Digger

10/03/2026 12:22:00 AM |

Alguns filmes são tão fora da caixa que você acaba demorando um tempo para perceber o quanto ele pesa na sua cabeça, pois não fala apenas com o que está sendo entregue na tela, mas com todo o conteúdo e vivência que a trama procura passar, sendo algo elaborado para fazer o público realmente pensar e criar suas próprias intensidades após digerir ele por completo. E felizmente sou daqueles que tem dias que é bacana ver algo que não precisa gastar meio neurônio, mas também amo ver uma trama mais cabeça, e hoje foi o dia de conferir "Digger" que tinha visto já vários trailers, porém não tinha sequer ideia do que veria na telona, e tendo um começo forte, cheio de imposição climática, conversas de negociações e burladas de leis, me peguei vendo uma grande crítica ao mundo atual de uma maneira imparcial e marcante, para quando vem a primeira reviravolta que o diretor mostra o que realmente está fazendo na tela, e confesso que foi um senhor choque de ideias para mudar completamente o jeito de pensar no que estava vendo, sentindo cada detalhe da trama, até novamente ao final tudo fazer ainda mais sentido. Ou seja, é um filme forte e potente de ideias, brilhantemente bem interpretado e dirigido, aonde muitos podem não enxergar toda a essência na tela, mas quem der a oportunidade de conferida certamente irá pensar muito depois de tudo.

O longa acompanha o homem mais poderoso do mundo que, após provocar um desastre ambiental de proporções globais, começa uma missão intensa para reparar os danos que ele mesmo causou e provar que é o salvador da humanidade. Em uma corrida contra o tempo, ele precisa enfrentar as consequências de suas decisões antes que a crise saia completamente do controle e ameace o futuro do planeta. Nessa trajetória, o bilionário cruza o caminho de algumas das figuras mais influentes do mundo, incluindo o presidente dos Estados Unidos, enquanto tenta recuperar sua credibilidade. O filme mistura drama épico e reflete sobre responsabilidade e os impactos da ambição desenfreada em uma narrativa repleta de tensão.

É interessante que depois de muitos anos brigando, o diretor e roteirista Alejandro G. Iñárritu conseguiu fazer com que Leonardo DiCaprio ganhasse um Oscar e diversas premiações, e olha que já estou desconfiando que ele vai fazer o mesmo com Tom Cruise, pois aqui ele criou uma trama tão marcante, tão cheia de nuances, que mesmo com alguns atos absurdos para a proposta (como cinema ficcional funcionaria, como palco acabou um pouco forçado demais) deu um viés pensante tão bem encaixado para as atuações explodirem na tela, que o protagonista acabou mostrando até mais do que imaginávamos que ele seria capaz um dia, tendo diálogos bem empostados, personalidades determinantes chamativas e assim mostrando que o diretor sabe conduzir bem demais todas as suas ideias, não deixando a sua voz em segundo plano, e muito menos colocando pautas jogadas, aonde sua opinião funciona e fazendo isso com um ator próprio, o resultado foi bem além do pensado.

E já que comecei a falar das atuações, é tão diferente ver Tom Cruise com uma maquiagem imponente, e com uma expressividade forte sem precisar recorrer a correrias, saltos e tudo mais, que muitos vão até achar que não é o ator ali fazendo seu Digger Rockwell, pois ele personifica o pior que conhecemos de grandes ricaços, além de entregar dinâmicas e trejeitos tão bem encaixados por trás de sua maquiagem que se impõe e agrada demais, sendo preciso em cada detalhe que mesmo sendo alguém péssimo, ainda traz um carisma que acabamos nos conectando, ou seja, se vai levar os prêmios eu não sei, mas indicado com toda certeza estará. Ainda tivemos outras grandes personificações na tela com destaques para John Goodman como o Presidente Compson totalmente falastrão e cheio de entregas malucas na tela; Riz Ahmed trabalhando seu Ganesh com muita atitude e dinâmicas inusitadas com um olhar mais técnico e chamativo; e até Jesse Plemons conseguiu ter algumas nuances bem chamativas com seu Kenny, que inicialmente parecia um personagem jogado, mas depois faz todo o sentido na tela. E isso falei só de alguns, mas tiveram muitos outros bem encaixados e chamativos.

Visualmente o longa é algo completamente maluco, principalmente se pensarmos nele como um ensaio de uma peça em um teatro gigantesco, tendo elementos móveis para representar algumas coisas em movimento, uma mansão gigantesca, várias imagens em televisões, um julgamento com uma tribuna imensa, fora os detalhes dos figurinos e das maquiagens, tudo sendo muito representativo e cheio de nuances que acabam funcionando demais tanto como ficção como peça, além claro do fechamento marcante dando toda a nuance da saída, ou seja, a equipe de arte trabalhou demais e acertou muito.

Enfim, não é um filme feito para todos, pois muitos não irão entender a proposta, outros vão rir sem saber do que estão rindo, mas que de um modo geral funciona demais pela crítica inserida e pela forma de condução maluca que o diretor soube usar para impactar ainda mais, e assim sendo vale a conferida para pensar um pouco mais, então fica a dica. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Protocolo de Extermínio (Onslaught)

10/02/2026 01:08:00 AM |

Algumas vezes vou aos cinemas sem nem ter visto nenhum trailer da trama, e sem saber praticamente nada também sobre o filme, e isso é ao mesmo tempo bacana para ser surpreendido, mas também um risco enorme em algumas produções que não se desenvolvem tanto na tela, e que talvez se o espectador vai sabendo algo a mais melhore bem a imersão na tela sem precisar enrolar, mas como costumo dizer, gosto que um filme tenha começo, meio e fim bem determinados aonde o "jogo" ocorra somente dentro das quatro linhas do campo, no caso os minutos de tela da exibição, pois se algo precisa de manual já não é cinema, não é arte, e por aí vai. Dito isso, hoje com o longa "Protocolo de Extermínio" fiquei pensando o tempo inteiro se ele não seria alguma adaptação de algum jogo de videogame ou alguma história que colocaram uma parte alongada na telona, mas aparentemente não é nada disso, pois o que foi mostrado na tela já começou de forma estranha, tendo um cientista/médico com uma careca tão artificial que até chega a ser bizarro de ver, depois já vira uma anarquia completa de matança (que de cara você vê que vai dar tudo errado), aí saem pelas ruas matando e a briga fica interessante com a moça protagonista no final, fora o abuso de tentar conectar a história que ela conta pra filha, e pronto, fim de papo. Ou seja, é daqueles filmes aonde a violência acaba sendo bacana de ser vista, mas que falta história, então vai ter gente que irá adorar a essência e a entrega dos personagens, mas se dizer que a história é boa vou precisar de uma explicação para ajustar o texto, pois não teve.

O longa nos conta que uma sniper do Exército precisa proteger sua filha depois que um esquadrão de super soldados geneticamente modificados escapa de uma base secreta no deserto. Sozinha, armada e sem escapatória, ela entra em uma batalha brutal contra inimigos criados para matar, enquanto mercenários tentam conter a ameaça antes que tudo saia de controle.

É interessante ver que o diretor e roteirista Adam Wingard voltou para sua origem de filmes violentos sem grandes chamarizes, pois ao passar pelas grandes produções que teve nos últimos anos, se esperava que ele continuasse nessa linhagem, e aqui ele trabalhou a essência de algo mais caótico no mundo misturando o poderio armistício dos EUA com a ideia de super-soldados do nazismo, e como aconteceria se soltassem eles no meio da sociedade. Ou seja, uma trama básica demais para as mãos de alguém que costuma florear suas dinâmicas ou então brincar com o desconhecido, e isso ficou claro de forma que ele acabou explodindo tudo sem ir muito além na tela, o que acabou não valorizando nem a violência, nem os personagens, sendo quase como algo jogado apenas como trabalho feito e nada mais.

Como já disse acima não tivemos muitos desenvolvimentos na tela, de modo que os personagens e consequentemente os atores que fizeram tudo não tiveram muito para entregar, e olha que Adria Arjona tentou em muitos momentos desenvolver algumas conversas e atitudes, mas logo nada fluía e sua Celeste precisava explodir, então fez o que tinha e botando banca ao menos foi expressiva na tela. Ainda tivemos muitos outros personagens jogados, tendo um pouco mais de destaque para Drew Starkey com seu Cyrus como um agente do governo completamente drogado tentando limpar a bagunça de sua forma, e Dan Stevens começando bem como um cientista meio louco demais, mas nada que realmente impressionasse e valesse chamar a atenção.

Visualmente a trama entregou o que propunha que era de atos com muitos tiros, violência com cortes e sangue para todos os lados, uma mistura de momentos de guerra no passado com dinâmicas mais colocadas num estacionamento de trailers, alguns atos em um posto de combustíveis e claro o começo no laboratório, além de uma abertura que tem de prestar muita atenção, afinal faz parte da "história". Ou seja, a equipe de arte gastou mais com próteses para as cenas violentas do que na composição cênica realmente, mas não fez feio ao menos.

Enfim, é um filme que dava para ter ido mais além, ter um desenvolvimento dos personagens e até uma história mais convincente na tela, de modo que o resultado final acaba sendo mediano se você não ligar para os exageros, mas qualquer deslize joga ele bem para baixo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Verity

10/01/2026 01:21:00 AM |

Quem acompanha o site sabe que gosto bastante de tramas de suspense que tenham reviravoltas bem interessantes, porém não sou fã de livros e geralmente vou na contramão dos fãs de obras famosas, então o que aconteceu comigo assistindo "Verity"? Acabei que gostei bastante, pois não sabia de nada que iria acontecer, fiquei tirando algumas conclusões precipitadas acertando algumas e errando em outras, porém entendi bastante a mensagem e a dinâmica, de modo que para quem não leu a obra, o filme funciona muito bem, mesmo com dois problemas clássicos do estilo (o excessivo uso de narração e uma protagonista meio que inexpressiva - com o mais engraçado a personagem falando que é assim em determinado momento, ou seja, escolheram a atriz perfeita!). Ou seja, talvez os fãs vão reclamar de ritmo, vão reclamar de cenas diferentes e tudo mais, mas como costumo dizer, as obras literárias ao serem convertidas para o cinema acabam tendo liberdade autoral do diretor, e isso sempre vai incomodar, então vá sem esperar muito que o resultado acontece de forma bacana!

O longa nos mostra que uma escritora chamada Lowen Ashleigh está à beira da ruína financeira quando uma oportunidade irrecusável cai em seu colo: trabalhar como ghostwriter da autora de sucesso Verity Crawford que, após um grave e misterioso acidente de carro, fica paralisada e impossibilitada de dar prosseguimento à sua obra sozinha. A convite do marido de Verity, Jeremy Crawford, Lowen se muda temporariamente para a casa do casal com o objetivo de estudar e mergulhar mais profundamente nas ideias, anotações e mente da autora. Pronta para terminar os três últimos volumes da série bem-sucedida de Verity, a jovem Ashleigh acaba descobrindo que nem tudo é o que parece quando descobre um manuscrito escondido cujas passagens relatam revelações sobre o passado da família e a tragédia sofrida por Verity.

Já tinha visto alguns filmes do diretor Michael Showalter, mas nunca tinha parado para reparar no seu estilo, de modo que aqui ao adaptar um best-seller de Colleen Hoover acabou entrando num estilo bem mais complexo do que está acostumado, e trabalhar com uma adaptação literária aonde os personagens e a trama giram em cima de escritores e livros é algo ainda mais amplo do que apenas contar uma história, pois abre precedentes para tantos vértices que se não segurar a onda, e principalmente tentar agradar os fãs, acaba entregando algo alongado demais ou que se perde na correria das dinâmicas. Claro que fui conferir sabendo que haveria algo bem invertido que só rola nas últimas páginas do livro, e que provavelmente aconteceria o mesmo no longa nos últimos minutos, então acredito que a divisão do clímax e do desenvolvimento até foi bem pautado sem precisar "correr" muito, mas ainda assim dava para ter limpado um pouco mais algumas dinâmicas e deixar o filme talvez com uns 10-15 minutos a menos, mas é uma reclamação bem subjetiva, então diria que ele foi bem na forma escolhida de trabalhar, só poderia ter "ousado" mais com somente textos na tela, e não tanta narração da escritora, mas isso provavelmente deva ter no livro, então vida que segue.

Quanto das atuações, a protagonista em determinado momento se diz sem muitas expressões, e acredito que isso também esteja no livro, então quem a equipe foi buscar? A atriz mais sem expressões possíveis do mercado, Dakota Johnson, e seu ar exageradamente calmo misturou bem com a entrega de sua Lowen, sendo um misto entre loucuras e devaneios de escritores, aonde a atriz até segurou bem as pontas, não sendo insegura, nem tão ingênua, mas agradando com o que tinha de fazer. Num primeiro momento fiquei preocupado que não utilizariam tanto Anne Hathaway com sua Verity paralisada, mas como vão mostrando as cenas com ela se desenvolvendo a atriz soube segurar o estilo forte e denso trabalhando bem a personalidade dupla do papel. Não sei qual era a expectativa do público para o papel de Jeremy, mas certamente não era a de ser Josh Hartnett, pois o ator não tem aquela pegada de galã, muito menos de marido misterioso como acaba entrando nos últimos momentos, então diria que faltou trabalhar melhor o personagem ou colocar um ator mais imponente, mas até que fez bem o que tinha para entregar.

Visualmente como em toda adaptação literária temos muitos detalhes sendo mostrado em closes detalhados como móveis, objetos, livros, camas e tudo mais, numa mansão até bem imponente, e assim é claro que os fãs vão fazer as devidas comparações, de tal forma que o lugar em si é meio que assustador com uma pegada densa no meio de tanta neve, que talvez até poderiam ter brincado mais com isso, mas como não era a proposta ainda tivemos alguns escritórios, livrarias e até o apartamento bagunçado da protagonista no começo, além de um acidente bem impactante logo de cara, então a equipe de arte até foi bem no que fez na tela.

Enfim, gostei até mais do que imaginava que iria gostar, pois como não sabia nem do que se tratava a história do livro, e acho que vi uma vez só o trailer (ou nem isso), fui apenas com o comentário da reviravolta impactante que teria no final, e assim sendo recomendo fazerem o mesmo de ir sabendo o mínimo ou quase nada sobre o longa para gostar mais, porém como é um livro que explodiu nas bocas e leituras de mundo afora, a maioria irá comparar as coisas, e assim talvez não se apaixonem tanto pela entrega em si. Sendo assim eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, afinal essa semana veio com muitas estreias, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - King Ivory: Vício das Ruas

9/27/2026 01:42:00 AM |


Sabemos bem o quanto o mundo do tráfico é gigantesco mundo afora, e embora os EUA passem um ar de certinhos, lá existem gangues e grupos variados que vendem e consomem os produtos de outros países, e essas rixas entre eles acaba sendo até algo complexo que na variedade de preços quem acaba levando a pior são os usuários. A ideia em si do longa "King Ivory - Vício das Ruas", que pode ser conferido na Amazon Prime Video, até tem uma dinâmica interessante em cima dos grupos e dos usuários que por vezes até são filhos de policiais do grupo anti-drogas (como é o caso do protagonista), mas tentaram movimentar e colocar tantas dinâmicas, pessoas e grupos que acabamos nos perdendo na amarração novelesca que acaba acontecendo, levando muito pouco para realmente algum tipo de filosofia maior como a que é colocada nos últimos atos. Ou seja, é o famoso filme que o diretor quer mostrar tanto serviço que se perde no miolo e tenta enfeitar no final para que o lado moral funcione, mas isso é algo meio impossível de funcionar, e assim o resultado acaba sendo mediano demais.

O longa é um thriller sobre a epidemia de fentanil que assola os Estados Unidos. King Ivory é o nome que a substância fentanil ganhou nas ruas. A trama se passa em Tulsa, no estado de Oklahoma, e acompanha o combate policial ao tráfico na figura do agente Layne West. Junto com seu parceiro Ty e o investigador do FBI Beatty, Layne torna seu trabalho a missão de sua vida. Prender os responsáveis pela comercialização não é apenas uma ambição profissional, mas um desejo pessoal, já que, por uma coincidência infortuna, seu filho Jack se torna uma vítima do vício em fentanil. Layne, então, se vê no meio de um lucrativo e internacional negócio que envolve cartéis, gangues, imigrantes e detentos, além de conspirações e complôs dentro de penitenciárias. Nesse drama de ação é revelado os passos de toda uma cadeia de comércio ilegal de droga, demonstrando seus efeitos nefastos para a sociedade.

É interessante que o estilo do diretor e roteirista John Swab é o de fazer filmes de ação policial, então poderia ter ido ainda mais além no combate, sem precisar enfeitar tanto ou ter tantos personagens "principais", pois o filme acaba se dividindo em tantos vértices que você fica pensando se vai torcer para o rapaz que queria ser médico, quase morreu no caminhão e virou motorista de drogas, se vai querer entrar mais na relação complexa do garoto com a família e as drogas mexendo na sua cabeça, se vai conhecer um pouco mais do ex-detento explosivo e sua família após a saída da prisão, ou então na caça do policial ao principal traficante de fentanil, e essas várias subtramas juntas até se complementam, mas não encaixam como um viés funcional que agradasse para uma história maior, fazendo apenas com que o filme ficasse longo e o diretor não pudesse explorar tanto as situações.

E já que o filme tem tantas sub-histórias, se eu ficar falando de personagem por personagem e ator por ator vou passar a noite aqui escrevendo, então vou focar no protagonista James Badge Dale que fez um West imponente e cheio de expressões com suas prisões e dinâmicas, mas nada que empolgasse muito. Também preciso citar Jasper Jones como um Jack interessante, mas que como seu personagem não é tão desenvolvido acaba ficando um zumbi drogado desesperado quando vê o que as drogas causam realmente. E Ben Foster totalmente diferenciado com seu George "Smiley", que tendo um aparelho na garganta para falar, talvez merecesse um desenvolvimento maior para chamar mais atenção, pois sua frieza é imponente e consegue chamar muita atenção na tela, mas apenas acaba sendo jogado nas situações. E para fechar a lista colocaria ainda Graham Greene fazendo sempre bons personagens de nativos, aqui como um líder da facção indígena dentro da cadeia trabalhou bem suas expressões, enquanto Michael Mando fez um traficante explosivo com seu Garza, mas meio que estranho demais com seu cabelo pintado na cabeça.

Visualmente o longa não tem muito o que mostrar na tela com um lado artístico, tendo uma prisão tradicional norte-americana com os detentos usando o tradicional uniforme alaranjado, policiais com suas fardas sem muitos detalhes, caminhões com imigrantes tentando cruzar a fronteira México-EUA, carros com drogas vendendo normalmente como se fossem balas, algumas fábricas caseiras de drogas e nada mais, sendo bem básico aonde a equipe de arte nem gastou muito do orçamento.

Enfim, é um filme mediano que tem uma proposta talvez mais de mostrar os problemas das drogas atuais como um todo dentro da sociedade, mas que ao atacar tantos lados acabou não acertando nenhum direito, e isso acabou resultando em algo novelesco demais e sem grandes chamarizes para conectar como poderia. Sendo assim fica a minha recomendação de play apenas se não tiver nada melhor para conferir, e fico por aqui hoje, voltando em breve com mais textos.


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Netflix - Unabomber

9/26/2026 01:44:00 AM |

Minha mente funciona da seguinte forma: mesmo nome, mesmo filme, e pronto! Tanto que quando recebi no começo do mês a lista de estreias da Netflix, e vi o nome "Unabomber", já imaginei que tinham comprado os direitos do filme que vi há muito tempo e apenas estavam colocando na lista de catálogo deles, e simplesmente ignorei, até semana passada aparecer uma matéria como Jacob Tremblay tinha crescido e melhorado ainda mais seu estilo interpretativo no filme. Aí a ficha caiu que era um novo filme sobre o terrorista que conseguiu enganar o FBI por quase 20 anos, ou seja, se em "Unabomber - Terrorista" tínhamos mais o perfil visto pelo lado já de Teddy isolado na floresta e suas dinâmicas, aqui vemos dois lados, o do jovem nos anos 50 fazendo faculdade de Matemática em Harward e debates de Filosofia, enquanto vemos uma agente do FBI nos anos 90 tentando descobrir quem era o famoso terrorista. Ou seja, é daqueles filmes amplos, que sendo quebrado em duas épocas não flui tão naturalmente, mas que tendo uma essência marcante consegue mostrar como a mente que já não era muito boa acabou piorando com o que viveu, e como o FBI errou feio nos possíveis suspeitos, demorando tanto para encontrar o terrorista.

O longa conta a história turbulenta do infame criminoso de bombas, passando de sua vida como prodígio matemático formado em Harvard até se tornar o terrorista famoso que ganhou os holofotes de todos os jornais com seus ataques violentos. O passado conturbado de Ted Kaczynski é revelado quando o criminoso é caçado pela agente do FBI Joanne Miller, demonstrando as consequências amedrontadoras do isolamento e da ambição.

Diria que o diretor Janus Metz melhorou muito seu estilo após os problemas de seu longa anterior, de modo que abandonou bem o estilo mais documental e focou nas dinâmicas mais ficcionais para que seu filme aqui fosse ainda baseado em fatos reais, mas tivesse aquele elo mais amplo para se desenvolver, de modo que vemos uma história cheia de facetas, e que usando do artifício da quebra temporal (duas histórias paralelas ocorrendo em épocas diferentes) conseguiu com que a trama tivesse personalidade e fosse até melhor vista talvez como dois filmes separados, mas que ao optar por juntá-los não deixou brechas para enrolações e acabou ficando até mais interessante do que aparentava. Ou seja, é um filme que faz você talvez ter um pouco de "pena" do terrorista pelo estilo entregue pela ótica do diretor, porém isso é algo muito comum nesse estilo true-crime, e assim sendo funcionou bem para o desenrolar completo. Aliás, diria que se juntar essas duas vertentes colocando no meio o outro longa que citei, forma melhor ainda toda a ideia do personagem principal.

Quanto das atuações, lá em 2017 já apostamos muito que se não desvirtuasse para caminhos ruins Jacob Tremblay viraria daqueles atores imponentes e cheios de personalidade, pois o garotinho tinha estilo e sabia muito bem se entregar para seus personagens, pois bem passaram-se 9 anos e cá estamos elogiando ele agora como um jovem ator mais promissor ainda, que facilmente veremos brigar por premiações maiores muito em breve, pois a entrega que deu para seu Theodore, ou melhor Ted Kaczynski, são tão intensas e marcantes, aonde vemos testes de personalidade e ele se entrega com olhares e dinâmicas tão presentes que acredito que os demais atores até ficaram receosos com o que estavam vendo ali em cena, ou seja, deu show. E olha que o longa ainda teve um Russell Crowe cheio de facetas para seu personagem Henry Murray, uma Annabelle Wallis belíssima e cheia de nuances com sua Christiana Morgan, e nos anos 90 tivemos uma Shailene Woodley com muita personalidade para sua Joanne Miller entrando em bons debates com Alexander Ludwig fazendo um Leo Driver mais explosivo, ou seja, um elenco de peso que funcionou muito durante todas as cenas.

Visualmente a equipe de arte trabalhou muito, afinal já teve o trabalho de criação dos anos 90 que não é muito diferente do de hoje, mas tem suas diferenças, criando as casas, cafeterias e departamentos de polícia, trabalhando com faxes e telefones comuns, além de decorações e figurinos, mas sem dúvida o trabalho gigante foi para os anos 50, para mostrar o jovem em Harward e os experimentos com polígrafos da época e muitos elementos para o estudo da personalidade, além de casas e quartos e claro festas requintadas, ou seja, conseguiram trabalhar com uma essência bem marcante e cheias de nuances para criar toda a tensão no ar e a desenvoltura dos personagens ficarem bem realistas nos ambientes.

Enfim, não é uma obra imponente da sétima arte que aplaudiríamos numa sessão de cinema, mas é tão bem atuada e desenvolvida que acaba causando algumas sensações estranhas, principalmente ao vivenciarmos um pouco mais da mente do personagem com as situações que viveu, e assim sendo o resultado acaba valendo a conferida e a indicação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Ilha Esquecida (Forgotten Island)

9/24/2026 11:38:00 PM |

O longa "A Ilha Esquecida" ficou em pré-estreia por duas semanas, e incrivelmente eu não consegui conferir ele antes da estreia oficial, e olha se arrependimento matasse, eu estaria mortinho, pois que animação gostosa de ver, com um propósito bem marcado, interações dinâmicas bem encaixadas, personagens interessantes em uma trama completamente diferente do tradicional, de modo que a criançada vai se divertir com as cores e com algumas entregas do começo e do miolo, mas quando a proposta parte para um lado mais denso nos atos finais diria que a trama fica adulta até demais, o que não é ruim de forma alguma, mas nem toda garotada irá pegar as referências, então talvez percam a paciência e não se envolvam mais tanto. Ou seja, é o estilo Dreamworks de trabalhar temas sérios com uma pegada mais explosiva e divertida que funciona demais, aqui usando bem trejeitos que vem chamando a atenção já faz tempo nos mangás e com uma dinâmica mais intensa bem desenvolvida o resultado final brinca com memórias e símbolos, que acaba agradando demais no resultado final.

O longa se passa nas Filipinas na década de 90 e acompanha duas melhores amigas de infância chamadas Jo e Raissa que prometem permanecer juntas para sempre. Recém-formadas no ensino médio, as duas agora, porém, seguirão caminhos distintos, com Raissa prestes a se mudar para os Estados Unidos. Enquanto celebram sua última noite juntas, as duas acabam encontrando um portal misterioso que as transporta para a fantástica ilha de Nakali. De repente, as duas se encontram rodeadas de criaturas mágicas e mitológicas retratadas nas histórias tradicionais contadas por suas famílias filipinas. Mas o fascinante lugar esconde uma pegadinha brutal: suas memórias gradualmente desaparecem quanto mais tempo você permanece lá dentro. Logo, quando descobrem que as lembranças de toda a sua amizade são o preço a pagar para voltarem para casa, as amigas correm contra o tempo para encontrar uma forma de deixar a ilha antes de se esquecerem uma da outra para sempre.

É interessante ver que os diretores e roteiristas Joel Crawford e Januel P. Mercado souberam olhar para um estilo que era visto somente em desenhos orientais, e que ao desenvolverem uma trama alegre e cheia de nuances conseguiram criar aquele algo a mais para que nos envolvêssemos com dinâmicas sobre amizades e sínteses emocionais, pois temos muitas mensagens na trama, claro sem perder a essência explosiva e divertida de cores e personagens diferenciados. Ou seja, vemos um trabalho que tem muita cara de diretor com experiência de anos, mas com uma pegada mais intensa e criatividade de novatos, aonde tudo funciona bem, tudo tem formas (não tantas texturas) e assim com ângulos e traços ousados o resultado expande e agrada demais.

Quanto aos personagens só tenho a dizer que raramente vi protagonistas conduzirem tão bem suas tramas na tela, de modo que tanto Jo com seu ar mais explosivo sem pensar em nada se jogando por completo em tudo, quanto Raissa mais centrada, porém querendo muito arrumar a confusão que entraram, demonstraram em suas dinâmicas personalidade e segurança, sendo daquelas que não conseguimos tirar os olhares, mesmo tendo outros personagens mais bonitinhos e bobinhos para tentarem dar as quebras, ou seja, não vemos na tela personagens carismáticos que nos conectemos facilmente, mas sim entregas tão boas que você acaba assimilando e se envolvendo do começo ao fim. Valeria citar muitos outros personagens bacanas, entre eles a vilã e os amigos que acabam fazendo durante a jornada, mas quem mais me atingiu pela forma de falar e o visual foi a Batiba, sendo daquelas personagens marcantes e intensas nas atitudes que você fica pensando o quanto o roteirista e diretor pensou para criar, pois tem de tudo ali e funciona demais.

Visualmente o longa é bem colorido e cheio de elementos mágicos para pegar bem entre os menores, mas também tendo uma preocupação com não ter apenas coisas jogadas, mas tudo fazendo muito sentido como os tapetes mostrando o que elas fizeram na noite anterior, várias fotos, os berloques das pulseiras para representar os momentos vividos por elas, toda a construção dos seres míticos, e muito mais, mostrando que a equipe de arte trabalhou bem centrada para que cada detalhe fizesse parte de algo muito maior, e assim sendo o acerto em cores mais escuras para os atos mais densos e cores mais vivas para as dinâmicas mais felizes acabou dando muito resultado na tela.

Enfim, não é uma animação fácil de se assimilar, muito menos algo pesado demais para desandar e sair pensando em mil coisas após a conferida, mas tendo traços diferentes do usual, e uma história potente acabou sendo marcante e valendo demais a recomendação para todos. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Marido de Aluguel

9/22/2026 01:00:00 AM |

O humor pastelão é daqueles que você ama ou odeia, tendo raríssimas produções aonde o meio do caminho acaba "funcionando", e hoje acho que fui conferir "Marido de Aluguel" com tantas pedras para atacar que acabei até rindo em determinadas cenas, pois o longa até funciona como um passatempo razoável, aonde um misto entre as bagunças que já vimos em outras obras com algumas piadas bobinhas que agradam dentro da proposta acaba levando o resultado para dentro do aceitável. Ou seja, não é daquelas comédias que você vai se mijar de tanto rir, mas a ingenuidade do personagem principal com seus trejeitos, junto de de situações bizarras que acabam acontecendo funciona, principalmente por ser bem curto na tela, afinal em 84 minutos (que poderiam fácil virar uns 70) conseguiram divertir e ser algo meio que trapalhado, e assim o tempo flui e você até ri.

O longa nos mostra que Alice está falida, endividada e sem condições de manter a casa em pé. Sem grana e sem sossego, ela já tinha perdido as esperanças, até que Vadeco aparece: um marido de aluguel de boa lábia, jeito excêntrico e solução pra (quase) tudo, por um preço camarada. Mas quando o ex-marido de Alice foge da prisão disposto a virar a vida da família de cabeça para baixo, Vadeco descobre que, debaixo do jeito estabanado, mora um herói improvável... e talvez o único capaz de salvar aquela bagunça.

O estilo cômico do diretor e roteirista Paulo Fontenelle é bem mais próximo do pastelão forçado do que o de uma trama que faça você rir pelas situações e/ou piadas inseridas, de modo que ele atinge seu público alvo de um modo facílimo e irrita outro na mesma intensidade, afinal o simples pode ser mostrado de várias formas, e aqui o diretor não tenta ir mais além, ele apenas monta sua dinâmica que você já enxerga praticamente com menos de 10 minutos de filme, e ali ele vai brincando com piadas, com músicas e algumas dinâmicas, que volto a frisar, que fazem rir, e assim vemos as coisas acontecendo e nem esperamos nada demais, e ele vai além, faz toda uma traquitana no melhor estilo de "Esqueceram de Mim", brinca antes com a pegada de "Corra Que a Polícia Vem Aí"/"Austin Powers", e ali toda a trapalhada até se desenvolve, mas falta a originalidade, e aí ao não acontecer ele precisa apelar, o que acaba mais incomodando do que divertindo.

Quanto das atuações, me incomoda demais Maurício Manfrini querer ser um novo Didi Mocó com suas piadas/trejeitos bobinhas com segundas/terceiras intenções, e aqui seu Vadeco tem um estilo até com uma certa personalidade que pensei que fosse ir por outros caminhos, mas não consegue ir muito além, e isso pega quando precisa não ser apenas alguém bobo na tela, de modo que funciona para a proposta, mas dava fácil para criar ali um personagem marcante que lembraríamos muito em qualquer outra exibição. Há muito tempo atrás, Mariana Xavier tentava ser engraçada junto de Paulo Gustavo, e mesmo ele dando todas as deixas possíveis a atriz/humorista não explodia com algo engraçado, então agora que não tem mais as deixas ela força, de modo que sua Alice tem uma pegada cômica sozinha pelo desenrolar da vida, e bastava fazer isso com um gracejo que agradaria demais, mas optou por gritar e se desesperar, o que nunca funciona na tela. Quanto aos demais, a maioria são personagens meio que bagunçados demais, tendo um leve destaque para Heitor Martinez com seu Roger por ser o antagonista de tudo, mas seus atos são simples demais para o resultado que a trama pedia mais.

Visualmente a trama fica dentro de uma mansão com vários problemas, tendo a TV passando somente o canal pet com a famosa cena dos frangos girando, tiveram alguns momentos em um motel que mais parecia um hotel com as acomodações, muitos momentos dentro de um carro, e claro toda a armação para pegar os bandidos com várias traquitanas bem montadas, aonde o filme até funciona de forma barata e simples, sem jogar muito com os patrocínios, o que é comum em tramas do estilo.

Enfim, é uma trama simples que resulta em um filme até que divertido, mas que quem não é fanático por dinâmicas mais forçadas com toda certeza irá se incomodar bastante com a entrega na tela, e assim sendo não é algo que posso recomendar para todos, mas quem for disposto a curtir ele a partir do dia 24/09 até vai gostar do que verá. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Imagem Filmes e da Sinny Assessoria pela cabine, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Antártida

9/21/2026 12:49:00 AM |

Se tem algo que me deixa muito feliz é ver um filme nacional que funciona na tela de maneira solta, como algo simples, bem feito, com mensagem forte, e principalmente sem precisar enfeitar muito na tela, de modo que em pouco tempo causa o mistério, desenrola toda a trama e ainda mostra algo que é tratado como comum e não deveria. Ou seja, "Antártida" é o famoso filme potente de suspense, que até tem traquejos bem novelescos dentro das dinâmicas, mas que deixa isso de lado para que o assunto impacte com bons atores e bons diálogos, e assim sendo impacta na medida que consegue construir a história que estava na ponta da agulha o tempo todo.

O longa nos mostra que na estação de pesquisas brasileira na Antártida, a equipe formada por cientistas e militares se prepara para uma vigorosa temporada de inverno. Mas na primeira noite uma jovem cientista é violentada. Sem conseguir identificar seu agressor, ela será forçada a conviver com ele durante toda a temporada. A subcomandante da base inicia uma investigação implacável e não descansará, enquanto não descobrir quem cometeu o crime.

Gosto de ver também na tela a evolução do diretor Bruno Safadi, pois se seus longas anteriores eram tão abstratos e fechados somente para um público de festivais (aliás, milagrosamente eu assisti a dois deles!), com sua passagem por grandes séries de sucesso ele acabou migrando para um rumo comercial forte, mas ainda assim apontando seu dedo para as críticas da sociedade, e aqui em sua obra mais cinematográfica realmente para o grande público, ele trabalhou com um elenco primoroso e deu um viés forte que é a discussão do estupro e/ou abuso de mulheres em profissões comumente cheia de homens, como numa marinha ou ainda mais numa pesquisa científica em um lugar remoto, aonde ocasionalmente rolam essas situações degradantes, e por muitas vezes acabam sendo abafados pela mídia, pela sociedade em si, ou até mesmo pela política. Ou seja, o diretor conseguiu trabalhar algo grande mantendo a pontuação íntima, e isso é ser bom no que faz.

Quanto das atuações, mais uma vez Andrea Beltrão dá um show de personalidade com sua Elizabeth, encarando e botando banca em diversos personagens de patentes até maiores que a sua, mas sendo direta em olhares e afirmações, sabendo pontuar e se expressar com unidade, mostrando o tamanho de sua atuação, ou seja, fez com que o filme que originalmente não giraria tanto em cima dela se tornasse dela, e isso foi muito bacana de ver. Já Marina Ruy Barbosa tem estilo, tem personalidade forte, mas me incomoda um pouco seu ar "jogado", de modo que parece não estar segura de seus papeis, explodindo e ficando forte somente nas explosões, e isso pode fazer dela alguém sempre no mesmo papel, o que não é interessante, mas aqui sua Inês precisava desse traquejo, e ela fez bem. Lázaro Ramos é forte e denso sempre aonde entra, e aqui seu Vicente transita entre o caos e a explosão, sendo não apenas o alvo, mas também dando motivos para isso, e a "piada" que é construída por seu personagem de que o motivo da cor foi a escolha de indicar o culpado culmina também com o que muitos acham, mesmo fazendo motivo para ser o escolhido, e o ator deu o tom forte sabendo disso. Ainda tivemos um Antônio Calloni marcante com seu Barros, um Gero Camilo sempre determinado, uma Leandra Leal imponente e chamativa com poucas cenas, entre muitos outros, sendo um elenco forte e que facilmente conseguiriam manter suas narrativas bem impregnadas para uma trama ainda maior.

Visualmente é até engraçado que o longa pareceu realmente filmado na Antártida, mas foi praticamente todo feito no Rio de Janeiro, de forma que conseguiram mostrar muitas cenas dentro dos interiores, e trabalharam poucas externas, tendo os ambientes mais fechados como uma sala de estar, uma de reuniões, alguns quartos e claro toda a vestimenta dos personagens remetendo demais ao frio extremo do continente gelado, ou seja, a equipe de arte soube ser bem criativa e ousada para não precisar gastar muito com a neve ou o deslocamento dos atores, e isso deu um ar frio bem marcante para o projeto por completo.

Enfim, é um filme intenso com uma proposta marcante, que tem falhas e que muito provavelmente por ser da Globo Filmes será dividido em capítulos e lançado como série colocando mais cenas para dar um volume maior na TV, mas que como cinema de 94 minutos funcionou muito bem na telona e vale a conferida com toda certeza para se discutir o tema dos abusos, então fica a dica para todos. E é isso meus amigos, fico por aqui fechando o final de semana bem feliz que todos os longas que estrearam foram bem bacanas de conferir, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Coração Selvagem (Heart of the Beast)

9/20/2026 01:42:00 AM |

Para as pessoas que amam cachorros ver filmes aonde o protagonista é um já bate mil inseguranças, a primeira é se não mataram o cachorro até o final, pois pode morrer o elenco inteiro, sobrevivendo o cachorro o longa já vale pelo menos uma nota boa, e depois se ele foi bem tratado durante as filmagens, pois alguns treinadores acabam forçando a barra dos pobres animais para que o filme funcione melhor. E dito isso, a resposta é sim para as duas perguntas em "Coração Selvagem", um longa de sobrevivência tão intenso que ambos os protagonistas se entregam ao máximo em suas cenas, com Uber se destacando demais com seu Odin, e Brad Pitt sendo um coadjuvante de luxo para o cachorro, aonde a entrega é tão marcante que sofremos junto com eles do começo ao fim, em um longa que impacta mais com as essências dos personagens em suas dinâmicas do que realmente como uma história boa, e sendo assim muitos não irão dar grandes notas para o longa, mas que valeriam, isso sim valeriam.

o longa acompanha James Belmont, um ex-militar das Forças Especiais que se torna vítima de um terrível acidente de avião no Alasca. Sem qualquer sinal de civilização por perto, James está isolado em uma das regiões mais hostis e selvagens do planeta. Contando apenas com a companhia de seu cão de combate, Odin, para lutar pela sobrevivência, ele enfrenta desafios físicos e emocionais cada vez maiores. Essa jornada para manter-se vivo revelará que a esperança e a determinação podem surgir nos lugares mais inesperados.

Uma das coisas que mais gosto do diretor David Ayer é que ele não liga se a ação que vai entregar faz muito sentido para o público e/ou pode ser algo muito real de se acreditar, de modo que algumas situações que entregou aqui certamente muitos vão falar "nossa que absurdo isso, com certeza teria morrido!", mas para o cinema e para a ficção funcionar algumas vezes temos de relevar e entrar na onda que a história ali nos mostra para envolver e emocionar. E dito isso, ele como é um diretor característico de filmes de ação, aqui como a trama é de sobrevivência acabou dando algumas nuances fortes até demais, ao ponto que fez sofrer tanto os personagens quanto o público com muitos atos fortes, mas que de um modo geral fecha bem na tela e consegue impactar. Ou seja, o diretor conseguiu fazer uma trama forte, emocionante, densa e cheia de nuances, mas para isso precisou apelar um pouco, e assim sendo muitos vão acabar se incomodando e reclamando mais do que gostando, porém friso que isso faz parte e quem deixar se levar vai gostar muito.

Outro ponto bem bacana da produção é que não colocaram dezenas de personagens inúteis na produção, apenas o homem, o cão, um viajante e a mãe natureza atacando eles com gosto em suas falhas, tendo sim alguns pontos de flashback da guerra, mas ali sem precisarem mostrar muitos rostos ou dinâmicas, apenas para dar o conteúdo funcional, e claro também a garota do começo e do final. Dito isso, não sei se Brad Pitt encarou todos os perrengues de seu James ou se foi seu dublê que sofreu bastante, mas a entrega expressiva de dor, a movimentação debilitada e todos os diálogos dele com seu cachorro (que parecia entender muito bem) foram interessantes e bem feitas, então talvez seja lembrado nas premiações pelo simples fato de parecer muito com o que aconteceu com Leonardo Di Caprio em "O Regresso", mas isso só o final do ano dirá. Já o cachorro Uber que aqui interpreta Odin pode comprar já seu smoking que vai com toda certeza receber o troféu animal em todos as premiações que existir, pois ele foi extremamente expressivo, cheio de olhares e interações fortíssimas muito bem colocadas na tela, e principalmente foi impactante com tudo o que lhe ocorre em cena, e pasmem foi muita coisa (aliás, não é spoiler por já ter isso na internet dito pelo próprio diretor, o cão não morre no filme, e ele na vida real tem as quatro patinhas boas e a dentição saudável também, então podem ficar bem tranquilos). Quanto aos demais, J.K. Simmons apareceu no miolo para dar algumas frases de efeito, meio como apenas uma passagem simbólica, e Anna Lambe foi bem colocada para dar o fechamento devido, mas sem nada que chamasse muita atenção.

Visualmente acredito que foram realmente para uma floresta filmar tudo, afinal o realismo predomina bastante na tela, tendo muitos obstáculos para os personagens, diversas cenas de acampamentos, mergulhos em lagos e caminhadas em pântanos, regado a ursos, lobos, pássaros e roedores, além de pedras, correntezas e travessias difíceis, mostrando que o Alasca não é só as geleiras que tanto imaginamos, ou seja, a equipe de arte escolheu bem os locais para desenvolver a história, e funcionou muito com muitos elementos como bússolas, mapas, coletes com medicamentos, facas e tudo mais, isso claro sem falar nas poucas cenas de guerra que precisaram filmar para os flashbacks, montando uma invasão e alguns momentos de descontração entre os personagens aonde foram.

Enfim, é um tremendo filmaço que vale demais a conferida, principalmente para os amantes de animais que certamente ficarão bem impressionados com as atuações de Uber e claro com o seu envolvimento com Pitt que passou por um rigoroso treinamento junto do cachorro para se conectarem bastante. E é isso meus amigos, o longa estreia oficialmente na próxima quinta 24/09 nos cinemas, e com toda certeza indico ele para todos. E eu fico por aqui hoje, voltando amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Resident Evil

9/19/2026 02:23:00 AM |

Se tem algo que me deixa feliz é conferir um filme que tem uma proposta para acontecer e acaba funcionando redondinho sem precisar de enrolações ou exageros desnecessários. E sabemos muito bem que a maioria dos filmes baseados em jogos de videogame dão errado, não agradam os fãs, e por vezes até saem completamente da essência que a trama pedia, e olha que a maioria dos jogos possuem roteiros bem elaborados que um bom diretor só precisaria executar, mas inventam moda e acaba falhando. E hoje depois de uma tonelada e meia de adaptações bagunçadas e sem nexo algum, conseguiram finalmente fazer um "Resident Evil" que mereça o nome que tem, aonde tivemos muitos sustos no público, sangue para todo lado, armas condizentes (nada de arsenal imenso a disposição), personagens bem encaixados com pegadas cômicas e funcionais, e principalmente uma história interessante, não sendo algo de outro planeta, mas que agradasse quem fosse conferir, e pasmem, com apenas 90 minutos de projeção que acaba deixando com gostinho de quero mais, e claro aberto para continuações. Ou seja, funcionou com gosto!

O longa gira em torno de Bryan, um entregador de órgãos que está a caminho do Hospital Geral de Raccoon City para deixar uma encomenda. No entanto, o que deveria ser apenas mais uma entrega em uma noite de neve se transforma em uma corrida desesperada pela sobrevivência quando criaturas estranhas surgem na cidade. Sem entender o que desencadeou os eventos violentos que estão acontecendo, Bryan liga para a sua namorada para se despedir e tenta encontrar uma saída enquanto descobre que o problema é muito maior do que imaginava.

Pois bem, se antes tínhamos dúvidas se o diretor Zach Cregger tinha apenas dado sorte de fazer dois bons filmes de terror, fazer a categoria voltar a ter lugar nas premiações e encher os cinemas, agora não temos mais, ficando claro que ele é um fenômeno do estilo, sabe aonde botar sua mão e desenvolver algo sem ficar com cópias, sendo bem original e intenso em tudo, e o melhor colocando pitadas cômicas para dar o relaxamento certo. Ou seja, ele enxerga bem aonde talvez sua trama vai ter uma quebra, que por vezes muitos diretores encheriam de mais história e enrolações, e ele pega dá uma sacada cômica e já volta no rumo, meio como o famoso quebrar o gelo em reuniões chatas, e isso é brilhante, pois o gênero é um dos poucos que aceita misturas, e aqui ao pegar algo que já foi tão batido como é o caso da franquia de jogos da Capcom, e criar algo completamente novo para ser desenvolvido na tela em pouco tempo, e ainda assim ficar extremamente semelhante ao clima dos jogos, foi seu acerto máximo e já podemos ver chovendo roteiros em suas mãos, e claro que aguardaremos, afinal já tem sua assinatura.

Quanto das atuações o filme é apenas de Austin Abrams com seu Bryan como um completo palerma que entra nas mais impossíveis situações para fazer a sua entrega, sendo daqueles que você ao mesmo tempo que cria um carisma também acaba xingando pelas burrices que faz, e o ator soube aproveitar demais seus momentos do começo ao fim, tendo presença e desenvoltura para que o papel funcionasse bastante, o que é raro acontecer em filmes de terror, principalmente em algo que já teve personagens no melhor estilo brucutu possível, ou seja, ele se desenvolveu bem e acabou entregando muito para o público, e claro, para o filme. Ainda tivemos outros personagens aparecendo em cena, sejam cientistas, médicos ou até monstros e zumbis, mas sem grandes destaques interpretativos, tendo um leve destaque cômico para Paul Walter Hauser e Zach Cherry, mas também nada que impressione pela essência colocada na tela.

Visualmente o longa é incrível, e felizmente o diretor fez questão de filmar realmente a maioria das cenas sem computação gráfica, tendo carros abandonados, muita neve, frio, sangue voando para todos os lados e somente nos momentos impossíveis de se recriar como os monstros grudados e as raízes saindo dos corpos que botou os computadores para trabalhar, mas tendo muitos ambientes escuros na medida certa para vermos tudo, alguns cômodos bem semelhantes aos que víamos nos jogos, cachorros mutantes, ratos, e corpos de todos os estilos, algumas armas mais simples como um revolver, uma espingarda e um rifle, sem muitas invenções para que tudo se encaixasse bem na tela.

Enfim, é um filme que gostei muito, levei vários sustos que cheguei a misturar gritos com risadas, e que funcionou demais para o que eu realmente estava esperando de um filme baseado em um jogo que curti na época mais jovem, que claro não tem um personagem imponente como os demais da franquia, mas que justamente por isso aproximou mais o espectador do jogador comum, aquele que vai jogar sem saber regras e sai fazendo o que dá conta, além de que o diretor usou muita perspectiva de câmera em primeira pessoa, de modo a parecer que estávamos jogando sendo o personagem, e isso já fez valer o ingresso. E é isso meus amigos, fica a recomendação de conferida, e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Gatos no Museu 2: Tesouros do Egito (Коты Эрмитажа 2. Тайна египетского зала) (Cats in the Museum 2)

9/17/2026 07:19:00 PM |

Sei que os diretores russos do filme "Gatos no Museu" não leram a minha crítica do primeiro filme para fazer o segundo, "Gatos no Museu 2 - Tesouros do Egito", mas se lá eu reclamei de fazerem um filme com uma ideia impactante de forma bobinha que não agradava nem os pequenos nem os adultos, aqui optaram pelo estilo mais infantil, porém com uma boa pegada para não dar sono nos adultos, e dessa forma a trama entrega bons momentos na tela, levando os gatos do Museu Hermitage agora para o Egito em busca de uma lâmpada lendária que teria um gênio para realizar os pedidos deles, e contando com dinâmicas simples e até bobinhas, acabaram brincando com a essência na tela, levando o público e os personagens por armadilhas tradicionais do estilo, que sendo bem desenhadas acabaram tendo uma imersão legal de ver acontecer. Claro que tudo é irreal de se imaginar, mas para uma animação acaba funcionando bem.

O longa traz o retorno das aventuras do gato Vincent e do rato Maurice. Quando Maurice descobre que um antigo papiro que revela a existência de um gênio extremamente poderoso, uma corrida é iniciada pela busca dele. Responsável por realizar um desejo a cada mil anos, os personagens fazem de tudo para chegar até ele, independente se isso significar atravessar pirâmides, túneis secretos e paisagens inacreditáveis ao redor do Rio Nilo. Para Vincent, essa é a oportunidade perfeita para trazer a paz ao seu núcleo familiar, já Maurice enxerga a situação como a única chance de realizar os seus sonhos. Com desejos tão diferentes, aos poucos a aventura se torna um verdadeiro teste sobre lealdade e coragem entre os dois amigos.

Como sempre falo, se você quer acertar em uma continuação, coloque o diretor original para a sequência, pois ele já sabe aonde errou no original e o que deve corrigir para funcionar melhor na tela, e aqui Vasiliy Rovenskiy voltou com muito mais técnica no design dos personagens, com uma história bem mais fácil de ser contada, e mesmo sem precisar apresentar os personagens (para quem não viu o primeiro filme), ele deu uma boa cadência nas dinâmicas, fazendo com que tudo se desenrolasse sozinho na tela, aonde as brincadeiras fizessem sentido, e até mais do que isso, pois sendo uma trama infantil, acaba introduzindo os menores que forem conferir aos famosos longas de expedições arqueológicas. Ou seja, o diretor foi criativo na entrega, e soube utilizar em seu favor as ideias de grandes filmes em algo mais ingênuo e até bobinho, porém que funciona bem.

Um ponto interessante dos personagens é que a dublagem funciona bastante, não inventando moda de querer fazer piadas e gírias jogadas, e principalmente respeitando a idade do público alvo, de modo que a inserção dos gatinhos filhotes Mona e Léo funcionou bastante ao querer a ideia tradicional de serem respeitados como adultos pelos pais, e a famosa dinâmica de gato e rato com Vincent, Cléo e Maurice deram um bom tom para as devidas confusões. Além disso tivemos a gata Olive com toda uma astúcia dupla que até os bebês que estavam na sessão viram que ela era a vilã antes dos personagens, mas as boas sacadas funcionaram para isso, então posso dizer que deu certo.

Visualmente não é daqueles longas cheios de texturas e elementos marcantes, porém a profundidade dos ambientes junto de boas cores e perspectivas dos personagens acabaram fazendo com que o longa ficasse bem tridimensional na tela, agradando com o carisma dos animais e também com as desenvolturas dos locais aonde eles vão se enfiando desde barcos nos rios até dentro dos museus e pirâmides. Ou seja, é o básico bem feito que funciona e agrada.

Enfim, passa longe de ser uma trama memorável, mas com toda certeza ficou bem melhor que o primeiro filme, é assim vai fazer com que os pequenos assistam se divertindo com o que é mostrado na tela, e os maiores não irão ficar sem cérebro vendo bobeiras na tela, o que sempre é bom de acontecer. E assim sendo fica a dica de conferida, e eu fico por aqui agora já que vou aproveitar os bons horários e encaixar mais uma estreia hoje. Então abraços e até mais tarde meus amigos.


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HBO Max - Vida Privada (Vie Privée) (A Private Life)

9/16/2026 11:42:00 PM |

Costumo gostar muito dos suspenses franceses, mas se tem algo que me incomoda em qualquer filme é jogar com comicidade para que fique bonitinho, pois ou você faz o público rir ou desenvolve a tensão e finaliza a proposta da forma certa, pois são gêneros bem opostos que não se misturam muito bem, e aqui em "Vida Privada", que pode ser conferido na HBO Max, diria que a diretora forçou um pouco demais no conceito conflitivo da protagonista, principalmente nos atos finais, pois é criado algo bem intrigante, vemos alguns desenvolvimentos interessantes com a protagonista dominando demais tudo, mas quando chega os atos finais, acontece meio como se a diretora falasse "pegadinha do Malandro, ié ié" e resolve criar um desfecho jogado, bobinho e quase que sem todas as nuances que ela criou durante o longa inteiro. De forma alguma estou dizendo que o longa é ruim, pelo contrário, até gostei bem dele quase que por inteiro, mas acabei brochando demais com a resolução, e assim até me perdi um pouco com o que esperava dele.

O longa nos mostra que uma renomada psicanalista chamada Lilian Steiner decide investigar por si própria a morte de uma de suas pacientes que, ela está convencida que foi assassinada. Lilian vive em Paris e fica devastada quando descobre que uma de suas pacientes, Paula, tirou a própria vida. Mas será que essa é a verdade? Visitas da família de Paula, como o viúvo furioso Simon e a filha taciturna Valérie, colocam Lilian no caminho de um mistério que sugere que sua paciente foi vítima de um crime. Ao lado de seu ex-marido Gabriel, a psicanalista americana mergulha numa investigação que apenas a traz mais perguntas que respostas. Até que ela vai atrás de uma terapeuta hipnótica que a faz acreditar que, na verdade, seu vínculo com Paula surgiu de vidas passadas.

Diria que a diretora e roteirista Rebecca Zlotowski até conseguiu segurar bem a sua obra, de modo que você passa o filme inteiro vidrado na protagonista e em suas dinâmicas (até meio que paranoicas demais para uma psiquiatra!) e acaba ficando esperando muito mais dela, pois vemos um crescente bem marcado como um bom suspense deve acontecer, de forma que acredito que esse deva ser o maior defeito do longa, que é ir criando sempre mais, pois se talvez ela não tivesse criado tantas neuras no público (e claro na protagonista), talvez o resultado final que foi encontrado chamaria mais atenção, o que não aconteceu. Ou seja, faltou amornar mais o miolo para ter um final também simples na tela, mas como jogou tudo no clímax, quando voltou para a realidade o crime já tinha acontecido.

Quanto das atuações sem dúvida alguma o filme é de Jodie Foster que consegue segurar do começo ao fim o estilo de sua Lilian, trabalhando entre o crer e o agir em suas dinâmicas, fazendo com que a personagem criasse um carisma gigante no público, algo raro em personagens que tem estilos psicológicos meio que quebrados, e assim com entregas duplas o resultado caminha bem na tela e empolga, mostrando o potencial que sabemos que a artista tem. Outro que foi bem encaixado na trama foi Daniel Auteuil com seu Gabriel cheio de curiosidades pelo mistério junto da ex-esposa, criando um vínculo até maior do que o normal para o personagem, sendo gracioso de ver suas dinâmicas. Já os demais personagens foram muito mal desenvolvidos, ou melhor, quase jogados na tela, de modo que Virginie Efira teve uma Paula sem grandes nuances, Mathieu Amalric trabalhou seu Simon apenas com atos explosivos meio que forçados, Luàna Bajrami ainda está se perguntando se sua Valérie realmente participou do filme, Sophie Guillemin entregou uma terapeuta até que intensa, mas com meia cena apenas, e para finalizar Vincent Lacoste ainda não entendeu sua presença no filme, ou seja, um elenco de grandes nomes do cinema francês usados apenas para preencher espaço.

No conceito visual a trama teve momentos simples espalhados entre o consultório/apartamento da protagonista, alguns atos em um velório e um enterro da paciente, algumas dinâmicas na casa de campo de um personagem, e momentos espaçados em restaurantes e no carro da personagem principal, não sendo algo muito chamativo pelas locações, mas tendo muita essência na busca dela pelo seu disquinho de gravação das consultas, ou seja, tudo bem simples e tradicional na direção de arte, como casualmente ocorrem em tramas francesas.

Enfim, é daqueles filmes que chamam a atenção pela entrega em si, que tem uma reviravolta meio que inusitada para o estilo, mas que consegue funcionar sem impactar tanto quanto poderia, valendo a recomendação com ressalvas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - O Aniversário (Anniversary)

9/15/2026 10:36:00 PM |

Sério minha gente, hoje resolvi acatar algo que muitos tinham me marcado para conferir "O Aniversário", que estreou na Amazon Prime Video, e fazia muito tempo que um filme não me batia tanto, aonde as mensagens em si são fortes, e o desenvolvimento impacta como nenhum outro, pois ao mostrar uma mudança política imponente nos EUA, o conflito que isso causa numa família e na sociedade. E mais do que isso, a forma comparativa com tudo o que anda ocorrendo mundo afora, nos mostra que a possibilidade de algo não tão forte assim, mas muito semelhante, não é mera ficção. Ou seja, é daqueles longas que tem um viés político, que faz com que pensemos em nossas escolhas, e o que uma mudança radical nos costumes, direitos e deveres pode causar em tudo.

O longa acompanha a aparente perfeita e unida família dos Taylor. Durante o aniversário de 25 anos de casamento de Ellen e Paul Taylor, os votos de felicidade e as histórias familiares demonstram uma vida privilegiada e próspera ao lado dos quatro filhos, Josh, Anna, Cynthia e Birdie. Tudo começa a desmoronar, porém, nesse mesmo almoço, quando uma antiga aluna da matriarca reaparece como a elegante namorada do filho Josh. Enquanto Liz começa a se infiltrar cada vez mais no seio doméstico, tensões se iniciam e lealdades até então indestrutíveis são testadas. Liz faz parte de um movimento controverso chamado "A Mudança" que traz à tona conflitos latentes e as rachaduras de um ambiente doméstico, em muito, semelhante ao estado incerto, desafiador e alarmante da nação americana.

O diretor e roteirista Jan Komasa é daqueles que mistura tão bem o real com o ficcional que acabamos ficando com muito medo de suas propostas, ao ponto que ele parece conseguir adentrar nas piores ideias da humanidade (e sim elas são muitas, e mais reais do que sequer imaginamos) e faz isso virar filmes aonde acabamos ficando tementes para que nada disso ocorra um dia, pois é realmente assustador. E digo mais, raramente fico com receios ao ver filmes de terror, mas hoje ao final do filme eu já estava assustado e revoltado com alguns personagens (e aí entra a síndrome antiga do noveleiro, e começo a brigar com eles). Ou seja, o que o diretor polonês fez aqui mostra que ainda segue a linha imponente que lhe garantiu diversos prêmios nos longas anteriores, e que ainda gosta de cutucar as feridas da sociedade, pois aqui com luvas bem seladas ele deixou sua marca aonde deveria.

Quanto das atuações, Diane Lane pegou sua Ellen com um ar forte e cheio de personalidade, aonde ela vê que estava certa desde o princípio contra as ideias da futura nora, e fazendo um misto entre surtos e imposições a atriz conseguiu puxar a trama para si sem deixar os demais apagados, o que é algo dificílimo, mas que mostra técnica e acaba acertando demais. Kyle Chandler também trabalhou muito bem seu Paul, sendo imponente na medida, mas deixando um ar mais sereno durante boa parte da produção, até claro chegar nos seus atos finais mais explosivos, aonde deu toda a nuance e acertou bem também. Por incrível que pareça não tinha reconhecido Dylan O'Brien como Josh na tela, pois o ator sempre fez personagens sutis e calmos, que mesmo em situações mais intensas acabava indo por uma linha mais tênue, e aqui esse estilo foi tão fácil de se ocultar que ele acaba virando literalmente um monstro, que com boas nuances de personalidade acabou marcante e certeiro para o que o filme precisava. Phoebe Dynevor foi tão fina no estilo de sua Liz, que de cara sabemos que vai aprontar, mas a atriz conseguiu ir dosando suas entregas com uma frieza e imposição persuasiva que conforme vai trabalhando as cenas aparenta até ir para alguns outros rumos, mas no final ela entrega. Ainda tivemos bons momentos de Madeline Brewer como uma Anna mais descarada, cheia de imposições e intensidades que acaba sendo um problemão para os demais personagens (e até valeria algumas cenas a mais dela), tivemos Zoey Deutch mais fechada com sua Cynthia dividindo bem as dinâmicas junto do namorado/marido vivido por Daryl McCormack, e uma Mckenna Grace aparentemente simples com sua Birdie, literalmente apenas voando nas dinâmicas da trama, sendo tranquila na essência, mas com uma explosão iminente nos últimos atos que fizeram por valer.

Visualmente o longa também tem muita entrega, sendo praticamente todo dentro da mansão da família, aonde vemos algumas dinâmicas nos quartos, mas a grande essência sempre rolando nas mesas, seja na sala de jantar ou no jardim aonde acontecem algumas festas durante a trama, tendo todo o conteúdo mais na amplitude dos diálogos do que na essência do que estava sendo mostrado, mas ainda assim tendo bons elementos cênicos como o livro e a nova bandeira do país, além de vídeos e dinâmicas aonde a equipe de arte se fez valer também na tela.

Enfim, é um longa tão amplo para se pensar quanto para "curtir" assistindo, pois é aquele elo que mistura tão bem a ficção com a possível realidade, que mesmo sendo algo "politizado" consegue envolver do começo ao fim, então não só vale a indicação como coloco quase como uma recomendação de filosofia sobre mudanças que alguns tanto falam no mundo, então corra agora e dê o play, sendo minha única ressalva talvez a duração dele, pois ao mesmo tempo que com uns 15 minutos a menos impactaria ainda mais, com uns 15 minutos a mais daria para mostrar alguns atos que ficaram apenas subjetivados na tela, então só por esse motivo não darei a nota máxima, mas ainda assim vale demais o play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Era Uma Vez Minha 1ª Vez

9/15/2026 12:28:00 AM |

Sei que já falei bem de algumas tramas baseadas nos livros da Thalita Rebouças, pois funcionaram e foram bem desenvolvidas para um público maior, porém algumas obras são tão fechadas que você não consegue enxergar que alguém fora do mundo único de jovens consiga sequer pensar em assistir ao filme. E comecei dessa forma a falar do longa "Era Uma Vez Minha 1ª Vez" pelo simples fato de que me senti completamente deslocado ao conferir o longa, parecendo até que estava vendo quando um episódio dos últimos momentos de "Malhação", que não encaixavam em nada além das pessoas que vivem neles. Ou seja, não digo que o filme seja ruim, mas é o famoso que tem seu nicho único, e qualquer pessoa fora dele não conseguirá assistir até o final, pois é fraco de nuances e aberturas, e nesse sentido, pesa muito para funcionar.

O longa acompanha Teresa, Clara, Tuca e Patty, quatro amigas inseparáveis que vivem juntas as inseguranças, curiosidades e expectativas típicas dessa fase de transição entre a infância e a vida adulta. À medida que enfrentam as primeiras paixões, as pressões externas e as próprias dúvidas, elas descobrem que o despertar da sexualidade não segue regras nem acontece no mesmo ritmo para todos.

Já tinha dito a mesma coisa no longa de estreia da diretora Claudia Castro, que também foi baseado em um livro de Thalita Rebouças, que ela sabe aonde atingir seu público-alvo e nem pensa em fazer algo diferenciado que supra mais pessoas, de modo que o que vemos na tela tem uma pegada nem tão novelesca, mas com a linguagem e a dinâmica pronta para os adolescentes, pois aqui a trama até coloca quase adultos com seus 17 anos, mas a pegada ainda é mais voltada para a molecada mesmo, não atingindo os jovens adultos como deveria. Ou seja, é um filme que possivelmente vai ter um bom público, afinal o livro tem muitos leitores e eles gostam do estilo, porém já era para a diretora saber fazer algo mais amplo, pois mostrou que tem estilo, e não precisaria fazer algo tão nichado.

Sei que a maioria dos personagens foram selecionados e não são atores com uma longa carreira ainda nas telinhas e telonas, porém ficaram exageradamente soltas na entrega, parecendo até faltar direção de atores para que tudo funcionasse sem ser "jogado", mas acredito que isso tenha sido intencional de forma que o quarteto vivido por Letícia Braga, Castorine, Duda Matte e Letícia Silva trabalharam até que bem suas Teresa, Clara, Patty e Tuca, mas por vezes ficaram parecendo falsas de entrega, exagerando demais em trejeitos e sínteses, o que acaba incomodando quem não for "semelhante" a elas na vida real, ou seja, podem parecer originais de estilo e desenvoltura na tela, mas não nos convencem que alguém realmente faria as coisas da forma como entregaram. Quanto aos demais, todos foram mais conexões do que realmente personagens, então melhor nem entrar em detalhes sobre como se desenvolveram.

Visualmente a trama se desenrola na mansão de Clara, sendo muitos atos nos vários quartos, sala e piscina da casa, tiveram um churrasco aparentemente em uma chácara com brinquedos meio que "infantis" demais para a idade dos personagens, e muitos momentos em uma escola, tendo atos num teatro, nos corredores e na sala de aula, mas tudo bem básico para não precisar criar exatamente nada para a direção de arte, apenas tendo as devidas locações bem encaixadas.

Enfim, é um longa que talvez funcione bem com os mais jovens, que se encaixem nesse mundo moderno de situações mais explosivas, e que tenham lido o livro e gostado, pois os demais talvez não se envolvam tanto com as personagens, já para os adultos não consigo enxergar quem possivelmente goste de algo na produção, mesmo sendo simpático em alguns momentos, mas ainda assim é muito exagerado na tela. Sendo assim diria que ficou mediano demais para envolver um público maior, e não posso dizer que recomendaria ao máximo como gostaria. Fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da AtomicaLab Assessoria e da Na Paralela Filmes pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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As Irmãs Fox (The Fox Sisters)

9/14/2026 12:51:00 AM |

Já disse isso muitas vezes que o mundo dos livros espíritas tem muitos bons temas para se desenvolver no cinema, basta os diretores estudarem e trabalharem bem os temas para ir muito além como vem acontecendo com o cinema cristão dos EUA que hoje já tem suas grandiosas produtoras e um público bem fiel que lota as salas. E também fico feliz que temos um diretor que segue dominando esse estilo, já com muitos filmes espíritas bons e outros que dava para ter trabalhado melhor, e esse cara se chama Wagner de Assis, que a partir do dia 24/09 todos poderão conferir sua nova obra chamada "The Fox Sisters" ou como podem colocar "As Irmãs Fox", que conta a história das pioneiras da doutrina espírita nos EUA, que foram muito estudadas por diversos outros médiuns de vários países. E de cara posso dizer que depois de alguns filmes bem medianos, o diretor voltou a mostrar seu nome, trazendo uma trama densa, com figurinos impressionantes, bons atores e dinâmicas, só mantendo ainda seu defeito maior, exagerar na duração para trabalhar a densidade, pois temos muitas cenas que davam para eliminar para que o filme ficasse mais dinâmico, mas acabaria talvez saindo um pouco do estilo, então dá para considerar o resultado final como algo bem bom de conferir.

Ambientado nos Estados Unidos do século XIX, o filme revisita os acontecimentos de Hydesville, em 1848, quando fenômenos envolvendo as três irmãs despertaram a atenção do público e deram origem a um movimento que se espalhou por diferentes partes do mundo. A narrativa aborda a investigação desses acontecimentos, o embate entre ciência e crença e os conflitos vividos pelas irmãs diante da repercussão de suas experiências.

O bacana de tudo é que o diretor e roteirista Wagner de Assis assume que esse é o seu estilo de dirigir, de criar toda uma ambientação e um desenvolvimento que floresça para o espectador, e não o inverso de que o espectador crie sua própria trama de acordo com lances mais jogados, e isso é muito legal de acompanhar, principalmente por mostrar um dos poucos diretores brasileiros que assumem ter um estilo próprio, e claro por sabermos o que esperar dele, pois facilmente essa mesma trama nas mãos de outro diretor seria algo rápido, e até talvez sem vida, mas com ele cada personagem teve sua presença e ainda por cima ele entrou no ponto mestre do que muitos condenam o espiritismo, aonde talvez nenhum outro colocaria isso na trama, que foi o "assumir" que nada do que elas viveram era real, coisa que foi desmentida depois, mas que abalou muitos estudiosos isso com certeza abalou, e colocar isso em um filme de peso desse mostrou que o diretor teve força para isso.

Quanto das atuações achei bem interessante não termos atrizes muito conhecidas, primeiro para não ficar algo dependente de alguma figurona, e segundo pelo orçamento em si também estourar tanto, de modo que o diretor trabalhou muito bem com as expressividades de Jamie Hughes com sua Leah totalmente imponente e mais direta na causa, sendo simples de traquejos, mas sabendo exatamente aonde tinha que estar e entregar; tivemos Sionne Elise bem marcante com sua Maggie, mais ampla nas vontades, e sendo precisa também como desenvolver sua personagem (tendo ainda Sienna Belle fazendo sua versão jovem e sonhadora por um casamento); e Marie McHugh sendo marcante com todo o vício de Kate, trabalhando trejeitos e situações bem de impacto com tudo o que tinha que fazer (e sua versão jovem vivida por Júlia Svacinna ficando até meio maluca demais, parecendo até alguns atos de incorporação de filmes de terror). 

Visualmente o longa foi muito fechado para o meu gosto, mas riquíssimo de detalhes, tendo a casa assombrada inicialmente das protagonistas com um ar mais simples e rural, e depois uma grandiosa casa com lustres e muitos candelabros (afinal estamos falando de uma época sem energia elétrica ainda), velas aos montes, e claro as mesas girantes e um figurino bem rebuscado de época, aonde cortinas e tudo mais compuseram os ambientes, sendo algo marcante na tela, com alguns velórios densos também sendo bem representativo pela essência em si.

Enfim, é um tremendo filmão do estilo, que volto a frisar que daria para cortar fácil uns 20-30 minutos, mas que mudaria muito nas dinâmicas, então torço muito para que dê bastante movimento nos cinemas, pois vale conhecer um pouco da história dessas moças que já foram citadas em outros filmes espíritas e até filmes de outros estilos, então fica a dica para ir conferir. E é isso meus amigos, fico por aqui agradecendo o pessoal da Cinética Filmes e da AtomicaLab Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até lá.


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