Depois do Fogo (Rebuilding)

3/05/2026 12:49:00 AM |

Não sou literalmente um fã de filmes introspectivos, pois você precisa conseguir entrar na mesma sintonia da trama para embarcar por completo, ou acaba acontecendo de você dormir e perder algo "importante" para o desenrolar de tudo, porém hoje ao conferir o longa "Depois do Fogo", que estreia nos cinemas no próximo dia 12/03, traz algo que já tinha parado para refletir quando estava no auge as notícias dos incêndios nos EUA, pois ou o cara tem um seguro monstruoso (o que não é muito comum por lá, já que para ter franquias interessantes com o tanto de possíveis desastres climáticos o preço muitas vezes fica "próximo" do valor de alguns bens!) ou simplesmente perde tudo, e vai ter de começar a vida do zero com empréstimos ou algumas ajudas do governo, e a trama usa bem essa formatação da última ideia, pois além de perder todo seu rancho, o protagonista sempre foi vaqueiro ou o famoso cowboy, e sem rancho com as terras destruídas pelo fogo nos vemos com o protagonista tendo que refletir junto de outras pessoas que também perderam tudo, e o longa brinca muito com essa essência do recomeço, sendo calmo demais, mas muito bem feito.

O longa acompanha Dusty, um pai divorciado e reservado que repentinamente perde seu rancho graças a um incêndio florestal devastador. Buscando um lar temporário, o jovem caubói passa a viver num acampamento de trailers junto com outros cidadãos que também perderam suas casas. Nessa jornada de recomeço, Dusty encontra conforto e consolo nessa comunidade de vizinhos que também perderam tudo. Enquanto reconstrói silenciosamente sua vida, ele se reconecta com a ex-esposa Ruby e a filha pequena Callie-Rose. Sob o vasto cenário do sul do Colorado e do Oeste Americano, Dusty enfrenta a dor da perda nesse retrato humano sobre resiliência e conexão.

Diria que o diretor e roteirista Max Walker-Silverman fez uma boa pesquisa para desenvolver seu longa, mas principalmente quis demonstrar a força que as pessoas ao redor, mesmo que desconhecidas, podem fazer na vida de uma pessoa quando perde tudo, pois as dinâmicas da trama mostra bem essa valorização do coletivo, da ajuda, e claro de saber a hora certa de entrar no meio, pois muitas vezes a pessoa quer realmente refletir, quer pensar, e também nem quer ser visto com seu caso problematizado, e essa formatação poderia levar o longa para algo mais explosivo caso ele quisesse, mas ao escolher a introspecção e a calmaria ele desenvolveu um filme mais denso, porém como disse no começo se arriscando ao máximo a cansar o público. Ou seja, o resultado na tela se deve muito ao apego que a maioria está com os vários casos que rolaram dos incêndios, mas também devemos isso ao formato escolhido pelo diretor, pois mesmo demorando um pouco para a dinâmica em si funcionar, você vê a mão dele dando potência nos atos, e isso é um acerto nesse estilo.

Muitas vezes filmes introspectivos só funcionam bem quando o protagonista entrega muito na tela, e aqui infelizmente não diria que Josh O'Connor ajudou muito com isso, pois seu Dusty entrega algo muito comum mesmo em pessoas que perderam tudo, o ar de desorientação, mas não é a desorientação boa que impacta e faz o público sentir apegado a ele, de modo que talvez se tivesse entregue mais dos atos finais durante toda a trama, seu personagem chamaria o filme para si, e o resultado seria ainda melhor na tela. A garotinha Lily LaTorre teve alguns bons momentos com sua Callie-Rose, porém não se soltou para o papel como poderia, ficando muito escondida e com poucas cenas para se desenvolver melhor, de modo que até fez bons trejeitos, mas poderia ir além. Dentre os demais personagens, tivemos algumas cenas bem rápidas, porém bacanas de Amy Madigan com sua Bess, também tivemos alguns atos explosivos de Meghann Fahy que depois dá uma leve melhorada nos trejeitos com o ex-marido, e quanto a Kali Reis até posso dizer que sua Mila foi interessante por alguns momentos, mas faltou aprofundar mais.

No quesito visual usaram bem o rancho queimado, com poucas cenas, porém efetivas na tela, e foram bem simbólicos com os trailers aonde as pessoas vão morar, só diria que se realmente acontecesse dessa forma de jogarem as pessoas para tão longe da "civilização" é um abuso de humanidade, e certamente a equipe de arte quis representar bem esses momentos, com as pessoas indo na biblioteca apenas para usar o wi-fi do lado de fora também sendo bem marcante.

Enfim, é um longa interessante, que tem o valor da reflexão sobre tudo o que anda acontecendo no mundo com uma visão densa sobre o próximo, mas que poderia ter ido mais além sem precisar ficar tão fechado e introspectivo demais, pois talvez os personagens criassem um carisma maior com o público e o resultado fosse muito melhor, afinal não estou falando que ficou ruim, muito pelo contrário, mas faltou botar um pouco mais de dinâmica para envolver melhor. E é isso meus amigos, fica a recomendação de conferida quando estrear na semana que vem, e eu fico por aqui hoje agradecendo os amigos da Synapse Distribution e da Atômica Lab Assessoria pela cabine, então abraços e até amanhã com mais dicas.


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De Volta à Bahia

3/03/2026 12:19:00 AM |

Da mesma forma que o Brasil tem entregue produções incríveis, fugindo completamente do meio novelesco e com dinâmicas intensas em diversos estilos, alguns diretores ainda insistem no estilo de drama romântico com o ar totalmente em cima do formato de novelas da TV aberta, e isso é algo que claro tem seu público, mas que desanima ver na tela, pois fica parecendo que não estão vendo que o mundo todo já cansou desse estilo. Mas fazer o que, depois de pronto o jeito é apenas curtir, e hoje pude conferir o longa "De Volta à Bahia" que sem saber que o protagonista já fez parte do elenco de "Malhação" (só fui ver agora antes de escrever!), a trama me remeteu diretamente como se fosse o seriado juvenil se passando na Bahia com o surf em segundo plano, pois para todos os planos tem de entrar uma música-tema, para cada duas ou três cenas precisa aparecer um coadjuvante com alguma gracinha, e claro o romance demorando para acontecer meio como se fosse algo mágico das antigas. Ou seja, o resultado acaba se enrolando para entregar na tela toda a proposta, sem acontecer realmente algo que impacte como deveria, de modo que não é algo ruim, mas só o público-alvo vai conseguir engolir o que entrega na tela, e mais ninguém.

A sinopse nos conta que um vídeo do resgate de uma jovem surfista viraliza na internet e revela o encontro inesperado entre Maya e Pedro, dois talentos promissores do surf. Ao serem apresentados por PH, um ídolo do esporte, eles se surpreendem ao descobrir que já estão ligados pelo salvamento que ganhou as redes — e que ambos são treinados pelo mesmo mentor. Enquanto se preparam para um campeonato decisivo em Salvador, enfrentam conflitos familiares e vivem um romance. Mas nem só de sonhos vive o verão baiano: para vencer as ondas, é preciso enfrentar as tormentas.

Diria que a diretora e roteirista Joana Di Carso até tentou fazer um filme bonitinho, com um romance bacana que aparentemente funcionaria bem na tela, mas focou tanto em ficar mostrando os pontos turísticos da Bahia, as mentorias do personagem secundário para a vida dos protagonistas, e as músicas a todo momento entrando na tela, que acabou esquecendo que precisava de uma história para desenvolver na tela, de modo que o resultado se perde fácil. Ou seja, talvez como um média-metragem ou até um curta mesmo, a trama funcionasse muito mais do que em um longa, pois acabou parecendo alongado e recheado de situações desnecessárias para dar o tempo de tela, e isso é uma falha bem grave quando se vai além. Claro que o filme cumpre com a proposta dele, não sendo nada de muito impacto, mas dava para criar situações mais desenvolvidas para que ficasse realmente como um filme deve ser.

Quanto das atuações, ao menos os personagens tiveram um pouco de química na tela e são bonitos, ponto crucial para um romance funcionar nas telonas, mas as situações em si deles foram meio que jogadas demais na tela, não parecendo algo muito verossímil, de modo que Bárbara França fez uma Maya com um carisma até que bem alocado, com seus medos bem próximos dos acontecimentos, e até sendo envolvente com toda a situação, porém tudo acontece rápido demais, faltando ir mais além no desenvolvimento dos conflitos, e assim seus trejeitos combinariam mais na tela. Já Lucca Picon ficou naquele meio do caminho família, amigos e paixão, parecendo ser tão adolescente com seu Pedro, que por vezes você fica pensando qual a idade real do personagem, ou seja, dava para ser mais maduro na tela. Já Felipe Roque fez uma mistura de surfista com coach/mentor com seu PH que chega a incomodar, mas como sabemos que a maioria dessas pessoas são dessa forma, posso dizer que ele acertou no que tinha de fazer na tela, agora o papel dava para ter ido um pouco mais além. Quanto aos demais personagens, os pais dos protagonistas foram apenas os elos das explosões deles, não tendo muito o que se expressarem para chamar atenção, a influencer é melhor nem entrar no que pensei e o amigo bobão foi um enfeite cênico chato que é melhor nem dar o nome para queimar.

Visualmente Salvador tem o lado lindo e o lado que ninguém quer mostrar como toda cidade do mundo, e aqui casualmente como acontece em todas novelas, só vemos praias lindas, uma competição de surfe bem organizadinha, um restaurante simples da família, um hotel chique, e vários cartões postais da cidade para fazer fotos, ou seja, a equipe valorizou a cidade e fez bem o que precisava, mas sem ter nada que impactasse, tanto que o afogamento foi tão rápido que a equipe nem teve tempo de preparar algo mais chamativo enquanto estava mostrando um video culinário.

Enfim, é um filme que talvez funcione para a galera mais adolescente que goste desse estilo de romancinhos mais jogados, mas quem for conferir esperando um algo a mais não conseguirá se empolgar muito com o resultado mostrado, afinal como disse, lembra bem mais um episódio de "Malhação" do que um longa realmente. E assim sendo fica a dica para quem curtir o estilo ver o longa em cinemas selecionados a partir do dia 05/03, e eu fico por aqui hoje agradecendo aos amigos da TMZ Assessoria e a Swen Entretenimento pela cabine, mas volto amanhã com mais dicas.


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Cara de Um, Focinho do Outro em 3D (Hoppers)

3/01/2026 11:03:00 PM |

Acho que já virou uma tendência bem colocada trabalhar a consciência ambiental nas animações, pois nesse estilo de filmes geralmente tem adultos e crianças conferindo, então dá para os menores começarem a aprender, e para os mais velhos tentar reverter suas ideias fora do consumismo e das telas. Ou seja, nesses últimos anos temos visto vários longas com essa pegada, alguns mais densos e outros mais fofinhos e engraçados para poder brincar mais, e eis que a gigante das animações Disney/Pixar viu que precisava entrar também nesse ramo, chegando com o longa "Cara de Um, Focinho de Outro", aonde até brinca com as facetas de um de seus grandes produtos ("Avatar"), mas como foca mais nos animais e nas brigas entre pessoas, o resultado ficou mais levinho e bem colocado. Claro que passa longe de ser uma trama que vai emocionar a fundo, afinal esse não é um estilo que a companhia gosta, mas ainda assim tem um bom resultado que com toda certeza muitos irão rir e até pensar no futuro, valendo como algo bem trabalhado na tela.

O longa traz uma história encantadora e inovadora sobre Mabel, uma jovem amante dos animais que usa uma tecnologia revolucionária para se conectar com o mundo animal de uma maneira única. Graças a uma invenção que permite transferir sua consciência para o corpo de um castor robótico, Mabel pode agora explorar os mistérios do reino animal, vivenciando o mundo de uma perspectiva completamente nova, além de acessar suas próprias emoções e imaginação. Enquanto Mabel se aventura nesse universo fascinante, ela se depara com uma grande ameaça: Jerry, o prefeito anti-animal, cuja postura hostil em relação aos seres não humanos coloca os animais em risco. Jerry é determinado a acabar com a convivência entre humanos e animais e, portanto, Mabel deve agir disfarçada como uma castor robô para desvendar seus planos e proteger seus amigos de patas e penas.

É interessante que esse é a primeira direção de Daniel Chong depois de ter trabalhado em vários outros setores da Pixar, e ele soube brincar com facetas dinâmicas, não forçou a barra para que seus personagens ficassem bobinhos demais, mas também não quis algo muito sério, de modo que a protagonista tendo esse ar meio rebelde e maluquinha chega até lembrar a garota do "Red - Crescer é uma Fera", mas jogando mais para o lado ambiental, o resultado soube brincar tanto com as barragens que os castores sabem fazer bem, a destruição humana com som e fogo, e claro colocar que saber as qualidades e nomes de cada um pode ser um trunfo bom para ter aliados. Ou seja, o jovem diretor e roteirista soube brincar bastante, trazendo um vértice sério de base, mas sem deixar que seu filme ficasse pesado, e assim a trama teve a base divertida e institucional com bons gracejos na dinâmica toda.

Quanto dos personagens, diria que Mabel ficou bem encaixada tanto em sua versão humana com seu jeitão explosivo, quanto animal com sua castor, sendo também atirada e cheia de desenvolturas, fazendo com que os pequenos não tirassem os olhos da pequena roedora, tendo dinâmicas até maiores do que texturas, algo que viram dar muito mais certo na tela, pois os personagens menos "realistas" acabam trabalhando o formato desenho melhor e assim podem inventar loucuras mil, como é o caso aqui, aonde a versão robô pode nadar e tudo mais. O prefeito Jerry ficou muito estilão dos atuais governantes, com todo um traquejo voltado para seu ego, sendo marcante nas duas versões que o longa propõe e brinca na tela. Os demais personagens também foram bem legais de ver, com destaque para todos os demais reis, e até a cientista e professora Sam, mas sem dúvida todos os olhares se verteram demais para o castor rei George, sendo bem sagaz, tendo bons traquejos com todos, sendo literalmente do povo, e claro tendo dinâmicas que soam divertidas na tela.

Visualmente o longa teve muita presença cênica, contando com animais dos mais diversos tipos, tendo o ambiente bonito e aconchegante da clareira que a garota ia com a avó sempre para relaxar, tivemos momentos bacanas no laboratório da faculdade com o esquema de salto de corpo bem mostrado como corrente para ninguém ficar com dúvida do funcionamento, tivemos câmeras em primeira pessoa (que funcionaram bem nos atos 3D), e dentro da floresta ainda tivemos um lago bacana e tudo como já disse com texturas interessantes, mas longe de serem realistas, ou seja, algo mais básico e funcional. E voltando no quesito 3D, diria que poderiam ter abusado um pouco mais de coisas saindo da tela, pois chamaria mais atenção e o resultado acabaria surpreendendo mais, mas quem gosta da tecnologia até vai brincar um pouquinho com tudo o que rola.

Enfim, é um longa até que bacana, que diverte, dá uma emocionada nos atos finais e que possui duas cenas nos créditos (uma bem no meio e uma no finalzinho - ambas com piadinhas bem trabalhadas), mas que talvez pudesse emocionar um pouco mais, pois tinha carisma e material para isso. Mas ainda assim vale a recomendação para todos irem conferir com as famílias a partir da próxima quinta 05/03, então é isso, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A História do Som (The History of Sound)

3/01/2026 01:47:00 AM |

É engraçado como alguns trailers de filmes passam tanto nas variadas sessões que vemos, e outros praticamente nem ficamos sabendo da existência se formos apenas pelas "propagandas" dentro das salas dos cinemas, e um exemplar bem claro disso é o longa "A História do Som", pois até recebi alguns materiais da distribuidora, mas acabei nem parando realmente para saber do que se tratava o filme, mas hoje conferindo pude me envolver tanto com a ideia, sendo daquelas tramas bonitas de essência e de execução, aonde a música dá a vida necessária para a obra, trazendo o folk como algo histórico do momento das pessoas, e advindo com a famosa sensibilidade de como algumas pessoas mudam a vida de outras em suas passagens, e outras apenas passam realmente, sendo de uma sutileza o relacionamento e as dinâmicas mostradas, que ao final o que realmente percebemos é o sentido de estar. Ou seja, é daqueles filmes que poderiam facilmente ser muito mais difíceis de entrar em contato e sentir o que o diretor desejava mostrar, mas que sendo simples e sutil consegue comover e envolver durante toda a exibição, nos levando numa viagem ao passado sentindo realmente cada detalhe sonoro da trama. E um detalhe muito curioso que aconteceu na sessão que estava foi o silêncio máximo da plateia no começo, aonde o longa as logomarcas dos estúdios vão aparecendo em silêncio total, parecia que os demais na sala nem respiravam para ouvir algo, e foi lindo de sentir isso.

O longa acompanha Lionel, um talentoso estudante de música que conhece David, no Conservatório de Boston, onde eles se conectam pelo profundo amor que compartilham pela música folk. Anos depois, os dois se reencontram e partem juntos a uma viagem improvisada pelo interior do Maine, para coletar canções tradicionais da cultura folk. Esse encontro inesperado, o caso de amor que nasceu dele e a música que eles coletam e preservam, vão influenciar o curso da vida de Lionel muito além de sua própria consciência.

O estilão calmo do diretor Oliver Hermanus é daqueles que consegue transparecer na telona, de tal forma que aqui ele pegou um primeiro roteiro original de Ben Shattuck que era uma história bem curta e rápida, e a desenvolveu de uma forma brilhante, cheia de nuances, aonde praticamente sentimos a calmaria do folk emocionado sendo passado de uma ponta a outra dos EUA, brincando com facetas e dinâmicas, criando um vínculo relacional de amizade e amor entre os protagonistas num período não tão usual para isso, mas bem mais do que criar um romance homossexual na tela, a escolha do diretor em trabalhar isso como uma amizade maior e o amor de ambos pelas canções cheias de lamúrias foi bem encaixada, pois acabou brincando com algo mais amplo e que não causasse tanta polêmica. Ou seja, ainda vemos o clima quente nos momentos que passaram juntos, mas também sentimos mais a presença musical e a beleza visual de uma fotografia bonita, de uma canção gostosa e até aprendemos como eram gravadas as canções antigamente tudo em uma obra só.

Quanto das atuações, diria que Paul Mescal é aquele tipo de ator que consegue fazer você seguir ele com seu olhar, de modo que seu Lionel extremamente tímido poderia facilmente desfocar o longa fora de si, mas pelo contrário acabou puxando o público para o carisma do personagem, e isso acaba sendo bacana de ver, pois não é aquele papel explosivo, e sim nas entrelinhas e nos detalhes que foi passando suas emoções na tela, agradando do começo ao fim. Já Josh O'Connor trabalhou seu David com uma pegada mais direta, tendo um estilo cativo, mas também fechado, sabendo se portar e pontuar bem junto do protagonista, tendo uma química interessante de contrapontos, mas também de muitas semelhanças, e essa essência acabou sendo marcante no tempo que compartilharam a cena do longa. Até tivemos outros personagens interessantes na história, mas o diretor foi muito esperto em não tirar o foco deles, de modo que por incrível que pareça não vale dar destaque para nenhum ator fora dos dois, inclusive para o personagem de Lionel mais velho, pois não foi algo tão chamativo quanto ao valor do restante.

Visualmente o longa é belíssimo, mostrando várias cidades, épocas e quase um mochilão pelos EUA captando áudios de canções folk com uma máquina que já tinha visto anteriormente em outros filmes tocando algumas captações, mas nunca o inverso que desconhecia de fazer riscos em velas de cera para gravar as canções, o que foi bem bacana, além de pessoas de todos os tipos nos mais distantes lugares do interior, mostrando suas culturas e estilos, e depois mostrando também um pouco da Europa mais rica e cheia de ambientes clássicos para os cantores como o protagonista.

Enfim, é um filme que não é para todo público, pois o estilo folk possui uma cadência mais lenta que o diretor soube aproveitar para dar as devidas nuances na tela, e junto a isso a temática diferente dos padrões pode levar muitos a estranharem o que verão no longa, mas vale a recomendação para darem uma chance, pois é bem bonito todo o resultado completo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Kokuho - O Preço da Perfeição (国宝) (Kokuhô)

2/28/2026 02:53:00 AM |

Quando vi a ideia do longa japonês, "Kokuho - O Preço da Perfeição", que está concorrendo ao Oscar de Melhor Cabelo e Maquiagem, fiquei intrigado de como era esse mundo do Teatro Kabuki, aonde homens na maioria interpretam as heroínas de histórias míticas com muita imposição e desenvoltura, sendo um estilo clássico do país, aonde famílias vão seguindo e passando suas técnicas e treinos de geração em geração virando até lendas no país, e a essência de um jovem criado no meio da Yakuza entrando para esse novo mundo foi bem interessante, pois mesmo tendo as interpretações marcantes com o ar feminino, em momento algum os personagens são femininos, tendo uma entrega, uma personalidade, e principalmente um clima denso para mostrar mesmo o respeito e as facetas. Claro que é um filme que poderia ser menor, pois tem quase três horas densas de tela, mostrando as diferentes peças que os jovens interpretam e as devidas conexões, mas tudo funciona tão bem de forma envolvente que você acaba esquecendo da duração. O longa que estreia na próxima quinta (05/03) nos cinemas nacionais só está indicado em uma categoria na principal premiação do cinema, mas facilmente teria bala para brigar em outras categorias, pois a fotografia é bem marcante, a cenografia impecável e muito bonita na tela, e o som se faz presente até nos atos mais silenciosos, ou seja, vale conferir mesmo.

O longa nos situa em Nagasaki, no ano de 1964. Após a morte de seu pai, líder de uma gangue da yakuza, o jovem Kikuo, de 14 anos, é acolhido por um famoso ator de kabuki. Ao lado de Shunsuke, o único filho do ator, ele decide se dedicar a essa tradicional forma de teatro. Ao longo das décadas, os dois crescem e evoluem juntos, da escola de atuação aos palcos mais grandiosos. Em meio a escândalos e glórias, irmandade e traições, um deles se tornará o maior mestre japonês da arte do kabuki.

O estilo japonês de direção em si já é algo cheio de detalhes e símbolos, mas aqui Sang-il Lee foi muito além, tanto que uma bilheteria de filme original japonês não batia recordes há anos e todo o país foi conferir essa tradição tão bem representada na tela, sendo que mesmo para nós do outro lado do mundo em um primeiro momento parece estranhíssimo ver dois homens fazendo movimentos calmos e cheios de precisão para representar animais transformados em mulheres, mas vamos acostumando com cada detalhe que o diretor priorizou de modo que cada síntese da história fizesse muito sentido. E o melhor é que não é uma história de alguém especificamente, aliás nem sabemos se Kikuo ou Shunsuke existiram realmente, mas ficamos vidrados neles querendo saber mais por onde andou o outro que ficou sumido, e como viveu realmente o verdadeiro nessa história que é contada por anos, e acabou sendo brilhantemente desenhada na tela, pois as pinturas da maquiagem são tão precisas que acabamos encantados pelo trabalho completo, mostrando que a direção fez muito bem em não cortar até mesmo atos "repetidos" dentro das quase três horas, pois é lindo de ver em detalhes.

Quanto das atuações, temos um começo com Soya Kurokawa entregando atos mais abertos para o protagonista jovem, tendo também bons atos de maquiagem e dança além da interpretação perfeita, mas quando Ryô Yoshisawa assume o papel de Kikuo já mostra uma evolução de presença e claro também de rancor no olhar, afinal todos vão contra ele ser bom, mas não ser da família original do teatro, e essa densidade forte deu o tom que o longa precisava para segurar o público, sendo belíssimo e emocional na mesma medida, principalmente pela boa atuação. Do outro lado, Keitatsu Koshiyama na versão jovem e Ryûsei Yokohama na versão adulta trabalharam seu Shunsuke de uma maneira mais fechada, por vezes parecendo incomodado com o amigo sendo melhor que ele, mas tendo também um carisma na dupla, e assim o resultado ficou muito bacana de se envolver na tela. Ainda tivemos Ken Watanabe entregando muito com seu Hanjiro Hanai muito expressivo e cheio de imposições, Min Tanaka fazendo Mangiku Onogawa que até deu seu nome para a personificação, entre muitos outros bons personagens, que deram voz e conexão para cada momento da trama.

Visualmente não consigo aceitar do longa não estar concorrendo aos prêmios principais da categoria, pois vemos desde o Japão com roupas, estilos e casas dos anos 60 até chegar na modernidade ampla, mostrando bases estranhas para a maquiagem daqueles anos feitas pelos próprios artistas até chegar em uma equipe gigante para trocar e fazer tudo pelo ator do teatro, fora as mudanças cênicas de ambientes e contando dentro das peças os vários temas trabalhados, as casas, os ensaios e tudo mais, ou seja, um filme artisticamente falando lindo demais.

Enfim, é um longa que ainda tem muita presença sonora pelo toque dos instrumentos e da batida dos pés dos atores, sendo marcante e cheio de precisão cênica do começo ao fim, ou seja, é daqueles que vale reparar em cada detalhe e que agrada demais. Só pontuaria duas coisas que me fizeram não dar a nota máxima para ele, mas que não atrapalham em nada a experiência em si, que é a duração longa na qual o miolo fica um pouco monótono, e mesmo sendo emocional demais dentro da tela, faltou fazer o público de fora se emocionar mais, pois dava para fazer escorrer algumas lágrimas com poucas mudanças, mas ainda assim é um tremendo filmaço. E é isso meus amigos, agradeço demais a Sato Company, a Imovision e os amigos da Sinny Assessoria pela cabine de imprensa maravilhosa, e deixo vocês com essa dica para conferir a partir de quinta nos melhores cinemas, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Manual Prático da Vingança Lucrativa (How To Make a Killing)

2/27/2026 12:31:00 AM |

Acho interessante a proposta de filmes com crimes "perfeitos" aonde a polícia e o FBI não consegue sequer incriminar a pessoa, mas gosto mais quando até para nós fica difícil, pois se nós vemos como tudo foi tão fácil de enganar a polícia fica parecendo que eles são sem noção alguma do que está acontecendo. Claro que dizer isso do outro lado vendo o cara criminoso nos contar como fez é algo mais fácil, mas o longa "Manual Prático da Vingança Lucrativa" tem algumas nuances que até o ser mais bobinho da Terra desconfiaria e conseguiria provas para incriminar o rapaz, mas como tudo ocorre dentro das grades com o protagonista contando sua história para um padre que foi dar a última benção ao rapaz antes de ser executado, ficamos esperando para saber aonde ele errou para ir parar ali. Ou seja, é daqueles filmes exageradamente narrados, mas que dentro da essência de contar como se vingaria da família da mãe, que os abandonou para conseguir ficar com toda a herança, funciona bem como um bom passatempo.

O longa nos mostra que o trabalhador Becket Redfellow, rejeitado ao nascer por sua família bilionária, fará o que for preciso para recuperar a herança que lhe foi negada, mesmo que isso signifique eliminar cada parente que esteja em seu caminho.

Outro ponto muito bacana é que o diretor e roteirista John Patton Ford tem alguns probleminhas criminais na mente, pois seu longa de estreia "Emily, a Criminosa" ele já havia mostrado algumas facetas de roubos bem impressionantes, e aqui em seu segundo filme já parte para assassinatos em família, ou seja, o que será que vem daqui pra frente? Mas dito isso, ele soube brincar bem com as facetas da trama sem precisar criar mortes imponentes, puxando até mais para o lado cômico do que para o lado investigativo/criminal, e assim o resultado acabou sendo interessante e funcional. Claro que dava para ir para algo mais sério e denso, mas acredito que o filme não impactaria tanto nesse formato, então foi bem escolhido ao menos o estilo que o diretor quis trabalhar.

Quanto das atuações, diria que já está ficando batido demais todo filme colocarem Glen Powell para protagonizar, pois o ator não é daqueles que consegue chamar tanta atenção pelas facetas expressivas, e aqui precisava ser alguém com um jeitão mais coringa para que Becket fosse mais além, mas ao menos o ator conseguiu entregar bons momentos e foi cheio de sacadas na tela, o que acaba sendo agradável de ver. Agora escrevendo o texto me surpreendi que a personagem Julia foi interpretada por Margaret Qualley, que está tão diferente de trejeitos e entregas na tela, conseguindo dominar o ambiente e ser sacana na medida certa com o protagonista, que acaba funcionando demais, mesmo aparecendo pouco, ou seja, agradou bastante no papel. Ainda tivemos outros personagens interessantes, mas a maioria apenas servindo como conexões para os devidos momentos, ou seja, não tiveram muito para impactar expressivamente, valendo leves destaques para Jessica Henwick com sua Ruth, Raff Law com seu Taylor, Zach Woods com seu Noah, Topher Grace com seu Steven, Bianca Amato com sua Cassandra Alexandre Hanson com seu McArthur, mas sobrando para Bill Camp com seu Warren e Ed Harris com seu Whitelaw entregarem mais da família Redfellow na tela. E já tinha esquecido de falar, mas Adrian Lukis foi um bom ouvinte com seu padre Morris, imaginando tudo o que vemos na tela.

Visualmente a trama mostrou um pouco do mundo financeiro, aonde o jovem vai trabalhar, mostra também um pouco das lojas de ternos, mas as grandes cenas foram em festas, aonde o jovem conseguiu elaborar seus planos, tendo uma bem bacana na praia, a outra no estúdio de revelação fotográfico, numa sauna, numa igreja motivacional e numa exibição de aviões, além claro da prisão aonde o protagonista conta sua história para o padre, ou seja, uma produção grandiosa de ambientes, que foi finalizada ainda numa mansão gigantesca com uma bela caçada. Ou seja, a equipe de arte gastou bem e conseguiu simbolizar bastante com as devidas mortes acontecendo na tela.

Enfim, é um longa que serve como um passatempo razoável, que poderia ter ido mais além, mas que ainda assim diverte dentro da proposta, agradando quem gosta da mistura criminal com uma pegada cômica bem trabalhada. Claro que não é daqueles filmes que você irá guardar como algo memorável, mas ao menos passa bem longe de ser algo ruim. E é isso meus amigos, fica a dica para a conferida, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.


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Pânico 7 (Scream 7)

2/26/2026 01:17:00 AM |

Quem me conhece sabe que gosto muito de suspenses/terrores de investigação de quem é o assassino, pois praticamente ficamos puxando as informações de quem é quem, onde estavam, aonde estarão para que tudo se conecte, mas também sei aceitar que todas (inclusive a minha preferida "Jogos Mortais") já deu o que tinha que dar, e precisam bolar algo mesmo que seja cheio de clichês para começar de forma diferente, pois começam a virar "terrir" (aonde mais rimos das situações, do que nos empolgamos com o que vemos). E hoje confesso que fui conferir "Pânico 7" disposto a me irritar do começo ao fim pelas situações que ocorreram durante o dia, ou seja, levei o saquinho de pedras prontinho para atirar em tudo, e não voltei com o saco vazio, ou seja, aproveitei muita coisa que gostei, mas também me incomodei com outras, sendo que o filme em si é bacana para o público-alvo que são os fãs da franquia, aonde você só fica ouvindo o burburinho na sala, de apareceu fulano, olha lá ciclano, nossa a marca do beltrano, bem como acontece na cena de abertura aonde um fã vai até fazer uma experiência de Airbnb na casa dos assassinatos (tem de ser bem idiota na vida real para isso, mas sei que existem!). Ou seja, se você não for fã, esse não é um filme para você, mas do contrário, irá curtir bem, e provavelmente irá errar quem era um dos assassinos, afinal desde alguns longas atrás sabemos que mais nenhum trabalha sozinho.

No longa vemos que um novo Ghostface surge para aterrorizar novamente a vida de Sidney Prescott. O assassino chega agora na pacata cidade onde Prescott cria sua filha, novo alvo do terror do serial killer. Focada em proteger sua família, Sidney precisará enfrentar os horrores e traumas do passado para dar fim a essa perseguição de uma vez por todas.

Por mais incrível que possa parecer, a ideia original e o roteiro de todos os filmes da franquia foram de Kevin Williamson, e somente agora 30 anos depois do primeiro filme que ele resolveu dirigir um dos longas, aliás esse é apenas seu segundo longa como diretor, tendo um outro de 1999 que nem lembro se cheguei a assistir, ou seja, posso dizer que não conhecia seu estilo de direção para falar o que ele desejava mostrar realmente, mas volto a frisar o que disse no começo, que é um filme feito para os fãs, voltando com a protagonista original, e brincando com as facetas da modernidade das IAs e deepfaces. Claro que o filme tem muitas situações quebradas, vários personagens jogados, mas a essência em si das fugas e da matança segue os rumos tradicionais, e assim o resultado acaba funcionando bem dentro dos padrões, que talvez até poderiam ser menos forçados com algum diretor que poderia mudar alguns rumos, mas esse estilo é o que os fãs gostam, então ele entregou o que lhe foi pedido.

Quanto das atuações, foi bacana demais ver que Neve Campbell ainda segue bem o estilão bruto da personagem, sabendo bem aonde sua Sidney Prescott deve se impor, entregando correria e trejeitos bem colocados, e principalmente não ficando omissa em nenhum ato, de modo que o filme até fica sendo necessário dela, sem ter uma abertura própria, mas ainda assim o resultado da atriz foi bem dinâmico e interessante de ver na tela. Diria que Joel McHale é o famoso personagem "imortal", pois levou facadas, caiu da escada com a cabeça virando no chão, apanhou aos montes, mas ainda assim seu Mark Evans sobreviveu até o final com aparentemente apenas alguns arranhões, ou seja, se o ator não usou bons dublês alguém saiu bem machucado no final das filmagens. A jovem Isabel May até teve algumas boas entregas para sua Tatum, mas não conseguiu convencer o público de ficar torcendo para ela, sendo daquelas que até torcemos pro vilão matar logo, mas como era filha da protagonista, não rolou. Os Ghostface foram bem interpretados da forma tradicional, sem grandes chamarizes, correndo, esfaqueando e sem parecerem entidades que era meu maior medo, e sendo assim acabaram agradando. E por fim ainda tivemos algumas participações de Courtney Cox com sua Gale, mas não foi tão além quanto poderia, então melhor nem entrar em detalhes de sua "expressividade" estranha.

Visualmente a trama teve momentos interessantes, principalmente pelas mortes no teatro e na pizzaria, aonde os assassinos foram bem intensos nas formas de matar (a da chopeira foi sensacional!), as cenas dentro da casa da protagonista até foram bem amarradas, mas todas bem casuais, sem grandes chamarizes, e até incomodando demais todos aqueles plásticos da reforma, ainda tivemos alguns atos em um estúdio de TV, um hospital psiquiátrico bem rapidamente sendo mostrado, algumas correrias nas ruas e também a casa tradicional de Woodsboro para um começo intenso, mas fazendo o básico bem feito, e assim agradando como uma boa colchão de retalhos.

Enfim, como fui esperando praticamente nada, primeiro por não ser fã da franquia, e segundo por saber que veria muito mais do mesmo, o resultado até me agradou com o que vi, passando longe de ser o melhor da franquia, ou algo daqueles que surpreendesse por demais, mas como disse no começo, quem for fã vai acabar gostando do que verá na tela, e assim sendo vale a dica de conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Arco

2/24/2026 01:02:00 AM |

Uma coisa que vem chamando muita atenção nas premiações das animações é que filmes independentes cada vez mais tem surgido entre os mais cotados, mostrando que não é só textura e sínteses rápidas bonitinhas que andam conquistando o público e também a crítica, de tal forma que o conteúdo vem chamando muita atenção e envolvendo os votantes para que esses estilos cheguem para os demais. E um exemplar bem bonito desse ano é o francês "Arco", que estreia nessa quinta 26/02 em cinemas selecionados pelo país, trazendo um jovem de um futuro bem longínquo, que quando tenta viajar para o passado para ver os dinossauros de perto acaba caindo no ano de 2075 (acho que está perto demais para pensarmos em mudar a ideia do longa) aonde uma garotinha e seu robô tentarão ajudar ele para que consiga voltar para o seu ano, brincando com facetas emocionais, com problemas do clima e tudo mais para que a essência de uma amizade rápida funcionasse e brilhasse dentro de traços simples e bonitos de ver.

A sinopse nos conta que um menino de 10 anos chamado Arco vive no ano de 2932 e acidentalmente viaja de volta no tempo para 2075 através de um arco-íris. Lá, ele conhece Iris que o acolhe e fará de tudo para ajudar Arco a voltar para seu tempo. Nessa realidade na qual arco-íris são portais para o futuro e para o passado, a viagem no tempo não é apenas uma aventura, mas uma forma de desvendar as verdades perdidas sobre nosso planeta. Quando Arco fica impaciente e decide embarcar para o passado, apesar da viagem ser restrita para pessoas maiores de 12 anos, ele precisa ser salvo por Iris. Enquanto o laço entre os dois cresce, Arco descobre mais sobre a era de Iris, um tempo no qual os humanos dependem de androides para viver e precisam morar em redomas que os protegem dos climas extremos.

É interessante que esse é o primeiro trabalho como diretores de longas de animação de Ugo Bienvenu e Gilles Cazaux, e eles ao mesmo tempo que não quiseram ousar com técnicas, foram bem ousados com a história, pois costumo dizer que imaginar o futuro é algo digamos fácil, afinal muitos não estarão aqui para saber nas datas sugeridas, e também dá para se imaginar se a humanidade seguir na bagunça que andamos fazendo por aqui, então foram simbólicos no que precisava ser simbólico e diretos aonde precisavam pontuar, tanto que a sacada de como acontece o final foi muito bem bolada, afinal os estudos do passado dizem muito sobre isso, de conhecer o futuro analisando o passado, e foram bem sucintos na temática, não querendo reinventar a roda, aonde puderam brincar com a amizade dos jovens, o bug das máquinas, e o clima caótico, sendo bem pontuais e bonitos pela ideia em si. Confesso que o miolo me cansou um pouco, mas não foi nada que atrapalhasse o resultado geral, que é bem feito e envolvente.

Uma coisa que senti faltar no longa foi um maior desenvolvimento dos personagens, pois o garotinho já quer viajar logo de cara, não mostrando tantos motivos para isso, sendo algo muito direto na tela, e mesmo quando viaja para o outro ano, Arco fica meio perdido nas situações, pois sendo o protagonista deixaram praticamente tudo para a garotinha e o robô, o que ficou um pouco subjetivo demais. E embora a garotinha Iris também não seja tão desenvolvida na tela, teve uma participação maior em tudo, tendo um trabalho dinâmico do "abandono" dos pais que trabalham mais do que ficam com os filhos, o carinho com a babá robô e toda a essência em si acontecendo na tela, conseguindo puxar o carisma mais para si. O robô Mikki foi bem cheio das facetas para proteção realmente, tendo a sacada da IA não conseguir acessar o futuro e bugar ele, o que acabou sendo interessante de ver pela proposta, mas depois com o seu aprendizado foi bem bacana o que fez na caverna.

Visualmente o longa 2D é bem colorido nas cenas com o arco-íris, mas também foi bem forte nas cenas climáticas, com chuvas imponentes, destruição de coisas penduradas para todos os lados com os robôs arrumando tudo, e o fogo dominando nos atos finais foi algo muito marcante no quesito simbólico da trama, além claro das casas-árvores bem interessantes pela representação em si, sem ter grandes desenvolvimentos na tela. Ou seja, a equipe de arte foi sucinta nas escolhas, funcionou, mas poderia ter ido ainda mais além com seus traços se o roteiro fosse um pouco mais desenvolvido.

Enfim, é um longa bonito e bem representativo, que faltou um pouco mais de desenvolvimento para ficar perfeito na tela, mas que ainda assim comove e envolve com o que apresenta, sendo um bom representante nas premiações, e assim mais do que vale a indicação de conferida dele, também para a reflexão de como as coisas andam rolando para quem sabe mudarmos o futuro também. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, agradecendo o pessoal da Mares Filmes e da Mubi pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Frio da Morte (Dead of Winter)

2/23/2026 01:11:00 AM |

Costumo dizer que o terror só existe pela burrice das pessoas em querer virar herói, ou se mostrar corajoso demais, pois fica quietinho na sua e o roteiro vai por água abaixo e encerra tudo com 10 minutos de filme. Brincadeiras à parte, o longa "O Frio da Morte" tem tantas pequenas falhas, que se você analisar friamente como o nome sugere, você nem assiste ao filme, pois já começa o erro gigante de pra que sair numa nevasca dos infernos para jogar as cinzas do marido morto num lago congelado (tudo bem que foi lá que foi o primeiro encontro do casal, mas precisa jogar naquele momento?), depois você vê sangue no chão da casa, está lá pescando quietinha no meio do lago, vai voltar lá pra que? E por fim, você não é policial nem nada, volta pra uma cidade, chama a polícia e pronto! Agora olhando para o outro lado, você precisa de um fígado, vai cometer o crime, faz direito, já leva a pessoa aonde vai ser a entrega, não no meio do gelo aonde você que nem é médico vai saber operar. Pronto, enchi o texto de spoilers, agora posso refletir em paz sobre as coisas boas do longa, se é que teve, pois até me entreteve um pouco.

A sinopse nos conta que Barb, uma viúva proprietária de uma pequena loja de artigos de pesca, parte em uma peregrinação ao Lago Hilda, no remoto norte de Minnesota. Foi lá que ela passou suas primeiras férias com o marido recentemente falecido e onde prometeu espalhar suas cinzas. Atingida por uma nevasca, ela se perde pelas estradas perto do lago e para em busca de ajuda em uma cabana isolada na floresta. Lá, ela descobre que uma jovem, Leah, está sendo mantida em cativeiro por um casal armado e desesperado.

Já havia reclamado do diretor Brian Kirk em seu longa anterior, "Crime Sem Saída", por ele ser um diretor de séries, que funcionam bem capítulo a capítulo, sem a necessidade de se explicar algo que faça sentido de forma rápida, tanto que as novelas fazem sucesso até hoje justamente por esse motivo, deu errado alguma explicação absurda, vai lá e arruma no próximo capítulo, e em um filme isso não é possível, pois se ao cortar determinada parte, ou o diretor não filmar algo que faça um sentido funcional para a trama, o resultado final já era, e aqui como disse no começo, tem muitas coisas que não se encaixam de forma alguma, ficando totalmente abertas e falhas, o que acaba fluindo erroneamente, e principalmente desgastando os personagens e respectivos atores, pois se perdem na essência, de tal forma a nem saberem o que estão fazendo lá. Ou seja, já dá para colocar o nome do diretor num cantinho que quando for ele, a chance do longa não ir muito bem é alta.

Quanto das atuações, é até triste ver Emma Thompson num filme desse estilo, ainda mais como produtora (que colocou seu dinheiro na trama ou só receberá parte da bilheteria por ter atuado nele), pois a atriz possui um potencial imenso que aqui nem sequer chegou perto de ser utilizado com sua Barb, pois deram para ela até uma missão interessante de correria e desenvoltura, principalmente numa briga digamos "justa" entre pessoas de mais idade, mas a personagem não encaixou na história de uma boa forma, e o resultado acabou sendo bem ruim. O mais engraçado é que se a protagonista que é boa não funcionou, imagine os demais, sendo uma Judy Greer gritante parecendo desesperada e maquiavélica, totalmente sem necessidade, uma Laurel Marsden totalmente jogada e presa o tempo inteiro, e um Marc Menchaca mais perdido e com frio que tudo, ou seja, o elenco secundário foi triste demais.

Visualmente é o estilo de filme que mais gosto de ver na tela, com tudo bem branquinho de neve, mas o que parecia ser interessante para ficar o tempo inteiro com uma nevasca desesperadora, logo desaparece e fica apenas num barraco completamente sem estilo visual, um lago congelado com uma casinha minúscula e uma tenda, e algumas dinâmicas nos carros, com tiros a distância e uma martelada, ou seja, nem aproveitaram a neve para nada.

Enfim, é um filme que se perdeu por completo na tela, resultando em uma trama fraca, que até acaba sendo possível de se entreter com a entrega da protagonista, que tentou muito segurar as pontas, mas que mesmo assim não é algo que vamos lembrar mais para frente para indicar. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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Para Sempre Medo (Keeper)

2/22/2026 01:51:00 AM |

Particularmente não sou muito fã de terrores psicológicos, preferindo mais tramas que assustem ou causem medo em mim ou nos personagens da tela, pois se for para ser algo mais psicológico que recaia para o suspense, que aí a história inverte bem, pois acaba sendo meus preferidos, porém como assisto tudo (o que consigo, pois ultimamente anda meio difícil conseguir ver vários em um dia, e olha que já teve vezes de ver até 5!!) quando vou para filmes que sei que vão precisar de entender algo a mais, já vou preparado. E um diretor que geralmente gosta de nos confundir com suas tramas, muitas vezes sem muito nexo, é Osgood Perkins, pois ele muitas vezes faz tramas que não se levam a sério e outras que tenta passar um ar de descubra tudo se você for melhor que isso, que é justamente o que ele brinca aqui em seu novo longa "Para Sempre Medo", que se você ficar esperando qualquer explicação meticulosa da trama sairá irritado, mas se refletir e ligar todos os pontinhos, acabará pegando muito da ideia, e digo muito apenas, pois não tem como pegar tudo, e ele nem quis que entendêssemos tudo, então prepare para se irritar com muita coisa. Ou seja, é um filme que tem uma pegada interessante, que pelo trailer já dava para saber que o relacionamento ali não era algo muito normal, mas a sacada do trailer pode ser usada bem para completar algumas lacunas, pois tanto um quanto o outro acabam tendo algo para a casa em si, e isso é ao menos, o que eu posso dizer que já fui preparado.

O longa acompanha o casal Liz e Malcolm, que decide fazer uma viagem especial para celebrar seu relacionamento. Contudo, quando um imprevisto obriga Malcolm a voltar às pressas para a cidade, a solidão e o abandono revelam ser os menores problemas de Liz. De repente, ela passa a ser atormentada por uma força oculta e segredos sombrios, que colocam em xeque sua confiança no seu amado, mas sua própria noção de realidade.

Diria que o diretor Osgood Perkins não quis brincar com seu filme, pois dava para ter mais além com pouquíssimas mudanças, que talvez agradaria mais as pessoas, talvez explicando um pouco mais do passado da casa, um pouco mais das outras mulheres escolhidas, e até mesmo um pouco da conexão da família, mas para isso sairia do estilo do diretor que não gosta de explicações, optando sempre por jogar o anzol, e quem morder a isca que entenda da sua forma. Ou seja, aqui ele simplesmente abriu todas as possibilidades cênicas para que o público imaginasse toda a história, e deu vértices para que as situações fossem tensas sem mostrar muita coisa na tela. Claro que é o famoso filme que alguns vão amar e outros odiar, e isso se deve principalmente pelo estilo do diretor, que não liga para o público, mas sim para a tensão criada na cabeça dele, e assim o resultado chama por vezes um lado mais errado.

Quanto das atuações, diria que a trama é toda de Tatiana Maslany, que conseguiu segurar bem suas expressões densas dentro do contexto da trama, não se jogando facilmente, mas também não se segurando, trabalhando o temor no olhar e na estrutura de tudo o que acontecia ao seu redor, deixando claro para o fechamento a explosão maior de sua Liz, ou seja, dominou o ambiente e fez com que os demais praticamente sumissem. Já Rossif Sutherland ainda deve estar se perguntando como alguém teve coragem de pagar o cachê por expressões tão jogadas de seu Malcolm na tela, parecendo estar com um desânimo em nível máximo, sem grandes explanações de nada e ainda mais nem ficando dentro do ambiente, ou seja, foi bem fraco em tudo o que fez. Pra se ter noção do quão ruim foi a atuação de Sutherland que era o protagonista, Birkett Turton que era um personagem bem secundário teve momentos muito mais impactantes com seu Darren do que o primo, fazendo ares de uma psicopatia maior bem mais interessante que talvez valesse a pena na tela, ou seja, o ator mais jovem foi bem melhor em cena. Ainda tivemos outros personagens meio que jogados, mas que fizeram boas expressões, mas o destaque fica para os jovens garotos Glen Gordon e Logan Pierce que fizeram os dois personagens jovens enfrentando a entidade.

Visualmente a trama teve alguns atos interessantes dentro de uma cabana bem estranha, com umas divisões meio que quebradas, não tendo uma sala, quarto, cozinha bem parecidos, sendo tudo muito grudado, mas em um lugar bonito de se ver, com um rio passando pelas pedras, dando as nuances gostosas para relaxar, tivemos um porão estranho aonde primeiro vemos a protagonista caçando produtos de limpeza, e depois vemos com as entidades, e também tivemos um culto simples, mas chamativo, ou seja, tudo bem básico na tela.

Enfim, é um filme com uma proposta interessante, que consegue prender bem o espectador, mas que de modo geral não empolgou tanto quanto poderia, ou seja, é aquele famoso bacana de ver uma primeira vez, mas que de forma alguma você reveria se estivesse passando na TV, então recomendo ele com mais ressalvas do que elogios. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Corta-Fogo (Cortafuego) (Firebreak)

2/21/2026 02:29:00 AM |

Quer me deixar feliz com um filme? Me faça ficar desesperado ou irritado com o que é mostrado na tela, e quando junta as duas coisas em um único é o paraíso! E ultimamente o pessoal anda gostando de colocar fogo nas florestas para que as situações fiquem mais tensas, de modo que você precisa torcer pro cidadão não morrer queimado ou intoxicado pela fumaça enquanto algo se desenrola ao redor de tudo. Já tinha também comentado aqui no site que o pessoal da Espanha anda brincando bem com suspenses tensos dentro da plataforma da Netflix, e agora com a estreia de "Corta-Fogo", a brincadeira acabou ficando bem cheia das nuances, e a única coisa que preciso falar de cara (sem dar spoilers) é que certamente muitos irão entrar rapidamente na mente da protagonista, pois você vai desconfiar de algo, e na sequência ela também já percebe a mesma coisa com o surto vindo para o longa ir para outros rumos. Ou seja, é daqueles filmes que tem muita presença na tela, e que consegue funcionar bem do começo ao fim, que claro poderia ser mais emocional, mas acabaria indo para um rumo não tão bom de ver.

A sinopse nos conta que após a morte do marido, Mara viaja com a filha e alguns familiares até à casa de férias da família na floresta, numa tentativa de sarar velhas feridas e preparar a venda da propriedade. Porém, umas férias que deveriam ter sido um adeus ao passado tornam-se num autêntico pesadelo quando Lide, a única filha de Mara, desaparece no exato momento em que deflagra um incêndio florestal naquela área. Isolada, sem ajuda e com o incêndio a avançar descontroladamente, a família arrisca entrar na floresta numa corrida desesperada contra o tempo. A sua única esperança parece ser Santi, o guarda-florestal, mas rapidamente surgem suspeitas e nada é o que parece. Entre o medo, a mágoa e segredos enterrados, Mara apercebe-se de que o incêndio não é a única ameaça… alguém está a mentir.

Já tinha falado muito bem da direção de David Victori no seu longa anterior "Não Matarás", e novamente ele me surpreendeu com um estilo pegado, pois aqui ele combinou bem dois estilos de filmes que se complementam na tela, que é o de desaparecimento com a correria contra forças da natureza, juntamente com o suspense ao redor das relações humanas, ou seja, o famoso conflito para todos os lados, que se sozinhos já causam, imagine juntos, aonde ele pode brincar com várias facetas, e ainda colocar o espectador na personalidade dos protagonistas, afinal duvido que muitos não irão se ver nos papeis principais. A única coisa é que não sei se mostraria o que realmente aconteceu entre o guarda florestal e a garotinha, pois da mesma forma que não é mostrado o como chegou ali, a abertura da mente do público ficaria ainda mais intensa, ou seja, dava para tudo ficar ainda mais forte. Porém, ainda digo que o diretor trabalhou muito bem novamente, e já dois filmes bons seguidos é motivo para ficarmos de olho nele.

Quanto das atuações, gosto dos trejeitos que Belén Cuesta costuma entregar para suas personagens, e aqui sua Mara oscila tanto de humor e personalidade durante toda a duração da trama, que poderia ser até várias pessoas em uma só, mas como qualquer mãe que conhecemos, ela se joga por completo para defender sua cria, e a grande sacada ao final foi a comparação que ela recebeu com uma ursa, o que deu um tom perfeito para tudo que ocorreu. Da mesma forma, Joaquín Furriel parecia ser o mais zen possível com seu Luis, centrado, disposto a ir em busca tranquilamente, mas depois do ponto de virada aonde seu filho também entra na jogada, o cara vira o pitbull defensor máximo da casa, e o ator se entregou por completo nas dinâmicas, tendo um fechamento que merecia um pouco mais, mas seus olhares falaram por si. E ainda tivemos Enric Auquer com seu Santi muito estranho, mas como o personagem pedia, pois é a famosa fala, escondeu no começo, virou suspeito, e o estilão dele chamava atenção demais, de modo que talvez não precisassem explicar tanto sua vida anterior, mas deu ao menos mais chance para mostrar o estilo e as justificativas na tela.

Visualmente diria que a equipe escolheu bem uma floresta interessante para se filmar, porém a forma que deu início ao fogo ficou meio superficial e forçada, com alguns efeitos que poderiam ter sido melhorados, e uma floresta imensa sem casa alguma, e duas casas praticamente juntas acabou parecendo algo meio sem sentido, mas a liberdade de escolha acaba sendo bem colocada quando talvez exista algo realmente assim. Diria também que a equipe soube trabalhar bem as cenas no meio da fumaça, com uma iluminação bem alocada, fazendo parecer realmente que gravaram com muito fogo ao redor, o que deu um bom tom para a trama.

Enfim, é um filme que funcionou bastante, aonde a proposta foi trabalhada e causou o conflito que necessitava para amarrar do começo ao fim o espectador, de tal maneira que alguns elementos poderiam ter sido mais trabalhados e outros menos desenvolvidos, mas que na soma geral agradou muito, então vale a recomendação de play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Conexão Sueca (Den Svenska Länken) (The Swedish Connexion)

2/20/2026 01:47:00 AM |

Sei que muita gente não curte ver filmes sobre a Segunda Guerra Mundial e o nazismo, mas acho tão interessante ver como em cada país tudo foi sentido ou determinante para o sucesso das ideias malucas de Hitler e seus soldados, e hoje a estreia da Netflix foi "A Conexão Sueca" que pra quem não gosta de ver as maldades acontecendo pode conferir tranquilamente, pois aqui é uma trama mais burocrata, aonde vemos um dos poucos países que Hitler não atacou, e como a jogada de um diplomata do último escalão junto com sua equipe acabou salvando muitos judeus aproveitando as brechas do sistema, e claro muita astúcia, para que tudo funcionasse. Ou seja, é daqueles filmes que você fica torcendo para os personagens ao mesmo tempo que se irrita com tanta burocracia, mas que infelizmente é bem assim para que tudo seja dentro da lei. Claro que não é um filme que você vai ficar empolgado ou surtando com toda a interação na tela, mas funcionou muito bem, e principalmente mostrou que a gigante do streaming como produtora consegue brincar com algo bonito para os demais países também, mesmo em dramas, colocando o mesmo estilo que dá para suas tramas de ação.

A sinopse nos conta que Gösta Engzell, um burocrata de baixa prioridade no Ministério das Relações Exteriores da Suécia, se torna um herói improvável em plena Segunda Guerra Mundial. Sendo considerada um país neutro, aos poucos as suas ações políticas a favor dos judeus e das mulheres transformou a Suécia em uma das maiores potências morais da Grande Guerra. Acompanhando todos os embates que ele viveu, o longa busca detalhar os esforços que transformaram a situação em um legado humanitário até os dias atuais.

Diria que a conexão entre os diretores e roteiristas Thérèse Ahlbeck e Marcus Olsson foi algo bem cheio das nuances na tela, pois trabalhar um texto real e cheio de situações complexas de diplomacia e papelada é algo muito difícil, principalmente para se passar ao público de um modo que não ficasse cansativo nem incômodo na tela, e fazendo uma apresentação rápida (e talvez meio desnecessária, mas legal de ver pelos nomes e cargos aparecendo na tela), e logo botando para valer toda a intensidade das negociações, e principalmente da "burrice" dos suecos em não acreditarem que os judeus estavam sendo mortos nos campos, fizeram com que soubessem bem aonde pegar e aonde deixar levar, o que deu um bom tom e dinâmica para a trama. Claro que poderiam ter trabalhado um pouco mais o lado emocional, colocado uma ou outra ficção para dar uma densidade aqui e ali, mas o resultado geral funciona bem, e isso é o que importa.

Quanto das atuações, foi bem bacana trabalharem Henrik Dorsin com seu Gösta Engzell mais singelo e humano dentro de um ministério, pois geralmente são pessoas mais frias e diretas, como vemos nos demais cargos, e o ator não ficou inquieto na tela, demonstrando seus sentimentos com olhares, trejeitos e até lágrimas (disfarçadas de alergia), de tal forma que acabou segurando bem o protagonismo na tela e chamando o filme para si. Sissela Benn não disfarçou muito na tela com sua Rut Vogl, de tal forma que seu entusiasmo foi nítido para o desenrolar do final do longa, e talvez um pouco mais de mistério chamasse mais atenção, mas a atriz foi segura no que fez e agradou. Agora, se você não ficar completamente irritado com o personagem de Jonas Karlsson pode ir se tratar, pois o ator conseguiu deixar seu Staffan Söderström um burocrata de nível tão gigantesco, juntamente com alguém que não conseguia enxergar a realidade acontecendo, que na metade do filme já dava vontade de socar ele, ou seja, fez o que precisava e conseguiu ser irritante como devia. Ainda tivemos muitos outros personagens, aliás esse talvez seja o maior defeito do longa em querer mostrar muita gente "importante" e isso acabou deixando com que os atores não pudessem ir muito além, mas de um modo geral todos os secundários acabaram sendo bem trabalhados na tela sem ninguém que se destacasse mais.

Visualmente a trama foi mais fechada, tendo muitas cenas dentro do gabinete minúsculo que os protagonistas tinham para seu departamento legal, alguns atos nas salas maiores de reuniões dos ministérios, algumas dinâmicas nas embaixadas e também nas sedes da SS, tendo ainda uma chegada de trem e algumas viagens pelo inverno da Guerra, ou seja, focaram pouco nos detalhes, dando mais visão claro para as várias caixas de casos de pedidos de visto sueco, e assim puderam segurar melhor o orçamento na tela.

Enfim, é um filme bem interessante, que talvez pudesse ter ido mais além, mas ainda assim a entrega foi bem interessante para conhecermos um pouco mais de como a Suécia se comportou durante a Grande Guerra, e como muitas vezes o lado mais baixo de uma grande roda pode mudar tudo em um jogo. Fica a dica de conferida e eu fico por aqui hoje, então abraços e até amanhã com mais dicas.


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Netflix - A Cela dos Milagres (La Celda de Los Milagros) (The Cell of Miracles)

2/19/2026 01:08:00 AM |

Desde o dia que vi que iria lançar na Netflix, "A Cela dos Milagres", fiquei na dúvida se era uma refilmagem do clássico da pandemia "Milagre na Cela 7" que explodiu a plataforma de tal maneira que se duvidar hoje de falar o nome para algumas pessoas, elas já começam a chorar, mas não achei nada escrito na ficha do longa, e aparentava ser algo diferenciado, e cá fui conferir ele hoje, na torcida clara para que não fosse destruído o longa original, afinal gostei muito do que vi na época. Começou bem, de uma forma diferente do que lembrava do longa de 7 anos atrás, mas logo começou a ficar muito parecido, mas não um parecido bom, um parecido que tenta explicar ao máximo para o espectador que o sangue é vermelho porque a cor que você está enxergando é vermelha, ou seja, colocando pingos nos is, nos jotas, em tudo mais que fosse necessário, e também desnecessário, de tal forma que começou a me incomodar, e isso é raríssimo de acontecer. Cá chegando próximo ao final que no original nem precisaram explicar que era uma árvore que o cara via no teto, aqui foi contado nos mínimos detalhes tudo o que aconteceu, fora a armação para dar certo tudo. Ou seja, transformaram o drama turco incrível em uma novelona mexicana de qualidade duvidosa, que mais incomoda do que agrada, e assim sendo gastei meu tempo vendo algo que não merecia o meu play.

A sinopse nos conta que um pai devotado é preso injustamente por um crime que não cometeu, deixando sua filha sozinha enquanto ele luta para provar sua inocência.

Nem precisei apostar, foi só abrir o IMDB e ver que a diretora Ana Lorena Pérez Ríos fez uma tonelada de novelas, e agora que fez seu primeiro trabalho de cinema, e o que ocorreu, achou que como em novela tudo precisa ter explicação bonitinha tintim por tintim, pegou o roteiro original do longa turco e simplesmente destruiu, colocando tantos elementos desnecessários, tantos elos jogados, que o filme acabou ficando tão morno que não tem como defender. O mais engraçado de tudo é que o original você ia emocionando com os momentos mais simples possíveis, e aqui nada puxa uma lágrima que fosse nossa, ficando até falso a interação da garotinha nos momentos mais chamativos. Ou seja, o resultado final é daquelas falhas que você fica pensando quem em sã consciência liberou os direitos do longa original, pois até vai lá quem sabe ficar bom numa versão europeia ou hollywoodiana, mas desde que saibam o que estão pegando para não quebrar o que foi bom.

Quanto das atuações, já vi outros longas aonde Omar Chaparro se saiu bem melhor do que aqui com seu Héctor, pois o personagem pedia um estilo mais sutil e não tão forçado, de tal forma que a cada ato ficamos nos perguntando se realmente ele tem algum problema ou está apenas doido, o que no final é bem passado, mas ficou mais parecendo um estilo de surto do que algum problema de saúde mental, o que mostra que o ator não foi bem orientado para as cenas. A garotinha Mariana Calderón até tem um carisma bem chamativo, de modo que valeria ter usado um pouco mais de sua Alma no longa, porém faltou ter momentos chaves mais impactantes, que acabariam marcando e dando a emoção que o filme precisava. Gustavo Sánchez Parra até trabalhou bem seu Tigre, mas mudou tão rápido sua personificação de brucutu para amiguinho, que não convenceu tanto na tela, ficando um pouco artificial demais. E por fim, mesmo aparecendo bem pouco, Jorge A. Jimenez até foi bem impositivo, mas talvez precisasse estar com mais ódio emocional do que apenas rancor nos atos de seu Capitão Avilés. 

Visualmente o longa foi bem pelo menos, tendo uma representação maior da escola da garotinha com seu estilo de corrida, a colocação dos imigrantes sendo repreendidos pelos soldados, um galpão abandonado aonde ocorre o acidente, e até uma cadeia um pouco mais bagunçada, mas com um toque realista do estilo trabalhado pelo filme, ou seja, foi bem acertado as dinâmicas para mostrar bem o trabalho da equipe de arte, mas como já falei algumas vezes produção não salva roteiro e direção ruim, então apenas deu algo mais bem moldado na tela.

Enfim, é o típico filme que dava para melhorar em tudo, mas se só seguisse o básico que era "copiar" o original adaptando para a realidade mexicana já funcionaria bem, então foi completamente desnecessário todo o acréscimo que acabou ficando fraco e sem sentido, e sendo assim não dá para recomendar nem como um passatempo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Miss

2/17/2026 09:21:00 PM |

É interessante ver como concursos de misses é algo que antigamente tinha todo um glamour gigantesco, as pessoas só falavam disso, e paravam para ver os desfiles na TV, mas assim como aconteceu com o cinema, vários fatores acabaram apagando um pouco esse e outros concursos mais famosos, ficando algo mais próximo somente das pessoas que realmente gostam e batalham pelos prêmios. E no longa nacional, "A Miss", que estreia no próximo dia 26/02 em cinemas selecionados, traz bem a famosa pegada de mãe de miss, aquela que vive somente para isso, por talvez não ter vencido no passado, ou até mesmo por achar que sua filha é tão bonita que só valeria a pena ganhar algo com a beleza. Porém o longa tem uma pegada mista entre o debate do certo e o errado nas condutas tanto da mãe quanto das jovens, com uma comicidade bem levinha e boba que quase nem aparece, deixando a trama naquele famoso meio do caminho entre não saber para qual lado tocar, ou seja, você fica esperando algo mais conflitivo e quando ocorre já rola de modo que não impacta tanto, e assim sendo não fica marcante. Claro que o longa tem muitos pontos positivos, mas é o famoso debate de filme comercial com filme para festival, o qual ele tem muita pegada nesse sentido, e até já levou alguns bons prêmios, já nas telonas para o público mais comum talvez não seja tão bem visto.

O longa nos mostra que Iêda, ex-vencedora de concurso de beleza na juventude, sonha que sua filha, Martha, siga a tradição da família e vença um concurso de Miss. No entanto, Martha não tem aptidão nem interesse para isso. Por outro lado, seu filho, Alan (Pedro David), parece ter mais talento para reivindicar a faixa e a coroa. Com a ajuda do “tio Athena” (Alexandre Lino), os irmãos bolam um plano para que Alan realize o sonho da mãe sem que ela saiba.

Costumo dizer que a dramédia é o pior estilo para um diretor estrear em longas, e aqui Daniel Porto cometeu todas as falhas clássicas de estreantes nesse gênero, pois não faz rir como se deve em uma comédia, nem causa ou problematiza algo com tanta imposição quanto caberia num bom drama, de tal forma que seu filme até funciona bem na tela, mas peca nas duas pontas mais densas, aonde talvez a pontuação de uma crítica maior em cima das mães de misses, que não enxergam tanto os demais ao seu redor, ou então que pontuasse mais as escolhas sexuais e o drama todo em cima da situação do garoto e do maquiador, para haver aberturas maiores na tela, de uma forma mais imponente, ou então que avacalhasse tudo e criasse uma trama engraçada com todas as dinâmicas acontecendo sem parecer algo sério, que aí o rumo seria outro. Mas vai aprender com a prática, afinal esse é apenas o primeiro longa, visto que já fez muitos curtas, e assim certamente irá melhorar as escolhas.

Quanto das atuações, Helga Nemetik acabou forçando um pouco demais os traquejos de sua Iêda, pois é até ok aceitar algumas brigas familiares, mostrar que pela mãe ter sido rigorosa ela virou uma também, mas em alguns atos pareceu mais gritaria do que atuação, e isso pesou um pouco na tela. O jovem Pedro David soube brincar bem na entrega de seu Alan, mostrou carisma e entrega para poder virar uma miss, e conseguiu segurar bem suas dinâmicas e poses, mas não foi muito além nos momentos que precisaram de mais diálogos. Maitê Padilha tentou trabalhar algumas entregas com sua Martha, porém ficou apagada demais quando deixa a briga de lado. E para fechar o grupo, Alexandre Lino até teve algumas explosões e dinâmicas sinceras com seu Athena, porém faltou ir mais além com o personagem, mas não sendo tanto problema seu, e sim do roteiro.

Visualmente o longa foi bem simples num primeiro momento, não tendo tanta valorização dos ambientes, apenas mostrando a casa dos protagonistas, muitas roupas, o salão bem rapidamente, e depois os dois concursos de Miss Grajaú e depois de Miss Rio de Janeiro, ampliando de bairro para cidade, porém no miolo para dar uma enchida na tela, tiveram alguns momentos do passado da mãe, para que ela enxergasse melhor como ela virou aquilo, e assim, o resultado conseguiu funcionar e mostrar serviço na tela. 

Enfim, é um longa bacana que tem um funcionamento simples na tela, que certamente dava para ir mais além se tivesse escolhido um lado, mas como não aconteceu, o resultado acabou ficando bem próximo de algo mediano que dá para curtir como uma conferida de passatempo, e assim acaba sendo a minha dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Olhar Filmes e Sinny Assessoria, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Rob1n - Inteligência Assassina (Rob1n)

2/17/2026 12:18:00 AM |

Certa vez comentei que odeio fazer textos falando mal de algum filme, pois sei todo o trabalho que dá uma produção, sei a complexidade de todo o processo de desenvolvimento de algo, mas como minha irmã já disse uma vez, a vontade que dá é escrever: "é um lixo." e nada mais, economizando as teclas do teclado e a paciência do crítico, mas infelizmente não dá para fazer isso, então vou ser bem direto sem muitos enfeites para falar de "Rob1n: Inteligência Assassina", que até poderia ser considerado um par para M3GAN, mas a pobre androide ficaria só na vontade, pois o rapazinho aqui é violento, mas não tem inteligência alguma como colocado em seu subtítulo, sendo daqueles filmes tão fracos de tudo, desde atuações péssimas, uma história que leva nada a lugar algum, e principalmente uma trama sem muito para chamar atenção, sendo daqueles que você fica se perguntando o motivo que entrou na sala do cinema para ver isso, pois até mesmo os atos violentos são bobos, pois daria para fugir facilmente do robozinho "possuído" (entre aspas mesmo, pois em momento algum isso fica claro na tela).

A sinopse nos conta que quando um especialista em robótica canaliza o luto pela perda de seu filho de 11 anos na criação de “Robin”, um boneco robótico totalmente funcional, uma série de eventos horríveis deixa claro que Robin fará de tudo para ter seu criador só para si.

Podemos dizer facilmente que o diretor e roteirista Lawrence Fowler é um cara de um único filme, pois dentre os seus 6 longas, 3 são do mesmo personagem, e aqui ele até poderia tentar chamar muito mais atenção para o mundo da robótica ou então encarar de vez o lado da possessão, e quem sabe misturar as duas coisas na tela, porém ficou meio perdido com o que desejava passar e acabou não entregando nada na tela. Ou seja, até vemos um filme que poderia funcionar, mas o orçamento minúsculo acabou pegando um elenco que para ser chamado de fraco precisaria melhorar muito, dentro de uma história que de tão bagunçada não consegue passar sinceridade em nada, desde o que seria o boneco vivo sozinho (IA ou possessão), se o velho realmente tinha o dinheiro em casa, ou até mesmo o quão burra foi a ideia do jovem em fazer seu plano de forma tão ruim, e sendo assim, o resultado acabou não chegando a lugar algum.

Quanto das atuações, chego a pensar se valeria citar os nomes de quem tentou fazer algo no filme, pois volto a frisar que foram tão fracos e sem base expressiva que chega a ser triste esperar algo deles. Mas vamos lá, Ethan Taylor até tentou fazer um Leo com alguma expressividade, a de depressão caberia melhor do que sei lá a de rancor que tentou passar, pois ele se perdeu nos trejeitos não fluindo de forma alguma, o que acaba sendo desanimador de ver. A jovem Leona Clarke também tentou aparecer razoável com sua Lexi, mas desapareceu do nada, depois voltou em algumas cenas, parecendo até que tinha ido embora da casa, mas ao menos parecia feliz com a entrega, só parecia. Simon Davies fez de seu Aiden alguém que tinha algum tipo de doença, meio perdido na tela, mas em outros atos parecia acreditar no que estava fazendo, ou seja, talvez nem ele saiba mesmo o que o diretor queria. Quanto aos demais, era melhor nem terem ido para a casa, mas já que foram, morreram bem, e quanto do agiota, sua trama foi rapidamente esquecida com o final escolhido.

Visualmente a trama foi bem básica também, tendo um começo em uma praia meio que estranha, com rachaduras no chão, quase uma paisagem do semi-árido, mas com um mar ou lago ao fundo, logo depois vão para a casa/castelo do tal tio, aonde vemos como base só o quarto dos protagonistas, a sala, e basicamente o celeiro aonde praticamente todo mundo irá morrer ali das formas mais idiotas possíveis pelo tal boneco feio que dói, que não corre, e que era só fugir, mas o povo ficou paradinho para levar facadas ou outras coisas. Ou seja, a equipe de arte até teve uma boa quantidade de sangue, mas não ousou como poderia.

Enfim, não vou dizer que não me serviu de passatempo, pois estaria mentindo, que ao menos ele é rápido e não chega a ser cansativo de conferir, mas passa bem longe de ser algo que irei recomendar para alguém, ou até mesmo lembrar amanhã que eu conferi isso, então dá para economizar e ir conferir outro longa melhor que esteja passando nas telonas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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