Quem me conhece sabe que fujo sempre de filmes indianos, mas tenho vários na lista para algum dia dar play, e hoje como não estava vendo nenhum longa que fosse me agradar, resolvi dar o play em "Um Direito Meu" na Netflix, primeiro por não ter colocado nenhum filme envolvendo o tema da Semana da Mulher, e segundo por gostar de tramas jurídicas, porém o longa demorou bastante para entrar no julgamento efetivamente, e o começo é tão enrolado e novelesco que chega a doer, mas fazer o que? O mais bacana diria que é pensar que se hoje já é complicado para uma mulher divorciada conseguir seus direitos, imagina isso nos anos 70/80 na Índia aonde as leis se baseiam muito na religião! Ou seja, o longa tem bons momentos, mostra bem como foi o julgamento do caso, os problemas que a mulher sofreu, mas tem uma pegada exageradamente novelesca, então quem não curtir esse estilo é melhor nem dar play.
A sinopse nos conta que na Índia dos anos 1980, o mundo de Shazia Bano desmorona quando seu marido, Abbas, a abandona, juntamente com seus três filhos, após se casar pela segunda vez. Inicialmente, Abbas concorda em pagar uma pensão mensal para as crianças, mas quando ele para de pagar, Bano toma a corajosa atitude de entrar com um processo judicial. Em resposta, Abbas tenta silenciá-la pronunciando o triplo talaq. O que começa como uma luta pessoal logo se transforma em um debate nacional sobre fé, direitos das mulheres e justiça. A coragem de Bano a transforma em um símbolo de resistência contra o patriarcado.
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A sinopse nos conta que na Índia dos anos 1980, o mundo de Shazia Bano desmorona quando seu marido, Abbas, a abandona, juntamente com seus três filhos, após se casar pela segunda vez. Inicialmente, Abbas concorda em pagar uma pensão mensal para as crianças, mas quando ele para de pagar, Bano toma a corajosa atitude de entrar com um processo judicial. Em resposta, Abbas tenta silenciá-la pronunciando o triplo talaq. O que começa como uma luta pessoal logo se transforma em um debate nacional sobre fé, direitos das mulheres e justiça. A coragem de Bano a transforma em um símbolo de resistência contra o patriarcado.
Diria que o diretor Suparn Varma brincou bem com o roteiro que tinha nas mãos, pois usou e abusou de tudo para alonga e dimensionar sua trama, afinal dava para cortar fácil uns 30 minutos no mínimo do começo e ir direto para os julgamentos, que é aonde a dinâmica realmente faz jus e tudo que vai acontecendo no meio de cada um, mas o estilo indiano de longas é complicado por esse motivo, afinal gostam de criar símbolos, de tentar envolver o público com toda a situação, e por aí vai, mas o resultado em si foi bem trabalhado, contando bem a história do julgamento, de como alguém que conhecia bem o Alcorão pode lutar de igual para igual em diversos momentos, e claro também ver como o mundo machista usava e ainda usa as leis ao seu favor. Claro que analisando como um filme mesmo o resultado poderia ir mais além, mas é o estilo deles esse mais novelesco, então vida que segue.
Agora algo que me irrita demais nos longas indianos é a cara de pilantra que a maioria dos atores possuem, fazendo com que você já torça contra os personagens na primeira fala meio torta deles, e aqui não foi diferente, pois Emraan Hashmi fez um Abbas Khan todo galanteador, amoroso e cheio de facetas no começo, nem parecendo ser metade do que vira depois da metade do longa, sendo literalmente um advogado que não liga para nada a não ser seu ganho em cima da protagonista, ou seja, o tradicional pilantra. Já Yami Gautam trabalhou sua Shazia Bano com muita serenidade, olhares focados e trejeitos bem emocionais, mas diria que foi até seca demais na maioria das cenas, apenas explodindo no último julgamento, ou seja, a atriz se segurou demais durante todo o longa. Quanto aos demais personagens vale leves destaques para os advogados que assumem a causa da protagonista, que Sheeba Chaddha e Aseem Hattangady fizeram muito bem, e Danish Husain que fez o pai da garota de uma forma bem trabalhada, mas nada que fosse expressivo realmente para valer muita atenção.
Visualmente a trama teve uma entrega até que interessante, mostrando no começo o casamento bem bonito, cheio de comemorações e decorações, depois a vivência na casa tendo mais momentos na cozinha e alguns no quarto, depois muitos momentos na edícula da casa aonde a segunda esposa vai morar e mais para frente o inverso, e claro muitas cenas nos tribunais diferentes do país, com um detalhe bem intenso de protestos na casa dos pais da garota, ou seja, algo muito bem produzido e com as devidas representações cênicas na tela.
Enfim, é um filme que tem seu poder por mostrar as brigas judiciais no país que sempre entraram nos conceitos de religião, de castas e de cultura própria, tendo brigas até mesmo do tipo que cada um defende, mas como longa dava para ser menor e mais enfático que funcionaria bem melhor, então fica a dica para quem curte algo mais novelesco para dar play. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


































