares, e claro o hipopótamo robusto tendo sua comida roubada pelos grupos. Ou seja, é o famoso filme que tudo serve para representar em detalhes uma decadência e a situação aonde os personagens vivem, com cada elemento sendo muito bem usado pela direção, não fazendo o trabalho da equipe de arte ser jogado em vão.

Enfim, é um filme bem interessante, com uma proposta intensa e marcante para refletir sobre não só a situação de um país, mas talvez de muitos num ambiente distópico futuro, que vale a conferida para algo a mais do que apenas um entretenimento, mas que também agrada como algo gostoso de ver na tela. Então fica a dica para a conferida a partir da próxima quinta 05/02 em cinemas selecionados, e eu fico por aqui hoje agradecendo a Vitrine Filmes e a Sinny Assessoria pela cabine, então abraços e amanhã com mais dicas.


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Alerta Apocalipse (Cold Storage)

2/01/2026 02:11:00 AM |

Confesso que hoje fui ao cinema esperando outra coisa, depois do tanto de propaganda que vi antes das sessões de vários filmes, sobre "Alerta Apocalipse", pois no trailer e na propaganda citava "Zumbilândia", citava produtor disso, diretor daquilo, roteirista daquele outro, mostrava toda uma pegada chamativa e tudo mais, de tal forma que a sala para um sábado a tarde de fim de mês estava razoavelmente lotada, mas embora seja um filme com efeitos até bem trabalhados e atores chamativos, rápida demais, que não consegue se desenvolver na tela, entregando um fungo, uma história do passado, uma acelerada para o presente, ladrões, mortes e conversas de soldados, fim. Sim, resumi o longa em meia dúzia de palavras, e não estou sendo sucinto demais, pois ficou parecendo que no trailer tinha até mais história do que o próprio filme. Ou seja, não é algo ruim o que é mostrado, mas ficou sendo praticamente uma amostra de algo que pensaram muito e resolveram cortar tanto que não sobrou para a tela, ficando frouxo demais para empolgar, o que é uma pena.

O longa segue a história de Robert Quinn, um agente bioterrorista do Pentágono que é o único capaz de deter um estranho organismo altamente mutante. Este organismo escapa de seu armazenamento em uma instalação governamental, causando uma epidemia global e potencial destruição em nível de extinção. Quinn se reúne com um grupo improvável de civis que lutam por sua própria sobrevivência; juntos, eles são a única esperança de salvar a humanidade. Além da ameaça biológica, eles enfrentam desafios internos, incluindo desconfianças e conflitos pessoais

É interessante observar que esse pode ser considerado mesmo o primeiro longa dirigido por Jonny Campbell que já ganhou muitos prêmios por suas mini-séries e filmes curtos para a TV, de modo que talvez por isso ele quis fazer algo tão rápido na telona, porém ele esqueceu que filmes podem sim serem curtos de essência desde que se desenvolva bem tudo na tela, não precisando de explicações e dinâmicas para isso, ou seja, ele pegou o texto de David Koepp, que é um dos roteiristas mais aclamados de produções de ficção, e adaptou como um resumão para média-metragem, o que volto a frisar que não ficou ruim de ver, mas fazendo uma comparação esdrúxula seria como se você pagasse uma viagem para ver uma super luta de dois grandiosos nomes de peso, e ao soar o gongo o cara dá um soco e o outro já vai para o chão, ou seja, hoje nas lutas até temos várias antes para não se perder a viagem, mas em um filme isso é algo que não deve acontecer. Claro que não queria um filme de 3 horas enrolando, mas se vai se classificar como um longa-metragem, ao menos faça valer o ingresso, o que acabou não acontecendo, pois nem dá tempo de você se impactar com o fungo da trama, muito menos com as mortes, e menos ainda com a salvação.

Quanto das atuações, diria que Liam Neeson foi usado de uma maneira divertida dentro do seu estilo, fazendo com que seu Robert tivesse uma certa imposição e preparação para resolver qualquer problema do Pentágono nas áreas mais remotas, não exigindo muito do ator que fez até os traquejos tradicionais que a velhice representa nas costas. Tivemos um Joe Keery com seu Travis mais falante do que papagaio perto de estádio, chegando a incomodar o tanto que fala, mas sabendo brincar bem nos atos mais desesperados. E tivemos uma Georgina Campbell bem disposta a entregar tudo com sua Naomi, demonstrando curiosidade e desenvoltura em muitos atos, sabendo se jogar para o filme fluir. Quanto aos demais diria que valeu a entrega rápida de Lesley Manville com sua Trini, e o jeitão zumbi maluco que até antes de se transformar Rob Collins já estava suando em bicas.

Visualmente o longa não desaponta nem um pouco, tendo assim como o nome original diz um grande depósito frio, aonde as pessoas levam suas tralhas para ficarem guardadas por anos, sendo montado em cima de uma grande estrutura militar antiga, que na primeira parte do filme nos mostra nos anos 70 a captura do fungo em algo caído da NASA, depois tivemos bons momentos com os zumbis e até dentro do interior do corpo vendo como o fungo se alastra e domina o corpo que foi invadido, tivemos boas explosões corporais, e muito vômito e gosma, além de bichos cheios de dinâmicas interessantes, ou seja, o melhor do filme é o conceito visual e sua entrega na tela, que valeria muito mais tempo sendo mostrado.

Enfim, é um filme que tinha potencial, mas que ficou resumido demais com toda a pegada que tinha para entregar algo imponente, expressivo e até mesmo mais irônico se quisessem brincar mais ao invés de deixar ele com uma cara "séria", mas ainda assim é um rápido passatempo, então quem não ligar para histórias exageradamente resumidas, vale a conferida. E é isso pessoal, hoje o dia não foi tão produtivo como parecia, mas fechei os filmes dos cinemas, amanhã volto para as cabines e streamings da vida, então abraços e até breve.


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O Primata (Primate)

1/31/2026 07:29:00 PM |

Acho engraçado quando fazem terrores que entregam mais violência do que tensão, pois acabamos conferindo tudo sabendo que não vai chegar a lugar algum, apenas tendo sangue escorrendo pela tela com um fechamento máximo de vermos todos da tela mortos ou alguém sobrevivendo para contar em alguma continuação. E o mais interessante do longa "O Primata" é que boa parte do que acontece já tinha sido mostrada no trailer, ou seja, já fui conferir esperando os devidos atos serem apenas sinalizados na tela. Claro que a violência em si consegue impactar quando muito bem feita na tela, mas aqui tudo é bem básico, e assim saí da sessão apenas do mesmo jeito que entrei.

A sinopse nos conta que uma jovem chamada Lucy retorna da faculdade para passar alguns dias de férias na casa da família no Havaí. Nesse reencontro, Lucy se reúne com o pai, a irmã mais nova e o chimpanzé de estimação Ben. Ben foi criado como um membro da família pela falecida mãe de Lucy, que era uma cientista e acolheu o animal desde pequeno. O que deveriam ser férias de verão tranquilas ao lado dos amigos e parentes, torna-se uma aterrorizante luta pela sobrevivência quando Ben é mordido por um bicho silvestre e contrai raiva. Agora, todos serão obrigados a buscar refúgio no único lugar temido por Ben: a piscina da casa, enquanto o animal causa um terror absoluto entre os presentes.

O diretor e roteirista Johannes Roberts soube brincar com o estilo, entregando bons atos de gritos e estraçalhamentos de corpos, com uma entrega até que bem trabalhada misturando computação e animatrônicos, mas faltou trabalhar um pouco mais os personagens para que não fossem tão fracos e jogados para impactar o público. Ou seja, vemos um filme cheio de intensidade, mas que é vazio de chamariz, é assim ao final já nem estamos torcendo tanto pelas pessoas sobreviverem, pelo contrário, até torcemos pro macaco matar logo elas, é isso é algo "ruim".

Já falei que as atuações foram fracas, mas vale dar leves destaques para Johnny Sequoyah com sua Lucy meio sonsa, mas conhecendo o macaco bem; também tivemos Jess Alexander com sua Hannah meio apática, porém se impondo em alguns momentos; e também tendo alguns atos de linguagens de sinais, o que funciona bem em filmes assim, o ganhador do Oscar, Troy Kotsur com seu Adam, mas sem ter algo que fosse extremamente chamativo na tela. Quanto aos demais, suas cenas estraçalhados foram melhores do que falando, então melhor bem falar nada.

Visualmente a equipe usou muito sangue cenográfico, tivemos mortes marcantes, é uma locação bem intensa da casa em cima de um penhasco, de modo que valeria trabalhar mais o ambiente, pois era um lugar bem bonito, e um outro detalhe que abusou das cenas escuras, o que sempre vale em terrores, mas não dá a qualidade necessária.

Enfim, é um filme interessante, que tem pegada, com uma história simples e atuações fracas, aonde o resultado até vale como um passatempo forte, mas nada demais. E é isso meus amigos, fico por aqui y, mas vou conferir mais um longa hoje, então abraços e até mais tarde.


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Socorro! (Send Help)

1/31/2026 02:46:00 AM |

Nem lembro quando foi o último filme raiz mesmo do Sam Raimi, pois meio que optou apenas pelas produções ao invés de botar a mão na câmera e causar realmente como fazia no seu auge, mas aqui com "Socorro!" temos daquelas tramas violentas, com sacadas cômicas bem apropriadas para o tema, e que dá para imaginar o longa feito de diversas formas possíveis, aonde vemos intensidade e desenvoltura por parte dos protagonistas, e que como costumo dizer, acaba sendo até bacana imaginar a ideia do filme se acontecesse conosco (Eu resumiria o filme em uma frase bem simples: só sobrou eu, vamos embora e cancela o restante do resgate!). Ou seja, é um longa que tem uma ousadia bem colocada na tela, que força um pouco a amizade com algumas situações, mas que no resultado completo acaba agradando.

O longa nos conta que Linda Liddle é uma funcionária exemplar e inteligente de uma empresa comandada por um chefe intransigente e machista chamado Bradley Preston. O relacionamento profissional conturbado da dupla será levado ao extremo quando os dois colegas viram os únicos sobreviventes de um acidente de avião. Presos numa ilha deserta no meio do nada, Linda e Bradley são obrigados a enfrentar os velhos ressentimentos de sua relação e trabalhar juntos para tentar sobreviver nas condições inóspitas do local. O que, porém, eventualmente, ocorre é um jogo de poder e hierarquias que vira de cabeça para baixo as dinâmicas pré-estabelecidas entre os dois. Uma série de reviravoltas, então, coloca Linda e Bradley numa batalha pela predominância enquanto esperam um resgate.

Claro que a história em si, principalmente pelos atos finais, vai lembrar um pouco "Triângulo da Tristeza" (e isso é um spoiler imenso), mas o diretor Sam Raimi soube criar tantas desenvolturas antes dos atos finais, mostrar situações de inversão de valores de dominância, que o filme tem ao mesmo tempo pegadas cômicas e cheias de astúcia, com atos densos, violentos e de sustos, aonde a essência em si mostra muito do jeito tradicional que conhecíamos antes de virar diretor de fama, e assim o resultado acaba sendo muito satisfatório principalmente por isso. Ou seja, vemos uma trama aonde tudo leva a possíveis discussões, de como argumentar alguns problemas, de como tratar e ser tratado em diversos ambientes, e claro, estar preparado para o pior, pois aprender em um meio hostil é algo que ninguém irá lhe dar todos os caminhos das pedras.

Quanto das atuações, foi bem bacana praticamente usarem só os dois protagonistas, tendo alguns personagens de enfeite no começo e no miolo, mas completamente esquecíveis, ou seja, deixaram para que a dupla entregasse tudo e mais um pouco. E começando a falar de Rachel McAdams, que  a equipe de maquiagem conseguiu deixar ela feia para sua Linda, mas que a protagonista foi se soltando, criando vértices e desenvolturas como realmente uma experiente "Survivor", aonde vai criando as devidas nuances para chamar o papel de seu, e o resultado acaba florescendo e divertindo na tela, ou seja, em poucas palavras deu show. Agora quem apareceu bem diferente na tela foi Dylan O'Brien com seu Bradley, de tal forma que não reconheci o ator em momento algum, mas mostrou que ainda tem imponência e acabou sendo daqueles chefes que qualquer um desejaria matar ao invés de ajudar, e claro que conforme ele foi entregando suas nuances, mais passávamos a conhecer suas astúcias que sempre falhavam, ou seja, encaixou bem demais com o que precisava fazer.

Visualmente trabalharam bem o escritório bem tradicional, a casa da protagonista com seus vários livros de sobrevivência, e no avião ainda mostram sua inscrição para o tradicional reality do estilo, ou seja, prepararam bem o espectador para tudo que viria a acontecer depois. Criaram bem um acidente aéreo impactante com cenas fortes de mortes, e depois na ilha vemos as construções de sobrevivência, as comidas que fazem, dicas de frutas e animais com venenos, sacadas com armas e até algumas caças, que funcionaram bem na tela. Não conferi o longa em 3D, mas é notável a quantidade de cenas colocadas para vir em primeira pessoa ou até mesmo com elementos fora da tela, então quem for conferir com a tecnologia pode vir falar depois nos comentários se realmente ficou legal de ver.

Enfim, é um longa que funciona, diverte, mas que tem um final meio que premeditado bem antes de acontecer, forçando um pouco demais a barra para aceitarmos certas situações, porém é violento do jeito que gostamos, e com sacadas divertidas para rirmos, então agrada e vale a recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Song Sung Blue: Um Sonho a Dois

1/30/2026 01:17:00 AM |

Costumo dizer que é tão legal conferir filmes biográficos de pessoas que nunca sequer ouvimos falar, pois você não fica esperando acontecer as coisas que sabe, e tipo a cada reviravolta ou acontecimento você vê seu queixo caindo e vai pegar ele no chão. E sequer um dia na minha vida pensei em quem fosse Relâmpago e Trovoada, quanto mais de que eram os intérpretes mais famosos do cantor Neil Diamond (que eu conheço 2 músicas dele e nem sabia que era dele!), mas que conseguiram transformar em um filme tão bacana e impactante com "Song Sung Blue - Um Sonho a Dois", que o resultado acaba fluindo fácil e de forma gostosa de conferir e descobrir a vida desses dois músicos que tiveram muito impacto nos anos 80/90. Uma coisa que recomendo, e que vou falar bem pouco, é que não procure conhecer nada antes de conferir, para que os impactos sejam bem funcionais com você, pois realmente eles foram bem azarados em algumas situações, e o filme agrada justamente por mostrar o quanto o apoio em uma dupla é muito necessário, e sendo assim agrada.

Baseado em uma história real, o longa acompanha a jornada de um casal azarado de Milwaukee, Mike e Claire Sardina. Mike Sardina era um imitador do cantor Don Ho quando, numa feira estadual, conhece Claire enquanto ela sobe no palco para se apresentar como Patsy Cline. Ambos músicos com aspirações grandiosas, a dupla acaba se tornando um ícone local quando formam uma banda de tributo a Neil Diamond, uma decisão que muda por completo a vida dos dois artistas. Nessa jornada musical, o casal experimenta o sucesso e a desilusão.

É interessante observar que o estilo do diretor Craig Brewer é mais puxado para a comédia, principalmente pelos longas que fez anteriormente, mas aqui usando como base o documentário que Greg Kohs fez em 2008 sobre a banda, conseguiu trabalhar bem o ritmo, não imprimiu um musical nato aonde os personagens falam cantando (felizmente), mas sim uma trama musical sobre uma banda, sobre os problemas familiares, e claro sobre o não desistir quando tudo parece perdido (aliás o trailer mostra já uma das cenas complexas, então se não quiser estragar a experiência, nem veja o trailer). Porém acredito que assim como eu, muitos também conhecem poucas canções de Neil Diamond, e acabarão surpresos tanto pelas canções bacanas mostradas, quanto pela desenvoltura dos protagonistas cantando, atuando e sendo marcantes, ou seja, uma direção primorosa em cima da história, que claro foi enfeitada para ficar mais densa na tela do que a vida real dos personagens, mas ainda assim muita coisa foi verdadeira na telona, e o diretor acertou em muitas escolhas.

E continuando a falar das atuações, Kate Hudson conseguiu merecidamente sua indicação ao Oscar pelo papel de Claire, pois a atriz foi imponente em diversos atos, nos momentos a base de remédios foi intensa e marcante, e além de puxar um carisma imenso em diversos atos, ao ponto de que o protagonista quase chega a ficar apagado, mas felizmente se doou muito e acertou na entrega, e o mais legal é que vendo a verdadeira atualmente, parece ainda mais com a atriz. Já vimos várias vezes Hugh Jackman cantando no cinema, e aqui seu Mike ficou bem colocado, e entregando um personagem mais seco na tela, com presença e intensidade, mas parecendo não ter a química emocional que o papel pedia, ou seja, foi bem no que fez, mas podia ter ido muito além. Quanto aos demais, vale dar destaque para Michael Imperioli com seu Mark como um bom amigo, Jim Belushi com seu Tom bem emocional e divertido, Fisher Stevens como o empresário e dentista do protagonista, mas principalmente quem deu muito show na tela pelo ótimo envolvimento foram Ella Anderson com sua Clare, e o garotinho Hudson Hensley com seu Dana bem marcante.

Visualmente o longa teve uma representação cênica de época bem bacana com roupas, estilo de shows e principalmente pelas locações em si, tocando em bares, teatros e até mesmo na abertura de um show do Pearl Jam com um Eddie Vedder novinho cantando com eles (que John Beckwith entregou), além claro das cenas mais densas e fortes após o acidente, aonde representaram muito na tela com um realismo bem bacana.

Enfim, é daqueles filmes que com poucos ajustes se tornaria uma obra de arte, mas que da forma entregue ainda é bem interessante e gostoso de conferir, que claro deixo aqui a trilha sonora completa com os protagonistas cantando, recomendo claro o filme para quem curte o estilo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Dupla Perigosa (The Wrecking Crew)

1/29/2026 12:57:00 AM |

Costumo dizer que tem dias que o que mais precisamos conferir não é um longa que nos faça pensar e refletir, ou até mesmo ver uma grande obra intensa e marcante, mas sim algo totalmente para passar o tempo com uma boa dose de pancadaria e com cenas que você olhe e fale: "estão de sacanagem com minha cara", e releve, afinal está ali apenas para curtir e deixar rolar. E hoje era um desses dias, depois de ficar dois dias com extrema preguiça de dar play em algo nas telinhas, vi o lançamento da Amazon Prime Video, "Dupla Perigosa", e o dedo do play saiu apertando sozinho, e felizmente o filme não é ruim, claro que passa longe de ser algo memorável, mas cumpre com a proposta de pancadaria com alguma história, e assim agrada quem curte o estilo. Agora gostaria de saber o motivo que o diretor usou tantas cenas em plano-sequência, pois ficou parecendo uma obrigação técnica, que não atrapalha o resultado, mas é tão desnecessário fazer o dublê e/ou o ator ensaiar a cena 200x antes que tudo funcione ao invés de cortar e depois montar, que fiquei encucado.

O longa acompanha dois meio-irmãos precisam trabalhar juntos para desmascarar uma conspiração cabulosa que envolve a morte do pai da dupla no Havaí. Irmãos distantes, Jonny e James precisam se reconectar após a perda misteriosa e inesperada do pai. Enquanto um é um policial inconsequente, o outro é um disciplinado membro da marinha. Enquanto eles buscam pela verdade, segredos há muito escondidos revelam uma conspiração que ameaça o laço familiar.

O mais bacana de tudo é que o diretor Angel Manuel Soto começou grandioso com "Besouro Azul", um projeto audacioso que acabou dando mais ou menos certo de um modo positivo, e aqui ele pôde se soltar mais, brincando com cada elemento da trama, conseguindo passar uma química bem bacana entre a dupla de brucutus, e mesmo exagerando nos planos-sequências, soube entregar algo fácil e divertido de acompanhar, aonde nem mesmo os personagens se levaram muito a sério. Ou seja, é daquelas histórias que você fica se perguntando quem em sã consciência pensou em colocar esses dois como meio-irmãos, e mais ainda trabalhar com a Yakuza no Havaí, e o resultado mesmo sendo maluco dá certo como um bom passatempo deve ser.

Quanto das atuações, posso dizer de cara que Jason Momoa estava tão solto e se divertindo com seu Jonny, que até mesmo nas cenas mais fechadas ele jogava alguma piadinha solta, fazia alguma traquinagem, e ainda botava banca, ou seja, brincou com o personagem fazendo o que gosta. Por um outro lado, Dave Bautista anda querendo bancar personagens mais sérios, e sabemos que não é algo que combina com seu estilo, de modo que seu James funciona mais para contrapor o outro protagonista, e claro para sair batendo, fora que a barba lhe deixou velho demais pro personagem, mas isso é algo que não atrapalhou no resultado final, pois esse jeito mais fechado acabou sendo engraçado de ver. Agora gostaria de saber qual diretor de elenco falou que Claes Bang combinava como o vilão do filme Marcus Robichaux, pois até passou uma banca de empresário rico, mas nas cenas de luta e tensão ficou falso demais na tela, não combinando tanto com o papel. Ainda tivemos alguns gracejos com um elenco invejável, tendo a brasileira Morena Baccarin como namorada/esposa de Jonny meio que de enfeite, mas sendo bem usada na perseguição, Jacob Batalon sendo um ajudante cômico do grupo, e até a garotinha do filme do Stitch, Maia Keloha fazendo suas dancinhas na tela no final.

Visualmente o longa teve boas cenas nas casas dos protagonistas, tendo na de Jonny uma luta exageradíssima cheia de quebra-quebra, sendo bem imponente, também tivemos uma perseguição numa rodovia que ficou computadorizada demais, com carros voando e rolando com tiros e tudo mais, sendo bacana para o estilo de filme, mas poderiam ter caprichado mais para não ficar tão falsa, e na mansão do vilão primeiro tivemos uma festança e depois no final muitos tiros e porradas, com o pessoal da Yakuza forçando um pouco a barra esperando o mocinho ir em direção a eles, tudo em fila organizado demais, isso sem falar na abertura do pai andando pela cidade numa festa de Ano-Novo chinês no Havaí todo rm plano-sequência bem orquestrado, mas sem necessidade.

Enfim, é um filme forçado, porém bacana e divertido de assistir, contando também com uma trilha-sonora engraçada para os diversos momentos da trama, que já disse e repito que serviu bem como um passatempo para quem esperava exatamente o que o longa iria proporcionar, então bom play para todos. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve, afinal nessa semana temos muitas estreias, então abraços e até logo mais.

PS: a nota até poderia ser maior, mas os atos computacionais e coreográficos me incomodaram um pouco demais como crítico, então não pude relevar nesse sentido.


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Living The Land (Shengxi zhidì)

1/28/2026 01:57:00 AM |

Um ponto gigantesco que pode ser observado no longa "Living The Land" é como o tempo voou e as mudanças no mundo mais ainda, pois a trama se passa em 1991 na China, aonde as colheitas eram algo totalmente manual, com as vilas familiares, casamentos arranjados, sobrenomes determinando aonde você seria enterrado e muito mais, e se olharmos como o país está hoje fica parecendo que isso ocorreu há no mínimo uns dois séculos e não apenas 35 anos! Claro que a essência do filme é muito representativa em cima de mostrar essas situações, como eram as conexões, as dinâmicas ali, e o processo fabril e motorizado estava chegando por lá, sendo quase algo meio documental na tela, de tal forma que quem for conferir esperando um algo a mais talvez se desaponte um pouco, mas por incrível que pareça não é uma trama que cansa, pois tudo é muito bem representado na tela, e assim o resultado flui nesse que é o candidato da China nas premiações internacionais, tendo levado inclusive já o Urso de Prata de Melhor Direção em Berlim.

A sinopse nos mostra que em 1991, na China rural, enquanto os moradores migram para as cidades em busca de melhores oportunidades, Chuang, de 10 anos, permanece em sua cidade natal. O terceiro filho de sua família enfrenta os desafios da vida em um período de profundas transformações nacionais.

É interessante que esse é apenas o segundo longa do diretor e roteirista Meng Huo, e ele já foi trabalhar com uma situação tão marcante, conseguindo dimensionar uma época tão bem colocada, todo o ambiente rural complexo com pouca distribuição de renda, e muitos pontos marcantes para um país que mudou tanto, de tal forma que tendo vários personagens, várias interações, a trama até poderia ter sido mais aberta, mas seu foco foi marcante e conseguiu representar bem na tela. Diria que o que mais faltou para ele foi ter uma história central mais impactante para desenvolver tudo ao seu redor, pois a trama do garotinho é fraca demais para segurar todo o processo da mudança, mas ainda assim ele soube fazer com que sua câmera tivesse tanta presença que acabou ganhando a premiação de um dos maiores festivais do mundo.

Quanto das atuações, a trama em si não desenvolveu tantos os personagens, parecendo que até foram em alguma vila e filmaram as pessoas dali, mas sabemos que não foi bem dessa forma, então a grande base ficou em cima do garotinho Wang Shang com seu Chuang interagindo com todos, tendo muitas cenas em diferentes ambientes, e conseguindo chamar atenção ao menos. Outra que teve muita presença cênica foi Zhang Yanrong como a Bisavó, trabalhando bem os relacionamentos ali, e dando toda a tradição nos olhares e dinâmicas. E um ponto que quase teve um desenvolvimento maior foi em cima de Zhang Chuwen com sua Xiuying sendo usada como moeda em um relacionamento familiar, sendo algo que já vimos em muitos países no passado, mas que ainda em alguns lugares segue a tradição.

Visualmente a trama teve uma boa pegada para a equipe de arte se desenvolver, mostrando as casas simples, as colheitas variadas com plantações belíssimas, o clima mudando durante todo o ano, o tratamento do trigo como moeda, uma escola bem rudimentar, e toda a essência dos mais pobres desejando as novidades, tendo ainda as tradições de casamentos, funerais e negociações, com boas movimentações cênicas e tudo bem simples, porém bonito de se ver.

Enfim, é um longa que funciona bem dentro da proposta da mudança, que como disse tem uma cara até de algo quase documental por não recorrer tanto aos artifícios da ficção tradicional de clímax e quebras cênicas com histórias maiores, mas ainda assim agrada pela simplicidade bem trabalhada e com um resultado que não cansa, valendo a indicação pela representatividade. E é isso meus amigos, o longa estreia nos cinemas nacionais no dia 05/02, e eu fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Autoral Filmes pela cabine de imprensa, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Falsário (Il Falsario) (The Big Fake)

1/25/2026 10:21:00 PM |

Janeiro é um mês que aparecem poucos bons filmes, a maioria sendo do ano anterior que apenas chegaram por aqui agora, mas essa semana até que a dona Netflix trouxe bons lançamentos para brincarmos na frente da TV, principalmente comprando biografias diferentes e marcantes. E o longa italiano "O Falsário" traz essa pegada que talvez até já tenhamos visto algum outro longa sobre o mesmo personagem, afinal tiveram várias versões de sua morte e vida, e nessa acredito que souberam brincar bem com toda a essência, dos conflitos políticos bem colocados, afinal sabemos que jogar dos dois lados é um risco que nem espiões sabem fazer bem, quanto mais um mero pintor do interior. Ou seja, é um filme com uma proposta bem interessante, que funciona na tela com toda a entrega dos personagens, que chega a causar tensão, e que escolheram um fechamento bem intenso que seria bem comum da época, sendo algo que vale a conferida da representação bem feita sobre um homem simples, que a ganância só foi crescendo com os "amigos" errados.

O longa acompanha o jovem pintor Toni Chichiarelli (Pietro Castellitto), que resolve ir para a capital da Itália exercer a sua carreira artística. No entanto, ele logo percebe como o submundo parecia ser ainda mais atraente, por essa razão ele passa a fazer parte de uma gangue que replicava obras de arte com perfeição absoluta. Assim, se tornando um grande mestre da falsificação, a década de 70 italiana ficou marcada pela sua presença e enganação.

O diretor e roteirista Stefano Lodovichi foi bem coerente nas escolhas para que seu filme tivesse uma boa dinâmica e também entregasse personalidade, pois geralmente biografias costumam focar tanto nos protagonistas que a história ao redor acaba perdida, e aqui em momento algum ficamos fora do mundo complexo dos anos 70/80 na Itália, aonde fascistas e comunistas brigavam pelo rumo do poder, e usando de simples falsificações conseguiam explodir o medo na população. Ou seja, ele pegou uma bela história escrita por Sandro Petraglia e brincou com todas as facetas possíveis, desenvolvendo uma trama que fluísse bem e impactasse sem que fosse pesada, afinal já vimos muitos filmes de máfia e de conflitos políticos, mas não um aonde um artista fosse o protagonista, e com isso o resultado ficou gostoso de acompanhar do começo ao fim, torcendo claro para que o melhor acontecesse.

Quanto das atuações, realmente estou bem surpreso, pois acreditava que o protagonista Toni fosse interpretado por outro ator que já vi em muitos longas italianos, mas a maquiagem praticamente escondeu Pietro Castellitto no papel, e o ator mostrou o quão potente e cheio de facetas ele é, sabendo brincar com as dinâmicas do papel, trabalhando as essências na tela, e conseguindo com que o resultado chamasse atenção em todas as suas entregas, só diria que talvez ele poderia ter mudado um pouco suas interpretações conforme fosse mudando sua riqueza, mas atrapalharia talvez a essência do longa. Giulia Michelini trabalhou sua Donata com bons momentos envolventes, mas pareceu um pouco artificial demais para com o protagonista, parecendo um relacionamento meio jogado e falso. Edoardo Pesce trabalhou seu Balbo com muita imposição, meio quase como um chefão do crime, mas sabendo passar bem um lado mais informal na tela. Andrea Arcangeli fez de seu Don Vittorio algo muito chamativo como padre, de modo que ele nos convenceu fácil demais de sua personalidade ali. Também tivemos alguns atos espaçados de Pierluigi Gigante com seu Fabione, mas soube passar a intensidade na tela. Ainda tivemos Claudio Santamaria como o Alfaiate e Fabrizio Ferracane como Zù Pippo bem colocados na tela, mas sem serem imponentes fora de suas personificações.

Visualmente a trama teve uma pegada bem dos anos 70/80, com roupas coloridas para o protagonista se vestindo bem mal como o Alfaiate fala para ele, tivemos alguns ateliês interessantes aonde o jovem reproduzia grandes obras, além de alguns roubos e boates, além de restaurantes e as casas mais chamativas, sendo uma obra de época simples, porém bem funcional na tela.

Enfim, é um filme bem bacana que funcionou bastante, mostrou bem a personalidade do protagonista retratado na tela, e que agrada ao mostrar que quando o crime começa a compensar, é melhor sair dele, pois a bomba pode vir em tamanho gigante, e assim sendo essa foi uma das possíveis versões que existiu desse falsificador tão famoso de Roma na época, valendo o play para conhecer sua história. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais. 


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Terror em Silent Hill - Regresso Para o Inferno (Return to Silent Hill)

1/25/2026 02:44:00 AM |

Costumo dizer que adaptar jogos de videogame para as telonas é um risco gigantesco, pois os fãs são criteriosos num ponto que até se tudo estiver bem direitinho na tela irão reclamar, mas como joguei muito pouco e há um bom tempo, não posso dizer que lembro de tanta coisa para reclamar do que vi hoje, então vou falar mais como cinema mesmo, pois o novo "Terror em Silent Hill - Regresso Para o Inferno" tinha tudo para ser chamativo e funcionar bem na tela, pois tem pegada, tem personagens interessantes, e tem alguns bons desfechos na tela, mas é tão bagunçado, que muitos que não conhecem o jogo talvez saiam da sessão pensando se entenderam algo do que foi mostrado, pois por momentos pensamos ser apenas coisas da mente do protagonista, em outros achamos que está rolando mesmo tudo ali, de modo que a essência em si rola bem, dá alguns sustos repentinos e embora bem confuso funciona como uma entrega interessante. Porém quando tudo parecia ter um final interessante e funcional para toda a ideia entregue, resolveram colocar uma reviravolta tão fora da casinha que nada mais fez sentido, ou seja, bagunçou ainda mais tudo, o que acabou desapontando um pouco.

O longa acompanha a terrível estadia de James (Jeremy Irvine) numa cidade aterrorizante. Quando ele recebe uma carta misteriosa de seu amor perdido após ter se separado dela, James é intimado a voltar para uma cidade esquisita chamada Silent Hill. Na carta, está a promessa de que irá encontrar sua preciosa alma gêmea novamente. No entanto, com o passar dos dias nessa comunidade antes reconhecível, eventos bizarros causados por uma força malévola desconhecida começam a acontecer. Conforme ele se aprofunda na cidade, James vai dando de cara com figuras sombrias, familiares e monstruosas. Sem entender o que está acontecendo e que força é essa que tem tanta influência na cidade, o rapaz começa a questionar a sua sanidade mental enquanto desvenda uma verdade apavorante com a esperança de permanecer forte o suficiente para resgatar a sua amada.

Como já vi outro longa do diretor e roteirista Christophe Gans, posso dizer que ele tem uma pegada dupla bem interessante de desenvolver o lado fantasioso com um estilo mais sombrio, de modo que aqui ele pode brincar ainda mais com a computação gráfica, e soube criar um clima tenso interessante, porém sua ideia original ficou muito bagunçada na tela, ao ponto que a confusão toda parece ser fluida, mas logo em seguida se perde, precisando de muitos flashbacks, muitas memórias, ao ponto que se ele confirmasse em algum momento que tudo faz parte de um lapso da memória do protagonista até seria aceitável, mas como isso ficou muito jogado na tela, o resultado agrada bem pouco, principalmente quem não conhece a franquia de jogos. Mas o principal detalhe do diretor, é que ele também fez o longa de 2006, então já sabia como desenvolver e melhorar, sendo bacana o resultado nesse sentido na tela.

Quanto das atuações, a base da trama fica a cargo de Jeremy Irvine com seu James, tendo alguns trejeitos bem colocados, dinâmicas bem resolvidas, mas por vezes parecendo meio perdido em cena, o que pode ser motivo da famosa atuação sem grandes referências no ambiente, mas ao menos teve  uma presença cênica bem chamativa para segurar o filme. Das garotas, tivemos Hannah Emily Anderson bem cheia de charme com sua Mary, passando um simbolismo maior para com o protagonista, mas não fluindo tanto nas cenas que necessitava, deixando um mistério maior do que algo funcional para a trama; também tivemos Evie Templeton bem colocada com sua Laura quase como um fantasma misterioso, mas ao menos causando nas suas cenas; e também tivemos Eve Macklin com sua Angela bem estranha, com um ar cheio de simbolismo, mas não indo tão além quanto poderia.

Visualmente o longa ficou bem interessante, tendo vários personagens característicos do jogo, como as enfermeiras ou bichos brancos estranhos sem braços que soltam um tipo de ácido, várias formas menores disso que parecem aranhas, e claro o monstro com a cabeça de pirâmide, tendo ambientes escuros e um visual com tons avermelhados bem marcantes, mudando bem os momentos na tela, além de alguns atos mais bonitos nos flashbacks dos protagonistas, além de alguns cultos estranhos, ou seja, a equipe de arte procurou ser bem fiel ao jogo, e o resultado ao menos nesse sentido não ficou falho.

Enfim, mais uma vez tentaram ser fieis ao videogame e se perderam na concepção para a telona, fazendo com que não agradasse nenhum dos dois lados, virando uma confusão tremenda, e o resultado sendo apenas interessante, mas felizmente está levando um bom público de fãs para as sessões, então pode ser que eles gostem mais do que eu. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos e dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Cativo (El Cautivo) (The Captive)

1/24/2026 02:56:00 AM |

Precisei dar uma pesquisada boa antes de vir escrever sobre o filme da Netflix, "O Cativo", pois não conhecia absolutamente nada sobre Miguel de Cervantes sem ser claro seu livro "Dom Quixote De La Mancha" que teve sabe-se lá quantas mil versões, mas efetivamente a história do autor não me lembrava de ter visto algum filme ou lido algo sobre, e claro que sem muitos dos detalhes colocados na trama, foram bem fiéis no desenvolvimento da vida do autor, ou seja, souberam brincar bem com as essências e trabalhar para que o longa tivesse algo a mais na tela. E mais do que isso, conseguiram criar um épico marcante, afinal o cinema espanhol é bem mais contido em gastos, mas aqui tudo é grandioso, com ambientes cheios de figurantes, com muitos figurinos, um requinte no ambiente dos mais ricos e toda uma concepção artística para as cenas nas ruas para mostrar um mundo bem diferente do que eles achavam que era a vida dos otomanos. Ou seja, é um filme que tem pegada, tem uma produção incrível e que a história convence e envolve, sendo bem interessante para conhecer mais sobre o escritor tão conhecido pela obra e pouco por quem foi.

O longa nos situa no ano de 1575 quando o jovem Miguel de Cervantes é ferido numa batalha naval e capturado como prisioneiro por forças argelinas em seu retorno para a Espanha. Sem saber que seu destino é a morte em território argelino, Cervantes encontra refúgio na arte da ficção e da contação de histórias. Esperando que seu resgate seja pago, as incríveis e fascinantes narrativas do artista estabelecem a esperança dos companheiros de prisão e, eventualmente, atraem a atenção do misterioso e temido Hassam. Em meio aos conflitos que florescem entre seus desesperados parceiros de cela, Cervantes passa a orquestrar um plano ambicioso e arriscado de fuga.

Não conhecia os trabalhos do diretor e roteirista Alejandro Amenábar, mas posso dizer que ele tem presença, sabe desenvolver bem as dinâmicas para que seu filme não ficasse arrastado, porém esqueceu a tesoura em casa, pois dava para cortar facilmente uns 20 a 30 minutos da trama para que ela ficasse mais explosiva e menos "novelesca", pois não precisaria desenvolver outros personagens e nem fantasiar tanto, pois logo na primeira contação de histórias para os seus parceiros de cela, e depois para o paxá, fica claro mais da metade de tudo, e ao ficar repetindo acaba enrolando mais do que envolvendo, o que é um perigo, que por sorte não ficou cansativo, mas dava para ser mais intenso e marcante na tela com poucos ajustes.

Quanto das atuações, Julio Peña foi bem seguro na personalidade de Miguel de Cervantes, fazendo um homem que deseja ir além, tinha seu dom para contar histórias, e que se jogou nas dinâmicas mais densas com cada tipo de personagem ao seu redor, sendo marcante e expressivo para chamar atenção e não ficar forçado na tela. E falando em forçado, Alessandro Borghi acabou tendo as nuances de seu Paxá Hassam num misto de vingativo com presença cênica demais, parecendo não ser suficiente na tela com suas entregas, mas soube ser sensual e forte ao mesmo tempo, o que acabou agradando no resultado final. Ainda tivemos outros bons personagens como Miguel Rellán fazendo o Padre Sosa de onde o escritor tirou muitas ideias de seus textos, Fernando Tejero trabalhando o Padre Blanco com todas suas surtadas explosivas, e claro José Manuel Poga fazendo um Castañeda bem marcante com as ideias do protagonista.

Visualmente o longa teve uma bela presença cênica, mostrando inicialmente como eram vendidos os cristãos presos pelos mouros para as devidas tarefas, e os que tinham alguma linhagem maior ou cargos mais chamativos do governo eram levados para uma prisão ampla aonde ficavam esperando seus resgates serem pagos, sendo algo bem retratado de poucas condições, a céu aberto, com figurinos marcantes, e tendo os momentos que alguns optavam pela redenção mudando a religião e podendo viver na cidade, tivemos o palácio do paxá bem colocado, com seus serviçais de todos os tipos, louças em ouro e claro instrumentos de matança com o famoso empalamento tão conhecido na história, e fora do palácio e da prisão tivemos uma cidade rica de negociações, pessoas e comidas exóticas e tudo mais que acabaram encantando também o personagem principal.

Enfim, é um filme interessante para conhecer o personagem que pouco sabia sobre, que talvez alguns conhecesse mais, sendo uma biografia bacana com uma pegada ficcional bem colocada, então fica a dica para talvez as devidas ressalvas mais exageradas, e que como disse, poderia ser menor de duração para chamar mais atenção, embora não canse, então vale o play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Justiça Artificial em Imax 3D (Mercy)

1/23/2026 01:45:00 AM |

Quem der uma rápida revirada nos meus textos vai ver que meu estilo preferido de longas é o de julgamento, pois sempre friso o quanto advogados precisam ser mestres da atuação para defender ou acusar um réu, e se o longa for bem trabalhado a intensidade flui tanto que quando você vê já está envolvido quase como uma torcida completa para um dos lados. E o mais engraçado é que não vi nenhum trailer, nem tinha qualquer noção do que o longa "Justiça Artificial" iria me entregar, apenas criando na mente algo pelo nome, e a sacada embora parecida com alguns filmes que já vimos, brinca com a essência de uma IA que é júri, juiz e executor, ou seja, vai lhe dar acesso a tudo o que você precisa para tentar se defender, mostrando provas e tudo mais, mas não conseguindo no tempo já é frito ali mesmo na cadeira, ou seja, algo intenso e marcante. E ainda para ficar ainda mais complexo, o réu que está ali é um detetive que colocou o primeiro culpado nesse meio, mas agora sendo acusado de ter matado a esposa, ou seja, ele terá 90 minutos pra conseguir provar sua inocência sem lembrar exatamente tudo o que aconteceu, e foi me deixando tão intrigado com a essência das provas, o jeito de fazer as ligações, as interações com os ambientes, sendo ao mesmo tempo simples, porém muito tecnológico, que o 3D acaba transformando os momentos quase em um videogame gigante, mas nada que impressione dentro da história em si, que ficou muito bacana de conferir.

A sinopse é bem simples e nos mostra que um detetive é colocado no banco dos réus acusado por um crime violento: matar sua esposa. Tudo isso ocorre numa Los Angeles do futuro, em 2029, no qual a tecnologia tomou conta do dia a dia da sociedade. No julgamento, então, o detetive tem apenas 90 minutos para provar sua inocência para uma inteligência artificial avançada que ele, no passado, defendeu. O destino do homem, agora, está nas mãos do sistema inteligente.

O diretor russo Timur Bekmambetov já fez muitos filmes bem interessantes na sua carreira, e aqui embora sua obra pareça muito com o saudoso "Minority Report", a pegada mais fechada do que de correria acaba impressionando bastante na tela, ou seja, ele foi mais criativo com a situação do julgamento em si, com tudo se passando em telas, criando as dimensões, provas, acontecimentos e dinâmicas do que algo mais corrido em busca de alguém que irá cometer um crime, afinal aqui já temos o réu na cadeira elétrica, e ele através de suas alegações tentará provar para a juíza que é inocente antes que seja frito. Ou seja, é uma ideia original, bem chamativa, que talvez num futuro possa ocorrer, mas como mostrado no longa, a intuição e o feeling humano muitas vezes pode ser muito mais preciso do que números e alegações baseadas em fatos, e assim o resultado acaba chamando muito atenção, e mostra que o diretor foi muito bem com algo menos gigantesco.

Quanto das atuações, como Chris Pratt passa quase todo o filme sentado, ele precisou trabalhar bem as expressões investigativas para trabalhar sua defesa com tudo o que vai ocorrendo com seu Chris Raven, de modo que tivemos algumas interações fora dali mostrando alguns momentos de seu passado, mas a base mesma expressiva do ator fica dentro da sala, e ele nos convence tão bem que ficamos conectados com sua entrega, ou seja, acertou bem no estilo. Agora quem incrivelmente ficou tão real como uma pessoa artificial foi Rebecca Ferguson com sua Maddox, de modo que chega a ser irritante sua persuasão e entrega, parecendo realmente com um IA, mas tendo um estilo realista, o que funciona bem em cada expressividade mais seca que a atriz precisou fazer. Quanto aos demais que estão fora do ambiente de julgamento, tivemos bons momentos com Kali Reis com sua Jaq Diallo bem intensa na busca de provas e pessoas para salvar o parceiro, tivemos a filha do protagonista vivida por Annabelle Wallis um pouco forçada demais, Chris Sullivan bem entregue nos momentos mais intensos com seu Rob e Jeff Pierre quase como um maratonista fugindo dos policiais com seu Burke, mas como o filme é focado mais nos dois lá dentro da sala, os demais ficaram bem em segundo plano.

Visualmente o ambiente é simples, com uma sala enorme, um telão aonde a protagonista aparece e vai jogando elementos como provas, estatísticas, ligações, um relógio em contagem regressiva de tempo e do outro lado o percentual de culpa do protagonista que precisa ser bem diminuído para ter chance de ser inocentado, vamos vendo as cenas fora do ambiente nas conexões com celulares e muitos elos bem encaixados, que ficaram até que bem bons em 3D para dar uma imersão maior da movimentação quase como um jogo de videogame, mas que não é algo tão necessário, mas que junto das boas cenas de ação, explosão e tudo mais, o resultado acabou funcionando com uma boa perspectiva de profundidade de campo, além de dar bons elementos cênicos para um ambiente sem muitas coisas.

Enfim, é um filme que me surpreendeu bastante, que vibrei com algumas entregas e que me causou tensão, que é exatamente o que eu cobro de um bom longa de julgamento, de modo que não é perfeito, pois é o estilo que você sabe bem como vai terminar, mas o resultado final acabou sendo marcante ao menos para um fechamento intenso, e sendo assim acaba valendo a recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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