Antes que venham entupir de mimimi por dar voz e imagem para uma assassina real e tudo mais que já acostumamos a ouvir toda vez que fazem um filme baseado em fatos reais, sempre falo a mesma coisa que já vimos muitas cópias internacionais do mesmo estilo, então apenas se não quiser, não assista, simples assim, pois o dinheiro das produções geralmente não chegam até os personagens reais, e os textos geralmente são retirados dos depoimentos policiais, jornais e afins dos casos. Dito isso, dá para analisar de duas formas o longa da Netflix, "Elise: Sombras de uma Mulher", a primeira seria como foi uma besteira imensa o crime que a mulher fez, pois depois de ver tudo como era a vida da personagem, e tudo o que o marido fazia, hoje ela estaria apenas divorciada, rica e com a filha, bem diferente de ser presa e não ter ganho um troco que fosse, mas não vamos entrar em análise do material, e sim o que tenho de falar é sobre o filme em si como uma obra de ficção cinematográfica adaptada ao caso, e nesse sentido tenho que dizer que o longa funciona, tem uma boa pegada, tem presença e boas atuações, e felizmente não virou uma novelona (pois dava fácil para se tornar uma!), porém tem um furo de roteiro imenso se analisar as cenas iniciais com a babá, e depois as cenas finais também com a babá, dando uma desconexão impossível de não notar no mesmo ato, ou seja, algo que não pensaram ao fazer uma trama quebrada por capítulos como aconteceu. Sendo assim, digo que é um bom filme, mas faltou prestar alguns detalhes para que ele ficasse melhor.
O longa narra a trajetória de Elize Matsunaga, uma mulher de origem humilde que passa por maus bocados até se casar com um rico empresário de São Paulo. Por trás da fachada de família perfeita, porém, a relação dos dois é cheia de conflitos e segredos que os levam ao limite. Com uma crescente de situações de violência, Elize se envolve em um dos crimes mais emblemáticos da história do Brasil. Inspirado em fatos reais, o filme mergulha na complexidade de sua protagonista, explorando as circunstâncias, os dilemas e as escolhas que antecederam o assassinato de Marcos Matsunaga, em 2012.
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O longa narra a trajetória de Elize Matsunaga, uma mulher de origem humilde que passa por maus bocados até se casar com um rico empresário de São Paulo. Por trás da fachada de família perfeita, porém, a relação dos dois é cheia de conflitos e segredos que os levam ao limite. Com uma crescente de situações de violência, Elize se envolve em um dos crimes mais emblemáticos da história do Brasil. Inspirado em fatos reais, o filme mergulha na complexidade de sua protagonista, explorando as circunstâncias, os dilemas e as escolhas que antecederam o assassinato de Marcos Matsunaga, em 2012.
Diria que a estreia do diretor Felipe Vellasco até foi bem trabalhada na tela, mas muito se deve ao bom roteiro de Raphael Montes, que já virou o escritor dos casos criminais do Brasil, só não sei se a escolha de criar capítulos e quebrar a história foi a melhor opção, pois deu sim um bom tom para representar o famoso problema do ciúmes junto da paranoia, unindo o famoso fator "amante que rouba marido, não pode ter medo de ser roubada por outra!", e assim sendo o que vemos na tela foi um trabalho de boas dinâmicas em cima de algo que muitos apenas viram pelos noticiários, e pouco conheceu da mulher que viveu com um ricaço que curtia a vida dos bordéis de luxo. Claro que o roteiro tem uma pegada bem mais em cima de dar uma certa humanidade para a mulher, colocar conflitos no relacionamento, e impor que a paranoia foi o principal motivo dela matar e depois picar o marido, mas talvez pudessem ter trabalhado um pouco mais o suspense para que a trama fosse mais além, mas isso exigiria também um diretor com mais experiência, então a forma escolhida de capitular foi talvez a maior falha técnica de sua estreia.
Quanto das atuações, posso dizer fácil que moça bonita é essa Lorena Comparato e com um bom talento expressivo para dominar o estilo de Elize, sendo intensa nos momentos necessários, cheias de faces e dinâmicas, e que soube ser sutil aonde precisava ser, mantendo a pose, fazendo os trejeitos certos, e dando nuances até melhores quem sabe que a verdadeira, que pelo que é mostrado no filme foi uma tremenda atriz depois que matou o marido para tentar enganar a família e a polícia. É bem raro vermos atores com perfis orientais nas telas brasileiras, e achei muito interessante a personificação que Henrique Kimura deu para o seu Marcos, fazendo dele alguém expressivo, cheio de facetas e até mais pomposo que o original, dando algumas boas nuances e intensidades para o papel. O longa se concentra bem mais nos dois protagonistas, mas ainda assim tivemos bons atos com Denise Weinberg como a tia da protagonista, tendo alguns momentos marcantes bem colocados.
Visualmente a trama encontrou boas locações para representar o apartamento luxuoso do casal, tiveram bons atos na boate, momentos interessantes de caça em um estilo de safári, um casamento riquíssimo, mas principalmente a equipe cenográfica trabalhou bem os momentos dos famosos cortes com próteses marcantes e claro uma sonoplastia forte e impactante, ou seja, souberam usar o que tinham para criar a densidade necessária.
Enfim, não é um filmão perfeito de real crime como muitos estão acostumados com o estilo, mas ainda assim funciona bem na tela e entrega a proposta escolhida, que principalmente por ser rápido com apenas 90 minutos agrada, só talvez algumas correções de não capitular, e claro, prestar atenção nos furos do roteiro com as cenas, mas isso talvez nem todos peguem. Então vale a conferida para ver aonde uma paranoia pode levar, e principalmente um meio de acabar o relacionamento de forma incomum. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.
































