É interessante que ao mesmo tempo que gosto de filmes envolvendo guerras, e filmes com tramas envolvendo esportes, quando junta as duas coisas e ainda doses políticas, o resultado acaba me deixando mal, pois fica parecendo que não tinha outras formas de se desenvolver, fica parecendo que o conflito ultrapassa linhas normais aceitáveis de se pensar, e hoje confesso que fiquei praticamente uma hora olhando para a tela do computador pensando na trama que tinha assistido. E não digo que seja por ser um filme imponente ou forte pela entrega na tela, mas sim pela estrutura que ele me fez pensar fora completamente do filme em si, afinal o longa "Tatame", que estreia dia 02/04 nos cinemas, traz uma pegada até que simples, de uma jovem judoca iraniana que está disputando o mundial de judô, e simplesmente quando os líderes do país veem a possibilidade (nem era confirmada ainda a luta entre elas) de enfrentarem uma atleta israelense começam a fazer chantagens e tudo mais para que a jovem desista da competição, mesmo ela sendo muito boa no que faz, e com chances reais de levar um ouro inédito para o país. Ou seja, bem básico e direto ao ponto, o que todos sabemos que as artes marciais vão muito mais além do que força do oponente, e sim a cabeça da pessoa, e bagunçar isso influencia tudo em um jogo, e assim como estamos vendo o que anda acontecendo agora, o longa que foi filmado em 2023 nem sequer imaginaria tudo o que anda rolando na forma que está pegando, mas já entregou bem a base e podemos ver muito mais disso acontecendo, e estragando algo belo que é o esporte com algo feio que é a guerra.
O longa nos conta que durante o Mundial de Judô, Leila, uma atleta iraniana, é ameaçada pelo comitê do próprio país, que deseja que ela abandone a competição para não enfrentar uma atleta israelense —o regime iraniano não reconhece Israel como nação e quer evitar a luta a qualquer custo. A permanência de Leila no torneio pode colocar em risco sua família e a de sua treinadora, Maryam, uma ex-atleta.
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O longa nos conta que durante o Mundial de Judô, Leila, uma atleta iraniana, é ameaçada pelo comitê do próprio país, que deseja que ela abandone a competição para não enfrentar uma atleta israelense —o regime iraniano não reconhece Israel como nação e quer evitar a luta a qualquer custo. A permanência de Leila no torneio pode colocar em risco sua família e a de sua treinadora, Maryam, uma ex-atleta.
Um ponto muito interessante para se discutir, é que o longa é dirigido pela iraniana Zar Amir Ebrahimi e pelo israelense Guy Nattiv, ou seja, já começamos com um grandioso impacto só nessa linha, aí vamos um pouco mais para baixo, pois a produção do longa é da Geórgia, dos EUA e da Grã-Bretanha, ou seja, três anos atrás quando começaram a se juntar para criar essa história na tela nenhum dos artistas ainda imaginava tudo que rola hoje nos principais jornais do mundo, mas fizeram uma boa trama aonde a guerra mental já dizia que o país manda e o caos acontece. Claro que o filme tem nuances mais abertas e a entrega funciona bem, tendo ares clássicos dos filmes esportivos tradicionais, só tendo um erro gritante que me incomoda demais, o uso do preto e branco na fotografia sem nenhum motivo de linguagem cinematográfica, pois poderia ser algo muito mais imponente em uma trama de luta, mas apagar o visual por mero jogo sem nexo algum acabou ficando falso. Dito isso, o que vemos na tela é uma história para se discutir muito, que já mostrava o básico, o quanto os países do Oriente Médio se odeiam, desde sempre.
Quanto das atuações, não sei se Arienne Mandi já lutou antes, mas posso dizer que sua Leila foi bem imponente na tela, tendo boas pegadas nas lutas, mas também tendo boas imposições expressivas nos atos que trabalhou dialogando com sua técnica e com as demais profissionais do campeonato, de modo que segurou bem a personalidade que precisava na tela. Também tivemos alguns bons atos da diretora Zar Amir Ebrahimi fazendo a técnica Maryam, tendo um semblante sério até demais para alguém que está em uma competição, mas conseguiu chamar atenção com algumas dinâmicas e o resultado foi bem colocado. Ainda tivemos outras personagens importantes, como Jayme Ray Newman fazendo Stacy uma das organizadoras do evento e Nadine Marshal como Jean Claire diretora da comissão de judô, mas ambas apenas se expressando rapidamente, valendo apenas como destaque pois como o longa foi filmado aparentemente dentro de algum campeonato real, os demais atletas ficaram olhando meio que estranho para as câmeras, então é melhor nem pontuar tanto os restantes.
Visualmente o longa até teve bons momentos nas lutas, mas a fotografia em preto e branco fez com que o resultado não valorizasse nada na tela, então como disse pode até ser que tenha sido filmado em algum campeonato real, mas não vemos nada demais, tendo apenas o tatame principal aonde a luta ocorre, os diversos oponentes em cada luta, e uma área de treino, além de um banheiro e a sala dos dirigentes, sem nenhum elemento cênico para importar, além de telefones e a casa dos amigos que estão torcendo, ou seja, algo bem básico e fraco nesse sentido.
Enfim, é um longa interessante, que tem pegada e que chama atenção para a reflexão política dentro do esporte, mas que dava para ter ido mais além para que o filme impactasse como cinema também, então recomendo ele para discussões e reflexões, sem que espere algo intenso como arte também. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo os amigos da Agência TMZ e da Kajá Filmes pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


































