Cansei de Ser Nerd

6/02/2026 12:44:00 AM |

Uma das principais coisas que me incomoda ao ver um filme é ele tentar ser engraçado e não conseguir, e já disse diversas vezes que a comédia é o estilo mais difícil de acertar a mão, principalmente em uma estreia, afinal cada pessoa vai rir de algo e muitas vezes o que é engraçado para você não vai ser pra mim. Mas inegavelmente o longa "Cansei de Ser Nerd" tem todos os traquejos clássicos de algum trabalho de final de curso de cinema, aonde alguém teve uma ideia maluca, contou para alguns amigos, que aí foram jogando mais ideias malucas, e no final acabou resultando no que vemos na tela, aonde até entretém com as loucuras todas, mas não chega a lugar algum, e de tão maluco acaba sendo razoável de ver. Ou seja, é daqueles filmes que você se pergunta o que está fazendo ali, mas que fica esperando chegar a algum lugar, e no fim você sai se perguntando se realmente pagou todos os pecados que tinha, pois falta comicidade, falta senso para a situação toda, e nem dá para pensar se alguém mais experiente conseguiria arrumar o longa, pois não acontece.

O longa nos mostra que nerd inveterado, Aírton foi o principal suspeito do sumiço e suposto assassinato de uma colega, nos tempos da faculdade. Hoje, 20 anos depois, ele decide reencontrar toda a turma na festa de reencontro da graduação para, enfim, provar sua inocência. Mais que isso, ele planeja revelar que os "populares", hoje integrantes de uma banda new wave de sucesso, são os verdadeiros culpados pela morte da estudante. E, pior, que eles a mataram em um ritual em busca de fama. Convicto disso, Aírton intima seu grande amigo e aliado, Ulisses, para ir com ele. O plano está armado: desmascarar uma seita bem louca, provar sua inocência e recuperar o amor de Juliana, sua grande paixão

O diretor e roteirista Gualter Pupo trabalhou em muitas funções em alguns longas de sucesso e também fez alguns curtas e vídeos musicais, porém aqui em sua estreia realmente em um longa-metragem como diretor acabou escolhendo um gênero que podia dar muito certo ou muito errado, que é a mistura do sobrenatural com a comédia, e aqui ficou inicialmente interessante, depois se desprendeu para algo meio sem sentido algum, ficando bizarro e se perdendo completamente dentro da ideia. Ou seja, é o famoso filme que se melhor lapidado na fase do roteiro até poderia chamar atenção mesmo sem fazer rir, mas que precisaria de alguém bem mais experiente para conseguir manter a essência e criar algo que chamasse mesmo para si para conseguir ir além e agradar.

Quanto das atuações, diria que o humor do ator Fernando Caruso pede coisas bem mais exageradas, e aqui os diálogos de seu Aírton até tentam soar engraçados para com o público que conhecer um pouco mais do mundo dos nerds, mas não se aprofunda, e principalmente não lhe dão a chance de forçar a barra como é seu estilo, e aí falta tudo para ir além. Já pelo contrário deram brecha para que Pedro Benevides se soltasse completamente com seu Ulisses, e assim sendo vemos algumas dinâmicas até que engraçadas dentro do possível com ele, mas nada que faça você gargalhar na sala do cinema, ao menos não desaponta. Agora alguém que mostrou um estilo chamativo e interessante de ver foi Bia Guedes com sua Juliana, até conseguindo dominar bem os momentos na tela, porém não foi tão aproveitada quanto poderia, e isso acabou não agradando. Quanto aos demais personagens, principalmente o pessoal da banda é melhor eu nem falar, pois pareciam perdidos em suas atuações, e isso demonstrou bem a falta de uma direção efetiva.

Visualmente foram bem espertos, pois a maioria das cenas são bem fechadas, não necessitando de grandes cenários e menos ainda de figurantes para todos os momentos, de modo que tiveram o quarto do protagonista, seus trabalhos com poucos equipamentos, depois uma mansão cheia de quartos e corredores, e claro toda a dinâmica do cubo que ficou bem interessante na tela, tendo ainda momentos de lutas com armas de tudo quanto é estilo, tendo um pouco menos de sangue do que deveria, mas que ao menos foi bem dinâmica. Agora as cenas com efeitos visuais estranhos misturando um preto meio que esverdeado com ranhuras e tudo mais para dar um elo de outra dimensão ficou estranho e não interessante como deveria ocorrer.

Enfim, é um filme com mais falhas do que acertos, e que principalmente faltou com o humor que precisava para chamar mais atenção, mas ainda assim quem quiser ver algo diferente dentro do cinema nacional, pode arriscar, só não espere sair totalmente feliz com o resultado. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Revolução dos Bichos (Animal Farm)

6/01/2026 08:18:00 PM |

É interessante ver uma trama política como o livro clássico de George Orwell virar uma animação nas telonas, e claro que muitos adultos irão conferir esperando um algo a mais na telona, afinal "A Revolução dos Bichos" é daqueles livros que quem lê uma vez acaba indo para rumos tão filosóficos que provavelmente esperaria ver um caos mais intenso até mesmo em uma trama infantil. Porém quem entrar na sala e ver a primeira logo que diz "aprovado pela guilda Angel", já certamente irá brochar e saber que o longa não vai fazer a criançada ter uma mentalidade política pelo que verão na tela, mas ainda assim digo que a essência funcionou bem e acabou fluindo de forma inteligente e gostosa de conferir, sendo algo que até dá para refletir um pouco, mas sem precisar queimar alguma neurônios.

O longa é ambientado em uma fazenda, onde um movimento em busca da igualdade é sistematizado pelos animais. Inspirado no livro de George Orwell, a história mostra um movimento de revolução e poder, onde sob o comando dos porcos, uma fazenda perde parte de sua vitalidade. Entrando em uma ditadura implacável, os animais se reúnem para lutar prelos próprios direitos.

Quem leu meu primeiro parágrafo pode até ter se assustado um pouco, mas já lhes dou alguma felicidade dizendo que é um longa dirigido por Andy Serkis, ou seja, tem personalidade na tela, e o resultado final consegue ter uma boa essência em cima do clássico livro, e assim sendo vemos que o diretor quis brincar na tela sem precisar de um aprofundamento maior, e assim vemos a pegada conflitiva de lideranças, vemos a corrupção pelo poder e até mesmo o trabalhar até morrer, mas de um modo mais lúdico que funciona para os pequenos tentarem (se quiserem) pensar um pouco mais de como funcionará a vida adulta.

Quanto dos personagens, um ponto bem satisfatório foi escolherem dubladores imponentes para a trama, e assim o tom caiu muito bem para as vozes originais que eram de um elenco fenomenal, e assim vemos o porquinho sonhador com Sortudo tentando melhorar, mas caindo na lábia do líder manipulador Napoleão, vemos o cavalo trabalhador de nível máximo que Sansão faz pela fazenda, mas que acaba se acabando, e também tivemos os demais influenciáveis como as ovelhas repetidoras entre outros, sendo um bom filme aonde os personagens até cativam bem, mas que não chegam a serem marcantes como poderiam.

Visualmente o longa tem uma pegada meio fora dos padrões atuais que tem texturas e chamarizes mais bem desenhados, porém fizeram personagens carismáticos e com elementos bem chamativos principalmente no shopping e na tecnologia usada dos humanos vilões, que mostram algo bem parecido com Elon Musk, ou seja, tiveram boas dinâmicas que com um desenho mais rústico conseguiu criar personagens interessantes e ambientes mistos entre tecnológicos com os rurais, dando a dica das mudanças temporais.

Enfim, é uma animação um pouco diferente, mas que não foi tão diferenciada quanto poderia, afinal o texto de Orwell é pesadíssimo, e com um diretor que gosta de ousar, como é o caso de Serkis, dava para ter ido tão longe que faria as animações de adultos virarem filmes para bebês, ou seja, faltou pegada, mas ainda assim foi bacana de conferir, afinal pode ser que algumas crianças peguem um pouco da essência e a use futuramente. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas vou arriscar mais um longa hoje, então abraços e até breve.


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Golpe Explosivo (Fuze)

6/01/2026 12:46:00 AM |

Acho bem interessante quando vou ao cinema e a história que parecia que já tinha visto umas mil vezes se desenrola de forma mais ampla e cheia de nuances, de modo que "Golpe Explosivo" poderia ser daqueles filmes tão enrolados, precisando explicar tudo para o público, enfeitando a vida de cada personagem para entendermos seus propósitos, mas não, o diretor simplesmente pôs tudo para acontecer, e depois que tudo se fechou de uma forma até bem condizente com a ideia, foi lá e criou um rápido epílogo para mostrar como aconteceu a conexão entre os principais, mas sem muitos enfeites ou dinâmicas. Ou seja, é o famoso passatempo gostoso de domingo, aonde a tensão acontece, as entregas acabam mostrando personalidades e situações que fazem com que apostemos em alguns personagens, e pronto, 98 bons minutos na telona.

O longa nos mostra que um grupo de assaltantes ousados aproveitam o caos generalizado quando uma bomba não detonada da Segunda Guerra Mundial é desenterrada de uma planta de construção civil. Uma operação policial intensa é colocada em ação para evacuar milhares de residentes do centro de Londres. Enquanto um grande transtorno é criado na cidade, um grupo de criminosos especialistas, liderados por Karalis, se esconde no sótão da zona de evacuação. Com os sistemas de emergência levados ao limite e a iminência de uma explosão, os ladrões dão início a um audacioso plano para roubar joias sob a distração do time de militares comandados por Will, mandado para o centro da confusão para investigar e desarmar a bomba.

Diria que o diretor David Mackenzie soube brincar bem com o roteiro que lhe foi dado, pois certamente nas mãos de alguns outros diretores veríamos um filme bem preso explicando a cada personagem que aparecesse suas objeções e dinâmicas para estar ali, mas ele escolheu desenvolver tudo bem direto, e isso economizou tempo de tela, e principalmente criou um certo mistério, pois se fossem apresentados saberíamos bem quem é quem, e isso é o que amplificou as possibilidades, embora com um elenco de atores mais conhecidos, a proposta ficou mais fechada na tela. Ou seja, vemos uma direção coerente, rápida e bem expressiva, que talvez pudesse ser até um pouco mais ousada, mas para isso o filme precisaria ser um pouco menos "previsível".

Quanto das atuações, Aaron Taylor-Johnson segurou bem o estilo durão como o desarmador de bombas do exército Will, de modo que seu estilo foi até um pouco forçado demais, pois acredito que o pessoal costuma usar algumas roupas mais apropriadas para o ato, e ali ele foi bem cru para a cena, sendo denso e ousando até que bem para chamar atenção com seus trejeitos. Do outro lado Theo James já fez seu Karalis cheio de traquejos e dinâmicas bem de pessoas audaciosas e destemidas, trabalhando bem suas cenas do roubo e depois das negociações, tendo atos bem marcados e cheios de nuances para impactar na tela. Outra que teve bastante destaque foi Gugu Mbatha-Raw com sua Zuzana, sendo a líder da polícia britânica foi cheia de momentos mais fechados e conseguiu soar marcante na tela. Ainda tivemos bons momentos com Sam Worthington com seu X também bem durão e impositivo para seus momentos com o protagonista, e Elham Ehsas fazendo um Rahim que fica bem claro de estar envolvido em algo, mas sem ficar entupindo aqui de spoilers, fica a dica ao menos para prestar atenção nele.

Visualmente a produção foi até que bem grandiosa de estilo, tendo uma escavação interessante aonde é encontrada a bomba, virando praticamente um campo do exército para a desativação, tivemos o prédio aonde os assaltantes descem para invadir o banco, ferramentas bem marcantes para quebrar a parede com geradores e tudo mais, tivemos a central da polícia com muitas imagens de câmeras de rua, que talvez poderiam ter pego a térmica um pouco antes, embora demore também para um gerador ficar fervente, tivemos cenas em parques e ruas, além de ao final algumas perseguições pelo campo e também as negociações das joias, ou seja, um longa cheio de ambientes na tela.

Enfim, é um filme que entretém bastante, que tem momentos tensos e divertidos, sendo daqueles passatempos bem encaixados para um bom domingo, aonde você vai para a sessão sem esperar nada e acaba satisfeito com o que vê, e assim acaba valendo a indicação, mesmo não sendo algo que lembraremos muito no futuro. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Natal Amargo (Amarga Navidad) (Bitter Christmas)

5/30/2026 02:38:00 AM |

Muitas vezes lendo um livro ou vendo determinado filme bate aquela imaginação de onde o diretor e/ou escritor se inspirou para escrever o personagem, e isso é bacana pois na maioria das vezes apenas vem na mente dele a partir da montagem das características que quer ver fazendo, e em outros casos costuma abusar um pouco mais de pessoas ao seu redor e com um livre arbítrio usar isso em sua trama. E a base principal do novo longa de Pedro Almodóvar, "Natal Amargo", é bem em cima disso, usando dois diretores escrevendo histórias se baseando em outros, e tendo os devidos conflitos com seus amigos/aliados quando sabem ou descobrem que determinados personagens foram inspirados neles pelas características ou pelos acontecimentos em si, e é bacana ver como o diretor dialoga em cima de um que está em cima do outro, sendo o famoso filme dentro do filme dentro do filme, o que agrada principalmente com diretores que usam e abusam mais de diálogos como é o caso dele. Ou seja, alguns vão ver e achar banal demais, mas a essência é tão funcional que acaba agradando no final.

O longa acompanha duas histórias paralelas que se desenrolam entre Madri e as Ilhas Canárias. De um lado, a publicitária Elsa perdeu a mãe durante as festas de natal e afoga-se no trabalho. Não tendo espaço para lidar com o luto, um ataque de pânico severo a obriga a tirar uma pausa e viajar para Lazarote, nas Ilhas Canárias, ao lado de sua amiga Patricia enquanto o marido, Bonifacio, permanece em Madri. O outro ponto de vista da trama acompanha Raúl Durán, um diretor e roteirista que enfrenta dificuldades em separar a realidade da ficção.

Não posso dizer que seja um dos melhores trabalhos do diretor e roteirista Pedro Almodóvar, porém acredito que aqui ele soube fazer algo simples sem precisar enfeitar tanto o doce, e acredito que isso é o que mais está pesando a mão da maioria dos críticos, afinal o pessoal gosta de ver símbolos e dinâmicas mais reflexivas, e não é o que nos é entregue aqui. Ou seja, a trama tem uma boa entrega, tem o estilão seco do diretor, porém com um vértice mais casual e até mais comercial para falar a verdade, e assim sendo é daqueles longas que o público talvez enxergue mais do que os críticos, e assim se envolva com a essência bem trabalhada na tela.

Quanto das atuações, num primeiro momento fiquei pensando se Leonardo Sbaraglia tinha envelhecido tanto nesses anos que eu perdi alguma referência, mas como é comum na maioria dos filmes do diretor, vemos sempre um personagem que faz meio que o papel dele no longa, e aqui o Raúl que o ator acabou entregando se assemelha muito tanto visualmente quanto na forma de condução, e isso mostrou que o ator tem potencial e sabe ousar em trejeitos mais fechados. É engraçado que geralmente em todo filme do diretor nos é colocado uma musa, e aqui Bárbara Lennie não conseguiu chamar tanta atenção para que sua Elsa ficasse como um expoente na tela, ou seja, a atriz até teve boas cenas e dinâmicas, trabalhou bem suas intenções com trejeitos fortes, mas ficou mais misteriosa dentro da essência criada do que como alguém que o foco recaísse por completo. Ainda tivemos outros personagens marcantes dentro da concepção completa da trama, com Patrick Criado tendo momentos sensuais com seu Beau/Bonifácio, Milena Smit trabalhando uma Natalia bem traumatizada, Victoria Luengo fazendo de sua Patricia alguém mais cheio de vértices para trabalhar na tela, Quim Gutiérrez com seu Santi mais fechado sem grandes impactos para o roteiro, e Aitana Sánchez-Gijón com uma Mónica inicialmente apática e misteriosa, mas com atos de fechamento mais explosivos, e assim a base foi bem fechada com todos personagens participando bastante na tela.

Visualmente tivemos atos marcantes na casa da protagonista sem ampliar muito o espaço, tivemos cenas em alguns hospitais, na casa do diretor bem rica de estilo, e até no apartamento da amiga com uma boa pegada musical, mas a maior parte se passa em uma casa luxuosa nas Ilhas Canárias, com ambientes bem favoráveis para a escrita, mas também amplo para discussões, e como de costume nos filmes mais dialogados do diretor, o visual fica quase sem grandes importâncias, então acaba valendo mesmo pela síntese bem colocada na tela.

Enfim, não é um filme perfeito, mas entretém de um modo gostoso de acompanhar, fala um pouco da famosa síndrome do pânico que muitas pessoas ainda não entendem, trabalha um pouco do luto, mas a base mesmo foi focar na personalidade da composição de personagens e inspirações, e assim acaba valendo para uma introdução mais simples do estilo do diretor para quem ainda não foi muito iniciado com suas formas diferenciadas e bem dialogadas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Backrooms: Um Não-Lugar (Backrooms)

5/29/2026 12:44:00 AM |

Costumo dizer que não sou o maior fã de filmes que você precisa mergulhar numa reflexão absurda para gostar do que viu na tela, pois sou do time que o que vale é se entreter quando vai numa sessão de cinema, porém não tenho nada contra, gosto de alguns bons exemplares e muitas vezes quando embarco em alguma ideia até acabo gostando bastante. E dito isso, hoje faltou eu embarcar na ideia de "Backrooms: Um Não-Lugar" para não ficar somente na superfície da trama, afinal acredito que com uma reflexão bem maior talvez o longa me levasse para outros planos, mas vendo apenas como um filme comum, o resultado acabou sendo interessante pelo desenvolvimento cênico completamente maluco, juntamente com as cenas de perseguição e diálogos, mostrando que talvez com algum tóxico na mente dá para escrever algo tão doido que alguém compre a ideia toda.

Ambientado em 1990, o filme acompanha Clark, um vendedor de móveis que descobre no porão de sua loja um portal para um labirinto inquietante de ambientes intermináveis, parecidos com escritórios comuns. Fascinado e perturbado, ele convence sua funcionária Kat e o namorado dela, Bobby, a ajudá-lo a mapear aquela extensão impossível de salas e corredores de arquitetura surreal, onde ruídos estranhos sugerem que algo de outro mundo pode estar à espreita. Quando Clark desaparece, sua terapeuta, a Dra. Mary Kline, acaba ela mesma se perdendo nos Backrooms em busca de respostas e de uma saída.

Claro que a popularidade do diretor e roteirista estreante em longas Kane Parsons se deve muito a tudo o que já fez na internet, tanto que hoje a sala estava bem cheia de jovens para conferir o longa, e isso mostra que existem alguns novatos sabem como puxar a atenção para si, mas diria que quem for conferir o filme cru, sem ter visto o projeto completo da internet, talvez não se conecte tanto com a ideia, gostando claro da construção dos ambientes, mas que quando a bomba realmente explode nos atos finais, ele acabou falando muito e pouco ao mesmo tempo, não conseguindo ampliar a camada da trama. Ou seja, talvez o mesmo roteiro do criador nas mãos de outro diretor chegasse mais longe, mas isso é uma suposição, e sendo assim diria que faltou um pouco mais de desenvolvimento da ideia em si.

Quanto das atuações, posso dizer que Chiwetel Ejiofor se jogou demais para o seu Clark, de modo que arregalou os olhões em diversos momentos mostrando uma loucura fora de si em diversos momentos, ou seja, entregou demais e poderia ter ido ainda mais além, mas não foi a escolha do diretor trabalhar tanto com a personalidade dele. Já Renate Reinsve tem ganhado cada vez mais papeis chamativos, e aqui sua Mary Kline tem uma personalidade intensa, cheia de grandes nuances, e principalmente fazendo uma psiquiatra teve a capacidade de testar sua sanidade em diversos momentos dentro do labirinto. Ainda tivemos Lukita Maxwell com sua Kat e Finn Bennett com seu Bobby em algumas dinâmicas mais rápidas no miolo, mas sem irem muito além, sobrando para Mark Duplass com seu Phill tentar levar a trama para alguns outros rumos e chamar atenção nos atos finais.

Visualmente não sei o quanto foi realmente construído de cenografia para o longa e o quanto foi computação gráfica, mas se fizeram só metade dos ambientes já podem dizer que a equipe de arte foi brilhante, pois temos de tudo um pouco, piscinas, paredes com formatos malucos, portas grandes e minúsculas, salas, pessoas duplicadas, móveis empilhados, câmeras antigas e muito mais, dando para a cenografia em si quase como um personagem na tela, e isso ficou muito bom de ver.

Enfim, é um filme que talvez eu tenha ido com expectativas demais, e acabei um pouco decepcionado por não me entregar o que esperava, mas ainda assim digo que é um filmão bem interessante de proposta que merece ser visto e analisado, principalmente pelos profissionais da psicologia e psiquiatria, pois tem ideias para serem debatidas até mais do que a loucura dos fãs do diretor youtuber, e assim sendo fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Uma História Nebulosa (大濛) (A Foggy Tale)

5/27/2026 11:59:00 PM |

Um país que entrega obras tão diferentes do padrão, mas tão comuns dentro da essência é Taiwan, pois eles brincam geralmente com algo com uma pegada novelesca, joga em cima de algo que poderia ou foi real, acrescenta elementos lúdicos bem pautados, e o resultado final acaba funcionando muito na tela. Ou seja, a ideia do longa que estreou na Netflix, "Uma História Nebulosa", tem essa pegada bacana, tem dinâmicas e reviravoltas ao mesmo tempo fortes e envolventes, porém demora um pouco para engrenar, pois muitas das cenas se repetem no miolo, então poderia ter deixado somente para os flashbacks tudo e dimensionar melhor o restante.

O longa nos conta que após o seu irmão ser executado pelo governo, Yue começa uma jornada para levar o corpo de volta à sua família e conseguir um enterro digno. Ao chegar em Taipei sozinha, ela passa por muitas adversidades, mas é salva pelo soldado Chao Kung-Dao. Diante da própria realidade e da situação de Yue, Chao Kung-Dao percebe que a melhor coisa a se fazer é ajudá-la. Assim, os dois formam uma amizade em meio à uma situação que pode acabar tirando suas vidas.

Não é um país que vejo muitos filmes, então não posso dizer que conhecia a filmografia do diretor e roteirista Yu-Hsun Chen, mas posso dizer que soube brincar com as diversas facetas que o longa pedia, e principalmente desenvolver na tela aquele algo a mais que gostamos de ver que são as reviravoltas e conflitos para serem discutidos, de modo que ele foi bem fluido nas dinâmicas e fez a dupla principal ter um carisma bem conectado, que mesmo sem grandes trejeitos acabou dando um rumo legal de se acompanhar. Ou seja, ele foi bem no quesito direção de atores, porém pecou um pouco na direção da edição, pois o longa tem quase 130 minutos de duração, e dava fácil para ficar ótimo com 90-100 minutos, mas para isso precisaria uma mão mais pesada, e talvez não ficasse tão lúdico na tela.

Quanto das atuações, a jovem Caitlin Fang foi graciosa em diversos momentos com sua Yue, porém acredito que dava para ela ser menos contida em seus atos, parecendo ter até uma certa timidez de estreante, mas que já fez muitos outros trabalhos, então foi uma falta de direção maior para que ela fosse mais expansiva na tela, para agradar ainda mais. Agora sem dúvida alguma o carisma de Will Or com seu Chao foi algo para procurar mais trabalhos e ver se o ator realmente tem todo esse potencial ou o personagem foi indo para um rumo mais chamativo, de modo que ele se entregou, fez cenas fortes, cenas mais leves, e que sabendo se encontrar nos atos agradou demais. Tivemos outros personagens interessantes, mas vale dar um leve destaque para 9m88 que cantou, dançou e ainda entregou um chamariz bem colocado como a irmã da garotinha.

Visualmente o longa foi bem bacana, mostrando vilas, casas de shows, delegacias, feiras de compra e venda de itens, uma funerária bem diferente do usual e também uma faculdade de medicina com corpos nadando em tanques, além de um crematório simples e interessante, mas o mais funcional do longa foi ter quase um road-movie numa bicicleta com os protagonistas indo para vários lados de Taipei, sendo cheio de nuances e dinâmicas, aonde como elemento cênico mesmo só a sacolinha da garota e a bicicleta do rapaz, mas nada de muito usável na tela.

Enfim, é um filme bem bacana, que como disse demorou para engrenar e até me deu um certo soninho até próximo da metade, mas depois deslancha e fica bem gostoso a forma encontrada para fechar. E é isso meus amigos, não esperem lavar a sala vendo o filme, mas com certeza acabará tendo um resultado diferente com cada um que assistir, então fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Chopin, Uma Sonata em Paris (Chopin, Chopin!)

5/26/2026 12:37:00 AM |

É tão interessante ver biografias de pessoas que você conhece pouco, mas sabe quem foi, e vê o tanto que a pessoa sofreu pelas doenças da época, e ainda assim continuou fazendo o que gosta até os últimos momentos da vida. E hoje pude conferir "Chopin, Uma Sonata Em Paris", que estreia dia 28/05 em cinemas selecionados trazendo um pouco dos últimos anos desse músico que ficou tão marcado pelas composições e dinâmicas entregues, e que até hoje muitos ainda tentam copiar e não se dão tão bem. E o mais bacana de tudo é que ainda hoje a tuberculose leva algumas pessoas para a cova, mas na época do longa tudo parecia algum tipo de maldição ao redor do rapaz, que junto de uma maquiagem um pouco forte demais, quase deixou ele como um vampiro de tão pálido, mas ainda sem errar nas contextualizações e dinâmicas de alguém que aproveitou ao máximo, e se exibiu muito para reis e toda a classe alta da França da época.

O longa se baseia na história de Frédéric Chopin, pianista francês de 1835 que vivia dentro da alta sociedade. Dando concertos para a burguesia, ele se tornou uma das figuras mais românticas das noites parisienses. No entanto, quando seus pulmões começam a sangrar, ele descobre que seus dias serão poucos. A partir disso, além da luta contra a doença, Chopin fica obcecado por composição. Ele entende que precisará revolucionar a música e o teatro, mas o seu tempo é limitado e a vida não irá esperar por ele.

Já tinha falado bem do diretor Michal Kwiecinski esses dias atrás, e aqui ele mostrou que com um orçamento mais gordo dá para desenvolver bem mais na tela, porém acredito que lhe deram um roteiro exageradamente longo e ele quis trabalhar com tudo, de tal forma que dava para alguns atos não serem colocados e/ou acelerar mais algumas dinâmicas, pois a trama se amarra demais. Ou seja, a história de Chopin é grandiosa, e talvez mostrar um pouco mais do antes dele ficar tão famoso seria bacana, pois apenas os atos finais deram um tom meio que melancólico demais, mesmo o personagem e o ator terem trabalhado as dinâmicas com bons sorrisos e desenvolturas, mostrando que assim como o pôster nacional diz, vivendo até o limite da vida, de tal forma que souberam mostrar isso que mesmo estando só o pó, quase morto com a maquiagem pálida e já até "enterrado" pelos jornais, souberam criar entregas e dinâmicas bem chamativas.

Quanto das atuações, outro que elogiei semanas atrás foi Eryk Kulm que aqui brincou muito com um Chopin de bem com a vida, alegre, e mesmo doente disposto a compor e criar, trabalhando bem os trejeitos com boas facetas, e principalmente se desenvolvendo de acordo com o filme e a doença, que claro volto a frisar que abusaram um pouco da maquiagem, mas ele trabalhou com entonação forte e sendo bem representativo. Outro que trabalhou bem no longa foi Victor Meutelet com seu Liszt, tendo uma desenvoltura chamativa até demais para um personagem secundário, mas que soube até onde ir e agradou dentro da proposta. Também tivemos alguns bons momentos de Joséphine de La Baume com sua George Sand meio que durona e direta, até demais para uma escritora, mas que soube ter empatia para os momentos mais densos na Espanha junto do protagonista, e com isso fez os seus momentos fluírem bem. Ainda tivemos Lambert Wilson fazendo o rei Louis Philippe I com muita imposição, mas quase sem grandes cenas chamativas e o garoto Theo Grundmann fazendo o jovem prodígio Carl Filtsch que não conseguiu decolar, mas sem grandes momentos na tela.

Visualmente a trama mostrou muitas festas e concertos, com figurinos rebuscados, muitos figurantes e comidas e bebidas para todos os lados, vemos também a preparação da casa do protagonista para sua amada, tivemos bons atos de aulas de piano, e por consequência muitos pianos diferentes em cena, tivemos atos na Polônia e na Espanha, com destaque para as cenas da propagação da cólera e também as restrições para com as doenças e seus devidos remédios, ou seja, um longa cheio de elementos cênicos chamativos para cada momento na tela.

Enfim, é uma produção até grandiosa demais que se perdeu no que realmente queria mostrar, e assim sendo o filme fica alongado demais na tela, não fluindo de forma tão fácil, mas como disse no começo acaba sendo bem legal conhecer um pouco mais da vida de alguém tão famoso que apenas conhecemos suas melodias, mas que dava para ter ido mais além ao mostrar um pouco mais do passado dele antes dos seus últimos dias como acabou ficando na tela. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Synapse Distribution e da Atomica Lab Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Love Kills

5/25/2026 12:59:00 AM |

Já tenho falado faz algum tempo que o cinema nacional anda bem mudado, procurando encontrar múltiplos estilos que antes não chegavam tanto nas telonas, e tem sido bem bacana ver como os subgêneros do terror têm sido trabalhados, de modo que quem imaginaria ver algo meio gótico de vampiros em São Paulo, passeando pelas ruas escuras e ambientes mais depredados do centro antigo? Ninguém! Mas fizeram, e "Love Kills" tem uma pegada ousada e dinâmicas até que bem entregues, sendo diferenciado do tradicional, mas brincando com facetas tradicionais também, tanto que a HQ original acabou levando o longa para algo quase que novelesco, mas ao menos conseguiu trabalhar bem todas as dinâmicas com um orçamento enxuto, aonde os efeitos não foram tão longe, mas que ao menos funciona bem, e assim acaba sendo interessante ver o que quiseram propor na telona.

A sinopse nos conta que no centro de São Paulo, devastado pelas drogas, uma jovem vampira, Helena, assombra um estranho café na metrópole, cativando um ingênuo garçom. À medida que descobre os segredos dela e o submundo da cidade, ele é atraído para um mundo perigoso de intrigas imortais, desafiando sua mortalidade.

Uma coisa interessante que a diretora e roteirista Luiza Shelling Tubaldini tem feito é procurar coisas funcionais no mundo do cinema e adaptá-las para caber dentro do cinema nacional, e isso é bem bacana, pois dá para imaginar as coisas mais fictícias, porém próximas de nossos acontecimentos e vivências. Ou seja, aqui ela brincou com as ideias do mundo dos vampiros que já até vimos em novelas nacionais, mas com uma pegada mais próxima dos clássicos (inclusive mostrando num cinema um longa bem clássico do estilo), com paixões incandescentes e transmissões de poderes entre os seres, sendo algo simples, mas que na visão da HQ de Danilo Beyruth conseguiu transparecer até algo a mais, mas que em determinados momentos ficaram um pouco "truncados" demais, meio que com pausas que não eram necessárias numa trama de cinema. 

Quanto das atuações, diria que os personagens ficaram meio que teatrais demais, recaindo quase para o lado novelesco, e isso é um perigo em filmes desse estilo, pois o público precisa se convencer do que está vendo na tela, e no meio dos craqueiros da cracolândia de São Paulo ver vampiros pegando alguns ali como alimentação é algo meio incomum de se pensar. Ou seja, Thais Lago até foi bem imponente com sua Helena, desenvolveu bem suas cenas de lutas e criou alguns momentos densos bem encaixados com o que tinha para entregar, porém nas dinâmicas que precisou ter mais diálogos pareceu meio que deslocada, e isso deu uma leve queda na entrega completa, mas nada que desabonasse seus momentos mais bem colocados. Já Gabriel Stauffer fez um Marcos meio que desorientado demais na tela, parecendo estar livre do vício das drogas a pouco tempo, mas no meio de tudo o que rola acaba indo em um fluxo pouco usual, afinal qualquer pessoa normal vendo tudo o que acontece sairia é correndo e não entrando no meio da confusão, fora que a diretora esqueceu de avisar o pessoal da maquiagem que um ser humano normal tomando o tanto de pancadas que ele leva ficaria alguns roxos, mas isso não é erro do ator, que até fluiu bem, mas dava para ir mais além nas expressões. Quanto aos demais, a maioria ficou um pouco exagerado demais, tendo algumas boas lutas e desenvolturas, mas falhando no contexto principal de tentar aparecer muito como personagens secundários, e assim não diria que vale dar muito destaque para cada um individualmente.

Visualmente foi interessante ver uma São Paulo não usual, escura, cheia de drogados pelos cantos, alguns bares isolados e até um mundo fora dos padrões com apartamentos gigantescos e ambientes mais neutros, aonde a equipe de arte soube escolher bem as locações para representar esse estilo meio que gótico da cidade, ou seja, temos muitos ambientes imponentes e souberam aproveitar espaços mais fechados para que as lutas não precisassem falhar, e assim o resultado acaba agradando bem nesse sentido. Porém, a equipe de efeitos especiais e de maquiagem poderia ter trabalhado melhor alguns momentos, pois alguns poderes acabam distorcendo o ambiente, outros não ficaram tão machucados, e faltou um pouco mais de sangue para um filme com vampiros, mortes e tudo mais, ou seja, dava para brincar um pouco mais.

Enfim, é um filme de proposta ousada que foi bem representado na tela, mas que com um nome meio que fora do usual não chamou tanta atenção do público, que mesmo tendo algumas falhas como citei no texto até funciona bem sem ficar aquela novelona comum do estilo, então vale a dica para a conferida. Um pequeno detalhe apenas sobre a produção, que tem verba ribeirão-pretana sendo usado um projeto de lei da cidade pelo produtor Edgard de Castro, e apenas uma sessão do filme por aqui, ou seja, algo meio curioso apenas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Star Wars - O Mandaloriano e Grogu em 3D (The Mandalorian and Grogu)

5/24/2026 06:28:00 PM |

Hoje vou falar como alguém que não viu nenhum capítulo da série, e também não é fanático pela saga Star Wars, então posso dizer que fui para a sessão de "O Mandaloriano e Grogu" apenas como alguém que gosta de uma história bem contada, e o que posso falar de cara é que dá para curtir o longa pelo que é entregue, que claro não nos apresenta os personagens, mas como são cativantes com o que fazem, acaba sendo fácil de se conectar com tudo. Ou seja, pode até ser que seja um episódio mais longo da série, porém vemos algo como uma caça aos personagens do Império que ainda estão vivos querendo retornar tudo após os episódios do filme de 84, mas que não cumprindo bem a missão que lhe é conferida, o protagonista passa a ser caçador também pelos contratantes, ou seja, tem um começo, meio e fim funcional que até agrada, mas nada de muito impactante também na tela.

O longa nos conta que sob o contexto da recente queda do Império e, enquanto a Nova República luta para estabelecer as fundações do governo baseadas na luta da Rebelião, o lendário caçador de recompensas Mandaloriano Din Djarin e seu jovem aprendiz Grogu entram em uma missão para achar os esconderijos dos senhores da guerra Imperiais espalhados pela galáxia.

Diria que o diretor e roteirista Jon Favreau já mostrou saber dominar bem as técnicas de captura de movimentos, e aqui como temos muitos bichos feios na tela lutando, atirando e tudo mais, ele conseguiu proporcionar uma trama de ação que funciona bem na tela. Claro que o defeito gigante da Disney moderna é entregar os derivados de suas séries nas telonas sem fazer as devidas apresentações no começo do filme, mas como aqui isso não importou tanto, o resultado acabou fluindo bem, afinal o protagonista mal precisou dialogar muito com os demais personagens, apenas lutando e atirando bastante ao ponto da trama funcionar assim, termos seus cuidados com o pequenino verdinho e vice-versa. Ou seja, é daqueles filmes que até agradam pela formatação que o diretor decidiu seguir, mas nada que quem não for extremamente fã da saga saia da sala feliz e sorridente com toda a dinâmica montada.

Quanto das atuações, poderiam colocar dentro da armadura qualquer ator, pois vemos Pedro Pascal atuando mesmo com seu Mandaloriano em uma única cena, ou seja, apenas gastaram muito com o cachê do ator, pois qualquer um que estivesse disposto a lutar, pular e atirar se daria muito bem ali. Outro grande ator da atualidade, Jeremy Allen White emprestou sua voz para Rotta, o Hutt, e o bichão é o que mais fala na tela, então deu uma boa entonação para que o personagem parecesse imponente na tela. Outro que apareceu apenas em duas cenas foi Martin Scorsese, sim aquele diretor que reclama dos filmes de ação, mas aqui os boletos devem ter pesado e deu sua voz para o bichinho cozinheiro Hugo Durant. Ainda tivemos algumas cenas com Sigourney Weaver fazendo sua Coronel Ward bem colocada como a contratante das missões do protagonista, mas sem grandes momentos chamativos. 

Visualmente é o que mais importa na tela, tanto que temos muitos personagens que são criações computacionais, outros animatronicos, e ambientes bem interessantes de alguns planetas, tendo boas lutas, tiros, explosões, um coliseu eletrônico chamativo, cidades tecnológicas, e no palácio dos mandantes tivemos ainda um foço com umas cobronas e bichos esquisitos aonde tudo tenta matar o protagonista. Ah e claro tivemos o pequenino Grogu que entrega ótimas cenas, com movimentos e carisma tão grandioso que a equipe de arte e computação trabalhou bem demais para fazer funcionar. Tinha esquecido de falar, mas voltei agora (26/05 às 22h28) para falar que vi o longa em 3D, e tirando as cenas com as naves voando que dá uma boa imersão de profundidade, o restante é mero enfeite para cobrar ingresso mais caro!

Enfim, volto a dizer que não sou fã da saga, e menos ainda pensei em conferir a série para me situar, então posso dizer que o longa foi ao menos bacana na tela, dando boa interação e funcionando para quem for sem saber nada, porém quem conhecer mais tudo certamente irá gostar mais. Sendo assim fica a dica como algo bem feito, mas que talvez uma abertura rápida melhor desenvolvida agradaria mais ainda, e assim fica a dica para quem for conferir. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje vou encarar mais um filme, então abraços e até mais tarde.


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Hokum - O Pesadelo da Bruxa (Hokum)

5/23/2026 11:37:00 PM |

Se ontem fiquei extremamente feliz com o terror que fui conferir, hoje a situação já foi bem diferente, pois "Hokum - O Pesadelo da Bruxa" entrega um filme tão morno, tão sem impacto, que você fica esperando a tensão acontecer e quando rola você pensa, mas só isso? Ou seja, é daqueles filmes que facilmente poderia passar qualquer horário na televisão, que não vai causar trauma em ninguém e que mais parece uma aventura lúdica boba do que realmente um terror, e assim decepciona fácil quem for esperando um algo a mais na telona.

A sinopse nos conta que um escritor solitário vive um luto e passa a ser assombrado por uma figura misteriosa e assustadora. O introvertido Ohm Bauman se refugia numa pousada isolada na Irlanda para espalhar as cinzas de seus pais, o último desejo dos dois antes de morrer. Enquanto lida com a perda e o luto, Bauman será apresentado ao pesadelo que ronda o hotel, confrontando-se com visões perturbadoras e traumas do passado, que invadem seus sonhos e sua mente graças à presença de uma antiga bruxa que assombra a suíte nupcial. Em meio a pesadelos terríveis, um desaparecimento chocante parece piorar a situação, obrigando-o a enfrentar as forças malignas que cercam o local e os cantos mais sombrios do seu passado.

Diria que o diretor e roteirista Damian McCarthy até teve boas intenções ao criar sua trama, pois o filme tem algumas ideias interessantes de base, e talvez com alguns ajustes causaria muito mais tensão no público, afinal costumo dizer que se o filme não fizer você sentir nada, alguma coisa de errado teve, e na sala quase que cheia para conferir o longa, a maioria saiu como se tivesse assistido um caso comum na telona, aonde ocorreram algumas mortes, mas até elas soaram "banais". Ou seja, faltou impacto, e principalmente o diretor enxergar o potencial da trama para ir além, afinal seu filme foi vendido como um terror impactante, sufocante e tudo mais, e nem nas cenas que ele entra em um elevador minúsculo de comida, a essência do longa causa algo no público.

Quanto das atuações, gostei do estilo meio irônico que Adam Scott entregou para o seu Ohm, porém costumo falar que em filmes de terror os personagens precisam demonstrar o medo e o temor para o público se convencer do que está acontecendo, e aqui ele foi "normal" demais como escritor, e mesmo tendo seus problemas do passado, a culpa não transpareceu um minuto sequer na tela, ou seja, falhou bastante com a entrega que precisava. Quanto aos demais, gostei de ver o estilo do sem-teto que David Wilmot entregou na tela com seu Jerry, de modo que você acaba até torcendo para ele conseguir voltar e ajudar o protagonista, fora que foi bem chamativo, já os personagens do hotel foram meio que forçados demais, com Peter Coonan fazendo um Mal meio que desesperado com a situação, mas sem grandes explosões para chamar atenção, e Michael Patric acabou trabalhando seu Fergal meio que sem nuances para o estilão bruto, enquanto Will O'Connell poderia ter sido mais assustador com seu Alby na tela, e por fim a moça Florence Ordesh foi meramente um enfeite com sua Fiona sem grande expressividade, servindo apenas para dar o andamento da trama de subirem para procurar ela.

Visualmente a trama teve alguns atos bem rápidos em uma floresta, alguns momentos no bar do hotel, e praticamente todo o restante dentro da suíte nupcial abandonada, tendo uma banheira com água suja, móveis empoeirados, e alguns elementos cênicos bem antigos como o bonequinho do relógio, além de um elevador de comida minúsculo aonde os personagens descem para um porão antigo e bem estranho com luzes piscantes e alguns elementos pendurados, mas nada que assustasse realmente como deveria.

Enfim, é um filme que dava para ter ido muito mais além, mas que serve como um passatempo de sessão da tarde, que talvez alguns enxerguem algo a mais e sintam algo pela trama, mas para mim foi apenas algo bem simples que levou nada a lugar algum, e assim sendo não recomendaria ele para ninguém. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Passageiro do Mal (Passenger)

5/23/2026 12:34:00 AM |

Já disse isso várias vezes, mas quer me deixar feliz em um filme, me surpreenda com algo completamente fora do que o trailer parecia ser, pois venderam o longa "Passageiro do Mal" de uma forma tão bobinha e jogada no trailer, aliás mostrando praticamente só a primeira cena inteira e nada mais, que fui para a sessão esperando apenas mais um terror de sustos gratuitos daqueles que o diretor só quer rir de você saltando da poltrona, e acabei vendo uma história interessante misturando ideologia religiosa com intenções nômades e dinâmicas bem encaixadas dentro da proposta, que acabei gostando até mais do que achava, rindo claro de alguns clichês do estilo, mas tudo sendo tão funcional que o resultado acabou indo bem além na tela, sem precisar ficar pensando ou imaginando coisas.

O longa acompanha a viagem de um casal que tinha tudo para ser perfeita, mas ao presenciarem um acidente fatal na estrada, todo o rumo da história vira de cabeça para baixo. Sendo perseguidos por uma presença demoníaca chamada de Passageiro, eles serão acompanhados por todo o restante do trajeto de carro. O espírito do mal, por sua vez, fará de tudo transformar a aventura em um verdadeiro pesadelo.

Acho interessante quando praticamente já vi todas as obras de um diretor, e nenhuma delas me decepcionou (algumas podem até ser nada espantosas, mas me irritar ao ponto de desistir dele não), e um diretor que descobri ao acaso com uma indicação que ninguém nem sabia quem era foi André Øvredal, que depois acabou estourando com tramas mais comerciais, mas quando lançou "Mortal" simplesmente ninguém sabia quem era o cidadão, e ele sempre mostra muita pegada na tela, brinca com as facetas que tem, dá claro os famosos jumpscares (sustos gratuitos no escuro), porém sabe brincar com a ideia que lhe é entregue, fazendo com que tudo flua naturalmente, tenha conteúdo e impacte aonde deve impactar, ao ponto que aqui várias cenas me deram até leves arrepios, ou seja, fazendo funcionar como um terror deve que é "tocar" o espectador, e assim sendo, mais uma obra sua que irei anotar como não me decepcionou, mesmo que eu nem soubesse antes que o longa era dele.

Quanto das atuações costumo dizer que gosto muito quando em filme de terror o ator consegue passar o medo que está sentindo para o público, e aqui Lou Llobell entregou uma Maddie completamente desesperada com as situações que está vendo acontecer ao ponto de até querer desistir de seu amor para simplesmente sumir dali, e a entrega dela foi genuína em diversos momentos e conseguiu agradar bastante, até mesmo em atos que teve de demonstrar coragem e foi com tudo também. Já Jacob Scipio fez com seu Tyler aquele famoso personagem que dá raiva e torcemos pra morrer com umas burradas que faz, mas como foi bem colocado em diversos momentos, seu resultado geral acaba agradando. Joseph Lopez fez o Passageiro com olhares e entregas bem densas e repentinas, assustando mais pela essência do que por sua atuação, mas fez bem o que tinha de fazer. Agora fiquei com pena de usarem uma ganhadora de Oscar do porte de Melissa Leo como uma secundária de três cenas com sua Diana, pois poderia ter entregue mais na tela, mas ao menos seus momentos foram marcantes e chamativos no que fez.

Visualmente o longa é quase um road-movie, tendo a van dos personagens bem arrumadinha para viverem na estrada, não tendo muitos elementos cênicos, mas contando com alguns bem úteis para a proposta, valendo claro o destaque para a medalhinha de São Cristóvão (protetor dos viajantes e motoristas), tivemos algumas cenas em campings e reuniões de moradores de vans, e claro tivemos muitas cenas na estrada e estacionamentos, alguns restaurantes e claro muitas mortes e acidentes, ou seja, um filme com dinâmicas bem montadas, com cenografias não grandiosas, porém imponentes dentro do ambiente completo.

Enfim, não é o melhor terror que já vi na vida, mas conseguiu me arrepiar em duas cenas e conseguiu causar uma boa tensão sem ser daqueles filmes que você precisa ficar descobrindo ou imaginando as coisas, tendo alguns atos que talvez pudessem ser mais realistas, mas aí seria pedir demais, e assim sendo o resultado geral funcionou bastante, mesmo com sustos gratuitos e clichês tradicionais. Ou seja, quem curte o estilo pode ir tranquilamente que vai valer o tempo de tela (aliás bem curtinho de apenas 94 minutos). E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais. 


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Sexo e Destino

5/21/2026 10:23:00 PM |

Tenho uma opinião bem formada sobre longas religiosos, principalmente os da doutrina espírita, e já até falei aqui várias vezes, pois é uma das literaturas mais vendidas abaixo apenas dos livros de ficção jovem e de autoajuda, então os roteiristas têm mesmo que adaptar as diversas obras e lapidar para cada vez ficar mais próximo de um filme mesmo e mais longe de uma novela, que aliás estão transformando uma novela espírita em filme, então veremos o que acontecerá! Dito isso, hoje foi o dia de conferir o longa "Sexo e Destino", que foi narrado por André Luiz e psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira, de uma forma interessante o conflito de duas famílias que vem de gerações todo o caos, sendo até que bem desenvolvido com um elenco afiado, porém tem um grandioso defeito, que é recair demais para o lado novelesco, ao ponto que com tantos personagens, a história acaba se perdendo um pouco na tela, ficando o lado do passado algo meio que jogado. Ou seja, dava para cortar fácil uns bons minutos de filme, mas precisaria de ajustes na história para remover personagens, e assim, não impactaria tanto como no livro.

Na trama ambientada no Rio de Janeiro, às famílias Nogueira e Torres estão entrelaçadas por paixões, traições, vinganças e culpas que atravessam diferentes encarnações. Marina é uma jovem ambiciosa e fútil que passa por um longo processo de transformação ao longo do filme. Ela se apaixona por Gilberto, filho do seu patrão, sem saber que o rapaz já vivia um relacionamento com sua irmã, Marita.

Diria que o diretor Marcio Trigo é um dos que mais está trabalhando o vértice espírita nas telonas, só que sua formatação já está ficando repetitiva demais, ao ponto que o eixo novelesco é funcional para o estilo, mas precisam mostrar que tem outras ideias de quebras e reviravoltas, para ainda assim enaltecer a doutrina e as mensagens, sem que fique sempre batendo na mesma tecla. Ou seja, é um filme que mostra bem as ideologias da fé espírita, de suas conexões, lembrando até um pouco "Nosso Lar" em alguns momentos, mas repetiu o recheio do bolo, e mesmo sendo bom, já começa a não dar bons frutos para que o paladar do público goste.

Quanto das atuações, diria que os atores foram bem em suas interpretações, porém os personagens são meio que incômodos demais, ao ponto que Letícia Augustin até segurou bem sua Marina, mas em determinado momento pareceu mais maluca do que realmente expressiva, ou seja, faltou um algo a mais para convencer de seus atos. Bruno Gissoni teve alguns atos chamativos com seu Gilberto, mas parecendo não estar empolgado na maioria das cenas, e sim perdido com sua entrega. Tato Gabus Mendes é um tremendo ator, porém seu Nemésio acaba sendo forçado de essência e entrega. Antônio Fragoso foi quem mais teve mudanças nas nuances de seu Cláudio, mas também em determinados momentos a mudança foi tão grande que nem parecia mais o mesmo personagem/ator. Raquel Rizzo foi quem mais manteve a essência forte de sua Márcia, inclusive nas cenas do passado, ou seja, a atriz escolheu o caminho para seguir e foi bem na tela. Ainda tivemos Tiago Luz com seu Felix e Jaedson Bahia com seu André Luiz, mas foram secos demais nas passagens da doutrina, e assim não foi tão além quanto poderiam.

Visualmente o longa teve um orçamento não muito chamativo, de modo que tivemos duas casas bem semelhantes, mostrando que ambos eram famílias com um certo grau de riquezas, tivemos as cenas do passado sem mostrar muito dos ambientes para não criar grandes chamarizes, apenas tendo um pouco mais de valor nos figurinos, e tivemos uma boate bem sem nuances comuns que conhecemos do estilo, deixando apenas as cenas no plano espiritual mais envolventes de símbolos parecendo até usarem recursos de outros filmes espíritas. 

Enfim, como disse a proposta em si é interessante de ver na tela, porém acredito que o livro funcionou muito mais com a grande quantidade de personagens do que na telona, pois aqui o resultado acabou puxando demais para o lado novelesco, e isso está ficando repetitivo demais no estilo de tramas espíritas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Adrenalina Pura+ - A Trégua (La Tregua) (The Truce)

5/20/2026 10:42:00 PM |

Gosto muito dos filmes que envolvem a Segunda Guerra, principalmente os que fogem do mote tradicional em cima da Alemanha e seus conflitos, e um país que vem surpreendendo nas produções é a Espanha, com seu clássico estilo de cinema que acaba sendo um pouco alongado demais, mas que de um modo geral envolve e consegue ser bem marcante nas entregas. E a dica de hoje é o filme "A Trégua", que estreia amanhã na plataforma do Adrenalina Pura+, trazendo a história de dois grupos de soldados que acabam sendo presos num gulag soviético durante a Segunda Guerra, porém sendo de grupos de combatentes opostos na Guerra Civil Espanhola, passam a brigar e ter muitos conflitos de interesses e dinâmicas, mas que botando tudo em pratos limpos para se ajudarem a sair dali, poderão se entender um pouco mais. Diria que o longa tem um pouco de vários outros filmes do estilo, mas que acaba funcionando bastante na essência e no envolvimento entregue pelos atores, sendo algo bacana de conferir na tela.

A sinopse nos conta que em um gulag soviético durante a Segunda Guerra Mundial, dois grupos de soldados espanhóis (um franquista, outro republicano) devem aprender a viver juntos se quiserem sobreviver às duras condições de sua prisão.

Diria que o diretor e roteirista Miguel Ángel Vivas foi bem simples nas dinâmicas para que seu filme não ficasse tão complexo dentro da narrativa, pois se ele fosse abordar e contar a história de todos os personagens acabaria indo para muito longe, até mais do que já foi, pois o filme tem 150 minutos e mostra muitas situações entre os personagens e suas conexões, mas segurou a amplitude para o ambiente em si, o que acabou funcionando na tela. O que mais gostei da escolha do diretor foi dele praticamente esquecer a Guerra mesmo, deixando que o foco todo ali no gulag e como as relações entre os diversos grupos presos ali se assemelhavam aos campos nazistas sem terem as mortes só de judeus, mostrando um algo a mais para conhecermos do universo russo da época, e assim ele trabalhou com poucas cores para dar os ares das estações, mas brincou bastante com a essência toda na tela.

Quanto das atuações, posso dizer que todos foram bem intensos em seus papeis, porém o corte de cabelo inicial para todos os personagens acabou me deixando um pouco confuso com alguns personagens muito parecidos, e isso não é algo legal de acontecer, mas com o desenrolar dá para diferenciar e gostar do que cada um fez. A base maior ficou com Miguel Herrán, que a maioria conhece pela série "A Casa de Papel", e que aqui abrilhantou seu Tenente Salgado com uma vivência ampla e cheia de conexões, sendo sutil em algumas dinâmicas e implosivo em outras, mas conseguindo chamar muita atenção e com isso agradando com o que fez na tela. Outro que foi bem colocado no longa foi Arón Piper, que também é mais conhecido pelo seu papel na série "Elite, com seu Capitão Reyes, tendo uma experiência maior no gulag, chamando as dinâmicas de todos ao seu redor com suas imposições, mas sendo direto na conexão com os demais espanhóis, mostrando que o ator teve personalidade para o papel e conseguiu dinamizar tudo para que fosse encaixando dentro das devidas ações na tela. Vale ainda dar destaques para Javier Pereira com seu Padre, Fernando Valdivielso com seu imponente Junqueras, além de Sergey Ufimtzev com seu Nazarov e Dina Tasbulatova com sua Aisulu, mas todos com papeis mais de conexões do que imposições realmente a frente de tudo.

Visualmente o gulag em si lembra demais os campos de concentração que já vimos em muitos outros filmes da Segunda Guerra, com a mesma "receptividade" na entrada, diferenciando mais nas dinâmicas nos alojamentos que aqui como os presos realmente estavam ali para trabalhar pela sua comida, vemos as interações e não tanto as mortes em si, tendo atos nas minas, tendo alguns momentos nas enfermarias e também no aposento do controlador do campo bem mais arrumado, além claro de um concerto montado pelos presos que acaba sendo marcante para uma dinâmica de fuga, ou seja, tudo bem puxado para o cinza pelas cenas mais frias, e o resultado visual funcionando bem assim.

Enfim, é um filme denso, forte e chamativo, que talvez pudesse ter sido mais elaborado para não precisar se alongar tanto, mas ainda assim agrada bastante e mostra esse outro lado da Guerra que não foi muito ainda representado nas telonas. E é isso meus amigos, o filme estreia nessa quinta 21/05 na tela do canal Adrenalina Pura+, que pode ser acessado na maioria das plataformas de streaming, e fica a dica para a conferida, e eu fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Atomica Lab Assessoria e da Adrenalina Pura+ pela cabine, então abraços e até breve com mais textos.


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Na Zona Cinzenta (In The Grey)

5/17/2026 02:17:00 AM |

Gosto de longas de ação pelo simples fator de não precisar pensar em nada e apenas precisar jogar junto dos personagens no meio da loucura toda, porém existe um diretor que gosta de inventar moda, e acaba entupindo de explicações e planos mirabolantes em seus filmes que você acaba saindo até levemente cansado com tudo o que precisa ver, se vai dar certo isso, ou aquilo, se vai sair pelo norte, sul, leste, oeste, se a negociação vai dar certo ou se vai dar ruim, e por aí vai, de modo que acabamos apelidando isso de filmes de Guy Ritchie, de tal forma que vamos para a sessão de um filme seu sabendo que vamos trabalhar bastante para acompanhar os personagens, e assim pode ser que alguns amem e outros odeiem, mas sempre será dessa forma. Dito tudo isso, o longa da vez "Na Zona Cinzenta" só faltou um detalhe para ser o que foi, aparecer a logo da Netflix no começo, pois tem toda a cara dos filmes de ação que andamos vendo na plataforma, com uma tonelada de personagens importantes para a desenvoltura, mesmo sendo secundários no elenco, uma tonelada de tiros e explosões para todos os lados, personagens "importantes" dando seu sangue pelo projeto, e no fim tudo tendo alguma armaçãozinha extra para ficar semi-fechado. Ou seja, é o pacote passatempo de ação que a galera curte, que pode até passar longe de ser uma obra prima, mas que sempre vai funcionar para a maioria.

O longa acompanha a negociadora de elite Rachel, que é contratada para recuperar uma fortuna das mãos de um chefão do crime. Para isso, ela vai utilizar todo seu arsenal de recursos, inclusive a equipe de apoio liderada por Bronco e Sid, responsáveis por garantir sua integridade física durante a perigosa empreitada. Quando a negociação se estabelece dentro dos limites de uma ilha controlada pelo rival, Sophia e seu time precisam elaborar o plano perfeito para que ela recupere o dinheiro e deixe o local em segurança.

O diretor e roteirista Guy Ritchie é daqueles que já sabemos sempre o que vamos ver, tanto que é como falei no começo que já sabemos aonde vai errar e aonde vai acertar em seus filmes, de tal forma que nem esperamos acontecer alguma surpresa chamativa na tela, e isso é um problema principalmente para quem gosta de vivenciar momentos e reviravoltas em uma trama, e aqui você pode esquecer totalmente disso acontecer, ao ponto que o filme ficou com muita cara de uma produção feita para o streaming, e não para o cinema, mas como o orçamento deve ter ido lá para a estratosfera entre elenco e explosões, resolveram jogar ele nas telonas para tentar recuperar um pouco. Ou seja, é daqueles longas que o diretor sabe fazer muito bem, cheio de desenvolturas, personagens sagazes nas entregas, e muitos planos para desenvolver, que pode dar certo ou errado, mas que entrega a proposta completa na tela.

Quanto das atuações diria que o trio principal foi mais sedutor para o público do que intenso nas dinâmicas, mas isso fazia parte da proposta, e o resultado funciona, sendo que Eiza González entrega uma Rachel imponente, cheia de artimanhas, sendo daquelas advogadas arquitetônicas que nem se você quiser acaba ganhando dela uma ação, e seu jeitão de negociar acaba sendo marcante e cheia de desenvoltura, sendo bem bacana sua entrega. Jake Gyllenhaal trabalhou seu Bronco de um jeitão bem bronco mesmo, seco e imponente, com traquejos que você ri da seriedade dele, e isso deu toda a estrutura que o filme pedia. Já Henry Cavill fez um estilo mais sutil, com classe até demais para que seu personagem seja articulado dentro das tramoias e brincando bem em alguns momentos conseguiu chamar muita atenção. Do lado oposto tivemos irmão do Javier Barden que nunca tinha visto em filmes, de modo que Carlos Barden tem uma pegada mais durona que caiu muito bem para o estilo, sendo chamativo e surtado com toda sua riqueza sendo travada, ou seja, mandou bem no que precisava. Enquanto o advogado dele vivido por Fisher Stevens só foi vendo tudo dar muito ruim, suando aos montes e se preparando para ser morto já que não estava conseguindo fazer seu serviço. Ainda tivemos vários outros brucutus bem encaixados na equipe protagonista, com Michael Vu com seu Glover, Kojo Attah com seu Baker, Jason Wong com seu Gucci, Emmett J. Scanlan com seu Dunne, e Christian Ochoa Lavernia com seu Moreno, todos bem trabalhados na essência da missão e chamando atenção para suas tarefas. E por fim ainda tenho de falar da Bobby que Rosamund Pike faz em poucas cenas, mas extremamente imponente e chamativa, sendo bem colocada como uma negociadora rica que poucos veem, mas sabe o que faz.

Visualmente o longa é o tradicional de ação cheio de ambientes amplos como uma ilha cheia de ruas e espaços para correr com motos e quadriciclos, tivemos cenas em botes, helicópteros grandes e pequeninos, jipes, trailers e claro hotéis riquíssimos, além de navios, iates e tudo mais, tudo bem composto cenicamente com bombas e armas de todos os estilos, uma plantação de bananas e além disso a equipe brincou com muitos escritos e riscos na tela para mostrar os planos para o público, sendo marcante e cheio de nuances.

Enfim, é daquelas tramas que facilmente daríamos play nos streaming pelo elenco e pelas boas cenas de ação e que no cinema alguns devem até encarar pelo mesmo motivo, mas não esperem sair totalmente empolgados com o que verão, sendo algo mais cheio de planos que nos confundem, do que algo apenas explosivo, e assim fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais. 


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O Gênio do Crime

5/16/2026 07:55:00 PM |

É interessante que quando bem mais novo tínhamos muitos longas nacionais com a pegada infantil, e praticamente essa "indústria" foi desmantelada e acabou sumindo, e não é por falta de obras para adaptar, pois existem muitas, mas simplesmente mudaram para pouquíssimas animações (algumas até mais adultas do que infantis) e vez ou outra surge um novo "D.P.A." que vive em cima de investigações de bruxaria e magia, ou seja, tudo lúdico demais para acreditar. E quando vi o trailer de "O Gênio do Crime" fiquei com muito medo de ser algo bobinho demais para crianças, mas também fiquei na dúvida de ter lido o livro na escola há muito tempo, porém cá que fui para a sessão e gostei até que bastante do que vi, pois segue a pegada misteriosa que a criançada tá acostumada a ver com D.P.A., só que ao usar uma base de detetive do mundo real, de procurar vilões mais intensos, o resultado acaba fluindo e divertindo com as crianças tendo suas aulas, batendo figurinhas e tudo mais. Claro que por ser um livro mais antigo, deram uma modernizada nas coisas, e também amarraram um pouco demais as dinâmicas, parecendo ser até mais longo do que realmente é, mas nada que incomode, afinal deu para desenvolver bem os personagens na tela e contar tudo em 90 minutos.

O longa nos mostra que durante a Copa do Mundo, o álbum de figurinhas é a maior febre entre os alunos do Colégio Três Bandeiras. Gordo, líder de um grupo empenhado em completar o álbum, descobre uma operação de falsificação de figurinhas, até então, impossível de ser desvendada. Ao lado dos amigos - e de Berenice, uma garota esperta por quem se apaixona - ele embarca numa investigação cheia de suspense, aventura e humor, onde a paixão pelo futebol se une à busca por justiça.

É interessante ver que esse é o primeiro longa de André Felipe Binder depois de muitas séries e novelas, e ao ir numa direção tão fora do comum como é a de buscar livros mais antigos, ele acabou brincando com algo de muitas nuances e acertou principalmente em não deixar seu filme amarrado nos desenvolvimentos de personagens como é o caso da maioria das obras literárias. Ou seja, vemos um filme amplo aonde tudo vai acontecendo ao mesmo tempo que vamos conhecendo cada um ali, tanto que assim como os garotos até ameaçamos a chutar alguns possíveis vilões, e a sacada foi bem essa, mostrando que ele não ficou dentro do modo operante de novelas, o que foi um grande acerto. Porém, como disse no começo do texto, ainda não consegui reparar exatamente aonde o longa teve uma segurada temporal, que em muitos casos são usados para alongar o filme, e aqui foi apenas uma sensação mesmo, tanto que a cena final foi até cortada acontecendo algo e mudando rapidamente, o que soou um pouco estranho, mas nada que incomode, e assim o longa funcionou bem nas mãos do diretor, mostrando que ao buscar algo do escritor João Carlos Marinho, outros diretores também podem brincar com essas facetas e mudar o cinema nacional juvenil.

Quanto das atuações, é bem bacana ver jovens praticamente estreantes nas telas que possuem um bom potencial expressivo, mostrando que com um pouco mais de trabalho podem ainda se desenvolver mais e chamar muita atenção no futuro. E começando a falar de Francisco Galvão com seu João/Gordo posso dizer que ele tem muita presença, soube dosar os atos como protagonista, se mostrando um detetive bem cheio de traquejos e vontades, claro que faltou algumas firulas para marcar mais suas cenas, mas dominou bem e agradou com o que fez. Sei que a personagem Berenice tem participação em muitos outros livros do escritor, e aqui a escolha de Bella Alelaf foi muito boa, pois a jovem já tinha mostrado desenvoltura em um outro filme nacional, e aqui ela foi o encaixe que faltava para o grupo de garotos, senão seria algo muito fechado dentro de uma panelinha masculina, e sua personalidade entregue para a personagem conseguiu ser bem sucinta e interessante de ver. Breno Kaneto e Samuel Estevam também tiveram bons momentos com seus Pituca e Edmundo, mas suas desenvolturas acabaram ficando um pouco apagadas pelos demais, não sendo ruim de forma alguma, muito bem encaixadas e dinâmicas, mas como não quiseram dar um desenvolvimento maior de personagens, acabaram secundários. Quanto aos adultos, vale claro o destaque para Ailton Graça com seu Tomé até um pouco bobinho demais, mas tendo cenas interessantes bem colocadas e agradando com isso, e também vale destacar Douglas Silva voltando ao cinema com uma pegada bacana para seu Caíque, tendo atitude e imposição em diversos momentos, já Marcos Veras até foi bem com seu Mister Mistério, porém acabou fazendo um detetive meio cartunesco demais, e isso não mostrou o quão bom é o ator que conhecemos.

Visualmente o longa mostrou alguns atos em escolas diferentes de classes sociais também diferentes, tivemos muitas cenas na casa do garoto, com seu quarto cheio de detalhes de elementos de sua fixação por mistérios, fomos apresentados a produção de álbuns e figurinhas, além de uma metalúrgica abandonada aonde rolava os derretimentos dos detetives que tentaram parar os cambistas e falsificadores, porém uma grande sacada do roteiro foi brincar com as ruas e bairros de São Paulo, que com as ideias dos jovens de seguir o cambista acabou sendo até um elemento cênico bacana na tela, mostrando simplicidade nas dinâmicas, mas boas colocações na investigação. Um único aquém foi a cena do camping, que o lance de assar marshmallow é algo muito estadunidense e pouco comum no Brasil, mas ficou bonitinho de ver ao menos.

Enfim, foi um filme que imaginava que seria até mais bobinho e acabou me surpreendendo na entrega, sendo gostoso de conferir e lembrando um pouco da minha época de escola, aonde os poucos amigos e mistérios eram bacana de serem imaginados, então funcionou como filme e como nostalgia, sendo bem funcional e valendo a indicação, mesmo não sendo algo incrivelmente perfeito. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas acho que verei mais algo hoje, então abraços e até mais tarde.


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