Já tenho falado faz algum tempo que o cinema nacional anda bem mudado, procurando encontrar múltiplos estilos que antes não chegavam tanto nas telonas, e tem sido bem bacana ver como os subgêneros do terror têm sido trabalhados, de modo que quem imaginaria ver algo meio gótico de vampiros em São Paulo, passeando pelas ruas escuras e ambientes mais depredados do centro antigo? Ninguém! Mas fizeram, e "Love Kills" tem uma pegada ousada e dinâmicas até que bem entregues, sendo diferenciado do tradicional, mas brincando com facetas tradicionais também, tanto que a HQ original acabou levando o longa para algo quase que novelesco, mas ao menos conseguiu trabalhar bem todas as dinâmicas com um orçamento enxuto, aonde os efeitos não foram tão longe, mas que ao menos funciona bem, e assim acaba sendo interessante ver o que quiseram propor na telona.
A sinopse nos conta que no centro de São Paulo, devastado pelas drogas, uma jovem vampira, Helena, assombra um estranho café na metrópole, cativando um ingênuo garçom. À medida que descobre os segredos dela e o submundo da cidade, ele é atraído para um mundo perigoso de intrigas imortais, desafiando sua mortalidade.
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A sinopse nos conta que no centro de São Paulo, devastado pelas drogas, uma jovem vampira, Helena, assombra um estranho café na metrópole, cativando um ingênuo garçom. À medida que descobre os segredos dela e o submundo da cidade, ele é atraído para um mundo perigoso de intrigas imortais, desafiando sua mortalidade.
Uma coisa interessante que a diretora e roteirista Luiza Shelling Tubaldini tem feito é procurar coisas funcionais no mundo do cinema e adaptá-las para caber dentro do cinema nacional, e isso é bem bacana, pois dá para imaginar as coisas mais fictícias, porém próximas de nossos acontecimentos e vivências. Ou seja, aqui ela brincou com as ideias do mundo dos vampiros que já até vimos em novelas nacionais, mas com uma pegada mais próxima dos clássicos (inclusive mostrando num cinema um longa bem clássico do estilo), com paixões incandescentes e transmissões de poderes entre os seres, sendo algo simples, mas que na visão da HQ de Danilo Beyruth conseguiu transparecer até algo a mais, mas que em determinados momentos ficaram um pouco "truncados" demais, meio que com pausas que não eram necessárias numa trama de cinema.
Quanto das atuações, diria que os personagens ficaram meio que teatrais demais, recaindo quase para o lado novelesco, e isso é um perigo em filmes desse estilo, pois o público precisa se convencer do que está vendo na tela, e no meio dos craqueiros da cracolândia de São Paulo ver vampiros pegando alguns ali como alimentação é algo meio incomum de se pensar. Ou seja, Thais Lago até foi bem imponente com sua Helena, desenvolveu bem suas cenas de lutas e criou alguns momentos densos bem encaixados com o que tinha para entregar, porém nas dinâmicas que precisou ter mais diálogos pareceu meio que deslocada, e isso deu uma leve queda na entrega completa, mas nada que desabonasse seus momentos mais bem colocados. Já Gabriel Stauffer fez um Marcos meio que desorientado demais na tela, parecendo estar livre do vício das drogas a pouco tempo, mas no meio de tudo o que rola acaba indo em um fluxo pouco usual, afinal qualquer pessoa normal vendo tudo o que acontece sairia é correndo e não entrando no meio da confusão, fora que a diretora esqueceu de avisar o pessoal da maquiagem que um ser humano normal tomando o tanto de pancadas que ele leva ficaria alguns roxos, mas isso não é erro do ator, que até fluiu bem, mas dava para ir mais além nas expressões. Quanto aos demais, a maioria ficou um pouco exagerado demais, tendo algumas boas lutas e desenvolturas, mas falhando no contexto principal de tentar aparecer muito como personagens secundários, e assim não diria que vale dar muito destaque para cada um individualmente.
Visualmente foi interessante ver uma São Paulo não usual, escura, cheia de drogados pelos cantos, alguns bares isolados e até um mundo fora dos padrões com apartamentos gigantescos e ambientes mais neutros, aonde a equipe de arte soube escolher bem as locações para representar esse estilo meio que gótico da cidade, ou seja, temos muitos ambientes imponentes e souberam aproveitar espaços mais fechados para que as lutas não precisassem falhar, e assim o resultado acaba agradando bem nesse sentido. Porém, a equipe de efeitos especiais e de maquiagem poderia ter trabalhado melhor alguns momentos, pois alguns poderes acabam distorcendo o ambiente, outros não ficaram tão machucados, e faltou um pouco mais de sangue para um filme com vampiros, mortes e tudo mais, ou seja, dava para brincar um pouco mais.
Enfim, é um filme de proposta ousada que foi bem representado na tela, mas que com um nome meio que fora do usual não chamou tanta atenção do público, que mesmo tendo algumas falhas como citei no texto até funciona bem sem ficar aquela novelona comum do estilo, então vale a dica para a conferida. Um pequeno detalhe apenas sobre a produção, que tem verba ribeirão-pretana sendo usado um projeto de lei da cidade pelo produtor Edgard de Castro, e apenas uma sessão do filme por aqui, ou seja, algo meio curioso apenas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.
































