Todo Mundo em Pânico (Scary Movie)

6/05/2026 10:15:00 AM |

Uma das franquias que nunca fui muito fã é "Todo Mundo Em Pânico" principalmente pelo estilo de humor exagerado e forçado, e também por muitas vezes zoarem alguns filmes que nem tinha visto, porém o trailer desse novo lançamento me chamou a atenção e cá que fui conferir hoje a sessão. Claro que fui esperando ver várias zoeiras possíveis e impossíveis com todos os filmes de terror que tivemos nos últimos anos, e até esperava ver várias esquetes soltas sem rolar um filme linear em si, como costumeiramente ocorre, porém fui surpreendido nesse sentido, pois fizeram algo bem mais conectado, aonde conseguiram desenvolver os vários filmes dentro de uma trama única, aonde alguns casos até me fizeram rir, mas ainda assim bem longe de ser daqueles que você sai impactado com algo imponente. Ou seja, é o filme que quem vai conferir sabe o que vai encontrar, então diria que alguns amigos críticos estão pegando pesado com o longa, pois não sei o que esperavam ver diferente do que acabaram entregando.

O longa se passa 26 anos depois de um quarteto tão especial, formado por Shorty, Ray, Cindy e Brenda, conseguirem fugir de um assassino mascarado já bem conhecido que está louco para capturá-los. Agora, eles estão novamente na mira desse vilão, que fará as maiores zombarias do mundo para tentar pegar eles. Em uma trama repleta de ironia, nenhum remake, prequel, requel, spin-off e sequência estará a salvo. O terror moderno e os clichês atuais do cinema serão impiedosamente ridicularizados nesta comédia hilária e nostálgica.

O diretor Michael Tiddes pode se dizer grande amigo dos Wayans, afinal já dirigiu várias obras deles, começando em 2013 com "Inatividade Paranormal" e depois seguindo com vários outros exemplares, e o estilo dele é o básico sem grandes desenvolturas, aonde aqui priorizou a volta da base principal dos protagonistas originais da saga, então vemos pegadas bem colocadas e divertidas que fazem rir usando o artifício de forçar a barra, mas ainda assim funciona, e como disse no começo a grande sacada foi criar um filme mesmo e não apenas ir jogando as esquetes com as paródias de vários filmes de terror. Ou seja, os roteiristas foram bem criativos para conseguir conectar tudo em uma trama só e o diretor soube brincar bem com isso, fazendo com que o filme funcionasse bem na tela, claro sem deixar de lado as famosas frases e sacadas da franquia, o que acabou agradando de certo modo sem que ficasse fraco de ideias.

Não é um filme aonde tenha que elogiar ou pesar a mão para falar das atuações, pois não é o estilo de filme assim, mas foi bacana ver o elenco completo reunido com Marlon e Shawn Wayans, Anna Faris e Regina Hall brincando com seus tradicionais papéis de Shorty, Ray, Cindy e Brenda. E também tivemos a trama toda em cima de Olivia Rose Keegan com sua Sara e Savannah Lee Nassif com sua Waldinha ou Tuesday para ficar melhor na tela. Ou seja, não vou entrar em detalhes, mas cada personagem foi bem usado, não tendo aqueles que fossem apenas jogados na tela, e a grande diversão pro Brasil sem dúvida é a sátira do longa "A Substância" que de dentro da personagem sai alguém que gostamos muito.

Visualmente o longa brincou com as facetas dos vários filmes de terror que trabalharam, desde "Pecadores", "A Substância", "Terrifier", "Michael", "A Hora do Mal", "Premonição", entre vários outros, tendo a grande base claro nas versões de "Pânico" com as casas, ligações e tudo mais, sendo um trabalho bem grande da equipe de arte, mas que conseguiram conectar tudo e claro usar boas referências nos cenários para que reconhecêssemos de cara cada filme, sem precisar ficar explicando o que estavam mostrando, ou seja, a equipe de arte trabalhou bastante.

Enfim, está bem longe de ser algo perfeito, principalmente por ser uma comédia que força o riso, mas ao menos consegue entreter bem, e claro que os fãs da franquia irão amar cada minuto de tela, ou seja, é o famoso filme que mesmo sem grandes técnicas ou textos acaba agradando o público-alvo, então fica a dica para quem for conferir. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Mestres do Universo (Masters of the Universe)

6/04/2026 02:24:00 AM |

Assim como a maioria dos meninos dos anos 80/90 tive os bonecos do He-Man (sempre desejando o castelo, mas caro demais, fiquei sem!), assistia aos desenhos e até tive coragem de assistir ao filme com o Dolph Lundgren, mas estava com poucas expectativas para o que veria no novo "Mestres do Universo", principalmente por achar que iriam fazer algo bobo demais, e hoje ao conferir vi sim um exagero gigantesco de piadinhas, mas os desenhos também tinham esse estilão de sacadas irônicas e piadas duplas bem encaixadas, porém souberam trabalhar a trama de um modo tão fantasioso, que convence como deve acontecer em tramas de heróis, pois não queremos ver algo que faça muito sentido na tela (embora a Marvel tenha nos convencido de que seria normal tudo rolar por aqui!), mas sim uma trama que relembre as lutas que vimos na infância, que entregue a essência mágica e cheia de desenvolturas, contando com boas lutas, e claro personagens para ver agora os colecionáveis voltar para essa nova geração. Ou seja, é um filme que funciona demais para os fãs dos personagens, e que talvez a molecada atual pegue a ideia para se divertir, pois ficou melhor do que o esperado, mas ainda assim, longe de ser uma obra prima.

O longa nos mostra que após ficarem separados por 15 anos, a Espada do Poder conduz o Príncipe Adam de volta a Eternia, onde ele descobre seu lar devastado sob o domínio perverso de Esqueleto. Para salvar sua família e seu mundo, Adam precisa unir forças com seus aliados mais próximos, Teela e Duncan / Mentor, e aceitar seu verdadeiro destino como He-Man — o homem mais poderoso do universo.

É interessante ver o trabalho do diretor Travis Knight, pois esse é apenas seu terceiro longa na função, e todos foram bem trabalhados, porém fica nítido que suas escolhas remetem bem ao momento de sua infância, e assim sendo ele não quis fazer uma trama realista transportando para o mundo real os personagens como muitos fariam, mas sim usar uma base na Terra bem rápida para logo em seguida já irmos para Eternia, e sabendo usar de muitos efeitos, maquiagens, figurinos, computação, lutas, voos e tudo mais que fosse possível para dar um ar fantasioso bem encaixado, aonde toda a essência funcionasse do começo ao fim, o acerto veio muito bem acompanhado, afinal o excesso de piadas até pode tentar tirar o brilho de uma produção mais bem trabalhada, mas certamente para próximas produções de personagens dos anos 80 irão procurar ele, pois fez algo diferenciado e bacana de ver na tela.

Quanto das atuações, diria que Nicholas Galitzine ainda não me convenceu como ator de grandes papeis, e aqui seu Adam é tão bobinho, que mesmo quando se transforma em He-Man ainda parece não ser o brucutu que esperamos ver batendo nos vilões e levantando coisas para tudo que é lugar, fora que deixa a espada cair tantas vezes longe do personagem, que se os vilões fossem mais espertos era só pegar e dar sumiço, ou seja, faltou um pouco mais de presença para ir além na tela. Já Camila Mendes até deu uma boa personalidade para sua Teela, pulando e rolando com muita classe, e sendo interessante de ver a idade da personagem na trama, pois no desenho parecia mais velha, e aqui ficou mais pareado com a idade de He-Man para ter apenas clima de par romântico, ou seja, a atriz se jogou literalmente para o papel, fez bons trejeitos e agradou. Muita gente estava com medo de Jared Leto destruir o personagem Esqueleto, afinal sabemos da fama do ator, mas aqui poderia ser colocado qualquer um por trás de tanta maquiagem, computação gráfica e até mudança de voz, ou seja, o personagem em si ficou muito bom, com a pegada de vilão imponente e ao mesmo tempo bobo como era no desenho, e assim agradou, mas o ator nem passou pelo set de gravação se duvidar. Já um ator que gosto dos traquejos e sempre domina seus momentos é Idris Elba, de modo que aqui seu Duncan tem pegada, tem atos divertidos e consegue agradar sem precisar ir muito além, agradando com poucas imposições, e fazendo tudo para chamar atenção sem sobrepor o protagonista, ou seja, foi bem demais. Ainda tivemos muitos outros bons personagens entre os vilões e também entre os guerreiros de Eternia, mas nem tanto pelas atuações e sim pelo saudosismo da infância sendo bem representada na tela em live-action, e assim sendo posso dizer que funcionou.

Visualmente a equipe de arte trabalhou bastante para conseguir fazer uma Eternia ampla, colorida e mágica pela descrição do protagonista sobre como era seu mundo quando saiu de lá e veio para a Terra, depois tivemos a invasão do Esqueleto e a destruição total que quando ele volta já temos mais atos em cavernas e ambientes mais escuros e densos, também tivemos alguns momentos na Terra no apartamento do protagonista dividido com um amigo, muitos desenhos de criança, e também o escritório de RH que o protagonista trabalha (aliás uma grande sacada para com o desenho que sempre finalizava com conselhos sobre o episódio!), tivemos muitas lutas e efeitos bem imponentes, e principalmente uma equipe de figurino e maquiagem incrível que seja por computação ou próteses conseguiu representar tudo o que vimos do desenho na tela, ou seja, brilharam!

Enfim, é um longa bacana e bem funcional, que para a galera dos anos 80 vai ser um deslumbre de saudosismo, que mesmo exagerando um pouco nas piadas vai conseguir agradar, já a galera mais nova, talvez se conecte bem com os personagens, não sendo algo que vai impactar muito, mas ainda assim a Mattel deve voltar a vender bons colecionáveis (para não falar bonequinhos) dos personagens. Detalhe, o longa tem 3 cenas no meio e no fim dos créditos, aparecendo personagens que faltaram no longa e foram colocados ali para quem sabe virem nas continuações, então fique na sala e confira. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Cansei de Ser Nerd

6/02/2026 12:44:00 AM |

Uma das principais coisas que me incomoda ao ver um filme é ele tentar ser engraçado e não conseguir, e já disse diversas vezes que a comédia é o estilo mais difícil de acertar a mão, principalmente em uma estreia, afinal cada pessoa vai rir de algo e muitas vezes o que é engraçado para você não vai ser pra mim. Mas inegavelmente o longa "Cansei de Ser Nerd" tem todos os traquejos clássicos de algum trabalho de final de curso de cinema, aonde alguém teve uma ideia maluca, contou para alguns amigos, que aí foram jogando mais ideias malucas, e no final acabou resultando no que vemos na tela, aonde até entretém com as loucuras todas, mas não chega a lugar algum, e de tão maluco acaba sendo razoável de ver. Ou seja, é daqueles filmes que você se pergunta o que está fazendo ali, mas que fica esperando chegar a algum lugar, e no fim você sai se perguntando se realmente pagou todos os pecados que tinha, pois falta comicidade, falta senso para a situação toda, e nem dá para pensar se alguém mais experiente conseguiria arrumar o longa, pois não acontece.

O longa nos mostra que nerd inveterado, Aírton foi o principal suspeito do sumiço e suposto assassinato de uma colega, nos tempos da faculdade. Hoje, 20 anos depois, ele decide reencontrar toda a turma na festa de reencontro da graduação para, enfim, provar sua inocência. Mais que isso, ele planeja revelar que os "populares", hoje integrantes de uma banda new wave de sucesso, são os verdadeiros culpados pela morte da estudante. E, pior, que eles a mataram em um ritual em busca de fama. Convicto disso, Aírton intima seu grande amigo e aliado, Ulisses, para ir com ele. O plano está armado: desmascarar uma seita bem louca, provar sua inocência e recuperar o amor de Juliana, sua grande paixão

O diretor e roteirista Gualter Pupo trabalhou em muitas funções em alguns longas de sucesso e também fez alguns curtas e vídeos musicais, porém aqui em sua estreia realmente em um longa-metragem como diretor acabou escolhendo um gênero que podia dar muito certo ou muito errado, que é a mistura do sobrenatural com a comédia, e aqui ficou inicialmente interessante, depois se desprendeu para algo meio sem sentido algum, ficando bizarro e se perdendo completamente dentro da ideia. Ou seja, é o famoso filme que se melhor lapidado na fase do roteiro até poderia chamar atenção mesmo sem fazer rir, mas que precisaria de alguém bem mais experiente para conseguir manter a essência e criar algo que chamasse mesmo para si para conseguir ir além e agradar.

Quanto das atuações, diria que o humor do ator Fernando Caruso pede coisas bem mais exageradas, e aqui os diálogos de seu Aírton até tentam soar engraçados para com o público que conhecer um pouco mais do mundo dos nerds, mas não se aprofunda, e principalmente não lhe dão a chance de forçar a barra como é seu estilo, e aí falta tudo para ir além. Já pelo contrário deram brecha para que Pedro Benevides se soltasse completamente com seu Ulisses, e assim sendo vemos algumas dinâmicas até que engraçadas dentro do possível com ele, mas nada que faça você gargalhar na sala do cinema, ao menos não desaponta. Agora alguém que mostrou um estilo chamativo e interessante de ver foi Bia Guedes com sua Juliana, até conseguindo dominar bem os momentos na tela, porém não foi tão aproveitada quanto poderia, e isso acabou não agradando. Quanto aos demais personagens, principalmente o pessoal da banda é melhor eu nem falar, pois pareciam perdidos em suas atuações, e isso demonstrou bem a falta de uma direção efetiva.

Visualmente foram bem espertos, pois a maioria das cenas são bem fechadas, não necessitando de grandes cenários e menos ainda de figurantes para todos os momentos, de modo que tiveram o quarto do protagonista, seus trabalhos com poucos equipamentos, depois uma mansão cheia de quartos e corredores, e claro toda a dinâmica do cubo que ficou bem interessante na tela, tendo ainda momentos de lutas com armas de tudo quanto é estilo, tendo um pouco menos de sangue do que deveria, mas que ao menos foi bem dinâmica. Agora as cenas com efeitos visuais estranhos misturando um preto meio que esverdeado com ranhuras e tudo mais para dar um elo de outra dimensão ficou estranho e não interessante como deveria ocorrer.

Enfim, é um filme com mais falhas do que acertos, e que principalmente faltou com o humor que precisava para chamar mais atenção, mas ainda assim quem quiser ver algo diferente dentro do cinema nacional, pode arriscar, só não espere sair totalmente feliz com o resultado. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Revolução dos Bichos (Animal Farm)

6/01/2026 08:18:00 PM |

É interessante ver uma trama política como o livro clássico de George Orwell virar uma animação nas telonas, e claro que muitos adultos irão conferir esperando um algo a mais na telona, afinal "A Revolução dos Bichos" é daqueles livros que quem lê uma vez acaba indo para rumos tão filosóficos que provavelmente esperaria ver um caos mais intenso até mesmo em uma trama infantil. Porém quem entrar na sala e ver a primeira logo que diz "aprovado pela guilda Angel", já certamente irá brochar e saber que o longa não vai fazer a criançada ter uma mentalidade política pelo que verão na tela, mas ainda assim digo que a essência funcionou bem e acabou fluindo de forma inteligente e gostosa de conferir, sendo algo que até dá para refletir um pouco, mas sem precisar queimar alguma neurônios.

O longa é ambientado em uma fazenda, onde um movimento em busca da igualdade é sistematizado pelos animais. Inspirado no livro de George Orwell, a história mostra um movimento de revolução e poder, onde sob o comando dos porcos, uma fazenda perde parte de sua vitalidade. Entrando em uma ditadura implacável, os animais se reúnem para lutar prelos próprios direitos.

Quem leu meu primeiro parágrafo pode até ter se assustado um pouco, mas já lhes dou alguma felicidade dizendo que é um longa dirigido por Andy Serkis, ou seja, tem personalidade na tela, e o resultado final consegue ter uma boa essência em cima do clássico livro, e assim sendo vemos que o diretor quis brincar na tela sem precisar de um aprofundamento maior, e assim vemos a pegada conflitiva de lideranças, vemos a corrupção pelo poder e até mesmo o trabalhar até morrer, mas de um modo mais lúdico que funciona para os pequenos tentarem (se quiserem) pensar um pouco mais de como funcionará a vida adulta.

Quanto dos personagens, um ponto bem satisfatório foi escolherem dubladores imponentes para a trama, e assim o tom caiu muito bem para as vozes originais que eram de um elenco fenomenal, e assim vemos o porquinho sonhador com Sortudo tentando melhorar, mas caindo na lábia do líder manipulador Napoleão, vemos o cavalo trabalhador de nível máximo que Sansão faz pela fazenda, mas que acaba se acabando, e também tivemos os demais influenciáveis como as ovelhas repetidoras entre outros, sendo um bom filme aonde os personagens até cativam bem, mas que não chegam a serem marcantes como poderiam.

Visualmente o longa tem uma pegada meio fora dos padrões atuais que tem texturas e chamarizes mais bem desenhados, porém fizeram personagens carismáticos e com elementos bem chamativos principalmente no shopping e na tecnologia usada dos humanos vilões, que mostram algo bem parecido com Elon Musk, ou seja, tiveram boas dinâmicas que com um desenho mais rústico conseguiu criar personagens interessantes e ambientes mistos entre tecnológicos com os rurais, dando a dica das mudanças temporais.

Enfim, é uma animação um pouco diferente, mas que não foi tão diferenciada quanto poderia, afinal o texto de Orwell é pesadíssimo, e com um diretor que gosta de ousar, como é o caso de Serkis, dava para ter ido tão longe que faria as animações de adultos virarem filmes para bebês, ou seja, faltou pegada, mas ainda assim foi bacana de conferir, afinal pode ser que algumas crianças peguem um pouco da essência e a use futuramente. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas vou arriscar mais um longa hoje, então abraços e até breve.


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Golpe Explosivo (Fuze)

6/01/2026 12:46:00 AM |

Acho bem interessante quando vou ao cinema e a história que parecia que já tinha visto umas mil vezes se desenrola de forma mais ampla e cheia de nuances, de modo que "Golpe Explosivo" poderia ser daqueles filmes tão enrolados, precisando explicar tudo para o público, enfeitando a vida de cada personagem para entendermos seus propósitos, mas não, o diretor simplesmente pôs tudo para acontecer, e depois que tudo se fechou de uma forma até bem condizente com a ideia, foi lá e criou um rápido epílogo para mostrar como aconteceu a conexão entre os principais, mas sem muitos enfeites ou dinâmicas. Ou seja, é o famoso passatempo gostoso de domingo, aonde a tensão acontece, as entregas acabam mostrando personalidades e situações que fazem com que apostemos em alguns personagens, e pronto, 98 bons minutos na telona.

O longa nos mostra que um grupo de assaltantes ousados aproveitam o caos generalizado quando uma bomba não detonada da Segunda Guerra Mundial é desenterrada de uma planta de construção civil. Uma operação policial intensa é colocada em ação para evacuar milhares de residentes do centro de Londres. Enquanto um grande transtorno é criado na cidade, um grupo de criminosos especialistas, liderados por Karalis, se esconde no sótão da zona de evacuação. Com os sistemas de emergência levados ao limite e a iminência de uma explosão, os ladrões dão início a um audacioso plano para roubar joias sob a distração do time de militares comandados por Will, mandado para o centro da confusão para investigar e desarmar a bomba.

Diria que o diretor David Mackenzie soube brincar bem com o roteiro que lhe foi dado, pois certamente nas mãos de alguns outros diretores veríamos um filme bem preso explicando a cada personagem que aparecesse suas objeções e dinâmicas para estar ali, mas ele escolheu desenvolver tudo bem direto, e isso economizou tempo de tela, e principalmente criou um certo mistério, pois se fossem apresentados saberíamos bem quem é quem, e isso é o que amplificou as possibilidades, embora com um elenco de atores mais conhecidos, a proposta ficou mais fechada na tela. Ou seja, vemos uma direção coerente, rápida e bem expressiva, que talvez pudesse ser até um pouco mais ousada, mas para isso o filme precisaria ser um pouco menos "previsível".

Quanto das atuações, Aaron Taylor-Johnson segurou bem o estilo durão como o desarmador de bombas do exército Will, de modo que seu estilo foi até um pouco forçado demais, pois acredito que o pessoal costuma usar algumas roupas mais apropriadas para o ato, e ali ele foi bem cru para a cena, sendo denso e ousando até que bem para chamar atenção com seus trejeitos. Do outro lado Theo James já fez seu Karalis cheio de traquejos e dinâmicas bem de pessoas audaciosas e destemidas, trabalhando bem suas cenas do roubo e depois das negociações, tendo atos bem marcados e cheios de nuances para impactar na tela. Outra que teve bastante destaque foi Gugu Mbatha-Raw com sua Zuzana, sendo a líder da polícia britânica foi cheia de momentos mais fechados e conseguiu soar marcante na tela. Ainda tivemos bons momentos com Sam Worthington com seu X também bem durão e impositivo para seus momentos com o protagonista, e Elham Ehsas fazendo um Rahim que fica bem claro de estar envolvido em algo, mas sem ficar entupindo aqui de spoilers, fica a dica ao menos para prestar atenção nele.

Visualmente a produção foi até que bem grandiosa de estilo, tendo uma escavação interessante aonde é encontrada a bomba, virando praticamente um campo do exército para a desativação, tivemos o prédio aonde os assaltantes descem para invadir o banco, ferramentas bem marcantes para quebrar a parede com geradores e tudo mais, tivemos a central da polícia com muitas imagens de câmeras de rua, que talvez poderiam ter pego a térmica um pouco antes, embora demore também para um gerador ficar fervente, tivemos cenas em parques e ruas, além de ao final algumas perseguições pelo campo e também as negociações das joias, ou seja, um longa cheio de ambientes na tela.

Enfim, é um filme que entretém bastante, que tem momentos tensos e divertidos, sendo daqueles passatempos bem encaixados para um bom domingo, aonde você vai para a sessão sem esperar nada e acaba satisfeito com o que vê, e assim acaba valendo a indicação, mesmo não sendo algo que lembraremos muito no futuro. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Natal Amargo (Amarga Navidad) (Bitter Christmas)

5/30/2026 02:38:00 AM |

Muitas vezes lendo um livro ou vendo determinado filme bate aquela imaginação de onde o diretor e/ou escritor se inspirou para escrever o personagem, e isso é bacana pois na maioria das vezes apenas vem na mente dele a partir da montagem das características que quer ver fazendo, e em outros casos costuma abusar um pouco mais de pessoas ao seu redor e com um livre arbítrio usar isso em sua trama. E a base principal do novo longa de Pedro Almodóvar, "Natal Amargo", é bem em cima disso, usando dois diretores escrevendo histórias se baseando em outros, e tendo os devidos conflitos com seus amigos/aliados quando sabem ou descobrem que determinados personagens foram inspirados neles pelas características ou pelos acontecimentos em si, e é bacana ver como o diretor dialoga em cima de um que está em cima do outro, sendo o famoso filme dentro do filme dentro do filme, o que agrada principalmente com diretores que usam e abusam mais de diálogos como é o caso dele. Ou seja, alguns vão ver e achar banal demais, mas a essência é tão funcional que acaba agradando no final.

O longa acompanha duas histórias paralelas que se desenrolam entre Madri e as Ilhas Canárias. De um lado, a publicitária Elsa perdeu a mãe durante as festas de natal e afoga-se no trabalho. Não tendo espaço para lidar com o luto, um ataque de pânico severo a obriga a tirar uma pausa e viajar para Lazarote, nas Ilhas Canárias, ao lado de sua amiga Patricia enquanto o marido, Bonifacio, permanece em Madri. O outro ponto de vista da trama acompanha Raúl Durán, um diretor e roteirista que enfrenta dificuldades em separar a realidade da ficção.

Não posso dizer que seja um dos melhores trabalhos do diretor e roteirista Pedro Almodóvar, porém acredito que aqui ele soube fazer algo simples sem precisar enfeitar tanto o doce, e acredito que isso é o que mais está pesando a mão da maioria dos críticos, afinal o pessoal gosta de ver símbolos e dinâmicas mais reflexivas, e não é o que nos é entregue aqui. Ou seja, a trama tem uma boa entrega, tem o estilão seco do diretor, porém com um vértice mais casual e até mais comercial para falar a verdade, e assim sendo é daqueles longas que o público talvez enxergue mais do que os críticos, e assim se envolva com a essência bem trabalhada na tela.

Quanto das atuações, num primeiro momento fiquei pensando se Leonardo Sbaraglia tinha envelhecido tanto nesses anos que eu perdi alguma referência, mas como é comum na maioria dos filmes do diretor, vemos sempre um personagem que faz meio que o papel dele no longa, e aqui o Raúl que o ator acabou entregando se assemelha muito tanto visualmente quanto na forma de condução, e isso mostrou que o ator tem potencial e sabe ousar em trejeitos mais fechados. É engraçado que geralmente em todo filme do diretor nos é colocado uma musa, e aqui Bárbara Lennie não conseguiu chamar tanta atenção para que sua Elsa ficasse como um expoente na tela, ou seja, a atriz até teve boas cenas e dinâmicas, trabalhou bem suas intenções com trejeitos fortes, mas ficou mais misteriosa dentro da essência criada do que como alguém que o foco recaísse por completo. Ainda tivemos outros personagens marcantes dentro da concepção completa da trama, com Patrick Criado tendo momentos sensuais com seu Beau/Bonifácio, Milena Smit trabalhando uma Natalia bem traumatizada, Victoria Luengo fazendo de sua Patricia alguém mais cheio de vértices para trabalhar na tela, Quim Gutiérrez com seu Santi mais fechado sem grandes impactos para o roteiro, e Aitana Sánchez-Gijón com uma Mónica inicialmente apática e misteriosa, mas com atos de fechamento mais explosivos, e assim a base foi bem fechada com todos personagens participando bastante na tela.

Visualmente tivemos atos marcantes na casa da protagonista sem ampliar muito o espaço, tivemos cenas em alguns hospitais, na casa do diretor bem rica de estilo, e até no apartamento da amiga com uma boa pegada musical, mas a maior parte se passa em uma casa luxuosa nas Ilhas Canárias, com ambientes bem favoráveis para a escrita, mas também amplo para discussões, e como de costume nos filmes mais dialogados do diretor, o visual fica quase sem grandes importâncias, então acaba valendo mesmo pela síntese bem colocada na tela.

Enfim, não é um filme perfeito, mas entretém de um modo gostoso de acompanhar, fala um pouco da famosa síndrome do pânico que muitas pessoas ainda não entendem, trabalha um pouco do luto, mas a base mesmo foi focar na personalidade da composição de personagens e inspirações, e assim acaba valendo para uma introdução mais simples do estilo do diretor para quem ainda não foi muito iniciado com suas formas diferenciadas e bem dialogadas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Backrooms: Um Não-Lugar (Backrooms)

5/29/2026 12:44:00 AM |

Costumo dizer que não sou o maior fã de filmes que você precisa mergulhar numa reflexão absurda para gostar do que viu na tela, pois sou do time que o que vale é se entreter quando vai numa sessão de cinema, porém não tenho nada contra, gosto de alguns bons exemplares e muitas vezes quando embarco em alguma ideia até acabo gostando bastante. E dito isso, hoje faltou eu embarcar na ideia de "Backrooms: Um Não-Lugar" para não ficar somente na superfície da trama, afinal acredito que com uma reflexão bem maior talvez o longa me levasse para outros planos, mas vendo apenas como um filme comum, o resultado acabou sendo interessante pelo desenvolvimento cênico completamente maluco, juntamente com as cenas de perseguição e diálogos, mostrando que talvez com algum tóxico na mente dá para escrever algo tão doido que alguém compre a ideia toda.

Ambientado em 1990, o filme acompanha Clark, um vendedor de móveis que descobre no porão de sua loja um portal para um labirinto inquietante de ambientes intermináveis, parecidos com escritórios comuns. Fascinado e perturbado, ele convence sua funcionária Kat e o namorado dela, Bobby, a ajudá-lo a mapear aquela extensão impossível de salas e corredores de arquitetura surreal, onde ruídos estranhos sugerem que algo de outro mundo pode estar à espreita. Quando Clark desaparece, sua terapeuta, a Dra. Mary Kline, acaba ela mesma se perdendo nos Backrooms em busca de respostas e de uma saída.

Claro que a popularidade do diretor e roteirista estreante em longas Kane Parsons se deve muito a tudo o que já fez na internet, tanto que hoje a sala estava bem cheia de jovens para conferir o longa, e isso mostra que existem alguns novatos sabem como puxar a atenção para si, mas diria que quem for conferir o filme cru, sem ter visto o projeto completo da internet, talvez não se conecte tanto com a ideia, gostando claro da construção dos ambientes, mas que quando a bomba realmente explode nos atos finais, ele acabou falando muito e pouco ao mesmo tempo, não conseguindo ampliar a camada da trama. Ou seja, talvez o mesmo roteiro do criador nas mãos de outro diretor chegasse mais longe, mas isso é uma suposição, e sendo assim diria que faltou um pouco mais de desenvolvimento da ideia em si.

Quanto das atuações, posso dizer que Chiwetel Ejiofor se jogou demais para o seu Clark, de modo que arregalou os olhões em diversos momentos mostrando uma loucura fora de si em diversos momentos, ou seja, entregou demais e poderia ter ido ainda mais além, mas não foi a escolha do diretor trabalhar tanto com a personalidade dele. Já Renate Reinsve tem ganhado cada vez mais papeis chamativos, e aqui sua Mary Kline tem uma personalidade intensa, cheia de grandes nuances, e principalmente fazendo uma psiquiatra teve a capacidade de testar sua sanidade em diversos momentos dentro do labirinto. Ainda tivemos Lukita Maxwell com sua Kat e Finn Bennett com seu Bobby em algumas dinâmicas mais rápidas no miolo, mas sem irem muito além, sobrando para Mark Duplass com seu Phill tentar levar a trama para alguns outros rumos e chamar atenção nos atos finais.

Visualmente não sei o quanto foi realmente construído de cenografia para o longa e o quanto foi computação gráfica, mas se fizeram só metade dos ambientes já podem dizer que a equipe de arte foi brilhante, pois temos de tudo um pouco, piscinas, paredes com formatos malucos, portas grandes e minúsculas, salas, pessoas duplicadas, móveis empilhados, câmeras antigas e muito mais, dando para a cenografia em si quase como um personagem na tela, e isso ficou muito bom de ver.

Enfim, é um filme que talvez eu tenha ido com expectativas demais, e acabei um pouco decepcionado por não me entregar o que esperava, mas ainda assim digo que é um filmão bem interessante de proposta que merece ser visto e analisado, principalmente pelos profissionais da psicologia e psiquiatria, pois tem ideias para serem debatidas até mais do que a loucura dos fãs do diretor youtuber, e assim sendo fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Uma História Nebulosa (大濛) (A Foggy Tale)

5/27/2026 11:59:00 PM |

Um país que entrega obras tão diferentes do padrão, mas tão comuns dentro da essência é Taiwan, pois eles brincam geralmente com algo com uma pegada novelesca, joga em cima de algo que poderia ou foi real, acrescenta elementos lúdicos bem pautados, e o resultado final acaba funcionando muito na tela. Ou seja, a ideia do longa que estreou na Netflix, "Uma História Nebulosa", tem essa pegada bacana, tem dinâmicas e reviravoltas ao mesmo tempo fortes e envolventes, porém demora um pouco para engrenar, pois muitas das cenas se repetem no miolo, então poderia ter deixado somente para os flashbacks tudo e dimensionar melhor o restante.

O longa nos conta que após o seu irmão ser executado pelo governo, Yue começa uma jornada para levar o corpo de volta à sua família e conseguir um enterro digno. Ao chegar em Taipei sozinha, ela passa por muitas adversidades, mas é salva pelo soldado Chao Kung-Dao. Diante da própria realidade e da situação de Yue, Chao Kung-Dao percebe que a melhor coisa a se fazer é ajudá-la. Assim, os dois formam uma amizade em meio à uma situação que pode acabar tirando suas vidas.

Não é um país que vejo muitos filmes, então não posso dizer que conhecia a filmografia do diretor e roteirista Yu-Hsun Chen, mas posso dizer que soube brincar com as diversas facetas que o longa pedia, e principalmente desenvolver na tela aquele algo a mais que gostamos de ver que são as reviravoltas e conflitos para serem discutidos, de modo que ele foi bem fluido nas dinâmicas e fez a dupla principal ter um carisma bem conectado, que mesmo sem grandes trejeitos acabou dando um rumo legal de se acompanhar. Ou seja, ele foi bem no quesito direção de atores, porém pecou um pouco na direção da edição, pois o longa tem quase 130 minutos de duração, e dava fácil para ficar ótimo com 90-100 minutos, mas para isso precisaria uma mão mais pesada, e talvez não ficasse tão lúdico na tela.

Quanto das atuações, a jovem Caitlin Fang foi graciosa em diversos momentos com sua Yue, porém acredito que dava para ela ser menos contida em seus atos, parecendo ter até uma certa timidez de estreante, mas que já fez muitos outros trabalhos, então foi uma falta de direção maior para que ela fosse mais expansiva na tela, para agradar ainda mais. Agora sem dúvida alguma o carisma de Will Or com seu Chao foi algo para procurar mais trabalhos e ver se o ator realmente tem todo esse potencial ou o personagem foi indo para um rumo mais chamativo, de modo que ele se entregou, fez cenas fortes, cenas mais leves, e que sabendo se encontrar nos atos agradou demais. Tivemos outros personagens interessantes, mas vale dar um leve destaque para 9m88 que cantou, dançou e ainda entregou um chamariz bem colocado como a irmã da garotinha.

Visualmente o longa foi bem bacana, mostrando vilas, casas de shows, delegacias, feiras de compra e venda de itens, uma funerária bem diferente do usual e também uma faculdade de medicina com corpos nadando em tanques, além de um crematório simples e interessante, mas o mais funcional do longa foi ter quase um road-movie numa bicicleta com os protagonistas indo para vários lados de Taipei, sendo cheio de nuances e dinâmicas, aonde como elemento cênico mesmo só a sacolinha da garota e a bicicleta do rapaz, mas nada de muito usável na tela.

Enfim, é um filme bem bacana, que como disse demorou para engrenar e até me deu um certo soninho até próximo da metade, mas depois deslancha e fica bem gostoso a forma encontrada para fechar. E é isso meus amigos, não esperem lavar a sala vendo o filme, mas com certeza acabará tendo um resultado diferente com cada um que assistir, então fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Chopin, Uma Sonata em Paris (Chopin, Chopin!)

5/26/2026 12:37:00 AM |

É tão interessante ver biografias de pessoas que você conhece pouco, mas sabe quem foi, e vê o tanto que a pessoa sofreu pelas doenças da época, e ainda assim continuou fazendo o que gosta até os últimos momentos da vida. E hoje pude conferir "Chopin, Uma Sonata Em Paris", que estreia dia 28/05 em cinemas selecionados trazendo um pouco dos últimos anos desse músico que ficou tão marcado pelas composições e dinâmicas entregues, e que até hoje muitos ainda tentam copiar e não se dão tão bem. E o mais bacana de tudo é que ainda hoje a tuberculose leva algumas pessoas para a cova, mas na época do longa tudo parecia algum tipo de maldição ao redor do rapaz, que junto de uma maquiagem um pouco forte demais, quase deixou ele como um vampiro de tão pálido, mas ainda sem errar nas contextualizações e dinâmicas de alguém que aproveitou ao máximo, e se exibiu muito para reis e toda a classe alta da França da época.

O longa se baseia na história de Frédéric Chopin, pianista francês de 1835 que vivia dentro da alta sociedade. Dando concertos para a burguesia, ele se tornou uma das figuras mais românticas das noites parisienses. No entanto, quando seus pulmões começam a sangrar, ele descobre que seus dias serão poucos. A partir disso, além da luta contra a doença, Chopin fica obcecado por composição. Ele entende que precisará revolucionar a música e o teatro, mas o seu tempo é limitado e a vida não irá esperar por ele.

Já tinha falado bem do diretor Michal Kwiecinski esses dias atrás, e aqui ele mostrou que com um orçamento mais gordo dá para desenvolver bem mais na tela, porém acredito que lhe deram um roteiro exageradamente longo e ele quis trabalhar com tudo, de tal forma que dava para alguns atos não serem colocados e/ou acelerar mais algumas dinâmicas, pois a trama se amarra demais. Ou seja, a história de Chopin é grandiosa, e talvez mostrar um pouco mais do antes dele ficar tão famoso seria bacana, pois apenas os atos finais deram um tom meio que melancólico demais, mesmo o personagem e o ator terem trabalhado as dinâmicas com bons sorrisos e desenvolturas, mostrando que assim como o pôster nacional diz, vivendo até o limite da vida, de tal forma que souberam mostrar isso que mesmo estando só o pó, quase morto com a maquiagem pálida e já até "enterrado" pelos jornais, souberam criar entregas e dinâmicas bem chamativas.

Quanto das atuações, outro que elogiei semanas atrás foi Eryk Kulm que aqui brincou muito com um Chopin de bem com a vida, alegre, e mesmo doente disposto a compor e criar, trabalhando bem os trejeitos com boas facetas, e principalmente se desenvolvendo de acordo com o filme e a doença, que claro volto a frisar que abusaram um pouco da maquiagem, mas ele trabalhou com entonação forte e sendo bem representativo. Outro que trabalhou bem no longa foi Victor Meutelet com seu Liszt, tendo uma desenvoltura chamativa até demais para um personagem secundário, mas que soube até onde ir e agradou dentro da proposta. Também tivemos alguns bons momentos de Joséphine de La Baume com sua George Sand meio que durona e direta, até demais para uma escritora, mas que soube ter empatia para os momentos mais densos na Espanha junto do protagonista, e com isso fez os seus momentos fluírem bem. Ainda tivemos Lambert Wilson fazendo o rei Louis Philippe I com muita imposição, mas quase sem grandes cenas chamativas e o garoto Theo Grundmann fazendo o jovem prodígio Carl Filtsch que não conseguiu decolar, mas sem grandes momentos na tela.

Visualmente a trama mostrou muitas festas e concertos, com figurinos rebuscados, muitos figurantes e comidas e bebidas para todos os lados, vemos também a preparação da casa do protagonista para sua amada, tivemos bons atos de aulas de piano, e por consequência muitos pianos diferentes em cena, tivemos atos na Polônia e na Espanha, com destaque para as cenas da propagação da cólera e também as restrições para com as doenças e seus devidos remédios, ou seja, um longa cheio de elementos cênicos chamativos para cada momento na tela.

Enfim, é uma produção até grandiosa demais que se perdeu no que realmente queria mostrar, e assim sendo o filme fica alongado demais na tela, não fluindo de forma tão fácil, mas como disse no começo acaba sendo bem legal conhecer um pouco mais da vida de alguém tão famoso que apenas conhecemos suas melodias, mas que dava para ter ido mais além ao mostrar um pouco mais do passado dele antes dos seus últimos dias como acabou ficando na tela. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Synapse Distribution e da Atomica Lab Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Love Kills

5/25/2026 12:59:00 AM |

Já tenho falado faz algum tempo que o cinema nacional anda bem mudado, procurando encontrar múltiplos estilos que antes não chegavam tanto nas telonas, e tem sido bem bacana ver como os subgêneros do terror têm sido trabalhados, de modo que quem imaginaria ver algo meio gótico de vampiros em São Paulo, passeando pelas ruas escuras e ambientes mais depredados do centro antigo? Ninguém! Mas fizeram, e "Love Kills" tem uma pegada ousada e dinâmicas até que bem entregues, sendo diferenciado do tradicional, mas brincando com facetas tradicionais também, tanto que a HQ original acabou levando o longa para algo quase que novelesco, mas ao menos conseguiu trabalhar bem todas as dinâmicas com um orçamento enxuto, aonde os efeitos não foram tão longe, mas que ao menos funciona bem, e assim acaba sendo interessante ver o que quiseram propor na telona.

A sinopse nos conta que no centro de São Paulo, devastado pelas drogas, uma jovem vampira, Helena, assombra um estranho café na metrópole, cativando um ingênuo garçom. À medida que descobre os segredos dela e o submundo da cidade, ele é atraído para um mundo perigoso de intrigas imortais, desafiando sua mortalidade.

Uma coisa interessante que a diretora e roteirista Luiza Shelling Tubaldini tem feito é procurar coisas funcionais no mundo do cinema e adaptá-las para caber dentro do cinema nacional, e isso é bem bacana, pois dá para imaginar as coisas mais fictícias, porém próximas de nossos acontecimentos e vivências. Ou seja, aqui ela brincou com as ideias do mundo dos vampiros que já até vimos em novelas nacionais, mas com uma pegada mais próxima dos clássicos (inclusive mostrando num cinema um longa bem clássico do estilo), com paixões incandescentes e transmissões de poderes entre os seres, sendo algo simples, mas que na visão da HQ de Danilo Beyruth conseguiu transparecer até algo a mais, mas que em determinados momentos ficaram um pouco "truncados" demais, meio que com pausas que não eram necessárias numa trama de cinema. 

Quanto das atuações, diria que os personagens ficaram meio que teatrais demais, recaindo quase para o lado novelesco, e isso é um perigo em filmes desse estilo, pois o público precisa se convencer do que está vendo na tela, e no meio dos craqueiros da cracolândia de São Paulo ver vampiros pegando alguns ali como alimentação é algo meio incomum de se pensar. Ou seja, Thais Lago até foi bem imponente com sua Helena, desenvolveu bem suas cenas de lutas e criou alguns momentos densos bem encaixados com o que tinha para entregar, porém nas dinâmicas que precisou ter mais diálogos pareceu meio que deslocada, e isso deu uma leve queda na entrega completa, mas nada que desabonasse seus momentos mais bem colocados. Já Gabriel Stauffer fez um Marcos meio que desorientado demais na tela, parecendo estar livre do vício das drogas a pouco tempo, mas no meio de tudo o que rola acaba indo em um fluxo pouco usual, afinal qualquer pessoa normal vendo tudo o que acontece sairia é correndo e não entrando no meio da confusão, fora que a diretora esqueceu de avisar o pessoal da maquiagem que um ser humano normal tomando o tanto de pancadas que ele leva ficaria alguns roxos, mas isso não é erro do ator, que até fluiu bem, mas dava para ir mais além nas expressões. Quanto aos demais, a maioria ficou um pouco exagerado demais, tendo algumas boas lutas e desenvolturas, mas falhando no contexto principal de tentar aparecer muito como personagens secundários, e assim não diria que vale dar muito destaque para cada um individualmente.

Visualmente foi interessante ver uma São Paulo não usual, escura, cheia de drogados pelos cantos, alguns bares isolados e até um mundo fora dos padrões com apartamentos gigantescos e ambientes mais neutros, aonde a equipe de arte soube escolher bem as locações para representar esse estilo meio que gótico da cidade, ou seja, temos muitos ambientes imponentes e souberam aproveitar espaços mais fechados para que as lutas não precisassem falhar, e assim o resultado acaba agradando bem nesse sentido. Porém, a equipe de efeitos especiais e de maquiagem poderia ter trabalhado melhor alguns momentos, pois alguns poderes acabam distorcendo o ambiente, outros não ficaram tão machucados, e faltou um pouco mais de sangue para um filme com vampiros, mortes e tudo mais, ou seja, dava para brincar um pouco mais.

Enfim, é um filme de proposta ousada que foi bem representado na tela, mas que com um nome meio que fora do usual não chamou tanta atenção do público, que mesmo tendo algumas falhas como citei no texto até funciona bem sem ficar aquela novelona comum do estilo, então vale a dica para a conferida. Um pequeno detalhe apenas sobre a produção, que tem verba ribeirão-pretana sendo usado um projeto de lei da cidade pelo produtor Edgard de Castro, e apenas uma sessão do filme por aqui, ou seja, algo meio curioso apenas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Star Wars - O Mandaloriano e Grogu em 3D (The Mandalorian and Grogu)

5/24/2026 06:28:00 PM |

Hoje vou falar como alguém que não viu nenhum capítulo da série, e também não é fanático pela saga Star Wars, então posso dizer que fui para a sessão de "O Mandaloriano e Grogu" apenas como alguém que gosta de uma história bem contada, e o que posso falar de cara é que dá para curtir o longa pelo que é entregue, que claro não nos apresenta os personagens, mas como são cativantes com o que fazem, acaba sendo fácil de se conectar com tudo. Ou seja, pode até ser que seja um episódio mais longo da série, porém vemos algo como uma caça aos personagens do Império que ainda estão vivos querendo retornar tudo após os episódios do filme de 84, mas que não cumprindo bem a missão que lhe é conferida, o protagonista passa a ser caçador também pelos contratantes, ou seja, tem um começo, meio e fim funcional que até agrada, mas nada de muito impactante também na tela.

O longa nos conta que sob o contexto da recente queda do Império e, enquanto a Nova República luta para estabelecer as fundações do governo baseadas na luta da Rebelião, o lendário caçador de recompensas Mandaloriano Din Djarin e seu jovem aprendiz Grogu entram em uma missão para achar os esconderijos dos senhores da guerra Imperiais espalhados pela galáxia.

Diria que o diretor e roteirista Jon Favreau já mostrou saber dominar bem as técnicas de captura de movimentos, e aqui como temos muitos bichos feios na tela lutando, atirando e tudo mais, ele conseguiu proporcionar uma trama de ação que funciona bem na tela. Claro que o defeito gigante da Disney moderna é entregar os derivados de suas séries nas telonas sem fazer as devidas apresentações no começo do filme, mas como aqui isso não importou tanto, o resultado acabou fluindo bem, afinal o protagonista mal precisou dialogar muito com os demais personagens, apenas lutando e atirando bastante ao ponto da trama funcionar assim, termos seus cuidados com o pequenino verdinho e vice-versa. Ou seja, é daqueles filmes que até agradam pela formatação que o diretor decidiu seguir, mas nada que quem não for extremamente fã da saga saia da sala feliz e sorridente com toda a dinâmica montada.

Quanto das atuações, poderiam colocar dentro da armadura qualquer ator, pois vemos Pedro Pascal atuando mesmo com seu Mandaloriano em uma única cena, ou seja, apenas gastaram muito com o cachê do ator, pois qualquer um que estivesse disposto a lutar, pular e atirar se daria muito bem ali. Outro grande ator da atualidade, Jeremy Allen White emprestou sua voz para Rotta, o Hutt, e o bichão é o que mais fala na tela, então deu uma boa entonação para que o personagem parecesse imponente na tela. Outro que apareceu apenas em duas cenas foi Martin Scorsese, sim aquele diretor que reclama dos filmes de ação, mas aqui os boletos devem ter pesado e deu sua voz para o bichinho cozinheiro Hugo Durant. Ainda tivemos algumas cenas com Sigourney Weaver fazendo sua Coronel Ward bem colocada como a contratante das missões do protagonista, mas sem grandes momentos chamativos. 

Visualmente é o que mais importa na tela, tanto que temos muitos personagens que são criações computacionais, outros animatronicos, e ambientes bem interessantes de alguns planetas, tendo boas lutas, tiros, explosões, um coliseu eletrônico chamativo, cidades tecnológicas, e no palácio dos mandantes tivemos ainda um foço com umas cobronas e bichos esquisitos aonde tudo tenta matar o protagonista. Ah e claro tivemos o pequenino Grogu que entrega ótimas cenas, com movimentos e carisma tão grandioso que a equipe de arte e computação trabalhou bem demais para fazer funcionar. Tinha esquecido de falar, mas voltei agora (26/05 às 22h28) para falar que vi o longa em 3D, e tirando as cenas com as naves voando que dá uma boa imersão de profundidade, o restante é mero enfeite para cobrar ingresso mais caro!

Enfim, volto a dizer que não sou fã da saga, e menos ainda pensei em conferir a série para me situar, então posso dizer que o longa foi ao menos bacana na tela, dando boa interação e funcionando para quem for sem saber nada, porém quem conhecer mais tudo certamente irá gostar mais. Sendo assim fica a dica como algo bem feito, mas que talvez uma abertura rápida melhor desenvolvida agradaria mais ainda, e assim fica a dica para quem for conferir. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje vou encarar mais um filme, então abraços e até mais tarde.


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Hokum - O Pesadelo da Bruxa (Hokum)

5/23/2026 11:37:00 PM |

Se ontem fiquei extremamente feliz com o terror que fui conferir, hoje a situação já foi bem diferente, pois "Hokum - O Pesadelo da Bruxa" entrega um filme tão morno, tão sem impacto, que você fica esperando a tensão acontecer e quando rola você pensa, mas só isso? Ou seja, é daqueles filmes que facilmente poderia passar qualquer horário na televisão, que não vai causar trauma em ninguém e que mais parece uma aventura lúdica boba do que realmente um terror, e assim decepciona fácil quem for esperando um algo a mais na telona.

A sinopse nos conta que um escritor solitário vive um luto e passa a ser assombrado por uma figura misteriosa e assustadora. O introvertido Ohm Bauman se refugia numa pousada isolada na Irlanda para espalhar as cinzas de seus pais, o último desejo dos dois antes de morrer. Enquanto lida com a perda e o luto, Bauman será apresentado ao pesadelo que ronda o hotel, confrontando-se com visões perturbadoras e traumas do passado, que invadem seus sonhos e sua mente graças à presença de uma antiga bruxa que assombra a suíte nupcial. Em meio a pesadelos terríveis, um desaparecimento chocante parece piorar a situação, obrigando-o a enfrentar as forças malignas que cercam o local e os cantos mais sombrios do seu passado.

Diria que o diretor e roteirista Damian McCarthy até teve boas intenções ao criar sua trama, pois o filme tem algumas ideias interessantes de base, e talvez com alguns ajustes causaria muito mais tensão no público, afinal costumo dizer que se o filme não fizer você sentir nada, alguma coisa de errado teve, e na sala quase que cheia para conferir o longa, a maioria saiu como se tivesse assistido um caso comum na telona, aonde ocorreram algumas mortes, mas até elas soaram "banais". Ou seja, faltou impacto, e principalmente o diretor enxergar o potencial da trama para ir além, afinal seu filme foi vendido como um terror impactante, sufocante e tudo mais, e nem nas cenas que ele entra em um elevador minúsculo de comida, a essência do longa causa algo no público.

Quanto das atuações, gostei do estilo meio irônico que Adam Scott entregou para o seu Ohm, porém costumo falar que em filmes de terror os personagens precisam demonstrar o medo e o temor para o público se convencer do que está acontecendo, e aqui ele foi "normal" demais como escritor, e mesmo tendo seus problemas do passado, a culpa não transpareceu um minuto sequer na tela, ou seja, falhou bastante com a entrega que precisava. Quanto aos demais, gostei de ver o estilo do sem-teto que David Wilmot entregou na tela com seu Jerry, de modo que você acaba até torcendo para ele conseguir voltar e ajudar o protagonista, fora que foi bem chamativo, já os personagens do hotel foram meio que forçados demais, com Peter Coonan fazendo um Mal meio que desesperado com a situação, mas sem grandes explosões para chamar atenção, e Michael Patric acabou trabalhando seu Fergal meio que sem nuances para o estilão bruto, enquanto Will O'Connell poderia ter sido mais assustador com seu Alby na tela, e por fim a moça Florence Ordesh foi meramente um enfeite com sua Fiona sem grande expressividade, servindo apenas para dar o andamento da trama de subirem para procurar ela.

Visualmente a trama teve alguns atos bem rápidos em uma floresta, alguns momentos no bar do hotel, e praticamente todo o restante dentro da suíte nupcial abandonada, tendo uma banheira com água suja, móveis empoeirados, e alguns elementos cênicos bem antigos como o bonequinho do relógio, além de um elevador de comida minúsculo aonde os personagens descem para um porão antigo e bem estranho com luzes piscantes e alguns elementos pendurados, mas nada que assustasse realmente como deveria.

Enfim, é um filme que dava para ter ido muito mais além, mas que serve como um passatempo de sessão da tarde, que talvez alguns enxerguem algo a mais e sintam algo pela trama, mas para mim foi apenas algo bem simples que levou nada a lugar algum, e assim sendo não recomendaria ele para ninguém. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Passageiro do Mal (Passenger)

5/23/2026 12:34:00 AM |

Já disse isso várias vezes, mas quer me deixar feliz em um filme, me surpreenda com algo completamente fora do que o trailer parecia ser, pois venderam o longa "Passageiro do Mal" de uma forma tão bobinha e jogada no trailer, aliás mostrando praticamente só a primeira cena inteira e nada mais, que fui para a sessão esperando apenas mais um terror de sustos gratuitos daqueles que o diretor só quer rir de você saltando da poltrona, e acabei vendo uma história interessante misturando ideologia religiosa com intenções nômades e dinâmicas bem encaixadas dentro da proposta, que acabei gostando até mais do que achava, rindo claro de alguns clichês do estilo, mas tudo sendo tão funcional que o resultado acabou indo bem além na tela, sem precisar ficar pensando ou imaginando coisas.

O longa acompanha a viagem de um casal que tinha tudo para ser perfeita, mas ao presenciarem um acidente fatal na estrada, todo o rumo da história vira de cabeça para baixo. Sendo perseguidos por uma presença demoníaca chamada de Passageiro, eles serão acompanhados por todo o restante do trajeto de carro. O espírito do mal, por sua vez, fará de tudo transformar a aventura em um verdadeiro pesadelo.

Acho interessante quando praticamente já vi todas as obras de um diretor, e nenhuma delas me decepcionou (algumas podem até ser nada espantosas, mas me irritar ao ponto de desistir dele não), e um diretor que descobri ao acaso com uma indicação que ninguém nem sabia quem era foi André Øvredal, que depois acabou estourando com tramas mais comerciais, mas quando lançou "Mortal" simplesmente ninguém sabia quem era o cidadão, e ele sempre mostra muita pegada na tela, brinca com as facetas que tem, dá claro os famosos jumpscares (sustos gratuitos no escuro), porém sabe brincar com a ideia que lhe é entregue, fazendo com que tudo flua naturalmente, tenha conteúdo e impacte aonde deve impactar, ao ponto que aqui várias cenas me deram até leves arrepios, ou seja, fazendo funcionar como um terror deve que é "tocar" o espectador, e assim sendo, mais uma obra sua que irei anotar como não me decepcionou, mesmo que eu nem soubesse antes que o longa era dele.

Quanto das atuações costumo dizer que gosto muito quando em filme de terror o ator consegue passar o medo que está sentindo para o público, e aqui Lou Llobell entregou uma Maddie completamente desesperada com as situações que está vendo acontecer ao ponto de até querer desistir de seu amor para simplesmente sumir dali, e a entrega dela foi genuína em diversos momentos e conseguiu agradar bastante, até mesmo em atos que teve de demonstrar coragem e foi com tudo também. Já Jacob Scipio fez com seu Tyler aquele famoso personagem que dá raiva e torcemos pra morrer com umas burradas que faz, mas como foi bem colocado em diversos momentos, seu resultado geral acaba agradando. Joseph Lopez fez o Passageiro com olhares e entregas bem densas e repentinas, assustando mais pela essência do que por sua atuação, mas fez bem o que tinha de fazer. Agora fiquei com pena de usarem uma ganhadora de Oscar do porte de Melissa Leo como uma secundária de três cenas com sua Diana, pois poderia ter entregue mais na tela, mas ao menos seus momentos foram marcantes e chamativos no que fez.

Visualmente o longa é quase um road-movie, tendo a van dos personagens bem arrumadinha para viverem na estrada, não tendo muitos elementos cênicos, mas contando com alguns bem úteis para a proposta, valendo claro o destaque para a medalhinha de São Cristóvão (protetor dos viajantes e motoristas), tivemos algumas cenas em campings e reuniões de moradores de vans, e claro tivemos muitas cenas na estrada e estacionamentos, alguns restaurantes e claro muitas mortes e acidentes, ou seja, um filme com dinâmicas bem montadas, com cenografias não grandiosas, porém imponentes dentro do ambiente completo.

Enfim, não é o melhor terror que já vi na vida, mas conseguiu me arrepiar em duas cenas e conseguiu causar uma boa tensão sem ser daqueles filmes que você precisa ficar descobrindo ou imaginando as coisas, tendo alguns atos que talvez pudessem ser mais realistas, mas aí seria pedir demais, e assim sendo o resultado geral funcionou bastante, mesmo com sustos gratuitos e clichês tradicionais. Ou seja, quem curte o estilo pode ir tranquilamente que vai valer o tempo de tela (aliás bem curtinho de apenas 94 minutos). E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais. 


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Sexo e Destino

5/21/2026 10:23:00 PM |

Tenho uma opinião bem formada sobre longas religiosos, principalmente os da doutrina espírita, e já até falei aqui várias vezes, pois é uma das literaturas mais vendidas abaixo apenas dos livros de ficção jovem e de autoajuda, então os roteiristas têm mesmo que adaptar as diversas obras e lapidar para cada vez ficar mais próximo de um filme mesmo e mais longe de uma novela, que aliás estão transformando uma novela espírita em filme, então veremos o que acontecerá! Dito isso, hoje foi o dia de conferir o longa "Sexo e Destino", que foi narrado por André Luiz e psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira, de uma forma interessante o conflito de duas famílias que vem de gerações todo o caos, sendo até que bem desenvolvido com um elenco afiado, porém tem um grandioso defeito, que é recair demais para o lado novelesco, ao ponto que com tantos personagens, a história acaba se perdendo um pouco na tela, ficando o lado do passado algo meio que jogado. Ou seja, dava para cortar fácil uns bons minutos de filme, mas precisaria de ajustes na história para remover personagens, e assim, não impactaria tanto como no livro.

Na trama ambientada no Rio de Janeiro, às famílias Nogueira e Torres estão entrelaçadas por paixões, traições, vinganças e culpas que atravessam diferentes encarnações. Marina é uma jovem ambiciosa e fútil que passa por um longo processo de transformação ao longo do filme. Ela se apaixona por Gilberto, filho do seu patrão, sem saber que o rapaz já vivia um relacionamento com sua irmã, Marita.

Diria que o diretor Marcio Trigo é um dos que mais está trabalhando o vértice espírita nas telonas, só que sua formatação já está ficando repetitiva demais, ao ponto que o eixo novelesco é funcional para o estilo, mas precisam mostrar que tem outras ideias de quebras e reviravoltas, para ainda assim enaltecer a doutrina e as mensagens, sem que fique sempre batendo na mesma tecla. Ou seja, é um filme que mostra bem as ideologias da fé espírita, de suas conexões, lembrando até um pouco "Nosso Lar" em alguns momentos, mas repetiu o recheio do bolo, e mesmo sendo bom, já começa a não dar bons frutos para que o paladar do público goste.

Quanto das atuações, diria que os atores foram bem em suas interpretações, porém os personagens são meio que incômodos demais, ao ponto que Letícia Augustin até segurou bem sua Marina, mas em determinado momento pareceu mais maluca do que realmente expressiva, ou seja, faltou um algo a mais para convencer de seus atos. Bruno Gissoni teve alguns atos chamativos com seu Gilberto, mas parecendo não estar empolgado na maioria das cenas, e sim perdido com sua entrega. Tato Gabus Mendes é um tremendo ator, porém seu Nemésio acaba sendo forçado de essência e entrega. Antônio Fragoso foi quem mais teve mudanças nas nuances de seu Cláudio, mas também em determinados momentos a mudança foi tão grande que nem parecia mais o mesmo personagem/ator. Raquel Rizzo foi quem mais manteve a essência forte de sua Márcia, inclusive nas cenas do passado, ou seja, a atriz escolheu o caminho para seguir e foi bem na tela. Ainda tivemos Tiago Luz com seu Felix e Jaedson Bahia com seu André Luiz, mas foram secos demais nas passagens da doutrina, e assim não foi tão além quanto poderiam.

Visualmente o longa teve um orçamento não muito chamativo, de modo que tivemos duas casas bem semelhantes, mostrando que ambos eram famílias com um certo grau de riquezas, tivemos as cenas do passado sem mostrar muito dos ambientes para não criar grandes chamarizes, apenas tendo um pouco mais de valor nos figurinos, e tivemos uma boate bem sem nuances comuns que conhecemos do estilo, deixando apenas as cenas no plano espiritual mais envolventes de símbolos parecendo até usarem recursos de outros filmes espíritas. 

Enfim, como disse a proposta em si é interessante de ver na tela, porém acredito que o livro funcionou muito mais com a grande quantidade de personagens do que na telona, pois aqui o resultado acabou puxando demais para o lado novelesco, e isso está ficando repetitivo demais no estilo de tramas espíritas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Adrenalina Pura+ - A Trégua (La Tregua) (The Truce)

5/20/2026 10:42:00 PM |

Gosto muito dos filmes que envolvem a Segunda Guerra, principalmente os que fogem do mote tradicional em cima da Alemanha e seus conflitos, e um país que vem surpreendendo nas produções é a Espanha, com seu clássico estilo de cinema que acaba sendo um pouco alongado demais, mas que de um modo geral envolve e consegue ser bem marcante nas entregas. E a dica de hoje é o filme "A Trégua", que estreia amanhã na plataforma do Adrenalina Pura+, trazendo a história de dois grupos de soldados que acabam sendo presos num gulag soviético durante a Segunda Guerra, porém sendo de grupos de combatentes opostos na Guerra Civil Espanhola, passam a brigar e ter muitos conflitos de interesses e dinâmicas, mas que botando tudo em pratos limpos para se ajudarem a sair dali, poderão se entender um pouco mais. Diria que o longa tem um pouco de vários outros filmes do estilo, mas que acaba funcionando bastante na essência e no envolvimento entregue pelos atores, sendo algo bacana de conferir na tela.

A sinopse nos conta que em um gulag soviético durante a Segunda Guerra Mundial, dois grupos de soldados espanhóis (um franquista, outro republicano) devem aprender a viver juntos se quiserem sobreviver às duras condições de sua prisão.

Diria que o diretor e roteirista Miguel Ángel Vivas foi bem simples nas dinâmicas para que seu filme não ficasse tão complexo dentro da narrativa, pois se ele fosse abordar e contar a história de todos os personagens acabaria indo para muito longe, até mais do que já foi, pois o filme tem 150 minutos e mostra muitas situações entre os personagens e suas conexões, mas segurou a amplitude para o ambiente em si, o que acabou funcionando na tela. O que mais gostei da escolha do diretor foi dele praticamente esquecer a Guerra mesmo, deixando que o foco todo ali no gulag e como as relações entre os diversos grupos presos ali se assemelhavam aos campos nazistas sem terem as mortes só de judeus, mostrando um algo a mais para conhecermos do universo russo da época, e assim ele trabalhou com poucas cores para dar os ares das estações, mas brincou bastante com a essência toda na tela.

Quanto das atuações, posso dizer que todos foram bem intensos em seus papeis, porém o corte de cabelo inicial para todos os personagens acabou me deixando um pouco confuso com alguns personagens muito parecidos, e isso não é algo legal de acontecer, mas com o desenrolar dá para diferenciar e gostar do que cada um fez. A base maior ficou com Miguel Herrán, que a maioria conhece pela série "A Casa de Papel", e que aqui abrilhantou seu Tenente Salgado com uma vivência ampla e cheia de conexões, sendo sutil em algumas dinâmicas e implosivo em outras, mas conseguindo chamar muita atenção e com isso agradando com o que fez na tela. Outro que foi bem colocado no longa foi Arón Piper, que também é mais conhecido pelo seu papel na série "Elite, com seu Capitão Reyes, tendo uma experiência maior no gulag, chamando as dinâmicas de todos ao seu redor com suas imposições, mas sendo direto na conexão com os demais espanhóis, mostrando que o ator teve personalidade para o papel e conseguiu dinamizar tudo para que fosse encaixando dentro das devidas ações na tela. Vale ainda dar destaques para Javier Pereira com seu Padre, Fernando Valdivielso com seu imponente Junqueras, além de Sergey Ufimtzev com seu Nazarov e Dina Tasbulatova com sua Aisulu, mas todos com papeis mais de conexões do que imposições realmente a frente de tudo.

Visualmente o gulag em si lembra demais os campos de concentração que já vimos em muitos outros filmes da Segunda Guerra, com a mesma "receptividade" na entrada, diferenciando mais nas dinâmicas nos alojamentos que aqui como os presos realmente estavam ali para trabalhar pela sua comida, vemos as interações e não tanto as mortes em si, tendo atos nas minas, tendo alguns momentos nas enfermarias e também no aposento do controlador do campo bem mais arrumado, além claro de um concerto montado pelos presos que acaba sendo marcante para uma dinâmica de fuga, ou seja, tudo bem puxado para o cinza pelas cenas mais frias, e o resultado visual funcionando bem assim.

Enfim, é um filme denso, forte e chamativo, que talvez pudesse ter sido mais elaborado para não precisar se alongar tanto, mas ainda assim agrada bastante e mostra esse outro lado da Guerra que não foi muito ainda representado nas telonas. E é isso meus amigos, o filme estreia nessa quinta 21/05 na tela do canal Adrenalina Pura+, que pode ser acessado na maioria das plataformas de streaming, e fica a dica para a conferida, e eu fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Atomica Lab Assessoria e da Adrenalina Pura+ pela cabine, então abraços e até breve com mais textos.


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