Medley

11/02/2026 02:58:00 AM |

Mais cedo falei que estava muito feliz com a variedade dos longas nacionais, e principalmente com a qualidade que isso tem sido entregue nas telas, de modo que hoje vendo três em sequência pude observar muito técnica e estilos, e o longa "Medley" surgiu do nada nas telonas daqui do interior, afinal não constava nas programações dos cinemas e acabou nem chamando muito público como aconteceu nos longas que vi mais cedo que estavam bem recheados, e a história trabalhada é interessante e tem pegada, ao mostrar a jovem que nunca soube mais do pai, tendo conflitos familiares com a mãe que vive presa no trabalho e claro que indo para uma cidade menor (e roubando a vaga de outras garotas no time de natação) sofreria com os moradores mais antigo, porém a base da trama é pequena, e dava para cortar muitos espaços reflexivos de modo a dar mais dinâmica para a produção, pois o longa não é ruim, mas ficou com mais cara de filme "homenagem" ao livro do que um desenvolvimento maior que chamasse público. Ou seja, é o famoso filme aonde ficamos esperando muito e entrega pouco no final, sendo emocional pela essência, mas não tendo uma grande construção.

No longa vemos que aos 16 anos, Lola é uma nadadora talentosa, dona de várias medalhas, mas incapaz de executar o estilo borboleta. Marcada pela misteriosa ausência do pai e por uma relação difícil com a mãe, ela decide passar as férias sozinha em Salto Bonito. Na cidade, ela se apaixona, faz novas amizades e se junta ao enfraquecido time de natação local. Porém, cada vez que entra na água, emoções despertam lembranças dolorosas que ela tentou esquecer. Enquanto se prepara para um importante campeonato, Lola precisa enfrentar os medos e traumas que a acompanham desde a infância. Para seguir em frente, ela também terá de descobrir a verdade sobre o pai.

Como falei no começo, diria que a diretora Ana Luiza Azevedo não quis ousar muito e se prendeu demais ao livro da roteirista Keka Reis, "Medley ou os dias em que aprendi a voar", pois vemos na tela um filme que até poderia ter ido muito mais além, ou então ser mais fechado nas dinâmicas e cortar todos os espaços em branco, pois com uns 30 a 40 minutos a menos não necessitaria de muitos enfeites e dinâmicas "desnecessárias" e o resultado ficaria singelo e direto para contar tudo. Claro que sabemos bem que alguns projetos precisam de espaços reflexivos, mas não era o caso aqui, e talvez essa porrada daria ao longa um chamariz bem maior e impactante. Volto a frisar que o que vemos na tela não é ruim, pelo contrário vemos uma boa técnica e principalmente não entrou no estilo novelesco, contando com cenas bonitas e emocionais, mas infelizmente não convence, e assim o resultado acaba não acontecendo como deveria.

Quanto das atuações, diria que Mel Maia é daquelas atrizes que precisa de uma direção forte para entregar muito mais na tela, de modo que sua Lola tem personalidade e vontade, mas não puxa o carisma para si para que torçamos por ela no desenvolvimento do filme, e isso é um problema gigante quando se é a protagonista de uma história, então ficou faltando chamar o filme para si e envolver o espectador com a personagem, o que não rolou. Já Guthierry Sotero até teve um carisma até que bacana para com seu Gabriel, sendo intenso e bem chamativo nas cenas com a protagonista, e trabalhando sua expressão em vários atos, o que foi bacana de ver, só faltando ter uma química maior com ela também, pois o romance soou até bem artificial na tela. Ainda tivemos alguns bons momentos de Alana Cabral com sua Linda mais diretona e André Ramiro fazendo bem um treinador da equipe de natação, sobrando para Mariana Lima a participação mais fraca como a mãe da garota, aonde chega a ser ainda mais sem expressão que a protagonista, dando até um desânimo exagerado na tela, o que incomoda bastante.

Visualmente o longa tem o clássico estilo de ser projeto de cidade, aonde tudo filmado em um lugar simples, mostrando apenas a piscina municipal e alguns atos em uma pracinha, além de momentos no mercadinho da família do garoto e na casa do sítio do tio da garota, sem ter grandes detalhes, apenas uma caixa aonde acha fotos antigas que fazem ela querer saber cada vez mais do passado da mãe e do pai, sendo o elemento chave da trama, mas sem grandes floreios, além claro de torneios de natação, ou seja, a equipe de arte foi bem econômica.

Enfim, é um longa que tinha potencial para ir mais além e ser melhor desenvolvido para impactar na tela, mas que acabou sendo simples e alongado demais, o que resultou em algo mais mediano, que não deve ter tanto público infelizmente, pois como já frisei não recai para o lado novelesco, e também não é uma ideia comum de vermos tanto em nosso cinema, então se tiver sem muitas opções até vale uma conferida. E é isso meus amigos, acabo aqui essa maratona que fiz no dia de hoje, e amanhã volto para o cinema francês, pois a outra estreia os horários não estão batendo muito, então vou empurrar ela para a próxima semana, fiquem por enquanto com meus abraços e até amanhã com mais dicas.


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As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você

11/01/2026 10:11:00 PM |

Nao sei o motivo, mas desde quando vi o trailer de "As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você" há um bom tempo atrás tinha duas impressões bem opostas que ou eu amaria o longa ou detestaria ele demais, pois tinha um quê de "P.S. Eu Te Amo" e também tinha tudo para virar uma novelona amarrada e chata, e felizmente minha intuição de que amaria estava certa, pois fiquei completamente encantado dele não ser uma novela em minutos algum, não ter subtramas jogadas, muito menos ter cenas forçadas na tela, sendo daqueles filmes emocionais fortes e leves ao mesmo tempo, que consegue passar para o público tudo na tela, e principalmente sendo uma adaptação de um livro não ficar com capítulos ou paradas na tela, se desenvolvendo com personalidade, tendo personagens emocionais bem trabalhados e atuados, e conquistando nosso coração com um filme que nem parece ser nacional, mas felizmente é, ou seja, sai encantado com o que vi na tela.

O longa acompanha Julia e Gabi que, por mais que sejam amigas desde crianças, são completamente diferentes uma da outra. Gabi é uma menina cautelosa, tímida e tem medo de enfrentar novos desafios. Por outro lado, Julia é totalmente extrovertida, carismática e se joga em tudo o que a atrai. Para a surpresa das meninas, tudo está prestes a mudar quando uma mentirinha espalhada sem pretensão vira uma tragédia, resultando em um acidente de carro com a Julia. A menina precisa fazer uma cirurgia de risco e então resolveu deixar um presente para Gabi: dez cartas com dez desafios diferentes. Julia fez isso caso ela não sobreviva e a amiga precisará cumprir cada desafio, mexendo completamente com a vida de Gabi.

Diria que o diretor e roteirista Diego Freitas, que já vem encantando demais com suas obras anteriores ("Caramelo" e "O Segredo de Davi") é daqueles que sabe marcar território e sai completamente da caixinha, agradando com tudo o que faz, e aqui ele soube trabalhar seu filme com uma proposta tão leve e solta que realmente impressiona, sendo daqueles que usa a tela para valorizar a essência, que consegue capturar o momento sem deixar pontas jogadas, e que principalmente não faz uso do drama como algo apenas para fazer chorar, mas sim para ampliar o feitio do estilo com personalidade e valores marcantes, sendo daqueles diretores que sabem entregar o filme funcionando na tela, e isso acaba encantando demais, com planos simples, montagens diretas e um resultado único, aonde ele soube usar e ousar bem o livro de Fernanda de Castro Lima e não ficar preso somente nele.

Quanto das atuações, inicialmente já sabia que a personagem Julia que Giulia Be interpreta morreria logo de cara na trama, mas também pelo trailer imaginava que ele iria ficar meio como um fantasma conversando com a protagonista, e isso foi bem legal de ver, pois a atriz teve uma personalidade e uma intensidade bem interessante de acompanhar, aonde vemos ela mais como alguém para dar força, e assim foi usada assertivamente com presença e estilo. E falando em estilo, Any Gabriely conseguiu se jogar por demais na tela com sua Gabi, trabalhando meio como alguém mais tímida (o que sabemos que ela não é), mas se jogando literalmente nas ideias das cartas, passando pelos problemas bem encaixados que provavelmente aconteceria, e agradando conforme vai mudando a personificação sem estragar o lado bom dela, ou seja, foi bem demais. Outra que foi muito bem na tela foi Pamela Germano com sua Lorena, dando as devidas conexões para a protagonista realizar os desafios, mas sendo chamativa e encaixando tudo para não ficar jogada apenas. Ainda tivemos as mães que foram vividas por Regiane Alves e Sheron Menezes, sendo bem encaixadas na tela, mas sem tirar o brilho das protagonistas, e claro vale destacar demais a entrega de Leo Jaime e  Arthur Kohl como um belo casal, e também o jovem Daniel Rangel que teve poucos atos, mas mandou bem no que precisava fazer.

Visualmente o longa foi bem completo, tendo algumas cenas mais fechadas como no apartamento da família de Gabi e alguns momentos na escola das garotas, mas entregou cenas na Avenida Paulista pedindo abraços, em livrarias, em salas de cursos de danças, boates, hospitais e até mesmo em um acampamento e em saltos de paraquedas, tendo ainda uma espécie de limbo escuro com água aonde a protagonista vai durante seus sonhos enfrentar seus medos, ou seja, a equipe de arte brincou com figurinos para os vários momentos e muitas locações para amplificar o estilo do livro, ou seja, trabalharam com primor técnico para que o filme não ficasse muito caro, mas ainda assim o resultado aparece bem na tela.

Enfim, não era um filme que estava nos planos de ser conferido hoje, aliás tinha até programado ele para a próxima semana já que os encaixes com o Festival estão bem difíceis, mas como mudei tudo para ver mais filmes hoje acabou dando certo, e para a minha felicidade foi o melhor filme que vi hoje, me envolvendo e emocionando de uma forma que nem sei o motivo, mas isso me deixou extremamente feliz, pois o cinema nacional tem crescido demais com histórias diferenciadas, mas quando volta para o básico costuma derrapar, e aqui me lembrou grandes e bons exemplares de dramas adolescentes bem feitos fora do país, e isso é mostrar que estamos indo no rumo certo do cinema nacional. E é isso meus amigos, agora vou para minha última sessão e volto logo depois com os vários textos, então abraços e até logo mais.


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100 Dias

11/01/2026 07:36:00 PM |

Ja venho elogiando o cinema nacional tem um bom tempo, e não seria hoje que mudaria isso com um dos longas que quase foi o nosso indicado ao Oscar, que sendo a primeira direção 100% de humanos na carreira de Carlos Saldanha, "100 Dias", acaba sendo daquelas tramas que tem pegada, que se desenrola bem na tela, e que mesmo sabendo exatamente o que vai acontecer sem precisar nem ter lido o livro de Amyr Klink funciona bastante. Ou seja, é daqueles filmes que são bem trabalhados dentro do recorte feito na tela, que talvez com algumas pitadas densas na tela empolgariam mais, mas não quiseram inventar moda, e assim o resultado fica bacana sem ter grandes reviravoltas.

O longa retrata a impressionante jornada do navegador brasileiro, que se tornou a primeira pessoa a atravessar o Oceano Atlântico Sul a remo. Em 1984, Klink realizou a travessia solitária em um percurso de quase sete mil quilômetros, partindo de Lüderitz, na Namíbia, até Camaçari, na Bahia, ao longo de 100 dias, entre junho e setembro. Além de narrar a aventura épica, o filme explora camadas mais profundas, como a relação complexa de Amyr com sua família, especialmente com o pai, e como essa travessia pode simbolizar sua busca por autoconhecimento e superação.

Sempre gostei muito do estilo do diretor Carlos Saldanha, mas me incomoda demais a segurança que ele entrega na tela, de modo que seus filmes acabam ficando mornos demais no miolo. Ou seja, acredito que ele tenha focado demais no livro do próprio Amyr e assim não desenvolveu a história como ela poderia, ficando com um filme que não impacta como a jornada em si parecia, e isso para uma história ousada como o filme pedia soa fraco na tela. Não estou dizendo que seja um filme ruim, muito pelo contrário, mas fica parecendo faltar explosão para que no final estivéssemos afobados e empolgados com tudo o que estava acontecendo na tela, é assim talvez o diretor poderia ter ido mais além.

Quanto das atuações, diria que Filipe Bragança entrou por completo no papel de Amyr, remando aos montes, trabalhando trejeitos intensos e marcantes, e principalmente bem seguro do que o papel precisava, aonde suas expressões fluíram bem na tela e tiveram as devidas nuances do começo ao fim. Como é uma jornada bem solitária a do personagem, tivemos outros atores no apoio atrás do rádio, seja no navio grande aonde o verdadeiro Amyr apareceu como comandante Ayres, enquanto sua voz foi feita por Daniel Farias, ou com a mãe e o irmão bem interpretados por Philippine Leroy-Beaulieu e João Vitor Silva, mas o destaque mesmo ficou para o garotinho Enzo Rosetti que fez o personagem jovem, é assim sendo ao menos não operaram o orçamento da trama com tantos atores.

Visualmente o longa teve uma boa entrega com o pequeno barco contando apenas com o dormitório do rapaz, um fogareiro e suas comidas dessalgadas para preparar com a água do mar, sendo representativo ao máximo com as tempestades e animais marinhos que apareceram durante o trajeto no Oceano Atlântico.

Enfim, é um filme bem feito, que talvez pudesse ser muito mais impactante e empolgante na tela com poucas mudanças na estrutura, pois volto sempre a frisar que em adaptações literárias, principalmente as biográficas, precisam ser mais ousados para chamar mais atenção, mas ainda assim é um bom exemplar diferenciado dentro do cinema nacional. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas hoje ainda verei mais dois filmes, então abraços e até daqui a pouco.


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Três Horas Para Viver (Runner)

11/01/2026 05:04:00 PM |

Costumo dizer que os longas da Angel Filmes entregam tramas tão mornas e com cunhos voltados para a religião, porém com "Três Horas Para Viver" temos um filme com tanta ação, com muitas cenas violentas, perseguição em nível máximo do começo ao fim, aonde entramos de carona junto com um entregador que tem de levar um fígado para uma garotinha enquanto traficantes também querem o mesmo órgão para salvar a chefe do cartel, e aí com uma pegada intensa e cheia de nuances vamos torcendo pelos personagens, rimos de algumas sacadas boas e acabamos impactados com a pancadaria toda que o protagonista e o vilão se desferem, ou seja, é daqueles longas que não temos respiro em sequer um minuto, e isso acaba sendo bacana demais de entrar no clima.

O longa acompanha Hank Malone, um transportador de elite contratado para uma missão urgente: levar um órgão vital que pode salvar a vida de uma garotinha de 7 anos. Ao seu lado está o Ben Bishop, responsável por proteger e monitorar o carregamento durante todo o trajeto. O que parecia ser uma entrega direta logo se transforma em uma corrida desesperada contra o relógio quando Damián Zaldívar, líder de uma perigosa organização criminosa, entra em cena determinado a roubar o órgão a qualquer custo.

Diria que o diretor Scott Waugh pegou a trama para fazer achando que não daria para impactar na entrega, mas botou toda sua ousadia para jogo e conseguiu fazer com que seu filme fosse muito mais além do que uma história de redenção do protagonista pelo passado de guerra e de perda da filha seguida de separação, criando dinâmicas de ação no melhor nível possível, e assim sendo seu filme acabou chamando muita atenção, pois ele soube brincar com tiros, explosões e traquejos fortes de luta corporal com os personagens, fazendo com que a entrega na tela fosse sem respiros ou enfeites, é assim sendo agradando demais.

Quanto das atuações, diria que Alan Ritchson soube segurar demais a intensidade de seu Hank Malone, não deixando ele apenas como um brucutu jogado na tela, pois ele foi marcante e teve muita personalidade para impactar nos seus principais atos, não ficando deslocado, nem se perdendo com o que o filme pedia, é assim foi bem demais. Já Owen Wilson foi falante demais com seu Ben Bishop, ao ponto de até ser engraçado e cativante com suas entregas, mas acho que até o papagaio estava querendo que ele fechasse a matraca, mas ao menos seu carisma tradicional chamou muita a atenção para o personagem, e isso acabou sendo legal. Agora se Hollywood assistiu ao filme já sabe quem contratar para vilão dos próximos filmes, pois Rodrigo Santoro deu literalmente o sangue com seu Damián Zaldívar, de forma que cheguei a pensar que ele era imortal na luta final com o protagonista, mas antes fez muitas caras e bocas, falou português, espanhol, inglês e tudo junto na mesma frase para se impor e claro xingar o protagonista sem que ele entendesse (e isso é o clássico dos brasileiros fazer com gringos!), ou seja, se jogou, lutou, atirou e fez de tudo que um bom vilão deve fazer para conseguir seu objetivo. Não digo que os demais personagens tenha tido atuações ruins, apenas não foram importantes para que a trama se desenvolvesse, tendo um leve destaque apenas para Leila George com sua Kate Baker e Scarlett Crabtree com sua Ellie pelos gracejos e simpatia da garotinha e claro os desesperos da mãe para salvar o fígado da filha, mas nada muito além disso.

Visualmente a trama foi quase como ver um filme de grande saga de ação, com perseguições pelas avenidas da Austrália (que eu nem sabia que era mão inglesa invertida!), muitos tiroteios, carros partindo ao meio com trombadas malucas, carro de polícia voando e capotando, explosões, facadas e tudo mais que possa ser usado como arma, tendo claro a bolsa de transporte de órgãos bem tecnológica e refrigerada (não sendo a prova de balas, pensem nisso nas próximas invenções!), e até tendo um mote interessante ao mostrar o protagonista com seu ano livre de álcool, mas sem muita importância para a trama. Ainda tivemos alguns atos dentro de um hospital bem equipado como deve ser, e claro um fechamento digno em Paris para dar a devida nuance inicial da trama.

Enfim, achava que seria mais um filme com mote religioso chato que tradicionalmente a Angel Filmes traz para o país, mas o resultado me surpreendeu e me fez ficar conectado durante o longa inteiro, sendo bacana na medida pela ideia, e principalmente mostrando para o pessoal das tramas de ação que dá para criar ao menos uma história envolvente sem ser apenas tiro e pancadaria, então fica a dica. E é isso por enquanto pessoal, pois hoje vou morar nos cinemas vendo um filme atrás do outro até perto da meia-noite numa saga maluca para matar as estreias e depois amanhã voltar com o Festival Francês, então abraços e até logo mais.




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Feito Pipa

11/01/2026 02:33:00 AM |

Sei que sou curioso e não aguentei esperar pela estreia oficial na próxima semana do nosso candidato ao Oscar, então eis que hoje aproveitei que já tinha visto o segundo filme do Festival de Cinema Francês e encarei "Feito Pipa" para tirar logo a prova de se era realmente um filme para podermos brigar como aconteceu nos últimos anos ou se estava com um leve sucesso apenas pelos temas delicados que trabalha na tela. E agora que conferi posso falar que temos uma trama bem bonita, que me emocionou principalmente pelo tema da avozinha com o Alzheimer que perdeu a filha de um modo fortíssimo que vamos saber só lá quase no final do longa, mas também o fator do garoto que sonha em ser jogador de futebol, mesmo tendo um lado mais artístico e puxado para o lado feminino, ou seja, o diretor quis trabalhar com muitas coisas ao mesmo tempo, e soube ser sutil com ambos, não explodindo tudo na tela, de modo que funciona bem, mas aí ser o melhor exemplar nosso desse ano para competir pau a pau com as produções do mundo afora, aí já não sei, pois a trama tem muitos gargalos para um filme de apenas 93 minutos, e isso é perigoso demais quando levado para fora do país, então irei torcer certamente para batermos 3 anos seguidos nas maiores premiações, mas não apostaria todas as minhas fichas nisso.

O longa nos conta que Gugu é um menino de quase 12 anos, sonhador e apaixonado por futebol, que vive com a avó Dilma, uma professora aposentada que o cria de forma livre e afetuosa, sem se preocupar com os julgamentos dos moradores da cidade. A relação do garoto com o pai Batista é difícil, feita de ausências, expectativas e afetos não ditos. Avó e neto moram sozinhos ao lado da barragem de Araújo Lima que, após anos de seca, começa a revelar as ruínas de uma antiga cidade submersa, trazendo à tona lembranças que mudaram a vida da família.

Diria que o diretor Allan Deberton é o mais ousado do cinema nacional, de modo que já fez uma trama sobre empregada que explodiu mundo afora, fez um musical nacional homossexual, e agora botou em pauta os temas de Alzheimer, política de terras e questões de sexualidade e bullying na infância, ou seja, nem sei mais o que esperar de seus filmes, pois pode surgir daqui alguns anos com qualquer coisa nas telonas, e seu estilo é muito diferenciado do padrão, de modo que para se apaixonar por seus filmes tem de estar muito preparado, pois não é o longa tradicional que quem vai ao cinema apenas para ver algo na tela grande sem sentir tudo o que a mensagem maior passa, então ainda não sou o maior fã dele, pois volto a dizer que a trama aqui tem muitos momentos sem dinâmica, com reflexões tentando serem ditas no vazio, mas ainda assim o resultado agrada e funciona na tela.

Quanto das atuações, o garotinho Yuri Gomes mostrou tanta desenvoltura para o seu Gugu que quem for assistir certamente ficará na dúvida se realmente é sua estreia, pois ele soube segurar as emoções nos olhares e na entrega de personalidade para que cada momento seu fosse além, e isso é bem raro de acontecer na primeira vez que está diante das câmeras, e isso também é um ponto bem positivo do diretor que soube trabalhar isso e tirar o máximo do garoto, então torcerei para ver ainda mais trabalhos dele, pois tem futuro. Outra que deu um show a parte foi Teca Pereira que trouxe para a tela sua Dilma imponente e cheia de traquejos, passando muita emoção nos seus atos mais densos de perca de memória, trabalhando bem a emoção de se perder, e isso foi algo muito forte de ver na tela, mostrando o quão boa é como atriz. E ainda tivemos alguns atos fortes de Lázaro Ramos, que sempre entrega bons personagens, e aqui mesmo seu Batista não tendo tanto tempo de tela, nos atos mais fortes passou imposição e soube trabalhar algo que já disse ser completamente contra na vida real, que deve ter lhe doído por dentro, e assim segurou a onda para marcar na tela.

Visualmente o longa é simples demais, tendo uma casa bem rural, sem grandes luxos, aonde vemos muitas fotos da filha da protagonista e mãe do garoto, vemos o lado rural e até singelo da população do sertão, vemos a barragem fictícia da trama, mas com detalhes que já vimos existir em outros lugares do país, a escola simples e o campo de futebol de terra, e claro o asilo aonde a velha vai, e o ponto mais marcante que enquanto tendo a vida simples junto da avó vemos uma tremenda festa do pai para o novo bebê apenas para a revelação do sexo, e claro a casa com mais luxos para a outra filha, ou seja, uma trama cheia de detalhes que marcam e funcionam muito bem na tela.

Enfim, volto a frisar que não acredito que seja o nosso melhor longa nesse ano, pois já tivemos outros bons e ainda teremos outros que talvez sejam até melhores, mas o impacto junto dos temas certamente vai reverberar muito mundo afora e na cabeça de quem for conferir, e assim sendo funcionou bem dentro da proposta. E é isso meus amigos, volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Beijo Elétrico (La Vénus Électrique) (The Electric Kiss)

10/31/2026 09:38:00 PM |

Muitas vezes vejo alguns filmes que se classificam como comédia, mas que forçam tanto a barra para fazer o público rir que acabamos saindo da sessão pensando se realmente foi algo engraçado ou apenas situações cômicas absurdas e sem nexo algum que jogaram na tela, porém a real comédia francesa sabe brilhar demais quando é bem feita, fazendo o público rir de gargalhar somente com a essência e a história, é isso é incrível de ver. E claro que o longa que abriu Cannes nesse ano não ia ser diferente, de modo que "O Beijo Elétrico" acaba permeando situações tão envolventes, tão cheias de brilho e boas sacadas, que quando vemos já estamos encantados com tudo na tela e com os olhos cheios de vontade por tudo o que vai acontecendo, pois os personagens são bons demais, a trama acontece com um sentimento gostoso, e mesmo sendo um pouquinho arrastado no miolo acaba sendo perfeito demais, de modo que até posso gostar de outro filme do Festival de Cinema Francês que ainda faltam ver muitos, mas estará na lista dos meus prediletos do ano!

O longa nos situa em Paris, 1928. Antoine Balestro, um jovem pintor em ascensão, não consegue mais trabalhar desde a morte da esposa, para desespero de Armand, seu galerista. Certa noite, embriagado, Antoine tenta entrar em contato com a mulher por intermédio de uma vidente. Sem saber, porém, ele está falando com Suzanne, uma modesta artista de feira que entrou sorrateiramente na carroça para roubar comida. Suzanne revela-se talentosa para a impostura e, rapidamente auxiliada por Armand, começa a realizar uma série de falsas sessões. Aos poucos, Antoine recupera a inspiração, mas, para Suzanne, as coisas se complicam quando ela começa a se apaixonar pelo homem que está enganando…

Diria que o diretor e roteirista Pierre Salvadori foi tão bem na entrega de seu longa que ficamos extasiados com toda a entrega na tela, de tal forma que assim como a amiga da protagonista vai ficando interessada pelo diário da morta, nós também entramos na mesma onda, querendo saber mais e mais, é isso é algo que poucos diretores conseguem trabalhar em filmes com uma pegada mais artística, e claro de época também. Ou seja, será daqueles diretores que pretendo ficar no radar para ver mais trabalhos dele, pois soube escolher bem a forma de entregar tudo, não deixando pontas abertas, e principalmente não forçando o espectador em momentos algum, é isso é saber conduzir um projeto, pois fazer rir como já disse outras vezes com meia forçada de tela funciona, mas divertir, encantar e fazer sorrir ao ponto de gargalharmos é algo que bem poucos conseguem.
filme de abertura de Cannes 2026

Quanto das atuações, Pio Marmaï tem sempre um estilo meio bobão nos papéis que pega, e aqui seu Antoine Balestro caiu tão bem na tela, que deixamos ele florear sua ingenuidade e ir se desenvolvendo na tela conforme a trama vai pedindo, não deixando que o público desistisse dele, mas sim torcesse para ele ir ainda mais além. Já Anaïs Demoustier inicialmente parecia meio que desinteressada de sua Suzanne, parecendo estar forçando um papel que não queria, mas conforme vai desenvolvendo a entrega da personagem, entra completamente em sintonia e vira alguém tão cheia de nuances, que empolga e cativa demais. Outro que não apareceu tanto, mas entregou bons momentos foi Gilles Lellouche com seu Armand, de modo que ele tem personalidade, tem dinâmicas fortes, e principalmente consegue chamar o filme para si em seus momentos, acertando demais o que precisava fazer. Ainda tivemos bons momentos de Vimala Pons com sua Irène cheia de estilo e bons olhares, Gustave Kervern com seu Titus fechado e chamativo e até Madeleine Baudot com sua Camille teve expressões marcantes para colocar o público com um olhar idêntico ao seu.

Visualmente o longa foi bem bacana ao mostrar os anos 20 com um charme bem trabalhado nas nuances, nos figurinos e quadros, além de entregar bem os atos do show de talentos itinerante que era bem comum na época, tendo boas sacadas nas brincadeiras dos jogos mediúnicos que a protagonista faz com o rapaz com muitas velas e outros elementos tão bem encaixados que o resultado acontece na tela e mostra que a equipe de arte estava atenta a todos os detalhes para empolgar bastante.

Enfim, é um filme que me encantou demais do começo ao fim, fez várias pessoas da sessão rirem sem parar em diversos momentos, é isso na minha concepção é acertar com perfeição para ganhar a nota máxima em uma comédia, ou seja, não perca a oportunidade de conferir ele o quanto antes no Festival de Cinema Francês do Brasil 2026, pois dificilmente esse estilo de longa acaba sendo lançado depois no interior, ou seja, é pra se jogar e está mais do que aprovado. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas vou conferir mais um longa hoje, então abraços e até daqui a pouco.

PS: Até poderia tirar um ponto pelo miolo, mas quando o filme funciona tão bem na tela, me emociona e me diverte, além de fazer o mesmo com o público, é difícil remover, então vai ficar com a nota máxima!


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O Bosque Selvagem (Wildwood)

10/31/2026 05:58:00 PM |

É interessante como muitas animações atuais não estão mais sendo feitas para as crianças, ao menos as menorzinhas que eram o público alvo anteriormente, mas agora pegando os adultos com mensagens fortes e densas aonde acabamos nos envolvendo e até emocionando com as mensagens na tela. E dito isso, hoje conferi a tremenda animação "O Bosque Selvagem" toda feita em stop-motion, as famosas massinhas e bonecos animados quadro a quadro, aonde a essência forte de magia, briga por terras e emoções fortes acabam floreando tanto na tela com batalhas e mensagens sobre a vida, sobre crescer, e até mesmo sobre gravidez e não desistências, aonde o diretor soube criar tanta coisa que o longa demorou cinco anos para ser feito, mas impacta demais com tudo na tela, desde as histórias faladas quanto no visual impressionante que nem parece animação e muito menos massinhas, mas sim algo real marcante e cheio de nuances que funciona demais.

Sendo um épico mágico e fantástico, o longa acompanha a jornada perigosa de uma jovem de 13 anos chamada Prue McKeel que precisa recuperar seu irmão mais novo de uma horda de corvos que o raptou. Mac foi levado para uma cidade desconhecida para além dos limites de Portland, um lugar no qual ninguém deveria pisar, nem ao menos saber que existe. Mas determinada a salvar seu irmão, a obstinada e corajosa Prue, junto com sua desafortunada e nerd colega de classe Curtis, resolve se embrenhar nas profundezas dessa escondida floresta mágica. Prue acha que está velha demais para contos de fadas, mas se vê no centro de um reino encantado repleto de animais falantes estranhos, bandidos desonestos e figuras sombrias com intenções macabras. Wildwood é um conto sobre amor, perda, sacrifício e segredos que explora o crescimento de uma jovem numa fase amarga e agridoce entre a infância e a adolescência.

O diretor Travis Knight já vem mostrando já um bom tempo que sabe trabalhar com boas histórias em suas animações, e após não ter dado muito certo com os filmes com humanos retornou para onde não deveria ter saído, pois com muita técnica ele trouxe o que fez de bom em "Kubo e as Cordas Mágicas" e incrementou o estilo para algo que marca demais, afinal a protagonista tem carisma, os vários personagens tem impacto e dinâmicas tão bem colocadas que ficamos impressionados em como conseguiram animar frame a frame para que o resultado virasse algo cheio de personagens e gigantesco no melhor estilo que os longas de guerras tradicionais, sendo direto e funcional da melhor forma possível. Ou seja, ele criou algo que tem classe e impacto, que funciona bem na tela principalmente pela técnica em si, mas diria que o exagero da ousadia em querer uma trama mais densa pesou, tanto que o longa não anda fazendo a bilheteria que merecia, e isso para um estúdio pesa mais do que a qualidade em si, então precisará ganhar muitos prêmios para ao menos explodir nesse sentido. 

Quanto dos personagens, nem tenho o que falar da qualidade das estruturas, pois em momento algum você fala que está vendo um filme de massinhas, e sendo assim a equipe mandou bem demais em tudo, entregando algo incrível, cheio de texturas, sombras e formatos, impactando demais, além de que a personalidade de cada um é tão diferente que acabamos nos envolvendo demais do começo ao fim, primeiro com a protagonista Prue imponente, astuta e com traquejos que seguraram demais cada ato dela. Depois passando para a vilã Alexandra que se mostrou bem mais do que apenas uma bruxa, mas sim uma líder imponente, cheia de momentos de impacto na tela, e conseguindo trabalhar as dinâmicas com tanta intensidade que chega até incomodar, e isso é o fato de um bom vilão. Ainda tivemos o garotinho Curtis que chega a ser irritante pela essência meio que boba e pela timidez, mas se entrega bem nos atos finais e acaba agradando. Além do rei dos bandidos bem imponente, a Iphigenia bem doce e cheia de sínteses, e os coiotes bem marcantes, ou seja, um elenco de personagens de peso, que tanto na versão brasileira quanto na original tiveram ótimas dublagens e com certeza fizeram o filme funcionar como a densidade da trama pedia.

E falando em densidade de trama, nem tem como não aplaudir aos montes cada dedicado criador que fez o filme ter tantas camadas, e se pensarmos que tudo foi construído, desde cada detalhe da cenografia, passando pelos personagens, pelos figurinos, pelos trejeitos e tudo mais, com cores bem impactantes e escuras, mas sem perder o brilho em momento algum, ou seja, a equipe de arte que é muito maior em um estilo como esse mostrou que sabe bem aonde queriam chegar e deram show, ao ponto que facilmente levarão todos os prêmios nos festivais de animação mundo afora, e devem brigar muito nas categorias do estilo nas demais premiações.

Enfim, é um filme que funciona demais na tela, que tem personalidade, e que mesmo sendo longo não teve tantos pontos de corte, daqueles que ficamos olhando e falando que daria para ser eliminado, porém como disse no começo não é um filme para a criançada, sendo que os mais jovens (acima dos 12 anos) devem até embarcar na ideia toda, mas temos guerra, sangue, cabeças cortadas, suicídios e tudo mais que precisa pensar bem antes de levar os menores, e sendo assim não acredito que vá chamar tanta gente para as sessões, mas as mensagens são bem colocadas e vale a conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje ainda tenho mais duas sessões, então abraços e até logo mais.


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O Que é o Amor? (C’est Quoi L’amour?) ( What Is Love?)

10/31/2026 02:17:00 AM |

É engraçado ver como a comédia francesa é tão diferente das demais, de modo que o longa "O Que é o Amor?" consegue ser gostoso de acompanhar ao mesmo tempo que critica o sentido da quebra matrimonial dentro da Igreja, brinca com o famoso sentido de que uma paixão pode até se separar, mas ainda manter sentimentos amorosos, e ainda trabalhar estilos diferentes de pessoas, tendo claro um modus operandi alongado, que é natural deles por querer mostrar coisas demais, porém ainda assim acaba sendo divertido pela essência e pela entrega. Claro que o mesmo filme pode ser visto de muitas maneiras diferentes, e até pensado com olhares talvez dele sendo feito por outros tipos de cinema, como o espanhol, americano e o britânico, aonde teríamos tramas semelhantes, mas com muitos outros tipos de desfechos e dinâmicas, e assim sendo talvez muitos até nem riam tanto com a entrega aqui do estilão francês tradicional, mas é inegável que ele ao menos diverte bastante.

A sinopse nos conta que quando Fred pede à sua ex-esposa, Marguerite, que anule o casamento na Igreja para que possam se casar novamente, ela fica feliz em vê-lo recomeçar a vida. Mas o que deveria ser uma mera formalidade acaba se revelando mais complicado do que o previsto e os levará até Roma, acompanhados dos filhos e de seus novos cônjuges. Uma viagem cheia de aventuras para todos os membros dessa família reconstituída.

Diria que o diretor e roteirista Fabien Gorgeart entregou algo funcional na tela, porém ele acabou enrolando demais na primeira metade do longa, querendo tentar passar algumas dinâmicas mais amplas sobre como é difícil a dissolução de um matrimônio dentro da Igreja Católica, e principalmente brincando com os sentimentos estranhos das famílias, aonde cada lado tem suas versões e dinâmicas, porém quando o longa vai para a "deslua"-de-mel em Roma, a trama ganha muito mais forças, mostrando que o diretor desenvolveu melhor a bagunça em grupo do que os atos mais solos. Ou seja, ele demorou para colocar a comicidade para valer na tela, mas quando encontrou brincou bastante, e claro deixou o fechamento para desenvolver ainda a moral completa na tela.

Quanto das atuações, achei a entrega de Laure Calamy com sua Marguerite Hélias até bem sacada em diversos momentos, porém na maior parte do tempo pareceu levemente forçada para tentar ganhar o riso, parecendo alguém meio "irreal" de vermos como alguém no mundo tradicional, ou seja, talvez a personagem seja assim, mas a atriz acabou exagerando um pouco ficando até estranha em algumas entregas. Já Vincent Macaigne soube segurar o estilo de seu Fred Raimbaud do começo ao fim, sendo meio bobão, porém apaixonado pela nova namorada e ainda tendo muitos sentimentos pela ex, de modo que faz seus trejeitos emocionais bem encaixados e acaba agradando bastante com o que faz em cena. Ainda tivemos bons momentos mais fechados com Lyès Salem com seu Sofiane e alguns trejeitos meio que inconformados de Mélanie Thierry com sua Chloé Darroy, sobrando para as garotas darem suas entregas secundárias meio que forçadas também, mas tendo Céleste Brunnquell com sua Léa Raimbaud e Saul Benchetrit com sua Raphaëlle bons momentos e chamando para si em algumas situações bem encaixadas. 

Visualmente o longa teve alguns bons momentos dentro de igrejas, algumas cenas na casa da protagonista e até em um ginásio de handebol, mas a maioria dos momentos se desenvolveu em Roma, com dinâmicas dentro de um bar, de uma grandiosa sala dentro do Vaticano, de um hotel com momentos na piscina e nos quartos, além de uma festa no final aonde todos dançaram bem no estilo de Bollywood, não tendo muitos elementos cênicos importantes sem ser uma imagem da Virgem grávida que acabaram carregando pelas ruas, mas sem grandes simbolismos para funcionar com algo a mais.

Enfim, é um bom exemplar da comédia francesa tradicional que poderia ser bem mais curto para envolver e entregar as dinâmicas mais diretamente na tela, que até funciona e diverte, mas claro que para isso você tem de curtir o estilão deles, senão é capaz de não se envolver como a trama pede e achar tudo forçado demais na tela. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos e dicas, então abraços e até logo mais.


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A Casa das Mulheres (La Maison Des Femmes) (A Place For Her)

10/30/2026 08:27:00 PM |

Costumo dizer que alguns filmes entram na nossa mente com uma força tão marcante que precisamos de tanta reflexão pelo impacto causado que não tem como não se emocionar e envolver. E hoje coloco mais um nome nessa seleta lista, pois "A Casa das Mulheres" mostra o impacto em um hospital que cuida e ajuda as mulheres abusadas em Paris, tendo uma entrega cheia de estilo por parte das ótimas atrizes, que junto de histórias sem serem jogadas acaba impactando demais com cada detalhe, fora ainda entrarmos no período que os abusos pioraram que foi durante a COVID-19, ou seja, uma história real bem representada que não ficou sendo documental, mas dando o brilho da ficção foi mais além e acertou em cheio com isso, sem precisar ficar com dramas paralelos ou erros jogados a esmo. Sendo perfeito em muitos sentidos.

O longa nos mostra que na Casa das Mulheres, entre cuidados, escuta e solidariedade, uma equipe luta todos os dias para acompanhar as mulheres vítimas de violência em sua reconstrução. Nesse lugar único, Diane, Manon, Inès, Awa e suas colegas acolhem, apoiam e devolvem a confiança dessas pessoas. Fazem isso em conjunto, com suas forças, fragilidades, convicções e uma energia inesgotável.

Diria que a diretora e roteirista estreante Melisa Godet só não foi mais perfeita no que fez pelo simples fato de em alguns momentos desenvolver histórias paralelas, mas tirando isso ela fez exatamente o que eu sempre falo que é trabalhar a realidade de forma ficcional sem precisar deixar o longa com cara de um documentário chato, pois pode até terem trabalhado com mulheres reais ou não, isso nem vem ao caso, mas conseguiu fazer com que o público se emocionasse com os ângulos escolhidos, fez com que as histórias e dinâmicas funcionassem bem na tela, e principalmente conseguiu com que seu filme marcasse realmente, pois ele lembra muito várias séries médicas que já vimos, porém com a pegada mais sentimental, afinal estamos falando de um nicho que sabemos que existe aos montes, que é o fator de mulheres que sofrem com companheiros agressivos, e mostrar um lugar disposto a salvar essas vidas enquanto está tentando salvar também o projeto, ainda tendo uma pandemia no meio do caminho, mostrou que sabe como fazer e trabalhar bem para envolver e funcionar.

Quanto das atuações, diria que todas foram bem demais na tela, transmitindo carisma e personalidade sem precisarem soar falsas, de modo que facilmente se não soubéssemos que eram atrizes ali, diríamos que as verdadeiras médicas estavam se entregando na tela, ou seja, foi um grande acerto de Karin Viard com sua Dr. Diane Khoury, Laetitia Dosch com sua Manon, Oulaya Amamra com sua Inès, Eye Haïdara com sua Awa e Juliette Armanet com sua Lucie, tendo cada uma um estilo diferenciado, com a diretora do hospital mais trabalhada na essência das buscas de verbas e ajudando na recomposição genital das mulheres, outra sendo a parteira do grupo, mas com problemas com o filho bebê e a volta ao trabalho, outra como intérprete para as mulheres não-francesas, e até a médica residente tendo uma mudança completa em sua vida, ou seja, o pacote completo muito bem encaixado na tela.

Visualmente a trama teve uma boa entrega na tela, sendo a base dentro do hospital real Casa das Mulheres em Paris, mostrando algumas salas de atividades, a sala dos médicos e alguns momentos externos sendo em bares e boates e até no centro financeiro da cidade, tendo bons elos sem precisar sair muito do ambiente tradicional, agradando pelo envolvimento e sendo bem representativo, ou seja, a equipe de arte foi bem simbólica e conseguiu chamar a atenção com o pouco trabalhado, mas bem efetivo, principalmente nos atos durante o período da COVID para conseguir o ambiente sem ninguém por lá!

Enfim, foi um filme que me emocionou pela entrega na tela, que tem momentos fortíssimos bem encaixados e que funcionou demais na tela pela essência da história e pelas boas atuações, de modo que talvez ampliando ele como uma série ficasse ainda mais perfeito para desenvolver melhor as várias histórias, mas perderia a graça de como um bom filme, então vale muito a recomendação para vê-lo no Festival de Cinema Francês ou quando sair efetivamente de modo comercial na telona ou nos streamings. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto daqui a pouco com mais um texto do Festival, então abraços e até logo mais.


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Victor, Como Hugo (Victor Comme Tout Le Monde) (Hugo)

10/30/2026 01:16:00 AM |

É engraçado como descobrimos as coisas que existem mundo afora, tanto que nunca tinha ouvido falar que existiam "peças" teatrais aonde alguém vai apenas para declamar poemas de determinado escritor e interpretar como isso foi escrito, e aqui no longa "Victor, Como Hugo" vemos que alguns até lotam teatros em várias sessões, e mais ainda existir pessoas que sabem praticamente livros e poemas inteiros de cabeça para declamar, ou seja, realmente eu sou incomum, pois tenho problemas em guardar nomes e tudo mais, quanto mais um poema e/ou livro inteiro. E o longa acaba sendo tão verborrágico que cansa o expectador normal, aonde você fica até esperando um algo a mais da relação do protagonista com sua filha e/ou com as garotas do teatro, mas não flui e até incomoda, de modo que ao final você nem aguenta mais ouvir falar de Victor Hugo, e assim acaba mais enroscado do que funcional.

A sinopse nos conta que inspirado por Victor Hugo, o ator Robert Zucchini carrega consigo uma doce melancolia quando não está no palco. Todas as noites, ele lota as salas de espetáculos, transmitindo seu amor pelas palavras. Até o dia em que reaparece sua filha, que ele não viu crescer… E se, pela primeira vez, amar fosse melhor do que admirar?

Diria que o diretor Pascal Bonitzer tinha uma história muito boa para desenvolver na tela, aonde daria para criar muito mais dinâmicas e envolvimentos, e até fazer o público se emocionar com a essência de poemas e relações familiares, porém ele acabou exagerando na dose de entrega dos poemas, ao ponto que não vemos ações, mas sim toda uma explicação do lugar, da vivência das mulheres, de motivos e tudo mais que acabou deixando o filme alongadíssimo, e pasmem que só tem 89 minutos, mas facilmente parecerá que você está a dias na sala ouvindo o protagonista declamar. Ou seja, o diretor não quis trabalhar técnica em uma produção maior, e assim focou demais no texto e esqueceu que tinha um filme para fazer.

Quanto das atuações, diria que se Fabrice Luchini conseguiu passar o texto completo de seu Robert Zucchini sem a utilização de pontos e/ou paradas gigantescas o cara é um mestre em decorar textos, pois ele fala do começo ao fim do longa, tendo meio respiro que seja, e isso é algo muito intenso na tela, mostrando uma versatilidade bem trabalhada, pois também usou bons trejeitos enquanto declamava e enquanto vivia uma viagem com a filha, e por isso mesmo daria para trabalhar muito mais essa dinâmica, afinal o ator iria bem longe. O trio de garotas Suzanne De Baecque com sua Pia Pépin, Louise Orry-Diquéro com sua Suzanne e Iris Bry com sua Georgia foram bem trabalhadas com um ar amplo, mostrando que a juventude pode se dar bem com atores mais experientes, de modo que elas se desenvolveram bem soltas e talvez com um pouco mais de tempo de tela agradariam mais ainda. E ainda tivemos a filha vivida por Marie Narbonne que ficou um pouco largada demais na tela, sendo até algo meio incômodo a relação entregue, e isso acabou não indo muito além.

Visualmente o longa ficou bem fechado dentro do teatro contando com uma plateia bem recheada de figurantes, alguns momentos em carros, alguns atos em uma padaria e também algumas cenas no teatro mais simples das garotas, além dos atos na casa do protagonista e os finais na cidade aonde viveu o escritor Victor Hugo, mas tudo sendo bem sutil, sem grandes utilizações na tela.

Enfim, é um filme que até tinha um bom potencial, mas que se enrolou demais nos poemas e com isso ficou mediano como trama artística que até é válida em festivais, mas numa sessão comercial ou em um streaming acredito que a maioria desistiria dele. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas amanhã volto com mais longas do Festival de Cinema Francês, e ainda tenho de ver as estreias da semana também, então o final de semana será agitado, fiquem por enquanto com meus abraços e até logo mais.


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A Ilustre Desconhecida (Ni Vue, Ni Connue) (All About Corinne)

10/29/2026 08:29:00 AM |

O mundo do cinema só é mágico para nós que estamos fora das telas vendo a magia acontecer na tela, pois para o pessoal que trabalha, e principalmente para os aspirantes a atores que tentam por vagas em tudo quanto é filme, e só conseguem figurações, o dia a dia acaba sendo triste e traumático, e com o longa "A Ilustre Desconhecida" vemos isso com a principal e mais conhecida atriz francesa se desenvolvendo de uma forma bem interessante, aonde a dramaticidade funciona bem, porém acaba sendo tão alongado na tela que mesmo nos emocionando o resultado acaba não impactando o quanto poderia. Ou seja, é daqueles filmes aonde o resultado até chama a atenção, mas talvez com bem menos tempo de tela envolveria mais o público.

A sinopse nos conta que Corinne Maclou é figurante. Ela participa de uma filmagem atrás da outra, na esperança de ser notada e, finalmente, conseguir um papel de verdade. Quando seu caminho se cruza com o de Sandrine Kiberlain e uma relação começa a se formar entre as duas, Corinne espera realizar seu sonho. Mas será que a famosa atriz realmente vai ajudá-la a conquistar seu espaço no meio do cinema?

Confesso que o diretor e roteirista Marc Fitoussi foi bem ousado em colocar Hupert no papel principal ao invés de Kiberlain, pois a maioria do público conhece muito mais a primeira do que a segunda, e a forma como ele brincou com todas as imposições dramáticas foi bem forte, principalmente por mostrar o quanto o mundo glamouroso do cinema é cruel com a maioria dos que não são famosos, de modo que ele até trabalhou bastante com o envolvimento dos bastidores, porém quis mostrar demais na tela, e dessa forma seu filme ficou alongado demais, o que acaba cansando até o fechamento bem colocado.

Quanto das atuações, quem realmente teve um papel sem precisar se interpretar foi Isabelle Huppert com sua Corinne Maclou, de modo que a atriz de múltiplas facetas conseguiu ser marcante do começo ao fim, trabalhando cada momento com trejeitos fortes e muitos sentimentos que talvez pudessem ser menos imponentes, afinal ela é uma figurante "profissional" e não uma atriz propriamente na trama, é isso pesou um pouco no nível de arrogância da personagem, mas ainda assim ela dá show nos momentos que precisaram dela. Quanto as demais, vemos muito da personalidade de cada um, afinal eles estão se interpretando a si mesmos, e tentaram parecer honestos ao menos como fariam em suas filmagens, sendo assim vemos desde Sandrine Kiberlain sendo gentil, mas também se fechando em alguns momentos, Anne Marivin sendo meio que arrogante e desconfiada da protagonista, a diretora Emmanuelle Bercot trabalhando intensamente com seu estilo de direção na tela, e até alguns momentos rápidos de Diane Kruger e Ana Girardot, mas sem ir muito além, assim como os demais participantes.

Visualmente a equipe trabalhou bastante nos sets de filmagem, mostrando as famosas salas de esperas da figuração, as mesas separadas para equipe e os refeitórios, além de mostrar alguns processos criativos durante as filmagens, também tivemos alguns encontros em restaurantes, festas e as casas das protagonistas, tudo de modo bem simples que encaixassem dentro dos contextos da trama, parecendo até que foram filmar em alguns longas em produção para economizar material, mas com isso brincaram com figurinos e boas dinâmicas com os devidos elementos cênicos, tendo como principal o currículo impresso da protagonista, que assim como muitas empresas, o povo do cinema também joga fora!

Enfim, é uma trama bacana para conhecermos um pouco desse mundo dos artistas que sonham em ser atores, mas que vivem tentando entrar no mundo fazendo figuração, tendo agentes ruins e raramente conseguindo ir mais além do que uma rápida fala, além claro de ter boas atuações, mas dava para ser resumido em bem menos tempo de tela, então diria que funciona com ressalvas. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto mais tarde com outro texto do Festival de Cinema Francês, afinal temos filmes aos montes para conferir, então abraços e até logo mais.


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Bem-Vindos à La Comédie-Française (De La Comédie-Française)

10/29/2026 01:53:00 AM |

Fazia realmente um bom tempo que não via uma comédia 100% cômica francesa, pois o país costuma entregar muitas comédias dramáticas e dramas cômicos de ótima qualidade (sendo da minha preferência a segunda opção), e hoje na abertura do Festival de Cinema Francês do Brasil 2026, tive a oportunidade de conferir um dos principais filmes desse ano que é "Bem-Vindos à La Comédie-Française", que se você tem o costume de assistir muitas tramas francesas está acostumado a ver nos créditos os nomes dos atores descrito como Fulano De Tal de la Comédie-Française, e até antes de aparecer o título na programação do Festival sempre me perguntava o que seria isso, ou qual motivo eles gostam tanto de colocar isso em seus nomes, e a explicação é bem simples e rápida durante o longa, por serem atores originários do teatro francês que se intitulam como uma tropa ou no caso uma companhia que está há anos exibindo peças praticamente todos os dias no teatro com o mesmo nome da companhia, e aqui tivemos uma trama leve e tão divertida dos bastidores de uma peça que está nos últimos minutos antes da estreia e acontece de tudo o que se possa imaginar, aonde contando com tantas boas sacadas e dinâmicas se desenvolve fácil e agrada demais do começo ao fim, e que tendo personagens bem colocados até acabamos nos conectando à eles, e isso é o famoso dar certo em um roteiro do estilo.

A sinopse nos conta que daqui a 3 horas, Nina estreia sua primeira encenação na Comédie-Française. Mas, em meio à agitação dos últimos ensaios, nada sai como planejado: atrasos, momentos de estresse, problemas técnicos e desentendimentos abalam o elenco. No entanto, Nina não tem outra escolha a não ser levar a peça até o fim, pois, se há uma regra de ouro na Comédie-Française, é que não se cancela. Começa então uma corrida contra o relógio para salvar a apresentação.

Um ponto interessante da trama é que assim como a protagonista é uma atriz da companhia em sua primeira direção de uma peça, aqui também tivemos os dois atores Martin Darondeau e Bertrand Usclat estreando na função, e eles souberam bem em segurar as dinâmicas e entregas da equipe, trabalharam muitos momentos em plano-sequência (que mostra uma ousadia chamativa em uma estreia), e principalmente fizeram as dinâmicas quase como se o filme fosse uma grande peça em desenvolvimento, aonde você vai acompanhando os conflitos da nova diretora quase que em tempo real, e assim a situação toda acaba ficando puxada para o seu lado, o que é bem divertido de se entregar. Ou seja, posso dizer que tanto a diretora protagonista, quanto os diretores do filme mesmo tiveram uma boa estreia, chamativa e que passa bem a síntese da comédia francesa que gostamos de ver, e assim o resultado agrada bastante. 

Quanto das atuações, o longa claro que contou com um elenco inteiro formado por atores da companhia se desenvolvendo bem na tela, tendo Pauline Clément com sua Nina cheia de nuances expressivas, se desesperando a cada confusão que os personagens vão entregando para ela, tendo de resolver problemas pessoais, problemas com a peça, problemas pessoais dos atores, e com trejeitos variados se mostrou completamente disposta para envolver o público, e mostrar como muitos diretores jovens sofrem ao pegar algo maior para fazer. Outro que se jogou em cena foi Laurent Stocker com seu Philippe, de modo que vemos ele como um imponente ator que já fez de tudo no teatro, que sabe e até exagera nas reclamações para a jovem diretora, sendo chato na medida certa, e expressivo como deve ser, conseguindo impactar e marcar território. O jovem Julien Frison mostrou com seu Antoine aqueles atores que possuem superstições gigantes com tudo no ambiente, que se envolve com todos ao seu redor das formas mais diferentes, mas ainda assim se expressa com segurança, agradando no pouco que trabalhou. Já Marina Hands deu para sua Emilie uma vertente mais atrapalhada por estar pensando mais nas suas "italianas" do que na peça em si, mas transpareceu na tela de uma forma bem marcante e interessante como uma boa secundária deve fazer. Já as entregas de Danièle Lebrun com sua Nadine e Sefa Yeboah com seu Issa foram ainda mais emocionais e cômicas nos devidos tempos, tendo ela o famoso fim da carreira aonde juntando com sua técnica de não ficar nervosa foram demais, e o jovem querendo virar ator se entregou com tanta personalidade e emoção que todos na sessão soltaram o devido "ahhh" quando ocorreu algo na tela. E por fim ainda vale dar um leve destaque para Christian Hecq com seu Jacques, o iluminador nervoso e que para fazer qualquer coisa precisa explicar toda a técnica envolvida, ou seja, divertiu bem e irritou bastante também.

Visualmente a trama aconteceu completamente dentro do Teatro de La Comédie-Française, tendo atos no palco, nos diversos corredores, camarins e salas do ambiente, tendo todo tipo de elemento cênico bem tradicional e cheio das nuances para que o ambiente em si fosse bem representado na montagem da peça tradicional de Shakespeare "Macbeth", aonde brincaram com símbolos através da luz, fumaças e tudo mais que pudesse dar errado, mas que funciona bem na tela.

Enfim é um filme muito gostoso de conferir, que envolve do começo ao fim, diverte bastante e que mesmo sendo algo mais teatral, funcionou bastante na telona, sendo uma boa recomendação para quem não conhece os filmes franceses, e que quem já gosta do estilo irá se encantar, então fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Aliança Francesa de Ribeirão Preto e do Shopping Santa Úrsula pelo convite da abertura, e volto amanhã com mais textos do Festival, então abraços e até logo mais.


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Os Farofeiros 3

10/27/2026 12:59:00 AM |

Quando vi que estavam produzindo mais um longa de algo que já não tinha motivo para um segundo filme, aonde tudo tinha sido exageradamente forçado para ganhar meia dúzia de risos já fiquei imaginando o que poderiam fazer para recuperar a diversão ao menos, já que risadas sempre sai, afinal forçando a barra até filme de morte consegue fazer rir, mas eis que dentro de "Os Farofeiros 3" a essência original do primeiro longa volta a florescer e consegue segurar bem a dinâmica em algo que até funciona bem, porém exageraram um pouco para dar voz às crianças, precisando parar a todo momento para o teatrinho da escola, que é gracioso, mas valeria umas duas ou três cenas, não a cada quebra de intensidade, o que fez o filme ficar meio que sem ritmo. Ou seja, o filme que chega aos cinemas no dia 05/11 até vai divertir os fãs do estilo, afinal são muitos, mas facilmente com poucos ajustes na montagem resultaria em algo bem mais funcional e engraçado ao mesmo tempo.

A sinopse nos conta que na primeira viagem internacional, o grupo de amigos embarca para a fictícia ilha de San Martinez, no Caribe. Nesta nova aventura, Rocha convida Alexandre, Lima, Diguinho e suas famílias para celebrar o casamento de sua filha, com tudo pago em um resort de luxo. Mas somente lá, eles descobrem que o companheiro de trabalho mentiu: para garantir uma celebração em alto nível, colocou todos no hotel mais barato da América Latina. Já que a viagem é uma roubada mesmo, o que resta é relaxar e curtir a festa de casamento nas praias com mar azul turquesa do Caribe. Será que eles conseguem?

Já conhecemos bem o estilo do diretor Roberto Santucci, então nem dá para esperar muita coisa fora dos padrões de entrega dele, e aqui ele brincou com praticamente tudo o que poderia ser encaixado em férias no Caribe (aliás quase tudo, faltou colocar uns golfinhos!), desde acomodações suspeitas para os pobres que se achem ecológicos, passando pelos brinquedos aquáticos de risco duvidoso e até trabalhando os conflitos em aeroportos e aviões para o pessoal menos provido da grana, ou seja, tem de tudo na tela, sendo boas sacadas que encaixaram bem na dinâmica, de modo que felizmente não vemos o filme como uma junção de várias esquetes como muitas vezes ocorre, mas sim como uma trama bacana, que só teve a falha das quebras do teatro das crianças, pois facilmente dava para rolar sem precisar desses enfeites e funcionaria ainda mais, mas provavelmente esse foi o pedido para usar a garotada, então vida que segue.

Quanto das atuações, o foco se manteve bem dividido como já vem sendo de praxe dos filmes da franquia, tendo claro mais dinâmicas com Maurício Manfrini com seu Lima aprontando muito junto da esposa Jussara que Cacau Protásio sempre entrega muito bem, tivemos Nilton Bicudo e Aline Campos fazendo dois ou mais papeis na tela para dar a brincadeira do padrão de beleza de seus Diguinho e Ellen, e claro os conflitos entre Danielle Winits com sua Renata sempre reclamando de tudo com o marido Antônio Fragoso novamente tendo de dar a notícia da empresa falindo, sobrando ainda para algumas dinâmicas de Charles Paraventi com um Rocha sempre parecendo ter mais do que realmente tem, e sua esposa aqui praticamente dopada de remédios que Elisa Pinheiro trabalhou bem, sendo todos bem tradicionais dos demais filmes, e raramente puxando algo a mais para a tela de novidade.

Visualmente o longa teve quatro bases, o teatro da escola aonde os personagens ficaram interagindo nas cadeiras enquanto as crianças encenavam a peça no palco, o aeroporto aonde os conflitos conhecidos como despachos de bagagem e levar coisas proibidas geram o caos tradicional, dentro do avião que mais parecia um ônibus de excursão na classe executiva e um luxo com banheira, massagem e cantor na primeira classe, e depois o hotel com cabanas em formato de ocas indígenas e todas as brincadeiras na água com voo de paraquedas, jetskis, bananas e tudo mais que conhecemos nesse mundão, só que levado para as águas caribenhas, mostrando que a equipe de arte trabalhou bastante para tudo funcionar.

Enfim, está longe de ser daquelas comédias que você ri sozinho pela história, mas que funciona ao menos como algo divertido de acompanhar, sendo bem melhor que o segundo filme que só foi forçado demais, então quem gostou dos anteriores certamente irá gostar desse. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Atomicalab Assessoria e da Downtown Filmes pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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NAZA

10/26/2026 12:43:00 AM |

Não costumo trazer muitos textos de documentários por aqui, mas como esse vem chamando muita atenção nos festivais, e provavelmente deve estar entre os candidatos de Melhor Documentário no Oscar do ano que vem, eis que resolvi assistir a cabine de "NAZA", que já tinha estreado em alguns poucos cinemas em sessões especiais, e chega na próxima quinta oficialmente no país todo (ou nem todo, pois sabemos que é raro documentários estrearem em salas comerciais!). E de cara me incomodou um pouco que é um documentário aonde não vemos praticamente nada, mas sentimos muito pelas falas, pois como os entrevistados não puderam mostrar suas caras ou vozes, então o longa foi filmado em um terraço de um prédio no escuro, aonde só o entrevistador/diretor aparece e vamos conhecendo um pouco mais dos termos e das dinâmicas de ex-militares de Israel que trabalharam na criação e na execução de programas que junto de inteligências artificiais marcavam os alvos aonde poderiam existir membros do Hamas e assim consequentemente fossem mortos, importando quantos NAZAS eram eliminados juntos (termo esse que não identificava se era criança ou adulto, apenas quantos civis tinham ido para a cova junto do possível alvo realmente). Ou seja, criaram termos para não ter associações humanas, mas sim eliminados e pronto, e isso dá uma agonia gigante de ouvir, o que tornou a trama forte, e que mesmo bem rápida causa muito em quem assiste.

Filmado durante a noite nos telhados de Tel Aviv, o longa investiga os mecanismos e estruturas que, segundo a proposta do filme, sustentam o assassinato em massa de civis palestinos em Gaza. A partir de uma perspectiva documental e investigativa, a produção busca ultrapassar as imagens mais imediatas do conflito para examinar os sistemas políticos, militares e sociais envolvidos na violência. Entre relatos, observações e reflexões, o longa constrói um retrato sobre as consequências humanas do genocídio e questiona as forças que permitem sua continuidade. Ao deslocar o olhar para Israel, Naza propõe uma análise crítica sobre poder, responsabilidade, violência e desumanização.

Se no seu filme anterior "Sem Chão", o diretor e roteirista Yuval Abraham brilhou demais, e com isso conseguiu ganhar o Oscar, aqui ele fez novamente um filme recheado de denúncias com muita personalidade e entrega na tela, porém faltou trabalhar mais isso ao invés de apenas gravar as entrevistas para usar como algo forte. Claro que ele ainda soube muito bem quem utilizar para que seu filme não ficasse vazio, tendo grandes nomes que mesmo não sendo revelados mostraram ser chaves nos atos militares do país, porém costumo dizer que apenas entrevistas em um documentário acaba ficando um resultado morno demais na tela. Agora sem dúvida algumas frases foram bem marcantes, como as que compara os militares de Israel com os militares da Alemanha nazista, fora as de que nem ligavam para que morressem crianças, bebês chorando e tudo mais, e dessa forma o filme ganhou uma densidade forte que com pouquíssimas mudanças visuais impactariam como literalmente uma bomba na tela.

No contexto visual o que posso dizer é que faltou aquele algo a mais que o diretor entregou no longa passado, pois apenas pessoas sendo entrevistadas no escuro cansa a vista de quem assiste e acabou ficando monótono demais, tendo alguns momentos com imagens de arquivo antigas para mostrar as instalações tecnológicas em Gaza contando como Israel se aproveitou disso para monitorar a cidade, mas nada que fizesse o filme caminhar melhor, e assim sendo realmente faltou uma direção de arte para impactar como deveria.

Enfim, é um filme denso, forte e com uma pegada marcante, mas conhecendo o potencial do diretor pelo que fez em seu filme anterior, diria que aqui ele foi um pouco tímido demais, e assim mesmo que tenha uma trama que vai impactar muitos e talvez até ganhar indicações aos principais prêmios, aqui ele falhou um pouco na entrega. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo aos amigos da AtomicaLab Assessoria e da Vitrine Filmes pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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I Want Your Sex

10/25/2026 01:43:00 AM |

Quando vi o pôster do longa "I Want Your Sex", que felizmente não quiseram inventar um nome nacional, confesso que fiquei meio com medo do que veria na sessão, afinal essas tramas mais picantes costumam ser problemáticas com algumas pessoas que não sabem assistir a um filme, mas depois que li que era uma comédia fiquei um pouco mais aliviado. E posso afirmar agora que fazia tempo que não via uma trama com um humor tão peculiar como o entregue aqui, pois usa de sacadas que brincam com a arte abstrata e o sexo apenas por sexo que muitas vezes não caem bem em tramas normais, ao ponto que os personagens não soaram forçados nem jogados na tela, tendo a protagonista uma pegada intensa de dominante e o rapaz de bobão (mas feliz em ser bobão), e que no encaixar das dinâmicas acaba divertindo e sendo funcional. Ou seja, não é um filme que todos vão apreciar, mas certamente quem entrar na sessão irá curtir toda a entrega feita, principalmente por ele ser rápido e dinâmico sem ficar tendo enrolações na tela.

O longa acompanha Elliot, um jovem ingênuo que consegue emprego com a renomada artista Erika Tracy. Ela o escolhe para participar de uma dinâmica de experiências sexuais e o que parecia a realização de suas fantasias rapidamente se transforma em uma relação muito mais profunda e imprevisível.

Não conhecia o estilo do diretor e roteirista Gregg Araki, mas posso dizer pelo que vi aqui que ele sabe brincar com a ousadia sem que ficasse abusiva na tela, de modo que a trama tem todo o cunho erótico, mas passa o estilo provocativo na frente de tudo e isso é algo bacana de se trabalhar, sendo claro que por ter a classificação de 18 anos, as piadas puderam ser aquecidas e intensas de modo a funcionar melhor dentro da síntese da produção. Ou seja, o filme funciona bem como uma comédia deve ser, fazendo com que o público ria das situações em que o personagem principal se mete, e um único defeito que apontaria é que faltou o diretor trabalhar as expressões dos policiais do interrogatório, pois fico imaginando a minha cara com alguém contando uma história desse naipe, e certamente os trejeitos deles chamaria atenção e seria até engraçado ver.

Quanto das atuações, nunca tinha reparado em Olivia Wilde como um mulherão, mas aqui sua Erika Tracy não tem apenas pegada, mas sim um estilo dominatrix que impacta, cheia de intensidade e chamarizes, que claro pode parecer meio abusivo, mas que é desenvolvido e principalmente chama a atenção em sua entrega, não sendo algo perfeito, porém para a personalidade que o papel exigia acabou dando show. Outro que não tinha reparado no estilo de atuar é Cooper Hoffman que soube entregar para seu Elliot um jeitão meio que abobado, mas que funcionou exatamente para a proposta, sendo estranho seus traquejos, mas certamente muitos ficariam dessa forma com as propostas da chefe, então o ator se jogou por completo e foi muito bem em cena com tudo o que fez. Ainda tivemos outros vários atores bem colocados, mas a base mesmo foi focada nos dois protagonistas, valendo leves destaques para Mason Gooding com seu Zap, e Chase Sui Wonders com sua Apple, mas sem grandes atos que fossem impactar no desenvolvimento da trama.

Visualmente a trama teve a entrega bem dentro do mundo artístico abstrato, afinal a protagonista é uma dessas malucas que compram obras estranhas e que também faz obras e apresentações sexualizadas, de modo que o conceito foi interessante com cores vibrantes tanto no estúdio quando na casa dela, e além disso tivemos a simplicidade nos apartamentos e casas dos demais, mas tudo contendo bons elementos cênicos para dar vida ao mundo intenso que a proposta pedia, ou seja, a equipe de arte precisou vivenciar um pouco do lado masoquista e também do luxo e abstrações da arte contemporânea, e assim o resultado ficou até bem interessante.

Enfim, é uma comédia bem diferente das usuais que funciona bem dentro do fazer o público se divertir, que até tem alguns atos apelativos, mas que volto a frisar que dentro da proposta funcionou, então é a famosa ousadia que até fica estranha num primeiro momento, porém que acerta no tom e se desenvolve bem na tela, agradando quem gosta de algo diferente do padrão. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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