É interessante que quando bem mais novo tínhamos muitos longas nacionais com a pegada infantil, e praticamente essa "indústria" foi desmantelada e acabou sumindo, e não é por falta de obras para adaptar, pois existem muitas, mas simplesmente mudaram para pouquíssimas animações (algumas até mais adultas do que infantis) e vez ou outra surge um novo "D.P.A." que vive em cima de investigações de bruxaria e magia, ou seja, tudo lúdico demais para acreditar. E quando vi o trailer de "O Gênio do Crime" fiquei com muito medo de ser algo bobinho demais para crianças, mas também fiquei na dúvida de ter lido o livro na escola há muito tempo, porém cá que fui para a sessão e gostei até que bastante do que vi, pois segue a pegada misteriosa que a criançada tá acostumada a ver com D.P.A., só que ao usar uma base de detetive do mundo real, de procurar vilões mais intensos, o resultado acaba fluindo e divertindo com as crianças tendo suas aulas, batendo figurinhas e tudo mais. Claro que por ser um livro mais antigo, deram uma modernizada nas coisas, e também amarraram um pouco demais as dinâmicas, parecendo ser até mais longo do que realmente é, mas nada que incomode, afinal deu para desenvolver bem os personagens na tela e contar tudo em 90 minutos.
O longa nos mostra que durante a Copa do Mundo, o álbum de figurinhas é a maior febre entre os alunos do Colégio Três Bandeiras. Gordo, líder de um grupo empenhado em completar o álbum, descobre uma operação de falsificação de figurinhas, até então, impossível de ser desvendada. Ao lado dos amigos - e de Berenice, uma garota esperta por quem se apaixona - ele embarca numa investigação cheia de suspense, aventura e humor, onde a paixão pelo futebol se une à busca por justiça.
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O longa nos mostra que durante a Copa do Mundo, o álbum de figurinhas é a maior febre entre os alunos do Colégio Três Bandeiras. Gordo, líder de um grupo empenhado em completar o álbum, descobre uma operação de falsificação de figurinhas, até então, impossível de ser desvendada. Ao lado dos amigos - e de Berenice, uma garota esperta por quem se apaixona - ele embarca numa investigação cheia de suspense, aventura e humor, onde a paixão pelo futebol se une à busca por justiça.
É interessante ver que esse é o primeiro longa de André Felipe Binder depois de muitas séries e novelas, e ao ir numa direção tão fora do comum como é a de buscar livros mais antigos, ele acabou brincando com algo de muitas nuances e acertou principalmente em não deixar seu filme amarrado nos desenvolvimentos de personagens como é o caso da maioria das obras literárias. Ou seja, vemos um filme amplo aonde tudo vai acontecendo ao mesmo tempo que vamos conhecendo cada um ali, tanto que assim como os garotos até ameaçamos a chutar alguns possíveis vilões, e a sacada foi bem essa, mostrando que ele não ficou dentro do modo operante de novelas, o que foi um grande acerto. Porém, como disse no começo do texto, ainda não consegui reparar exatamente aonde o longa teve uma segurada temporal, que em muitos casos são usados para alongar o filme, e aqui foi apenas uma sensação mesmo, tanto que a cena final foi até cortada acontecendo algo e mudando rapidamente, o que soou um pouco estranho, mas nada que incomode, e assim o longa funcionou bem nas mãos do diretor, mostrando que ao buscar algo do escritor João Carlos Marinho, outros diretores também podem brincar com essas facetas e mudar o cinema nacional juvenil.
Quanto das atuações, é bem bacana ver jovens praticamente estreantes nas telas que possuem um bom potencial expressivo, mostrando que com um pouco mais de trabalho podem ainda se desenvolver mais e chamar muita atenção no futuro. E começando a falar de Francisco Galvão com seu João/Gordo posso dizer que ele tem muita presença, soube dosar os atos como protagonista, se mostrando um detetive bem cheio de traquejos e vontades, claro que faltou algumas firulas para marcar mais suas cenas, mas dominou bem e agradou com o que fez. Sei que a personagem Berenice tem participação em muitos outros livros do escritor, e aqui a escolha de Bella Alelaf foi muito boa, pois a jovem já tinha mostrado desenvoltura em um outro filme nacional, e aqui ela foi o encaixe que faltava para o grupo de garotos, senão seria algo muito fechado dentro de uma panelinha masculina, e sua personalidade entregue para a personagem conseguiu ser bem sucinta e interessante de ver. Breno Kaneto e Samuel Estevam também tiveram bons momentos com seus Pituca e Edmundo, mas suas desenvolturas acabaram ficando um pouco apagadas pelos demais, não sendo ruim de forma alguma, muito bem encaixadas e dinâmicas, mas como não quiseram dar um desenvolvimento maior de personagens, acabaram secundários. Quanto aos adultos, vale claro o destaque para Ailton Graça com seu Tomé até um pouco bobinho demais, mas tendo cenas interessantes bem colocadas e agradando com isso, e também vale destacar Douglas Silva voltando ao cinema com uma pegada bacana para seu Caíque, tendo atitude e imposição em diversos momentos, já Marcos Veras até foi bem com seu Mister Mistério, porém acabou fazendo um detetive meio cartunesco demais, e isso não mostrou o quão bom é o ator que conhecemos.
Visualmente o longa mostrou alguns atos em escolas diferentes de classes sociais também diferentes, tivemos muitas cenas na casa do garoto, com seu quarto cheio de detalhes de elementos de sua fixação por mistérios, fomos apresentados a produção de álbuns e figurinhas, além de uma metalúrgica abandonada aonde rolava os derretimentos dos detetives que tentaram parar os cambistas e falsificadores, porém uma grande sacada do roteiro foi brincar com as ruas e bairros de São Paulo, que com as ideias dos jovens de seguir o cambista acabou sendo até um elemento cênico bacana na tela, mostrando simplicidade nas dinâmicas, mas boas colocações na investigação. Um único aquém foi a cena do camping, que o lance de assar marshmallow é algo muito estadunidense e pouco comum no Brasil, mas ficou bonitinho de ver ao menos.
Enfim, foi um filme que imaginava que seria até mais bobinho e acabou me surpreendendo na entrega, sendo gostoso de conferir e lembrando um pouco da minha época de escola, aonde os poucos amigos e mistérios eram bacana de serem imaginados, então funcionou como filme e como nostalgia, sendo bem funcional e valendo a indicação, mesmo não sendo algo incrivelmente perfeito. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas acho que verei mais algo hoje, então abraços e até mais tarde.
































