O Que é o Amor? (C’est Quoi L’amour?) ( What Is Love?)

10/31/2026 02:17:00 AM |

É engraçado ver como a comédia francesa é tão diferente das demais, de modo que o longa "O Que é o Amor?" consegue ser gostoso de acompanhar ao mesmo tempo que critica o sentido da quebra matrimonial dentro da Igreja, brinca com o famoso sentido de que uma paixão pode até se separar, mas ainda manter sentimentos amorosos, e ainda trabalhar estilos diferentes de pessoas, tendo claro um modus operandi alongado, que é natural deles por querer mostrar coisas demais, porém ainda assim acaba sendo divertido pela essência e pela entrega. Claro que o mesmo filme pode ser visto de muitas maneiras diferentes, e até pensado com olhares talvez dele sendo feito por outros tipos de cinema, como o espanhol, americano e o britânico, aonde teríamos tramas semelhantes, mas com muitos outros tipos de desfechos e dinâmicas, e assim sendo talvez muitos até nem riam tanto com a entrega aqui do estilão francês tradicional, mas é inegável que ele ao menos diverte bastante.

A sinopse nos conta que quando Fred pede à sua ex-esposa, Marguerite, que anule o casamento na Igreja para que possam se casar novamente, ela fica feliz em vê-lo recomeçar a vida. Mas o que deveria ser uma mera formalidade acaba se revelando mais complicado do que o previsto e os levará até Roma, acompanhados dos filhos e de seus novos cônjuges. Uma viagem cheia de aventuras para todos os membros dessa família reconstituída.

Diria que o diretor e roteirista Fabien Gorgeart entregou algo funcional na tela, porém ele acabou enrolando demais na primeira metade do longa, querendo tentar passar algumas dinâmicas mais amplas sobre como é difícil a dissolução de um matrimônio dentro da Igreja Católica, e principalmente brincando com os sentimentos estranhos das famílias, aonde cada lado tem suas versões e dinâmicas, porém quando o longa vai para a "deslua"-de-mel em Roma, a trama ganha muito mais forças, mostrando que o diretor desenvolveu melhor a bagunça em grupo do que os atos mais solos. Ou seja, ele demorou para colocar a comicidade para valer na tela, mas quando encontrou brincou bastante, e claro deixou o fechamento para desenvolver ainda a moral completa na tela.

Quanto das atuações, achei a entrega de Laure Calamy com sua Marguerite Hélias até bem sacada em diversos momentos, porém na maior parte do tempo pareceu levemente forçada para tentar ganhar o riso, parecendo alguém meio "irreal" de vermos como alguém no mundo tradicional, ou seja, talvez a personagem seja assim, mas a atriz acabou exagerando um pouco ficando até estranha em algumas entregas. Já Vincent Macaigne soube segurar o estilo de seu Fred Raimbaud do começo ao fim, sendo meio bobão, porém apaixonado pela nova namorada e ainda tendo muitos sentimentos pela ex, de modo que faz seus trejeitos emocionais bem encaixados e acaba agradando bastante com o que faz em cena. Ainda tivemos bons momentos mais fechados com Lyès Salem com seu Sofiane e alguns trejeitos meio que inconformados de Mélanie Thierry com sua Chloé Darroy, sobrando para as garotas darem suas entregas secundárias meio que forçadas também, mas tendo Céleste Brunnquell com sua Léa Raimbaud e Saul Benchetrit com sua Raphaëlle bons momentos e chamando para si em algumas situações bem encaixadas. 

Visualmente o longa teve alguns bons momentos dentro de igrejas, algumas cenas na casa da protagonista e até em um ginásio de handebol, mas a maioria dos momentos se desenvolveu em Roma, com dinâmicas dentro de um bar, de uma grandiosa sala dentro do Vaticano, de um hotel com momentos na piscina e nos quartos, além de uma festa no final aonde todos dançaram bem no estilo de Bollywood, não tendo muitos elementos cênicos importantes sem ser uma imagem da Virgem grávida que acabaram carregando pelas ruas, mas sem grandes simbolismos para funcionar com algo a mais.

Enfim, é um bom exemplar da comédia francesa tradicional que poderia ser bem mais curto para envolver e entregar as dinâmicas mais diretamente na tela, que até funciona e diverte, mas claro que para isso você tem de curtir o estilão deles, senão é capaz de não se envolver como a trama pede e achar tudo forçado demais na tela. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos e dicas, então abraços e até logo mais.


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A Casa das Mulheres (La Maison Des Femmes) (A Place For Her)

10/30/2026 08:27:00 PM |

Costumo dizer que alguns filmes entram na nossa mente com uma força tão marcante que precisamos de tanta reflexão pelo impacto causado que não tem como não se emocionar e envolver. E hoje coloco mais um nome nessa seleta lista, pois "A Casa das Mulheres" mostra o impacto em um hospital que cuida e ajuda as mulheres abusadas em Paris, tendo uma entrega cheia de estilo por parte das ótimas atrizes, que junto de histórias sem serem jogadas acaba impactando demais com cada detalhe, fora ainda entrarmos no período que os abusos pioraram que foi durante a COVID-19, ou seja, uma história real bem representada que não ficou sendo documental, mas dando o brilho da ficção foi mais além e acertou em cheio com isso, sem precisar ficar com dramas paralelos ou erros jogados a esmo. Sendo perfeito em muitos sentidos.

O longa nos mostra que na Casa das Mulheres, entre cuidados, escuta e solidariedade, uma equipe luta todos os dias para acompanhar as mulheres vítimas de violência em sua reconstrução. Nesse lugar único, Diane, Manon, Inès, Awa e suas colegas acolhem, apoiam e devolvem a confiança dessas pessoas. Fazem isso em conjunto, com suas forças, fragilidades, convicções e uma energia inesgotável.

Diria que a diretora e roteirista estreante Melisa Godet só não foi mais perfeita no que fez pelo simples fato de em alguns momentos desenvolver histórias paralelas, mas tirando isso ela fez exatamente o que eu sempre falo que é trabalhar a realidade de forma ficcional sem precisar deixar o longa com cara de um documentário chato, pois pode até terem trabalhado com mulheres reais ou não, isso nem vem ao caso, mas conseguiu fazer com que o público se emocionasse com os ângulos escolhidos, fez com que as histórias e dinâmicas funcionassem bem na tela, e principalmente conseguiu com que seu filme marcasse realmente, pois ele lembra muito várias séries médicas que já vimos, porém com a pegada mais sentimental, afinal estamos falando de um nicho que sabemos que existe aos montes, que é o fator de mulheres que sofrem com companheiros agressivos, e mostrar um lugar disposto a salvar essas vidas enquanto está tentando salvar também o projeto, ainda tendo uma pandemia no meio do caminho, mostrou que sabe como fazer e trabalhar bem para envolver e funcionar.

Quanto das atuações, diria que todas foram bem demais na tela, transmitindo carisma e personalidade sem precisarem soar falsas, de modo que facilmente se não soubéssemos que eram atrizes ali, diríamos que as verdadeiras médicas estavam se entregando na tela, ou seja, foi um grande acerto de Karin Viard com sua Dr. Diane Khoury, Laetitia Dosch com sua Manon, Oulaya Amamra com sua Inès, Eye Haïdara com sua Awa e Juliette Armanet com sua Lucie, tendo cada uma um estilo diferenciado, com a diretora do hospital mais trabalhada na essência das buscas de verbas e ajudando na recomposição genital das mulheres, outra sendo a parteira do grupo, mas com problemas com o filho bebê e a volta ao trabalho, outra como intérprete para as mulheres não-francesas, e até a médica residente tendo uma mudança completa em sua vida, ou seja, o pacote completo muito bem encaixado na tela.

Visualmente a trama teve uma boa entrega na tela, sendo a base dentro do hospital real Casa das Mulheres em Paris, mostrando algumas salas de atividades, a sala dos médicos e alguns momentos externos sendo em bares e boates e até no centro financeiro da cidade, tendo bons elos sem precisar sair muito do ambiente tradicional, agradando pelo envolvimento e sendo bem representativo, ou seja, a equipe de arte foi bem simbólica e conseguiu chamar a atenção com o pouco trabalhado, mas bem efetivo, principalmente nos atos durante o período da COVID para conseguir o ambiente sem ninguém por lá!

Enfim, foi um filme que me emocionou pela entrega na tela, que tem momentos fortíssimos bem encaixados e que funcionou demais na tela pela essência da história e pelas boas atuações, de modo que talvez ampliando ele como uma série ficasse ainda mais perfeito para desenvolver melhor as várias histórias, mas perderia a graça de como um bom filme, então vale muito a recomendação para vê-lo no Festival de Cinema Francês ou quando sair efetivamente de modo comercial na telona ou nos streamings. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto daqui a pouco com mais um texto do Festival, então abraços e até logo mais.


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Victor, Como Hugo (Victor Comme Tout Le Monde) (Hugo)

10/30/2026 01:16:00 AM |

É engraçado como descobrimos as coisas que existem mundo afora, tanto que nunca tinha ouvido falar que existiam "peças" teatrais aonde alguém vai apenas para declamar poemas de determinado escritor e interpretar como isso foi escrito, e aqui no longa "Victor, Como Hugo" vemos que alguns até lotam teatros em várias sessões, e mais ainda existir pessoas que sabem praticamente livros e poemas inteiros de cabeça para declamar, ou seja, realmente eu sou incomum, pois tenho problemas em guardar nomes e tudo mais, quanto mais um poema e/ou livro inteiro. E o longa acaba sendo tão verborrágico que cansa o expectador normal, aonde você fica até esperando um algo a mais da relação do protagonista com sua filha e/ou com as garotas do teatro, mas não flui e até incomoda, de modo que ao final você nem aguenta mais ouvir falar de Victor Hugo, e assim acaba mais enroscado do que funcional.

A sinopse nos conta que inspirado por Victor Hugo, o ator Robert Zucchini carrega consigo uma doce melancolia quando não está no palco. Todas as noites, ele lota as salas de espetáculos, transmitindo seu amor pelas palavras. Até o dia em que reaparece sua filha, que ele não viu crescer… E se, pela primeira vez, amar fosse melhor do que admirar?

Diria que o diretor Pascal Bonitzer tinha uma história muito boa para desenvolver na tela, aonde daria para criar muito mais dinâmicas e envolvimentos, e até fazer o público se emocionar com a essência de poemas e relações familiares, porém ele acabou exagerando na dose de entrega dos poemas, ao ponto que não vemos ações, mas sim toda uma explicação do lugar, da vivência das mulheres, de motivos e tudo mais que acabou deixando o filme alongadíssimo, e pasmem que só tem 89 minutos, mas facilmente parecerá que você está a dias na sala ouvindo o protagonista declamar. Ou seja, o diretor não quis trabalhar técnica em uma produção maior, e assim focou demais no texto e esqueceu que tinha um filme para fazer.

Quanto das atuações, diria que se Fabrice Luchini conseguiu passar o texto completo de seu Robert Zucchini sem a utilização de pontos e/ou paradas gigantescas o cara é um mestre em decorar textos, pois ele fala do começo ao fim do longa, tendo meio respiro que seja, e isso é algo muito intenso na tela, mostrando uma versatilidade bem trabalhada, pois também usou bons trejeitos enquanto declamava e enquanto vivia uma viagem com a filha, e por isso mesmo daria para trabalhar muito mais essa dinâmica, afinal o ator iria bem longe. O trio de garotas Suzanne De Baecque com sua Pia Pépin, Louise Orry-Diquéro com sua Suzanne e Iris Bry com sua Georgia foram bem trabalhadas com um ar amplo, mostrando que a juventude pode se dar bem com atores mais experientes, de modo que elas se desenvolveram bem soltas e talvez com um pouco mais de tempo de tela agradariam mais ainda. E ainda tivemos a filha vivida por Marie Narbonne que ficou um pouco largada demais na tela, sendo até algo meio incômodo a relação entregue, e isso acabou não indo muito além.

Visualmente o longa ficou bem fechado dentro do teatro contando com uma plateia bem recheada de figurantes, alguns momentos em carros, alguns atos em uma padaria e também algumas cenas no teatro mais simples das garotas, além dos atos na casa do protagonista e os finais na cidade aonde viveu o escritor Victor Hugo, mas tudo sendo bem sutil, sem grandes utilizações na tela.

Enfim, é um filme que até tinha um bom potencial, mas que se enrolou demais nos poemas e com isso ficou mediano como trama artística que até é válida em festivais, mas numa sessão comercial ou em um streaming acredito que a maioria desistiria dele. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas amanhã volto com mais longas do Festival de Cinema Francês, e ainda tenho de ver as estreias da semana também, então o final de semana será agitado, fiquem por enquanto com meus abraços e até logo mais.


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A Ilustre Desconhecida (Ni Vue, Ni Connue) (All About Corinne)

10/29/2026 08:29:00 AM |

O mundo do cinema só é mágico para nós que estamos fora das telas vendo a magia acontecer na tela, pois para o pessoal que trabalha, e principalmente para os aspirantes a atores que tentam por vagas em tudo quanto é filme, e só conseguem figurações, o dia a dia acaba sendo triste e traumático, e com o longa "A Ilustre Desconhecida" vemos isso com a principal e mais conhecida atriz francesa se desenvolvendo de uma forma bem interessante, aonde a dramaticidade funciona bem, porém acaba sendo tão alongado na tela que mesmo nos emocionando o resultado acaba não impactando o quanto poderia. Ou seja, é daqueles filmes aonde o resultado até chama a atenção, mas talvez com bem menos tempo de tela envolveria mais o público.

A sinopse nos conta que Corinne Maclou é figurante. Ela participa de uma filmagem atrás da outra, na esperança de ser notada e, finalmente, conseguir um papel de verdade. Quando seu caminho se cruza com o de Sandrine Kiberlain e uma relação começa a se formar entre as duas, Corinne espera realizar seu sonho. Mas será que a famosa atriz realmente vai ajudá-la a conquistar seu espaço no meio do cinema?

Confesso que o diretor e roteirista Marc Fitoussi foi bem ousado em colocar Hupert no papel principal ao invés de Kiberlain, pois a maioria do público conhece muito mais a primeira do que a segunda, e a forma como ele brincou com todas as imposições dramáticas foi bem forte, principalmente por mostrar o quanto o mundo glamouroso do cinema é cruel com a maioria dos que não são famosos, de modo que ele até trabalhou bastante com o envolvimento dos bastidores, porém quis mostrar demais na tela, e dessa forma seu filme ficou alongado demais, o que acaba cansando até o fechamento bem colocado.

Quanto das atuações, quem realmente teve um papel sem precisar se interpretar foi Isabelle Huppert com sua Corinne Maclou, de modo que a atriz de múltiplas facetas conseguiu ser marcante do começo ao fim, trabalhando cada momento com trejeitos fortes e muitos sentimentos que talvez pudessem ser menos imponentes, afinal ela é uma figurante "profissional" e não uma atriz propriamente na trama, é isso pesou um pouco no nível de arrogância da personagem, mas ainda assim ela dá show nos momentos que precisaram dela. Quanto as demais, vemos muito da personalidade de cada um, afinal eles estão se interpretando a si mesmos, e tentaram parecer honestos ao menos como fariam em suas filmagens, sendo assim vemos desde Sandrine Kiberlain sendo gentil, mas também se fechando em alguns momentos, Anne Marivin sendo meio que arrogante e desconfiada da protagonista, a diretora Emmanuelle Bercot trabalhando intensamente com seu estilo de direção na tela, e até alguns momentos rápidos de Diane Kruger e Ana Girardot, mas sem ir muito além, assim como os demais participantes.

Visualmente a equipe trabalhou bastante nos sets de filmagem, mostrando as famosas salas de esperas da figuração, as mesas separadas para equipe e os refeitórios, além de mostrar alguns processos criativos durante as filmagens, também tivemos alguns encontros em restaurantes, festas e as casas das protagonistas, tudo de modo bem simples que encaixassem dentro dos contextos da trama, parecendo até que foram filmar em alguns longas em produção para economizar material, mas com isso brincaram com figurinos e boas dinâmicas com os devidos elementos cênicos, tendo como principal o currículo impresso da protagonista, que assim como muitas empresas, o povo do cinema também joga fora!

Enfim, é uma trama bacana para conhecermos um pouco desse mundo dos artistas que sonham em ser atores, mas que vivem tentando entrar no mundo fazendo figuração, tendo agentes ruins e raramente conseguindo ir mais além do que uma rápida fala, além claro de ter boas atuações, mas dava para ser resumido em bem menos tempo de tela, então diria que funciona com ressalvas. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto mais tarde com outro texto do Festival de Cinema Francês, afinal temos filmes aos montes para conferir, então abraços e até logo mais.


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Bem-Vindos à La Comédie-Française (De La Comédie-Française)

10/29/2026 01:53:00 AM |

Fazia realmente um bom tempo que não via uma comédia 100% cômica francesa, pois o país costuma entregar muitas comédias dramáticas e dramas cômicos de ótima qualidade (sendo da minha preferência a segunda opção), e hoje na abertura do Festival de Cinema Francês do Brasil 2026, tive a oportunidade de conferir um dos principais filmes desse ano que é "Bem-Vindos à La Comédie-Française", que se você tem o costume de assistir muitas tramas francesas está acostumado a ver nos créditos os nomes dos atores descrito como Fulano De Tal de la Comédie-Française, e até antes de aparecer o título na programação do Festival sempre me perguntava o que seria isso, ou qual motivo eles gostam tanto de colocar isso em seus nomes, e a explicação é bem simples e rápida durante o longa, por serem atores originários do teatro francês que se intitulam como uma tropa ou no caso uma companhia que está há anos exibindo peças praticamente todos os dias no teatro com o mesmo nome da companhia, e aqui tivemos uma trama leve e tão divertida dos bastidores de uma peça que está nos últimos minutos antes da estreia e acontece de tudo o que se possa imaginar, aonde contando com tantas boas sacadas e dinâmicas se desenvolve fácil e agrada demais do começo ao fim, e que tendo personagens bem colocados até acabamos nos conectando à eles, e isso é o famoso dar certo em um roteiro do estilo.

A sinopse nos conta que daqui a 3 horas, Nina estreia sua primeira encenação na Comédie-Française. Mas, em meio à agitação dos últimos ensaios, nada sai como planejado: atrasos, momentos de estresse, problemas técnicos e desentendimentos abalam o elenco. No entanto, Nina não tem outra escolha a não ser levar a peça até o fim, pois, se há uma regra de ouro na Comédie-Française, é que não se cancela. Começa então uma corrida contra o relógio para salvar a apresentação.

Um ponto interessante da trama é que assim como a protagonista é uma atriz da companhia em sua primeira direção de uma peça, aqui também tivemos os dois atores Martin Darondeau e Bertrand Usclat estreando na função, e eles souberam bem em segurar as dinâmicas e entregas da equipe, trabalharam muitos momentos em plano-sequência (que mostra uma ousadia chamativa em uma estreia), e principalmente fizeram as dinâmicas quase como se o filme fosse uma grande peça em desenvolvimento, aonde você vai acompanhando os conflitos da nova diretora quase que em tempo real, e assim a situação toda acaba ficando puxada para o seu lado, o que é bem divertido de se entregar. Ou seja, posso dizer que tanto a diretora protagonista, quanto os diretores do filme mesmo tiveram uma boa estreia, chamativa e que passa bem a síntese da comédia francesa que gostamos de ver, e assim o resultado agrada bastante. 

Quanto das atuações, o longa claro que contou com um elenco inteiro formado por atores da companhia se desenvolvendo bem na tela, tendo Pauline Clément com sua Nina cheia de nuances expressivas, se desesperando a cada confusão que os personagens vão entregando para ela, tendo de resolver problemas pessoais, problemas com a peça, problemas pessoais dos atores, e com trejeitos variados se mostrou completamente disposta para envolver o público, e mostrar como muitos diretores jovens sofrem ao pegar algo maior para fazer. Outro que se jogou em cena foi Laurent Stocker com seu Philippe, de modo que vemos ele como um imponente ator que já fez de tudo no teatro, que sabe e até exagera nas reclamações para a jovem diretora, sendo chato na medida certa, e expressivo como deve ser, conseguindo impactar e marcar território. O jovem Julien Frison mostrou com seu Antoine aqueles atores que possuem superstições gigantes com tudo no ambiente, que se envolve com todos ao seu redor das formas mais diferentes, mas ainda assim se expressa com segurança, agradando no pouco que trabalhou. Já Marina Hands deu para sua Emilie uma vertente mais atrapalhada por estar pensando mais nas suas "italianas" do que na peça em si, mas transpareceu na tela de uma forma bem marcante e interessante como uma boa secundária deve fazer. Já as entregas de Danièle Lebrun com sua Nadine e Sefa Yeboah com seu Issa foram ainda mais emocionais e cômicas nos devidos tempos, tendo ela o famoso fim da carreira aonde juntando com sua técnica de não ficar nervosa foram demais, e o jovem querendo virar ator se entregou com tanta personalidade e emoção que todos na sessão soltaram o devido "ahhh" quando ocorreu algo na tela. E por fim ainda vale dar um leve destaque para Christian Hecq com seu Jacques, o iluminador nervoso e que para fazer qualquer coisa precisa explicar toda a técnica envolvida, ou seja, divertiu bem e irritou bastante também.

Visualmente a trama aconteceu completamente dentro do Teatro de La Comédie-Française, tendo atos no palco, nos diversos corredores, camarins e salas do ambiente, tendo todo tipo de elemento cênico bem tradicional e cheio das nuances para que o ambiente em si fosse bem representado na montagem da peça tradicional de Shakespeare "Macbeth", aonde brincaram com símbolos através da luz, fumaças e tudo mais que pudesse dar errado, mas que funciona bem na tela.

Enfim é um filme muito gostoso de conferir, que envolve do começo ao fim, diverte bastante e que mesmo sendo algo mais teatral, funcionou bastante na telona, sendo uma boa recomendação para quem não conhece os filmes franceses, e que quem já gosta do estilo irá se encantar, então fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Aliança Francesa de Ribeirão Preto e do Shopping Santa Úrsula pelo convite da abertura, e volto amanhã com mais textos do Festival, então abraços e até logo mais.


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Os Farofeiros 3

10/27/2026 12:59:00 AM |

Quando vi que estavam produzindo mais um longa de algo que já não tinha motivo para um segundo filme, aonde tudo tinha sido exageradamente forçado para ganhar meia dúzia de risos já fiquei imaginando o que poderiam fazer para recuperar a diversão ao menos, já que risadas sempre sai, afinal forçando a barra até filme de morte consegue fazer rir, mas eis que dentro de "Os Farofeiros 3" a essência original do primeiro longa volta a florescer e consegue segurar bem a dinâmica em algo que até funciona bem, porém exageraram um pouco para dar voz às crianças, precisando parar a todo momento para o teatrinho da escola, que é gracioso, mas valeria umas duas ou três cenas, não a cada quebra de intensidade, o que fez o filme ficar meio que sem ritmo. Ou seja, o filme que chega aos cinemas no dia 05/11 até vai divertir os fãs do estilo, afinal são muitos, mas facilmente com poucos ajustes na montagem resultaria em algo bem mais funcional e engraçado ao mesmo tempo.

A sinopse nos conta que na primeira viagem internacional, o grupo de amigos embarca para a fictícia ilha de San Martinez, no Caribe. Nesta nova aventura, Rocha convida Alexandre, Lima, Diguinho e suas famílias para celebrar o casamento de sua filha, com tudo pago em um resort de luxo. Mas somente lá, eles descobrem que o companheiro de trabalho mentiu: para garantir uma celebração em alto nível, colocou todos no hotel mais barato da América Latina. Já que a viagem é uma roubada mesmo, o que resta é relaxar e curtir a festa de casamento nas praias com mar azul turquesa do Caribe. Será que eles conseguem?

Já conhecemos bem o estilo do diretor Roberto Santucci, então nem dá para esperar muita coisa fora dos padrões de entrega dele, e aqui ele brincou com praticamente tudo o que poderia ser encaixado em férias no Caribe (aliás quase tudo, faltou colocar uns golfinhos!), desde acomodações suspeitas para os pobres que se achem ecológicos, passando pelos brinquedos aquáticos de risco duvidoso e até trabalhando os conflitos em aeroportos e aviões para o pessoal menos provido da grana, ou seja, tem de tudo na tela, sendo boas sacadas que encaixaram bem na dinâmica, de modo que felizmente não vemos o filme como uma junção de várias esquetes como muitas vezes ocorre, mas sim como uma trama bacana, que só teve a falha das quebras do teatro das crianças, pois facilmente dava para rolar sem precisar desses enfeites e funcionaria ainda mais, mas provavelmente esse foi o pedido para usar a garotada, então vida que segue.

Quanto das atuações, o foco se manteve bem dividido como já vem sendo de praxe dos filmes da franquia, tendo claro mais dinâmicas com Maurício Manfrini com seu Lima aprontando muito junto da esposa Jussara que Cacau Protásio sempre entrega muito bem, tivemos Nilton Bicudo e Aline Campos fazendo dois ou mais papeis na tela para dar a brincadeira do padrão de beleza de seus Diguinho e Ellen, e claro os conflitos entre Danielle Winits com sua Renata sempre reclamando de tudo com o marido Antônio Fragoso novamente tendo de dar a notícia da empresa falindo, sobrando ainda para algumas dinâmicas de Charles Paraventi com um Rocha sempre parecendo ter mais do que realmente tem, e sua esposa aqui praticamente dopada de remédios que Elisa Pinheiro trabalhou bem, sendo todos bem tradicionais dos demais filmes, e raramente puxando algo a mais para a tela de novidade.

Visualmente o longa teve quatro bases, o teatro da escola aonde os personagens ficaram interagindo nas cadeiras enquanto as crianças encenavam a peça no palco, o aeroporto aonde os conflitos conhecidos como despachos de bagagem e levar coisas proibidas geram o caos tradicional, dentro do avião que mais parecia um ônibus de excursão na classe executiva e um luxo com banheira, massagem e cantor na primeira classe, e depois o hotel com cabanas em formato de ocas indígenas e todas as brincadeiras na água com voo de paraquedas, jetskis, bananas e tudo mais que conhecemos nesse mundão, só que levado para as águas caribenhas, mostrando que a equipe de arte trabalhou bastante para tudo funcionar.

Enfim, está longe de ser daquelas comédias que você ri sozinho pela história, mas que funciona ao menos como algo divertido de acompanhar, sendo bem melhor que o segundo filme que só foi forçado demais, então quem gostou dos anteriores certamente irá gostar desse. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Atomicalab Assessoria e da Downtown Filmes pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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NAZA

10/26/2026 12:43:00 AM |

Não costumo trazer muitos textos de documentários por aqui, mas como esse vem chamando muita atenção nos festivais, e provavelmente deve estar entre os candidatos de Melhor Documentário no Oscar do ano que vem, eis que resolvi assistir a cabine de "NAZA", que já tinha estreado em alguns poucos cinemas em sessões especiais, e chega na próxima quinta oficialmente no país todo (ou nem todo, pois sabemos que é raro documentários estrearem em salas comerciais!). E de cara me incomodou um pouco que é um documentário aonde não vemos praticamente nada, mas sentimos muito pelas falas, pois como os entrevistados não puderam mostrar suas caras ou vozes, então o longa foi filmado em um terraço de um prédio no escuro, aonde só o entrevistador/diretor aparece e vamos conhecendo um pouco mais dos termos e das dinâmicas de ex-militares de Israel que trabalharam na criação e na execução de programas que junto de inteligências artificiais marcavam os alvos aonde poderiam existir membros do Hamas e assim consequentemente fossem mortos, importando quantos NAZAS eram eliminados juntos (termo esse que não identificava se era criança ou adulto, apenas quantos civis tinham ido para a cova junto do possível alvo realmente). Ou seja, criaram termos para não ter associações humanas, mas sim eliminados e pronto, e isso dá uma agonia gigante de ouvir, o que tornou a trama forte, e que mesmo bem rápida causa muito em quem assiste.

Filmado durante a noite nos telhados de Tel Aviv, o longa investiga os mecanismos e estruturas que, segundo a proposta do filme, sustentam o assassinato em massa de civis palestinos em Gaza. A partir de uma perspectiva documental e investigativa, a produção busca ultrapassar as imagens mais imediatas do conflito para examinar os sistemas políticos, militares e sociais envolvidos na violência. Entre relatos, observações e reflexões, o longa constrói um retrato sobre as consequências humanas do genocídio e questiona as forças que permitem sua continuidade. Ao deslocar o olhar para Israel, Naza propõe uma análise crítica sobre poder, responsabilidade, violência e desumanização.

Se no seu filme anterior "Sem Chão", o diretor e roteirista Yuval Abraham brilhou demais, e com isso conseguiu ganhar o Oscar, aqui ele fez novamente um filme recheado de denúncias com muita personalidade e entrega na tela, porém faltou trabalhar mais isso ao invés de apenas gravar as entrevistas para usar como algo forte. Claro que ele ainda soube muito bem quem utilizar para que seu filme não ficasse vazio, tendo grandes nomes que mesmo não sendo revelados mostraram ser chaves nos atos militares do país, porém costumo dizer que apenas entrevistas em um documentário acaba ficando um resultado morno demais na tela. Agora sem dúvida algumas frases foram bem marcantes, como as que compara os militares de Israel com os militares da Alemanha nazista, fora as de que nem ligavam para que morressem crianças, bebês chorando e tudo mais, e dessa forma o filme ganhou uma densidade forte que com pouquíssimas mudanças visuais impactariam como literalmente uma bomba na tela.

No contexto visual o que posso dizer é que faltou aquele algo a mais que o diretor entregou no longa passado, pois apenas pessoas sendo entrevistadas no escuro cansa a vista de quem assiste e acabou ficando monótono demais, tendo alguns momentos com imagens de arquivo antigas para mostrar as instalações tecnológicas em Gaza contando como Israel se aproveitou disso para monitorar a cidade, mas nada que fizesse o filme caminhar melhor, e assim sendo realmente faltou uma direção de arte para impactar como deveria.

Enfim, é um filme denso, forte e com uma pegada marcante, mas conhecendo o potencial do diretor pelo que fez em seu filme anterior, diria que aqui ele foi um pouco tímido demais, e assim mesmo que tenha uma trama que vai impactar muitos e talvez até ganhar indicações aos principais prêmios, aqui ele falhou um pouco na entrega. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo aos amigos da AtomicaLab Assessoria e da Vitrine Filmes pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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I Want Your Sex

10/25/2026 01:43:00 AM |

Quando vi o pôster do longa "I Want Your Sex", que felizmente não quiseram inventar um nome nacional, confesso que fiquei meio com medo do que veria na sessão, afinal essas tramas mais picantes costumam ser problemáticas com algumas pessoas que não sabem assistir a um filme, mas depois que li que era uma comédia fiquei um pouco mais aliviado. E posso afirmar agora que fazia tempo que não via uma trama com um humor tão peculiar como o entregue aqui, pois usa de sacadas que brincam com a arte abstrata e o sexo apenas por sexo que muitas vezes não caem bem em tramas normais, ao ponto que os personagens não soaram forçados nem jogados na tela, tendo a protagonista uma pegada intensa de dominante e o rapaz de bobão (mas feliz em ser bobão), e que no encaixar das dinâmicas acaba divertindo e sendo funcional. Ou seja, não é um filme que todos vão apreciar, mas certamente quem entrar na sessão irá curtir toda a entrega feita, principalmente por ele ser rápido e dinâmico sem ficar tendo enrolações na tela.

O longa acompanha Elliot, um jovem ingênuo que consegue emprego com a renomada artista Erika Tracy. Ela o escolhe para participar de uma dinâmica de experiências sexuais e o que parecia a realização de suas fantasias rapidamente se transforma em uma relação muito mais profunda e imprevisível.

Não conhecia o estilo do diretor e roteirista Gregg Araki, mas posso dizer pelo que vi aqui que ele sabe brincar com a ousadia sem que ficasse abusiva na tela, de modo que a trama tem todo o cunho erótico, mas passa o estilo provocativo na frente de tudo e isso é algo bacana de se trabalhar, sendo claro que por ter a classificação de 18 anos, as piadas puderam ser aquecidas e intensas de modo a funcionar melhor dentro da síntese da produção. Ou seja, o filme funciona bem como uma comédia deve ser, fazendo com que o público ria das situações em que o personagem principal se mete, e um único defeito que apontaria é que faltou o diretor trabalhar as expressões dos policiais do interrogatório, pois fico imaginando a minha cara com alguém contando uma história desse naipe, e certamente os trejeitos deles chamaria atenção e seria até engraçado ver.

Quanto das atuações, nunca tinha reparado em Olivia Wilde como um mulherão, mas aqui sua Erika Tracy não tem apenas pegada, mas sim um estilo dominatrix que impacta, cheia de intensidade e chamarizes, que claro pode parecer meio abusivo, mas que é desenvolvido e principalmente chama a atenção em sua entrega, não sendo algo perfeito, porém para a personalidade que o papel exigia acabou dando show. Outro que não tinha reparado no estilo de atuar é Cooper Hoffman que soube entregar para seu Elliot um jeitão meio que abobado, mas que funcionou exatamente para a proposta, sendo estranho seus traquejos, mas certamente muitos ficariam dessa forma com as propostas da chefe, então o ator se jogou por completo e foi muito bem em cena com tudo o que fez. Ainda tivemos outros vários atores bem colocados, mas a base mesmo foi focada nos dois protagonistas, valendo leves destaques para Mason Gooding com seu Zap, e Chase Sui Wonders com sua Apple, mas sem grandes atos que fossem impactar no desenvolvimento da trama.

Visualmente a trama teve a entrega bem dentro do mundo artístico abstrato, afinal a protagonista é uma dessas malucas que compram obras estranhas e que também faz obras e apresentações sexualizadas, de modo que o conceito foi interessante com cores vibrantes tanto no estúdio quando na casa dela, e além disso tivemos a simplicidade nos apartamentos e casas dos demais, mas tudo contendo bons elementos cênicos para dar vida ao mundo intenso que a proposta pedia, ou seja, a equipe de arte precisou vivenciar um pouco do lado masoquista e também do luxo e abstrações da arte contemporânea, e assim o resultado ficou até bem interessante.

Enfim, é uma comédia bem diferente das usuais que funciona bem dentro do fazer o público se divertir, que até tem alguns atos apelativos, mas que volto a frisar que dentro da proposta funcionou, então é a famosa ousadia que até fica estranha num primeiro momento, porém que acerta no tom e se desenvolve bem na tela, agradando quem gosta de algo diferente do padrão. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Zona Zero (군체) (Gunche) (Colony)

10/24/2026 01:26:00 AM |

Que o cinema sul-coreano já explodiu mundo afora sabemos bem, e o mais curioso é que eles não trazem filmes simples com um ou dois personagens principais, mas sempre toneladas de conexões, figurantes sobrando por todos os cantos, e incrivelmente conseguem trabalhar temas morais junto de tramas de ação, algo que é raríssimo de conseguir fazer funcionar, ou seja, daqui a pouco teremos um nicho completamente separado para conseguir explicar algo como um estilo próprio que chama atenção e que impacta sabendo exatamente aonde pisar. E dito isso, se tem algo que nunca fui muito fã são tramas envolvendo zumbis, pois geralmente a ideologia em si não me convence, mas existem tantos fãs e tantos filmes diferentes que acabamos sempre entrando na onda para tentar ao menos curtir, e quando vi o trailer de "Zona Zero" fiquei curioso pela proposta acelerada até demais na tela, de modo que parecia ser algo diferente dos tradicionais longas morosos que costumam entregar a dinâmica, e analisando a ideia em si de bioterrorismo junto com a pegada digamos vingativa dentro de uma essência, colocando ainda pontos morais de quem é a vítima, quem deve morrer ou viver, e até mesmo por quais motivos valeria botar tudo dentro de uma loucura completa, fez com que o resultado ficasse ainda mais interessante, e que mesmo sendo um pouco alongado para colocar tudo isso na tela, funcionasse bastante do começo ao fim.

O longa nos conta que o que deveria ser apenas uma conferência sobre avanços científicos rapidamente se transforma em um pesadelo sem saída. Se-jeong, uma professora de biotecnologia, participa de um importante encontro acadêmico quando um vírus de rápida mutação é liberado, mergulhando o local no caos. Conforme a infecção se espalha, os contaminados passam por transformações aterrorizantes, tornando impossível distinguir aliados de ameaças. Com as autoridades isolando completamente a instalação para tentar conter o surto, os sobreviventes se veem presos em uma luta desesperada pela sobrevivência. Enquanto o medo cresce e a ordem entra em colapso, Se-jeong precisa usar seus conhecimentos para encontrar uma saída antes que a mutação torne qualquer esperança impossível.

Posso afirmar que o diretor Yeon Sang-ho gosta bastante do estilo zumbis, afinal a maioria dos seus longas tem essa base, apenas desenvolvendo o local, a forma de surgirem e as entregas, e para quem não é um amante do estilo como eu, ele faz algo que beira a perfeição que é amarrar tão bem a história para que todos se envolvam com os personagens e com as dinâmicas ao ponto de acompanharmos os protagonistas e torcermos para eles, sendo tudo tão grandioso na produção que acabamos ficando impressionados seja com a técnica ou com o desenrolar, nem ligando tanto para os erros do roteiro e/ou enrolações que acabam segurando demais a trama. Ou seja, diria que ele voltou ao seu estilo que vimos nos dois filmes de "Invasão Zumbi" e "Jung_e"e deixou um pouco de lado o estilo policial de "Revelações", e que se talvez tivesse juntado as duas coisas teríamos algo brilhante, mas que ainda assim funcionou muito bem pelo tamanho da produção visual.

Vou ser um pouco preconceituoso e talvez até xenófobo com o que vou falar, mas é muito difícil diferenciar atores orientais para mim, de modo que falar individualmente de cada um é complicado, então vou falar dos dois dizendo que embora tenha atitude e boa entrega na tela, Jun Ji-hyun acaba sendo meio monótona e desanimada demais com os trejeitos que trabalha em sua Se Jeong, de modo que sendo a protagonista principal não faz com que torcêssemos para que ela fosse muito além, e isso pesa na tela de modo a não fluir como deveria, então poderia ser alguém mais imponente a virar herói na trama, ou o diretor forçar mais sua atuação. Já Koo Kyo-hwan trabalhou o vilão Seo Yeong Cheol com um estilão meio que irônico demais, sendo divertido de ver suas caras e bocas (mesmo vendado) comandando todos os zumbis, além de ter diálogos bem marcantes que até sendo dublados impactaram na tela, soando até forçado em alguns momentos, mas funcionando bem na tela. Quanto aos demais, diria que foram bem na tela fazendo os tradicionais personagens que todo filme do estilo tem de ter: a garota que atrapalha tudo fazendo barulho, chorando e tudo mais; o policial que acaba fazendo atos contra todos; o segurança que quer ser herói, mas se atrapalha e muda de lado; os políticos que não sabem de nada e querem acabar com tudo; e até alguns deficientes para ficarmos com dó e pensar em como ajudar, ou seja, o pacote completo.

No conceito visual se o longa não ganhar as premiações (ao menos orientais) podem dizer que foram muito roubados, pois vemos um shopping inteiro e até o laboratório do vilão repletos de gosmas/fungos espalhados nas paredes, macacos surtados atacando, e até mesmo os zumbis cheios de detalhes com roupas grudentas, muito sangue para todos os lados, coisas sendo destruídas, ambientes de todos os estilos desde escritórios, salas de controles, lojas, restaurantes, e tudo mais, cheios de detalhes e elementos cênicos que vão sendo usados com a melhor qualidade possível, ou seja, a equipe de arte, e claro a de efeitos especiais trabalhou bem demais e merecem o reconhecimento, além claro de maquiagem por trabalhar com tantos figurantes bem representados na tela.

Enfim, é um filmão que funciona bem para todos, até mesmo quem não é fã do estilo, que vale a pena conferir em uma tela grande para se envolver com muita intensidade e até talvez tomar alguns sustos, mesmo sendo um pouco alongado de história, mas isso é uma característica do cinema sul-coreano, então é comum acontecer. Então fica a dica de conferida e volto amanhã com mais dicas, fiquem por enquanto com meus abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Apreensão (Tow)

10/23/2026 09:22:00 PM |

Gosto bastante de conferir tramas baseadas em histórias reais, pois muitas vezes não conhecemos algumas situações, e pasmem só na abertura de "Apreensão", que estreou na Amazon Prime Video, já levei um choque ao saber que quase 3 milhões de pessoas moram em carros nos EUA e são considerados sem-teto, mas costumo sempre falar que para uma trama funcionar como filme ela precisa conter situações ficcionais que puxem o espectador para a tela, pois apenas jogar a história real acaba sendo um serviço para documentários, e se não for incrementado suficientemente o longa corre risco de ficar monótono demais e não atingir uma meta maior e mais chamativa. Ou seja, é uma história interessante, afinal a verdadeira Amanda passou mais de um ano tentando recuperar o seu carro/moradia, e claro a dignidade de poder voltar a visitar sua filha e sair de um abrigo, também tivemos uma atuação brilhante de Rose Byrne na tela para conseguir passar uma verdade com os seus atos, mas ok, amanhã já nem lembrarei direito de ter visto o filme, e é isso o que mais acabou faltando na tela.

O longa conta a história de Amanda Ogle, uma moradora de rua de Seattle, que lutou para sair do inferno da empresa de reboque para recuperar sua vida e seu carro depois de receber uma conta de reboque de $21.634.

Diria que faltou ousadia para que a diretora Stephanie Laing conseguisse trazer para a tela a história sem ser algo documental, pois você fica acompanhando os perrengues da protagonista como algo meio que forçado demais, aonde é crível que ela tenha passado por isso, mas sem atitudes mais fortes, o resultado acaba sendo monótono demais na tela, aonde você tenta a todo momento procurar ser ajudado pelos personagens, mas acaba não acontecendo. Ou seja, talvez com uma mão mais forte nas desenvolturas da trama, o resultado seria algo bem impactante e cheio de sentimentos, e que ajudado pelas ótimas atrizes do elenco acabaria levando o público para rumos melhores de se envolver.

E já que falei das atuações, Rose Byrne vem mostrando uma potência imensa em suas últimas atuações, e aqui não foi diferente, tanto que em momento algum você vê a atriz em cena, mas sim a personagem Amanda se envolvendo e desenvolvendo, tendo um ego até grande demais para não falar que precisava de ajuda, e isso a atriz soube passar com trejeitos próprios e muita personalidade, ou seja, deu show novamente. Octavia Spencer dispensa elogios, e mesmo tendo um papel simples aqui com sua Barbara consegue amarrar bem suas cenas e botar banca quando precisou se jogar, e assim acabou agradando com o que fez. É engraçado ver como Dominic Sessa fica jovem demais na maioria dos filmes, parecendo realmente que seu Kevin acabou de sair da faculdade de Direito e quer resolver o caso da protagonista a qualquer custo, sendo singelo, mas efetivo nas suas cenas. Tivemos outras boas participações como a de Demi Lovato e a de Simon Rex, mas tudo apenas muito que jogado na tela sem desenvolvimentos, e isso foi um grande erro da diretora.

Visualmente a trama focou bem em dois lugares praticamente, tendo a jovem e o advogado indo quase todos os dias nos pátios de veículos, todos os momentos dentro do abrigo dentro da Igreja com suas regras e dinâmicas, além do tribunal e do escritório do rapaz, no início ainda tivemos alguns atos para contrastar o luxo dos cachorros no petshop versus a pobreza da jovem morando no carro, com suas roupas sendo lavadas a mão no porta-malas, o carrinho de feira carregando tudo, e isso foi algo bem legal da brincadeira da equipe de arte para que a ousadia funcionasse.

Enfim, é um filme que teve potência ao mostrar a situação da protagonista, mas que ficou documental demais na tela, realmente contando dia a dia dela sem criar grandes desenvolturas, e assim sendo não impactou o quanto deveria, resultando em algo quase que esquecível com ótimas atuações. Sendo assim fica a dica para conferir sem esperar muito dele. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas vou conferir mais um longa hoje, então abraços e até logo mais.


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O Outro Lado das Redes (The Social Reckoning)

10/23/2026 01:13:00 AM |

Já falei algumas vezes que alguns dramas conseguem me assustar bem mais do que alguns terrores, e hoje me vi encolhendo na poltrona do cinema mais uma vez ao assistir "O Outro Lado das Redes", e olha que já havia assistido alguns documentários sobre o assunto, mas ver de forma dramatizada por bons atores como as redes sociais se desenvolvem para amarrar o usuário, e pior, fazer com que ele entre em grupos extremistas somente através de algoritmos não "bem" controlados conseguiu ser tão imponente na tela que a fluidez dos processos reais que aconteceram, juntamente com toda a essência dos personagens acabou me deixando desconfortável, ou seja, é daqueles filmes aonde a história supera tudo e impacta, como aconteceu já outras vezes no cinema e assim sendo podemos ver o quão assustador é esse mundo dos algoritmos e como um jornalista conseguiu mostrar isso para o mundo.

O longa segue a engenheira Frances Haugen. Ela trabalha no Facebook e tem acesso a informações privilegiadas sobre o funcionamento da empresa. Ao descobrir pesquisas internas que provam os impactos negativos da plataforma sobre seus usuários, ela decide expor o que está acontecendo e concorda em conversar com o jornalista Jeff Horwitz. No drama baseado em fatos reais, Frances compartilha tudo que sabe com Jeff e mostra as práticas que contradizem o discurso público da companhia. Conforme as denúncias ganham repercussão, ela passa a enfrentar consequências das suas ações que colocam em risco sua carreira e a própria segurança.

Gosto demais do estilo do diretor e roteirista Aaron Sorkin, pois ele tem pegada e sabe construir histórias baseadas em fatos reais enchendo de diálogos e textos, aonde por vezes você até se perde na estrutura, mas tudo ganha um volume que faz você pensar realmente aonde ele quer te levar, e assim quando você se dá conta já está tão interessado na trama que se ele mostrar um copo amarelo e falar que ele é azul é capaz que concorde e entre até na história para provar que quem não está vendo azul está errado. Ou seja, ele é daqueles diretores que possuem um poder de argumentação muito marcante, e principalmente sabe brincar com isso para que seus filmes, mesmo recheados de história e diálogos, não fiquem cansativos em momento algum, e isso nessa trama foi algo brilhante de ver, pois facilmente poderia ser mais dinâmico e explosivo na tela, mas não causaria nem metade do impacto que foi trabalhado de maneira mais lenta, e acertiva.

Quanto das atuações preciso me redimir com Mikey Madison, pois ao roubar a premiação do Oscar de Fernanda Torres e Demi Moore quem não a xingou certamente já tem a vaga garantida no céu, pois não entregou nada em "Anora" e ganhou, mas aqui ela mostrou todo o seu potencial expressivo com uma Frances Haugen perfeita, cheia de imposições, de traquejos, de entregas e dinâmicas, parecendo até ser extremamente tímida, mas sabendo aonde encaixar suas imposições e forças, ficando realmente perfeita para o papel na tela, e assim foi a protagonista do jogo do começo ao fim. Outro nome potente em cena é o de Jeremy Allen White que conseguiu passar muito bem a essência do jornalista Jeff Horwitz na tela, brincou com um lado sério mais fechado e até estranho de se encontrar e ser alguém que não vive dentro do mundo das redes sociais e da tecnologia atualmente, e principalmente soube ser jornalista, o que é raro em atores que pegam essa função na tela. Ainda tivemos Jeremy Strong trabalhando seu Mark Zuckerberg seco de expressões, mas completamente preparado para as respostas e acusações, sendo treinado brilhantemente por Wunmi Mosaku fazendo de sua Raya alguém que conhece todas as facetas de um julgamento, ou seja, um time pronto para segurar o filme do começo ao fim.

Visualmente o longa ainda entrega alguns gatilhos para muitos que é ver os anos 2019 e 2020 com a pandemia explodindo, pessoas perguntando se já foram testadas, máscaras na cara e tudo mais que foi muito bem representado, tivemos alguns atos em hotéis e claro muitos atos dentro dos ambientes da Meta, mostrando os times de engenheiros, os times de preparações e claro a sala gigantesca do dono de tudo, além de alguns escritórios de jornais bem esvaziados tanto pela doença quanto pelo mundo mais digitalizado, ou seja, pouquíssimos cenários, mas tudo muito bem representado na tela.

Enfim, é daqueles filmes que você vai mergulhar por completo na história e se envolver de qualquer forma, seja pela boa atuação dos personagens, seja pela trama ser boa, ou principalmente por ficar com medo (ou concordar com a forma que trabalham), mas certamente não sairá da sessão sem algum sentimento como é o caso de alguns filmes, e assim sendo vale demais a conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, afinal essa semana veio bem recheada, então abraços e até logo mais.


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Cara-De-Barro (Clayface)

10/22/2026 12:38:00 AM |

Confesso que fui hoje para o cinema bem aberto para encontrar algo lotado de problemas técnicos e sem base alguma com o tanto que estavam criticando o longa da DC, "Cara-de-Barro", de modo que já preparava até as pedras para jogar também, afinal estavam pegando bem pesado nas opiniões, e o que vi não foi algo ruim, mas acredito que o problema geral é que os anti-heróis/vilões da DC são chatos demais, sem carisma algum e com histórias de origem até "bobas" demais, de modo que o filme em si é um bom terror, com algumas cenas pesadas, que funciona na tela, sendo interessante de acompanhar, e principalmente se impressionar com a edição e com as atuações de diversos atores além do protagonista, pois como tem o poder de se transformar por completo em outras pessoas, cada ator que ele virou precisou se doar na tela também. Ou seja, é um filme básico e bem fechadinho, sem dar conexões com outros personagens da DC e/ou criar momentos para que seja usado em outros filmes da companhia, e principalmente pela classificação de um terror/suspense fugiu bem da proposta, porém funciona no que se propõe, é legal ver as mudanças faciais, só não diria que daqui uma semana eu lembre do que vi nele, mas quem sabe se ele for jogado em algum dos próximos filmes do Batman voltemos a dar um play nele para recordar.

O longa nos conta que nascido nas ruas de Gotham City, Matt Hagen é um ator em ascensão e um grande galã, mas sua trajetória meteórica e é brutalmente destruída quando uma desavença com um chefe do crime local termina deixando seu rosto irreconhecível. Abandonado por empresários e sem nada a perder, Matt busca um tratamento estético radical e clandestino. Milagrosamente, a substância restaura sua antiga aparência física. No entanto, o procedimento traz efeitos colaterais devastadores que alteram sua estrutura celular e comprometem sua sanidade, transformando-o em um monstro feito de argila viva. Agora conhecido como Cara-de-Barro, o ex-astro retorna às ruas de Gotham com uma sede de vingança contra todos que o destruíram.

Diria que o diretor James Watkins soube utilizar bem a proposta de um filme de anti-herói com uma pegada densa de terror, sem precisar ficar colocando piadinhas ou dinâmicas fora do estilo, de modo que se não tivesse a abertura da DC e claro todo o marketing em cima, veríamos fácil ele como um terror estranho e simples, mas tendo esse nicho colocado, aí o problema entrou, pois os fãs da companhia são exigentes ao extremo com detalhes, ficam procurando coisas aonde não tem, e por aí vai, fazendo com que o filme em si não seja valorizado como deveria. Claro que o diretor não quis ousar tanto para que a trama não ficasse pesado demais, mas diria que ele deu uma trabalheira para a equipe toda filmar e depois editar as cenas, que só quem é do meio vai valorizar, pois é tanta troca de face (no caso de ator) interpretando algumas cenas que acabou ficando lindo de ver, mas com certeza caro para fazer, e isso mostrou o potencial de direção dele!

Quanto das atuações, já vi vários filmes que Tom Rhys Harries fez, mas não lembro da cara dele em nenhum, ou seja, ele provavelmente nunca foi tão marcante como aqui, e o jovem fez de seu Matt Hagen alguém com personalidade e estilo, tendo atos imponentes e cheios de facetas, aonde a maquiagem também trabalhou bastante para cortar sua cara e ficar derretendo na tela, e claro que deve ter sido extremamente cansativo as marcações cênicas para que trocasse de ator no lugar exato para que as cenas fossem regravadas com outro ator, e assim diria que ele trabalhou bem. Particularmente não sou fã do estilo da atriz Naomi Ackie, e aqui ela não me convenceu a começar a gostar dela com sua Caitlyn Corr, pois pareceu desanimada até nos atos que sua invenção começa a dar resultados, e isso fez dela uma personagem morna e sem empolgação, o que destoou um pouco da essência na tela. Quanto aos demais atores, volto a frisar que todos foram bem bons fazendo dois papeis, o próprio normalmente e quando era o protagonista assumindo sua forma física, então Eddie Marsan, Max Minghella, Jake Curran, Joshua James, entre muitos outros trabalharam bem e souberam fazer com que suas cenas valessem a pena, só achei que faltou um pouco mais de explosão para que Joana Ribeiro fizesse com que sua Mia fosse alguém mais de nuances na tela, mas nada que atrapalhasse o longa também.

Visualmente vemos uma Gothan não tão dark como no último filme do Batman, mas também não tão colorida como em algumas tramas antigas, tendo uma boa densidade cênica para dar as nuances de um filme de terror, juntamente com uma maquiagem estranha, muito sangue e corpos, além de boates, delegacias, tribunais e uma clínica de uma salinha e as casas dos protagonistas bem simples também resultou em um trabalho bem colocado na tela, aonde vemos tudo sem esperar muito, mas que dava fácil para ir mais além.

Enfim, é um filme que tinha potencial para ir bem mais além, que não é ruim, mas que poderia facilmente ser daqueles que lembraríamos por muito tempo, e talvez já conectando o personagem a algum herói da cidade resultaria em algo maior e mais chamativo, mas já estaria exigindo demais. Sendo assim, diria que até vale o ingresso, mas não espere muito dele além do que é mostrado. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Masterplan

10/20/2026 10:36:00 PM |

Já me perguntaram algumas vezes qual seria o estilo que mais gosto dentro do vasto mundo do cinema, e respondo de cara algo que me traga magia, que tente me enganar na tela, mas que eu consiga pegar a essência aceitando ser enganado, e claro que dessa forma mesmo que a maioria dos críticos odeie "Truque de Mestre", o longa está bem guardado dentro das minhas preferências. E nem tinha visto direito do que se tratava o lançamento da Amazon Prime Video, "Masterplan", e até tinha feito uma certa careta de parecer algo bobinho demais para funcionar na tela, porém ainda assim resolvi dar o play, e a primeira coisa que fui conferir assim que o longa acabou era se tinha algum envolvido fosse na trilha, na direção ou no roteiro dos longas dos mágicos ladrões, e nadinha, mas a semelhança musical e de entrega é muito parecida, e assim sendo é claro que acabei gostando até mais do que imaginava, sendo um filme leve que até tem algumas falhas e forçadas na tela, mas que acaba funcionando até além do que um simples passatempo, tendo pegada e boas dinâmicas que fazem com que não tiremos os olhares dos personagens esperando que tudo dê certo. Ou seja, é o famoso arroz com feijão bem temperado, que pode até estar feio, mas se estiver gostoso, você se delicia.

O longa nos conta que um experiente ladrão quer fazer o roubo de sua carreira. Roger deseja colocar suas mãos na Mona Lisa, um dos quadros mais famosos do mundo. Para isso, ele recruta dois jovens que não conhece tão bem para ajudá-lo. Chiara é uma italiana especialista em crimes cibernéticos, enquanto Jay é um francês com um vasto conhecimento de explosivo. Porém, o que eles não sabem é que são irmãos e que Roger é o pai dos dois. Esse encontro familiar peculiar pode ser a única chance deles de conseguirem realizar o que ninguém jamais conseguiu.

Um ponto engraçado é que reclamei um monte do diretor Thomas Vincent no seu longa anterior, principalmente por ele não entender o estilo mais americanizado que o filme pedia, então aqui o que ele fez, esqueceu o estilo americanizado e botou praticamente na tela uma italiana, um francês e um britânico para resolver, e deu muito certo, pois a ideia de roubar a Mona Lisa é algo que já vimos em toneladas de filmes, e sempre tem alguma desenvoltura diferente, outros dizem que não é a original que está no Louvre, alguns brigam para levar ela para a Itália já que foi concebida lá, e discussões eternas, então a grande sacada do diretor para que seu filme tivesse um vértice diferente foi brincar com a formatação do roubo, colocando tecnologia junto de rusticidade e aliando isso a um bom plano com a famosa sacada de ladrão tentando enganar ladrão, aonde tudo flui bem, e que de forma simples entrega personalidade. Ou seja, o diretor conseguiu mostrar que mudou todo seu estilo e acertou em cheio na tela, brincando com sutileza, mas segurando o suspense e a desenvoltura na tela, o que volto a dizer que é o básico bem feito de todo diretor que queira chamar a trama para si.

Quanto das atuações, o que você colocar na mente é que está longe de ser uma obra aonde Stanley Tucci se joga para um personagem marcante como faz na maioria das vezes, de modo que seu Roger é até bem simples na tela e tem boas facetas nos seus olhares e dinâmicas, mas nada que realmente impressione, sendo o ator mais uma conexão entre os personagens principais, e claro que é uma boa conexão, afinal ele sabe segurar quando lhe jogam a batata assando, e assim acertou no que fez. Já tinha visto muitos filmes com Simona Tabasco, mas nunca tinha reparado no estilo dela, de modo que aqui sua Chiara tem boas sacadas, tem dinâmicas interessantes e principalmente soube se envolver com as jogadas, afinal sua personagem é a inteligência da trama, e mesmo sem se impor muito acabou agradando com o que fez. Na outra ponta tivemos Victor Belmondo que também já fez muitos filmes que vimos e raramente reparamos nele, de modo que aqui cheio de dinâmicas literalmente explosivas com seu Jay acabou brincando com um ar mais cheio de comicidade e com isso puxou muito do longa para entregar na tela, agradando por ser mais "infantil" com seu personagem, mas ainda assim funcionando bem dentro da proposta.

No conceito visual a equipe foi bem cheia das nuances, conseguindo filmar alguns atos dentro do Louvre (que não é algo muito fácil de se conseguir), teve dinâmicas em várias cidades, e trabalhou bem as situações de externas com drones e muitos elementos cênicos para dar velocidade na trama, tendo bons esconderijos e interações dos personagens em hotéis e casas, brincando com explosivos e carrões, além de figurinos diferenciados para dar um certo ar mais imponente ao longa, agradando com tecnologia e desenvoltura em tudo ao ponto que o filme flui fácil na tela.

Enfim, é um longa que tem bastante pegada, que muitos nem se empolgarão tanto com as entregas pela simplicidade e também por ser um tema que já vimos muitas vezes, mas funciona como um passatempo bem gostoso de acompanhar, aonde quem curte o estilo irá ficar conectado e até torcendo por talvez uma continuação, afinal funcionou bem dentro da proposta completa, e assim vale a recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Overman - O Filme

10/20/2026 12:13:00 AM |

É engraçado como vivemos dentro de uma bolha na sociedade e muitas vezes desconhecemos coisas que acontecem em nosso próprio país, de modo que sequer até alguns meses atrás antes de ser anunciado "Overman - O Filme", nunca tinha ouvido falar que existia um super-herói nacional criado pela quadrinista Laerte, mas desde então comecei a ver algumas ilustrações e fui tentando entender um pouco sobre o personagem, que pareceu interessante de um modo geral, até chegar hoje e conferir o longa que estreia nos cinemas a partir da próxima quinta (22/10), e se nas HQs o personagem era mais bonachão e com sacadas diretas, no filme o resultado ficou um pouco absurdo demais, de modo que não parece convencer o espectador de algo irônico em forma de sátira, mas tudo entregue de modo tão rápido e meio que forçado acaba ficando apelativo e meio que perdido, sem desenvolvimentos que empolgassem, nem algo que fosse lembrado futuramente. Ou seja, não é ruim, pois mostra bem a ideia do personagem em si, mas correram demais com tudo ao ponto de não impactar como poderia.

O longa nos conta que Overman é um super-herói brasileiro enfrentando problemas mais brasileiros ainda: desempregado, endividado, vive escondido em uma pensão de terceira categoria, afundado em excessos e em uma enorme crise existencial. Quando o Governador lhe oferece um emprego na Secretaria de Segurança Pública, Overman enxerga a oportunidade de recuperar o prestígio perdido, encontrar algum propósito na vida e voltar a ser reconhecido como herói. Ao lado de sua nova parceira, Pâmela, a mulher-cachorro, ele volta à ativa e precisa enfrentar antigos inimigos para impedir que a cidade mergulhe no caos. Mas, à medida que a ameaça cresce, Overman descobre que seu verdadeiro inimigo está muito mais perto do que imaginava e que, antes de salvar a cidade, talvez precise descobrir que tipo de herói está disposto a ser.

Gosto bastante do estilo do diretor Tomas Portella principalmente por ele não ser daqueles que enrola o espectador, indo diretamente ao ponto ele sabe aonde esticar e aonde desenvolver mais, porém aqui ele cometeu um erro gigantesco que foi o de não apresentar direito os personagens, afinal a grande maioria que for conferir sequer sabia da existência do super-herói, e para uma trama nesse estilo não desenvolver o personagem principal, seus vilões e tudo mais, acaba sendo algo apenas jogado na tela para que seja cumprido algum tipo de encomenda, o que é ruim de acontecer. Ou seja, ele que também assina o roteiro deveria ter pego a ideia original e batido na mesa falando que faria dois filmes, ou então um filme só com uma apresentação, um desenvolvimento e um fechamento, o que acabou não ocorrendo, então dessa vez podemos apontar diretamente a culpa para ele, pois faltou o principal da trama que era fazer o público conhecer mais desse personagem cheio de referências ao jeitinho brasileiro.

Quanto das atuações, conheço bem o potencial que Caco Ciocler tem, mas faltou se desenvolver mais, de forma que seu Overman o tempo inteiro coberto pela máscara não conseguiu trabalhar muitas expressões, de modo que o ator pareceu até com a voz meio amarrada sem ir muito além na tela, mas ao menos o personagem ficou engraçado de se acompanhar. Gosto muito das facetas que Otávio Müller costuma entregar para seus personagens, de modo que aqui como Governador/Capitalista Imundo fez dois personagens em um com uma sagacidade bem encaixada que acaba sendo funcional e divertido de acompanhar, ou seja, caiu bem na escolha feita. Ainda tivemos bons atos de Victor Lamoglia como Ésquilo tradicionalmente aproveitando a boa vida de um cartão corporativo e Karina Ramil se jogando em exageros com sua Pâmela/Mulher-cachorro, mas ainda assim mais usada do que Marina Provenzzano como Pane que só teve efeitos ao invés de uma interpretação mais imponente na tela.

Visualmente o longa tem bons elementos, com a prefeitura em destaque para alguns eventos, a pensão aonde o super-herói vive sendo bem jogada às traças, mostrando somente o quarto aonde divide a beliche com Ésquilo, várias compras bem faceiras assim que chega o cartão sem limites, a casa da influencer bem rica, e claro a prisão do Estado com algumas proteções inusitadas para os poderes dos vilões, tudo feito com um ar meio que sem orçamento, mas de forma bem proposital como acontece na HQ, e assim é claro que o visual do herói ficou também bem jogado e colorido.

Enfim, é um filme até que bacana que com pouquíssimos ajustes poderia se tornar memorável, mas que acabou ficando simples e sem orientações funcionais para chamar uma atenção maior, de forma que não apostaria que vá fazer muito sucesso com o público nacional, mas ainda assim vale uma leve indicação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da AtomicaLab Assessoria, da Migdal Filmes e Elo Studios pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Dentro da Baleia (Whalefall)

10/19/2026 01:08:00 AM |

Já diriam em outras conversas que menos é mais, e depois de ver os trailers de "Dentro da Baleia", sabia que não tinha muito o que esperar dentro do longa, pois a base é bem simples e o cidadão preso lá dentro iria brigar pela sobrevivência para conseguir sair de lá, ao menos é o que se espera de alguém nessa situação, então as únicas dúvidas era como ele foi parar lá e como o diretor iria segurar o tempo de tela, além de talvez algumas ideias de como fariam para alguém ficar de pé, mas isso até daria para subjetivar, afinal sabemos que baleias são gigantescas, e felizmente fui bem surpreendido com a entrega na tela, pois vi algo simples funcionar bem, causar uma tensão forte, e principalmente vi um ator se jogar por completo no filme, não trabalhando as situações fora com intensidade, mas sim aonde deveria, e o resultado acaba impactando bastante e como o pôster diz: precisando que você prenda a respiração, além de que precisei virar a cara duas vezes com algo que acontece no longa, e isso é causar tensão.

O longa acompanha a história de Jay Gardiner (Austin Abrams), um jovem mergulhador, que resolveu buscar os restos mortais do seu pai (Josh Brolin) em alto mar, mas no meio dessa triste aventura é capturado por uma baleia cachalote de 25 metros e 60 toneladas. Restando apenas uma hora de oxigênio, ele terá que fazer de tudo para encontrar uma forma de ir embora e seguir a sua vida, mas para isso terá que enfrentar uma grande jornada física e emocional para que ele consiga redescobrir a sua vontade de viver após a vivência do luto.

Reclamei bastante da direção do roteirista Brian Duffield em seu longa anterior, porém aqui posso dizer que ele se redimiu com uma precisão cirúrgica, apagando todos seus erros em algo simples e direto, aonde pensava que ele iria enrolar para tacar o garoto dentro da baleia, mas nem deu tempo quase de conhecermos sua história e o rapaz já tinha sido engolido, e aí durante apagões e conversas delirantes fomos conhecendo mais dele, do pai e de toda a família, conectando suas ações que vai fazer para tentar sair dali com o que aprendeu ou ouviu junto do pai, da mãe e das irmãs. Ou seja, o diretor soube brincar com tudo para que seu filme não ficasse alongado, mesmo mostrando quase que em tempo real a duração do ar do garoto com a vivência e as atitudes de sobrevivência dele, conseguindo fazer com que não nos desconectássemos em momento algum da tela, e o resultado acontecesse mesmo que sendo tudo bem bizarro de imaginar.

Quanto das atuações, Austin Abrams já vem mostrando personalidade e segurança em praticamente todos os seus longas, e aqui ele fez com que seu Jay tivesse um algo a mais, e principalmente se responsabilizasse por todos seus atos, sendo intenso em câmeras bem próximas para captar suas expressões de dor, ilusão e desespero, fazendo com que ele se destacasse mais uma vez na tela e mostrasse uma capacidade expressiva marcante e cheia de nuances, ou seja, deu show. Ainda tivemos bons momentos densos de Josh Brolin como o pai do garoto, tendo marcações intensas e com boa precisão para que tivesse os devidos contrapontos ao garoto, mas que a mensagem ficasse presente na tela.

Visualmente vou pesquisar depois sobre como foi filmado o longa, pois conseguiram passar texturas tão interessantes do interior de um animal, que chega em alguns atos a ficar meio que tenso sentir o jovem encostando nas paredes do estômago e das câmaras da baleia, com líquidos de todos os estilos, além de outros animais presos por ali, sendo algo que convence e impacta, além claro de muita maquiagem para dar os devidos machucados no jovem ator que funcionaram bastante do começo ao fim. E claro que tenho de parabenizar a equipe de fotografia que foi muito esperta para que mesmo nas profundezas do oceano, e claro dentro da baleia tivesse uma luz marcante sem ficar no famoso breu.

Enfim, é um longa que até tem defeitos, que talvez pudesse ser um pouco mais curto, mas que funciona muito bem com tudo o que entrega, sendo denso e tenso na medida certa para segurar durante toda a exibição, e que facilmente muitos irão ficar lembrando dele depois na vida, então isso supera os erros e ganha muitos pontos na indicação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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