Quem me segue sabe que geralmente fujo de longas politizados, principalmente no cenário nacional, aonde sabemos que infelizmente virou uma grande baderna de torcidas, que se você falar bem de algo uma tonelada de joga pedra, já se falar mal, vem outra tonelada e te xinga, então fica difícil ver esse estilo de trama e ter a própria opinião crítica como deve ocorrer, tanto que quando veio o convite para assistir o longa "Eu Não Te Escuto" fiquei bem tendencioso a recusar, mas alguns amigos apoiaram a ideia de que ao menos seria legal para rir e talvez meter o pau nele como filme, afinal a ideia real que aconteceu já foi absurda o suficiente para as pessoas normais, então alguém imaginar fazer um filme da loucura deixando ainda mais insano, era para pensar duas vezes. E cá estou hoje aqui para falar dele de forma cinematográfica, e meus amigos, guardem suas pedras, pois ficou algo que beira o genial, pois a sacada do diretor de fazer como se uma equipe de filmagens estivesse de carona com o caminhoneiro quando o manifestante se pendura na frente do caminhão, e ir filmando com uma câmera as opiniões do caminhoneiro sobre tudo aquilo que aconteceu e como pensa sobre as manifestações e a política em si; e com outra câmera do lado de fora do caminhão ir tendo o mesmo diálogo com o manifestante, sobre como ele se acha com o que fez, e muitas outras perguntas sobre democracia e tudo mais, foi brilhante para economizar palavras, pois ele ao mesmo tempo que não joga para lado algum, também deixa que o filme não fique pesado de brigas, e sem eles se ouvirem, ficou fluido, rápido e inteligente na tela, principalmente por ambos os personagens serem o mesmo ator. Ou seja, o filme estreia quinta 14/05 em alguns cinemas selecionados, e recomendo com todas as letras irem conferir, mas vou tentar falar um pouco mais sem politizar o texto também.
A sinopse nos conta que um encontro improvável entre dois brasileiros se transforma em um road movie inusitado. Uma viagem ficcionalizada a partir de um evento factual que se tornou um famoso meme e tomou as redes sociais brasileiras. Humor e tensão expõem um país marcado por desigualdades e estruturas educacionais frágeis, onde os personagens repetem ideologias que mal compreendem, revelando a impossibilidade do diálogo.
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A sinopse nos conta que um encontro improvável entre dois brasileiros se transforma em um road movie inusitado. Uma viagem ficcionalizada a partir de um evento factual que se tornou um famoso meme e tomou as redes sociais brasileiras. Humor e tensão expõem um país marcado por desigualdades e estruturas educacionais frágeis, onde os personagens repetem ideologias que mal compreendem, revelando a impossibilidade do diálogo.
Antes de mais nada, nem sabia que o ator Caco Ciocler tinha virado diretor e roteirista, e aqui é o encerramento de sua trilogia política, ou seja, tentarei ver os demais em breve para poder opinar também se sua mão realmente é boa para criar e desenvolver histórias, pois aqui por mais maluco que possa ser, o argumento foi real, tivemos um manifestante se pendurando em um caminhão e indo "embora" da manifestação carregado por algum tempo, que aqui acabou sendo algo meio insano como é dito no final da produção, mas ele abrilhantou tanto com os diálogos construídos, claro entre os personagens e o documentarista que não aparece, e não entre eles mesmos, que tudo flui, tudo é divertido, vemos as ideias até de muitos sobre democracia, sobre o que está bom ou ruim, que no fundo é que ninguém vale nada entre os peixes grandes, vai você não trabalhar pra ver se o seu prato de comida ou da sua família vai encher sozinho, e com essas ideologias bem colocadas, algumas pautas arriscadas, e toda uma desenvoltura simples, porém muito bem feita, o resultado acaba sendo gostoso de acompanhar. Ou seja, é daqueles longas que não são alongados, tendo apenas 70 minutos, que funciona demais na tela, sem cansar, sem arrumar confusões, e principalmente que daria para algum diretor maluco ter filmado mesmo toda a interação, e assim mostrou uma faceta que nem imaginava que o ator tinha, mostrando potencial na função.
Quanto das atuações posso afirmar que foi a escolha certa trabalhar com Marcio Vito em duplo papel como o Caminhoneiro e o Cordeiro Patriota, sem darem seus nomes para não ficar nada evidenciado na tela, mas principalmente colocar como algo mais representativo, e a entrega do ator foi tão bem personalizada em ambas as posições que acabamos nos divertindo nos dois casos, não se irritando com nenhum, nem polarizando a situação como costuma ocorrer, sendo brilhante de essência e de brincadeiras na tela, tendo pegada e mostrando atitude nos trejeitos e dinâmicas, aonde o ator soube sentir o papel e entregar muito, ou seja, se deu muito bem na tela e dominou ambas as situações sem soar falso nem estereotipado.
Visualmente é engraçado de falar do que nos é mostrado na tela, pois só ficamos na cabine do caminhão e do lado de fora com o rapaz preso, sem mais nada a não ser outros carros e o ambiente das árvores, postes e nuvens passando, que muitas das vezes achei até que tinham errado em escurecer e clarear tão rapidamente, mas que acaba sendo explicado no final, e essa essência simples barateou o custo do longa e o resultado acabou sendo algo íntimo e bem feito, que acabou agradando bastante, e o melhor, sem cansar.
Enfim, é um filme bem bacana, que julguei bem mal o livro pela capa, mas que ao conferir acabei gostando mais do que imaginava, sendo daqueles simples e bem feitos que valem a indicação para os amigos conferirem, então fica dessa forma a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Amaia Filmes e da Sinny Assessoria pela cabine, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.
































