Costumo dizer que alguns filmes são tão lineares que até eu que gosto de filmes mais certinhos fico triste pela falta de ousadia, de modo que "Compostela, O Caminho da Terapia" é bonito de ver, tem uma essência marcante pela entrega dos personagens em tentar fazer uma mudança nas suas vidas, mas fica tudo apenas como um road-movie simples na tela, aonde caminhamos junto com eles pelas belas paisagens da França e da Espanha, vemos as diversas alterações de humor do rapaz e só, e isso acaba sendo uma falta grave em filmes desse estilo. Não digo que seja algo ruim, até traz bons momentos marcantes que podemos usar para alguma certa reflexão, mas funciona tão mais quase como um vídeo de agência de viagens do que como uma trama que pudesse causar reviravoltas chamativas e impactar com algo na tela, sendo o famoso resultado bonitinho, mas que não vamos lembrar dele muito para frente.
A sinopse nos conta que Fred e Adam, um adolescente em crise, não se conhecem. No entanto, graças a uma associação, eles partem juntos para a peregrinação a Santiago de Compostela. Ela busca fazer as pazes com seu passado; ele tenta canalizar sua raiva e seu sentimento de abandono. Ao longo dos quilômetros, entre confrontos e momentos de pausa, um laço frágil vai se formando. Diante das provações do caminho, cada um descobre em si uma força inusitada.
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A sinopse nos conta que Fred e Adam, um adolescente em crise, não se conhecem. No entanto, graças a uma associação, eles partem juntos para a peregrinação a Santiago de Compostela. Ela busca fazer as pazes com seu passado; ele tenta canalizar sua raiva e seu sentimento de abandono. Ao longo dos quilômetros, entre confrontos e momentos de pausa, um laço frágil vai se formando. Diante das provações do caminho, cada um descobre em si uma força inusitada.
Diria que faltou ousadia e sobrou drones para o diretor e roteirista Yann Samuell trabalhar e desenvolver melhor sua trama, pois com um rapaz tão conflitivo e uma mulher desapegada com tudo o que estava rolando na sua vida, daria para ele ir muito mais além, criar mais problemas e desenvolturas na tela e não focar somente na caminhada como acabou fazendo, de modo que ele estruturou as passagens por algumas cidades com os pensamentos escritos do rapaz, colocou alguns julgamentos e esqueceu de que precisava ir mais além para que o público se envolvesse também na tela, ao ponto que friso que ele não fez um mal trabalho, apenas não acreditou no potencial de uma caminhada de 2000km mostrar algo a mais do que paisagens e paradas, para isso bastava ele ver os vários outros filmes de caminhadas que existem aos montes nos streamings, que aí com algumas reviravoltas e intensidades resultaria em algo chamativo e marcante.
Quanto das atuações, dentro do que o filme teve para apresentar, Julien Le Berre entregou muito, sendo expressivo, conseguindo mudar o temperamento do personagem da mesma forma que se dá um tiro, sendo direto no olhar e chamando bem a responsabilidade (ou a falta dela) para seu papel, e isso mostrou que tem potencial para ir ainda mais além se cair nas mãos de um bom diretor. E Alexandra Lamy fez de sua Fred literalmente uma incógnita gigante, tanto que no jogo da verdade ou desafio que o garoto propõe em determinado momento, se fizessem isso com a atriz ao invés da personagem, ela diria que ainda está procurando inspiração para saber o que fazer na tela, pois o diretor não lhe disse e ela apenas caminhou, desconfiando muito do rapaz em alguns momentos e em outros fazendo cara blasé. Quanto aos demais, a jovem Maëlle Vidou teve algumas dinâmicas com os protagonistas, depois desapareceu, reapareceu e desapareceu de novo, meio que quase como se alguns atos seus não tivessem ficado na montagem final, e Eric Métayer apenas fez um Paul explosivo que não chamou para suas cenas em nada do que fez.
Volto a falar que visualmente o longa é lindíssimo, todo mundo que vai fazer qualquer trecho que seja ou a caminhada completa fala que o caminho é transformador, vemos imagens de ângulos e mais ângulos com o drone do diretor, temos algumas pousadas, alguns mosteiros e paradas regulares em restaurantes e casas durante o caminho, mas nenhuma grande simbologia na tela, sem ser claro a imagem que o rapaz ganha, e assim sendo diria que a equipe de arte foi preguiçosa de certo modo, pois poderiam ter ousado mais sem depender 100% do caminho.
Enfim, é um filme bacana que não traz muita coisa para o público, que é bonitinho de se ver pelas imagens, mas que falha em ser algo maior e mais chamativo, de modo que quem for conferir ele acabará apenas sentindo a presença da caminhada para talvez algum dia ir ou rever se já foi, mas se duvidar nem lembrará dos atores que tiveram no quadro daqui alguns dias. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje ainda tenho uma cabine para conferir, então abraços e até breve com mais dicas.


































