Ainda estou pensando em tudo o que ocorreu nesses 20 anos que separam o primeiro filme desse novo "O Diabo Veste Prada 2", pois o mundo mudou, não apenas o da moda, como o da editoria em si, não tendo mais praticamente nenhuma grande revista ou jornal impresso aos milhões como era antigamente, a influência que era determinada pelos desfiles hoje recai para pessoas aleatórias da internet, e o que determina um sucesso ou não de algo não é um bom texto com fotos e imposições, mas sim a quantidade de curtidas ou visualizações, sendo que algo que agora está na moda, pode ser que daqui um dia já não seja nem mais chamativo. Ou seja, tudo mudou e felizmente o conceito do longa também seguiu com boas mudanças, pois mesmo sendo um tremendo filme pipoca de 2006 que muitos assistem hoje tranquilamente, certos pontos não caberiam para uma trama atual, e assim sendo o resultado ficou bem sutil nessa entonação, conseguindo fazer com que o filme não ficasse novelesco mesmo usando tudo do formato, e assim funcionando muito bem principalmente como um ótimo reencontro do elenco original que teve a audácia de não precisar de mais ninguém praticamente em cena, sendo todos os demais meros coadjuvantes que se apagar da tela não fariam falta alguma. Sendo assim, digo que o longa agradou aos novos fãs, aos velhos fãs e certamente vai fazer a bilheteria suficiente para quem sabe os produtores não desejarem esperar mais 20 anos para quem sabe um terceiro filme!
O longa acompanha o retorno de Andy Sachs à revista Runway, que passa por um momento delicado mesmo sob o comando da implacável editora-chefe Miranda Priestly. Para trazer a publicação de volta a seus dias de glória, elas precisam se reconectar com Emily Charlton, ex-assistente de Miranda, que agora comanda uma marca de luxo que pode ser a chave para manter a Runway ativa.
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O longa acompanha o retorno de Andy Sachs à revista Runway, que passa por um momento delicado mesmo sob o comando da implacável editora-chefe Miranda Priestly. Para trazer a publicação de volta a seus dias de glória, elas precisam se reconectar com Emily Charlton, ex-assistente de Miranda, que agora comanda uma marca de luxo que pode ser a chave para manter a Runway ativa.
Um ponto fortíssimo da continuação foi o retorno do elenco original e claro da equipe quase que inteira por trás das câmeras do original, e assim David Frankel mostrou que ainda sabe brincar com as facetas de uma trama gostosa sem precisar de apelações cômicas ou romances jogados para que tudo funcione, sendo que vemos sim sua mão na ambientação e na grandiosidade dos ambientes, desfiles e situações, mas sem que o filme ficasse focado somente nisso. Ou seja, é o famoso filme de negócios aonde as conexões necessitam ser dinâmicas, e que contando com boas transições, músicas e diálogos rápidos tudo fluiu sem virar uma novelona, e isso é genial, pois qualquer outro diretor comum acabaria com a história do grupo protagonista, enfeitaria as sub-tramas, e o resultado acabaria não levando nada a lugar algum, o que acabou sendo bem diferente, pois não vemos nada ousado na tela, mas também não temos com o que reclamar, ao ponto que tudo ficou gostoso e chamativo para os fãs antigos, e até mesmo quem não conhecia se envolver com o que é entregue, mostrando que o diretor sabia exatamente aonde seguir, sem precisar usar como base o segundo livro da escritora.
Volto a frisar que o elenco principal soube manter a mesma química de 20 anos atrás, e pareciam tão bem conectados entre si que se não soubéssemos que eles envelheceram também essa mesma quantidade de anos, falaríamos que tudo foi gravado logo em sequência pelas conexões e dinâmicas. Dito isso, Meryl Streep está beirando seus 80 anos, mas ainda trouxe um charme tão luxuoso para sua Miranda, que fazendo deboches e entregas emocionais conseguiu segurar o filme mesmo não sendo tão explosiva como no primeiro longa, e essas suas sacadas cênicas funcionaram tão bem que não tem como não se conectar a ela, ou seja, deu show. Outra que não envelheceu nada nem no estilo de atuar é Anne Hathaway, pois se no primeiro filme parecia faltar uma maturidade maior para sua Andy, aqui a protagonista consegue parecer ainda nervosa com tudo, tendo algumas entregas mais rápidas, mas sendo mil ao mesmo tempo, o que acaba sendo engraçado, mas também como um bom case das mulheres atuais que precisam ser e pensar em tudo ao mesmo tempo para ganhar o mundo, e os diretores das empresas. Stanley Tucci é um lorde, e vemos isso em todos seus filmes, de modo que aqui seu Nigel tem o charme e a precisão que o papel pedia, criando desenvolturas e sacadas bem encaixadas do começo ao fim, e dando o seu show, ou seja, perfeito. É engraçado que Emily Blunt tentou virar uma Miranda aqui, mas sua Emily ficou ainda mais dura na tela, de modo que seu jeito mais secão até chega a ser divertido, porém soube se encontrar com o fator riqueza, e assim deu seu tom para que a personagem fosse ainda mais além, sem ficar pedante. Quanto aos demais, como disse foram realmente meros coadjuvantes, tendo algumas participações expressivas como a de Lady Gaga, mas tendo mesmo importância para a trama Justin Theroux com seu Benji, Patrick Brammall com seu Peter e Lucy Liu com sua Sasha, mas sem irem muito além de suas conexões com os protagonistas.
Visualmente o longa trouxe novamente o glamoroso mundo da moda para as telonas, tendo muitas cenas nos principais desfiles, sendo tudo bem rápido apenas mostrando as chegadas sem precisar gastar muito com elenco e tudo mais nas locações, tivemos muitas cenas dentro do prédio da revista, mostrando um pouco mais do refeitório e de algumas salas dos protagonistas, alguns atos em mansões luxuosíssimas seja nos Hamptons ou na Itália, ainda tivemos um grandioso desfile da revista na Itália com direito a show e tudo mais, e claro figurinos incríveis, lojas e tudo mais que o longa pedia, ou seja, a equipe gastou bem, e usou claro as parcerias das marcas para divulgar e ir além.
Enfim, não é um longa perfeito, mas é tão gostoso e fluído que acabamos nos envolvendo até mais do que pensamos com os personagens, e ao final queremos até mais, ou seja, é daqueles filmes que facilmente entrarão no famoso hall que quando passam em qualquer horário na TV, você acaba "gastando" seu tempo livre assistindo, e assim sendo já hoje nas pré-estreias lotadas, certamente veremos uma boa bilheteria para encorajar os produtores a irem mais longe. Sendo assim fica a dica para todos irem conferir nas telonas, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até breve com mais textos.
































