Nuremberg

3/27/2026 01:40:00 AM |

Já disse outras vezes o quanto sou apaixonado por longas de julgamento, e já tinha até lido alguns materiais sobre os julgamentos dos nazistas (claro os que não se mataram ou fugiram do mapa), mas nunca tinha ouvido falar sobre a relação que alguns tiveram com um psiquiatra que foi auxiliar que eles não se matassem na prisão até o julgamento, e que depois acabou escrevendo um livro sobre como foi lidar com eles, ou seja, a ideia do longa "Nuremberg" veio para mim como algo completamente novo, e que imaginando ser mais próximo de uma trama realmente em cima de debates entre defesa e promotoria (no caso na época nem se sabia como julgariam pessoas de um país por membros de outros) fui com muita sede ao pote e acabei não saindo tão feliz quanto imaginava que ficaria, e não pelo filme ser ruim, muito pelo contrário, sendo uma produção grandiosa com atuações imponentíssimas, mas por faltar mais julgamento e menos conversas, o que acabou ficando solto demais na tela. Ou seja, é daqueles filmes que quem for esperando pouco talvez até goste bem mais do resultado, mas certamente poderiam ter ido bem mais além com tudo.

O longa se passa no pós-Segunda Guerra, em 1945, na Alemanha, durante os julgamentos homônimos realizados pelas Forças Aliadas contra o regime nazista derrotado. A trama centra-se no psiquiatra americano Douglas Kelley, designado a avaliar a aptidão mental de 22 oficiais nazistas que se tornaram prisioneiros e aguardam seus julgamentos por crimes de guerra. Ao mesmo tempo, o promotor-chefe dos Aliados Robert H. Jackson fica encarregado da difícil tarefa de garantir que o regime nazista responda pelos horrores sem precedentes do Holocausto. Quando Douglas Kelly se encontra com Hermann Göring, o braço direito de Hitler, uma batalha interna se inicia, fazendo com que toda a sua inteligência e ideologia sejam deixadas de lado para buscar entender a verdadeira origem e natureza do mal.

Diria que faltou uma imposição maior para que o diretor James Vanderbit conseguisse retratar o julgamento como realmente um marco, pois a essência de uma boa trama do estilo são realmente os debates, e ele tinha nas mãos muitos protagonistas incríveis para que isso fosse mais além, pois claro que a relação entre o psiquiatra e o nazista é muito interessante, o livro desse ser incrivelmente denso, mas o estudo da mente humana é algo extremamente complexo para seres abomináveis que foram os nazistas, sendo algo que não tem qualquer defesa humana possível para isso, então colocar alguém para verificar a sanidade ali, e claro depois formular suas teorias vendidas em um livro ficou básico demais para quem for esperando ver algo forte, e já adianto que não economizaram nas imagens reais mostradas dos campos (então quem não curtir é melhor deixar de lado!). Sendo assim, acredito que a culpa do filme não ter ido mais além seja do diretor, pois costumo falar que livros podem ser adaptados, mas quando não se é uma saga que todo mundo quer ver os detalhes que o livro encantou, precisam brincar mais com as facetas para que tudo vá mais além na telona.

Quanto das atuações, chega a ser engraçado que gosto muito do jeitão de atuar de Rami Malek, mas embora eu goste muito do filme e ele tenha ganhado o Oscar com seu Fred Mercury, praticamente agora todo filme que ele está presente eu vejo mais o Fred Mercury do que o personagem que ele está fazendo, e aqui seu Douglas Kelley é daqueles psiquiatras que praticamente mais precisam ser cuidados do que cuidam dos outros, com trejeitos e cenas meio que cheias de movimentos e intensidades, olhares meio doidos de modo que suas dinâmicas convencem pela essência, mas não tanto por sua atuação. Já Russell Crowe é daqueles atores que sabem se impor na tela, de modo que seu Hermann Göring tem um carisma que chega a ser até irritante, pois se o chefão nazista abaixo apenas de Hitler era desse jeitão mesmo, fica claro como todo mundo os seguiu na matança. Agora queria muito que tivessem dado para Michael Shannon mais imposição para que seu Robert Jackson fosse a fundo, brigasse mais, atacasse mais no julgamento e em outras cenas, pois sabemos do potencial dele, e o personagem pedia mais isso, ficando algo muito burocrático na tela, o que acabou não empolgando. Ainda tivemos muitos outros bons personagens e atores, mas certamente vale destacar Leo Woodall com seu Howie, entregando dinâmicas interessantes junto do protagonista, fazendo as traduções de alemão para inglês, mas principalmente na cena da estação de trem o jovem deu seu nome ali.

Visualmente a produção foi bem marcante nesse sentido, tendo a reconstrução bem colocada do Palácio de Justiça da cidade de Nuremberg, tivemos cenas imponentes dentro da prisão, e até alguns momentos externos bem colocados em clubes e casas, principalmente na casa aonde a esposa de Göring e sua filha estavam escondidas, além de cenas dentro do trem e também algumas dinâmicas da guerra em si, sendo um filme com muitos detalhes, mostrando a forma que muitos generais se mataram, e também como a imprensa fez todo seu show para mostrar o que estava acontecendo por ali, sendo um filme de figurinos mais fechados e tons bem marrons para deixar tudo bem mais sério.

Enfim, volto a frisar que o filme passa bem longe de ser algo ruim na telona, mas como fui com uma expectativa muito maior do que o que me entregaram, acabei saindo impactado, mas não marcado pelas entregas que foram desenvolvidas, ou seja, ficou simples demais para uma trama do maior julgamento que definiu os termos de crimes contra a humanidade, e ficou denso demais para uma trama de análise comportamental, que já é difícil de se apaixonar, e assim o resultado, ao menos para mim, faltou bastante. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Uma Canção de Gratidão (Unsung Hero)

3/26/2026 01:37:00 AM |

Hoje estava querendo um filme meio diferente, mas não sabia bem o que queria, daquele tipo que você olha pra geladeira cheia e não acha nada que gosta, então fuçando um pouco na Amazon Prime Video achei o longa "Uma Canção de Gratidão", que claro já fui conferir sabendo que era religioso pelo nome, mas não tinha ideia de que era a história real da família de grande sucesso no mundo das canções católicas atuais, de todos os perrengues que passaram quando o pai perdeu a empresa no meio da crise financeira australiana de 1991, e que anos depois iriam ver que era ali do lado que podiam ir além sem precisar ficar pensando tanto. Claro que o longa tem uma pegada de milagres e vieses mais puxados para a religião, mas diria que a maior sacada é que o diretor do longa viveu tudo isso, vendo seu pai quando ele era apenas um garotinho que mudou de país com o pai desempregado e sofrendo com todo um conflito na mente, ou seja, vivenciou cada ato por serem muito próximos uns dos outros, e ainda mais por fazer o papel do pai também na telona, sendo assim representando muito mais tudo sem precisar passar a ideia para que um ator ou diretor soubesse como conduzir tudo.

O longa acompanha a mudança da família Smallbone da Austrália para Nashville nos EUA após o pai David perder sua bem-sucedida empresa de música. Em busca de um futuro melhor, e carregando seis filhos e muitas bagagens consigo, David e a esposa grávida Helen começam uma nova vida. Vendo o potencial musical de seus filhos, o casal investe nos sonhos e nas habilidades de suas crianças, tornando-os artistas de sucesso no ramo cristão. Sempre inspirados por sua fé, os Smallbone vão atrás de resistir aos obstáculos para construir e inspirar uma reviravolta em seus destinos.

Claro que pontuei como uma grande sacada Joel David Smallbone se dirigir e contar a história da própria família, mas também diria que foi um grande risco, afinal você contar sua vida para alguém e essa pessoa ser um diretor imponente que sabe como contar as coisas é bem diferente de contar sua história para seus filhos, enaltecendo ali ou aqui, porém diria que ele não quis apontar só as qualidades e mostrou bem os atos fortes do pai, tendo momentos marcantes e dinâmicas bem colocadas. Também diria que nas mãos de algum diretor mais impositivo o resultado acabaria impactando um pouco mais, principalmente por ser o primeiro trabalho de Joel na função (quem sabe até o irmão Ben se daria melhor nas escolhas), mas de certa forma o filme teve um conteúdo bem trabalhado e claro mostrou bem o vértice no reconhecimento de força da mãe da família.

Quanto das atuações, o diretor Joel David Smallbone fez bem seu pai na tela, de modo que sendo um cantor já tinha boas expressividades, e conseguiu manter a essência nos atos mais técnicos, porém mesmo o personagem sendo um pouco arrogante na maioria dos atos dava para dar um carisma maior para ele, afinal o papel principal precisava aparecer mais, mas se dirigir é algo complexo, e costumo falar que não dá muito certo. Já por outro lado Daisy Betts trabalhou sua Helen com dinâmicas fortes e olhares bem expressivos e sonhadores, de modo que soube amarrar bem toda a família, trazer a personalidade para si em diversos momentos, e com isso o filme fluiu de uma forma bem gostosa ao seu redor, ou seja, puxou até mais o protagonismo para si do que para os demais que talvez fossem mais importantes na tela. Quanto das crianças/jovens, claro que o foco maior ficou em Kirrilee Berger com sua Rebecca, afinal o vértice principal recai para como virou a salvação da família, e se a garota tinha esse vozeirão mesmo e o pai não viu isso antes, ele foi muito burro, mas também tivemos outros bons colocados, de modo que claro o diretor quis mostrar um pouco mais Diesel La Torraca que fez ele quando criança, ou seja, teve uma certa exposição maior.

Visualmente o longa foi bacana por mostrar bem a queda de classe, de uma família bem rica na Austrália, produzindo vários shows, com uma casa bem imponente, viajando de classe turística, passando perrengue na imigração (afinal com 6 crianças e suas bocas que não ficam fechadas!), depois vivendo de serviços braçais de limpeza nos EUA, e morando em uma casa simples sem móveis, vemos também as ajudas dos membros da igreja, e claro a casa grande de alguns artistas, além de algumas cenas em audições, ou seja, um pacote completo de situações simples, porém bem feitas.

Enfim, é um bom filme biográfico, que consegue envolver e até emocionar dentro do que entrega, porém o longa poderia ser ainda mais imponente com poucos ajustes, então vale como um bom representante religioso sem ficar apelando tanto para a reza em si, mas não confira esperando ser daqueles que vai fazer você se emocionar ao máximo, que não é esse um exemplar. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Ditto: Conexões do Amor (Donggam) (Ditto)

3/23/2026 01:27:00 AM |

Hoje foi dia de atacar romances, e é engraçado ver nos romances sul-coreanos o quanto parecem demais com os desenhos orientais, tendo até pegadas bem parecidas, de modo que o longa "Ditto - Conexões do Amor", que estreia nos cinemas na próxima quinta 26/03, traz algo muito bacana que funciona muito bem quando bem executado, que é a viagem temporal, ou no caso aqui a comunicação entre duas épocas distantes (23 anos) através de um radioamador, ou seja, vemos uma garota ajudando um rapaz de anos atrás a ter seu primeiro encontro e da mesma forma ele também ajudando ela em se conhecer mais e fazer o trabalho da faculdade. Claro que é algo bem levinho, sem muitos aprofundamentos da viagem temporal, mas o resultado acaba sendo gracioso pela entrega, e o envolvimento acaba acontecendo, sendo daqueles longas que você acaba curtindo pela entrega simples, e quem funcionam pela história bacana na tela.

A sinopse nos conta que Yong ouve a voz de uma estranha vinda do futuro, criando uma conexão inesperada entre os dois. À medida que passam a conversar por meio de um rádio amador, eles compartilham suas histórias de amor e descobrem que, apesar de viverem em épocas diferentes, seus sentimentos e experiências se refletem de maneira surpreendente.

Diria que a diretora Eun-young Seo foi bem concisa no estilo da trama, pois seu filme tem uma boa pegada, tem estilo e principalmente emociona com algo simples, ou seja, não precisou de algo cheio de envolvimentos e dinâmicas, que geralmente acontece em filmes desse gênero, e foi brincando com cada elo, para que no final tudo fizesse muito sentido. Claro que em muitos momentos ficamos pensando no pior, na famosa quebra temporal com as informações, mas até que souberam determinar tudo de uma forma bacana que envolve e no final ainda dá a pontinha de tudo de uma maneira bem gostosa de ver. 

Quanto das atuações não diria que nenhum dos personagens fez grandes chamarizes, mas conseguiram ter um certo carisma para que as dinâmicas funcionassem e nos prendesse na conferida, com Yeo Jin-goo fazendo seu Yong meio cético demais de tudo o que estava ocorrendo, sendo tímido e bobinho demais para quem está quase no final de uma faculdade, mas soube dosar bem suas expressões e com isso nos convenceu. Já Cho Yi-hyun trabalhou seua Mu-nee com muita expressividade e inteligência, tendo uma pegada claro bem mais moderna e intensa, aonde conseguiu mediar bem as conversas e ir até mais além na tela. Agora Kim Hye-yoon fez de sua Han-sol uma jovem apática demais, de modo que não chega a convencer em momento algum na tela, o que foi uma pena, pois a personagem merecia uma entrega melhor, o que acabou ficando um pouco estranho pela dinâmica toda do que acontece. Muitos vão achar o estilo de Na In-woo com seu Young-ji um lorde bem cheio dos envolvimentos com a protagonista, mas diria que ele ficou muito em segundo plano na tela. Ainda tivemos alguns momentos de Bae In-hyuk com seu Eun-sung parecendo tão secundário que não importaria para nada, mas ao final acabou sendo bem colocado na dinâmica, e talvez pudesse ter chamado mais atenção.

Visualmente o longa tem uma boa presença, mas não um desenvolvimento tão chamativo, pois mostrou o prédio da faculdade em duas épocas bem diferentes, mas com mudanças simples demais o que poderia ter sido mais impactante, pois sabemos o quanto a Coréia do Sul mudou em 20 anos, e sendo assim poderia ser melhorado nesse sentido, mas tivemos alguns bons exemplares de celulares diferentes, de estilos de vida e desenvoltura com elementos nas respectivas casas, principalmente nos atos finais quando já vemos o caso da tartaruga, e também a noite de autógrafos, que acabou funcionando para representar tudo melhor na tela.

Enfim, é um longa bem bacana, com um ar emotivo gostoso de curtir, que talvez desse para ir ainda mais além, mas que convence e envolve do começo ao fim sendo um bom exemplar romântico na tela. E é isso meus amigos, fica a dica para conferirem a partir de quinta feira na telona, e eu fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Sato Company e da Sinny Assessoria pela cabine, então abraços e até amanhã com mais dicas.


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Uma Segunda Chance (Reminders of Him)

3/22/2026 07:03:00 PM |

Quem me conhece sabe que romances passam bem longe de ser meu gênero favorito no cinema, principalmente pelas situações acontecerem de modo tão fácil que acabam não sendo "reais" de acreditar em tanta água com açúcar, mas sempre acabo conferindo para trazer os textos aqui, e hoje foi dia de conferir "Uma Segunda Chance", que não lembro nem de ter visto o trailer dele em alguma sessão, mas como sempre digo, assim é melhor, afinal conferir sem expectativa alguma dá chance de gostar mais, e foi o que aconteceu, pois o filme é simples, bonitinho e funcional, com claro todos os defeitos clássicos do gênero, mas que ao menos não forçou tanto a amizade com pegadas menos exageradas. Ou seja, é daqueles filmes básicos, que certamente no livro original tem muito mais história e até momentos mais emocionais que valeriam ser colocados no longa, mas sem ser alongado, o resultado conseguiu funcionar e ser um bom passatempo, que claro tiveram algumas pessoas na sala que choraram, mas não achei para tanto.

O longa nos conta que Kenna Rowan é uma jovem que, no passado, cometeu um erro que a colocou atrás das grades. Cinco anos mais tarde, agora como ex-detenta, ela tenta reconstruir a vida, retornando à sua cidade natal em Wyoming. Sem oportunidades, ela passa a enfrentar a dura realidade de um mundo marcado pelo preconceito enquanto tenta se aproximar da filha pequena Diem que nunca a conheceu. Continuamente rejeitada pelos avós de Diem, que se recusam a deixar Kenna se reconectar com a filha, a jovem encontra consolo e uma compaixão inesperada em Ledger Ward, ex-jogador da NFL e dono do bar mais famoso da região. À medida que se aproximam, um romance secreto e profundo se desenvolve, colocando os dois em perigo. Kenna, então, precisa lidar com os traumas do passado, buscando se perdoar e se permitindo viver um amor capaz de curar as maiores dores de um coração partido.

Não assisti ao longa anterior da diretora Vanessa Caswill, mas diria que ela fez até que uma boa adaptação do livro de Colleen Hoover (que anda tendo todos os seus livros lançados no cinema), pois diria que ela deu uma dinâmica até que gostosa de conferir, sendo tudo bem básico, mas porém com a dose emocional funcionando bem na tela. Ou seja, vemos um estilo bem formatado na tela, daqueles aonde se você assistir qualquer filme baseado em livro saberá bem os rumos para onde tudo vai rolar, mas que do seu jeitinho conseguiu ter algo mais funcional e menos forçado, o que acaba agradando dentro de tudo. Claro que passa longe de ser um filme que vou lembrar da diretora, mas ao menos ela não fez um que desejasse não ver mais nada seu, pois tem alguns diretores que não sabem dosar a quantidade de açúcar para colocar na água, deixando tudo tão melado que fica indigesto, o que não foi o caso aqui.

Quanto das atuações, diria que acostumamos tanto a ver Maika Monroe em filmes de terror que desconhecia seu jeitão mais romantizado, sendo que sua Kenna foi até singela de entregas sensuais, sendo bem encontrada naquele meio termo do olhar bem representativo, e assim soube segurar as pontas nos atos mais românticos e também nos emocionais, ou seja, talvez pudesse ter sido mais explosiva em algumas dinâmicas, mas para isso precisariam desenvolver mais tudo na tela, e assim o resultado até que foi aceitável. Da mesma forma, Tyriq Withers também foi mais visto em longas de terror e aqui seu Ledger até tem uma boa presença, mas sem passar emoção nos olhares, sendo tudo meio que seco demais, principalmente para um filme água com açúcar, ou seja, ele trabalhou bem com o que tinha de fazer, mas faltou encontrar um sentido maior nos atos emocionais para convencer, principalmente na química entre os protagonistas. Os demais personagens pareceram soltos demais na tela, de modo que certamente possuem atos bem mais expressivos no livro, mas ainda assim o resultado até que agrada, valendo dar destaque para Rudy Pancow com seu Scotty, Monika Mayers com sua Lady Diana, Lauren Graham com sua Grace, e principalmente a graciosidade de Zoe Kosovic com sua Diem cheia de carisma.

Visualmente a trama foi simples de entrega, chovendo muito para as cenas serem mais emocionais, tendo alguns atos bem rápidos em um presídio, muitas cenas no bar do protagonista, e claro também diversos momentos num conjunto de apartamentos de estrada bem simples, sendo tudo montado sem grandes ambientes, mas que foram representativos para as entregas na tela, e assim funcionando até que bem.

Enfim, é um filme gostosinho de assistir, que me impressionou apenas pela versão de Morgan Harper-Jones para "Yellow" do Coldplay, que deu um tom muito mais bonito para a canção que já era boa, e claro que sendo bonitinho funcionou para os fãs do estilo se emocionar, e talvez até agrade os fãs do livro, mesmo que não seja tão imponente assim. Ou seja, é algo que agrada para quem não for esperando muito, mas acredito que dava para ter ido um pouco mais além para realmente envolver a todos. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas vou conferir mais um longa hoje, então abraços e até mais tarde.


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Tatame (Tatami)

3/22/2026 03:08:00 AM |

É interessante que ao mesmo tempo que gosto de filmes envolvendo guerras, e filmes com tramas envolvendo esportes, quando junta as duas coisas e ainda doses políticas, o resultado acaba me deixando mal, pois fica parecendo que não tinha outras formas de se desenvolver, fica parecendo que o conflito ultrapassa linhas normais aceitáveis de se pensar, e hoje confesso que fiquei praticamente uma hora olhando para a tela do computador pensando na trama que tinha assistido. E não digo que seja por ser um filme imponente ou forte pela entrega na tela, mas sim pela estrutura que ele me fez pensar fora completamente do filme em si, afinal o longa "Tatame", que estreia dia 02/04 nos cinemas, traz uma pegada até que simples, de uma jovem judoca iraniana que está disputando o mundial de judô, e simplesmente quando os líderes do país veem a possibilidade (nem era confirmada ainda a luta entre elas) de enfrentarem uma atleta israelense começam a fazer chantagens e tudo mais para que a jovem desista da competição, mesmo ela sendo muito boa no que faz, e com chances reais de levar um ouro inédito para o país. Ou seja, bem básico e direto ao ponto, o que todos sabemos que as artes marciais vão muito mais além do que força do oponente, e sim a cabeça da pessoa, e bagunçar isso influencia tudo em um jogo, e assim como estamos vendo o que anda acontecendo agora, o longa que foi filmado em 2023 nem sequer imaginaria tudo o que anda rolando na forma que está pegando, mas já entregou bem a base e podemos ver muito mais disso acontecendo, e estragando algo belo que é o esporte com algo feio que é a guerra.

O longa nos conta que durante o Mundial de Judô, Leila, uma atleta iraniana, é ameaçada pelo comitê do próprio país, que deseja que ela abandone a competição para não enfrentar uma atleta israelense —o regime iraniano não reconhece Israel como nação e quer evitar a luta a qualquer custo. A permanência de Leila no torneio pode colocar em risco sua família e a de sua treinadora, Maryam, uma ex-atleta.

Um ponto muito interessante para se discutir, é que o longa é dirigido pela iraniana Zar Amir Ebrahimi e pelo israelense Guy Nattiv, ou seja, já começamos com um grandioso impacto só nessa linha, aí vamos um pouco mais para baixo, pois a produção do longa é da Geórgia, dos EUA e da Grã-Bretanha, ou seja, três anos atrás quando começaram a se juntar para criar essa história na tela nenhum dos artistas ainda imaginava tudo que rola hoje nos principais jornais do mundo, mas fizeram uma boa trama aonde a guerra mental já dizia que o país manda e o caos acontece. Claro que o filme tem nuances mais abertas e a entrega funciona bem, tendo ares clássicos dos filmes esportivos tradicionais, só tendo um erro gritante que me incomoda demais, o uso do preto e branco na fotografia sem nenhum motivo de linguagem cinematográfica, pois poderia ser algo muito mais imponente em uma trama de luta, mas apagar o visual por mero jogo sem nexo algum acabou ficando falso. Dito isso, o que vemos na tela é uma história para se discutir muito, que já mostrava o básico, o quanto os países do Oriente Médio se odeiam, desde sempre.

Quanto das atuações, não sei se Arienne Mandi já lutou antes, mas posso dizer que sua Leila foi bem imponente na tela, tendo boas pegadas nas lutas, mas também tendo boas imposições expressivas nos atos que trabalhou dialogando com sua técnica e com as demais profissionais do campeonato, de modo que segurou bem a personalidade que precisava na tela. Também tivemos alguns bons atos da diretora Zar Amir Ebrahimi fazendo a técnica Maryam, tendo um semblante sério até demais para alguém que está em uma competição, mas conseguiu chamar atenção com algumas dinâmicas e o resultado foi bem colocado. Ainda tivemos outras personagens importantes, como Jayme Ray Newman fazendo Stacy uma das organizadoras do evento e Nadine Marshal como Jean Claire diretora da comissão de judô, mas ambas apenas se expressando rapidamente, valendo apenas como destaque pois como o longa foi filmado aparentemente dentro de algum campeonato real, os demais atletas ficaram olhando meio que estranho para as câmeras, então é melhor nem pontuar tanto os restantes.

Visualmente o longa até teve bons momentos nas lutas, mas a fotografia em preto e branco fez com que o resultado não valorizasse nada na tela, então como disse pode até ser que tenha sido filmado em algum campeonato real, mas não vemos nada demais, tendo apenas o tatame principal aonde a luta ocorre, os diversos oponentes em cada luta, e uma área de treino, além de um banheiro e a sala dos dirigentes, sem nenhum elemento cênico para importar, além de telefones e a casa dos amigos que estão torcendo, ou seja, algo bem básico e fraco nesse sentido.

Enfim, é um longa interessante, que tem pegada e que chama atenção para a reflexão política dentro do esporte, mas que dava para ter ido mais além para que o filme impactasse como cinema também, então recomendo ele para discussões e reflexões, sem que espere algo intenso como arte também. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo os amigos da Agência TZM e da Kajá Filmes pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Casamento Sangrento: A Viúva (Ready or Not 2: Here I Come)

3/21/2026 09:08:00 PM |

Costumo dizer que muitas vezes uma continuação melhora o filme anterior ou destrói de vez, sendo raros casos de termos algo completamente sequencial parecendo ter sido feito junto, claro que há casos que fazem já dois ou três filmes juntos, mas não passados mais de 7 anos para soltar a continuação, e o mais engraçado do longa de hoje, "Casamento Sangrento: A Viúva", é que pareceu exatamente isso, pois nesses 7 anos a protagonista não envelheceu nada, e como o longa dá sequência exata de onde o anterior terminou, tendo até alguns flashbacks bem usados para dar lembrança para o público do que aconteceu, posso dizer que eu vi nessa semana um filme de quase 4 horas juntando as duas partes, o que acabou sendo bem legal, com o primeiro ato um pouco mais puxado pro humor, e o segundo mais colocado para o drama, resultando em algo bacana e funcional. Claro que tem alguns momentos meio que forçados demais, mas a entrega na tela acabou sendo bem intensa e chamativa, conseguindo agradar pela pegada violenta em si, e pela loucura do roteiro, sendo marcante e interessante.

O longa nos conta que após escapar o ataque da família de seu noivo num jogo mortal de pique-esconde, Grace descobre que sua vitória veio com um preço: agora, as famílias mais ricas e poderosas do mundo precisam caçá-la num novo jogo sombrio ou arriscam perder seu poder e fortuna. A jovem viúva se recusa a participar, mas nada pode fazê-la escapar quando eles sequestram e juram de morte sua irmã Faith. Agora, a dupla precisa vencer esse pesadelo, protegendo uma a outra enquanto Grace tenta alcançar o alto posto do Conselho no qual as quatro famílias rivais fazem parte. Matar Grace significa ganhar o trono e controlar as decisões, por isso, a partida atinge novos níveis de violência e crueldade.

Um ponto também bem favorável foi manterem os mesmos diretores do original, de modo que Matt Bettinelli-Opin e Tyler Gillett continuaram mantendo sua parceria em algo tão insano quanto violento, afinal a pegada de continuarem afirmando que os donos do mundo possuem pactos diabólicos, e que para ganharem a liderança global precisarão continuar a caçada pela viúva de um de seus membros foi até que bacana, e até que explicaram bem dentro da trama como as irmãs estavam tão afastadas que no filme anterior até falava ser sem família alguma, que era um medo meu de não conseguirem explicar isso (aliás, falaram tantas vezes no filme disso, que é capaz que o roteirista precisou se explicar umas 10x para a dúvida da maioria), mas que conseguiu funcionar bem dentro da essência, tendo algumas falhas que se tinham uma briga tão grande por causa do abandono, nos momentos-chaves daria para fugirem tranquilamente e largar a outra, mas vida que segue. Ou seja, pode não ter o mesmo frescor do original, principalmente pela pegada menos humorada que tiveram aqui na continuação, mas ainda assim o resultado funcionou bem, sendo imponente e bacana de entregas, o que acabou, ao menos para mim, agradando.

Quanto das atuações, diria que Samara Weaving tem os genes bem bons, ou seus procedimentos estéticos foram muito bem feitos, pois no primeiro longa tinha 27 anos e agora com 34 se manteve com o mesmo formato para que sua Grace seguisse de onde parou pronta para enfrentar novos malucos, e o mais bacana é que não esqueceu seus trejeitos e entregas, sendo cheia de presença, e que se lá não tinha tantas habilidades para lutar, aqui já está apta para pegar em armas de todos os estilos e brigar com muita intensidade, ou seja, fez bem o que precisava, e conseguiu segurar bem a barra como protagonista. Já Kathryn Newton soube literalmente lutar pela vida com sua Faith, pois a jovem garota quase teve uma luta de UFC com um protagonista bem maior que ela, dando e levando bons socos, de modo que se impôs bem dentro das possibilidades, e criou algumas dinâmicas até que bem interessantes com a protagonista, não indo muito além da tela, mas ao menos não desapontando. Falando do outro lado, foi um pouco engraçado ver os trejeitos de Elijah Wood como o verdadeiro advogado do diabo, ou melhor, da corporação criada pelo velho Bail, pois em diversos momentos foi cheio de imposição, querendo mostrar serviço, enquanto em outros ficou meio que escondido de levar as explosões de sangue na sua cara, não tendo muito trabalho na tela, mas ainda assim agradando com o que fez. Já do pessoal que pegou nas armas para tentar ficar ainda mais poderoso e virar líder global, diria que foi interessante ver uma Sarah Michele Gellar simples, já que poderia ter pego armas melhores para sua Úrsula e voltar no estilo antigo de sua "Buffy - A Caça-Vampiros" com dinâmicas mais intensas, mas isso acabou ficando para Shawn Hatosy com seu Titus bem brucutu, lutando muito e criando imposições fortes até seu ato final, já os demais pareceram exagerados e perdidos, mais correndo do que entregando algo chamativo, então melhor nem falar muito.

Visualmente a trama teve bons momentos iniciais num hospital, mostrou bem rapidamente um pouco dos escritórios e das vidas das outras famílias em suas cidades, e depois foi direto para o resort da família Danforth, aonde as jovens correram pelos campos de golfe, por uma floresta, e claro por dentro das instalações da mansão e do hotel, tendo claro armas antigas bem imponentes, muita luta corporal, e principalmente as famosas explosões de sangue, que quem descumpre as regras do Sr. Bail viram pó, além de termos alguns atos finais em uma espécie de catacumba imponente e bem cheia de situações macabras.

Enfim, é um filme que fui conferir já esperando bem pouco, afinal gostei do original, mas não me apaixonei, apenas diria que no anterior eu ri bem mais do que nesse, já que o humor negro presente lá, aqui foi meio deixado de modo subliminar. Ou seja, não é nada muito chamativo, não é daqueles filmes que vamos lembrar e sair recomendando ao máximo, mas ainda assim é um bom passatempo que vale ser conferido por quem curte o estilo, e principalmente para dar um desfecho na tela, pois pensando por um lado mais cético, antes de saber que haveria a continuação, o primeiro acabava meio que aberto demais com a jovem sentada na escada. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje ainda vou conferir mais um longa, então abraços e até mais tarde.


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Devoradores de Estrelas (Project Hail Mary)

3/21/2026 03:11:00 AM |

Confesso que desde o primeiro trailer de "Devoradores de Estrelas" já tinha ficado entusiasmado com o que o longa prometia, porém meu maior medo era que o exagero de algo "ficcional" saísse tanto de controle que acabaria me incomodando com algumas dinâmicas, mas felizmente isso não aconteceu, muito pelo contrário, de modo que saí da sessão tão feliz com o que vi, depois de ter me emocionado com uma pedra, dado risada de dancinhas bobas e torcido para que todos ficassem bem, coisa que raramente acontece, principalmente em longas de ficção científica. Ou seja, é o famoso filme que tudo poderia dar muito errado, que poderia ficar bobo ou inteligente demais, mas que soube encontrar na leveza e nas dinâmicas bem encaixadas dentro de uma montagem funcional bem trabalhada, para que tudo fluísse tão bem na tela, que acaba apenas acontecendo, e isso é brilhante quando acontece. Claro que alguns vão olhar por um lado mais cético, vai falar que tudo ali é impossível, e muitos outros blábláblás, mas se você se deixar fluir da mesma forma que o longa te pede, o resultado acaba sendo daqueles que você acaba querendo até aplaudir no final.

O longa acompanha a jornada inesquecível de um professor de ciências do ensino fundamental chamado Ryland Grace. Um dia, Ryland acorda em uma espaçonave a anos-luz do planeta Terra. Sem memória alguma de quem é ou como foi parar ali, o professor se encontra numa situação inexplicável. Aos poucos, porém, suas lembranças voltam e ele recorda que foi recrutado para uma missão especial chamada Projeto Fim do Mundo na qual ele foi enviado a 11,9 anos-luz da Terra para investigar o motivo pelo qual o Sol está morrendo na Via Láctea. Ryland precisará recorrer aos seus conhecimentos científicos para resolver esse enigma o mais rápido possível e impedir a extinção da humanidade. O que, porém, parecia ser apenas uma trajetória solitária se transforma em uma viagem em companhia de uma amizade inesperada.

Diria que os diretores Phil Lord e Christopher Miller conseguiram captar exatamente a essência do livro de Andy Weir, mesmo sem ter lido qualquer página dele, pois é daqueles filmes que você sente a presença, se conecta com os personagens e fica esperando cada detalhe do que virá pela frente, do tipo que se tivesse o livro nas mãos daria algumas folheadas para frente ou não pararia de ler até ter certeza do que pensou, aconteceu realmente. Ou seja, eles foram simples nas essências para que seu filme não ficasse forçado na tela, pois dava para ser daqueles filmes tão difíceis de se conectar, com palavreados densos e situações cheias de ciências, que até funcionaria, mas não teria o mesmo charme, não teria a mesma emoção, e principalmente não levaria o público para onde conseguiram levar, que é junto da viagem dos protagonistas, em algo cheio de nuances, emoções e dinâmicas. E sendo assim, posso dizer que a forma cativa da trama levará muitos até a querer ler o livro, porém acredito que o que precisava ser mostrado já veio bem na tela.

Quanto das atuações, todos sabemos do potencial que Ryan Gosling tem, e além disso ele tem carisma demais para entregar em todos os seus papeis, sabendo exatamente aonde pontuar, aonde pode fazer um gracejo e até mesmo como segurar o espectador para que ele grude nele do começo ao fim, e aqui seu Dr. Grace tem a cara completa do ator, de modo que não consigo pensar em qualquer outro bom ator que funcionaria melhor no papel, ou seja, pegou o protagonismo todo e levou do começo ao fim, claro muito bem ajudado com uma rocha falante. E falando na rocha falante, que personagem bacana foi Rocky, não sendo apenas um mero "papagaio de pirata" como qualquer outro cairia no longa, tendo movimentos carismáticos, tendo personalidade nas dinâmicas, e com a voz de James Ortiz ficou ainda mais bem colocado e cheio de boas sacadas, ou seja, fez a dupla perfeita, e com diálogos incríveis que me peguei dando uma limpada nos olhos. Ainda tivemos nos atos na Terra dois bons personagens, que foi Eva Strat muito bem imponente que Sandra Hüller pegou com uma personalidade marcante e direta, e sem dúvida Lionel Boyce num dos seus papeis mais simples porém divertidos da carreira com seu Carl, entregando tudo e mais um pouco, mesmo sendo sério na maior parte do tempo.

Visualmente mesmo sendo uma trama com muita computação, a equipe de arte brincou com paredes, formatos, vidros, plásticos e tudo mais, tendo uma nave literalmente numa bagunça tremenda que o humano deixou, depois virando um bom laboratório junto do Rocky, tivemos muitas cenas também fora da nave, a gigantesca nave do Rocky, o planeta aonde vão pesquisar, e claro também as cenas na Terra com um porta-aviões gigante, muitos laboratórios e salas secretas, e até uma festa de despedida bem trabalhada, ou seja, a equipe de arte foi condizente com o orçamento sem ir muito além, mas fez tudo na medida. Outro ponto bem interessante foi a forma de criar a comunicação com a rocha, pegando sons e convertendo em palavras, algo muito bem elaborado com um computador e um microfone, como já vimos funcionar com outras espécies. E detalhe claro que conferi o longa na Imax e recomendo que todos vejam nas maiores salas dos cinemas preferidos, pois ele foi gravado dessa forma, sendo grandioso e imponente, para dar ainda mais uma viajada nas estrelas.

Enfim, é um filme que já fui esperando muito, e felizmente me conquistou ainda mais, sendo daqueles que certamente irei recomendar para todos irem conferir, e que com toda certeza estará no meu texto de melhores do ano no último dia de 2026, então não perca tempo e vá aos cinemas conferir, pois mesmo sendo um longa da Amazon, é daqueles que a experiência de imersão dentro do cinema vai fazer toda a diferença. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Viagem Gelada - O Resgate do Urso Polar (Huevitos Congelados) (A Frozen Rooster)

3/20/2026 01:59:00 AM |

É muito engraçado quando vou assistir um filme sem ter visto o trailer nem nada, mas o que batia melhor os horários hoje era a animação "Viagem Gelada - O Resgate do Urso Polar", que eu nem sabia que era o quinto filme de uma franquia, e muito menos lembrava que a terceira parte da franquia eu vi em 2016 (também não lembro nem o que almocei hoje, quanto mais o que vi em 2016, mas pra isso tem a busca no site!!). Mas felizmente o novo longa não precisava saber nada dos anteriores, pois a equipe mexicana fez algo bem separado para que funcionasse para qualquer um, tendo alguns personagens estranhos, mas que de modo geral acabam divertindo na tela, entregando situações bobinhas e outras bem fortes (como a causa de uma morte), e que sendo bem alocado na tela consegue mostrar coisas como animais sendo caçados para participar de circos ilegais, a cadeia alimentícia de animais sendo bem colocada a prova e até mesmo adoção em pauta, ou seja, um pouco de tudo que mesmo não sendo para um público mais adulto, conseguiram entregar boas doses reflexivas, que também divertem na tela.

A sinopse nos conta que quando um trio de pinguins e um urso-polar conseguem finalmente escapar de um perigoso circo ilegal, eles se deparam com o galinho Toto. Apesar de não terem a menor ideia de como uma ave desse porte poderia sobreviver no extremo frio do Polo Sul, uma importante missão é encarada pelos bichos. Agora, todos terão que chegar seguros em seus habitats naturais, mesmo que as temperaturas não sejam agradáveis para todos.

Uma coisa bacana é que desde o primeiro filme até agora não mudaram os diretores e roteiristas originais, afinal Gabriel e Rodolfo Riva Palacio Alatriste criaram e vão segurando em suas mãos todas as ideias e cada vez incorporando mais personagens para a franquia, afinal o mundo animal compartilhado é livre para ter tudo e mais um pouco, e uma coisa que chega a ser engraçada também é que eles não estão nem aí para direitos autorais, colocando personagens parecidos com desenhos da Pixar, da Disney, da Illumination, da Dreamworks e por aí afora, alguns até com semblantes muito semelhantes, mas mudam um detalhe aqui, outro ali, e vida que segue, e o que posso dizer é que a trama funcionou muito bem na tela, teve atos emocionais, atos mais divertidos e até momentos bobinhos demais, mas entrega algo que encaixou bem, e assim sem precisar se amarrar aos anteriores, qualquer um que for levar os menorzinhos vai curtir em família tranquilamente.

Quanto dos personagens, acho que poucas vezes vi tantos "protagonistas" na tela em uma animação, ou melhor vários secundários com um âmbito imponente entregando história para ser usada durante o longa, tendo claro o galinho/frango Toto com mais dinâmicas, inclusive voando (algo meio estranho de acontecer que até as demais aves brincam com isso), sendo mais heroico e cheio de determinação. Tivemos o ursinho Polito meio medroso demais, mas bem dinâmico quando chega no Polo Sul, sendo divertido de entrega. Tivemos os ovos cheios de imposição divertindo com suas bagunças e entregas, os pinguins cheios de personalidade, sendo bem malucos, a esposa de Toto, Di com um carisma mais cheio de entregas, os filhotinhos de Toto cheios de disposição para correr para todos os lados. E claro os piratas Barba Negra, Vermelha e Amarela, que pra variar como todos bons vilões de animação são bobos e atrapalhados. Além de outros animais como focas, outros pinguins mais radicais, leões marinhos e orcas tudo junto numa boa dinâmica na tela, só sendo os demais humanos enfeites cênicos.

E falando no ar cênico da trama, a entrega foi bem boa, cheia de profundidades em muitos ambientes, desde a tradicional fazenda, passando por um circo, muitas cenas no mar, numa praia e claro no Polo Sul aonde tivemos montanhas, gelos derretendo e quebrando e tudo mais para discutir o aquecimento global e os navios que saem quebrando tudo no ecossistema, ou seja, a trama não teve tantas texturas, mas o 3D de profundidade acabou deixando tudo computacional com formatos bonitos de ver na tela.

Enfim, não fui esperando ver a melhor animação do mundo, mas acabei saindo feliz com a diversão que me propuseram, sendo um longa que talvez os menorzinhos curtam pelas várias cores e personagens bobinhos, e os mais velhos entendam um pouco mais, ficando a galerinha do meio perdida com a entrega, mas ainda assim vale a dica de recomendação para a família toda. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Disney+/Hulu - Em Um Piscar de Olhos (In the Blink of an Eye)

3/19/2026 12:36:00 AM |

Aproveitando que assinei a Disney+ para ver um filme que queria (e que tá na promoção também!) vi que dentro agora tem o Hulu, então resolvi dar o play em um filme que tinha recebido conteúdo para postar, mas como não tinha o stream acabei não vendo. E o play da vez foi "Em Um Piscar de Olhos" que entrega uma trama interessante para se filosofar sobre o tempo, sobre a convivência entre gerações, o que aprendemos uns com os outros, e como a síntese da vida é maluca, pois algo que ocorreu lá na época dos neandertais pode estar acontecendo por agora e a mesma coisa acontecer sabe-se lá daqui muitos anos em viagens interplanetárias. Ou seja, muita gente não curte filmes quebrados em épocas, com tudo acontecendo ao mesmo tempo, mas a ideia aqui funcionou tão bem, sem precisar de grandes explosões ou dinâmicas, apenas dando mesmo as nuances da presença, do conhecimento que a convivência passa, e como isso se reflete também no que sentimos, afinal muitas vezes algo que você não sabe pode aprender vendo o outro fazer, e essa conexão vai levando o mundo quem sabe para outros rumos. Claro não é um filme perfeito, afinal tem muito que adentrar a experiência e compreender o envolvimento todo, mas aparentemente conseguiu me tocar hoje, e assim valer a indicação.

A sinopse nos conta que em um passado remeto, uma família neandertal, longe de seu lar, luta para sobreviver, protegendo seus filhos e aprendendo a usar ferramentas primitivas em um mundo implacável. No presente, Claire, uma ambiciosa estudante de pós-graduação em antropologia que pesquisa vestígios de ancestrais humanos, começa a se envolver com seu colega de estudos Greg. E dois séculos depois, a bordo de uma nave espacial rumo a um planeta distante, Coakley e um computador inteligente enfrentam uma doença misteriosa que ameaça as plantas responsáveis pela produção de oxigênio da nave.

Se alguém duvidava da capacidade do ganhador de 2 Oscars por animações incríveis ("Wall-e" e "Procurando Nemo") depois de fazer dois filmes que não explodiram tanto ("John Carter" e "Procurando Dori"), o diretor Andrew Stanton veio mostrar que não estava para brincadeira, pois ao pegar um roteiro difícil de se trabalhar como o de Colby Day aonde três épocas completamente diferentes seriam trabalhadas não por um dia ou algumas horas, mas sim anos se passando também dentro delas, ele escolheu se desafiar e mostrar que sabe brincar bem com o sentimento de compartilhar entre gerações, algo que muitas vezes se enxerga como algo duro e complexo, mas que sempre existiu, e a sacada dele foi trabalhar o envolvimento, o como alguns conseguem passar memória e sentido, e usando de momentos-chaves bem colocados, conseguiu comover com uma edição tão bem trabalhada que fez o pensar/refletir ficar gostoso. Ou seja, o diretor não quis deixar muita coisa para o público analisar e criar em sua mente, mas ao mesmo tempo deixou seu filme leve para que as reflexões fluíssem facilmente e tudo ficasse bem bonito na tela, o que acabou funcionando demais.

Quanto das atuações, vou começar de frente pra trás, ou melhor do futuro para o passado, pois sinceramente os diálogos e a interação de Kate McKinnon com o computador de bordo de sua nave é algo para pensarmos muito em tudo, de modo que sua Coakley teve desenvoltura, teve emoção e foi tão cheia de facetas expressivas nos diversos momentos, seja interagindo com a máquina, ou cuidando de tudo na nave e até mesmo depois com os bebês e adultos do novo planeta colonizado, sendo algo chamativo e presente que funcionou demais. O tom de voz de Rhona Rees também fazendo o computador da nave ROSCO foi tão chamativo, leve e presente, que você realmente pensa estar falando com uma pessoa, e isso certamente foi analisado na direção vocal dela. Quanto a personagem V, foi bacana ver quatro atrizes com praticamente a mesma expressão, de modo que Yeji Kim, Aria Kim, Diana Tsoy e Andrea Bang fizeram muito bem seus atos. Vindo para o presente, meio que tive um pouco de ansiedade com o tanto de problemas e dúvidas que colocaram na personalidade de Claire, de modo que Rashida Jones conseguiu durante os vários anos e atos que passa se expressar muito com a doença da mãe, a análise do fóssil e principalmente com o envolvimento do namorado/marido, de modo que passou uma segurança bem própria e funcionou muito bem, como certamente o diretor desejava ver. Já Daveed Diggs até entregou algumas boas performances com seu Greg, tendo um carisma e uma química meio estranha de entrega com a protagonista, mas ainda assim soube segurar bem a expressividade e deu um bom tom nos momentos certos. Indo para o tempo dos neandertais, diria que a maior sacada foi o diretor colocar eles para falarem em sabe-se lá que língua e não em inglês, mas transmitiram perfeitamente com sons seus sentimentos, sendo algo comovente e envolvente por parte de Jorge Vargas, Tanaya Beatty e Skywalker Hughes, conseguindo passar a mensagem e agradar demais na tela.

Visualmente a equipe de arte teve um bom trabalho para fazer tudo, de modo que certamente essa seria uma obra para ser lançada nos cinemas e conseguir um retorno interessante para se pagar, mas ainda assim trabalharam bem a época do passado com muitas cenas na beira de praias e montanhas, tendo inicialmente toda a dinâmica em cavernas, mas depois com tribos em barracas e produções mais acentuadas de elementos cênicos, o presente tivemos uma faculdade com suas pesquisas, aulas e também um hospital e os quartos da protagonista, além de uma casa depois simbólica, um museu e até uma apresentação incrível de projetos com DNA, e indo para o futuro tivemos muita computação para mostrar o lado de fora da nave, mas dentro foram bem representativos com plantas em estufas, um pequeno quarto computacional e uma mesa tecnológica, além de uma câmara com útero computacional para gerar os bebês, depois no outro planeta algo com muitas árvores e plantas que foram jogados pelos drones, ou seja, um pacote completo de detalhes muito bem mostrados e feitos pela equipe de arte.

Enfim, é um filme bem bonito, bem envolvente e cheio de nuances interessantes de acompanhar, aonde os detalhes fazem toda a diferença, e que numa montagem cheia de dinâmicas entre os tempos conseguiu conectar tudo e dar ritmo para que o filme mesmo que reflexivo não ficasse cansativo, e assim sendo vale demais o play, então fica a dica para todos. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Disney+ - Casamento Sangrento (Ready Or Not)

3/18/2026 06:44:00 PM |

Provavelmente a maioria de vocês já tinham assistido ao longa "Casamento Sangrento" nos streamings, mas como não veio nos cinemas em 2019, e depois acabei esquecendo dele, acabou que precisei conferir hoje ele na Disney+, afinal amanhã lança a continuação nos cinemas e não queria chegar sem saber nada. Dito isso, o longa é o famoso filme de matança sem muitas explicações, apenas que é algum tipo de ritual que a família rica precisa fazer pelo acordo com satanás pelo poder e riqueza, e que para entrar na família a pessoa precisa jogar uma espécie de jogo sorteado pelas cartas, e no caso da pobre noiva saiu o pique-esconde, aonde precisa sobreviver até o amanhecer de uma caçada pela família do noivo, ou seja, tudo bem básico de correria, tiros e tudo mais, que de história realmente não tem nada demais, mas que acaba sendo divertido pelas situações em si, e assim sendo é o famoso passatempo para quem gosta de muito sangue.

No longa vemos que Grace está prestes a se casar com o rico Alex. A dinastia Los Domas construiu sua riqueza e seu notório império produzindo jogos clássicos de tabuleiro e de cartas. No dia da troca de votos, na luxuosa mansão da família, Grace e Alex não poderiam estar mais felizes. O que a jovem não esperava era que, para se juntar ao clã de excêntricos milionários, ela precisaria passar por uma iniciação, um jogo de esconde-esconde com uma pegadinha inesperada. Enquanto Grace se esconde durante toda a madrugada, o resto da família a caça com armas para matá-la. A noiva se vê envolvida, então, em um ritual tradicional e letal em que precisa lutar por sua sobrevivência a qualquer custo.

Já falei algumas vezes do estilão dos diretores Matt Bettinelli e Tyler Gillett, afinal eles fazem muitos filmes, e a maioria deles consegue chegar ao circuito de cinemas, pois eles não ligam se a trama é simples ou quase inexistente, o que faz valer é a intensidade dos atos, e isso eles colocaram bem a prova aqui brincando de matança gratuita, e o principal, usando como base algo antigo que tem de seguir a tradição, então não vemos armas potentes ou coisas que vão matar rapidamente, mas sim revólveres arcaicos que explodem, arcos, bestas, machados e espingardas do século passado, aonde tudo acaba sendo divertido por parte de um acordo com satanás por um antigo membro da família, que eles induzem que têm que cumprir, e a sacada dos diretores é ir fazendo a correria não ser algo desordenado, mas sim bem elaborado aonde a dor da protagonista não agonize, mas sim divirta o público. Ou seja, é o básico do cinema gore antigo, que quanto mais sangue e dor melhor, mesmo que o público ria disso, e claro que gastando bem pouco, com um orçamento de apenas 6 milhões, fizeram tudo muito bem feito que acabou arrecadando quase 10x esse valor, ou seja, continuação estreando em breve.

Quanto das atuações, Samara Weaving entregou o básico que se espera de alguém que está sendo caçado, que fuja de qualquer forma e se precisar se defender que use o que tiver na sua frente, mas diria que sua Grace até foi meio que bobinha demais, mas não haveria filme se entregasse tudo do modo que se espera. Mark O'Brien até fez alguns trejeitos romantizados bem encaixados com seu Alex, mas logo é colocado de lado pela família e até fez algumas expressões para tentar ir além, mas nada demais. Quanto aos demais, tivemos um Adam Brody tentando ajudar com seu Daniel, meio que sem querer ir nas tradições da família, mas também não desapontando seus sentimentos, tivemos Henry Czerny trabalhando de forma razoável como o líder da família Tony, e Andie MacDowell fazendo uma mãe que poderia ter ido mais além com sua Becky, valendo dentre os secundários destacar as caras de Nicky Guadagni com sua Tia Helene, e a loucura de Melanie Scrofano totalmente drogada atirando para o nada com sua Emilie.

Visualmente o longa é bem sangrento como o nome promete, principalmente no ato final que a lambança vem num nível máximo, mas foi interessante também o tamanho da mansão não mostrando tantos cômodos, mas tendo um corredor imponente, um jardim grandioso aonde rola o casamento e algumas fugas, uma sala simples de controle das câmeras e das portas, além do salão de jogos e o quarto dos protagonistas, e ainda contou com um celeiro com um lugar pronto para descartar os mortos dos rituais, sendo simples, mas efetivo.

Enfim, passa longe de ser algo genial, mas diria que ficou legal de assistir, sendo de um estilo de trama que curto ver, então acredito que a continuação irá me agradar também, claro que quem for conferir esperando muita história irá reclamar aos montes, mas esse estilo não pede isso, então fica a dica para quem não viu ainda (que sei que são poucos, já que ficou quase 5 anos na Netflix e agora que foi para a Disney+) se quiser um passatempo sangrento é só ir dar play, principalmente para se preparar para o segundo. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas vou aproveitar que reassinei a Disney+ para conferir algo por lá de mais novo, então abraços e até logo mais.


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P.O.V. - Presença Oculta (Bodycam)

3/17/2026 10:48:00 PM |

Particularmente prefiro longas que vão mais direto ao ponto do que aqueles que comem pelas beiradas enchendo tudo de coisas subliminares, mas hoje irei compartilhar a ideia do meu amigo Sidney, pois sem ela, talvez eu ficaria ainda mais irritado com o que vi hoje no longa "P.O.V. - Presença Oculta", afinal não nos é mostrado quase nada a não ser dois policiais correndo atrás de algo que não é muito explícito, mas que os viciados da rua tudo ficam falando que "vocês tiraram alguém dele, ele pegará agora alguém seu" pra eles, ou seja, dando um spoiler mega gigantesco usando as palavras do meu amigo, e como também não gostei muito do filme, lá vai: que a trama seria sobre a demonização das drogas, e já que os policiais mataram alguns drogados, agora eles vão pegar alguns parentes deles pra "seita". Ou seja, até que olhando por essa ótica a trama fica "menos" ruim, mas ainda assim as coisas que aparecem são muito bizarras e sem nexo algum para focar em algo "material" que é o mundo das drogas, pois botar demônio nesse meio que já é algo ruim é literalmente fumar muita droga vencida para conseguir criar uma trama funcional. Sendo assim, vai ter quem ame, esse meu amigo por exemplo, mas vai ter quem é do meu time que prefere algo mais digamos "pegável" para causar terror.

A sinopse nos conta que o que começou como uma chamada de rotina vira um pesadelo quando dois policiais se envolvem em um acidente fatal. Bryce, desesperado para proteger seu emprego e sua família, convence seu parceiro a destruir todos os registros para esconder a verdade. Mas conforme a madrugada avança, eles percebem que as câmeras não eram as únicas testemunhas e que algo sobrenatural acompanhava cada movimento deles naquela noite.

Diria que o diretor Brandon Christensen apenas cruzou os braços, ensaiou com os atores e deixou que eles fizessem o resto, pois como praticamente 100% do longa é filmado pelas câmeras corporais dos atores e iluminado pelas lanternas deles também, o resultado acabou sendo algo bem fácil de se dirigir, mas claro bem complexo depois para editar, afinal material de duas ou três câmeras em tempo integral de filmagens, escolher melhores ângulos e desenvolver tudo bem dá um bom trabalho, e claro que ele conseguiu isso, pois volto a frisar que dava para ficar algo bem pior, e como meu amigo citou tudo até precisava fazer algum sentido na tela, e com isso o trabalho foi bem desenvolvido na edição. Claro que olhando de relance, como prefiro fazer sem me preocupar em tentar encontrar sentido na tela, e o que muitos fazem, principalmente quando a obra vem apenas dublada para a cidade, o resultado geral vai soar muito esquisito, mas se lapidar bem, a ideia da demonização das drogas faz bem sentido.

Quanto das atuações, vou analisar rapidamente os personagens, pois como disse, só vieram cópias dubladas para a cidade, e a gritaria que ambos os protagonistas fazem é pra chamar os policiais de frouxos de nível máximo, mas tirando esse detalhe, tivemos o policial ruim, que ao cometer um crime tenta apagar as provas e só vai piorando tudo conforme vai fazendo as coisas, no caso Bryce, e tivemos o policial bobinho, no caso Jackson, talvez novato no cargo, que quer mostrar tudo da maneira correta, leva o amigo até a mãe que pode ajudar com algo, que até é corajoso num primeiro momento, mas viu que a coisa ia azedar correu tanto que quase destrói ele e a câmera sozinho. Quanto aos demais personagens, a mãe de Jackson que ajuda pessoas drogadas a se curarem, tivemos uma jovem hacker que surta na primeira olhada de vídeo, e muitos drogados nas ruas da cidade, parecendo quase um The Walking Dead versão drogados, ou seja, dava para pegar mais da ideia do longa de modo mais fácil.

Visualmente o longa chega a dar um pouco de tontura pelos excessos de movimentos das câmeras corporais, mas mostrou bem uma cidade tomada por viciados, mostrou uma casa bagunçada com um poço depois que leva para um estilo de fábrica, além da viatura da polícia e a casa da mãe do protagonista que tem uma espécie de centro de tratamento, porém como a trama é extremamente escura, vemos tudo aos poucos, que até funciona, mas dava para ir mais além. E quanto ao demônio que aparece no fim, que bicho feio e sem noção, que saberá de onde imaginaram algo dessa forma.

Enfim, é um longa mediano que poderia ter ido mais além sem precisar ficar jogando em linhas subliminares, e talvez com um final "menos" forçado com um demônio representativo ficaria melhor determinado, mas ainda assim vai ter quem goste bastante, e quem vai odiar, ficando a dica por sua conta. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Narciso

3/17/2026 01:36:00 AM |

Acho bem interessante como alguns diretores sabem trabalhar a crítica social com formatos tão fáceis quanto entregar algo simples na tela, pois são tramas que exigem que o público entenda a proposta para se envolver, não sendo apenas algo para colocar lá e deixar fluir, e um desses diretores que faz isso muito bem é Jeferson De. Dito isso quando vi o pôster e a proposta de "Narciso" fiquei bem curioso com o que iria ver no novo longa do diretor, pois sabemos bem de seu cunho e de como muitos jovens veem o mundo da adoção de uma forma complexa, principalmente no quesito de cor da pele, e hoje ao conferir vi um filme com uma pegada até um pouco lúdica demais por ser algo dele, pois talvez uma imposição mais forte funcionaria melhor, e também acredito que ele deu um ar meio que abstrato demais que toda criança rica é deixada de lado pelos pais, não tendo felicidade de um modo geral, mas o resultado funciona bem na tela, e isso é o que importa, pois sempre haverá muitos modos de representar as escolhas, principalmente com um gênio como esse.

O longa nos conta que Narciso é um menino negro e órfão que vive num lar temporário com os irmãos Carmem e Joaquim. Às vésperas do seu aniversário, ele é devolvido por um casal que desistiram de adotá-lo. Durante esse momento devastador, um amigo chamado Alexandre o presenteia com uma bola de basquete mágica: se Narciso acerta três cestas consecutivas, um gênio aparece para conceder o seu maior desejo. O pedido de Narciso? Ter uma família rica. Seu desejo é concedido, mas com uma condição fatal: Narciso nunca mais poderá ver seu reflexo, caso contrário o encanto se quebrará. Na mesma noite, o jovem é transportado para sua nova vida, numa mansão com uma nova família. Um incômodo, porém, o deixa angustiado: a saudade dos amigos e da casa de Carmem. Logo, o menino precisará refletir se o caminho para a felicidade era esse mesmo que sempre quis.

Diria que o estilo do diretor e roteirista Jeferson De poderia ser mais impositivo na trama, pois o longa ficou muito simbólico e calmo, com um conflito não tão marcante na tela, pois abstraiu qualquer possibilidade que o longa tivesse de mostrar escolhas e afincos, pois volto a frisar que nem toda família rica abandona os filhos trancados como foi o caso mostrado na tela, mas a sensibilidade de mostrar isso com cores foi algo muito bacana de ver na tela, e que de uma forma representativa conseguiu mostrar a velha síntese de que dinheiro não traz felicidade. Ou seja, no longa vemos algo até que bem trabalhado nesse sentido, mas que poderia ter sido vertido de outras maneiras, com algumas imposições mais bem mostradas, que aí sim daria para ser forte como as demais tramas do diretor.

Quanto das atuações, o jovem Arthur Ferreira foi um pouco fechado demais com seu Narciso, parecendo ser até tímido demais para um papel de protagonista, mas teve bons momentos na tela e soube segurar suas expressões quando precisou, não sendo algo perfeito, mas ao menos bem feito. Ju Colombo entregou uma Carmen com tanta perfeição que com toda certeza muitas pessoas irão ver e conseguir identificar muitas mães de coração de jovens no país, sendo dura quando precisou, mas sentimental e bem chamativa em alguns atos também. Gosto do ator Bukassa Kabengele, porém aqui seu personagem Joaquim foi trabalhado com uma importância maior do que deveria, pois o papel não precisava ser tão chamativo, claro que isso não é um problema do ator, e assim sendo ele fez bem seus atos na tela. Claro que ainda vale dar um leve destaque para Seu Jorge como um gênio meio estranho e também Diego Francisco com um Naldo que valeria ter trabalhado um pouco mais, mesmo sabendo o que quiseram simbolizar, mas de um modo geral todos tiveram rápidas participações na tela, mesmo os com um pouco mais de fala.

Visualmente a trama mostrou bem a casa simples aonde o personagem vive com outros jovens abandonados, a região com uma pequena venda e um ex-irmão que provavelmente vive do crime, brinquedos reparados e pouca comida, mas com muito amor, e depois tivemos em preto e branco uma mansão, com o rapaz vestindo um pijama com sua inicial, piscina, barquinhos, bicicleta e tudo mais que sempre sonhou, mas sem a felicidade que gostaria de ter, sendo algo bem representativo e simbólico, que a equipe de arte soube trabalhar bem na tela.

Enfim, não chega a ser uma das obras brilhantes do diretor, mas ainda assim teve um ar interessante e bem representativo com os devidos simbolismos, que certamente poderia ter ido muito mais além na tela, mas que segue valendo a recomendação para conferir a partir de quinta dia 19/03. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Elo Studios e da Atômica Lab Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Velho Fusca

3/16/2026 07:14:00 PM |

É interessante que alguns filmes conseguem brincar com o lado mais simples da mudança sem precisar forçar tanto a barra, pois o conceito de brigas familiares sempre deixa aquele tom dramático pesado no ar, e alguns diretores acabam tendo o dom de conseguir amenizar essa situação, enquanto outros pesam a mão e forçam ainda mais tudo. Dito isso, foi bem bacana conferir o longa "O Velho Fusca" que traz para a tela uma pegada bem trabalhada em cima de resoluções familiares, aonde vemos muitos pais que não possuem contato com seus pais por brigas de época, e a geração atual tenta conectar as pontas para se entender, e aqui de uma forma leve e descontraída o resultado funciona bem com pegada, e principalmente dinâmica para que não ficasse bobo demais na tela.

No longa vemos que o garoto Junior, um jovem tentando buscar pelo seu lugar no mundo, encontra um carro antigo que pertencia ao avô, um senhor já bem endurecido pela frieza da guerra em outro país ainda na adolescência, na garagem. Com planos de ficar com o veículo, ele acaba mexendo em feridas do passado e, agora, precisará consertar uma briga antiga que dividiu a família anos atrás e possui grande relação com o velho fusca.

O longa anterior que conferi do diretor Emiliano Ruschel me fez perceber duas coisas, que ele tem estilo e opinião, pois fazer um longa nacional quase inteiro falado em inglês é algo meio estranho, mas que ao menos mostrou que sabia aonde poderia chegar, e agora ele volta a mostrar isso com a simples frase que o protagonista ouve aos montes de seu avô: "sem frescura", e isso diz tudo sobre o seu novo filme, que poderia ser cheio de firulas, poderia recair facilmente para uma novelona cansativa, mas que funciona por brincar de um modo básico o mundo atual, aonde muitos jovens valorizam o antigo e que possuem um carisma para talvez ligar pontos escuros no passado das famílias. Ou seja, o diretor soube ser simples, rápido e bem colocado, fazendo com que a ideia do filme prevalecesse e ainda de forma sintética passasse bem a emoção na tela.

Quanto das atuações, foi bem bacana a entrega de Caio Manhente para seu Junior, de modo que o personagem teve uma pegada um pouco mais dentro do vértice dos filmes americanos, de pensar em sair de casa para estudar, ganhar o carro do avô, trabalhar lavando pratos em restaurantes para juntar uma graninha, mas ainda assim o rapaz teve um ar sentimental bacana, fez bons trejeitos e conseguiu dar a emoção que o longa precisava. Já Tonico Pereira fez aqueles avôs ranzinzas e briguentos, que os vizinhos nem conseguem suportar, e o ator brincou com as possibilidades nos cenários entregando tudo o que ele sabe fazer bem, divertindo com presença e força visual. A boa base do longa ficou entre os dois protagonistas, mas ainda tivemos alguns momentos bem colocados de Danton Mello como o pai do garoto, e Cleo Pires fazendo uma mãe meio riponga divertida nos atos que acabou entregando, tendo entre os secundários um pouco mais de participação de Giovanna Chaves como a garota Laila que o rapaz tem uma queda.

No quesito visual, acredito que a equipe de arte pegou tudo o que tinha de sobras de todos os filmes que já participaram na vida (e nem deles, mas sim do Tonico Pereira) e levaram para deixar jogado dentro da casa e da garagem do avô, pois nem naqueles programas de limpeza que vemos na internet tinha visto uma bagunça tão grande, mas foi bacana para o jovem mostrar seus dotes de limpeza e arrumação, pois tudo ficou bem organizado e o fusca bem arrumadinho. Ainda tivemos alguns atos na cozinha de um restaurante e na casa do rapaz, mas sem grandes momentos ou detalhes.

Enfim, é um longa simples que funciona na tela, não sendo cansativo e principalmente brincando com algo que tem uma certa identidade, que como disse poderia ser ainda mais novelesco, mas que saiu bem pela tangente fazendo ficar com mais cara de cinema o resultado final. Sendo assim deixo a dica para conferirem ele nos cinemas na próxima quinta, e fico por aqui agradecendo o pessoal da A2 Filmes, da Uno Filmes e da Primeiro Plano Assessoria pela cabine de imprensa, então abraços e até breve com mais dicas.


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Enzo

3/15/2026 07:11:00 PM |

Particularmente gosto bastante das tramas francesas, pois elas geralmente entregam bem mais do que apenas o esperado, porém também digo que prefiro mais os dramas cômicos do país afinal não precisam incorporar tantas situações em um único filme. E comecei dessa forma o texto do longa "Enzo", que estreia na próxima quinta 19/03 nos cinemas, pois é um filme bem interessante e intenso, mas que trabalha tantos temas, que ficamos realmente pensando aonde o diretor desejava chegar ao trabalhar tudo isso, mas ao menos a maioria funciona bem na tela, envolvendo bem e se desenvolvendo de forma interessante, o que acaba chamando muita atenção e agradando quem gosta de tramas com um peso extra na tela.

O longa nos conta que Enzo, de 16 anos, desafia as expectativas de sua família burguesa ao iniciar um trabalho como aprendiz de pedreiro, um caminho muito distante da vida prestigiosa que haviam imaginado para ele. Em sua luxuosa vila no ensolarado sul da França, as tensões fervilham enquanto perguntas e pressões implacáveis pesam sobre o futuro e os sonhos de Enzo. No canteiro de obras, no entanto, Vlad, um carismático colega ucraniano, abala o mundo de Enzo e abre as portas para possibilidades inesperadas.

Diria que os diretores e roteiristas Robin Campillo e Gilles Marchand foram bem amplos no que desejavam mostrar na tela, pois é a famosa saga dos 16 anos aonde a maioria dos jovens não sabem o que querem da vida, e que muitas vezes querem experimentar e até confrontar as pessoas, e aqui ao brincar com essa essência acabaram jogando com muitas facetas para que o protagonista entregasse tudo na tela, o que acabou ficando bem bom de ver, mas que claro para alguns vai parecer que tentaram forçar a barra apenas para jogar com as diversas "lacrações", mas não consegui ver sob essa ótica, pois na tenacidade completa o longa teve pegada e funcionou bem na dinâmica de como chamamos muito por aqui de "aborrecentes", e que muitas vezes pegam bem em alguns riquinhos da vida.

Quanto das atuações, diria que o jovem Eloy Pohu estreou com muita classe para que seu Enzo tivesse uma personalidade ampla, cheia de dúvidas e que cada trejeito seu fosse algo misto entre repreensão e sentimento, de tal forma que o envolvimento funciona em cada momento seu, e o acerto acabou sendo perfeito. Ainda tivemos bons atos com os pais vividos por Pierfrancesco Favino e Élodie Bouchez, que trabalharam as dúvidas e as intensidades bem com o estilão de pais ricos, mas quem teve maiores envolvimentos na tela foi Maksym Slivinskyi com seu Vlad bem encaixado na proposta, sabendo aonde se impor e aonde chamar mais para si, sendo simples, e deixando que o protagonista se destacasse ao máximo.

Visualmente a trama foi bem imponente com a casa chique da família rica com suas festas regadas a bebidas, piscina e tudo mais, tivemos a obra e até o apartamento simples dos ucranianos, mas sem ser algo jogado na tela, tendo poucos elementos cênicos, mas que funcionam quando colocados lá.

Enfim, é um filme simples, porém com uma boa estrutura cênica, e uma representação melhor ainda, que consegue emocionar e envolver como o roteiro pedia, então vale bastante a indicação para conhecer um pouco mais desse estilo, principalmente quem tem jovens nessas idades. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo os amigos da Mares Filmes, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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